Olimpo esquecido
10 A Santa Inquisição
Notas iniciais
Quando Ísis e Amon regressaram para novamente reencarnar na Terra, foram falar com seus amigos anjos, para que lhes indicassem um lugar onde se necessitava um líder. E os anjos os levaram de imediato para “A guerra dos cem anos”.
Durante esses anos todos que eles estiveram ausentes, a Inglaterra, país forte e poderoso, havia conquistado metade da França. O rei francês era um banido, que tentava defender as poucas cidades que ainda não haviam sido ocupadas. Por causa disso tudo, o povo francês definhava de fome, sem saber o que fazer. E os anjos pediram para Ísis nascer entre esses famintos e ajudá-los a sobreviver.
Para Amon, pediram que nascesse na Itália, pois seus antigos escritos egípcios estavam muito bem guardados nesse país, aos cuidados da “Grande Irmandade Branca”, uma confraria secreta que compartilhava ciência e misticismo. Os anjos lhe explicaram que ele seria acossado pelo poder da Igreja e manter-se vivo viria a ser seu maior desafio, já que seu inimigo eclesiástico estava muito mais poderoso do que nos tempos do Egito. A igreja romana mandava sobre todo poder, e reis e homens poderosos se curvavam ante os vigários. Os homens da ciência eram queimados vivos todos os dias, já que o maior pecado daquele tempo era ser “herege”, ou seja, ser um incrédulo aos ditames do Papa e de sua trupe.
Amon perguntou, sem entender nada ainda:
— Mas, quais os ditames? Deuses poderosos de novo?
— Isso! Os vigários ensinam nos púlpitos que os deuses inventaram TUDO, desde o universo até as formigas. Os homens nascem pecadores, pois são concebidos com sexo, que é algo impuro, pecaminosos, sujo, e a insanidade não tem fim... Ah, e a Terra é o centro do universo, pois o Sol gira em redor dela...
Foi a vez de Amon e Ísis darem boas risadas, pois a humanidade havia regressado à Pré-história do pensamento humano. E o que era pior: esses vigários estavam em todo lugar. Havia igrejas em toda a Europa, além de mosteiros, claustros com freiras, e as pessoas sequer falavam entre elas, pois os espiões da Inquisição estavam sempre por perto.
Portanto, resignados a uma vida de pesadelos, cada um nasceu num lar especial, onde famílias os cuidariam com amor até a adolescência, quando as lembranças das vidas passadas sairiam do inconsciente e recuperariam suas faculdades mentais aos poucos.
O inferno daquela vida começou para Ísis quando soldados ingleses invadiram sua vila de agricultores, roubaram todas as colheitas e mataram sua família com crueldade. Suas irmãs também foram estupradas insanamente, mas ela se salvou, escondida num buraco no chão. Cuidou dos feridos, consolou os órfãos, enterrou sua família entre lágrimas; no entanto disse a si mesma que esse inferno devia terminar. Os ingleses deixavam um espetáculo de horror quando arrasavam os burgos, fazendo dos franceses sofredores eternos.
Enquanto enterravam os mortos, o povo começou a tomar posse das roupas das vítimas caídas, para se protegerem com elas do frio do inverno. Ísis, que nessa vida tinha o nome de Joana, puxou o uniforme de um soldado francês, miudinho, e viu que tudo servia para ela. Calçou as botas, colocou a espada na cintura, e riu com ela mesma. Cortando o cabelo, podia ser um soldado ao serviço da França.
E, num dia qualquer, Ísis subiu no seu cavalo branco e cavalgou dia e noite até chegar à cidade de Vancoulers, onde havia uma guarnição de soldados franceses.
Contudo, se cruzar pradarias devastadas pela guerra não foi um problema para ela, convencer esses soldados de que ela era uma guerreira destemida ocorreu entre risadas cínicas e piadas. Mas a deixaram ficar, pois a guarnição estava cheia de mulheres. Elas cuidavam das roupas dos soldados, preparavam a comida, ou seja, serviço para elas nunca faltava. Agora, nenhuma mulher dava palpites sobre a guerra, e Ísis era levada na conversa. Ninguém escutava seus conselhos sobre estratégia militar, e como ela desejava muito conversar com o rei, um dia a escoltaram até a cidade de Chinon e ao palácio onde o rei Carlos VII morava com a família.
Quem convenceu Carlos VII a receber Ísis no palácio foi sua mãe. Ela era uma religiosa devota que acreditava em Santos iluminados, e uma vidente havia lhe jurado que Ísis era uma Santa que devolveria a coroa para seu filho. Ísis era uma donzela jamais tocada por homem nenhum, muito devota à igreja, sabia cavalgar como qualquer soldado, e podia ser uma luz para o exército desmoralizado após tantas derrotas.
Depois de ser examinada entre as pernas, por médicos e matronas, comprovando sua virgindade, Ísis foi levada ao palácio para conhecer o rei. Ela entrou cautelosamente e, quando viu Tuth sentado no trono, reconhecendo-o de imediato, ela teve vontade de correr para lhe dar um beijo. E foi assim que Ísis deu sua primeira prova de jovem iluminada. Ela se ajoelhou com humildade diante de seu filho guerreiro, e falou:
— Você será um dia meu escudeiro mais valente e fiel, mas essa coroa não é sua, meu senhor...
— Você nunca me viu antes, mas parece que me conhece da vida toda...
Ísis sorriu sorrateiramente, pois Tuth era uns três anos mais velho do que ela, forte, lindo, perfil herdado de Amon. Ísis levantou-se, e viu o rei em pé, no fundo do salão. Caminhou com firmeza, ajoelhou-se novamente em frente à sua majestade, e lhe pediu com humildade que lhe desse um cargo importante entre os soldados, e que suas ideias fossem levadas a sério.
Assim, a saga de Ísis ficou inscrita na história da França como a grande “Joana Darc”. Com um estandarte branco na mão, ela discursava para as tropas antes das batalhas, enchendo-os de brio e coragem, e depois ela cavalgava, à frente, acompanhada de Tuth, que a protegia como cão de guarda. Ele, em pouco tempo, era seu escudeiro, seu servo, seu médico, seu conselheiro e dormia na entrada de sua tenda zelando por seu sono. Ísis o abraçava e lhe soprava no ouvido:
— Não me ame tanto assim, pois eu fui sua mãe nas vidas passadas...
E Tuth ria até engasgar, pois ninguém na França acreditava em reencarnação. Era a igreja quem decidia aquilo em que o povo podia ou não podia acreditar. A reencarnação só era falada em “conclaves secretos”, por homens que, quando descobertos, morriam condenados por heresia pela Inquisição.
As primeiras quatro batalhas lideradas por Ísis devolveram à França terras perdidas há muito tempo. Ela ganhou o respeito dos generais, dos soldados e a adoração do povo. O rei Carlos VII entrou na cidade de Reims com honras e glórias e foi coroado na Catedral de Reims como rei de toda a França.
No entanto, Carlos VII era um homem covarde que, em vez de avançar sobre Paris, como era a vontade de Ísis e de toda a tropa, fez um pacto com os ingleses: ele deixaria para o inimigo algumas cidades em troca da paz. Mas, o que foi ocultado de todos, foi que a Santa Ísis seria incluída no pacote, para ser julgada pela Inquisição inglesa. O papado a odiava em Roma; toda a cúria francesa também, pois ela era uma mulher vestida de homem que dormia entre a tropa, e de Santa ela não tinha nada. O poder que Ísis possuía entre o povo molestava tanto o papado romano quanto o reinado francês. E foi assim que Ísis foi presa, em meio a uma batalha. Depois foi vendida para os ingleses e levada para a cidade de Ruão.
E uma nova etapa começou na sua vida.
As prisões dos castelos da Idade Média eram os lugares mais tenebrosos e imundos que existiam naqueles tempos. A cela de Ísis era mais imunda que o chiqueiro de porcos de sua chácara. O fedor do cocô estava em todo canto, e sua cama era um amontoado de palhas que fediam a urina. Em poucos dias, ela era uma donzela que cheirava a merda.
Mas, através de uma janela pequena, ela podia ver que existiam lugares muito piores. No centro de um pátio, havia uma gaiola gigante onde os homens eram colocados em pé, completamente nus. Nenhum deles podia sentar, ou deitar, e quem desmaiava era sustentado pela cintura pelos outros. E ficavam ali, suportando o calor do dia e o frio da noite.
Quando Ísis foi levada a esse pátio, para ser amedrontada com a visão daquele horror, os condenados começaram a gritar seu nome, esticando os braços para fora da gaiola, pedindo-lhe por um milagre. Ísis correu a tocar suas mãos, chorando, e, com palavras doces, tentou consolá-los. Ela começou a dizer que esse sofrimento duraria pouco e, que depois da passagem da vida à morte, seriam recebidos pelos anjos, que os estariam esperando com um banquete para matar a fome e recuperar a saúde. Depois, os homens começaram a rezar, a cantar, sentindo uma paz interior incomum, abençoando Ísis pelas suas palavras.
A cúria do castelo entrou em pânico, pois o resultado da tortura psicológica estava sendo outro. E, com fúria, começaram a arrancar a roupa de Ísis, até deixá-la nua, para mostrar aos condenados que ela não passava de uma mulher. E a deixaram ali, ao relento e às agruras do tempo. Ísis sentou no chão, escondeu sua cabeça entre as pernas, e segurou as lágrimas. Os homens da gaiola entraram em desespero, chorando angustiados, por eles e pela Santa.
E foi assim que Ísis suportou o frio, o calor, enquanto perto de sua desgraça os carrascos puxavam um homem morto da gaiola, de tanto em tanto. Ela começou a se apagar, a ficar tonta, e desmaiou de vez no chão. Tentaram despertá-la com água, mas ela ficou ali mesmo... estava morrendo aos poucos. Enquanto isso, o povo rezava pela Santa, dentro e fora das igrejas; acendia velas ao redor do castelo, pedindo aos Santos que aliviassem a dor da Santa guerreira.
Os vigários, então, mudaram de tática. Ísis foi reanimada com um banho quente, roupas limpas, comida farta, e levaram-na para uma prisão com um colchão macio e um cobertor quente. Ao quinto dia, porém, trouxeram para sua cela um prisioneiro cheio de feridas, pois a tortura dele havia sido das mais violentas: nos pés faltavam-lhe três dedos, na boca, três dentes, e suas costas não paravam de sangrar. Ísis o estendeu por cima do colchão, molhou um pedaço de sua saia e limpou-lhe as feridas, além de lhe dar, para comer, sua papinha de legumes. Tampou-o com o cobertor, e o viu sorrir com dificuldade.
Ao terceiro dia, o condenado começou a se recuperar. Olhou-a com adoração, e falou-lhe com voz rouca:
— Desculpa, mas por que achas que estou aqui?
— Bruxaria? Heresia? Ou, és um alquimista poderoso?
— Não! Nesta cela, aqui, contigo?
— Sei lá...
— Eu fui perdoado porque jurei que te estupraria, e deve ser sadicamente. Vou ter que te bater muito...
— Nossa! Mas, eu acho que vou gostar disso...
E dessa vez riram até engasgar, em meio a tanto infortúnio.
Nos dias seguintes, o homem começou a falar sobre ele. Afinal, Ísis era mais conhecida do que o próprio rei. Não havia francês que não soubesse de suas glórias nos campos de batalha, de sua coragem frente às tropas; na verdade, ela era admirada também pelos homens mais inteligentes, dentro e fora da França. Ele era médico, estéril, solteiro; seu nome era Armand, sabia os segredos da Alquimia e era um místico que pertencia a uma “ordem secreta”, que seguia os ensinamentos do antigo Egito. Ele estava traduzindo antigos pergaminhos do sânscrito para o latim, mas alguém o delatara. Sua casa tinha sido queimada, e só ele sabia em que lugar escondera seus estudos. Por esse nobre motivo, ele tinha que sair do castelo. Sua missão, naquela vida, ainda não estava terminada.
Ísis o abraçou com doçura, e falou-lhe ao ouvido:
— Eu sou virgem, mas acho que vou gostar muito de ter uma vida de luxúria. Começa hoje à noite; eu não vou gritar, não... depois, faremos um teatro dramático para teus carrascos...
E uma nova etapa na vida de Ísis começou, mais uma vez. Entre o calor do cobertor, Armand, delicadamente, com a boca fechadíssima encostada no pescoço de Ísis, respirando com calma, tirou sua virgindade sem dor. Foi uma longa noite de beijos e sussurros, e de um namoro secreto.
Durante um mês, Armand se fez de doente durante o dia, com Ísis cuidando dele, dando-lhe comida na boca, limpando suas feridas e, para passar o tempo, conversavam sobre filosofia, misticismo e política. Armand também lhe ensinava matemática básica, como fazer somas, riscando no chão de terra batida, ou multiplicava, para ela entender quantos soldados lutaram com ela, quantos morreram... porque Ísis era totalmente analfabeta. Ela apenas era uma telepata que escutava a voz dos anjos.
E, quando a noite chegava, o namoro começava com beijos suaves, sussurros, risadas abafadas com o cobertor, esperando o sono chegar.
Porém, essas noites deliciosas terminaram. O estupro de Ísis foi marcado com dia e hora, e muitos vigários o viram através de buracos na porta.
Armand amarrou-a com firmeza, com cordas grossas, e bateu nela com chicote, deixando-lhe feridas verdadeiras. Deu tabefes no rosto, e, desta vez, Armand gritou alto enquanto Isis chorava de dor e desespero.
Na última noite, antes do estupro, Armand soprou no ouvido de Ísis, durante um descanso:
— Vão te condenar à fogueira, então fica atenta. No caminho ao martírio alguém vai te dar uma cápsula. É um veneno suave que mata rápido e sem dor. Mastiga-o quando comece o fogo em redor.
— Cápsula? O que é isso?
— Sei lá! Só sei que foi inventado pelo “Sombra”, um alquimista italiano que ninguém sabe quem é. Já traduzi cinco livros dele, pois escreve em grego antigo, algo que nenhum vigário consegue ler. Eu aprendi o dialeto nos “conclaves secretos”. É como escrever simbologia – só para quem é iniciado. E vou te deixar, pois vão me soltar. Sabias que te amo muito?
— Sei! Mas, eu sinto que meu verdadeiro amor é alguém que não é francês. No entanto, fui feliz aqui contigo... como é que esses idiotas acham que namoro é sinônimo de pecado?
— Porque dá dor nas mulheres, e muito! Mas é mais por causa do medo... nenhuma casada gosta... eu sei, sou médico. Elas até choram na cama. Dessa maneira, não existe a felicidade entre o povo e o único consolo nesta vida é o após da transição para o além. Todos acham que depois da morte irão para um “Paraíso celestial”. Então, sofrem sem reclamar. E tem mais: para ir ao tal de “Paraíso”, temos que dar dinheiro para o clérigo. Quanto mais se dá, mais aberta será a porta para entrar naquele lugar fantástico e ser feliz pela eternidade.
— Que horror! Eu nunca entendi muito, pois na minha vila os vigários só nos faziam rezar. Nós não tínhamos igrejas e eles nos falavam pouca coisa. Dávamos-lhes uma parte de nossas colheitas, vinho, pois adoravam nosso vinho, e mais nada...
— Pois! E é ali, no campo, onde se namora muito, sem tabu, sem dor... as camponesas têm isso a favor.
— Mas minhas irmãs foram estupradas... e morreram assassinadas... e nenhum padre apareceu para nos consolar... e agora chegou a minha vez, será que vou para esse “Paraíso”?
— Claro que sim... e vamos reencarnar mais uma vez. Espero que o mundo esteja um pouco melhor nesse futuro distante...
— E será que vamos nos ver de novo? Como amigos?
— Claro! Seremos amigos, ou... quem sabe... amantes?
Depois da partida de Armand, Ísis foi levada ante um jurado público, para ser julgada por heresia e luxúria. Ísis teve que gritar que não era mais virgem, pois havia cometido o “pecado da carne”, mas também gritou que era Santa, sim, pois ela havia sido estuprada e torturada pelos carrascos da prisão e por cinco vigários feios e fedorentos. Em seguida, mostrou as feridas das chicotadas nos braços, lembranças de Armand.
E não falou mais nada, pois sua condenação à fogueira foi entre gritos a favor e alaridos e lamúrias do povo que a amava.
Para queimar Ísis, foi levantado um estrado na praça do velho mercado de Ruão, onde cinco bruxas seriam queimadas junto com ela. E, naquela tarde, nunca houve tanta gente fazendo fila dupla nas ruas de Ruão, para tocar a Santa enquanto ela caminhava. Todos choravam, e havia mulheres que gritavam. Os soldados a olhavam de longe, enquanto Ísis começava a buscar entre a multidão pela cápsula de veneno. Numa curva do caminho, uma mulher com capuz a puxou do braço, abriu suas correntes com uma chave mestra, enquanto um tumulto as rodeava para esconder o que estava para acontecer. Ísis ficou livre. Foi puxada para longe com força e colocada sobre um cavalo pronto para a fuga. Ficou no lugar dela uma desconhecida, que se imolou para salvar a Santa.
Nos dias seguintes, Ísis viajou para as Ilhas gregas, bem longe da Inquisição, onde seus novos amigos a esconderam durante o resto de sua vida. Casou com um mercador rico que lhe deu uma vida de fartura. E, um dia, depois de aprender a ler e escrever com seu marido, ela escreveu alguns versos, alguns contos, e aprendeu a pintar.
Quando Ísis morreu, ela tinha sessenta anos, era mãe de cinco filhos, e avó de três meninos, e ninguém de sua família soube que ela fora uma guerreira terrível. Somente os homens nos “conclaves secretos” falavam de sua vida, de suas glórias, uma vez que a história de cada gênio daquele tempo era incluída nos livros secretos.
Na vida espiritual, Tuth estava pronto para recebê-la, e imediatamente viajaram para a Itália, para esperar que o “Sombra” se despedisse de sua vida. Desta vez, ele era um vigário cristão, dentro de um mosteiro gigante, onde a igreja possuía a maior biblioteca da Terra, desde papiros egípcios a escritos gregos, romanos, pois toda a sabedoria dos antigos era propriedade da igreja. E Amon traduzia para a igreja o que ela lhe pedia, e depois escrevia o que era dele mesmo, num sistema perfeito de comunicação com o povo. Nos púlpitos, onde as pessoas confessavam seus pecados, os membros da “Irmandade Branca” recebiam tudo aquilo que Amon achava interessante. Eram textos sobre medicina, anatomia, alquimia, matemática, astrologia, conhecimento que seria a base de uma futura revolução, o “Renascimento italiano”, que aconteceria muitos anos depois de sua morte. Amon sabia que ele nada mudaria no seu tempo de vida. Apenas deixara uma semente, que em poucos anos faria a ciência brilhar, pela primeira vez, depois de 1.500 anos de ignorância e de terror.
Quando os três se abraçaram na vida espiritual, havia ao seu redor oito anjos, muitos amigos, filhos, netos, numa festa improvisada, pois o trabalho dos três havia sido impecável. Com o fim da “Guerra dos cem anos”, a Idade Média estava finalmente encerrada. E, na Itália, os inquisidores nunca souberam quem fora o “Sombra”, embora muitos tivessem sido torturados para revelar sua identidade.
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