Olimpo doce Olimpo
18 Aproveitando as Olimpíadas
Uma manhã bem animada tomou conta do Olimpo. Os deuses se arrumavam para acompanhar as competições de canoagem, os homens vestiam roupas leves e chapéus Panamá ou Fedora; as mulheres usavam vestidos bem soltos e chapéus diferentes, porém, enquanto se arrumavam, conversavam.
— A turma de Ásgard vem aqui hoje? — Perguntou Anfitrite.
— Sim. — Respondeu Hebe, ajeitando o seu vestido branco com detalhes azuis. — A Ilítia me falou que vão vir somente à noite, pois, vão dormir aqui.
— Vão dormir aqui? Milagre. — Métis riu. — Normalmente, eles vêm mais cedo para ficar o menor tempo possível no Olimpo.
— Só que será apenas hoje. Porque nos outros dias, as visitas vão ser ainda mais raras e só vão aparecer mesmo no dia do casamento da Helena. — Completou Hebe, colocando um chapéu capeline branco. — Amanhã, ficam para o café, depois vão assistir as competições de vôlei feminino, a seleção chinesa vai jogar. Além de acompanhar outras modalidades.
— Mas hoje vão acompanhar a canoagem? — Perguntou Têmis.
— Vão sim.
— Meninas, antes de irmos para a canoagem, temos um evento. A minha Beth vai se sentar no trono ao lado de Stanley, como rainha do Olimpo. — Disse Anfitrite com empolgação, se lembrando de algo.
— Mãe, não precisa se empolgar tanto. — Disse Elisabeth, tímida.
— Ora, Beth, por que não? A minha filha é a rainha do Olimpo. E já que estamos na Grécia, no Olimpo, é o melhor momento para sentares no seu trono. Quanta emoção. Será que é a cerimônia?
— Não sei, mãe. A Oraculo de Delfos não me disse nada.
— Talvez seja surpresa.
— Será uma emoção para mim também, ver o meu filho sentado no trono de rei do Olimpo. — Disse Métis.
...
Todos se reuniram na sala dos tronos. Stanley e Elisabeth se encaminharam para os seus tronos e se sentaram. Todos ficaram admirados com a cena, Métis e Anfitrite estavam de mãos dadas emocionadas. Chelsea pegou uma máquina fotográfica, Stanley e Elisabeth sorriram, registrou uma foto dos pais e disse:
— Será mais uma lembrança que terei de vocês juntos.
— É estranho. — Disse Elisabeth, sentada em seu trono de ouro e olhando para Stanley.
— O que é estranho? — Perguntou Stanley.
— Nós dois aqui, sentados como reis do Olimpo, não estando mais casados. — Elisabeth deu um sorriso tímido.
— Eu também achei estranho, mas desde que nós nos separamos, a Inglaterra continuou sendo uma potência na Europa e você continuou sendo a rainha do Olimpo. Mas o que mais estranhei é que não apareceram nem a minha águia, nem o seu leão.
— A cerimônia de confirmação só é realizada quando os dois animais símbolos dos países dos reis do Olimpo aparecem. Se não apareceram hoje, com certeza, não é o dia. A Oráculo de Delfos deve falar com vocês depois. — Disse Amaltéia.
...
No Centro Olímpico de Canoagem Slalom, todos acompanhavam a competição, os deuses vibraram com cada competidor de seu país. Têmis não parava de olhar para Zeus um segundo e Helena reparou.
— Não acha, mamãe? — Perguntou Helena.
— O quê? — Têmis devolveu a pergunta, como estivesse saído de um transe.
— Dos canoístas gregos, eles estão tendo um bom desempenho. — Respondeu Helena. — Nem está prestando a atenção, vai acabar perdendo a competição.
— Me desculpa, filhinha. É que estou interessada em outro assunto.
— Sei. O meu pai. Vai lá, fala com ele. Percebo que a senhora está louca para falar com ele.
— Agora? Não deixarei para depois. Se fizer isso agora, vou perder a competição.
— Mais do que já perdeu? Vai lá conversa com o papai. Quem sabe vocês não se acertam? — Helena ajeitou seu chapéu cloche branco com a fita rosa. — Dou o maior apoio.
— Está bem, vou lá.
Têmis ajeitou seu chapéu cloche branco com um laço azul e foi conversar com Zeus. Ela parecia bem ansiosa, tem tanto para falar, mentalmente ensaiava a conversa, sorria esperançosa. Mas tudo mudou quando viu Zeus conversando com Métis. O sorriso dos lábios de Têmis, murchou. E não era uma simples conversa, os dois estavam se dando bem, sorrindo e rindo um para o outro, havia um interesse. Têmis reparava em Métis, olhos cor de mel, vestido amarelo com rendas brancas, cachos perfeitamente alinhados sob o chapéu de abas largas branco com flores e um belo sorriso. Tão linda, tão perfeita. Não haveria como, Métis era mais interessante e atraente do que ela, por fim, Têmis desistiu de falar com Zeus e voltou a assistir à competição, triste por não falar o que sente.
...
Anoiteceu no Olimpo, as deusas estavam na cozinha preparando o jantar, até Têmis se arriscava, cortava alguns legumes com auxílio de Irene e Helena. Francine ajudava Métis com a carne e aproveitou para fazer um comentário.
— Interessante a sua conversa, mãe. — Disse Francine, temperando a carne.
— Que conversa, Francine? — Perguntou Métis.
— A sua com o meu pai. Vocês pareciam interessados um no outro.
— Está caindo nos encantos do Zeus outra vez, minha amiga? — Perguntou Anfitrite.
— Não tem essa de cair nos encantos do Zeus, foi apenas uma conversa. — Métis disfarçou. — Francine está fantasiando.
— Fantasiando? Eu? Não é o que tenho visto nos últimos dias. Você e meu pai tem ficado bem próximos, ele tem lhe dado, sorrisos, olhares. E a senhora corresponde. Eu sei e vi isso hoje.
— Está bem. Eu e Zeus temos tendo algumas conversas, ele parece bem interessado em tudo que falo e sinto o meu coração bater um pouco mais forte, quando estou perto dele. O mesmo acontecia quando éramos namorados e casados.
— Resumindo, está caindo de novo nos encantos do Zeus. — Anfitrite falou com certa ironia.
— Não sei o motivo da ironia, Anfitrite. E se eu e Zeus tivermos um novo romance? — Disse Métis, enquanto terminava de marinar a carne. — O maior empecilho entre nós, não existe mais. A Hera está com o Frizioh e muito feliz. Os tempos mudaram e será como se fosse um novo começo para nós.
— Ih, apaixonou de novo. — Anfitrite riu. — Foram tantos te alertando sobre o Zeus, que até me esqueci desse detalhe que a Hera não está mais junto dele. Me desculpe. O que posso te desejar é um bom recomeço de romance. — Anfitrite deu um abraço em Métis.
— Eu também, tia Anfitrite. Quero muito que eles se acertem. — Disse Francine.
— Digo que sou eu quem está torcendo mais. — Disse Anne. — Sempre sonhei em ver os meus pais juntos outra vez.
— Você e Zeus combinam, Métis. Formam um bonito casal, dará tudo certo. — Disse Têmis, deixando a tabua com os legumes cortados. — Bom, aqui estão os legumes. Vou ajudar a Amaltéia a terminar de arrumar os quartos, logo teremos visitas.
Têmis se retirou da cozinha, Irene e Helena perceberam que a mãe ficou bem mexida com a conversa. Um forte barulho foi ouvido.
— Ih, chegaram. — Disse Anfitrite, revirando os olhos. — Acabou a paz.
...
Zeus apareceu na cozinha com Halinor nos braços.
— Métis, trouxe a Halinor para te dar um beijo.
— Oi, Hali. — Métis estendeu os braços, pegou a neta no colo e deu um beijo em seu rosto. — Você vai dormir no Olimpo, junto com a vovó?
— Sim, oma. — Respondeu Halinor, empolgada. — Com você, opa Zeus e vatti.
— Vamos aproveitar cada segundinho com a Hali aqui. — Disse Zeus, fazendo cosquinha em Halinor, a menina caía na gargalhada. — Não é, Métis?
— É, sim. — Respondeu Métis, corada.
Francine e Anne repararam no jeito tímido de Métis e do sorriso de Zeus para ela e, disfarçadamente, vibraram com a aproximação dos dois.
...
Ivana e Delayoh andavam pelo Olimpo e conversavam sobre diversos assuntos, até que passaram pela sala dos tronos. A deusa alemã silenciou a conversa e ficou olhando para o lugar, principalmente, para o segundo trono de ouro.
— Toda vez que passo por aqui, eu sinto um arrepio. — Disse Delayoh, com um certo temor.
— Por que? — Perguntou Ivana, curiosa.
— Meine Mutter foi muito infeliz aqui, deixou de fundar suas nações, de realizar os seus projetos, para se casar com Vater Zeus e se tornar a rainha do Olimpo. Essa aversão que tenho sobre o Olimpo, veio dela, por isso prefiro passar esses dias de Olimpíada em Ásgard do que aqui. Só venho para o Olimpo, para a Halinor ver o Stanley. Mas quando eu olho para a sala dos tronos, eu tenho uma sensação estranha, principalmente, olhando para o segundo trono. Borr me livre de algum dia, eu ser a rainha do Olimpo.
Ivana riu do que Delayoh disse.
— Ah, quase me esqueço de te contar. — Ivana se lembrou de algo. — Hoje mais cedo teve um tipo de cerimônia, o Stanley e a Elisabeth se sentaram nos tronos. Só que não houve cerimônia, pois, os animais símbolo dos países não apareceram. A Amaltéia disse que a Oraculo de Delfos vai falar com os dois depois a data. A Elisabeth parecia decepcionada.
— É pressa de ser alguém importante. “Ah, mas eu sou a rainha do Olimpo.” — Delayoh imitou Elisabeth. — Como se isso fosse algo de grande importância.
...
No dia seguinte, Pablo, deus do Paraguai, e Isael, deus de Israel, foram até o Olimpo visitar o pai Hefesto. Eles são filhos do antigo deus ferreiro e de Mercedes, uma deusa paraguaia e ex-esposa do deus. Pablo se parece mais com o pai, os mesmos cabelos castanhos ondulados, os mesmos olhos castanhos, apenas o rosto é uma mistura dos pais. O mesmo pode se dizer de Isael, porém, de rosto, ele se parece mais com a mãe. Os dois procuravam o pai e se depararam com Delayoh, ajeitando a bolsa preta no ombro, no meio do caminho.
— Oi, tia Delayoh! — Disse Pablo, fazendo um aceno.
— Não sou tia de vocês. — Delayoh falou com indiferença e sem olhar para eles. — Ô Ares, vamos logo, a Khayna já está impaciente.
Pablo ficou pasmo com a frieza de Delayoh, Isael disse:
— Não se preocupe, Pablo. Ela é assim mesmo, não nos reconhece como sobrinhos, porque não considera o nosso pai como irmão.
...
No estádio da Paz e da Amizade, havia muita vibração, tanto da torcida quanto dos deuses, Khayna vibrava a cada ponto da seleção chinesa, junto com seu marido e filhos. Enquanto isso, Delayoh, Ares e Hera estavam acompanhando o tênis de mesa no Ginásio Olímpico de Galatsi. Beatrissa e Ilítia assistiam e vibraram com os atletas belgas no Estádio Olímpico de Atenas, elas tinham a companhia de Stanley e Halinor, que vibravam pelos atletas americanos.
...
Ao longo dos dias, diversas modalidades foram disputadas e acompanhadas pelos deuses, na reta final de cada uma, os atletas foram condecorados com as medalhas e essas medalhas se tornaram oferendas para os deuses de cada país, Stanley foi o deus que recebeu mais medalhas de seus atletas.
No último dia, houve a cerimônia de encerramento, o abraço entre Helena e Khayna simbolizou a passagem de Atenas para Pequim, sede das próximas Olímpiadas, com um show de fogos acompanhado pela família Olimpiano e seus amigos abraçados e emocionados, as Olimpíadas de Atenas foram encerradas.
— As olimpíadas acabaram, estou muito orgulhosa de tudo que aconteceu. — Helena soltou um suspiro. — Amanhã começará uma nova vida para mim.
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