Olhares cruzados
2 Caminhos novamente cruzados
Notas iniciais
Lyanna
Lyanna não suportava o olhar que Cersei direcionava para ela e para seu filho Benny. Era como se a mulher os julgasse inferiores. Como se ela não aceitasse que seu bebê fosse filho de Jaime e tivesse o sobrenome Lannister. Lyanna ainda não entendia porque Ned havia concordado com aquela palhaçada. Aquela comemoração que não passava de uma tentativa de Robert de querer mostrar para os outros que tudo estava bem entre os Lannisters e os Starks.
O conflito que já se estendia por meses já havia caído, como dizem, na boca do povo. Muitos falavam até que se nada mudasse a empresa de Robert iria ruir e falir, pois nenhuma instituição prospera quando há brigas internas. Essa comemoração e confraternização pelo nascimento de seu filho era uma forma de mostrar para as pessoas que falavam que tudo estava bem e que os Lannisters e os Starks e davam bem.
Mas algo dizia a Lyanna que algo de ruim iria ocorrer antes do fim da festa. Estava um clima estranho, como se a qualquer momento algo fosse ocorrer.
Jaime estava ao seu lado, ele também parecia não está curtindo nada daquilo. Em um momento comentou:
– Isso é uma palhaçada.
–Eu sei, apenas concordei porque foi o Ned que pediu. – Lyanna havia dito. Ela realmente somente havia concordado por causa de seu irmão. Ele sempre a ajudou e ela não era capaz de dizer não a ele. Principalmente por causa dos anos em que Ned passou cuidando de Jon para ela.
Jaime nada disse, apenas sorriu. E depois perguntou baixo, olhando para Jon que conversava com os primos embaixo da sombra da grande casa na árvore:
–Quem é o pai dele?
Lyanna se sentiu meio desconfortável com a pergunta. Fazia tempo que não a ouvia. De Jaime era a primeira vez que ouvia, ele nunca havia perguntado isso antes. A mulher tentou mostrar que ficou ofendida com a pergunta e disse:
– Como?
Pensou que o tom de voz e a sua expressão fossem fazer Jaime se desculpar ou pelo menos não insistir na pergunta. Qualquer pessoa faria isso, mas Jaime não era como os outros, por isso continuou:
– Você entendeu.
Quando Lyanna ia responder qualquer coisa, Catelyn chegou e se sentou perto deles. Nesse momento Jaime pediu licença e se retirou. Lyanna ficou agradecida pela mulher ter chegado.
Um dia ela iria contar toda história por trás do nascimento de Jon para Jaime. Mas aquela não era a hora e nem o local. Era uma longa e complicada história e falar dela ainda a machucava, não tanto quanto antigamente, mas machucava.
Nem para Jon ela havia contado a verdade. O menino perguntava muito quando era criança e ela sempre dava respostas vazias. Mas seu filho merecia saber a verdade. Assim como Jaime.
Shireen
Shireen sentia falta de Bran. Aquele menino que havia a defendido de forma tão corajosa. Ela lamentava muito não ter tido a oportunidade de se despedir dele, mas a culpa não foi dela. Seu pai avisou da mudança em cima da hora e não houve nada que pudesse fazer. Mas durante todo tempo que ficou longe ela se pegava pensando em Bran e desejando que um dia pudesse se encontrar novamente com ele.
Seu desejo foi atendido quando seu pai lhe avisou que eles voltariam na cidade de Bran para ir na festa de comemoração do primo dele. Um bebê que segundo o seu pai disse era filho de Lyanna Stark e Jaime Lannister.
– Essa comemoração é somente uma forma desesperada que meu irmão Robert achou de tentar solucionar os conflitos entre os Lannisters e os Starks. – falou seu pai Stannis resmungando, como era de costume, no carro a caminho da cidade de Porto Real. Sua mãe, Selyse, já acostumada com as reclamações somente suspirou e voltou a digitar em seu celular.
Shireen sabia que a mãe estava conversando com uma nova amiga. Uma mulher ruiva chamada Melisandre. As duas viviam conversando e sua mãe havia até comentado que iria entrar para a religião da amiga.
A menina queria ter amigos, mas nunca teve. Ela tinha muito primos com quem poderia conversar, mas ela não conseguia se aproximar deles e muito menos criar laços de amizade. Isso se devia tanto a cicatriz que tinha no rosto, que fazia ela ter vontade de se isolar, quanto aos conflitos que existiam entre seu pai e seu tio Robert.
Para tristeza da menina seu pai também tinha conflitos com o pai de Bran. Tanto que no dia em que Shireen falou na hora do jantar de como um menino chamado Bran havia a defendido. Seu pai disse:
– Bran? Seria Brandon Stark um dos filhos de Eddard Stark? – falou seu pai de uma forma um pouco mais séria que a normal.
– Sim. Parece que o nome do pai dele era esse.
– Não se envolva muito com essa gente. Eles estão em um conflito com os Lannisters. Não queremos nos ver envolvidos nisso.
–Sim, papai. – respondeu Shireen para que o assunto se encerrasse logo.
Depois disso, quando se mudaram, Shireen entendeu que a mudança havia sido uma forma deles ficarem longe do conflito principal que ocorria e também de Bran.
Ela pensou que fosse demorar muito para eles voltarem para a cidade, mas estava enganada. De alguma forma seu pai havia concordado em ir para essa comemoração que iria ocorrer como por coincidência do destino na casa dos pais de Bran. Ela sabia que o fato dele ter concordado tinha forte relação com a discussão que ele teve com seu tio Robert pelo telefone.
Quando o carro chegou na casa todos desceram em silêncio. Sua mãe ainda estava no celular e a cara de seu pai deixava bem claro que ele não queria está lá.
Na porta foram recebidos pelo próprio Robert. Que estava sorrindo, como era costume dele e parecia ter bebido muitos copos de cerveja, apesar de a festa apenas está no começo.
Seu pai Stannis não retribui o sorriso e sua mãe apenas sorriu timidamente e voltou a digitar no celular. Quando chegaram ao quintal onde a festa ocorria, seu pai se sentou em uma mesa mais afastada. Nem se deu ao trabalho de cumprimentar todos os presentes, cumprimentou apenas a mãe do bebê, Lyanna e a mãe de Bran que estava ao lado da mulher.
Sua mãe sentou-se à mesa junto com seu pai, sempre com o celular na mão. Shireen não quis se sentar, preferiu ver se encontrava Bran no meio dos convidados.
Ela o encontrou conversando com outros garotos que conversavam na sombra de uma grande árvore. Ao se aproximar com cuidado a menina reparou que Bran falava animadamente sobre a sua casa na árvore que ficava naquela grande árvore. Quando ele viu Shireen sorriu e pediu para ela se aproximar.
A menina ficou meio envergonhada, mas se aproximou. Quando eles estavam bem próximos Bran a surpreendeu com um abraço. Eles ainda estavam abraçados quando ela ouviu a voz de sua tia Cersei:
– Tommen, venha para cá!
Seu primo gordinho de cabelos dourados obedeceu a mãe com uma cara triste. Antes de sair ele se despediu de todos, até dela. Shireen sabia bem o porque de sua tia ter feito isso. Ela sempre fez de tudo para deixar os filhos longe de Shireen. A menina achava que Cersei tinha medo de que a sua doença ainda fosse contagiosa e que se seus filhos ficassem perto pegassem.
Um silêncio constrangedor se instalou no local. Silêncio esse que foi quebrado por Bran a apresentando para todos do pequeno grupo. Todos foram gentis, mas Shireen podia sentir algo a mais por baixo de toda aquela gentileza. Depois das apresentações o menino continuou falando sobre sua casa na árvore e dizendo que todos poderiam subir para a conhecer. Todos do grupo ficaram animados, principalmente o irmão mais novo de Bran, um menino chamado Rickon:
– Eu quero ir primeiro! Eu conheço a casa melhor que ninguém.
– Tudo bem, Rickon. Ele sempre faz questão de ser o primeiro. – disse Bran sorrindo – Mas vá com cuidado.
O menino apenas concordou com a cabeça e subiu apressado. Quando eles repararam o menino já estava na em cima acenando para eles. Um por um foram subindo, no final apenas ela e Bran ficaram embaixo.
– Tenho um pouco de medo de altura. Acho que vou ficar aqui embaixo. Até vocês voltarem. – falou Shireen meio triste.
– Não tem que ter medo. Vou subir na frente para você ver que não tem o que temer.- falou Bran
– Tudo bem.
Shireen acompanhou com um olhar a subida de Bran. O menino subia e falava para ela que não tinha o que temer. Quando faltava pouco para ele chegar, um barulho se fez ouvir e o menino caiu lá de cima. A escada de corda havia rebentado.
Shireen ficou tão em choque que não conseguiu nem gritar, como fizeram os outros que viram tudo da casa na árvore e a mãe do menino. Ela ficou como uma estatua e apenas reagiu quando o menino desmaiado foi cercado por quase todos os convidados presentes. Quando isso ocorreu foi como se a gravidade de tudo a atingisse. Sentiu tudo escurecer. Era como se o chão lhe faltasse... Sentia uma estranha culpa, como se fosse sua culpa o que ocorreu com o menino. Tudo isso enfraqueceu suas pernas. Caiu desmaiada no chão, quase do lado de Bran.
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