Olhares...
12 Capítulo 12-Lembranças
Notas iniciais
(Buzen)
A decisão mais difícil de minha vida havia sido tomada a alguns instantes de agora, fiquei emudecido depois de falar que não me importava de lutar com Kyo... Isso seria muito difícil, isso eu tinha já certeza total!
Os lideres saíam da sala e ficavam olhando torto para mim, eu não tinha do que reclamar já que havia acontecido tudo aquilo e faziam isso por desaprovação. Isso já ficou normal pra mim, á que nunca fui um Tengu exemplar como Sagami, Houki, Zenki e mais ainda por Kyo... Lembro como se fosse hoje de minhas confusões... E de quando o conheci...
(Buzen flash back)
-Ei Buzen! Pare de nos irritar com suas brincadeiras sem graças! – um menino irritante com cara de tapado falava no meu ouvido. Aff... Aquele lugar era muito, mais muito ENTEDIANTE. Não podia fazer nem uma brincadeira inocente que reclamavam... Se bem que, essa brincadeira não foi muito inocente.
O menino caiu na minha armadilha, ele estava pendurado numa arvore pelos pés (ele foi pegar uma cesta de maças que estava dentro da corda camuflada).
-ME TIRE DAQUI! BUÁÁ!!! – e menino pendurado estava aos prantos. Que idiota! Se tivesse machucado tudo bem, mas nem aconteceu isso!
-Buzen-san, tire-o dali, agora! – meu tutor me mandava fazer aquilo. Que humilhante. – e depois, peça desculpas, ajoelhado! – aaaah! Eu bufei alto naquele momento e fiz uma cara de choro, ele me olhou esbravejando sua raiva e fiquei com medo, que acabei fazendo aquela coisa humilhante.
-Pronto. Desculpe-me. – me ajoelhei falando quase inaudível. O garotinho sorriu. Eu levantei no ato e fui ao seu ouvido. – bebê chorão. – ele começou a chorar de novo e saiu correndo. Todos me olhavam com apreensão. – o que foi? Eu perguntei se ele estava machucado e ele saiu correndo!
Todos me olhavam com desaprovação, um olhar que eu já estava acostumado a ver sobre mim. Meu mestre puxou-me pelas orelhas e me levou para um canto qualquer, provavelmente eu teria uma bronca daquelas...
-Buzen! Tem que aprender a se portar nesse clã! – ele falava gritando. Dava-me vontade de falar que eu não era surdo, mas seria pior.
-Mas só fiz uma brincadeira inocente! E outra, se ele é tonto, problema o dele, todos perceberam a armadilha! – falei com os braços cruzados. Ele me olhou com ira.
-Lógico! Ele tinha 10 anos Buzen! Você tem 16! – o mestre falou quase me batendo. Ele estava certo numa coisa, eu era mais velho, mas a idade não é documento.
-Ei, mestre, o deixe... – um garoto de minha idade falou. Ele era quase de minha altura, de cabelos negros e lisos. Tinha olhos vermelho escarlate e tinha uma beleza incomum. – ele já não te disse que não fez por mal?
-K-Kyo-sama! Perdoe-me, mas este “homem” fez uma brincadeira boba com uma criança de apenas 10 anos! Sua idade! – o mestre se rebaixou no mesmo instante, fiquei com cara de interrogação.
-Mestre... Qualquer um já fez isso... Perdoe ele. – ele falava autoritário o garotinho. Parecia mandar no pedaço... Isso me enfezou.
-Tudo bem... – o mestre falou bufando. Ele se virou para mim e me encarou. – mas se isso se repetir Buzen... – ele me olhava bravo, me avisando do que iria acontecer. Abaixei a cabeça. – Kyo-sama. – ele se abaixou e foi embora, me deixando sozinho com o garoto mandão.
-Seu nome é Buzen então? – ele me perguntou ingênuo.
-S-Sim... E você? Quem é? – eu perguntei meio bravo. Ele sorriu bobo.
-Meu nome é Usui Kyo. Prazer! – ele se abaixou e sorriu novamente. Eu o conhecia de algum lugar... O analisei... Já sei! Ele era o irmão do escolhido para ser o futuro chefe do clã! Por isso o mestre se rebaixou...
-Já sei quem é você! Irmão de Soujo Usui não? – ele me desviou o olhar, ficou triste no ato. Emudeci. – falei algo errado Kyo? Posso te chamar de Kyo, né? – ele voltou a me olhar.
-P-Pode! Não falou nada de errado não... É que... Meu irmão e eu não temos uma relação muito boa... – ele falava baixo. Fiquei curioso.
-Por quê? – perguntei ingênuo. Ele emudeceu.
-B-Bem... Porque... – ele começou a chegar mais perto de mim e chegou a meu ouvido. – quero pegar seu posto de chefe do clã. – fiquei estático. Por que ele queria fazer isso?
-M-Mas... Por quê? – perguntei novamente.
-Bem... É que eu me apaixonei por uma garota... E essa garota em vez de se aproximar de Shou... Aproximou-se de mim... Acabei me apaixonando. – ele falava meio corado. Fiz cara de interrogação. O que tinha a ver?
-Você não deve estar entendendo nada. – eu assenti, ele riu. – é que essa garota... Ela é a *Senka. – O QUÊ? A Senka?!
-A-A Senka? Como? – perguntei incrédulo.
-Bem... Shou e eu fomos morar do lado da casa dela, para Shou se aproximar dela, mas ao invés disso, ela gostou mais de mim... Shou não a quer, mas eu amo ela. – ele falava. Agora entendi tudo...
-Caramba! Que história! – eu bufei. Sorri a ele e coloquei a mão em seu ombro. – bem Kyo, se um dia precisar de ajuda, está aqui, com você. – ele me olhou feliz e sorriu.
Ele se despediu e foi embora, nunca mais o vi, só depois de um ano, quando me tornei seu servo.
(fim Buzen flash back)
No final dessas doces lembranças, Kyo me olhava como se houvesse desvendado o que eu teria pensado nos últimos minutos. Desviei meu olhar dele e saí às pressas da sala, indo ao jardim.
-Droga... – falava baixo comigo mesmo. – por que eu fiz isso? Por quê?
-Ei, Buzen-san. – alguém me chamava pelas minhas costas. Uma doce e agradável voz feminina. Virei-me, era Misao, meio corada.
-M-Misao? – eu falei surpreso, revirei meu rosto, meio envergonhado.
-Buzen-san... Está tudo bem? – ela perguntou colocando a sua mão em meu ombro. – eu vi alguns senhores saindo daqui a pouco tempo... – virei meu rosto e a olhei. Meus olhos se inundavam em sua beleza estonteante. Queria beijá-la e fugir com ela naquele momento, mas não era o que ela queria, ela queria ele...
-N-Nada... – ela me olhou com um rosto desconfiado. Bufei. Não teria como esconder. – tudo bem... Esses senhores são os lideres do nosso clã, o Tengu. Eles vieram aqui para decidir meu e o seu futuro Misao.
-S-Sério? – ela me olhava meio perplexa.
-S-Sim... – falei cabisbaixo.
-E o que foi decidido? – ela falou. Emudeci. Aquelas palavras passavam pelos meus ouvidos como espinhos, machucando.
-B-Bem... Eles decidiram que eu e Kyo-sama deveríamos lutar até a morte, para ver quem a merecia. – falava com a garganta ardendo de tristeza.
Ela me olhou sem vida novamente, aquele olhar que nunca mais queria ver, me encarava. Seus olhos começaram a encher de lágrimas, não me contive e a abracei o mais forte que eu podia.
-Misao... Perdoe-me. Causei tudo isso... – eu falava medroso. Ela estendeu suas mãos a meu rosto.
-Buzen-san... Se fosse sua culpa somente, tudo bem, mas... Também tewnho minha parcela de culpa certo? Não se culpe assim... – ela me abraçou forte, me fazendo perder as forças.
Por que tudo aquilo tinha que acontecer? Doía tanto em pensar em todas as coisas que nós passamos e ainda iríamos passar... Aquelas mãos, aqueles braços, aquele corpo não me pertence, mas algo não me deixava me separar dele...
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