Oh Shit, Girl!

2 She isn’t the neighbor of the 402


Califórnia, San Diego – Março de 2015



Primeira dica do dia, que eu levaria para toda vida, inclusive passaria para os meus filhos: não pensar, nunca, em hipótese alguma, na ideia de subir seis lances de escada com todas as malas. Malas cujo levava minha vida inteira, uma vez que estava de mudança.

Repetindo: nunca.

Recitei mentalmente essa regra durante todo o meu trajeto carregando as malas para o sexto andar.

“Puta que pariu!”, xinguei alto, minha voz ecoou por todo o andar e me aliviei com esse feito.

Havia prometido segurar até chegar no último degrau com a última mala. A promessa não contava com os palavrões mentais, as caretas e as reclamações ao longo do percurso. Bati uma palma na outra espantando uma poeira imaginária e observando minhas nove malas verdes fluorescentes paradas no meio do corredor. Orgulhei-me do trabalho árduo e demorado e sorri.

Franzi o cenho, fechando meu sorriso de vitória rapidamente e colocando a minha melhor expressão ameaçadora no rosto.

“Está olhando o quê?!”, questionei o homem grisalho parado no meio da escada. “Você viu todo o meu trabalho acontecendo enquanto observava minha bunda, sem me prestar uma ajuda, o que mais falta?”, bati as mãos na cintura. “O senhor realmente acha que eu vou assaltar um dos apartamentos depois de todo esse esforço?”.

O homem parado no meio da escada hesitou, pensou bem e engoliu em seco antes de me responder. “A senhora não me deixou tocar o interfone para avisar que estava chegando. Eu devo, pelo menos, ver se alguém a receberá...”.

“Senhorita, senhor porteiro.”, falei. “Pode ficar tranquilo que se não me atenderem eu vou sentar minha bela bunda aqui e esperar até que isso aconteça.”.

“Eu...” o senhor respirou fundo. “Ainda não entendo porquê. Seria tão mais fácil avisar e os garotos te ajudariam a trazer as coisas.”, o homem divagou e foi a minha vez de respirar fundo.

“Eu também não entendi, sinceramente.”, declarei e balancei a cabeça. “Mas, agora já passou. Muito obrigada pela companhia, acho que foi bem eficiente para...”, cerrei os olhos, tentando pensar em alguma serventia e abanei as mãos. “Enfim... Obrigada!”.

O homem piscou, porém continuou no mesmo lugar. Eu revirei os olhos e me direcionei a porta do outro lado do corredor com o número “407” entalhado em sua madeira. Esfreguei a mão pelo comprimento do meu braço, onde estava dolorido por carregar algumas malas do jeito não aconselhável.

A reclamação de uma individua sobre as malas estarem no meio do caminho, atrapalhando a passagem chegou aos meus ouvidos junto com o murmúrio do porteiro em resposta, mas não considerei intervir ou sequer prestar atenção, apenas toquei a companhia do apartamento à frente.

Com o cotovelo escorado no batente da porta, a testa no antebraço e os olhos direcionados no chão eu percebi o cansaço que me envolvia.

“Mikael, a vizinha do 402 chegou!”, ouvi uma voz masculina gritando dentro do apartamento e, logo, o barulho da porta sendo destrancada.

A única coisa que o meu campo de visão captava eram pés masculinos. Fiz uma careta para o aspecto dos pés, enquanto levantava a cabeça.

“Mikael, a vizinha do 402 não chegou!”, o indivíduo situado na porta gritou mais uma vez.

Tombei a cabeça, averiguando a silhueta do rapaz de cabelos loiros bagunçados na minha frente e tendo a absoluta afirmação de que não era quem eu estava esperando, mas eu me contentaria, com certeza – se ele não tivesse dado um berro nos dois segundos anteriores.

Ele estava com uma calça de moletom, mostrando a barra de sua cueca box e o abdômen nu, contornado por expressões de exercícios físicos. Seus braços também definidos eram delineados por algumas tatuagens. Corri meu olhar pelo seu rosto, parando em seus olhos de um caramelo tão claro que, dependendo da luz, poderia mudar facilmente para o verde. Um queixo quadrado e a boca rosada contracenavam com a pele bronzeada pelo sol da Califórnia, as bochechas com marcas de travesseiro e um pouco coradas e os dentes brancos abertos em um sorriso sacana.

Sai do transe, voltando ao motivo de estar parada na porta admirando uma carne desconhecida. Seus olhos correram de uma forma tão avassaladora e tão investigadora por mim que era como se eu estivesse nua. Eu senti a mesma coisa da primeira vez que me despi na frente de um cara.

Revirei os olhos, diante dos poucos segundos perdidos naquele processo de apreciação e passei entre ele e a porta, esbarrando na montanha de testosterona no processo.

A temperatura suavizou assim que pisei no que deveria ser a sala. Era um pouco duvidosa essa afirmação uma vez que o cômodo poderia ser facilmente confundido com um espaço para bagunça. Havia tanta coisa espalhada por ali que até um gigante se sentiria perdido.

O piso de madeira rustica combinava com as paredes brancas lisas. As duas janelas contidas desse lado se posicionavam uniformemente e diante delas, as persianas em conjunto com dois ou três panos impediam que a luz do dia entrasse. Uma televisão de 60 polegadas encontrava-se suspensa em uma parede decorativa de gesso e bem a sua frente uma mesa de centro e um sofá em formato “L” com oito lugares. Uma estante marcava presença na parede paralela a televisão e havia um tapete cinza de pelos que cobria toda essa extensão. Objetos decorativos estavam dispersos por todos os lugares de forma desordenada e, no mínimo, dois quadros abstratos estavam tortos.

Do meu lado esquerdo havia uma bancada de mármore que dividia o cômodo e sustinha incontáveis pratos, copos, talheres, papeis, pacotes e, principalmente comida. Embaixo três banquinhos de madeira. Na parede dali havia mais duas janelas, essas sem persianas e rente a elas as bancadas e armários da cozinha. Tinham tantos imãs de geladeira que não foi possível sequer enxergar a real cor do refrigerador.

Ignorei o fato de que estava em um ambiente totalmente contra as normas de seguridade salubre e voltei-me para o indivíduo que me atendeu, com medo de olhar para o corredor situado entre a sala e a cozinha e encontrar um roedor ou, talvez, um cadáver.

“Quem é você? E quem te deu o direito de entrar aqui sem ser convidada e sem um mandato?”, ele questionou.

“A maconha está no quarto do Zac e é tudo dele. Tirando isso, tem algumas identidades falsas, mas elas são só para ajudar o menino do QG e sua mini gangue a entrar na boate esse fim de semana. Os moleques são gente boa e o trabalho rende uma grana.”, outro sujeito do sexo oposto se pronunciou. Ele apareceu de repente, se sentou no braço do sofá e tinha uma maça mordida na mão que manuseava enquanto falava. “Recapitulando que, isso também é o Zac quem responde.”.

Ele também estava sem camisa, fazendo jus ao clima da região apenas pelo vestuário, pois sua pele parecia de uma criança branca que nunca saiu do Polo Norte. Seus olhos azuis e o cabelo tão negro como o meu um dia foi. Ele tinha a boca carnuda, um rosto quadrado e os contornos das bochechas bem marcados. Uma combinação tão bonita, parecia um boneco ken.

“E... Se quiser chegar ali dentro eu te conto das outras atividades criminosas do nosso garoto Zachary.”, propôs, dando uma mordida em sua maça e levantando as sobrancelhas.

“Cadê o Axel?”, perguntei antes que me machucasse revirar tanto os olhos.

“Merda!’, o ken do sofá exclamou e bateu a mão livre na perna”. “Por que o Axel?! Tem tudo isso aqui bem na sua frente e está procurando pelo Axel?”, perguntou, insinuando para si.

“Quem quer falar com ele?”, o sujeito que me atendeu perguntou, com os braços cruzados em frente ao peito, parecendo impaciente.

“É... Quem quer falar comigo?”.

Uma voz altiva e muito familiar soou pelo corredor atrás de mim. Me virei, esperando encontrar a figura que passei tanto tempo sem ver. Meu coração se apertou e um sorriso singelo apareceu no canto dos meus lábios.

Axel apareceu no início do corredor com uma toalha enrolada na cintura, seu cabelo preto estava úmido e espetado e seu peitoral invejável abrigava algumas gotículas de água. As tatuagens cobrindo todo seu braço esquerdo já estavam sombreadas. Fazia tanto tempo e ele não havia mudado quase nada. Seus olhos de um negro profundo estavam quase saltando das órbitas de tanto arquear a sobrancelha e sua boca formava um perfeito “o”.

“Philippa?!”, ele enunciou abobado e desacreditado, sem piscar um segundo. Como se eu fosse desaparecer se fizesse.

Meu sorriso se alargou, eu levantei os ombros e as sobrancelhas em um gesto de afirmação contido. Antes que eu pudesse abrir a boca para responde-lo, fui surpreendida por um abraço apertado e molhado. Envolvi meus dois braços ao redor dos seus ombros, ignorando a umidade de seu corpo passando para o meu. Fechei os olhos, querendo aproveitar ao máximo o momento.

Eu tinha borboletas no estomago e fazia muito tempo que não sentia isso. Era uma sensação cômoda, aconchegante, como se eu tivesse em casa. Não tinha me dado conta do quanto sentia saudade até aquele segundo. As ligações não eram nada comparadas com aquele momento. E eu sempre me contentava pensando que já era alguma coisa.

“Cara, eu me comovi.”, o ken disse. Me desvencilhei do abraço a tempo de vê-lo colocando a mão no peito, dramatizando sua frase e ri de leve.

“E eu com vontade de vomitar.”, o outro disse e bateu a porta atrás de si, presumindo que eu não era uma oficial de justiça, provavelmente. “Olha, eu e o Mika vamos dar uma volta lá dentro, mas espero que vocês não demorem muito a ir para o quarto porque o jogo do Arsenal começa daqui a pouco.”.

Revirei os olhos, vendo ele e o ken do sofá entrarem no corredor escuro. Antes de sumir da minha vista o suposto Mikael piscou um olho na minha direção. A vontade de revirar os olhos naquele apartamento era tão frequente quanto minha vontade de ter uma arma.

“O que veio fazer aqui?”, Axel perguntou sem rodeios, assim que ficamos sozinhos.

“Um ‘Olá, querida irmã! Senti saudades.’ Teria sido mais eficaz para me mandar embora, sabia?”, argumentei.

“É sério, Lippa. Você está dentro do meu apartamento em San Diego e não tem seguranças atrás de você, nem uma tornozeleira da condicional.”, apontou para o meu pé e eu me senti ofendida. “Ou alguém morreu ou você vai morrer ou você veio para me matar.”.

“Preciso de ajuda.”, fui direta, depois de respirar fundo.

“Quem te jurou de morte?”, ele franziu o cenho o semblante preocupado.

Eu tentaria descobrir mais tardar se era atuação ou se era realmente sério sua angústia.

“Eu não estou jurada de morte, Axel. Eu estou sendo perseguida pela sua mãe!”

Axel abriu a boca para responder, mas se interrompeu. Em um segundo ele estava preocupado, porém calmo, no outro ele estava preocupado, indignado e nem um pouco calmo.

“E como, diabos, você vem parar no meu apartamento quando ainda está sendo perseguida por ela?”, esbravejou. “Você não podia ter ligado?”.

“Tecnicamente sim, mas estou sem celular no momento e daria muito trabalho dar um jeito nisso.”, torci a boca e olhei minhas unhas.

“E daria menos trabalho viajar até aqui?!”, ele perguntou ironicamente, não se dando o trabalho de me deixar explicar detalhadamente a situação ou ao menos raciocinar sobre ela. É... O sangue insensato e explosivo também corria em suas veias, eu não tinha dúvidas.

“Vai me deixar explicar?”, pisquei calmamente, com minha melhor expressão de preguiça.

“Não, Phelippa! Porque cada minuto que passamos aqui é um minuto a mais para mamãe te achar.”, ele vociferou alto, mas foi abaixando a voz gradativamente, como se notasse que não tinha necessidade de todos saberem. Esfreguei o rosto enquanto ele falava, impaciente. Ele estava certo, eu realmente devia ter ligado, me pouparia aquele tipo de discussão.

“Ela cortou o cartão de crédito, Axel!”, esbravejei. “E pra completar, agora tem um detetive particular na minha cola. Eu não tinha para onde ir e a quem recorrer, ok?”, bufei.

Axel parou um instante e suas bochechas foram diminuindo o tom avermelhado. Sua expressão se suavizou e ele respirou fundo.

“Como sabe do detetive? Isso é elevado, mesmo para ela.”.

Balancei a cabeça em negativa, me sentindo um trapo.

“Quando fui transferir minha matrícula da faculdade tinha um homem me procurando. Não era Dorian ou qualquer pessoa que eu conheça. A minha sorte foi ter falsificado metade dos meus dados.”, passei a mão pelos cabelos, puxando uma parte e suspirei.

“O que eu posso fazer? Eu não tenho dinheiro. Sobrevivo do cartão de crédito dela, assim como você fazia.”.

“Você não entendeu.”, constatei calma e arqueei uma sobrancelha, sustentando o olhar no seu até que entendesse, o que demorou pelo menos um minuto.

“Só pode estar brincando...”, ele disse quando finalmente compreendeu e arregalou os olhos. “Quando você disse que transferiu sua matricula... Você não...”, eu balançava a cabeça afirmando e ele só balançava negando. “Essa foi a pior ideia que você já teve em toda sua trajetória de vida.”.

“É... Eu concordo.”.

“Philippa, não tem a menor condição de você ficar aqui. Eu já divido o apartamento com os dois idiotas ali.”, ele apontou para o corredor vazio. “E o que te garante que ela não vai te achar aqui, sendo que esse é o meu apartamento?”.

“Eu consegui, com um grande esforço, dar um nó na busca do tal detetive. Mesmo que tenham o palpite que eu estou aqui, o que vai demorar bastante, ela nunca vai acreditar que eu voltei pra essa cidade e estou morando com a pessoa mais óbvia da lista de confiança.”, passei a mão pelo rosto. “Eu não tenho outra escolha no momento, ok?”.

Fitei os olhos de Axel, que estavam marejados, assim como os meus. Ele balançou a cabeça de leve em negativa, ainda contrariado.

“Merda, Ax! Eu já estudei minhas opções e não tem! Eu não tenho mais o que fazer e não tenho maturidade pra voltar. Eu só preciso de um tempo, ok? Só um tempo. Até eu me estabilizar e, pelo menos, acabar minha faculdade.”, abaixei o olhar, respirei fundo e voltei a encará-lo. “Ela deu o apartamento para você, você pode colocar quem quiser aqui dentro sem que paguem um aluguel. Eu só... estou pedindo um tempo.”.

“Como pretende conseguir dinheiro?”, Axel respirou fundo, passando a mão pelos cabelos molhados e jogando gotículas de água no chão.

“Ah, você sabe... Traficando, roubando, me prostituindo...”, falei baixo, dando um sorriso bobo, porém Axel permaneceu sério, meu sorriso morreu. “É lógico que eu vou procurar um emprego, seu idiota!”, levantei os braços, mostrando a obviedade da situação.

Axel passou a balançar a cabeça em negativa de novo, andando de um lado para o outro, olhando para o chão com a mão no queixo.

“Não sei, Lippa. Não é uma boa ideia, sabe disso.”, ele parou de encarar o chão e apontou a mão para mim. “Já é difícil com três caras aqui e você dá mais trabalho que uma criança.”.

“Exato! Tudo que vocês precisam aqui é do poder feminino agindo.”, contei vantagem. “E eu prometo me comportar, sério.”, arqueei a sobrancelha com um sorriso no rosto, levantando meu mindinho para ele. “Promessa de dedinho.”.

Axel deu um sorriso de lado. Era uma criatura tão bela que enchia meu peito de orgulho, sequer parecia o asno de sempre. Fiz minha melhor expressão de Gato de Botas, mesmo sabendo que ele já estava considerando a ideia, era bom vê-lo alargando mais o sorriso.

“Consigo o número da professora mais gostosa do campus.”, negociei esperta.

Ele colocou a mão no queixo de novo e estreitou os olhos em minha direção, pensativo. Eu tinha noção de que ele já havia adotado a minha proposta de morar ali, só estava tentando tirar alguma vantagem da situação.

“Está bem difícil ter um tempo a sós com ela mesmo.”, afirmou com a cabeça e deu um sorriso malandro. “Da professora e da sindica ou vai ter que dormir na rua.”, apontou o indicador para mim.

“Ok.”, aceitei, sabendo que não faria o menor esforço para conseguir. Dei alguns passos para trás. “Agora, vem me ajudar com as malas.”.

“Você subiu com as malas mesmo sem saber se eu aceitaria?”, parei com a mão na maçaneta, virando-me para ele.

“Eu sabia que era se o plano inicial não desse certo era só chorar.”, expliquei. “Com lágrimas.”.

Axel balançou a cabeça, rindo.

“Primeiro preciso conversar com os dois.”, apontou com o polegar para o corredor atrás de si, de onde vinha o ken saltitante.

“Por mim pode ficar o tempo que quiser e se preferir dormir na minha cama de conchinha, é ainda melhor.”, afirmou, comprovando que havia ouvido toda a conversa.

Tirei a mão da maçaneta e cruzei os braços na frente do peito e meu irmão fez o mesmo. Ele levantou as mãos em rendição.

“Ok! Parei. Porque não me disse que tinha uma irmã, palhaço?”, perguntou e jogou a maça já comida na direção de Axel. A maça bateu no peitoral de Axel e ele trincou os dentez.

O suposto, Mikael chegou perto de mim, se ajoelhando, pegando minha mão e beijando seu topo.

“Meu nome é Mikael Ross, irmã do Axel. Me desculpe pela má forma lhe dar boas-vindas e saiba que eu sou sim, sempre idiota.”, ele beijou mais uma vez minha mão e eu gargalhei.

Meu irmão colocou a mão na testa e abaixou a cabeça, negando. O outro indivíduo ocupante do apartamento apareceu no início do corredor e cruzou os braços em frente o peito, se encostando no batente.

“Onde ela vai ficar?”, ele perguntou, tombando a cabeça. “Eu espero que não estejam pensando no meu sofá.”.

Arqueei uma sobrancelha, meu irmão passou a olhar para o chão pensativo, de novo. Mikael fez um biquinho, franzindo o cenho e o silêncio foi mútuo por alguns segundos. Eu revirei os olhos com tamanha idiotice de ambos. Abri a boca para argumentar, mas Mikael levantou o dedo, como se pedisse permissão para falar.

“Você nem usa seu quarto, ela pode ficar nele, certo?”, perguntou ao loiro.

“O que?!”, o loiro ralhou, incrédulo. Eu dei um sorriso, o ponto alto do meu dia foi observar sua expressão indignada.

“Sinto muito, Zac.”, meu irmão disse ao emburrado. “Mas foi você quem deu o mole de abrir a boca.”.

“Mikael, eu vou arrancar suas bolas!”, ele ameaçou, parecendo realmente irritado.

“Se estivéssemos no fim do mundo eu ainda escolheria a mulher, cara. Sinto muito.”, Mikael levantou os ombros e deu um sorriso sem mostrar os dentes.

Eu sorri, vitoriosa e Zac me encarou com um suposto ódio no olhar. Andou a passos largos até o sofá e se deitou nele, ligando a TV, sem dizer mais uma palavra. Não sabia o porquê, mas era reconfortante transtorná-lo.

“Chora não, baby.”, disse, implicando mais um pouco. “Vai ser só por um tempo.”.

Era o que eu esperava, pelo menos.

Notas finais
Hey, guys!! O que acharam desse segundo capítulo? Perdoem os erros e se sintam a vontade para me corrigir. Kisses.