Oh Shit, Girl!

4 He took a punch and I was high


Califórnia, San Diego – Março de 2015

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“Um mero detalhe?”, perguntei indignada. “Isso é o que você falará para as suas fodas depois que eu queimar as suas bolas com um maçarico.”, ameacei e passei a mão pelo rosto.

Axel permaneceu alguns segundos em silêncio do outro lado da linha. Provavelmente esperando eu me acalmar, o que não aconteceria pois eu tinha vontade de atravessar o celular e esfolar sua face no asfalto.

“Calma.”, ele disse baixo.

“Como eu posso ficar calma com uma pessoa que aparentemente perdeu alguns neurônios enquanto transava?”, questionei, notando que estava aumentando um pouco meu tom de voz.

Apoiei meu cotovelo no braço que estava cruzado em frente o meu peito, encostando na cadeira de forma mais relaxada e bufando. Olhei em volta, checando se ninguém estava perto o suficiente para ouvir minha intensa voz. Por sorte, tinham apenas um casal sentado em uma mesa bem afastada e uma atendente.

Eu não sabia como, mas de alguma forma, desafiando a linha lógica do meu viver, eu havia encontrado a lanchonete. Com o avanço de me perder apenas uma vez e não precisar pedir ajuda a ninguém.

Poderia comparar com um desenho animado, onde o personagem segue o caminho até o estabelecimento só sentindo o cheiro da comida para explicar meu feito. Uma explicação idiota, mas não era como se eu realmente desse importância. O importante era que eu havia conseguido e me sentia vitoriosa. Mesmo que o local fosse situado em uma parte rochosa elevada e que era praticamente impossível de não se notar do campus.

O local tinha cheiro de açúcar com desinfetante. Parecia ser uma construção antiga que estava sendo modernizada aos poucos.

De um lado, havia o balcão com variados tipos de doces e guloseimas. Na parede havia uma grande janela de vidro que mostrava boa parte da cozinha e dos procedimentos feitos lá dentro. Os lugares eram distribuídos em muitas mesas brancas com toalhas na cor verde água, possuindo duas cadeiras em cada.

Como o estabelecimento era em um lugar alto, dando a impressão de que estava em um grande deck – e de que iria fazer um grande exercício subindo a quantidade de escadas, no meu caso – havia uma sacada na parte de trás. Era separada do resto do resto da lanchonete por uma porta de vidro e várias janelas que iam do chão ao teto. Ali eram poucas mesas de madeira marfim, com a distribuição de quatro lugares cada.

“Como pode estar descontando em mim a situação que acabou de presenciar?”, ele questionou indignado. “Você nem lembrava que Damien existia até alguns minutos atrás.”.

“Eu tenho que descontar em alguém e o escolhido foi você.”.

“Que deixou de passar a informação que seu ex-namorado podia frequentar os mesmos lugares que você frequentaria.”, ele completou e pelo seu tom de voz, podia imaginá-lo revirando os olhos. Do modo como ele dizia, parecia realmente um porquê muito idiota.

Mais um silêncio perdurou na linha enquanto eu observava meu cappuccino esfriar na mesa e Axel tentava dizer algo que não me fizesse ameaçá-lo.

“De qualquer forma, vai ter que esperar para executar suas torturas comigo porque não estarei em casa por dois dias.”, ele me avisou.

“Para onde vai?”, perguntei, esquecendo por um instante que precisava xingá-lo. “Não pode me deixar sozinha com os dois acéfalos do apartamento.”.

“Dois não. Um.”, corrigiu. “Mikael vai comigo. São os jogos do time de lacrosse em Malibu.”.

Franzi o cenho e sorri para a atendente que deixou minhas batatas-fritas na mesa.

“Você nem joga para o time de lacrosse, Axel.”, lembrei.

“Mas, o Mika sim e eu não posso me desfazer das regalias que recebo. O coração do time UCSD de lacrosse sempre terá espaço para mais um.”, ele explicou orgulhoso de sua capacidade de tirar vantagem de toda situação.

“Não pode me deixar sozinha com Zac, ele é um maníaco. Quando voltar eu posso nem estar viva mais.”, tentei dramatizar enquanto comia uma batata.

“Zac não pode ir dessa vez. Sinto muito, pirralha. Você vai ter que aguentar.”, ele disse e a única coisa que eu queria era espernear até que ele ficasse como uma garotinha, mas me contive apenas com um chiar.

“Eu odeio você.”, avisei.

Me preparei para tomar meu café e atentei meu olhar para o sininho da porta da lanchonete que tocava quando alguém passava. Zac entrou com uma camiseta do Chicago Bulls e uma bermuda de treino. As bochechas vermelhas e o cabelo mais atrapalhado que o normal. Esse conjunto físico instigou minha mente a ter fantasias sexuais enquanto tomava um cappuccino.

Atrás dele vinham mais duas garotas com uniforme de líder de torcida e dois caras. Um deles também com roupa esportiva e outro com roupas comuns, chinelo, camisa polo e uma bermuda jeans branca.

Zac semicerrou os olhos assim que me avistou e eu revirei os meus. Não sabia exatamente como definir esse tipo de comprimento e me encontrava ainda absorta em nos meus pensamentos insanos para tentar. Fazer um sexo em cima da mesa de uma lanchonete era um episódio que eu ainda não havia encenado. Cheiro de café com sexo deveria ser uma mistura curiosa.

“Philippa.”, a voz do meu irmão soou pelo telefone, me trazendo de volta ao mundo real.

Meu celular estava quase caindo por entre meus dedos e eu senti a queimação na minha língua. Bufei, colocando o copo de volta a mesa e fazendo uma careta.

“Oi.”, atendi o chamado do meu irmão, arrumando o celular no ouvido. “Tudo bem?”.

“Você ouviu alguma palavra do que eu disse?”, ele perguntou.

“Claro que sim.”, afirmei, mesmo que incerta.

“O que estava fazendo?”, ele questionou, sabendo que havia mentido.

“Nada, Axel.”, respondi entediada, passando a língua por entre os lábios na falha tentativa de fazer a ardência parar. “O que você quer afinal? Que não me pediu desculpas e ainda está falando?”.

Observei Zac sentado com uma das líderes de torcida do lado. Seu braço passando pelo ombro da garota enquanto a conversa fluía com os outros da mesa. Ele estava de frente para mim, portanto tratei de voltar a atenção para a minha comida. Receber o adjetivo de espectadora de Hayes não estava nos meus planos, com certeza.

“Mais paz no seu coração, irmãzinha.”, Axel disse e riu. “Vou desligar, Fox. Fica de olho na Kendra para mim e o não esquece o número da professora, é Sr. Jonhson.”.

“Vai a merda, Axel.”, deliguei a ligação e gargalhei.

Axel havia mudado completamente o objetivo da conversa e me impelido a parar de brigar com ele, sem que notasse. Sua incapacidade de assumir Kendra era cômica quando se preocupava, fingindo desinteresse. Eu nunca havia visto Kendra pessoalmente, apenas pela foto no celular de Axel, quando estava respondendo as mensagens dele no dia anterior.

Terminei de satisfazer o meu organismo forrando o estômago com comida barata e me levantei para sair do estabelecimento, pronta para presenciar mais uma hora e meia de aula. Olhei para a notinha de recebimento em minha mão com um número de telefone e ri, piscando para a atendente antes de sair.

Minha intenção era ir embora após conseguir um número de telefone e assistir todas as minhas últimas aulas, mas ainda não possuía habilitação para roubar um carro no estacionamento e dirigir até em casa. Nem habilidade e coragem para roubar um veículo, de qualquer forma. Bem como minha falta de dinheiro não me permitia procurar ou pedir por outro transporte.

Cogitei a possibilidade de pedir aquele cretino que compartilhava do mesmo sangue que eu – mais conhecido como meu irmão – para ceder seu precioso tempo a fim de me levar para casa, porém fui interrompida do meu esquema quando algum filhote de touro passou – violando o limite de velocidade permitida para transitar no corredor – na minha frente.

Meu Deus! Parecia que ele ia resolver um caso de vida ou morte correndo do jeito que estava. Segurei com mais força os cadernos nas minhas mãos e franzi o cenho enquanto presenciava a cena. Todos no corredor pararam para prestar atenção quando o garoto chegou ofegante até uma garota e, logo, desviaram do caminho, pois ele saiu em disparada na minha direção de novo.

Erro um: passar correndo na minha frente e não pedir desculpa.

Erro dois: fazer todo esse alvoroço, sem a intenção de salvar alguém.

Erro três: não satisfeito de ter passado correndo na minha frente e quase me derrubado no chão, voltar na mesma direção.

Mordi a parte interior do meu lábio inferior com raiva enquanto o indivíduo voltava. Em um astuto e delicado movimento, coloquei meu pé na sua frente e nem deu tempo de ele desviar antes de ir parar a uns dois metros de distância com a cara no chão.

“Isso é para aprender a pedir licença quando quiser passar!”, exclamei e ouvi o eco das minhas palavras se instalar pelo corredor silencioso.

O garoto me olhou pasmo ainda caído no chão e uma parte do seu rosto estava vermelha. O resto do pessoal que estava no corredor ou riu ou voltou para as suas tarefas.

Liguei para Axel, sem outras alternativas, enquanto saia do prédio e me dirigia a lugar nenhum. Meu objetivo era andar sem rumo até que o ser que não fazia jus ao seu cargo de irmão me atendesse ou desse um sinal de vida sim. Revirei os olhos para o quão mimada eu aparentava ser e era.

Bufei quando o telefone caiu na caixa postal mais uma vez. Irritada com meu irmão, com o plano de telefone e a com força da natureza conhecida como sol por estar tão quente. Além de tudo, com a capacidade que eu tinha de sempre deixar as coisas para última hora.

“Ei, você! De branco. ”, ouvi uma voz desconhecida e me virei mesmo saber se o indivíduo se referia a mim. “Você, oi. ”, o garoto me cumprimentou com um sorriso bobo.

Eu sorri, observando os cinco jovens sentados em uma roda debaixo da árvore. Todos eles tinham expressões felizes e chapadas no rosto. Um deles tocava violão e o outro falava sem parar.

“Chega aí. ”, uma menina me chamou. “Você está com uma aura tão triste. ”, afirmou enquanto eu ia andando para mais perto. “Ou seria brava? Não sei mais. ”, chegou a conclusão e deu de ombros, voltando a arrancar a grama de onde estava sentada.

“Olá. ”, cumprimentei, ouvindo o coro de saudações em resposta.

“Nós vamos fumar. ”, um dos meninos disse calmo. “Você quer nos acompanhar?”, perguntou, fitando o baseado em sua mão.

Ele tinha as íris azuis e suas escleras estavam tão vermelhas que achei interessante sua vontade de ainda querer fumar mais. Eu olhei para o meu celular sem mensagens e sem ligações de Axel, para o resto do campus e para a roda de pessoas sentadas. Cogitei por alguns segundos meus prós e contras, mas não fiz isso por muito tempo uma vez que estava cansada e entediada.

O grupinho de hippies ficou muito tempo jogando conversa fora, perguntando sobre a minha vida em Illinois e vez ou outra um deles tocava violão. De qualquer jeito, não era nenhum assunto relevante o suficiente para que eu lembrasse depois. Nenhum deles lembraria, eu tinha certeza. Meu celular vibrou, apontando a mensagem do meu irmão que dizia estar com Kendra e sem carro, pois estava indo viajar e havia deixado com Zac.

Revirei os olhos, me levantando e me despedindo do pessoal depois de perguntar as coordenadas para chegar a quadra.

Eu errei o caminho mais de duas vezes e precisei pedir informação a outro alguém, em dúvida se o problema era comigo ou com os acéfalos que haviam me explicado onde era. Não me dei o trabalho de parar para refletir sobre isso pois me encontrei muito entretida com as mensagens de Clarissa.

O sol ainda apontava no horizonte e permanecia quente. Duas líderes de torcida estavam paradas conversando animadamente, mas fecharam o sorriso assim que eu passei. Uma delas eu reconheci pelo cabelo, era a loira que eu avistei com Damien na parte da manhã. Suspirei, sem pretensão nenhuma de me manifestar para descobrir o problema. Em outro momento eu ficaria curiosa, mas estava calma de mais para isso.

Cheguei ao campo de football principal e a primeira coisa que me chamou atenção foi a cor verde vibrante do gramado. Fiquei observando-o por alguns minutos extasiada com a cor.

Tudo ali acompanhava as ritmadas cores da faculdade, variando do vermelho para o cinza. Das quatro extremidades do campo haviam as arquibancadas e duas delas, eram divididas bem ao meio por um vão, onde situavam-se os portões de entrada. Um deles era o principal, designado especialmente para os espectadores em dias de jogos e o outro determinado aos jogadores, pois era a parte onde havia os vestiários.

Atrás daquele campo ficavam mais três quadras, sendo uma delas coberta, disponibilizadas para outras atividades aleatórias que não fosse o aclamado football. E, ainda mais atrás, uma parte reservada as piscinas, onde somente duas delas eram descobertas.

Escorei meu ombro no corrimão dos últimos degraus da arquibancada, única parte onde eu alcançava e respondi as mensagens de Clarissa, alheia ao mundo ao redor. Eu gargalhei quando a minha ex e maníaca colega de apartamento me mandou uma fotografia sua com o boné do entregador de pizza.

Lembrei do meu objetivo inicial naquele campo quando recebi mais uma mensagem de Axel. Ignorei meu irmão com sua mensagem inconveniente e procurei pelo outro sujeito inconveniente que, infelizmente, era minha única opção, Zac para os mais íntimos.

Tinham vários alunos espalhados por ali, em suas individualidades costumeiras. Nas arquibancadas podia-se encontrar desde casais se engolindo, até amigos jogando xadrez. Alguns conversavam, outros tomavam sol, outros jogavam e outros faziam todas essas três alternativas juntas.

Eu suspirei de alivio, vendo meu colega de apartamento a não muitos metros de distância, fora do campo perto dos vestiários. Os cabelos ainda mais loiros por causa do sol, com alguns caras do time e líderes de torcida ao seu redor.

Zac estava com o torso nu e sua camisa estava pendurada em seu ombro. Seus músculos contraiam e descontraiam de forma regular ao que falava. Sua bermuda ia bem abaixo de seus joelhos e deixava uma parte de sua cueca à mostra, assim como suas entradas em v.

Fiquei tanto tempo apreciando sua beleza que pensei estar babando, passei a mão pela boca só para ter a garantia de que não havia chegado a esse ponto deprimente, mas estava tudo sob controle. Já era difícil controlar minhas fantasias em dias normais, portanto no estado que me encontrava era inviável. Os questionamentos que vinham a minha cabeça consistiam resumidamente em, como ele podia ser tão atraente e, ao mesmo tempo, tão estúpido. Ainda assim, não precisava de muita lógica para responder, nada era perfeito mesmo.

Suspirei de novo, feito uma adolescente virgem. Era assim que eu me sentia, inclusive. Eu precisava urgentemente tirar o infeliz do meu colega de apartamento da minha cabeça antes que ele dominasse o lugar além da minha calcinha. Por que isso iria acontecer, cedo ou tarde, se eu continuasse seguindo o caminho da abstinência e da apreciação de Zac. Eu estava morando no apartamento não tinha nem uma semana e já imaginava um sexo com ele no balcão da cozinha.

Na sala.

No corredor.

Até no banheiro.

Balancei a cabeça, espantando meus pensamentos que ficavam cada vez mais agressivos. Era normal para uma escorpiana essa divagação sexual, o problema era com quem. Zac não era o tipo de cara que eu estava disposta a me relacionar nem com amizade, quem dirá uma amizade colorida. Eu tive a certeza disso durante os poucos minutos que passei perto dele quando cheguei ao apartamento.

Bufei, impaciente. Ele precisava resolver ir embora antes que eu me sufocasse com a minha filosofia a seu respeito.

Zac parecia com raiva. Com bastante raiva. E não foi só a minha pessoa que notou isso, uma vez que a falação do campo parecia ter diminuído ou se cessado por completo.

Era ele e mais um indivíduo do gênero masculino conversando severamente. As outras pessoas estavam em volta, observando o desenrolar da cena. Zac tinha um dedo apontado no peitoral do outro cara e falava bem próximo de deu rosto. Eu tentei alcançar minha audição sobrenatural, estilo Katherine Pierce, mas ainda não tinha essa capacidade, então precisei me contentar unicamente da minha visão, mesmo que estivesse um pouco duvidosa também.

O que aconteceu a seguir foi muito rápido e eu acreditava que se não estivesse olhando não teria percebido. O homem com quem Zac estava discutindo deferiu um soco em seu maxilar, fazendo-o virar a cabeça para trás. No entanto, de uma forma muito ágil, meu não-colega de apartamento voltou um murro no rosto do indivíduo. Mais um. E mais um. Ele só parou quando outros caras o seguraram pelos ombros e um deles entrou na sua frente. Assim como fizeram com o outro que gritava furioso para Zac por cima de quem estava segurando-o.

Meu coração batia muito forte. Era muita adrenalina para poucos segundos e eu nem estava tão perto do ocorrido.

O loiro foi carregado, contra vontade, até dentro do vestiário pelos seus colegas e o outro para fora do campo. Fui na direção dos vestiários, topando com o principiador do soco e observei o inchaço que se instalava na lateral de seu olho, bem como seu supercilio cortado. Semicerrei os olhos em sua direção, mas ele não pareceu notar, preocupado demais em xingar Zac.

“Sai fora, Justin. Você viu o que aquele idiota disse! ”, esbravejou com um dos caras que o empurrava para fora, que só continuou seu serviço e mandou-o calar a boca.

Segui até a porta do vestiário e vi o tumulto se instalando lá dentro. Era o vestiário masculino, todavia, como não estava acontecendo nenhum jogo, não havia nenhum macho ali se aprontando, tomando banho ou só desfilando nu. Torci a boca, lamentando. Justo no dia que eu tinha a oportunidade de entrar no vestiário masculino sem planejar.

Zac estava sentado na pia de mármore e tinha uma garota na sua frente, limpando o corte em sua boca. Seu cabelo estava desgrenhado como sempre, porém ainda pior e sua barba por fazer.

O aglomerado de pessoas dentro do vestiário foi se dissipando enquanto todos viam que nada demais havia acontecido e retiravam-se. O falatório foi dando lugar apenas a voz da garota na frente de Zac e o mesmo cara que estava mais cedo com ele na lanchonete.

Eu permanecia encostada na parede com os braços segurando duas apostilas rente ao peito. Meu semblante de horizonte era impossível de disfarçar. A cada palavra que saia da boca da garota eu tinha vontade de fazer uma careta diferente.

“Por que fez isso? ”, ela perguntou, passando o dedo no lábio rachado. “Agora vai ficar inchado, baby.”.

“Ah! Não tem problema, ele já é todo fodido mesmo. ”, afirmei com um sorriso e só então todos notaram a minha presença.

Zac me fitou e eu notei que meu comentário só serviu para estimular mais sua raiva.

“Está fazendo o que aqui? ”, perguntou. Dava para ver que estava tomando cuidado para mexer a boca.

“Eu entrei na intenção de ver alguns estudantes nus, mas não obtive sucesso porque só tem você sem camisa. ”, fiz um biquinho, fingindo decepção e seu amigo com a camisa número dez riu.

Ele revirou os olhos, tirando a aspirante de enfermeira da sua frente. Desceu da bancada e se olhou no espelho.

“Está mais calmo, onze? ”, o cara encostado no armário perguntou.

Assimilei o apelido com o número da sua camisa do time, mas não tinha certeza se era essa a justificativa.

Zac virou para o amigo com cara de poucos amigos e não precisou responder para que todos entendessem.

“Vou ir nessa. ”, ele disse se dirigindo até Zac e apertando sua mão. “Vê se conversa com o treinador antes de Spike amanhã, porque ele vai aumentar a história. Se cuida, mano. ”, deu dois tapinhas em seu ombro e se desvencilhou do aperto de mão, caminhando em direção a porta onde eu estava. “Vamos, Lisa.”.

“O que?! Por quê?”, perguntou exasperava, mas o amigo de Zac não lhe deu ouvidos, apenas a empurrou pelos ombros até a porta do vestiário.

Dei espaço para eles passarem e assim o fizeram. O idiota do meu colega de apartamento me deu uma olhada rápida antes de marchar para o mesmo curso que eles. Coloquei a mão em seu peito, impedindo-o de sair.

Minha vontade era de socar o outro lado de seu rosto até que estivesse com hematomas suficientes para desinflar seu ego. Outra vontade era deixar ele ir, ainda que precisasse obter outra forma de ir embora depois. Contudo, respirei fundo e deixei que a calmaria me atingisse novamente.

“Preciso de carona para casa”, disse, observando o chão que parecia ser muito mais interessante que a testosterona exalando do loiro mal-educado.

Zac deu um passo para trás, saindo do alcance da minha mão. Repousei meu braço em cima das apostilas e fitei-o.

“Eu te procurei o dia todo para pedir uma carona. ”, menti. “Por favor, projétil de Mike Tyson, eu preciso de uma carona.”, pedi chorosa.

Ele comprimiu os lábios um no outro, contendo um sorriso, todavia eu percebi.

“E se eu disser não?”, perguntou.

“Aí eu vou chorar.”, disse e mordi a boca com a minha melhor expressão de tristeza.

O meu colega bruto de apartamento, não conseguiu segurar a risada dessa vez.

Franzi o cenho, tentando demonstrar verdade no meu pedido. Eu não saberia dizer se choraria ou não, mas eu sabia que se eu o ameaçasse ou o tirasse do sério, no estado de raiva que ele se encontrava, eu ia andar dez quadras até em casa a pé. Era melhor xingar ele quando estivesse sã e salva no apartamento temperatura ambiente.

“Calma ai.”, falou, colocando a mão no meu queixo e levantando-o. “Você tá chapada?”, perguntou, ainda com um sorriso na boca.

Nem parecia que estava com o lábio cortado e estava uma pilha de nervos dois minutos antes. Molhei os lábios e arqueei as sobrancelhas.

“Talvez.”, dei de ombros.

Zac gargalhou e me puxou para fora do vestiário, indo em direção ao estacionamento.

Notas finais
Hey, gente!!! O que acharam desse capítulo?! Ansiosíssima para saber a opinião de vocês, porque esse capítulo é super fresquinho e sem partes do enredo antigo. Espero que tenham gostado, quero receber um feedback de vocês. Mais ansiosa ainda estou pra postar o próximo, ele á pronto e do jeito que a mulherada gosta hahah! Postei o capítulo, mas ainda não respondi os reviews. Prometo que assim que tiver com tempo, responderei. Estou providenciando um book trailer, gente. Se tudo der certo vai ficar uma gracinha! Ah! Outra coisa. Vocês mexem no wattpad? Eu mexo a bastante tempo, mas nunca postei história então não sei como funciona o esquema direitinho. Se tiverem disposição de dar uma passadinha lá, dar uma força e me passar uns "esquemas" vulgo esclarecimentos, ficarei muito contente! :) O link é esse aqui. Fiquem a vontade. https://www.wattpad.com/story/121887741-oh-shit-girl E.. O que mais? Não lembro então.. acho que é só. Ok! Kisses. ♥