Oh Shit, Girl!
5 Exited, hurt and along
Califórnia, San Diego – Março de 2015
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Não.
Eu não ia aguentar Zac, definitivamente.
Havia me esquecido de como era morar com um cara durante os muitos meses que eu fiquei longe do meu irmão e, ainda assim, ele chegava a ser fichinha perto de Zac. Eu já estava perdendo a cabeça e não fazia sequer vinte e quatro horas que estávamos sozinhos.
Depois que Mikael e Axel foram embora e não havia ninguém para amenizar os danos que eu e Zac fazíamos com a autoestima e com o físico um do outro. Na verdade, o estrago físico quem fazia era apenas a minha pessoa. Eu nunca fui tão boa em arremessar coisas e bater em alguém como o havia sido nos últimos dias.
Eu me pegava o tempo todo amaldiçoando todos os deuses pela existência daquele animal caminhando em duas pernas e não conseguia parar de questionar o porquê de tantos lugares habitáveis na terra, ele tinha que estar situado de baixo do mesmo teto que eu. Parecia um carma, um castigo de alguma vida passada, com certeza.
Eu já estava quase procurando tutoriais, livros de autoajuda ou remédios contraindicação médica que me ajudassem a aturar e compreender o processo cerebral de Zac. Eu já havia até cogitado a ideia de ligar para uma linha de apoio, mas ele escondeu meu celular de mim, dizendo que o único que precisava de linha de apoio era ele e que, se ele não tinha o direito, eu também não.
Parecia exagerado, parecia. Eu liguei para Clarissa e ela me disse isso muitas vezes, no entanto não era.
Até o único momento de paz e sossego que eu achei que teria, Hayes também não permitiu, que era a madrugada.
“Bom dia!” , a voz feminina soou alegre. A voz de um tom sexy que eu ouvi durante toda a noite, em vários nuances diferentes.
A mulher tinha os olhos em um tom azul e algumas sardas apareciam nas bochechas, um corpo curvilíneo, longos cabelos pretos cacheados e uma pele que conseguia ser mais pálida que a de Mikael. Usava uma saia rodada, uma blusa larga com as beiradas para dentro da saia e um salto no pé.
Ela era bonita e em outra ocasião eu até acharia ela uma pessoa comunicável, mas naquela manhã, a única coisa que eu queria fazer com ela era tampá-la da janela
Despejei o suco no meu copo, ignorando sua fala. Meu dia não estava bom, não havia porque respondê-la.
“Eu estou sentindo cheiro de neurônios queimando ao invés das torradas. Para de pensar, Fox.”, Zac brincou, aparecendo na porta do corredor, vestido com uma calça de moletom e mais nada.
Essa cena estava tão familiar que estava me preocupando. Coloquei mais açúcar no suco de laranja, sabendo que o esquisito havia feito com pouco, por não gostar de nada muito doce.
“Zac, precisamos conversar muito sério.”, disse e tomei um gole de suco, quase cuspindo tudo por ainda estar meio amargo. “Eu não tenho condições psicológicas para ouvir um áudio pornô vip toda noite sozinha.”, apontei o indicador para ele. “Ou você traz alguém para que eu passe meu tempo ou você vai transar na garagem.”.
“Sempre que quiser, estou disposto a um ménage a trois, princesa.”, ofereceu com um humor que eu não estava a fim de contribuir.
Lancei lhe um sorriso cínico acompanhado do meu dedo médio e ele riu. A garota ao lado dele estava quieta e corada enquanto mexia nas unhas. Ela estava envergonhada àquela hora, sendo que passou a madrugada toda gemendo no quarto ao lado do meu. Revirei os olhos e coloquei mais açúcar no suco. Eu tinha vergonha de compor o time feminino as vezes.
“Acho que vou indo”, a morena declarou e eu juro que ouvi um coro de aleluia na minha mente. Também tenho quase certeza que vi Zac soltar o ar, aliviado. Contudo, ela não parecia ter reparado uma vez que, caminhou até a porta tranquilamente com ele em seu encalço.
Ela abriu a porta e virou-se para ele, puxando o pescoço do loiro para si e dando-lhe um beijo intenso. Ele ficou parado na mesma posição por ter sido pego de surpresa, mas, após alguns segundos, retribuiu o beijo. Tomei um gole do meu suco, tentando não fechar os olhos com tamanho sono e tédio.
“Vai me ligar?”, ela perguntou esperançosa com a boca borrada de batom.
Ri de leve com sua pergunta, irônica.
“Claro que sim, é...”.
“Amanda” ela disse, constatando que Zac não lembrava.
“Isso!”, ele exclamou e bateu a mão na testa. “Amanda. Eu ligo, pode deixar.”, afirmou e a morena abriu um belo sorriso.
Com a minha experiência de vida na questão foder com pessoas aleatórias, eu tinha convicção de duas coisas. Uma delas era que Zac não fazia ideia do nome dela, nunca soube, e a outra era que ele não ligaria. Abaixei a cabeça e balancei-a negativamente. Noventa e cinco por cento das vezes eram as mesmas perguntas, as mesmas respostas, e as mesmas promessas vazias.
“Tudo bem, tchau!”, ela se despediu, acenando para mim, que apenas fiz um movimento com a cabeça.
Ouvi a porta sendo fechada e vi Hayes bufando e bagunçando mais os cabelos com a mão. Ele foi em direção ao sofá e esparramou-se nele de modo relaxado – e sexy. O sofá que ele havia feito questão de denominar como seu no dia em que cheguei no apartamento e que alegou ser mais confortável que uma cama. Eu sentei e concordei, contra minha vontade, que realmente era.
Desci do banco onde estava e peguei a vassoura que, para minha absurda surpresa, eu encontrei mofando no banheiro.
“Agora você já pode arrastar sua bunda do sofá para me ajudar a limpar esse lugar.”, andei até Zac e tampei a vassoura ao seu lado.
Ele desviou os olhos da televisão para mim com um pouco de descrença e sarcasmo. Abriu a boca para protestar, mas fechou-a depressa quando ele parou de sustentar o olhar em meu rosto e correu com ele pelo meu corpo. Fingi não perceber e fiz um gesto com a mão para que ele agilizasse, fazendo-o bufar pela segunda vez, tampando a vassoura no chão.
“Quem te levou a ilusão de que eu pegaria em uma vassoura para limpar o apartamento?”, questionou debochado.
“Por que, você quer pegá-la para voar?”, perguntei irônica.
“My dear, esse é o seu trabalho, não meu”, rebateu e voltou a olhar para a televisão.
“A não ser que seu objetivo seja limpar com a língua.”, dei de ombros.
“Eu não vou limpar nada.”, afirmou, sem me observar.
“Você não vai limpar, vai varrer, já que você prometeu.”, disse, colocando a vassoura ao seu lado novamente.
“Não me recordo.”
“Deixe-me refrescar sua memória então.”, respirei fundo e juntei as minhas mãos. “Você pode transar à vontade, com a mulher que quiser, no quarto do meu irmão enquanto ele está fora e eu permito se você me ajudar a limpar o apartamento”, fiz um gesto demonstrando ao redor.
“Não pode levar promessas de um bêbado a sério.”, disse, mudando de canal e bateu o dedão do pé na vassoura de leve para ela cair no chão.
Ele se comparava a uma criança em questão de maturidade. igual a uma criança birrenta e chata.
“Não, na verdade, você estava só um pouco alterado pelo álcool, acho que sua excitação é quem teve a culpa parcial disso tudo. E, pelo que me vem à mente, excitação não faz as pessoas esquecerem o que fazem como o álcool, portanto, não pode dar a desculpa de que não se recorda”, expliquei calmamente e ele bufou.
“Não vou te ajudar”, afirmou sem me encarar, apertando os botões do controle remoto. Eu duvidava que ele, pelo menos, estivesse prestando atenção nos canais.
“Ah, mas vai sim!”, disse, chegando mais perto e puxando seu braço.
Uma tentativa extremamente falha e constrangedora já que ele nem se mexeu. Ele bocejou, como se o que eu fizesse não o incomodasse e aquilo me fez estreitar os olhos em sua direção com irritação. O que, mais uma vez, não gerou nenhuma reação dele. Sorri com a ideia que me veio em minha mente e peguei a vassoura do chão para, em seguida, começar a golpeá-lo com ela.
“Anda, pode levantar daí! Promessa é dívida!”, gritei, batendo nele. Zac se esquivava dos golpes de modo desajeitado e ria. “E você vai cumprir! Ou eu vou enfiar esse cabo bem no seu orifício.”.
Em outro momento eu daria uma crise de risos com a situação a qual eu me propunha. Em toda a minha vida, eu fugi de qualquer tarefa que se denominasse caseira e, lá estava eu, batendo no meu novo colega de apartamento para que ele passasse uma vassoura na casa. Zac murmurava de uma dor que eu duvidava muito que estava sentindo a julgar o tamanho da minha força.
“Porra, Philippa!”, ele praguejou quando conseguindo arrancar a vassoura da minha mão. “Isso tá fora de condições. Você nunca limpou uma casa na vida e mora com três caras. Entenda que esse apartamento nunca vai ficar arrumado.”.
“Não o quero arrumado. Só quero que ele fique um pouco mais apresentável.”, expliquei e tentei pegar a vassoura de sua mão sem sucesso. “Quero que ele fique de um jeito que eu possa, pelo menos, andar de meia uns dois minutos sem que ela fique preta. Eu nunca arrumei casa, até porque nunca precisei, por isso preciso da sua ajuda. Porque... Porra! Estou acostumada a viver em lugar bagunçado, não no aterro sanitário. Serio mesmo, Zac! Quando a minha mãe veio comprar esse apartamento o piso era de madeira não esse carpete de poeira!”.
Ele respirou fundo como se tirasse todo o oxigênio daquela sala e eu mordi o lábio para conter uma exclamação sobre isso. Se ele tirasse todo o oxigênio do lugar e eu ficasse com falta de ar, aquele cabo de vassoura ia atravessar o pâncreas dele. Eu andava implicando tanto com Zac que não interpretava mais o significado da palavra limites.
Ele massageou as têmporas de olhos fechados, reunindo paciência. Eu não sabia para que executar esse ato se a gente ia brigar ao passar alguns minutos. Reunir paciência era perda de tempo, eu já havia reconhecido.
“Eu sinceramente não sei onde o seu irmão estava com a cabeça de te deixar morar aqui”, disse retoricamente, encarando o teto como se pedisse amparo aos anjos.
“Pode tentar o quanto quiser, faço orações para eles todos os dias, pedindo para te mandar de volta para o planeta de onde você veio e a única coisa que recebo é mais de você e desse sol na minha testa”, contei, retirando as sujeiras das minhas unhas.
Zac voltou o olhar para mim como se tivessem nascido mais duas cabeças no meu pescoço. Ele balançou a cabeça descrente e continuou mantendo o silêncio.
“Ok! Você venceu”, disse e eu sorri abertamente. “Mas, por favor, limpe em algum cômodo que eu não esteja porque desse jeito eu vou acabar tendo que chamar o controle de animais para cá.”.
“Se eles vierem vão ter que levar eu e você. E vou te dizer, gatos são adotados muito mais rápido que cães.”, disse. “Ou seja...”.
“Não precisa terminar.”, Zac me interrompeu. Ele tinha a mão na testa e balançava a cabeça em negativa, murmurando o quanto eu era péssima, mas eu vi o canto da sua boca quase se curvando em um sorriso. ”Meu Deus!”, ele exclamou ainda balançando a cabeça. “Só... Vai arrumar a casa, Fox. Já deu por hoje.”.
Eu dei de ombros e dei meia volta para sair da sala.
“E coloca um pijama descente nesse processo, por favor.”, ele pediu atrás de mim.
Olhei para baixo, verificando o pijama indecente. Eu estava de top, deixando toda minha barriga à mostra e com um short – estampado de florezinhas broxantes – que devia ter um palmo. No meu pé tinha uma meia que ia até o joelho e que era considerada azul antes de ser usada naquele apartamento.
Tudo bem que, aquela combinação não podia nem ser considerada um pijama, muito menos uma combinação. Contudo, eu nunca fui do tipo que apoiou conjuntos harmoniosos e o calor que estava fazendo era impossível de se resistir, até com o ar-condicionado ligado.
“Ok, papai.”, caçoei e passei pelo corredor sem esperar uma resposta mal criada sua.
Depois do que pareceu uma eternidade limpando aquele apartamento com três quartos, um corredor, um hall que dividia a sala com a cozinha e um banheiro eu pude admitir que, apesar de nunca ter tirado o pó de um móvel, eu havia feito um bom trabalho.
Claro que isso aconteceu depois de muitas caretas de nojo ao encontrar algumas coisas suspeitas e desagradáveis, ser perseguida pelas quinas assassinas dos móveis – que sempre vinham em direção a algum dedo do meu pé – e reclamar para os céus e o inferno sobre a vida que eu estava levando.
Por fim, só me restava a porcaria de estante presa na parede do quarto de Zac, que virou nosso, onde os ácaros pareciam acenar e mandar beijos no ar para mim.
Eu estava tão orgulhosa de mim pelo trabalho árduo de limpar tudo que não me dei ao luxo de ignorá-la. Eu comecei, então eu terminaria!
Eu subi em uma cadeira de madeira para alcançar a estante e ela rangeu. Eu me imobilizei com medo de que mais algum movimento ela pudesse quebrar. Fiz uma careta de desdém quando nada aconteceu e voltei a me dedicar aos objetos aleatórios que descansavam na estante, me inclinando para limpá-los.
A cadeira deu mais um estalo e tombou, eu me assustei. A tentativa de me equilibrar foi falha e o resultado foi desastroso. Eu caí de bunda no chão, deixando um grito ensurdecedor – e desnecessário – sair de minhas cordas vocais e um barulho estridente de todos os objetos que descansavam na estante soar por todo o apartamento. Eu caí e a cadeira ficou lá, de pé. Maldita!
“Mas o quê?!”, Zac apareceu na porta, a expressão alarmada. “Que merda você está fazendo aqui?”.
“Estou caída, oras.”, disse, constatando o óbvio.
Revirei os olhos e retirei alguns livros de cima de mim.
“Por que, raios, você estava fuçando nas minhas coisas?”, questionou incrédulo, ignorando meu sarcasmo.
“A pessoa deveria te dar educação, Zac.”, falei retoricamente com uma pacificidade surpreendente. “Ela tirou férias no exercício desse ato ou ela cumpriu essa tarefa, mas você decidiu não levar para a vida?”.
Foi a vez de ele revirar os olhos e, em seguida, ele bufou.
“Então?”, estalei o dedo na frente do meu rosto, chamando sua atenção. “Vai me ajudar a levantar ou vai pretende continuar parado ai, observando minha desgraça?”.
“Você tem dois pés e duas mãos que parecem trabalhar em perfeito estado.”, disse atravessando o cômodo e passando por cima de mim, sem me prestar ajuda. “Isso significa que, consegue utilizá-los para se levantar.”.
Respirei fundo, soltando o ar levemente. Zac estava pisando em alguns livros de Biologia no chão enquanto observava os compartimentos da estante que alcançava – que eram muitos, em comparação ao meu pequeno ser.
“A sua ignorância é muito simpática,”, comentei, mas ele não parecia disposto a me dar atenção, muito obstinado a checar quais utensílios seus permaneciam intactos. “Não vai perguntar por que caí?”.
“Não.”, respondeu seco.
“Mas, eu vou te falar.”, afirmei animada, alheia a sua falta de interesse e gentileza.
Quando olhei mais uma vez para a cadeira, lembrando do meu desastre, um plano que me renderia muitas risadas passou pela minha mente. Seria muito satisfatório fazer uma pequena de mau gosto com meu colega de apartamento emburrado. Ele permaneceu remexendo em suas coisas, indiferente ao que eu dizia.
“Eu me assustei e caí da cadeira porque vi um bicho aí e ele parece estar comendo tudo seu.”.
Ele me encarou surpreso e eu precisei reprimir minha vontade de rir.
“Um bicho?! Que bicho?”, questionou.
Nenhum tipo de ser vivo passou pela minha cabeça rápido o suficiente para que eu continuasse com a minha mentira.
“Não sou eu aqui em faz Medicina Veterinária para saber que tipo de bicho esquisito come as coisas dos outros, querido.”, exclamei. “Está um pouco mais para as prateleiras de cima.”.
Como previsto, sem hesitar Hayes subiu na cadeira. De acordo com o conhecimento básico em física, considerando sua constituição física e o estado físico da cadeira, a margem de erro do meu projeto girava em torno dos 0,01%. Ou seja, como previsto também, a cadeira emitiu uma quantidade de estalos muito maior do que quando eu subi nela. Zac não parecia se abalar e continuava fielmente sua procura pelo inexistente “bicho”.
Muito idiota!
Mais alguns segundos e a cadeira se fragmentaria. Mas, eu não tinha mais alguns segundos. Então, eu chutei o pé da cadeira em um movimento rápido. Ela se partiu no meio em um último estalo e Zac caiu por estar concentrado demais no que fazia antes.
Todavia, com Philippa Fox nunca era “simples assim” e, apesar de fazer um curso que exigia cálculos precisos, a jumenta ainda errava. Portanto, graças a minha exuberante habilidade em ser uma imbecil e minha incapacidade de fazer o uso do cérebro, eu não me levantei antes de chutar a cadeira e o resultado foi Zaz caindo em cima de mim.
E não foi como simplesmente tropeçar, ele caiu mesmo. Sem cuidado nenhum, depositando todo seu peso em mim. Imaginei-me sendo uma massa esmagada pelo rolo de pizza e inevitavelmente soltei um gemido de dor.
Só que ao invés de começar a chorar pela dor, a situação me fez rir. Me fez rir muito. Eu comecei uma gargalhada que não parecia ter previsão de um final e, em questão de segundos, Zac me acompanhou deitado em cima de mim. Eu ria da minha maturidade e da minha desgraça e do tamanho da minha estupidez.
Inicialmente eu queria rir de Zac, não de mim. Era tão trágico, porém tão cômico.
Eu não conseguia parar de rir porque a todo momento que eu tentava, eu ouvia a risada de Zac e começava a rir de novo. Nossos corpos se mexiam juntos por causa das gargalhadas e isso não ajudava nem um pouco no processo de cessar a risada.
Eu só parei, porque comecei a ficar com falta de ar, uma vez que havia um ser humano proporcionalmente pesado em cima de mim. Ele também parou e pareceu perceber meu incomodo, se apoiando nos braços, aliviando seu peso, fitando-me com aqueles olhos quase amarelos. Ele se afastou o suficiente para que eu pudesse respirar, porém ainda estava ali.
“Acho que agora é o momento em que você sai de cima de mim.”, propus, mas ele não se mexeu.
Um sorriso brotou em seus lábios e ele continuou em silêncio, me encarando. Observei seus olhos percorrendo pelo meu rosto, examinando cada detalhe, até que pausaram em minha boca. Uma onda de calor correu pelo meu corpo e eu observei a tatuagem pouco abaixo de sua clavícula. Dois símbolos japoneses pequenos que eu não sabia o significado, mas era bonito. Pensei no quanto parecia atraente para mim passar os dedos por ela e por todas as outras espalhadas pelo seu corpo. Mordi o lábio inferior, voltando a fitar os olhos de Zac que ainda estudavam minha boca.
“Ou me beija.”, disse e dei de ombros. “Você quem sabe.”. Ele voltou a fitar meus olhos, dessa vez, retirando o sorriso devasso do rosto. Meu coração bateu forte com a seriedade que ele me olhava. “Estou brincando.”, meu sorriso morreu assim como o dele.
Não que minha vontade não fosse beijá-lo, pois eu esse desejo era frequente, assim como o desejo de enforcá-lo. Mas, não seria sensato deixar isso claro para ele. Zachary Hayes não era alguém que eu deveria admitir que queria dar uns amassos ou mais que uns amassos. Se fazer de difícil era minha marca registrada.
“Então, por que suas pupilas estão dilatadas?”, questionou, erguendo o canto da boca em um sorriso contido.
“Assim como as suas?”, perguntei, apontando o indicador para seu rosto.
Me apoiei nos cotovelos, consequentemente ficando mais perto dele. Estava me incomodando ficar deitada no chão com meu corpo doendo.
Zac se sentou mais ereto no meu colo e, por um momento, achei que foi na intenção de se afastar, entretanto ele fez exatamente o contrário.
Em um movimento ágil, ele me puxou pela nuca com força, fazendo-me apoiar as mãos no chão e ficar a centímetros de distância dele. Sentia sua respiração tocando meus lábios e eu podia quase sentir seu sorriso desgraçado no rosto. Pisquei, me situando novamente. Sua súbita movimentação me deixou atônita.
Pensei em fazer uma piada com base em sua atitude, mas eu não tive tempo, visto que Zac tratou de empurrar meus lábios aos dele com a mão na minha nuca.
Eu não achei que ele havia levado a sério minha provocação.
Não era nenhum tipo de beijo calmo, harmonioso ou cuidadoso. Era um beijo agressivo, possessivo e quente. O exato tipo de beijo que eu gostava e que conseguia fazer minha intimidade nadar. E era bom. Senhor! Era muito bom.
Eu tive beijos e mais beijos na vida, só que naquele momento, eu não consegui me lembrar de nenhum deles para comparar ao do meu colega de apartamento porque a única coisa que eu tinha capacidade de fazer era me dedicar ao beijo. Arranhei o pescoço de Zac, sentindo-o arfar na minha boca e empurrei-o suficiente para que se sentasse no chão e eu sentasse em cima dele.
Ele me puxou para si com as mãos em bunda de uma forma vigorosa. Um nó se formou no meu estomago de antecipação e ele subiu calmamente a mão que estava na minha bunda para as minhas costas nuas, na parte onde o top não cobria. Arrepiei e contrai os dedos do pé quando, ao mesmo tempo em que ele acariciou a minha língua com a sua, ele desceu o indicador em uma velocidade tortuosa pela minha espinha.
Apertei-o com as duas mãos que estavam em seu pescoço e subi uma delas pelo seu cabelo, puxando com força. Ele rosnou na minha boca e voltou a me beijar forte. Uma de suas mãos foi para minha coxa, apertando-a com violência e me fazendo ofegar. Ele sorriu com isso e puxou o meu lábio inferior para ele.
Não era aquela briga de línguas, o que, de modo avulso, me fez sorrir. Nós brigávamos como cão e gato o tempo inteiro, mas quando nos beijávamos, nosso corpo se entendia. Um esperava o próximo passo do outro para poder ir em diante com o seu. Como uma dança ritmada e feroz.
Havia velocidade, mas não muita. Era na dosagem certa. Os lábios de Zac eram leves e ao mesmo tempo duros. Chupei seu beiço inferior, ao mesmo tempo que ele levou as duas mãos na minha bunda novamente. Respirei fundo, contendo o arfar e fui capaz de notar que Zac franziu o cenho, quando mordeu o meu lábio, como se estivesse sentindo o gosto de alguma comida.
Uma das minhas mãos foi parar em seu peitoral, onde eu arranhei com vontade. Zac levou uma mão em cada lado das minhas pernas e apertou, puxei seu rosto ainda mais para perto, com a mão em seus cabelos e gemi baixo, começando a sentir o incomodo no meio das minhas pernas ficar incomodo demais. Zac também não estava muito longe a contar que eu já conseguia sentir sua excitação por baixo da calça de moletom. Movimentei meu corpo sobre o seu, rebolando e ele me apertou com mais força, suspirando em minha boca. Eu sorri, já nem me lembrava da dor que sentia antes pela minha queda e pela sua queda.
Suas mãos voltaram a percorrer a lateral do meu corpo enquanto a minha distribuía arranhões por toda extensão de suas costas, sabendo que deixaria marcas. Ele parou de movimentar as mãos e as repousou alguns centímetros abaixo dos meus seios, então as subiu, levando-os para cima. Minha respiração ficou ainda mais pesada e inconsciente eu parei qualquer movimento com a minha boca, prestando atenção somente nele, mas ainda movimentando meu quadril.
Ouvi um grande barulho ao nosso lado e demorei um pouco para raciocinar que vieram dos restos de entulhos que estavam na cômoda. Todo o resto que havia ali parecia ter caído no chão, porém eu não podia me importar menos. Zac pareceu notar o mesmo, também, acordando do transe. Ele finalizou o beijo, roçando os dentes na minha língua que ainda estava em seus lábios.
Fechei os olhos tentando acalmar minha respiração e pensar de uma forma coerente no que tinha acabado de acontecer.
Que. Merda. Eu. Fiz.
Eu ainda estava tentando acalmar minha respiração e senti Zac chegar mais perto, passando a mão que estava em meu seio para minha nuca e a outra retornou a minha bunda. Abri os olhos, encontrando-o a centímetros de distância novamente, sua respiração tocava meus lábios ainda molhados produzindo uma sensação gostosa.
“Então você me beijou.”, ele constatou, passando o dedo no meu lábio superior. Minhas pálpebras pesaram para se fechar e minha intimidade pulsou.
“Claro...”, confirmei irônica. “E foi super fácil fazer isso sem ajuda.”.
Ele sorriu de lado e subiu mais os dedos pelos meus cabelos, provocando-me um arrepio involuntário por todo o corpo. Permaneci com o cenho franzido, minha melhor expressão de indignação e ignorei todos as exigências que meu corpo fazia. Tirei minhas mãos de seu pescoço, ameaçando sair de cima dele. Algo que não aconteceu, pois Zac me puxou novamente.
“Pode ficar tranquilo que não te beijarei novamente, ok?”, disse soando mais irritada do que deveria.
“Cala a boca.”, ele sussurrou antes de colar seus lábios nos meus, fazendo-me sentir o gosto da sua língua novamente.
Contrariando todo meu raciocino lógico me mandando sair de seus braços, permaneci ali, aproveitando a sensação. O beijo não era mais urgente, era calmo, era sexy. Todavia, o momento de bel prazer foi interrompido pelo celular de Zac tocando no bolso de sua calça. Eu dei uma risada sarcástica, me afastando.
“Alô?”, ele atendeu com a voz rouca.
Meu não-colega de apartamento ficou me observando com os olhos semicerrados. Era um olhar sério e instigante. Mordi o lábio, passando as pontas das minhas unhas devagar por seu peitoral nu. Ele respirou fundo e balançou a cabeça em negativa para mim, sorrindo travesso.
“Oi, Zac!”, ouvi a voz no outro lado da linha. Estava perto o suficiente para perceber nitidamente que a protagonista que atrapalhou o momento compunha o time feminino. “É... Você me disse para te ligar quando estivesse livre e, aqui estou eu. Posso passar no seu apartamento que horas?”.
Passeei com minha mão por todos os relevos de seu abdômen. Zac tinha um corpo magro, porém bem demarcado por músculos visíveis originados de esforços físicos. Nada muito exagerado, ele não tinha o corpo de um fisiculturista, um rato de academia e afins. Ele tinha uma estrutura limitada aos seus fundamentos. Talvez isso o deixava tão atraente aos meus olhos. Ou não. Eu não saberia dizer, entretanto.
Zac era um imã de mulheres e – eu poderia até arriscar dizer – de homens. Mas, não poderia ser apenas pelo fato de ser atraente. Sua lábia, talvez. Seu sorriso, provavelmente. Não saberia dizer, de qualquer forma, eu mal o conhecia.
Essa linha de pensamento me levou a outro pensamento. Onde Zac conquistava quem bem entendesse como se fosse um troféu. Eu não queria ser conquistada como um troféu, eu é quem queria conquistar um troféu. Mesmo que Zac não fosse um troféu. Céus! Ele dividia o apartamento comigo e mais dois caras, sendo um deles meu irmão. Eu não deveria sequer sentir tesão por ele.
Eu precisava ficar no apartamento e seria praticamente uma missão impossível permanecer debaixo do mesmo teto que ele, se a tensão sexual fosse palpável. De duas uma, ou íamos nos matar ou íamos nos matar.
Zac permanecia ouvindo o que a garota do telefone tinha para falar, mas não parecia prestar muita dedicação a conversa, uma vez que nem se dava o trabalho de respondê-la.
Desci e subi com ela, arranhando vez ou outra de leve, sentindo-o ficar tenso e seus pelos se arrepiarem. Resumia-se em uma tentação, realmente. Um homem se deliciando com meus toques bem na minha frente. O único porém, era que esse “homem” consistia no idiota do Zac. Desci com meu indicador na vertical até alcançar o cós da sua calça, vendo que ele arfou e encolheu a barriga por impulso.
Sorri e, antes de mais alguma ação, juntei toda a força de vontade que eu consegui para lutar contra todos os meus hormônios traidores que insistiam para eu não parar por ali e levantei de cima de Zac, ignorando a dor na perna que me atingiu. Ele me fitou intensamente, parecia com expectativa aquele olhar. Respirei fundo e parei de dá-lo atenção, indo em direção as prateleiras da estante e colocando os objetos em seus devidos lugares.
Hayes me deu muito tempo para pensar e eu não era boa quando pensava. Isso já havia sido comprovado. Nem fazia muito sentido eu abdicar de um sexo com um estranho, mas, de qualquer forma, eu não fazia sentido mesmo.
“Sério?”, Zac perguntou.
Fitei-o por cima do ombro, pensando no que responder. Contudo, não fui capaz de formular em palavras minha atitude, portanto, só dei de ombros. Eu ainda estava excitada e, assim como eu permanecia com as pernas juntas, mordia o lábio de nervoso. Não era justo estar excitada assim pelo Zac.
Percebi também que não era uma boa ideia abandonar Zac àquela altura do campeonato só porque a balança dos pontos negativos pesou mais. Eu estava me abandonando também. Merda! Pensei em voltar para seu colo, fingindo que nada havia acontecido, mas que ele já havia levantado.
Eu, realmente, não servia para tomar decisões.
“É só interfonar, Rachel. O apartamento é 407.”, explicou pelo aparelho telefônico.
Estava absorta demais nos meus pensamentos para prestar atenção nas palavras anteriores da garota. No entanto, não fazia diferença. Eu sorri ironicamente e revirei os olhos. Era óbvio que ele a chamaria. Sua masculinidade e seu orgulho não poderiam sair feridos depois da minha “rejeição”.
Zac passou pelo vão da porta coçando a cabeça, bagunçando ainda mais seus cabelos. Ele desligou o telefone e estancou seus passos. Passou alguns segundos parado antes de virar-se para mim. Ele estreitou os olhos e guinchou.
“Não vamos ter essa conversa agora, mas isso ainda não acabou.”, avisou sério, apontando o indicador em minha direção e saiu a passos largos e pesados do quarto, me deixando ali.
Excitada, dolorida e sozinha.
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