Notas iniciais
Espero que estejam gostando ♥ PS: a pelúcia mencionada no capítulo é essa da imagem

Oito longos meses se passaram antes que Derek pudesse enfim adotar o pequeno filhote de lobisomem. A mansão Hale estava finalmente reformada, com ele e Isaac tendo se mudado assim que os acabamentos finais foram dados, e agora restava aguardar o dia que poderia buscar o bebê Samuel no orfanato.

Foram duros meses de disputa com outras famílias interessadas na adoção, e Derek não se orgulhava totalmente de ter usado meios não convencionais para ser aquele a adotar o bebê, mas afinal, dinheiro e ligações externas devem servir de alguma coisa. Mas o importante no final foi ter a guarda oficial e permanente do menino, dando a ele a melhor chance de crescer entre seus iguais.

Derek estava um pouco nervoso enquanto preparava as coisas para ir buscar o bebê. Havia passado a semana toda organizando os papeis da adoção, assim como roupas, brinquedos, artigos de higiene e o quarto no geral, que ficava ao lado do seu, completamente organizado e decorado.

Respirando fundo ele pegou o bebê conforto e trancou a casa ao sair, colocando a cadeirinha no banco de trás do camaro e enfim dirigindo até o orfanato buscar seu, agora oficialmente, filho.

Pensar nessa palavra, filho, e nele sendo pai ainda causava um estranho comichão em sua barriga, mas não era como se isso o incomodasse a ponto de deixar transparecer.

Ao longo desses oito meses, Derek havia realmente se apegado ao garotinho. Ele ainda mantinha sua rotina de visitas ao orfanato, e cada vez mais se pegava dispendendo mais tempo junto ao bebê, que nitidamente se apegara e ele também, seu pequeno narizinho de lobo guardando e reconhecendo seu cheiro toda vez que ele fazia uma visita.

― Vou sentir falta desse pequeno ― a cuidadora do orfanato falou enquanto passava o bebê agitado para os braços de Derek. ― Eu sei que vai cuidar bem dele, Derek.

O menino se acomodou e descansou seu rostinho contra o ombro de Derek assim que se encontrou em seu colo, esfregando levemente sua bochecha contra a camisa do homem, apertando o tecido entre os dedos gordinhos.

Derek suspirou em contentamento por finalmente ter seu filho entre os braços, seguro e confortável.

Ele podia praticamente sentir seu lobo rolar em alegria.

Era oficialmente pai agora.

O bebê oficialmente um Hale. Samuel Hale.

Ele acomodou o pequeno Sam no bebê conforto e o prendeu ao banco de trás do carro firmemente, antes de dirigir para casa.

Quando chegou a reserva, notou os diferentes veículos dos membros do pack estacionados em frente à sua casa, e quando entrou carregando seu bebê ainda na cadeirinha, foi saudado por seu bando completo sob uma faixa de “bem-vindo Samuel” pendurada na sala.

Durante bons minutos foi uma disputa para ver quem seguraria o bebê, até Derek intervir piscando seus olhos de alfa, acalmando os jovens alvoroçados entorno do mais novo membro do bando.

― Vocês estão assustando ele ― resmungou, notando os olhinhos castanhos confusos correndo de um rosto a outro e então pelos cantos que podia ver da casa. ― É uma casa nova, um lugar novo e muitas pessoas novas. Vocês podem pegar ele no colo, desde que de maneira civilizada.

― Eu primeiro! ― Isaac se adiantou dizendo, antes que qualquer outro tivesse a chance.

O garoto sorriu enquanto pegava o bebê com cuidado de dentro da cadeirinha, satisfeito consigo mesmo quando ele não chorou. Assistiu maravilhado o pequeno narizinho se esfregar contra seu peito.

― Ele está me cheirando ― falou como se fosse a coisa mais incrível do mundo. ― Ele é tão fofo.

― Ele deve ter reconhecido o cheiro familiar do pack em você ― Derek respondeu, sorrindo pequeno para a cena. ― Provavelmente fará o mesmo com todos.

Correndo seu olhar pela sala, ele notou os rostos animados olhando a interação do bebê com Isaac, só então notando que estava silencioso demais para uma reunião normal. Foi quando ele percebeu a ausência daquele que geralmente mais se fazia notar.

― Onde está Stiles? ― Perguntou franzindo o cenho.

O jovem o havia gastado a paciência a semana toda perguntando sobre quando o bebê poderia vir para casa, e quando ele finalmente vinha, sequer aparecia?

― Não o vi o dia todo ― Scott respondeu enquanto tinha sua vez com o bebê, o pegando do colo de Isaac. ― Mas ele disse que se atrasaria um pouco porque tinha umas coisas pra fazer.

Derek balançou a cabeça em entendimento, e tentou não se abalar ao longo da tarde à medida que o tempo passava e Stiles não aparecia.

O sol já se punha no horizonte quando o pack foi embora, com Isaac indo junto de Scott para terminarem um trabalho da escola.

Derek suspirou, apreciando o silêncio da casa enquanto se sentava no sofá e observava seu filho brincando no tapete.

Um sorriso pequeno sempre brotava em seus lábios quando pensava na palavra filho. Era um sonho finalmente se tornando realidade, e às vezes ele se pegava se questionando se não estava na verdade dormindo.

Estava quase na hora do jantar quando ele se levantou de onde brincava com Sam, indo para a cozinha para dar início ao preparo de sua refeição e da do bebê. Derek se encostou ao balcão após colocar o leite para esquentar, tendo dali uma boa visão da sala graças ao conceito aberto de sua cozinha. Podia ver o pequeno mastigando um brinquedo de borracha, parecendo muito concentrado nisso.

Um som conhecido vindo de fora chamou sua atenção, reconhecendo o barulho do jipe de Stiles se aproximando. Não muito depois, uma porta era batida, seguida de mais outra. Derek franziu o cenho, se perguntando se o garoto havia trazido alguém consigo, mas descartou a ideia quando ouviu somente um par de passos caminhando até a porta.

― Derek, dá pra abrir aqui pra mim? ― Disse Stiles com um tom sofrido na voz.

O homem arqueou as sobrancelhas ao ver o jovem parado em sua soleira carregando uma enorme caixa de papelão que cheirava a amaciante e sabão. Roupas limpas, presumiu.

Em cima da grande caixa havia um pacote de presente pequeno e volumoso.

― O que é isso, Stiles?

― Roupas ― respondeu empurrando a caixa pesada para os braços de Derek, que a pegou sem dificuldade. ― Cadê o bebê?

― Está brincando na sala ― respondeu enquanto se virava e fechava a porta com o pé.

― OH MEU DEUS! ― Stiles exclamou. ― Ele é a coisa mais fofinha do mundo! Posso pegar?

Derek largou a caixa no chão e acenou positivamente com a cabeça.

― Mas tenha cuidado.

Enquanto Stiles se sentava no sofá com o bebê em seu colo, Derek voltou a cozinha, pegando o leite do micro-ondas e testando sua temperatura antes de misturá-lo com a fórmula na mamadeira.

Ele não perdeu a forma como os olhos de Stiles brilharam ao ver que era hora de alimentar o bebê, antecipando o que o olhar pidão queria dizer.

― Não ― disse ele antes que o garoto pudesse falar qualquer coisa.

― Ah cara, deixa eu dar a mamadeira pra ele? ― Pediu, piscando seus olhos brilhantes para Derek. ― Por favor? Só dessa vez?

Derek suspirou derrotado, acenando positivamente meio a contragosto.

Stiles sorriu largamente enquanto pegava a mamadeira morna das mãos de Derek, para então posicionar corretamente Sam em seu colo e alimentá-lo.

― Para que você trouxe roupas? ― Derek questionou, alternando seu olhar de seu filho para a grande caixa sobre o tapete.

― São para o Sam ― respondeu. ― O presente é pra ele também.

Derek pegou primeiro a embalagem de cima da caixa, franzindo as sobrancelhas ao soltar o laço que prendia o pacote, tirando de lá uma pelúcia cinza.

― O que é isso? ― Questionou, girando o brinquedo nas mãos. ― É um lobo?

― Sim! ― Stiles falou animado.

― Por que é quadrado?

― Porque é de Minecraft! Ah qual é, cara, não é possível que você não conheça Minecraft!

Derek ainda analisava o lobinho de pelúcia com o cenho franzido, mas o deixou de lado no sofá para abrir a caixa maior.

― E também foi o único que eu achei na loja ― Stiles deu de ombros. ― Eu estava meio sem tempo pra procurar outro. Falando nisso, foi mal não ter vindo mais cedo, mas você já lavou centenas de mini peças de roupa? Parece que não acaba nunca!

― Você lavou tudo isso hoje? ― Derek perguntou, olhando as pilhas de roupinhas coloridas, e então movendo o olhar para Stiles.

― Eu teria feito isso antes, se meu pai tivesse me falado da existência delas antes ― reclamou. ― E como elas estavam há tempo demais no armário, achei melhor lavar antes de dá-las a você.

― Elas eram suas? ― Questionou Derek arqueando as sobrancelhas. ― De quando você era um bebê?

― Sim ― Stiles murmurou, e então, em um tom mais contido, continuou: ― Minha mãe as tinha guardado para o caso de ter mais filhos, mas, você sabe, ela não teve. Então quando eu comentei sobre você trazer o bebê hoje com o meu pai, ele me falou das roupas, e que eu podia dá-las a você se quisesse.

Derek baixou seu olhar novamente para as roupas. Ele sabia o que elas deviam significar para Stiles. Eram uma lembrança de sua mãe, de um gesto feito pensando no futuro que não pudera realizar. Isso o fez se lembrar da própria mãe, que igualmente guardava roupas infantis das crianças nascidas na matilha, que estava sempre crescendo. Isso até seu fim, que levou todos, e todas as lembranças físicas embora.

― Você pode ficar com as que servirem para o Sam ― continuou Stiles. ― E o que não servir, pode levar pro orfanato.

Derek assentiu e deixou a caixa de lado, mais tarde selecionaria as peças.

Sua atenção então se desviou para Sam, que nos braços de Stiles choramingava ao perceber que o leite de sua mamadeira terminara. Derek então pega a mamadeira vazia e volta para a cozinha, aquecendo mais leite para o bebê.

Stiles parece surpreso ao ver o filhote sugar avidamente sua segunda rodada de leite, agarrando a mamadeira com as mãozinhas.

― Caramba, como ele come ― disse, ainda olhando para Sam. ― Tenho pena das mamães lobisomem por terem que amamentar os filhotes. Imagina então quando são gêmeos? Pobres mulheres ― levantou então o olhar para Derek, que os observava em silêncio. ― O metabolismo de vocês é incrível.

― O apetite dele deixava os cuidadores do orfanato surpresos ― Derek respondeu, deixando um sorrisinho pequeno dançar em seus lábios.

Deixando o filhote sob a supervisão de Stiles, Derek voltou à cozinha para terminar o jantar, cozinhando o suficiente para os dois. Quando terminou, ele sorriu, observando à distância Stiles ninar o pequeno que adormecera em seus braços.

― Coloque os pratos na mesa pra mim ― falou baixinho, se aproximando de Stiles. ― Me dê ele aqui, vou colocá-lo no berço.

Com cuidado, Stiles passou o bebê para os braços de Derek, torcendo para que ele não acordasse no processo.

Stiles olhou, quase hipnotizado, a maneira como o rosto de Derek parecia mais sereno do que nunca antes tinha visto, enquanto ele balançava o filhote lentamente, o acomodando melhor em seu colo, antes de se virar e subir as escadas da casa sem pressa. Olhando para as costas do homem que sumia andar acima, Stiles sentiu seu interior aquecer com a cena doméstica que definitivamente não estava acostumado a ver Derek participar.

Depois do jantar, os dois se sentaram na sala para assistir qualquer coisa antes que Stiles tivesse que ir para casa, deixando o volume da televisão baixo para não perturbar o sono do bebê.

― E então, como é essa coisa de bebê lobisomem? ― Stiles questionou, recebendo um franzir de sobrancelhas de Derek. ― Quero dizer, ele pode simplesmente grr garras e presas do nada, ou há um processo de aprendizado?

― Ele será como uma criança humana normal até o começo da adolescência ― Derek explicou. ― Os sentidos mais aguçados ainda estão lá, mas nada de garras e presas até os 13 anos, mais ou menos.

Stiles assentiu em entendimento, e voltou a assistir em silêncio, sem perceber caindo no sono minutos depois, acomodado no confortável sofá novo de Derek.

Ele acordou assustado, sem saber dizer quanto tempo depois, piscando os olhos sonolentos para ver Derek pairando sobre ele, puxando um cobertor para cima de seu corpo, agora completamente deitado no sofá.

― Eu não quis te acordar ― Derek falou, largando o cobertor.

― Que horas são? É melhor eu voltar para casa.

Stiles murmurou e se levantou com um pulo ao alcançar o celular e ver que se passava das onze.

― Você pode ficar, se quiser ― Derek disse. ― Tem quarto de sobra para o pack.

Assentindo, Stiles concordou, não admitindo que estava com preguiça demais para dirigir de volta para casa. Mandou um mensagem para seu pai em seguida, avisando que passaria a noite fora e seguiu Derek para o andar superior da casa.

Derek parou por um momento para checar o bebê no quarto ao lado do seu, se apoiando no berço por um momento, sem conseguir conter o sentimento terno que se apossara de si ao ver seu filho dormindo serenamente no primeiro dia em sua casa.

― Ele tem sorte por ter você ― Stiles falou de repente, e Derek se virou para vê-lo encostado no batente da porta. ― E você também, por tê-lo encontrado.

Sim, ele tinha sorte, concordou Derek em sua mente.