Notas iniciais
ATENÇÃO! CAPÍTULO NÃO REVISADO E ESCRITO NA PRESSA! Me avisem se encontrarem algum erro grotesco, porque são onze da noite e eu quero dormir mas tô aqui escrevendo pra terminar isso no prazo. E se estiver meio estranha a mudança de cena e vibe da história, é porque eu escrevi metade semana passada e metade agora. Boa leitura

Era cedo quando Stiles acordou. Ele se espreguiçou e se levantou da cama, indo ao banheiro antes de descer para a cozinha, de onde o cheiro de café vinha forte.

Coçou os olhos e passou a mão pelo cabelo bagunçado, avistando, ao chegar à base da escada, Derek sentado no sofá com Sam sentado sobre seus joelhos. Derek sorria largo para o garotinho.

― Quer ver uma coisa legal? ― Derek perguntou ainda sorrindo, se virando para olhar para Stiles por um momento. ― Olha isso.

Stiles se aproximou até estar há poucos passos dos dois, e assistiu, surpreso, quando Derek piscou seus olhos vermelhos de alfa para o bebê, que automaticamente respondeu piscando brilhantes olhos dourados de beta.

Derek sorria largo e abertamente para o bebê que lhe encarava com atenção, desviando o olhar para ver a reação de Stiles ao lado deles.

Tudo o que Stiles conseguiu fazer naquele momento foi encarar com fascínio mal velado a cena diante de si. Seu coração pode ou não ter pulado uma ou outra batida ao ver o sorriso mais lindo e sincero que Derek já deu, pelo menos em sua presença. Em sua defesa, aquele era um sorriso genuíno, com direito a dentinhos de coelho, olhos apertados e covinhas marcando as bochechas, e Stiles definitivamente não estava preparado para isso tão cedo num sábado.

― Queria tanto poder tirar uma foto disso ― comentou, quando se recompôs. ― É uma pena que os olhos de lobisomem não saiam direito nas fotos.

― Eu me lembrei que minha mãe costumava fazer o mesmo com os filhotes da matilha ― Derek começou, com um tom saudoso. ― Não sabia se funcionaria em um bebê tão novo.

Derek continuava a sorrir, e Stiles a olhar. Adotar aquele bebê fez tão bem ao homem que Stiles só conseguia sentir seu interior quentinho em apreciação. Desde que decidira adotar o filhote, Derek andava visivelmente mais leve. Não era mais tão carrancudo e estava pegando mais leve com os treinos dos betas, mas nada que se comparasse com a expressão de felicidade em seu rosto agora, enquanto olhava para o filho.

― Uau, você é oficialmente um DILF agora ― Stiles deixou escapar sem querer, e torceu para que Derek não tivesse entendido, mas a julgar pelo avermelhado que chegou às suas orelhas, ele tinha.

Havia um bom motivo para Stiles não confiar em si mesmo tão cedo pela manhã, ainda mais sem sua medicação para TDAH, então decidiu ir atrás de algum café antes que sua boca traidora sem filtro o fizesse passar mais vergonha. [1]

Se serviu de uma generosa caneca, bebendo-a de uma vez para então vasculhar nos armários atrás de uma caixa de cereal, uma tigela e leite.

Pouco depois Derek se juntava a ele com Sam no colo, dando-o para que Stiles o segurasse enquanto amassava uma banana para o filhote.

Deixando o bebê sentado em uma das pernas, Stiles passou seu braço por sua cintura firmemente, enquanto usava a mão livre para comer seu cereal, enquanto tentava não reparar demais nos movimentos de Derek enquanto fazia a papinha do bebê. Mas não era como se ele pudesse evitar, ainda mais quando não conseguia se concentrar no que devia por muito tempo.

Ele convivia com o pack no geral por tempo o bastante para ter se acostumado com Derek Hale sem camisa, mas um Derek Hale sem camisa, descalço, usando somente uma calça de moletom um tanto frouxa encostado pelo quadril no balcão da ilha da cozinha numa manhã de sábado enquanto prepara a comida de seu filho era uma visão desconcertante o suficiente para o cérebro não medicado de Stiles esquecer como se mastiga.

― Stiles ― Derek chamou, percebendo a falta de modos do jovem.

― Hm? ― Murmurou, ainda com o olhar perdido.

― Você está literalmente babando leite na camisa.

― Oh! ― Exclamou, finalmente fechando a boca e engolindo dolorosamente o cereal, enquanto passava as costas da mão pela boca e verificava se não havia sujado o bebê.

Derek revirou os olhos e lançou um pano de prato para Stiles, que o pegou no ar.

― Valeu cara.

― Não me chame de cara ― resmungou.

Terminando de amassar a banana para Sam, Derek puxou um dos bancos para o lado de Stiles, deixando o bebê permanecer em seu colo enquanto o alimentava com uma pequena colherzinha de plástico azul.

― Vocês três parecem aquelas famílias de comercial de margarina ― comenta Isaac ao cruzar a porta, chamando a atenção para si.

Stiles se engasgou por um momento, mas logo se recompôs, tentando não dar muita importância ao que fora dito, enquanto Derek levantava a cabeça para olhar o garoto com preocupação tomando conta de suas feições.

― Por que você cheira a sangue? ― Questionou Derek, abaixando a colher que alimentava seu filho. ― O que houve?

― Era isso que eu vim dizer ― retomou Isaac, entrando na cozinha, onde finalmente os dois puderam ver a mancha escura de sangue seco na lateral de sua camisa, ladeando um grande buraco rasgado no tecido. ― Há algo de errado com as flores da mãe do Scott.

― Com... as flores? ― Stiles perguntou lentamente, arqueando as sobrancelhas. ― As flores fizeram isso em você?

―Sim! Elas quase arrancaram a perna da senhora McCall quando ela saiu para trabalhar hoje cedo.

― As flores? ― Tornou a questionar Stiles. ― Você andou bebendo acônito de novo?

― Tem algo errado com aquelas flores, achamos que elas foram enfeitiçadas ou algo assim ― continuou. ― As pétalas simplesmente viraram dentes! Nós conseguimos arrancar elas do jardim antes que machucassem mais alguém, mas elas não morrem!

― Tentaram um herbicida? ― Stiles zombou, ainda não acreditando na história.

― Ele está dizendo a verdade, Stiles ― Derek pontuou, voltando a dar a papinha ao bebê que começava a ficar impaciente.

― O que, as flores subitamente criaram vida homicida?

― É o que eu estou dizendo! Tentamos até mesmo botar fogo nelas mas elas não queimam! ― Isaac passou a mão no cabelo, o despenteando. ― E agora elas estão criando cipós! Roseiras com cipós e espinhos! Precisamos da sua ajuda, Stiles, pra pensar num jeito de matar aquelas coisas.

― Por que as criaturas não perdoam nem mesmo as manhas de sábado? ― Divagou Stiles antes de comer apressadamente o resto de seu cereal e se levantar, entregando Sam para Derek. ― Nem mesmo um fim de semana de folga? Não temos um dia de paz nessa cidade.

― Esperem eu pegar a bolsa do bebê e eu vou junto ― Derek começou, se levantando com Sam nos braços.

― Cara, por mais que eu esteja realmente interessado em você todo DILF andando por aí com um bebê a tiracolo e sua bolsa de fraldas, é perigoso colocar o Sam no meio disso ― Stiles falou. ― A gente dá conta, mas se precisarmos, nós te ligamos.

― Uma PLANTA arrancou um pedaço da barriga do Isaac, vocês PRECISAM de ajuda ― insistiu o homem, adotando sua costumeira face carrancuda.

― Exatamente! Flores com dentes que comem gente ― contrapôs o garoto, seguindo Isaac até a porta. ― Fique aqui e mantenha seu filho seguro.

Sem esperar resposta, e mesmo que Isaac sentisse que estava contrariando seu alfa, os garotos saíram, Stiles seguindo o carro emprestado de Melissa rapidamente, deixando um Derek ainda mais carrancudo para trás.

Era tarde da noite quando finalmente conseguiram acabar com as flores, que já tinham se multiplicado e tomado conta do banheiro todo de Scott, e agora o pack se reunia na sala enquanto curavam as feridas obtidas ao tentar conter o avanço das flores, que realmente haviam sido enfeitiçadas.

Derek se juntou a eles para verificar como estavam todos quando o avisaram de que haviam cuidado da ameaça, com Sam dormindo em sua cadeirinha quando chegara na casa de Scott.

O pack todo estava lá, parecendo exausto e coberto de sangue de feridas cicatrizadas, exceto por Stiles, que terminava de enfaixar um corte feito por um cipó de espinhos que se enrolara em seu braço.

― Você está bem? ― Perguntou Derek ao se aproximar.

― Yep ― murmurou o jovem, rasgando o esparadrapo com os dentes antes de usá-lo para colar a bandagem. ― Flores mortas, lobisomens inteiros de novo e todos vivos. Yey!

― Matar aquela coisa me deu fome ― Erica reclamou, se esticando no sofá para colocar as pernas sobre o colo de Boyd.

― Quem matou a flor fui eu ― Stiles protestou. ― Eu fiz a poção, e eu joguei nela.

― Mas nós que tivemos que segurar a coisa pra você não ser decapitado ― Jackson retrucou, sorrindo presunçoso. ― De nada.

― Uma pizza agora seria bom ― opinou Isaac, olhando para Derek, com o restante do grupo copiando seu gesto.

Revirando os olhos, o Hale bufou, sabendo perfeitamente que sempre sobrava para ele a conta das encomendas de jantar do pack.

― É para isso que eu sou chamado? Pagar o jantar?

Mesmo a contragosto, tirou o celular do bolso, o jogando para que Boyd fizesse o pedido.

― E então... ― começou Stiles, se dirigindo para Derek. ― E a bolsa de fraldas?

― Cala a boca.

― Vocês vão querer que sabor? ― Boyd questionou o grupo.

― Algo com muita carne ― Jackson falou. ― Preciso de carne depois de tudo isso.

― Eu quero muito queijo ― Stiles se manifestou. ― Muito. Queijo.

― Ninguém liga para o que você quer, Stilinski, nós fizemos o trabalho pesado, nós escolhemos a pizza ― rosnou Jackson, sem nem sequer olhar para o garoto.

― Fui EU que descobri como matar aquela coisa ― resmungou de volta. ― EU que passei horas com o nariz num livro enquanto você brincava de jardinagem.

― NÓS vamos escolher a pizza, você pode ir guardar seus livros enquanto isso.

Com uma careta que claramente significava que Stiles conteve uma enxurrada de insultos, o garoto foi recolher seus livros, mas não porque Jackson mandou, mas porque eles eram antigos e preciosos demais para ficarem espalhados enquanto lobisomens que não davam a mínima para pesquisas jantavam. Ele já se acostumara a adolescentes sobrenaturais comendo depois de uma batalha. Não era bonito.

Derek assistiu enquanto Stiles murmurava magoado enquanto juntava seus livros em uma pilha, deixando-os sobre a mesa da cozinha antes de voltar e pegar das mãos de Derek o bebê conforto, de onde Sam, acordado com a discussão, olhava em volta com os olhinhos assustados pelo ambiente estranho, antes de retornar à cozinha, ainda murmurando baixo consigo mesmo algo sobre ser aquele que já salvou as “bundas peludas de lobisomem” deles uma porção de vezes com suas pesquisas.

Esticando-se para observar o que o garoto faria, Derek assistiu com o peito amolecendo em ternura – não que ele fosse admitir – Stiles tirar Sam da cadeirinha e niná-lo, acalmando-o até adormecer novamente. Se voltou então para a discussão de sabores que continuava na sala, revirando os olhos enquanto tomava seu celular de volta.

― Se vocês não se decidem, eu vou pedir ― rosnou, digitando a mensagem para a pizzaria rapidamente, se voltando por um momento para a cozinha. ― Sete está bom para você?

Stiles o olhou intrigado por um momento, as sobrancelhas franzidas, dando de ombros.

― O dinheiro é seu, cara, se quiser pedir sete é com você.

Tendo feito o bebê dormir, Stiles o entregou a Derek, que o aconchegou ao calor e conforto de seus braços, deixando-o descansar ali.

A pizza chegou enquanto os membros mais sujos do pack se limpavam do sangue e trocavam as roupas rasgadas, fazendo fila para usar o chuveiro, restando a Stiles a tarefa de atender o entregador.

Por um momento ele ficou confuso ao ver que o homem na porta segurava somente três caixas de pizza grande e uma média por cima, em vez das sete que Derek pedira.

― Foi aqui que pediram uma pizza de pepperoni, uma portuguesa, uma marguerita e uma sete queijos?

― Sete... ― divagou Stiles antes de assentir. ― É sim.

Surgindo na porta sem que Stiles sequer ouvisse, estava Derek, estendendo seu cartão para pagar as pizzas enquanto Stiles as colocava na mesa de centro da sala.

― Você pediu uma pizza inteira de queijo só porque eu disse que queria? ― Balbuciou, dando uma espiada na pizza para então olhar Derek assentir. ― Cara, eu te amo.

Stiles arregalou os olhos e encarou o chão quando percebeu o que havia dito, perdendo a maneira com que as orelhas de Derek avermelhavam-se.

― Você pediu uma pizza inteira só pro Stilinski? ― Jackson questionou como se tivesse sido insultado, ao ver Stiles praticamente abraçado à caixa de sua pizza na mesa da cozinha, quase rosnando para qualquer um que chegasse perto.

― Cale a boca e coma sua carne ― Stiles resmungou, poupando Derek de uma resposta, o que o deixou intimamente grato.

Notas finais
[1] Eu não tenho, nem convivo com ninguém que tenha TDAH, portanto toda e qualquer informação acerca de remédios e sintomas, são tirados de pesquisas no google, e podem estar errados, então relevem. Vocês devem ter percebido que eu decidi incluir o Jackson na fic, é que eu estou numa vibe de querer trabalhar com personagem babaca, e também eu gosto da dinâmica dele fazer parte do pack do Derek. Mas enfim, digam o que estão achando, ler seus comentários alegra minha semana