Odisséia Grega
5 Capítulo 5
Notas iniciais
— E foi só isso? Tem certeza? — Perguntei a Rosalie pela quarta vez naquela última hora. Estávamos na cozinha tomando café da manhã. Era seu dia de folga e tínhamos programado um dia só pra nós duas sem influencias externas, sem família, trabalho ou encontros, mas não podia apenas esquecer que ele esteve ali na noite anterior. Na minha casa. No meu quarto.
Ela estava fazendo de propósito, me matando de curiosidade lentamente porque me recusei a falar o porquê de ter chegado em casa apagada daquela maneira. O que eu podia fazer? Era embaraçoso falar que um cara que eu só vi duas vezes na vida me proporcionou orgasmos alucinantes apenas com as mãos que esvaíram totalmente as minhas forças.
— Pela última vez, Bella: sim. Foi apenas isso. O que você esperava? — Respondeu dando de ombros. Quando acordei desorientada às 7 da manhã, fui até o quarto de Rose e sacudia-a até ela acordar e me explicar o que tinha acontecido e ela apenas me disse que ele apresentou-se, me pôs na cama e disse que entraria em contato. Quero dizer... que diabos?! O Cullen era melhor que isso. Certo? Acho que a cadela estava se divertindo com o meu conflito interno porque começou a rir pelo nariz enquanto bebia seu café. Estreitei meus olhos pra ela e alcancei o copo de suco de laranja, segurei-o na mão e inclinei-o em sua direção. Ela arregalou os olhos e pulou da cadeira estendendo a mão pra mim em sinal de “pare”.
— Você não ousaria! — Falou toda nervosa. Apenas arqueei a sobrancelha. — Inferno, Isabella, não se atreva. Eu farei esse copo ir parar no seu intestino e não será pela garganta!
Nós continuamos desafiando uma a outra até que ela bufou e se deu por vencida. Ajeitou a postura, os cabelos e voltou a sentar-se dando a entender que conversaríamos como pessoas civilizadas. Eu fiz o mesmo e devolvi o copo para o seu lugar.
— Eu posso ter... omitido algumas coisas sobre ontem. — Falou partindo um pãozinho ao meio com os dedos.
— Como o que, Hale? — Eu me mordia de curiosidade, mas tentava a todo custo manter-me naquela seriedade toda como se realmente fosse ficar brava com ela.
— Certo. Mas depois chega com inquisição — Assenti — Pois bem, vamos lá. Estava eu largada no sofá com os pés dentro de uma bacia de água morna, relaxando após meu expediente puxado durante toda a semana, esperando a minha garota voltar do seu encontro para fofocarmos quando a campainha toca, eu fiquei tipo “Quem diabos está aqui há essa hora? Bella tem as chaves” E quando abro a porta, eu não sei o que me assusta mais. Você desmaiada nos braços de um homem ou esse homem que era a coisa mais perto de um deus grego que eu já vi. Ele com aquele sotaque lindo apresentou-se como Edward Cullen, pediu desculpas por interromper o meu momento e deixou claro que eu não deveria me preocupar com você, que você havia apenas adormecido no carro dando a entender que tinha exagerado um pouco no vinho, que é típico de você, e perguntou-me se deveria te acordar — Ela pausou pra tomar outro gole de café e antes que conseguisse botar a torrada na boca, eu a chutei por baixo da mesa — Ok, cacete! Eu disse que não precisava, pedi para ele me acompanhar e nós fomos até o seu quarto. Eu puxei as cobertas e ele com muita gentileza para não atrapalhar seu sono te pôs na cama e te cobriu. Perguntei pra ele como foi a noite e ele disse que foi melhor do que esperava com um sorrisinho pra lá de charmoso e ah, me entregou um balão amarelo meio murcho. Mas a melhor parte é que quando já estava de saída, ele simplesmente chegou perto de você e te beijou na testa. Foi a coisa mais fofa que eu já vi um cara fazer pra uma mulher inconsciente. — Suspirou.
Eu entendi o que Rose quis dizer. É comum um homem querer parecer amoroso quando está na sua frente apenas pra entrar nas suas calças, mas o fato de que eu não estava vendo seus gestos e mesmo assim ele foi atencioso a respeito de tudo me deixou mais caidinha por ele. O que era péssimo porque eu sabia que aquilo era apenas uma aventura pra nós dois.
Cumpri a minha promessa e não questionei-a sobre mais nada naquele dia. Após o café, nós demos um jeito na casa toda, eu cuidei da cozinha e da sala, enquanto ela ficou com os quartos e os banheiros. Depois de um longo banho em momentos diferentes, saímos para almoçar e colocamos o papo da semana toda em dia. Falamos um pouco sobre algumas das crianças de Rose, eu adorava vê-la falar com paixão sobre a garotada de quem ela cuidava no hospital, sempre que eu os visitava só ouvia “tia Rose isso, tia Rose aquilo” e eu podia imaginar a alegria que seria quando ela conseguisse a sua própria, mesmo que tivesse que ser por adoção. Aquele não era um assunto fácil para minha amiga e então quando senti o clima começar a mudar, contei para Rose que teríamos convidados para o natal e quem seriam.
No final da tarde nós passamos no mercado para comprar alguns mantimentos, compramos vinho, sorvete e outras guloseimas que iriam direito para as nossas bundas depois dessa noite. Mas qual não foi a minha surpresa ao chegar na portaria e me deparar com um entregador de flores procurando por mim? Meu estômago deu uma cambalhota, porque eu sabia, tinha que ser dele.
Dessa vez era um lindo buquê dê rosas coral. Simplesmente adorável. Agradeci ao rapaz enquanto procurava toda atrapalhada entre as rosas algum cartão dele, Rosalie riu do meu afobamento e veio me ajudar na busca.
“A senhora proprietária da floricultura disse que eu tinha um brilho diferente no olhar esta manhã e como se soubesse a causa disso, me recomendou essas rosas. Esperam que elas façam um bom trabalho em demonstrar o meu entusiasmo e desejo por você.
Tenha um bom dia, Isabella, querida.
Edward Cullen”
Nós duas suspiramos ao mesmo tempo e caímos na risada depois. Eu fiquei agarrada ao buquê, abraçadinha nele enquanto estávamos no elevador e ao chegar em casa, corri para procurar um vaso bem bonito e coloca-las na água.
A noite passou rápida entre filmes, vídeos engraçados na internet e confidencias. Corei feito um pimentão quando contei pra ela o real motivo de ter chegado em casa daquela maneira ontem. Rose gargalhou, é claro, disse que precisamos fazer isso com mais frequência, assim eu não cansaria tão rápido porque já teria pegado o ritmo. Revirei os olhos pra ela e questionei-a sobre esse rapaz com quem ela vinha saindo há quase três meses, o tal de Royce King.
— Eu não sei, Bella. Ele é bonito e é bom quando ficamos juntos, mas as vezes ele exagera, sabe. Eu gosto de uma foda selvagem, você sabe, mas enfim... e também tem os ciúmes. Nós não somos exclusivos e nem seremos, eu lhe disse desde o início, mas o cara é totalmente machista. Acha que pode flertar e ficar com outras mulheres enquanto eu devo esperar ele me chutar antes de tentar alguma coisa. — Ela disse revirando os olhos e levando outra colherada de sorvete para a boca.
— Você sabe como eu me sinto sobre isso. Não é o primeiro babaca que você namora e eu sei que sempre soube lidar com eles, mas tem algo sobre esse cara. Pode me chamar de maluca se quiser, eu nem conheço o sujeito, mas nada de bom virá daí, Rose. Prometa que dará um jeito nisso, tudo bem? — Pedi segurando forte sua mão. Era verdade. Meu avô, antigo chefe de Forks, tinha assim como eu, esse sexto sentido sobre as pessoas e não havia margem de erro. Só ouvir o nome do cara já me dava calafrios.
Edward não havia entrado em contato comigo depois de me enviar as rosas e isso já fazia 4 dias. Rose disse pra eu me manter calma porque ele não era como os meus exs que tinham tanto tempo disponível por estarem sempre vagabundeando por aí e eu sabia que ela estava certa, ele era um empresário muito responsável, o CEO de uma multinacional, pelo amor de Deus, e se tivesse perdido tempo se dedicando a cada mulher que se mostrou interessada nele, não teria conseguido crescer ainda mais aquele império.
Apesar disso, volta e meia eu me encontrava na cama brincando com o a borracha vazia do balão que ele me deu no nosso primeiro e único encontro, uma noite tão fantástica que podia ter acabado tão diferente se a estúpida aqui não tivesse adormecido como uma pirralha de 13 anos.
Eu já tinha feito faxina, lavado as minhas roupas e até a leitura atrasada eu coloquei em dia, mas as horas pareciam se arrastar. Rose não chegaria antes das oito, então decidi ligar para o Charlie e perguntar se ele precisava de ajuda. Não precisei de muito para convencê-lo a me deixar dar um pulinho no restaurante, ele adorava ter a família por perto enquanto trabalhava.
Leah me recebeu mais uma vez, estava linda e radiante como sempre. Percebi que havia funcionários novos e papai fez questão de me apresentar aos rapazes, Michael e Joe. Notei que durante a noite o tal Mike parecia interessado um pouco demais em mim, cheio de sorrisos abobalhados e piadinhas ridículas pra chamar minha atenção, eu teria achado patético se ele não fosse realmente legal e não morresse de medo do Charlie. Foi perto das 22h que eu decidi ir pra casa, me despedi do pessoal e prometi voltar com mais frequência.
Enquanto estava no táxi, notei que a bateria do meu celular tinha acabado. Tentei liga-lo só pra ver se havia ligações perdidas e de fato, havia. Uma da Rose e três de um número desconhecido, mas antes que pudesse checar as mensagens, ele voltou a desligar.
Quando entrei no apartamento já com os sapatos na mão, senti um cheirinho delicioso de comida que despertou meu estômago na hora. Rosalie estava sentada no chão ajeitando alguns pratos na mesinha de centro da sala, notei que era chinesa pelas embalagens, mas não me importei muito, ela sabia que eu não comia aquelas coisas estranhas e cruas, a garota do paladar escroto aqui era ela. Beijei seu cabelo e depois de guardar as chaves, os sapatos e colocar o celular para carregar, voltei para sala e ataquei o meu frango xadrez com vontade. Estava delicioso! Nós soltávamos gemidos de apreciação durante o jantar inteiro e quando ficamos satisfeitas, assistimos uma série de sobre vampiros e bruxas na TV só pra comentar.
— Você foderia um vampiro? — Ela perguntou como quem não quer nada e eu me pus a gargalhar. Ela ignorou o meu olhar “mas que porra, Rosalie?” e continuou — É sério. Elas agem como se fosse a melhor coisa do mundo. Eu não colocaria um pedaço de pau morto dentro de mim. Ew. — Estremeceu toda me fazendo rir de novo mais alto ainda.
— Você é absurda, Rose. Mas, sei lá, veja assim: eles são sempre tão bonitos e charmosos que você mal consegue lembrar que eles não estão mesmo vivos. Fora que eles nunca se cansam. Devem ter um fôlego de fazer você gritar aleluia. — Falei soltando um risinho com o rosto corado.
— Eu não tinha pensado nisso. Você é uma caixinha de surpresas. Quem conseguir arrastar a celibatária Bella para a vida dos pecados carnais, vai levar uma surra de boce—
— Rose! É agora que a velha louca vai ressuscitar o resto deles. Presta atenção.
Uns 20 minutos depois, a loira começou a bocejar e seus olhos a piscarem mais lentamente. Dei risada e chutei sua perna devagar, acordando-a. Ela me xingou de cadela e levantou-se levando com ela as embalagens do jantar. Eu a acompanhei para a cozinha com os pratos e depois cada uma foi para o seu quarto. Eu fui direito para o banheiro, retirei a maquiagem, tomei um banho quentinho e depois de me secar, passei um hidratante de amêndoas que fazia maravilhas na minha pele. Vesti uma calcinha de renda do tamanho de um short pequenininho e uma camisola.
Estava tirando alguns travesseiros da cama quando ouvi meu celular vibrar. Por um segundo eu esqueci onde o tinha enfiado, mas logo vi o aparelho dançando no criado mudo ainda conectado ao carregador. Tirei o fio da tomada, depois do celular e atendi sem olhar quem era.
— Alô?
— Você está dificultando o meu trabalho em encontrá-la. Está fugindo de mim? — Uma voz rouca e masculina respondeu do outro lado me fazendo parar de respirar na hora.
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