Odisséia Grega

34 Capítulo 34


Notas iniciais
Hoje eu deixo vocês de mãos cheias, hein? 11 mil, wow. Ninguém vai brigar comigo pela demora, assim espero :) Boa leitura, pessoal.

O silencio só não era maior porque Heitor resmungava coisas para a sua amiga junto com Jasper, do contrário, nós seriamos capazes ouvir se um alfinete caísse no chão. A tensão era palpável, mas as visitas não pareciam notar ou se importar com isso. O meu corpo estremecia com a intensidade dos olhares que Alice lançava à loira na nossa frente, se ela pudesse matá-la dessa forma, teríamos um corpo estonteante aos nossos pés agora. Porque eu odiava admitir, mas Tanya era incrível de perto. Se eu não a conhecesse através das memórias de Edward, questionaria onde diabos estava a sua sanidade para deixa-la escapar de suas mãos.

Eu realmente não via muita beleza em mulheres com esse tipo de corpo, mas a magreza combinava com a Denali. Ela estava há minutos na minha frente no seu vestido ameixa muito colado e com um decote que valorizava bem os seus seios que eu fodidamente odiaria se fossem naturais. As sandálias de salto alto conseguiram deixar as suas pernas ainda mais compridas e ela usava o cabelo loiro morango lisíssimo solto e dividido ao meio. A maquiagem leve era concentrada em seus olhos, evidenciando o tom azulado turquesa que era admirável e nos lábios pintados com a mesma cor do vestido, havia um sorriso felino direcionado ao meu homem.

Mas que merda.

— Mas veja, isso são modos? — Repreendeu divertida sem desviar o olhar dele — Eu senti sua falta nos últimos meses. Quando soube que estava de volta à cidade, não pude deixar de vir e te dar um beijo. — Ela falou com a voz aveludada, cheia de insinuações.

Certo. Ela estava começando a não parecer tão maravilhosa assim. Será que eu era a única invisível nessa sala? Edward estava bem ao meu lado, sua mão roçava as minhas costas e ela não se dignou a olhar para mim nenhuma vez. Qual era o problema dessa mulher? Alice riu perto de mim soltando um “descarada” por baixo de uma tosse fingida e logo após ouvimos um pigarro.

Atrás de Tanya, estava um rapaz tão alto quanto ela. Ele também era loiro, seus cabelos estavam quase na altura do queixo e o corte moderno o fazia parecer mais jovem do que eu tinha certeza que ele era. Estava vestido com uma camisa azul social e calça jeans escura. Ostentava um bonito relógio no pulso direito, também como anéis, mas estes não me pareciam de bom gosto e eram muitos. Ele assistia a situação parecendo estar vendo um show de comédia.

Seus lábios vibravam para rir, mas eu não estava achando graça alguma.

— Boa noite, Edward. Desculpe a invasão. — Falou abrindo um sorriso e olhando para o meu namorado enquanto oferecia a mão para cumprimenta-lo. Então eles também se conheciam?

— Mas não há invasão alguma, meu querido. Vocês foram convidados! — Exclamou a cobra da mãe dele vindo da cozinha muito bem vestida e quando viu Tanya, seu sorriso quase lhe rasgou a cara. Bem, junte-se a festa, cascavel — Espero que não se importe muito por eu ter chamado eles para ficarem conosco esta noite, Anthony. Quando souberam que você tinha voltado, ficaram em polvorosa! Todos sentiram muito a sua falta.

— Por que você não vai para a porra da sua casa? — Rosalie rosnou arrancando uma risada do Emmett, mas foi ignorada por Elizabeth que não deixou transparecer se tinha ficado incomodada. Era como se o resto de nós não estivéssemos ali.

— Você não achou que seria prudente me avisar antes? — Ele perguntou tentando controlar a raiva na sua voz enquanto apertava a minha cintura. Ele estava irritado e me machucando sem perceber — Não pode achar que porque está hospedada aqui, tem essas liberdades e...

— Papai também está vindo, Edward. Isso não é ótimo? — Tanya o interrompeu e aproximou-se pegando a sua mão com adoração, como se ele fosse um bilhete de loteria premiado — Carmen adoraria estar aqui também, mas ainda não conseguiu um voo. Talvez amanhã você possa vê-la.

Edward recuperou-se do choque de tê-la quase em cima dele e soltou-se, fazendo-a dar um passo para trás um pouco surpresa com sua reação e pela primeira vez, ela olhou para quem ele realmente segurava. A mim. Eu gostaria de ter lhe dado um sorriso triunfante e deixa-la saber que ela não significava mais nada, mas o meu rosto estava congelado. Eu não conseguia fingir. A presença dela me desagradava de uma forma que eu não imaginei que fosse possível, a única coisa que me mantinha inteira era ter Edward ao meu lado e ela percebeu isso, porque engoliu seco quando viu a mão possessiva dele sempre me tocando em algum lugar, mas então me olhou de baixo para cima e sorriu, agora debochada. O que?

— Sim, vai ser bom ver o seu pai – Ele disse após pigarrear e então me fitou praticamente pedindo desculpas com os olhos — Agora deixe-me apresenta-los. Isabella, estes são James Gigandet e Tanya Denali – Apontou para o casal de olhos quentes e perigosos, então me puxou um pouco para trás para que pudéssemos ter a visão do resto — Esta é Isabella Swan, minha namorada e Rosalie Hale, companheira do Emmett.

Rose deu um olhar a Tanya muito parecido com o que ela deu a mim há poucos minutos e abraçou a cintura do seu homem enquanto verificava suas unhas, resolvendo ignorar a presença dos dois. Ouvi alguém ofegar e minha cabeça girou para frente a tempo de ver a loira perder a cor ao encontrar algo atrás de nós e eu sabia.

Um calafrio percorreu a minha espinha e eu simplesmente sabia.

Heitor.

— Mas o que significa isso? — Ela gritou, seu rosto ganhando um tom avermelhado que só ia ficando mais escuro enquanto inspirava e expirava rápido — Que criança é essa? De onde ela veio? Esse garoto não pode ser filho de Esme! Ela está velha demais para essas coisas.

— Tanya... — James repreendeu e segurou seu braço quando ela deu um passo em nossa direção. Eu estava rígida e irada. Como ela se atreve a falar daquele jeito?

— Eu não vou tolerar seus insultos e pirraças na minha casa — Edward disse firme e nós ouvimos a risada de Elizabeth à sua esquerda, ele lhe deu um olhar que a silenciou na mesma hora — Não que isso seja da sua conta, mas aquele é Heitor. O nosso filho. Meu e de Isabella, é claro. — Esclareceu com mais calma, como se estivesse falando com uma pequena criança e ela engoliu com dificuldade ainda sem piscar.

— Isso não pode ser possível!

— Você está vendo a criança, querida, é claro que é possível. — James emendou acariciando sua bochecha com uma expressão de piedade. De repente eles pareciam tão íntimos.

— Não, olhe! Ele deve ter dois anos. E em dois anos você estava...

— Em Atlanta, envolvido com Isabella — Interrompeu Edward que virou o rosto e beijou o meu cabelo demoradamente, ignorando os olhares sobre nós — Não me pergunte como isso aconteceu, você pode adivinhar isso sozinha. Agora, eu não estou disposto a compartilhar mais detalhes da minha vida pessoal, podemos ir todos para a porcaria da mesa?

— Porra, não, Edward! — Tanya gritou após dizer algo em grego que o surpreendeu um pouco. Seus olhos pareciam que se encheriam de lágrimas a qualquer instante — Ele era pra ser nosso! Você sempre faz tudo errado. Você tinha que foder alguma piranha naquele país de merda e deixa-la gravida do meu lugar. Por que?! — Ela continuou gritando.

Rosalie parecia estar achando aquilo engraçado, mas todos estávamos muito tensos. Sabíamos o quanto ela ficava sensível e instável quando o assunto era esse e eu resolvi ignorar o seu xingamento, notando que ela estava não estava em seu estado normal. Eu não brigaria com alguém doente em meio de um surto. Era exatamente o que isso parecia.

— Tanya, chega! — Edward gritou de volta e meu corpo balançou com o dele — Você precisa manter a calma se não quiser sair daqui escoltada pela segurança — Ela não respondeu, eu suspirei olhando para trás e verificando o meu bebê que tinha sua cabeça meio tombada para o lado, confuso sobre o que estava acontecendo — O Heitor é meu filho. Ele está aqui agora e quero que respeite isso, gostando ou não. Eu não quero magoa-la, mas se você ofender alguém da minha família de novo, eu esquecerei que já a considerei algum dia. Será que você me entendeu?

Ela estava menos agitada, mas pareceu querer retrucar e foi quando Elizabeth finalmente se aproximou, pedindo desculpas e afirmando para o filho que ela daria um jeito em Tanya, que não seria preciso expulsa-la ou tomar qualquer medida que pudessem se arrepender depois. Fale por você, imbecil. Foi uma surpresa para mim quando a Denali assentiu para tudo que a tia disse em seu ouvido e acalmou-se como num passe de mágica. Nós observamos em silencio enquanto as duas seguiram para um corredor que as lavariam para Deus sabe onde.

— Realmente nunca há tédio com ela por perto — James se pronunciou rindo e eu estreei os meus olhos em sua direção, Edward virou-se para mim e eu me aconcheguei em seus braços. Ele beijou o meu cabelo outra vez e parecia que diria algo, mas foi interrompido — Sua mãe falou sério quando disse que nos convidou, cara. Ela deu a entender que havia preparado um jantar de boas-vindas e estava reunindo os seus amigos mais próximos. Desculpe pela confusão.

— Ela estava preparando? — A voz de Alice aumentou umas quatro oitavas — Eu não sei porque papai não corta laços com essa mulher de uma vez. Sério, do que ela serve afinal? Oh, dê-me ela aqui, Jasper — Pediu quando ouvimos o choro da bebê.

— Eu vou fazê-la ir embora depois de hoje. Basta ela estar por perto e os problemas começam — Suspirou — Já tenho muito com o que lidar para ainda precisar aguentar essa porcaria toda quando chego na minha casa. — Edward respondeu parecendo tão cansado que eu não me contive e fiz um pouco de carinho em seu peitoral para demonstrar o meu apoio.

— Sim, bem, vamos tentar salvar o resto da noite. Todo mundo, para a sala de jantar! — Alice ditou mais animada — Aposto que já está tudo pronto e os gritos afastaram os empregados.

James foi o único a rir novamente. Eu saí de perto deles para ir até o meu próprio bebê que me recebeu com empolgação e um sorriso lindo com seus dentinhos brancos à mostra. Peguei-o no colo e perguntei se ele estava com fome. Heitor fez uma caretinha, mas sorriu dando dois tapinhas na barriga que estufou para frente. O enchi de beijos e nós seguimos Emmett com Rose ao meu lado comentando sobre o show de minutos atrás. Eu fiz uma piada sobre as reações das pessoas ao conhecer o meu filho, mas a informei de que uma vez que o susto inicial passou, eu não perdoaria um olhar torto sequer em direção a ele.

Como suspeitávamos, a mesa havia sido posta recentemente e estava tudo muito bonito. A campainha soou novamente, mas parece que apenas eu a ouvi, todos estavam escolhendo seus lugares e continuaram a conversar como se nada tivesse acontecido antes. Ao que parece, esse tipo de comportamento de Tanya não era mais surpreendente para ninguém.

Edward veio até nós dois, nos prendeu em um abraço apertado e assoprou no pescoço do Heitor, fazendo aquele mesmo barulho constrangedor, mas que o fazia se desmanchar em risadas. Ele beijou os meus lábios uma e outra vez, pedindo desculpas por não ter evitado aquilo, mas não era como se ele estivesse esperando essa gente vir para cá. Disse que ficou orgulhoso por eu ser capaz de manter a calma e eu o adverti para que não se acostumasse, porque minha paciência tinha limites e se envolvesse o meu filho, eu certamente arrancaria uma porção de cabelos de alguém.

— Boa noite a todos! — Ouvimos uma voz grossa e com sotaque fortíssimo, eu afastei o rosto do ombro de Edward e olhei para o homem alto e barbudo que se aproximava — Agora, onde está o meu agóri?

O meu namorado soltou-me após um selinho rápido e foi genuinamente feliz cumprimentar o senhor. Tratava-se de Eleazar. Eu esperava alguém assustador e bonito, tendo em vista que ele era parente daquelas mulheres, mas ele era apenas bonito. Não como Carlisle, obviamente. Edward nos apresentou orgulhoso e novamente passamos por aquele momento estranho de apresentar o nosso filho que ninguém fazia ideia que existia, mas não houve uma reação negativa da parte dele. Muito pelo contrário, os dois se mantiveram abraçados por um longo tempo murmurando coisas que eu não entendia até que Emm rugisse que a comida estava esfriando.

Edward que sentou-se na ponta da mesa – no lugar do pai – me chamou para ficar à sua direta e Eleazar tomou o assento da esquerda ao lado dele, provavelmente para iniciar alguma conversa sem precisar falar com alguém no meio. Rose estava junto comigo, Emmett na cadeira seguinte e então, Alice e Jasper. Uma moça tímida e muito bonita, aparentando ser quase uma adolescente, surgiu para cuidar de Antonella para que sua mãe pudesse comer e com Heitor nos meus braços, eu novamente pensei na possibilidade de encontrar alguém para me ajudar.

— Olá, papai! — Nós ouvimos e viramos a cabeça e vimos Tanya dando passos apressados em direção a Eleazar, mas este apenas sorriu para a filha — Que bom que o senhor chegou. Vou me sentar bem aqui ao seu lado. — Disse puxando a cadeira e Elizabeth já estava ao seu lado fazendo a mesma coisa. Elas pareciam meio aborrecidas uma com a outra, mas eu não dei a mínima para isso. Era muito cinismo das duas ficarem depois de tudo...

Agora eu era aquela tentando fazê-la cair morta no chão de Esme através do olhar.

— Edward, eu gostaria de me desculpar com você pelo o meu comportamento. Você sabe, foi uma surpresa, titia não me contou nada — Seus lábios eram uma linha fina e eu me surpreendi que a cascavel não tenha dado com a língua nos dentes logo de cara — Eu vou tentar manter a calma sobre isso, até mesmo porque, o seu garoto não tem nada a ver com os nossos problemas.

— Sim, está bem — Concordou contrariado e então massageou os lados da sua cabeça. Parecia estar com — Mas isto é em nome da minha amizade com o seu pai, que fique claro. — Ele foi firme e recolheu a mão que estava sobre a mesa, quando ela tentou toca-lo. Maldita seja.

Eleazar percebeu que algo tinha acontecido, mas não se pronunciou, apenas deu uma garfada em seu prato e levou até a boca com empolgação. Lembrei da minha própria comida e remexi os legumes, sem muito apetite. Parecia gostoso, mas ter essa gente me olhando, especulando e desejando que eu desse o fora daqui o quanto antes, não me deixava nada à vontade. Alimentei Heitor com as coisas que ele podia e desejava comer enquanto beliscava alguma coisa. A comida era toda sobre saladas, massas e muita carne, mas o que realmente desceu foi o vinho que estava delicioso e gelado como eu precisava.

Tanya constantemente me lançava punhais e cansada de desviar o olhar, apenas a encarei de volta para que ela soubesse que não me intimidava, apenas incomodava feito o inferno quando olhava embasbacada para o meu filho.

Edward é meu.

Heitor é meu.

Ela nunca os teria e ponto final.

A noite seguiu e conversa na mesa era alta de uma ponta à outra. Rosalie estava entretida em algum assunto com Alice enquanto os rapazes opinavam besteiras e as faziam rir. Elizabeth conversava com a sobrinha, tentando distrai-la e Edward estava envolvido falando de negócios outra vez, mas de vez em quando se voltava para nós, sorria comigo e brincava de alguma forma com o filho. A Denali tentou por algumas vezes puxar assunto com ele, indo com aquele papo ridículo de “Edward, querido, se lembra quando nós...”, era muito irritante, mas o que me confortava era que ele realmente mal lhe respondia com um aceno de cabeça.

Nós acabamos o jantar após a sobremesa e fomos todos para a sala de estar aconchegante, porém ao chegarmos lá, Edward pediu para que a mãe o acompanhasse até o escritório e isso chamou a atenção de quase todo mundo. Estreitei os olhos na direção dos dois, mas Heitor estava chamando a minha atenção e eu não pude entender do que se tratava.

Em algum momento, eu notei que estava sendo observada e me enganei ao pensar que era a Denali novamente. James brincava com o gelo dentro do copo de whisky recém servido, parecendo totalmente desinteressado no resto enquanto me estudava como se eu fosse um rato de laboratório. Aquele sujeito ficou entalado na minha garganta desde que chegou. Eu lembrava de uma breve conversa onde soube que ele trabalhava com o meu namorado, era inteligentíssimo e tinha comportamento suspeito sempre que estava envolvido com algum rabo de saia, mas eu não sabia ao certo o que isso significava e não estava curiosa para descobrir.

— Huh, não mesmo. Ele não me parece coisa boa — Rosalie sussurrou quando me cutucou com o cotovelo — Você acha que eles são amantes? Seria interessante. Com um brinquedinho a sua disposição, ela pode talvez, deixar o Edward em paz vendo que ele não está nenhum pouco interessado.

Eu olhei ao redor e encontrei-o acariciando mão livre de Tanya, enquanto a outra estava sobre o ombro do pai. Os três mantinham uma conversa agradável e ela ria constantemente dos comentários que ele fazia. Era surpreendente o quanto ela parecia outra pessoa nesse momento. Leve, descontraída, elegante. Se eu não tivesse visto com os meus próprios olhos o seu deslize, não acreditaria que aquilo aconteceu.

Balancei a cabeça para os lados e procurei nas paredes por algum relógio que me desse boas notícias. Quanto tempo faltava para essa gente ir embora? Eleazar foi muito gentil e engraçado, tentou me ensinar expressões em seu idioma, fez diversas perguntas sobre a minha profissão e deu um pouco de sua sobremesa ao Heitor quando ele chorou para sair do meu colo. Seria agradável passar algum tempo em sua presença, desde que a filha estivesse há quilômetros de distância de nós. Alice me chamou e fui rapidamente distraída por uma conversa só entre nós garotas. Combinamos um passeio para o dia seguinte e eu passei a maior parte do tempo segurando Antonella no colo.

Ela estava bem maior desde a última vez que nos vimos por Skype e parecia uma princesa com os traços delicados de Alice, a pele branca como porcelana e os cabelos semelhantes aos do pai. Eu simplesmente morria com cada caretinha e sorriso desdentado dela e senti falta desses dias com Heitor. Por que eles não cresciam um pouco mais devagar? Eu já podia me ver surtando quando fosse hora de fazê-lo ir para a escolinha. Realmente não fazia ideia de como os pais superavam essa fase.

— Está tudo bem? — Perguntei a Edward quando ele voltou e veio em minha direção. Fiquei na ponta dos pés e beijei seus lábios, sentindo-o relaxar imediatamente — Você falou com ela?

— Sim. Elizabeth estará indo embora pela manhã — Respondeu usando o dedo para brincar com o nariz de Ella que ainda estava no meu colo entre nós dois – Eu não a quero em volta de vocês sem que eu esteja presente e muito menos trazendo pessoas para cá sem a minha permissão. Pessoas que podem te ofender ou prejudicar. Não, absolutamente não.

— Obrigada, amor, eu acho que você fez bem. É um pouco complicado estar ao redor de tanta gente que é estranha para mim — Levantei a mão e acariciei a sua bochecha, sorrindo com o modo como o seu rosto se inclinava para receber mais do meu toque. Eu o beijei de novo e a bebê reclamou, ao ser apertada entre nós dois. Edward riu e seus olhos brilharam para a sobrinha — Você ainda vai demorar com eles?

— Não pretendo. Na verdade, estou com pressa de voltar para o quarto com você — Ele abriu aquele sorriso que deixava qualquer mulher atordoada e eu apertei as minhas coxas uma na outra. Será que seus planos eram semelhantes aos meus? — Vou apenas resolver uma situação com Eleazar e nós podemos ir para a cama. O dia foi cansativo para todos.

Após devolver a garota para a sua mãe, a minha bexiga exigiu uma ida ao banheiro e para não ter que subir os infinitos degraus da escada, resolvi encontrar um dos 9 que disseram haver naquela casa. Eu também precisava dar uma olhada no meu cabelo. Mas que inferno! Se não fossem pelas joias incríveis que ostentava, estaria parecendo uma dona de casa enquanto passava a noite entre lindas mulheres em seus vestidos justos, saltos matadores...

Péssimo dia para ser desleixada, Bella.

Enquanto voltava para a sala, o meu celular tocou e a foto da minha mãe estava estampada na tela. Franzi olhando para o aparelho. Nós não tínhamos nos falado hoje à tarde? Por que ela estava me ligando novamente? Segui em passos apressados para uma porta que dava acesso ao jardim e procurei pelo terraço de descanso antes de atender. Meu queixo foi ao chão quando ela me contou do acidente de Charlie na cozinha do restaurante. Em todos esses anos, Charlie nunca se machucou e agora tinha uma grande queimadura de segundo grau em seu braço direito. Ele me contou rapidamente como conseguiu aquela proeza e estava irritadíssimo por não poder trabalhar normalmente na segunda-feira, mas distraiu-se ao me questionar sobre a viagem.

Depois de dez minutos de conversa, o frio começou a castigar os meus braços nus e eu estava constantemente abraçando a mim mesma. Renée me avisou que Jacob ligou para conversar e a deixou saber que tudo estava correndo bem em Ohio, que ele sentia a minha falta, mas não entrou em contato para não atrapalhar os meus momentos em Atenas. Mas eu não me importava nenhum pouco com isso, qualquer tempo com Jake era divertido e incrível.

Nós finalizamos a ligação após eu concordar em enviar pela manhã, os vídeos de hoje por e-mail e ao girar o corpo para subir de volta, esbarro em alguma coisa que não estava ali antes.

Denali. Tinha que ser.

— Está com pressa de voltar para ele, Isabella? Ora, não precisa! Edward nem notou a sua ausência quando enquanto conversávamos — Ela teve a audácia de piscar para mim e o meu sangue começou a subir quente para o meu rosto, afastando o frio de uma vez — Você precisava ver.

— Mas alguém percebeu. Está cronometrando seus minutos perto dele? Tudo bem, eu faria a mesma coisa. Você terá cada vez menos oportunidades para isso — Sorri de volta, arrancando a cara de vitoriosa dela e dei um passo para frente, mas sua mão ao segurar o meu braço, me parou — Que diabos?

— Isabella, sejamos francas, está bem? Foi muito esperto da sua parte ter engravidando dele e mantido a criança em sigilo como a pobre moça sofrida que estava interpretando, mas um filho não vai mantê-lo ao seu lado — Eu pensei em responder, mas ela continuou sem permitir — Você tem um belo garoto ali fora. Edward realmente parece ama-lo, mas ele não vai brincar de casinha por muito mais tempo, confie em mim.

— Você realmente acha que o conhece, não é? — Olhei-a incrédula e ela mudou a postura, empinando os seios e seu nariz — Você não tem ideia de que espécie de homem incrível ele é. Edward é o meu melhor amigo, ele me faz feliz como você nunca sequer vai ser capaz de entender, além de ser o melhor pai possível para o Heitor. Então não encha o seu coração de esperanças, porque ele só se comportou daquela forma no passado, porque ele não queria ser pai do seu filho.

— Sua estúpida! — Ela rosnou para mim e eu arqueei a sobrancelha, satisfeita por ter conseguido lhe tirar aquele ar de superioridade — Eu estou tentando alerta-la! Você não pertence aqui, será que é cega? Volte para Chicago e consiga para si algum trabalhadorzinho assalariado que não sinta de vergonha de andar com um tipinho como o seu.

— Você pode fodidamente parar, então. Eu não preciso dos seus avisos ou agouros — Gritei de volta — Você foi horrível com o Edward no passado, mas pelo amor de Deus, ele é sua família! Por que é tão difícil aceitar que ele está feliz e deixa-lo dessa forma? E o que diabos você quer dizer com um ‘tipo como o meu’?

— Depois de amanhã, um grande amigo do papai e um dos maiores clientes do Edward aqui estará organizando um evento para o lançamento do seu próprio produto no mercado. Edward foi convidado e me chamou para acompanha-lo. Será que isso responde a sua pergunta?

Eu segurei a vontade de rir. Sério que Tanya iria por esse caminho? Soava como se fôssemos adolescentes e estivéssemos de volta à escola. Como se eu fosse me aborrecer e entrega-lo de bandeja baseando-me apenas na sua palavra. Mas que cadela patética! Por que me preocupei com ela mesmo, em primeiro lugar?

Eu revirei os olhos e tracei o meu caminho de volta para a casa sem me dar ao trabalho de respondê-la, aproveitando a oportunidade para empurra-la com o meu ombro. Ensino médio, certo? Estava com a mão na maçaneta da porta, apenas a um passo de me livrar daquela mulher e da perturbação que ela me causava, mas eu parei no lugar quando ela recomeçou.

— Estou falando sério e isso não deve surpreende-la — Gritou para que eu pudesse ouvi-la – Você é só a filha de um cozinheiro com essas roupas ridículas e largas de mamãe. Só iria envergonha-lo — Ela riu debochadamente e minhas mãos se fecharam em punho. Eu me virei para olha-la, ambas nos aproximamos uma da outra e ela continuou — Edward está apegado por causa da criança. Ele passou os últimos anos muito bem por aqui sem você — Abriu um sorriso cheio de insinuações e eu podia sentir o meu corpo estremecendo de raiva. Só mais um pouco. Apenas mais um pouquinho e eu a faria engolir cada uma dessas palavras — Ele cansará da sua bunda cafona muito em breve e quando ele parar de toca-la, você lembrará de mim. Sabe por que? Porque ele terá encontrado o caminho de volta para a minha casa. Para a minha cama.

E foi isso.

Senti uma picada arder na palma da minha mão quando ela atingiu com força o rosto de Tanya, fazendo a sua cabeça girar. Ela gritou e antes que se recuperasse do choque de ser agredida, eu estava empurrando-a no chão e pulando em cima dela como um touro bravo. Ela estava deitada na calçada e eu montada em cima de suas pernas para impedi-la de tentar me chutar ou levantar, apesar de saber que ela não seria capaz de se livrar do meu peso. Tanya nunca precisou usar mais que sua língua venenosa para derrubar alguém, mas a minha abordagem era muito diferente e com todo o prazer, eu mostraria para ela.

A loira era razoavelmente ágil com os braços, mas eu sabia o que esperar de uma garotinha mimada que não sabia nem a defender a si própria porque sempre teve quem o fizesse, então todas as suas tentativas de me machucar foram falhas. Ela tentou empurrar-me para cima, para que eu desequilibrasse e caísse sobre os degraus. Oh, é assim que estamos? Rosnei sentindo aumentar a minha vontade de bater naquela vaca magra até me dar por satisfeita.

— Saia de cima de mim, pórni sas — Ordenou usando as mãos para tentar segurar o meu cabelo, mas fui mais rápida — Eu vou acabar com você, Isabella Swan, eu juro por Deus! Desgra... — Sua voz foi cortada quando teve o rosto golpeado novamente. Ela ficou selvagem embaixo de mim, se remexendo e tentando me derrubar, mas as minhas pernas estavam apertadas em torno dela e os joelhos firmes no chão — Socorro! Voítheia! — Tanya atingiu o meu queixo com força enquanto jogava de um lado para o outro e por um momento, me preocupei com o meu colar. Eu ficaria arrasada se destruísse o presente de Edward. Aquilo era de família e...

Gritei quando ela se aproveitou do meu momento de distração e acertou um tapa em mim. Eu senti suas unhas arranharem a pele do meu pescoço e grunhi de raiva, voltando a empurra-la para baixo. Meus cabelos caiam com uma cortina aos lados do meu rosto, fazendo com que o meu olhar focasse apenas naquela mulher avermelhada e sem ar, se debatendo embaixo de mim. Era uma imagem que eu gostaria de poder lembrar para sempre.

Minhas mãos foram para a sua cabeça enquanto as dela apertavam os meus braços, beliscando a minha pele e arranhando, mas a adrenalina era tão grande que eu não sentia a dor. Nós estávamos fazendo barulho, era possível de perceber quando do lado de fora era tão quieto, mas isso me fazia questionar se alguém estaria ouvindo do lado de dentro? Eu realmente esperava que não.

Segurei dois punhados de cabelo na lateral de sua cabeça e puxei-a para cima, desencostando-a do chão e quando estava prestes a derruba-la de volta, ouvi outro grito, mas este não pertencia a nenhuma de nós duas. Soltei-a no susto deixando-a cair de volta à calçada, gemendo quando suas costas bateram no chão frio sem qualquer cuidado pela segunda vez. Olhei para cima e vi mascaras de horror nos rostos de todos com quem eu compartilhei a mesa de jantar mais cedo.

Exceto por Rosalie. Ela tinha esse sorriso de orgulho nos lábios que fez os meus próprios contraírem, mas não tive tempo para isso. Logo eu estava sendo agarrada pelo braço e empurrada para sair de cima de Tanya. Minha bunda doeu com a pequena queda e eu ouvi uma nova discussão ser iniciada. Por alguma razão, Edward estava segurando James pela camisa, prensando-o em um dos pilares, gritando coisas como “não se atreva a encostar nela” em sua cara e Emmett tentava empurra-lo para longe do sujeito que deve ter sido aquele a me puxar.

— Mamãe? — Ouvi a voz de Heitor me chamando e meus olhos começaram a procura-lo. Ele estava de pé, ao lado da porta e segurando a calça de Jasper que tinha a filha nos braços e parecia tão confuso quanto a minha própria criança — Mamãe, aqui! — Ele gritou outra vez e meu coração apertou novamente diante de seus olhinhos castanhos arregalados.

— Jasper, leve as crianças de volta para a sala e as distraia. Nós todos entraremos logo — Alice se pronunciou e veio me ajudar a levantar, junto com Rose que já estava do meu lado, me tocando em todo lugar — O que diabos deu em vocês aqui?

— Ela é uma selvagem — Tanya gritou quando Elizabeth a soltou. Estava difícil prestar atenção no que estava acontecendo com todo mundo, todos gritavam coisas e falavam ao mesmo tempo, mas consegui acompanhar Eleazar verificando o estado da filha com uma careta no rosto — Eu vou processar a sua bunda! Você será presa por agressão e tortura. Meus advogados vão tê-la na cadeia tão rápido que você não se dará conta, sua meretriz dos infernos!

Elizabeth a segurou junto com o irmão quando a Denali tentou me chutar, eu me encolhi para trás e a próxima coisa que eu soube é que estava sendo puxada outra vez, mas desta vez para os braços do meu homem. Ele apertou-me com força, mas de forma delicada e beijou diversas vezes o meu cabelo que deveria estar uma bagunça vergonhosa. Afastei o rosto do seu peito e o olhei para pedir desculpas, mas tão preocupado quanto ele parecia, também havia algo de diferente ali. Admiração, excitação, talvez? Santo Deus, eu deveria estar delirando.

— Edward, o que significa isso? — A voz de Eleazar foi aquela a cortar o nosso momento. Ele tinha a filha deitada em seu ombro, chorando enquanto a tia tentava fazer o seu cabelo que mais parecia palha amassada, voltar ao normal — Eu sou convidado para um jantar de boas-vindas e saio com a minha filha sendo covardemente agredida? Que tipo de educação deram a sua namorada?

— Tem certeza que quer questionar os bons modos da minha namorada, quando sabe sobre tudo o que a sua filha já fez para mim no passado? Será que devo culpa-lo por isso ou a educação que deu pra ela? — Edward respondeu, irritado, me apertando nele quanto tentei me afastar. Eleazar engoliu em seco e pareceu voltar a si, assentindo em seguida — Isabella jamais tocaria em Tanya sem um motivo razoável e nós em breve o descobriremos, mas enquanto isso, eu os quero fora da minha casa imediatamente. Emmett, chame os malditos seguranças!

— Amor, você não...

— Quieta, Isabella, por Deus! — Exasperou-se e eu escolhi ficar quieta. Ele estava cansado desde que estávamos em Chicago, não era justo que eu causasse mais problemas aqui. Edward conversou com o tio com mais calma e pediu para que ele não voltasse a aparecer com a sua família sem ser convidado pelo o próprio, disse que o respeitava muito, mas precisava de algum espaço no momento e Eleazar conformou-se. Ele parecia se importar muito com o meu namorado e deveria ser complicado estar sempre divido entre tomar partido da filha ou do sobrinho.

Os seguranças da casa não demoraram a chegar e guiaram James, Tanya – que ainda rosnava coisas na língua dela – e Eleazar para fora da propriedade. Eu suspirei cansada e Alice me deu um sorriso complacente, seguido de um abraço e levou-me para dentro, mas antes eu consegui ouvir Elizabeth avisando ao filho que estaria indo dormir com a sobrinha esta noite para cuidar dela e provavelmente amanhã em algum momento, voltaria para buscar as suas coisas.

Sentei no sofá sentindo pequenas dores em algumas partes do corpo. Emmett aproximou-se com alguns comprimidos que me ajudariam e um corpo com água. Nós todos rimos de suas piadas e de como ele elogiava o meu gancho de direta, repetindo sobre como o vermelho combinava com a Tanya. Jasper voltou com as crianças e Heitor não perdeu tempo em correr para o meu colo. Cheirei sua cabeça e perguntei se ele estava com fome, mas não tive resposta. O meu bebê ficou apenas me olhando como se algo estivesse estranho comigo e isso me fez imaginar o quão fodida estava a minha aparência naquele momento.

Edward voltou para a sala dando-me um olhar duro de quem exigia explicações para o desastre que foi o final da noite. Por um momento, fiquei constrangida de contar a conversa que tive com a Denali e sobre os absurdos que ela me disse, então acabei por cortar certas coisas, mas os deixei saber o que me levou a ficar a tão irritada que parti para a violência. Alice ficou chocada, Jasper não esboçou reação como se já esperasse por algo do tipo e Rosalie levantou-se da poltrona, irritadíssima. Andou de um lado para o outro, falando sobre como queria chutar a vadia.

— Isabella, você sabe que poderia ter se machucado gravemente? — Edward perguntou em tom de repreensão e eu arqueei a sobrancelha para ele — Está bem. Eu sei que você pode se virar em situações como essa e que Tanya não tinha chance contra você, mas fiquei doente quando a vi com a boca sangrando e aqui na luz eu posso ver muito mais! Por que não me chamou?

— Porque o problema dela era comigo e não vou correr para você sempre que algo surgir. Eu sou adulta, Edward, já passei por situações piores e estou aqui, não estou? — Respondi já sem paciência. Eu não queria prolongar aquele assunto estúpido. Minhas forças pareciam que haviam sido drenadas. Estava exausta em um nível que provavelmente apagaria aqui mesmo se não me liberassem do sermão o quanto antes. Soltei um suspiro cansado e ele assentiu, encerrando o assunto. Edward veio pegar o Heitor do meu colo e disse que o alimentaria e colocaria para dormir, mas enquanto isso eu deveria tomar um banho antes de ir descansar e eu concordei contra a minha vontade. Por que isso não poderia ficar para amanhã?

Depois de me despedir de todos, eu vagarosamente subi as escadas e por pouco não entrei no quarto errado. A minha cabeça estava longe e mesmo cansada, as palavras daquela mulher, iam e voltavam causando-me um mal-estar. Abri as torneiras da banheira e regulei a temperatura da água antes de tirar a roupa. Os brincos e o anel de Edward – agora meus – foram os últimos a saírem de mim e havia algum alivio presente por estar tudo bem com as joias.

Mergulhada há mais de dez minutos na água morna e relaxante, eu me perguntei se aquele evento realmente aconteceria ou se fazia parte do pacote de Tanya para me importunar. Eu não acreditei que Edward tivesse-a convidado nem por um segundo, mas se houvesse mesmo uma festa ou algo assim e o seu pai fosse convidado, ela com certeza estaria lá.

Com o meu namorado. Sozinhos entre aquelas pessoas ricas, educadas e de classe com as quais ele estava acostumado a lidar. Será que ele me convidaria? Eu não gostava desses eventos. Estive em poucos na minha vida e apenas por causa da companhia, não me sentia à vontade por lá, mas aquele peso definitivamente sairia das minhas costas se Edward me chamasse para acompanha-lo.

Eu precisava parar de martelar isso em minha mente e confiar no meu coração. Aquela mulher não nos atrapalharia.

— Você pretende ficar aí até parecer uma ameixa? — Abri os meus olhos quando ouvi a voz divertida de Edward e o vi de joelhos ao lado da banheira, sua manga tinha sido dobrada até estar na altura do cotovelo e então ele mergulhou a mão na água e acariciou a minha perna escorregadia — Eu adoraria ter compartilhado esse banho com você. Uma pena que o garoto estava rebelde na hora de dormir hoje — Ele olhou para mim, piscando e então riu — Ao menos agora eu sei de quem ele herdou isso. Ei! — Gritou quando eu joguei água em sua direção e então veio me fazer cócegas. Eu me contorci toda na banheira, acabei escorregando para dentro de vez e afundando. Edward me puxou para fora e assim que recuperei o fôlego e parei de rir, me deu um beijo tão gentil, tão carinhoso que pensei que derreteria ao redor.

Ele me embrulhou em uma toalha quando saímos. Eu fiquei sentada à cama, me secando enquanto ele buscava para mim um dia suas camisetas folgadas e uma calcinha. Ele quis que eu ficasse confortável e isso me deixava satisfeita porque era o que estava precisando, mas não deixei de xingar a mim mesma por transformar a nossa primeira noite em sua cidade nisso. Eu tinha feitos planos para nós que não incluíam Edward tirando de mim uma calcinha de algodão branca e sem graça, mas ao que parece, eles teriam que esperar.

Tentando compensa-lo de alguma maneira, o beijei em seu pescoço assim que deitamos e as luzes foram apagadas. Edward gemeu e se arrepiou, mas ignorou as minhas investidas e puxou-me para estar com a cabeça deitada sobre o seu peito. Eu tentei mais algumas vezes, deslizando minha mão sobre a pele da sua barriga descoberta, mas ele sempre a pegava em um aperto firme e eu não podia mais move-la. Resisti a vontade de ignora-lo quando disse que me amava e desejou boa noite, mas mesmo ligeiramente aborrecida, beijei-o nos lábios e me aconcheguei ao seu corpo confortável, suspirando e deixando que a inconsciência me levasse para algum lugar a salvo de todas as evidencias da confusão em que me meti.

Na manhã seguinte enquanto escovava os dentes e ouvia Edward tomar banho, senti realmente os resultados de entrar em uma briga corporal com alguém. Engoli novos comprimidos para dor, que o meu namorado tinha gentilmente colocado sobre o criado mudo ao lado de uma garrafinha com água, assim que despertei. Ele tinha acabado de voltar do quarto do Heitor quando me viu esticando o corpo e reclamando.

— Vamos, não seja um bebê chorão — Brincou beijando a minha bochecha e fazendo um barulho desagradável. Eu o empurrei e ele riu — Basta se lembrar que Tanya deve estar em um estado três vezes pior que o seu e provavelmente não será nem capaz de levantar da cama hoje, baby.

Edward sempre sabia a coisa certa a dizer. Isso pôs um sorriso imenso e satisfeito no meu rosto.

Ele sentou-se para conversar por um minuto comigo sobre ontem e assenti fazendo beicinho para cada ponto valido que fazia durante a sua bronca. Eu não tinha mais idade para sair no tapa com qualquer um que me tirasse do sério – mesmo que merecessem bastante. Eu poderia ter me machucado feio ou feito algo grave que podia realmente me levar para a cadeia ou algo do gênero e a ideia assustava a merda para fora de mim.

Ele explicou que proibiria a entrada de Tanya nessa casa e de qualquer um dos Denali que não viessem a convite de algum de nós, mas que não podia evitar que que eu a encontrasse em outros pontos da cidade, por isso pediu gentilmente que eu a ignorasse tanto quanto possível e que eu estava permitida a fazer qualquer coisa, menos agredi-la. Por um segundo o meu sangue esquentou e eu quis dizer que não era necessária a sua permissão para nada, mas francamente, ele estava certo, então precisei concordar pela décima vez.

— E você não precisava ficar afetada com tudo o que ela disse, sabe? — Perguntou ao segurar o meu rosto com ambas as mãos e eu mordi o interior da bochecha lembrando as coisas que omiti por vergonha — Depois de Esme, você é a mulher mais incrível que eu já conheci nos meus 28 anos de vida e ninguém me afetou com a rapidez e intensidade com que você conseguiu. Se eu fosse um cara mais esperto, teria mandado tudo pro inferno e te arrastado para o cartório mais próximo naquela época, Bella. — Eu abri um pequeno sorriso e nos inclinamos ao mesmo tempo para colarmos os nossos lábios em um beijo gentil.

— Eu te amo.

— Eu também te amo, baby, confie nisso — Pediu com sua testa colada na minha. Edward fechou os seus olhos e eu me senti péssima por fazê-lo pensar que eu desconfiava dele de alguma maneira — Você é a mulher certa para mim e eu vou te provar isso.

Meus dedos se infiltraram em seu cabelo e puxei para um beijo abrasador. Ele gemeu na minha boca e não demorou a me derrubar no colchão e deitar-se por cima de mim, dando-me toda a atenção que eu quis na noite passada, mas foi só questão de tempo até que ouvíssemos Heitor nos avisar que estava pronto para escapar do berço e comer. Demos sorrisos fracos um para o outro, tentando acalmar o incomodo entre nossas pernas e fomos começar o dia.

Depois de cuspir a pasta e limpar a minha boca, puxei a camiseta do corpo e empurrei a calcinha para baixo com a ajuda dos meus pés. A minha virilha e os joelhos estavam doloridos, mas de alguma forma isso me fazia lembrar das primeiras vezes que montei o Edward em sua cama e as lembranças me deixaram acesa como uma tocha.

Dane-se a dor. Eu não quebraria por causa de um pouco de atividade.

— Você gostaria de ajuda? — Perguntei usando a minha melhor voz de sexo ao entrar no box. Ele estava de costas para mim e a visão da água escorrendo por suas costas quase me distraiu — Eu tenho observado por um tempo e temo que uma pequena parte não foi lavada direito.

— Bem, Srta. Swan, você deve ter cometido algum engano porque não há nada de pequeno por aqui — Ele respondeu se virando para mim com aquele sorriso cheio de más intenções. Eu as queria. Todas elas e bem agora — Mas eu realmente não estou satisfeito com a limpeza dessa área em especial.

Edward envolveu a mão ao redor do seu pau que estava semiereto e masturbou-se na minha frente, passando o polegar pela cabeça avermelhada até ele ficar tão rígido quanto uma rocha, pronto para mim, que observava tudo respirando como a porra de uma asmática. Era simplesmente muito sexy vê-lo fazendo aquilo enquanto olhava cada parte do meu corpo, como se eu fosse um banquete e ele não conseguia decidir o que comer primeiro. Acho que comecei a salivar e antes que ele se desse conta, estava de joelhos tomando-o na minha mão e lambendo uma veia que se destacava, fazendo-o jogar a cabeça para trás e gemer.

Em pouco tempo, o meu cabelo estava encharcado e grudando nas minhas costas, mas sempre que vinham em direção ao meu rosto, ele os afastava para que pudesse ver o seu pau desaparecer dentro da minha boca quente e úmida. Não usávamos as palavras, mas o nosso olhar estava preso um no outro o tempo todo e logo ele estava empurrando em direção a minha garganta, me fazendo engolir um pouco mais do que eu normalmente era capaz e engasgar.

Expulsei-o da minha boca tossindo um pouco, mas gostei da imagem dele totalmente coberto por minha saliva, brilhante e inchado. Segurei em sua base, apertando e massageando do jeito que ele gostava enquanto dava uma atenção especial para a ponta que vazava uma quantia pequena de pré-gozo. Minha língua brincou com o pequeno orifício, Edward tremeu e rosnando, puxou-me pelo cabelo de modo que me levantou em minhas pernas, mas não me machucou. O grito que soltei foi de puro susto e a próxima coisa que soube era que minhas costas estavam no azulejo frio e o corpo dele prendendo-me à parede enquanto sua boca trabalhava no meu pescoço.

— Jesus, Edward...

Sua mão direita se infiltrou entre as minhas pernas e eu as afastei de boa vontade, os dedos habilidosos abriam as minhas dobras e o do meio encontrou o seu caminho para dentro de mim, me fazendo choramingar e pedir por ele. A boca de Edward subiu até o meu maxilar, onde ele mordiscou antes de beijar-me com força e abafar os meus gemidos escandalosos, devido aos seus dois dedos que agora bombeavam o meu sexo sem a menor piedade, me deixando inquieta para finalmente ter o pau dele que estava roçando na minha barriga.

— Você já teve alguma outra mulher aqui? — Era esse tipo de coisa sem noção que saia da minha boca quando faltava oxigênio no meu cérebro. Eu não queria saber da resposta se ela fosse me desagradar — Espere, não precisa me dizer.

— Não, Bella — Ele riu, o som rouco e gostoso ao lado do meu ouvido me fazendo estremecer e então ele estava acariciando o meu clitóris com maestria. Eu precisei segurar em seus ombros para não cair no chão — Eu nunca tive nenhuma aqui ou em qualquer lugar da casa.

Bom. Malditamente bom.

— Ninguém nunca me teve antes ou depois de você, Edward. — Anunciei quase chorando sentindo o meu orgasmo cada vez mais próximo, mas ele simplesmente parou e me olhou franzindo o cenho.

— O que disse?

— Inferno, por que você parou? — Protestei — Eu disse que você foi o meu primeiro e último, Edward, agora será que dá para você... oh, merda! — Gritei de susto quando ele interrompeu a minha fala ao agarrar as minhas coxas, me impulsando para cima e fazendo com que eu rodeasse a sua cintura para não cair e tão rápido quanto, o seu pau estava exigindo espaço dentro de mim.

Incapaz momentaneamente de emitir um som sequer, joguei a cabeça para trás com os olhos fechados e a boca aberta enquanto ele matava as minhas saudades de tê-lo dessa forma. Foi uma semana malditamente longa. Os lábios e língua de Edward estavam no espaço entre o meu ombro e o pescoço, lambendo, chupando e rosnando feito um animal enquanto ele batia duro e forte dentro de mim rápido demais para que eu pudesse contar. Eu realmente pensei que meus músculos iriam protestar se extrapolássemos no chuveiro, mas não conseguia sentir uma única coisa além daquela confusão na minha barriga avisando-me que eu estava pronta para explodir.

Minha! — Ele gemeu quando o meu sexo apertou e o seu pau respondeu, pulsando dentro de mim — Deus, você é tão boa de... Cacete, Bella! Eu te amo tanto. Porra... — Eu ri de ele ser capaz de chamar por uma divindade e amaldiçoar na mesma frase, mas o riso morreu quando Edward começou a estocar tão rápido que me tomou o fôlego.

Eu contraí em volta do pau dele de propósito sentindo aquelas contrações nas pernas e o arrepio na coluna, Edward gritou meu nome empurrando enquanto derramava-se dentro de mim e bastou sentir seus jatos quentes na minha carne que gozei para ele gemendo baixinho em seu ouvido.

Quando entramos na cozinha, o cheiro era todo sobre café e frutas. Rosalie estava com uma caneca ao lado de um prato com sobras do que parecia ter sido uma torrada e ria de algum assunto discutido com Maísa que tinha o meu filho nos braços, mastigando uma banana vagarosamente com cara de quem não estava muito satisfeito com a fruta. A senhora sorriu nos desejando bom dia em seu próprio idioma e eu só entendi porque já tinha ouvido aquilo muitas vezes antes. Edward sentou-se perto de Rose enquanto eu pegava o Heitor para que a Maísa pudesse nos servir alguma comida e eu puxei a cadeira ao lado dele.

— Por que você está fora da cama antes mesmo de Emmett acordar? — Perguntou fazendo uma carinha confusa tão linda que eu não resisti e beijei rapidamente seus lábios, o fazendo sorrir para mim.

— E como eu poderia ficar se ele ronca feito um porco sempre que bebe? — Ela disse mal-humorada e tomou um generoso gole do seu café — Ontem, depois de umas boas doses de conhaque, o homem me arrastou para o quarto e bem, vocês sabem — Mexeu os ombros, tendo a cara de pau de corar um pouco — Acho que a performance de Bella o excitou na noite passada.

— Eu acho que não fico à vontade com você dizendo coisas como essa, Rosalie — Edward resmungou fazendo uma careta e engoliu com dificuldade o pedaço de pão coberto com patê de berinjela — A ideia do seu namorado ficando excitado com qualquer coisa que a minha mulher faça é muito perturbadora — Explicou estremecendo e nós duas rimos. Ela assentiu com o rosto dentro da caneca e eu dei uma boa colherada a Heitor, do meu iogurte com mel — O que farão hoje?

— Nós combinamos compras com Alice na parte da tarde, mas é só isso por enquanto. — Ela respondeu e eu segurei um gemido. Onde eu estava com a cabeça quando não interferi? Ah, claro. Em Elizabeth e sua turma. E falando nela...

— Amor, você acha que seria possível encontrar alguém para me ajudar com o Heitor? — Perguntei mordendo o lábio inferior. Eu não queria parecer essas mulheres ricas que não tem absolutamente nada para fazer e ainda são incapazes de cuidar dos filhos — Nós temos muitos lugares a visitar e acho que eu me sentiria mais vontade tendo uma pessoa para ficar de olho nele, apenas quando fosse necessário. Como a Bree.

Edward pensou por um instante, mas não pareceu incomodado. Disse que ligaria para Esme e perguntaria se havia alguém que valesse a pena indicar e eu achei isso muito bom, pois confiava plenamente no julgamento dela. Para a minha alegria, ele estava mais do que disposto a só ir trabalhar depois do almoço, então o resto da manhã passamos como uma família. Emmett acordou às 10 parecendo lutar contra uma ressaca, mas ignorou qualquer uma das alternativas disponíveis para cura-la. Disse que seu problema era facilmente resolvido com boa comida, então em pouco tempo estava indo com Rosalie para o mercado, comprar tudo que era necessário para um churrasco.

Tive a oportunidade de usar outro dos meus três novos biquínis. O sol estava muito agradável e decidimos usar a piscina, uma vez que Edward estava empolgadíssimo com a ideia de ensinar Heitor a nadar. Eu não compartilhava do seu entusiasmo. Como mãe de primeira viagem, a ideia do meu bebê tão pequeno mergulhando era assustadora de trazer lágrimas aos olhos, mas estava ciente de que isso não era nada de outro mundo. Recebi uns olhares tortos de Edward quando dois de seus seguranças olharam por alguns segundos a mais quando eu retirei a minha canga que foi presa no meu corpo para parecer um vestido enquanto eu nos servia alguns sucos, mas isso foi esquecido quando ele também começou a reparar melhor no biquíni. Homens.

— Vocês tiverem algum avanço? — Perguntei ajeitando o chapéu de Heitor para protege-lo do sol. Depois de atuar como um peixinho e deslizar sobre água como se tivesse nascido para isso, nós o colocamos em uma boia para que ele descansasse.

— De certa forma — Assentiu e penteou os cabelos molhados para trás com os seus dedos — Nós conversamos com os responsáveis pelo garoto outra vez e ele continua meio assustado, mas cooperando. Afirmou que uma moça na casa dos 20 anos ofereceu 100 euros para que ele entregasse a caixa com o máximo de discrição. Disse que ela é branca, loira, altura mediana e tem olhos castanho avelã. Aparentava ser modesta por suas roupas e estava em um carro preto sem placa. Ele ainda não soube identificar o modelo, mas estamos chegando lá.

Por um segundo a minha paranoia me levou até Tanya, mas fora o cabelo loiro, as descrições não batiam. Como uma moça tão jovem teria a ver com o primeiro roubo? Será que ela também estava envolvida no ataque cibernético que a empresa sofreu naquele ano? Não podia ser. Se quem quer que seja ela, pudesse ser capaz de fazer algo como aquilo, não entraria em contato com o Edward através de um adolescente.

Enquanto saíamos da piscina para verificar o que Emm tinha preparado para nós, ele contou que todos os seus antigos funcionários estavam sendo investigados, aqueles que pediram demissão e os que foram demitidos, sem exceção. Era uma quantidade razoável de pessoas e percebi isso por conta própria ao ver que a maioria dos membros de sua equipe eram novos para mim e os que eu já conhecia de vista, não foram vistos nenhuma vez. Então por isso mesmo o processo não estava indo tão rápido, mas a boa – ou não tão boa – notícia é que até agora nada consta de suspeito ou anormal sobre eles.

O churrasco estava impecável e nós tivemos um tempo incrível juntos, descontraídos e completamente diferentes do como estávamos há menos de 24 horas. Rosalie era uma mulher que apreciava uma comida bem preparada, então cometeu o erro de acariciar o ego do Emmett e o deixou cheio de si, ele não parou mais de falar sobre o seu corte de carne perfeito e como os seus molhos eram preparados com dedicação, tirando o juízo da pobre Maísa. Era ridículo, mas valeu totalmente a pena quando ele levou uma colherada de pau na bunda e foi expulso da cozinha.

Esme retornou a ligação do filho um tempo depois, com os números telefônicos de três moças disponíveis que trabalharam para suas amigas, elas tinham experiência com crianças há no mínimo três anos, mas infelizmente o inglês de duas era confuso e muito limitado, Heitor não entenderia uma ordem ou um pedido como nós o faríamos – com algum esforço –, então sobrou a Helena.

Eu a convidei para vir até a casa por volta das 2 da tarde para que pudéssemos nos conhecer e se tudo desse certo, ela teria algum tempo para se familiarizar com o garoto e ambas ficamos satisfeitas com o arranjo. Edward e o vencedor do MasterChef de hoje, foram trabalhar pouco tempo depois, prometendo voltar antes das 20 para nos levar para jantar e a ideia de sair com ele nas ruas dessa linda cidade me deixou extremamente alegre. Há tempos não fazíamos um programa de casal, sempre o bebê estava envolvido e eu não reclamava, mas sentia falta de algum tempo como namorados à moda antiga.

— Você tem uma linda criança, Srta. Swan — Helena elogiou sorrindo timidamente na direção do Heitor que estava no tapete não muito longe de nós, usando peças para montar algo que ainda não tinha forma — Eu conheci a Sra. Cullen há alguns anos em um evento onde eu cuidava de gêmeos adoráveis e ela foi muito gentil, por isso não hesitei em vê-la. Foi uma surpresa que ela ainda lembrasse de mim a ponto de me recomendar. Espero que as minhas referências tenham agradado.

E tinham. Helena estava no auge dos seus 21 anos e era bonita. Cabelo tão negro quanto os seus olhos, pele branca com covinhas fundas nos cantos de sua boca. Ela tem estado ao redor de crianças desde os 14, vive com a avó paterna e seu irmão mais novo. Helena agiu em torno do meu filho com muita familiaridade e soube como tirar a sua timidez com brincadeiras e provocando o seu riso. Ela era muito doce e nós – Rose e eu – realmente gostamos dela. Com certeza Edward aprovaria a minha escolha. Após um passeio rápido pela casa para mostra-la os cômodos principais onde sempre estávamos, combinamos um valor justo e o horário.

Alice veio nos encontrar às 16h30 e fomos em seu carro, mas claro que os seguranças estavam bem atrás de nós o tempo inteiro. Ela mostrou-nos o quanto estava animada em ter um momento de compras e garotas após o que parecia uma década, pois desde que casou e tornou-se mãe, não tem tempo para desperdiçar com futilidades como antes, então eu podia apostar que hoje ela extravasaria. Nós paramos no bairro Plaka e ele era muito bonito. Suas ruas eram estreitas e havia vários gatinhos circulando por toda a parte – os quais Heitor quis levar pegar e abraçar a cada um novo que via – e tiramos fotos nas casas que pareciam miniaturas para boneca. Tudo muito colorido, com monumentos... e as lojas! Haviam diversas e com um atendimento muito amistoso. Alice nos contou que preferia fazer compras nos Estados Unidos por causa da diversidade, mas aqui também era excelente. Compramos várias coisas para nós mesmas e algumas para presentes.

Tenho certeza que gastei 70% das minhas economias nas últimas horas simplesmente por me deixar levar. Eu tinha sorte de retornar para casa no avião dos Cullen ou pagaria uma taxa exorbitante por estar voltando com tanta bagagem. Renée adoraria os itens de decoração e isso me fez querer reuni-la com Esme o quanto antes. Aquelas duas se dariam tão bem! Nós voltamos para casa perto às 19 e os rapazes ainda não tinham chegado. Vieram ao quarto me perguntar o que eu gostaria que fosse preparado para a comida e eu corei com aquilo. Não era como se eu fosse a senhora da casa durante esses dias. Ou era?

Dispensado o jantar, fui me preparar para o segundo passeio.

Heitor estava cansado e sonolento após o banho e por pouco não caiu de cara no prato enquanto eu o alimentava. Maísa prometeu ficar de olho nele enquanto estivéssemos fora e me tranquilizou quando eu me preocupei em estar sobrecarregando-a, dizendo que há meses quase não tinha o que fazer naquela casa grande e vazia, agora estava mais do que satisfeita em ajudar.

Edward tentou passar a mão em mim quando chegou e me encontrou apenas de lingerie e saltos, mas o empurrei para dentro do banheiro e exigi que ele se apressasse. Sendo homem e bonito por natureza, estava pronto antes mesmo de eu colocar os meus brincos e eu nem pisquei antes de despacha-lo para o andar de baixo. Eu faria um desastre com maquiagem se ficasse o ouvindo me apressando o tempo inteiro, mas precisei beija-lo por um longo tempo antes de libera-lo. Sentia falta da sua presença aqui o tempo todo. Ele sussurrou que o jantar de hoje seria muito mais agradável e estapeou a minha bunda antes de correr para fora do banheiro.

Filho da mãe gostoso.

Mais tarde, o encontrei no escritório. Emmett também estava lá com uma Rosalie muito bonita e sensual em seu colo. Suas mãos estavam possessivas em suas coxas nuas pelo vestido que terminava uns quatro ou cinco dedos antes do joelho. Edward servia-se de outra dose de whisky e congelou quando me viu. O amigo brincou sobre a baba estar escorrendo no queixo e foi realmente engraçado quando Edward limpou o canto da boca sem desviar os olhos de mim, como se realmente houvesse algo lá. Tomei o corpo de suas mãos e bebi um gole tímido, apenas para experimentar. Era forte demais para o meu gosto.

— Quem são, amor? — Perguntei apontando para um quadro na parede à nossa esquerda. Essa grande pintura no estilo barroco me chamou atenção por tratar-se de três homens distintos, mas parecidos de alguma forma que eu não sabia explicar.

— Estes são Aro, Victor e Caius. — Respondeu olhando junto comigo. O homem loiro, Victor – pai de Carlisle – estava sentado em uma cadeira dessas enormes que se assemelhava a um trono de realeza e em ambos os seus lados, estavam os demais. Aro tinha uma aparência diferente, ele era muito magro, branco e os cabelos escuros tocavam seus ombros, ele parecia estar se divertindo e querer rir de alguma coisa. O outro, Caius, era uma história diferente. Eu podia dizer que ele não era uma boa pessoa pelo o olhar retratado pelo o pintor. Sua mão estava apertando o braço da cadeira com ira e não parecia em nada envolvido com a atmosfera “família” que os dois outros queriam passar.

— Eles estão todos mortos? — Não passou despercebido que no quadro, todos os três estavam jovens. Talvez com 25 anos ou algo assim? Aquele homem não tinha aparência para ser avô de ninguém e no meio da minha divagação, eu percebi a minha gafe — Oh! Desculpe... isso foi totalmente indelicado da minha parte. — Quem no mundo perguntava algo assim?

— Está tudo bem, amor — Edward riu de mim junto com o Emmett e acariciou a minha bochecha vermelha — Sim, eles estão. Aro era o filho do meio e faleceu ainda muito jovem, mas os outros viveram bastante. Os pais deles colocaram a empresa nas mãos do meu avô quando ele se casou, porque não confiavam os negócios a alguém com o estilo de vida irresponsável que Caius levava. Claro que ele como o filho mais velho, reclamou os seus direitos e fez o impossível para recuperar a Cullen Enterprises, mas Victor estava firme em honrar a escolha dos pais.

— Carlisle sempre nos contou do quanto ele deu trabalho desde então – Emmett disse e Rose fez carinho em seu cabelo prestando atenção — O cara vivia tentando arruinar a imagem do outro para tentar encontrar uma brecha que o permitisse assumir a presidência. Até a esposa do Victor, ele tentou pegar! — Torceu a boca e fez um som de desaprovação.

Eu não estava errada, afinal. Em toda família há uma maçã podre.

— Cansados de passarem vergonha publicamente o tempo todo e sofrerem por causa dele, os pais o deserdaram — Edward continuou me abraçando por trás e descansando com seu queixo sobre o meu ombro — Ele e o irmão entraram em uma briga feia, houve agressão, segundo o meu pai e então um dia ele juntou o que lhe pertencia e simplesmente desapareceu no mundo. De tempos em tempos tinham notícias desagradáveis a seu respeito, mas ninguém realmente fez nada a respeito. Ele odiava a todos aqui. Os pais faleceram e ele não deu sinal de vida, anos se passaram e o homem parecia que tinha sido engolido pela terra. Então houve um período de especulações que ele havia sido morto por um agiota na Argentina, mas quando isso chegou aqui, já era notícia velha por lá. Era tarde para ajudar.

Wow. Tudo bem.

Conversa pesada para o início da noite, huh? Olhei outra vez para os três irmãos no quadro e sorri timidamente por apesar de não ter sido duradoura, Aro ter tido uma boa vida e Victor ter sido capaz de nos presentear com Carlisle e ainda criar o meu Edward tão bem. Eu sabia que além de seus genes incríveis, ele havia herdado o caráter e personalidade forte daqueles homens. E quanto ao rebelde, bem, eu acho que ele teve o que mereceu. Alguém que despreza a própria família por causa de dinheiro e rivalidade não teria nada de agradável da minha parte. Mas foi realmente interessante obter um pouco da história do passado do meu Edward.

Quando estávamos no carro, ele me contou mais sobre suas aventuras quando pirralho ao lado do avô. O orgulho e animação em sua voz era contagiante, mas quando chegamos ao MoMa da rua Adrianou, o assunto mudou completamente. Este era um restaurante de mezzes, ou seja, a comida típica grega era servida em pequenos pratos e tínhamos dali uma vista maravilhosa para a Acrópole.

Foi uma noite realmente memorável. Nós fizemos fotos para guardar de recordação, demos umas voltas sempre tendo os seguranças por perto, mas em uma distância agradável que os faziam passar despercebidos na maior parte do tempo e então procuramos outro lugar para comer a sobremesa. Alice estava certa. Havia muito o que ver por aqui e a quantidade exagerada de turistas em cada lugar que íamos, não era incomoda, passava até uma energia boa. Eu deixei Edward saber o quão foi incrível que ele tenha tirado um tempo para nós dois e ele me disse que esse era só o primeiro de muitos momentos nossos em Atenas.

Eu estava absurdamente feliz com os meus amigos e sabendo que o meu bebê estava em casa, seguro e igualmente satisfeito. Lembrei dos últimos aborrecimentos e percebi que realmente não era tão importante assim. Que tudo bem se talvez tivesse mais daquilo por vir.

Sendo abraçada forte por esse homem maravilhoso que gargalhava para a mais nova estupidez do melhor amigo, eu estava certa de que independente de qualquer coisa, eu não gostaria de estar em qualquer outro lugar, exceto os seus braços.

Edward era o meu lar e tudo por ele totalmente valeria a pena.

agóri = garoto

pórni sas = sua puta

voítheia = ajuda

Notas finais
Santa mãe... que dia agitado, hahaha. Tanya procurou até achar, hein? A Isabella já tinha nos mostrado que é meio esquentada com ciúmes no ano novo, então tendo a bruxa bem ali lhe provocando até a morte, não podia deixar a oportunidade passar. Achei foi pouco ;) Edward chutou-as para fora e livrou os seus amores da presença desagradável daquelas duas, graças a Deus! Vocês estavam preocupadas com Elizabeth incentivando a Bella a encontrar uma babá, podem ficar mais aliviadas por ela ter ido direto na sogra certa, então o bebê Cullen deve estar seguro de alguma psicopata. E com isso temos personagens novo, né? Helena. Esse James... Enfim, espero que vocês tenham gostado. Contem-me tudo nas reviews. Nos vemos por lá. Beijo!