Odisséia Grega
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Os dias seguintes passaram em uma rapidez espantosa para todos nós. Já tinha feito uma semana que chegamos em Atenas e estivemos virando a cidade de ponta da cabeça tanto quanto foi possível. Alice, apesar de estar o tempo presa com Antonella – que nem sempre era uma bebê quieta e silenciosa –, foi uma guia turística incrível quando o seu irmão não estava disponível para passeios, o que infelizmente, era quase sempre. Edward esteve ocupado, mas não se descuidou de nenhum de nós. Ele levou Heitor e Emmett para um programa de homens na terça-feira e enviou-me flores fantásticas na manhã seguinte por ter me deixado de fora. Às vezes, quando voltava do trabalho, ele me levava para sair também.
Jantávamos, bebíamos um pouco e quando tínhamos tempo sobrando, visitávamos uma serie de lugares que foram especiais para ele em algum momento de sua vida. Ele me contava as histórias por trás daqueles pontos com tantos detalhes que eu me sentia inclusa como se tivesse vivenciado aquilo também – principalmente quando estávamos no chafariz da Praça Syntagma, onde Victor pediu a mão da sua namorada em casamento.
Nos dias em que ele voltava para casa aborrecido e exausto, eu mesma cuidava das suas necessidades. O trancava no quarto com o telefone desligado e lhe dava a comida, seguido de um banho relaxante e uma massagem para aliviar o corpo de todo o stress das longas horas no trabalho, então quando nos perdíamos nos braços um do outro entre os lençóis amassados, toda a sua tensão evaporava e ele era o meu Edward novamente.
Eu não saberia dizer se Tanya se recuperou do nosso encontro, porque ela não voltou a aparecer aqui e graças a Deus, a cidade era grande o suficiente para que não nos esbarrássemos em lugar algum. Elizabeth voltou dois dias depois – e não no seguinte, como havia dito – para recolher as suas coisas, o cachorro e partir. Ela teve a ousadia de me culpar por ter sido convidada a se retirar da mansão dos Cullen e estava irritadíssima por precisar de autorização para entrar novamente, mas eu a fiz entender que apesar de querer ficar com todo o credito, o filho estava simplesmente farto dos teatros, das mentiras e invasões. Isso pareceu magoa-la de alguma forma, pois nos minutos seguintes, ela ficou em silencio e apenas ignorou a minha existência.
Eu não soube exatamente o que pensar quando a vi fazendo uma cena com Heitor enquanto suas malas estavam sendo lavadas para o táxi. Quando abri a porta principal para chama-lo para almoçar, ela simplesmente estava batendo palmas, rindo e dizendo coisas que o fazia sorria com a mão dentro da boca – mostrando que ele estava se divertindo, apesar da timidez. Helena segurava-o no colo, parecendo satisfeita e é claro que ela sabia que Elizabeth era avó do garoto, apenas não fazia ideia do tipo de relação que nós duas tínhamos.
A coisa toda durou cerca de um minuto inteiro, logo ela se recompôs e se despediu dos dois, saindo das nossas vidas com seu nariz empinado.
Mas não por muito tempo, eu supus.
— Isabella, a resposta é não! — Edward rugiu descendo as escadas enquanto arrumava a sua gravata com pressa para sair. Fomos avisados que o seu motorista estava esperando há algum tempo — Passamos a noite passada discutindo isso e eu não mudei de opinião.
— Mas não é justo, Edward — Choraminguei correndo atrás dele — Amor, eu só quero ir na casa da sua irmã. Você sabe que não é tão distante daqui. Só 10 minutinhos de carro.
— Isso é besteira. Alice pode perfeitamente vir até aqui.
— Então você se preocupa mais com a minha segurança do que com a dela? — Apelei, mordendo a língua logo em seguida e me preparo para a sua explosão.
— Alice não foi aquela a ser ameaçada, inferno! — Gritou me paralisando no lugar — Eu não quero que você saia sem mim quando não há necessidade, Bella, o quão difícil é entender que você está mais segura nessa casa? Eu sinto muito ter trazido vocês para essa confusão, mas...
— Ei, vamos, pare com isso. Venha aqui? — Pedi abrindo os braços e a sua expressão suavizou-se. Eu sabia que ele não negaria um pedido desse, principalmente quando eu demonstrava compreensão. Edward estava me abraçando forte a si mesmo no segundo seguinte e eu inspirei o seu cheiro concentrado na área do pescoço — Eu não me arrependo de ter vindo e você também não deve ou vou me sentir péssima por estar te causando mais problemas. O meu lugar é ao seu lado, não é?
Edward tem estado nervoso desde quinta-feira e a culpa também é minha. Eu liguei para o seu escritório, uma vez que seu celular estava indo direto para caixa postal, nervosa e chorando poucas horas depois de ele ter saído para trabalhar. Helena e eu éramos as únicas circulando na casa naquela manhã. Rosalie estava se recuperando da madrugada de bebedeira com o namorado e Heitor ainda dormia. Eu estava prestes a ir para biblioteca e procurar algo para ler quando o jardineiro entrou com um punhado de cartas sobre um pacote em suas mãos. Ele não falava inglês, mas era óbvio que elas tinham acabado de serem entregues. As peguei e agradeci com um sorriso, sabendo que ele não me entenderia de outra maneira e sem saber o que fazer com aquilo, fui leva-las para o escritório onde fazia mais sentido deixa-las.
O escritório de Carlisle tinha um cheiro de limpeza muito maior que qualquer outro cômodo que já entrei e tudo brilhava parecendo ser novo em folha, desde o piso até os moveis e os adornos que Esme adorava. Sua mesa apesar de conter pouca coisa, estava organizada com perfeição. Havia um computador, objetos de decoração que combinavam com as cores das paredes, dois porta-retratos com foto da família em um e do casal no outro, um abajur desses modernos e um cinzeiro. Eu estava ciente que ele não fumava, então imaginava que aquilo devesse ser para as visitas.
Estabeleci o pacote onde havia espaço sobrando e o bolo de cartas ao lado seu lado, mas então enquanto as organizava, percebi que entre elas havia um envelope pardo com o meu nome nele.
Como diabos isso era possível? Por que alguém me enviaria alguma coisa no endereço do Edward? Ninguém que eu conhecia sabia onde eu estava ficando em Atenas e mesmo que soubesse, não havia razão para me mandariam algo com urgência e sem avisar.
Revirei o envelope grosso e não encontrei selo, remetente ou qualquer sinal que indicasse de onde aquilo havia vindo, apenas os meus dois nomes escritos por uma caneta preta em letra de forma. Curiosa, rasguei-o de qualquer maneira e dezenas de papeis caíram sobre a mesa.
Espere, não, eram fotografias.
Fotos em preto e branco e de todos os ângulos possíveis. Fotografias minhas passeando por toda a cidade! Mas que merda isso queria dizer? Eu claramente estava sendo observada, não havia mistério nisso, mas também não havia qualquer razão para um disparate desses. Desde a minha última conversa com Eric, eu soube que já circulava pela internet que Edward estava comprometido comigo. Havia registros nossos – desde os antigos em Atlanta até os atuais – circulando em diversos sites.
Eu me irritei no início, não pela exposição de nós dois, mas porque eles não tiveram qualquer pudor em fotografar o Heitor. Pensei que para publicar fotos de crianças, eles precisavam da autorização dos pais, mas só tivemos algumas ligações das mesmas revistas e jornais de merda, depois que tudo já estava veiculando. Obviamente, não me interessei em dar entrevistas ou em qualquer outra proposta feita.
Mas então que porra era essa?
Eu tinha algum fã na minha cola desde que fiquei conhecida ou algo assim?
Peguei várias em ambas as mãos e meus olhos passaram freneticamente por cada coisa registrada e pude perceber que pelas roupas, haviam sido tiradas em pelo menos dois ou três dias diferentes. Quem quer que tenha me fotografado manteve o foco sempre em mim e mesmo que eu estivesse rindo ou falando com alguém, a pessoa estava de costas, desfocada ou sequer aparecia.
Entre as mais de 20, eu encontrei apenas uma colorida na qual eu estava prestes a atravessar a rua e tentava arduamente enxergar algo do outro lado. Estava sol e eu usei a mão para fazer sombra sobre os meus olhos. Eu virei-a e na parte de trás estava escrito com a mesma letra do envelope: Preste bem atenção. Eu estou vendo você. Você está me vendo?
Aquilo começou a me assustar de verdade. Como eu poderia ficar bem sabendo que alguém esteve tão perto de mim, me observando com intenções desconhecidas? O meu primeiro instinto foi esconde-las. Eu não queria jogar outro peso sobre as costas do Edward nesse momento, mas eu precisava pensar no nosso filho e no que aquilo significava para ele também, então a ligação foi feita e em menos de meia a hora a polícia estava tirando fotos das fotos, procurando digitais e levando-as embora para que outros procedimentos fossem feitos.
O funcionário da casa afirmou que viu um carteiro uniformizado fazendo a entrega da correspondência aqui. Edward começou a latir ordens para que a casa inteira fosse revistada – mesmo que nenhum registro tenha sido feito nesta rua –, a segurança também foi reforçada e eu fiquei de castigo dentro de casa sem poder colocar o pé para fora por dias como se fosse a porra de uma pirralha que não podia cuidar de si mesma.
— Eu sei que você se preocupa conosco, Edward, mas isso está me sufocando — Expliquei acariciando os seus cabelos e ele soltou o ar com força, apertando-me um pouco mais — Nada mais aconteceu desde quinta e eu gostaria de passar algum tempo fora daqui. Por favor? Ou você gostaria que voltasse para casa antes das minhas férias acabarem?
— É claro que não, Bella. Está louca?! — Exasperou-se — Eu apenas me preocupo... mas você tem razão — Diabos, sim. Eu não via como alguém poderia me fazer alguma coisa estando rodeada de tantos homens daquele tamanho — Se está realmente te fazendo mal ficar presa aqui dentro, eu sinto muito, querida. Você pode ir. Só quero que você esteja bem e feliz.
Edward me segurou quando eu pulei em cima dele e o ataquei com beijos como se ele tivesse me dado um segundo carro ou algo parecido. Ele riu da minha empolgação, mas não deixou de recomendar que eu obedecesse a qualquer ordem que fosse dada para o meu próprio bem e também gostaria que eu enviasse algumas mensagens de tempos em tempos enquanto estivesse fora. Fazendo seu discurso, não percebeu que a hora estava passando e quando ouviu Emmett gritar por ele, despediu-se de mim às pressas, resmungando durante o caminho por eu atrasa-lo para uma reunião com Jenks.
Jenks – para todos os efeitos, era um Detetive Particular – e esteve aqui em casa no sábado. Mesmo sendo apenas alguns anos mais velho que o meu namorado, nós percebemos de longe que aquele homem sabe de muito mais do que nós aprenderemos em toda a nossa vida. Edward estava satisfeito com o empenho dos investigadores, mas a polícia estava sempre agindo dentro da lei e enquanto isso, J. Jenks usava recursos e pessoas que deveriam estar atrás das grades há muito tempo para chegar aonde queria e ter amizade com o pessoal desse meio às vezes era meio conveniente. Principalmente quando você precisava localizar algo ou alguém.
Ele, inclusive, já havia encontrado o carro que a moça esteve usando nos últimos dias. Ele foi alugado, mas não em uma concessionária e os responsáveis afirmaram que a jovem se apresentou como Jenna. Obviamente, eles não tinham qualquer endereço ou informação pessoal, uma vez que não pediam documentos. O único interesse era se ela podia pagar. Ponto final.
Mas fazendo parecer que a sorte estava finalmente do nosso lado, eles soltaram que ela tinha um sotaque engraçado, muito parecido com o espanhol e disse com mais detalhes as suas características físicas. Isso era bom, de acordo com o nosso amigo. Uma garota loira na faixa dos 20 anos, magra, com olhos cor de avelã e sotaque forte, não passaria despercebida por muito mais tempo.
Eu estava com um bom pressentimento de que quando chegássemos nela, encontraríamos o rato maldito que esteve desfalcando a Cullen Enterprises, mas temia que quando os seus homens colocassem as mãos nele... a polícia não mais teria um culpado para prender.
— Vamos, eu estou criando teias aqui! — Gritei no corredor e revirei os olhos quando ouvi Rosalie dizer pela terceira vez que já estava saindo. Ela estava indecisa sobre o que vestir, já que não sabia se Alice nos arrastaria para algum lugar.
— Espero que vocês tenham um bom tempo, Srta. Swan — Helena disse ao vir se despedir. Como almoçaríamos fora hoje, resolvi dispensa-la pela tarde — Precisa de mais alguma coisa?
— Eu adoraria se você pudesse pedir para algum dos rapazes tirar o carro da garagem e colocá-lo lá fora — Respondi suspirando ao olhar o meu relógio, estávamos atrasadas — À noite, eu ligo avisando se vamos precisar de você, Helena. Obrigada.
Ela sorriu assentindo e beijou a bochecha de Heitor antes de ir embora. O meu filho fez beicinho quando ela se foi e tentou chama-la de volta, mas consegui enrola-lo ao lhe contar que visitaríamos sua prima. Rosalie dizia que Heitor estava apaixonado também por sua nova babá, pois além de se familiarizarem rápido, ela o fez esquecer completamente da ausência da Bree, mas lógico que eu não tocaria no assunto quando voltássemos para Chicago.
Os meus dias na cidade estavam praticamente contados e isso fazia o meu coração apertar. Eu não gostava da ideia de precisar ir embora e deixar Edward por aqui com tudo o que estava acontecendo. Admito que depois de receber as fotos, cogitei a possibilidade de ir embora mais cedo, mas isso não garantia a minha segurança ou a de Heitor e ficar do outro lado do oceano tendo notícias vazias e esporádicas me deixou pior ainda. Porém, não havia muito o que eu pudesse fazer em breve. A minha chefe foi generosa ao me liberar por um tempo, mas não tanto ao ponto de duas semanas tornarem-se três.
— A minha bunda simplesmente não cabe mais! — Rosalie repetiu mais uma vez. Desde que saímos de casa, precisei aguenta-la reclamar sobre o seu peso. Eu pedi para que ela colocasse Heitor em sua cadeira no banco, enquanto eu explicava ao motorista que não precisaria dele desta vez. Estava ansiosa para dirigir depois de tanto tempo sendo levada para cima e para baixo — Emmett acha isso uma coisa boa. Você pode acreditar nesse cara?
— É apenas um dos seus diversos vestidos – Revirei os olhos e continuei antes que ela gritasse comigo — Sim, é um Gucci, mas a sua bunda está ótima e eu consigo entender a felicidade do seu namorado, Rose. Se eu tivesse esse corpo, Edward só me deixaria sair do quarto no Natal.
— Ele confirmou se vocês vão sair hoje? — Perguntou após rir e sentar-se no seu banco. Esperei que ela pusesse o cinto de segurança e liguei o carro, ouvindo os nossos seguranças fazerem o mesmo bem atrás de nós — Eu posso organizar alguma coisa para mais tarde, caso não.
— Ainda vou ser avisada, mas é provável que sim. Edward parece animado em me exibir para boa parte dos seus amigos de negócio. — Afirmei mordendo o lábio. Tanto quanto isso soava muito doce, eu realmente detestava frequentar lugares lotados de gente cheia de pompa.
Tanya estava certa sobre o evento que me contou quando esteve na mansão. Ele realmente aconteceu e tratava-se realmente de um recente cliente de Edward, mas ao contrário do que eu pensava, ele nunca tocou no assunto ou mostrou que tinha qualquer interesse de ir, pelo contrário. Na noite do evento, nós fomos ao Teatro Heirodeion. Eu fiquei excitada de estar lá quando foi mencionado que o Yanni – um pianista incrível, por coincidência, também grego – já se apresentou nele e acabei bastante impressionada quando entramos, porque era muito bem conservado e quando assistimos a apresentação de dança, devido a acústica que era incrível.
Após sairmos, fomos direto para o Bairro Gazi. Havia uma infinidade de bares a nossa disposição, assim como algumas casas de dança – nada como encontraríamos em Chicago –, mas optamos por um lugar mais calmo. Pedimos comida e percebi que não havia turistas naquela área, apenas o pessoal da região mesmo e Edward conseguiu nos distrair de qualquer preocupação que nos abatia durante o dia. Passeamos de mãos dadas, alimentamos os gatinhos de rua e namoramos sob a luz da lua e os olhares cuidadosos dos companheiros mal-encarados de Edward que nos seguiam para qualquer lugar que fôssemos.
Faltava pouco para meia-noite quando chegamos. Helena estava folheando uma revista e bebendo um refrigerante quando a liberamos para voltar para casa. Edward pediu que ela aceitasse que seu motorista a levasse de volta por causa do horário e eu lhe dei uma gratificação por ficar até tão tarde. Nós dois subimos as escadas com dificuldade, pois não queríamos tirar nossos lábios da pele um do outro, exceto quando chegasse a hora de nos livrar daquela roupa que a cada beijo, parecia menor, mais apertada e incomoda.
Caímos nus na espaçosa cama e repetimos uma e outra vez a nossa própria dança que sabíamos de cor. Edward me amou tão lentamente quanto a minha paciência lhe permitiu e fomos tomar uma ducha quando ficamos satisfeitos. Era para ter sido apenas um banho rápido, mas ele tornou muito difícil manter isso dessa forma quando começou a esfregar o sabonete líquido pelo meu corpo e então sua mão estava entre as minhas pernas, me massageando e deixando-me louca. Nós concordamos que não estávamos sujos o suficiente e mudamos essa situação tão rápido quando possível.
Era tarde da madrugada quando me encolhi em seus braços, sentindo os meus músculos me pedirem para ficar imóvel e confortável naquele lugar por pelo menos 10 horas seguidas. Adormeci curiosa para ver a cara de Tanya quando percebeu que Edward nunca teve intenção de estar no mesmo espaço que ela e passou a noite inteira comigo.
Com a sua mulher.
De: Edward Cullen +(630-842-3200)
Hora: 13:04 p.m.
“Baby, eu não acho que voltarei para casa. O nosso compromisso está de pé, deixe Helena saber disso. Eu me arrumarei aqui mesmo no escritório e o motorista estará pronto para leva-la às 20:00h. Eu te amo.”
— Nós vamos sair — Anuncio após bloquear o celular e colocar de volta na bolsa — Você me ajudará com o que vestir, certo? Jesus, eu provavelmente deveria ter comprado algo novo, mas isso de pagar tudo em euro está acabando com o meu bolso. — Gemi e Rose riu após retocar seu batom.
— O Cullen estaria mais do que satisfeito em te dar qualquer coisa que você precisasse, Bella, aposto que ele não sugeriu isso antes porque com todo esse trabalho, nem deve ter passado por sua cabeça — Afirmou e eu assenti concordando, mas me sentia mal em usar o dinheiro do Edward para qualquer coisa que não envolvesse o Heitor — Mas claro que eu vou te ajudar.
— Isso é bom porque eu não quero deixar óbvio que eu não pertenço ao meio dos milionários — Eu sabia que o meu namorado não se importaria se eu fosse usando um saco de lixo, desde que eu estivesse confortável, mas não queria fazer feio sabendo que nós estaríamos ao redor de muitas pessoas que, inclusive, praticamente o viram crescer — Acho que estamos chegando.
— Está sentindo esse cheiro? — Rose perguntou e eu levantei o nariz, tentando pegar alguma coisa, mas a minha janela um pouco aberta não me permitia, então a fechei — Talvez tenham esquecido alguma sobra de comida em algum lugar...
— Talvez você devesse checar a fralda do Heitor — Soltei a risada que estava prendendo quando vi o rapazinho em sua cadeira, quieto e concentrado demais para o meu gosto — Olha pra mim?
Ela assentiu e então logo estava passando entre os dois bancos e botando aquela bunda grande na minha cara. Rosalie sentou-se no banco de trás, passou o cinto e tirou Heitor do seu lugar. Fiz uma curva vendo no retrovisor lateral esquerdo, que Nicolas e o outro me seguiam. Eu sabia que atrás deles haviam mais três deles e lembrar o motivo do porquê de estarem todos ali me incomodava muito, então tratei de ocupar a minha cabeça com outra coisa.
Parei em frente a uma faixa de pedestres, onde um homem esperava com uma garotinha, com cerca de oito anos, para atravessar enquanto segurava sacolas de compras que pareciam pesadas. O homem me deu um sorriso quando puxou a criança pela mão e eu sorri de volta mesmo sem ter certeza de que ele seria capaz de ver.
— Ele pode ter sido um pouco sacana com nós duas aqui dentro, mas não há sinal de cocô. — Rosalie me informou com o bebê sentado no seu colo, segurando a chupeta.
— Sorte a nossa — Soltei uma risada e pisei no acelerador — Agora segure o meu filho direito.
— Como? Assim? — Ouvi-a brincar e olhei para o retrovisor acima da minha cabeça, vendo o reflexo dela prendendo o meu filho em um abraço apertado que o fez dar risada, mas antes que eu pudesse responder alguma coisa, o meu olho registrou um movimento rápido e inesperado à nossa direita.
Um carro preto e elegante surgiu do nada em alta velocidade passando exatamente na minha frente e quanto mais – em uma aterrorizante câmera lenta – o meu pé avançava no freio, mais parecia que ele nos atingiria de qualquer maneira. Minhas mãos apertaram o volante enquanto o meu coração parecia querer abrir espaço na garganta e saltar pra fora. O grito de Rosalie atingiu os meus ouvidos quando nossos corpos foram jogados para frente em meio a freada brusca e eu assisti com horror, a cadeira de Heitor saltar do banco em direção ao para-brisa, mas ela bateu contra as costas do assento do passageiro, chicoteou e caiu de volta no banco. Eu gritei mais alto ainda durante a cena e segundos depois, o meu cérebro lembrou-me que ele estava com Rose e não ali.
O veículo que por pouco não nos atingiu passou por nós quase roçando na dianteira do carro e não parou nem ao menos para saber se estávamos bem. Ouvi o choro de Heitor e lutei para soltar o meu cinto e chegar até ele o quanto antes. Pulei para fora ao mesmo tempo que os cinco seguranças me abordaram, eles fizeram perguntas e falaram alto, mas eu não os entendia. A porta foi escancarada e eu tomei o meu garoto dos braços de Rosalie, tocando-o por toda parte enquanto as lágrimas embaçavam a minha visão.
— Amor! Bebê, você está bem? Rosalie, ele está bem? — Eu acho que estava gritando e meio histérica, mas eu não conseguia bloquear as cenas horríveis que vinham na minha cabeça do que poderia ter acontecido com o meu filho.
Não. De jeito nenhum.
— Dói, mamãe — Ele choramingou em resposta e eu solucei perguntando aonde, porque não conseguia encontrar qualquer machucado e então sua mãozinha tocou a barriga — Aqui.
Levantei a camisa de Heitor e notei uma faixa vermelha na sua pele, abaixo do estômago, mas não era um machucado. Deveria ter sido do aperto que Rosalie lhe deu para segura-lo firme e logo a sensação ruim passaria. Graças a Deus. Eu o consolei enquanto tentava parar de tremer, ignorando as vozes questionando coisas ao meu redor e o fato que estávamos parados no meio da rua, bloqueando o caminho de alguns motoqueiros que precisavam contornar o carro para poderem seguir o seu caminho. Nada realmente me importava nesse momento.
— Você tem certeza disso?
— Sim, senhora. Eu verifiquei o carro antes de tira-lo da garagem. Joguei fora algumas embalagens vazias que estavam no painel e a cadeira estava perfeitamente presa.
— Se estivesse, não teria voado do banco, porra! — Rosalie gritou de volta. O segurança assentiu abaixando o olhar e franzindo a testa — Isso é inacreditável. Pra que diabos vocês são pagos?
— Rosalie... calma — Pedi com a voz ligeiramente trêmula. Estávamos todos estupefatos com o que acabara de acontecer e eu gostaria de obter uma explicação, mas não ia jogar a culpa no colo de ninguém ainda — Ray, você viu mesmo que ela estava realmente presa?
— Sim, senhora. Eu sou responsável e também sou pai. Jamais cometeria uma falha desse tipo que pudesse comprometer a vida de qualquer um de vocês, imagine de sua criança. — Ele respondeu parecendo profundamente sentido e eu não tive dúvidas de que ele estava honesto.
Nicolas e outro estavam conversando entre si sobre o motorista irresponsável que passou na nossa frente e parecia prestes a fazer uma segunda ligação quando eu gritei para ele parar. Se Edward fosse informado agora do que aconteceu, ele com certeza me faria voltar e me prenderia no sótão da casa pelo resto do mês! Enquanto os outros dois procuravam qualquer outra falha no nosso veículo, nós dois discutíamos sobre avisar ou não o meu namorado.
— Eu mesmo vou ligar para ele quando chegarmos na Alice, eu juro — Prometi cansada — Estaremos lá em 5 minutos! Eu não quero discutir com ele agora. Estou assustada e preciso cuidar do meu filho, então por favor, nos leve?
Ele tirou alguns segundos para pensar, mas assentiu de cara fechada e nos guiou para o segundo carro resmungando sobre como eu o faria perder o emprego a qualquer instante. Me sentei com Heitor no colo e Rose no banco de trás, ela trazia as nossas bolsas e os meninos assumiram o outro que eu realmente não queria entrar nunca mais. Fiquei conversando com Heitor durante o caminho tanto quanto ele quis, para me distrair da cena que continuava se repetindo em minha cabeça.
Nós chegamos em menos dos 5 minutos que estipulei. A casa era três vezes mais modesta que a dos Cullen, mas igualmente bonita e reservada. Era ideal para uma pequena família. Alice veio nos receber quase saltitando, mas sua animação foi cortada quando ela viu as nossas caras e percebeu de imediato que algo não estava certo. Ela nos convidou para entrar, pediu para que uma das empregadas servisse uma limonada para os rapazes lá fora e providenciasse chá de maçã para o resto de nós.
Nos acomodamos em sua sala de estar e lhe contamos sobre o susto que passamos momentos atrás. Eu já tinha parado de tremer e estava estranhamente calma, mas nada no mundo tiraria Heitor dos meus braços tão cedo. Eu queria sentir a sua pele macia, o cheiro de bebê e ouvi-lo rir despreocupado como sempre fazia.
Queria que ele esquecesse o que passamos o quanto antes.
— Mas que irresponsabilidade! Esse monstro podia... — Estremeceu fechando os olhos – Eu prefiro nem pensar! Eu sinto muito, Bella. Deve ter sido horrível, mas graças a Deus você foi rápida em evitar a batida.
— A cadeira não estava com defeito — Jasper murmurou parecendo intrigado. Ele tinha a filha no colo que brincava com a sua aliança de casamento ainda presa ao dedo — Com tudo o que está acontecendo, eu não duvido que alguém tenha desprendido ela.
— Você acha que isso seja possível? Que alguém dentro da nossa casa fez isso? — Perguntei alarmada. A ideia de algum dos funcionários poder sabotar os carros ou fazerem algo pior, fez o meu estômago gelar de forma drástica — Não, Jasper. Isso precisa ter alguma outra explicação...
— Calma, Bella, não foi isso que eu disse — Ele me acalmou sorrindo brevemente — Se o carro esteve do lado de fora esperando por vocês e não havia ninguém o supervisionando, qualquer um que estivesse por perto poderia ter tido acesso a ele, entende onde quero chegar?
Claro que eu entendia. Fazia mesmo todo o sentido. Não havia câmeras de segurança do lado de fora da propriedade, apenas dentro. Teria sido muito mais fácil encontrar o carteiro que esteve fazendo as entregas, se tivesse, mas nós conseguimos localiza-lo de qualquer maneira. Era um senhor que estaria se aposentando em três meses. Ele não fazia ideia do que estávamos falando e afirmou que ninguém o abordou para pedir qualquer favor. Seja lá quem estivesse fazendo essas coisas, parecia um fantasma. Aparecia e desaparecia quando era conveniente.
A bebida realmente demorou a fazer algum efeito. Eu estava preocupada e nervosa, mil coisas e possibilidades passavam pela minha cabeça, mas nada era coerente ou valia a pena ser dito em voz alta. Estava me fazendo bem conversar com Jasper e ouvir sua opinião sobre o que estava acontecendo. Ele era meio frio e analisava os fatos sem envolver suas emoções, coisa que eu estava lutando para fazer aqui. O fato da cadeira estar desprendida do banco quando afirmam que ela estava presa corretamente minutos antes, poderia ser um terrível mal-entendido, bem como... uma tentativa de homicídio.
Eu sentia vontade de vomitar e de abraçar Rosalie até sufoca-la quando pensava no quanto o meu bebê esteve mais protegido em seus braços do que naquela maldita cadeira que prometia mantê-lo a salvo de acidentes assim. Ela tentou arduamente tirar da minha mente, as imagens alternativas de como a nossa tarde poderia ter sido. Sangue. Policia. Hospital. Lágrimas.
Não.
Jasper também era contra a minha decisão de esconder isso do Edward até à noite, mas deixou escapar que hoje ele participaria de duas reuniões importantes e teria uma exposição para ir no começo da noite. Eu realmente não queria que ele ficasse preocupado quando estávamos bem. Nós teríamos tempo para conversar mais tarde, com calma, porque sabia que ele ficaria simplesmente louco por possivelmente, alguém ter atentado contra a vida do nosso filho. Eu estava com ele nessa. A ideia de ter o desgraçado na minha frente era... que Deus me ajude.
Oh, e sem falar que ele com certeza demitira alguém hoje.
— E ele estaria com razão. Você tem cinco seguranças na sua cola e mais alguns em casa. Eles são treinados e muito bem pagos para não deixar que nada aconteça com vocês. Provavelmente já estão esperando que algo assim aconteça — Jasper disse quando expus o meu temor — Vão se considerar sortudos porque nada grave aconteceu, do contrário, meu cunhado não sossegaria até tirar-lhes qualquer oportunidade de emprego que oferecesse esse tipo de segurança a alguém.
Quando a poeira realmente baixou e eu comecei a me sentir mais como eu mesma, decidi que enfrentaria fera e seu ataque. Liguei para Edward para lhe contar sobre o que tinha acontecido, mas mais uma vez a sua porcaria de celular estava dando desligado. Eu simplesmente deveria joga-lo fora. Liguei também para empresa, mas ele havia saído há menos de meia hora. Rose me convenceu a encarar o almoço na varanda, prometendo que tentaria entrar em contato com Emmett mais tarde, com sorte, os dois estariam juntos.
— Podemos mudar de assunto, por favor? Sabemos que isso será discutido à sério em algum momento mais tarde, mas agora está me deixando angustiada e eu não quero essa energia na minha casa. Eu sinto muito — Alice pediu choramingando como uma garotinha e eu sorri pequeno para ela. Ela tinha razão. Estávamos todos bem e em segurança agora, não valia a pena ficar remoendo a história se não tínhamos o que fazer a respeito no momento. Deveríamos ser gratos — Vocês vão para a festa do Sr. Cassar?
— Iremos — Confirmei e então mordi o interior da bochecha — Ao menos eu pretendia, agora não sei se há mais clima para isso. Se bem, que se não conseguir entrar em contato com o seu irmão até mais tarde, terei que falar com ele lá. E eu realmente deveria ter comprado alguma coisa, mas Edward não tem me deixado nem ir na calçada. Simplesmente fugiu da minha mente.
— Bem, eu entendo. Você provavelmente você não está no clima para lojas e butiques — Disse me testando e eu rapidamente assenti. Ela me olhou de cima abaixo bem devagar, me estudando e então riu batendo palmas — Eu já sei o que fazer! Venham, venham, vamos ao meu quarto.
Subi com Rosalie logo atrás da pequena mulher após deixar Heitor assistindo TV com a babá de Antonella de olho nos dois. Chegamos no andar de cima e me deparei com muitas cores quentes e alegres, simplesmente a cara da dona, bem como diversas fotos na parede de sua lua-de-mel.
— Onde eu coloquei? Onde eu... oh, aí está você! — Ouvimos a risada adorável de Alice que estava há alguns minutos dentro do seu closet, enquanto esperávamos pacientemente em um sofá confortável próximo à janela — Isso vai ficar incrível em você — Disse ao surgir com dois cabides nas mãos e algum tecido rosa pendurado — Eu comprei há uns 4 meses, mas não tive lugar para usar. Jasper também foi convidado para ir com os rapazes hoje, mas os dentes de Ella começaram a aparecer e eu prefiro ficar por perto. Está chatinha, sabe?
— O que você quis dizer com ‘rapazes’? — Rosalie perguntou desconfiada — Emmett também vai?
— Claro que sim. Ele não te contou? — A pequena respondeu não entendendo a raiva da loira.
— O filho da putazinho não me disse nada — Rosnou baixinho e nós duas rimos — Bem, ao que parece, você acabou de encontrar uma companhia, Bella. Eu não perco essa festa por nada.
Wow. Isso ia ser bom!
Eu sempre me sentia mais à vontade quando Rosalie estava comigo na maioria das ocasiões. Tendo em vista que ir ao aniversário de um homem que eu nunca vi na vida, não me deixava muito confortável quando eu já não estava muito empolgada, presenciar uma discussão acalorada dela com o Emm, tornaria tudo mais divertido.
Mas eu ainda estava em dúvida quanto a roupa.
— Você tem certeza? Eu não acho que isso vá caber em mim, Alice — Resmunguei segurando a saia. Era longa de cintura alta, que deveria ficar dois dedos cima do joelho e assim como a pequena blusa, era transparente em várias partes. Haveria um monte de pele à mostra — O seu irmão vai ficar puto comigo.
— Ele vai querer te foder até você desmaiar, isso sim — Disse com uma risada e eu engasguei — Deve ser um número menor que o seu e isso vai ser bom, porque uma vez que entrar, tudo ficará colado em você como uma segunda pele. Vai ficar tão sexy, Bella! Pode até acalma-lo e distrai-lo quando for conversar sobre tudo. Eu sou um gênio, de nada. — Ela sorriu largamente.
Eu parei de discutir quando o meu maxilar ficou dolorido e Rosalie se juntou a discussão para ficar contra a mim. Elas me fizeram vestir a roupa para ter certeza que nada daria errado e por algum milagre divino, eu consegui respirar e não ter os meus peitos amassados. Na verdade... as minhas pernas ficaram muito bem desenhadas sob o tecido e pelo tapa que ganhei na bunda, ela não deveria estar nada ruim também.
— Eu sempre quis uma irmã mais nova para poder vesti-la, mas mamãe disse que teve o suficiente com Edward e comigo — Alice suspirou parando em frente a um salão de beleza. Ela havia decidido que eu precisava dar um jeito no cabelo e fazer uma maquiagem mais chamativa para a noite de hoje — Mal posso esperar para a minha neném crescer e comprarmos abundâncias de roupas — Falou com ar de sonhadora e nós rimos saindo do carro — Cadê o cartão dele? Vamos lá deixar o meu irmão um pouco menos rico.
Estava apreensiva em usar o cartão de crédito que Edward me deu. Eu me recusei a saber o limite, se é que havia algum e prometi a mim mesma só usá-lo em casos de emergência. Alice disse que esse era um caso, então deixei-a com a palavra final, porque isso me deixava menos culpada. Eu sei que não deveria me sentir assim, a não ser que eu comprasse uma casa ou alguma cobertura, Edward sequer notaria a diferença da sua conta. Me senti muito ingênua ao acreditar que sairia daquele lugar apenas com uma escova de cabelo feita. Alice deu ordens pelas próximas horas para que tivéssemos manicure e pedicure a nossa disposição. Bem como uma dolorosa depilação, esfoliação, massagem e hidratação. Anoiteceu e ainda estávamos lá sendo tocadas, pintadas, puxadas até estarmos exatamente como ela desejou.
Voltei para a sua casa me sentindo muito bem. Estava leve, renovada e com a autoestima tão alta quanto possível. Talvez fosse a aparência. Eu realmente parecia uma outra pessoa e isso me deu ânimo para fingir que era e passar por esta noite sem despencar no choro.
Liguei para Helena para pedir que me estivesse em casa dentro de uma hora e todas nós fomos fazer um pequeno lanche antes de ir embora, naquele típico papo de mulher. Falando sobre outras mulheres. Neste caso, sobre as vagabundas que já tentaram cravar suas unhas em nossos homens. Apenas para rirmos e dissiparmos qualquer energia ruim. Eu não imaginava o quão engraçado seria Alice nos contando sobre o que fez para afastar do seu Jasper, uma colega de faculdade interesseira. Ela entrou no quarto da menina às 2 da manhã e cortou o cabelo da moça com uma navalha, deixando a arma do crime na cama sobre um bilhete que a alertava sobre ficar tão longe quanto possível do Whitlock.
O pobre rapaz não tinha ideia do porquê de a garota não querer mais nem cumprimenta-lo.
Em casa, nos arrumamos com pressa, agradecendo por não termos muito o que fazer, além de tomar banho, vestir a roupa e nos perfumar. Consegui um salto que combinasse com o que eu ia vestir e peguei uma bolsa emprestada. Pus algumas joias e me olhei no espelho. Oh, puta merda!
Eu era uma mulher gostosa.
Uma mulher gostosa morta, porque hoje Edward ficaria louco comigo por mais de um motivo.
— Cara, que lugar incrível! Tira uma foto minha, Bella? — Rosalie me deu o celular assim que pisamos na calçada da majestosa mansão. Ela estava iluminada como se um grande evento fosse acontecer ali e havia no mínimo 7 fotógrafos registrando cada pessoa surgia.
— Espere até chegarmos lá dentro. — Revirei os olhos e ela fez um biquinho antes de girar os calcanhares e seguir por onde os nossos seguranças estavam nos guiando. Senti-me constrangida quando vários flashes caíram em cima da gente, mas tentei não fazer feio e parecer ridícula, então posei sorrindo exatamente como vi uma senhora fazer segundos antes.
O aniversário estava acontecendo no terraço que era imenso e ele estava cheio com 5 ou 6, talvez mais, dezenas de pessoas conversando, bebendo e rindo. Havia balões prateados, brancos e dourados presos às arvores e alguns metalizados em forma de letra que juntos formavam a palavra “felicidades” e estavam pendurados na sacada. Garçons passavam por nós o tempo inteiro, parecendo todos iguais e concentrados, oferecendo bebidas e petiscos formidáveis para todos os gostos.
O meu pescoço estava doendo de tanto estica-lo tentando encontrar a figura de Edward em algum lugar, mas haviam muitos homens e eu não fazia ideia de como ele estava vestido esta noite. Peguei o meu primeiro drink e beberiquei acenando para casais e grupos educados que nos cumprimentavam com sorrisos sem ao menos nos conhecerem. Havia uma música popular na América tocando alto, mas longe o suficiente para que as pessoas pudessem conversar e logo me vi circulando mesas, bebendo e cantarolando.
Quanto mais andávamos, eu notava olhares curiosos em cima de nós e isso causou uma sensação estranha no meu corpo, porque a maioria eram masculinos. Eu não sabia se deveria me sentir lisonjeada ou incomodada com tanta atenção. Rose afirmou ter visto Emmett passando e eu lhe disse para dar uma olhada e que ficaria por aqui, esperando-a. Ela assentiu e eu caminhei até a piscina toda decorada com boias coloridas e bolas. Quem visse, pensaria que se tratava do aniversário de um sujeito de 22 anos e não 62.
— Isabella? — Pensei ter ouvido alguém me chamar. Esperei que o nome se repetisse pela segunda vez e então virei, procurando com os olhos o dono da voz.
Ah, cacete. Ainda mais essa.
— Olá. Boa noite — Cumprimentei o loiro que me olhava de cima à baixo com um sorriso malicioso e mal disfarçado nos lábios — James, certo?
— Boa noite, Isabella — Meu nome parecia apenas tão nojento na sua boca. Eu não gostava desse cara e não fazia ideia do porquê — Se me permite dizer, você está magnifica. Talvez pude...
— Será que você viu o Edward por aí? Nós viemos separados e eu gostaria de encontra-lo. — Cortei seu papo furado já ficando impaciente. Não havia chance de ficarmos de papinho e nos tornarmos amigos.
— Bem, sim. Estava com Emmett e Eleazar agora pouco. — Respondeu bebericando o seu whisky.
— A Denali veio?
Deus, não. Por favor, apenas não. Só dessa vez.
— Claro. Vocês devem se esbarrar por aí logo, afinal procuram o mesmo homem, certo? — Ele riu e terminou sua dose, colocando o copo em cima da bandeja esquecida — Quer dançar?
— É claro que não.
Saí andando furiosa e o deixei sozinho. Será que Edward sabia que ela estaria aqui? Será que eles estavam juntos agora? O ciúme esquentou o meu sangue e eu mal me dei conta de que estava sendo mal-educada ao empurrar algumas pessoas do meu caminho. Meus olhos percorreram toda aquela área e captaram o movimento de um cabelo arruivado sobre as cabeças. Me infiltrei no meio de um grupo de senhoras e o encontrei.
Ele estava me tirando o fôlego vestido daquele jeito tão elegante e charmoso.
Edward estava em uma mesa conversando animadamente com um senhor grisalho, que tinha uma ruiva alta atrás dele, com os braços em volta do seu pescoço. Ela poderia ser facilmente sua filha. Eleazar estava à sua direita, falando algo em seu ouvido e Emmett sentado do outro lado da mesa com Rosalie no colo, os dois estavam conversando através de sussurros e pareciam calmos. Eu quase fiquei desapontada em ter perdido o encontro dos dois.
Não sei por quanto tempo fiquei parada, interrompendo a conversa das senhoras, mas me senti quente por dentro quando Edward procurou algo na multidão e seus olhos pararam em mim. Sua boca abriu-se ligeiramente para a minha felicidade e diferente do mal-estar que me deu quando James me comeu com os olhos, eu me senti nua e pronta tendo os de Edward percorrendo cada centímetro do meu corpo. Rosalie acenou para mim e eu fiz as minhas pernas para se moverem.
Parecia que eu estava flutuando enquanto caminhava até a mesa. Acho que a bebida começou a fazer efeito e tendo o meu namorado praticamente querendo saltar sobre mim, fez com que eu me sentisse poderosa. Outros homens se aproximaram da mesa no mesmo instante que o ouvi murmurando um ‘com licença’ e vir na minha direção. Edward parecia um leão que acabara de ser solto da jaula vindo executar seu carcereiro, mas eu não me intimidei e sorri, jogando o meu cabelo em cachos para trás. Estava volumoso e atraiu sua atenção. O vi vacilar. Ficamos na frente um do outro e logo sua mão agarrou o meu braço e me puxou pra outra direção.
— Isabella, onde diabos você estava? Por que veio vestida desse jeito? — Ele parecia furioso quando me encostou no canto da parede. Um casal estava próximo a nós, saiu de cena.
— Eu não estou diferente de muita gente aqui, Edward — Respondi olhando em volta, vendo mulheres com suas roupas justas, outras com as costas totalmente nuas e isso quando não eram suas pernas — Quem te ouve, vai achar que não me queria aqui. — Fiz beicinho tentando enviar para longe o seu estresse desnecessário.
— Você sabe muito bem que não é nada disso, mas porra, olha essa merda que você está vestindo! Todos vão ficar olhando... — Ele sussurrava na minha cara, mas mais parecia estar gritando.
— O que só você pode tocar, amor — Falei encarando seus lábios e vi seu pomo-de-adão se mexer quando engoliu seco. Meus braços rodearam o seu pescoço — Eu não estou bonita?
— Doce Jesus — Ele gemeu fazendo uma caretinha adorável — Você está incrível, Bella. Eu pensei que o meu cérebro estivesse danificado quando te vi chegando, mal conseguia balbuciar uma desculpa para sair dali — Nós dois rimos, mas eu gemi quando suas mãos apalparam a minha bunda com força, me fazendo dar um pulinho — Eu só conseguia pensar em te levar para algum lugar privado da casa e te foder de roupa e tudo. Você está gostosa, baby.
Ele abafou o meu gemido quando nossos lábios se chocaram e eu não perdi tempo, enfiei a minha língua em sua boca, avida por sentir a dele. Esse homem não podia me dizer essas coisas vestido desse jeito, cheirando bem desse jeito e me tocando desse jeito. Eu queria devora-lo. Suas mãos apertaram mais a carne da minha bunda e então estávamos nos esfregando no canto da parede como dois adolescentes cheios de tesão numa festa de faculdade, até que algum estúpido do caralho tropeçou e esbarrou nas costas do Edward, derramando bebida em seu blazer.
Ele se desculpou enquanto prendia o riso e Edward foi compreensivo. Não era sua intenção discutir e mesmo que ele quisesse, o rapaz não estava em condições sequer de manter-se em pé sem ajuda da amiga. Eu beijei a sua bochecha e pisquei o olho enquanto ele colocava sua mão em minhas costas e me guiava para a mesa dos seus amigos, após entregar a peça para que o seu segurança desse um jeito, mas hesitei por um segundo quando notei uma presença a mais entre eles.
Tanya.
— Ela tem alguma alergia nos peitos que não pode cobri-los? — Perguntei com raiva e Edward engasgou com o começo de uma risada e apertou a minha cintura, me alertando de que já estávamos próximos demais para fazer esse tipo de comentário.
Observei com divertimento quando ela enrijeceu ao notar a minha presença e no quanto nós dois estávamos colados. Podia apostar que ela e seu decote vulgar acharam que estavam com sorte hoje e Edward ficaria aqui sozinho a noite toda. Ah, Denali, você não vai ter uma única chance de chegar perto do meu homem hoje, a não ser que deseje ser arrastada nesse chão.
— Mas que bela jovem você trouxe aqui, Edward. Como se chama? Eu não a conheço, porque jamais esqueceria um rosto desses. — O aniversariante sorriu para nós quando paramos à sua frente.
— Sou Isabella Swan, Sr. Cassar — Estirei a mão para cumprimenta-lo, ele a envolveu na sua e beijou-a demoradamente — Boa noite, senhores. Oh! Você está aí, Tanya. Sente-se melhor?
Ela me fuzilou com os olhos, optando por não me responder e cruzar os braços como uma criança birrenta faria, mas recebi um sorriso discreto de Eleazar. Tudo bem, isso estava ficando divertido. A mulher me olhava de cima abaixo, talvez surpresa por eu não estar me vestindo como uma mamãe hoje. Pois bem, cadela! Que tal isso?
— Igor Cassar, ao seu dispor, querida. Está acompanhada?
— Sim. Esta é a minha namorada e mãe do meu filho. — Edward respondeu por mim, puxando-me mais para perto e eu quis rir. Igor piscou confuso por um momento olhando de mim para Tanya, que parecia constrangida e então abriu um enorme sorriso, falando sobre como os Cullen estavam sempre com as melhores mulheres e nos desejou felicidades.
— Você! — Ralhei apontando para Rosalie que engoliu o seu champanhe com dificuldade — Ia ficar sentada aí enquanto eu estava te esperando? — Eu estava de frente para o casal com as mãos na cintura. James não teria me enchido a paciência se ela estivesse lá.
— Eu já ia busca-la, não seja dramática. — Ela revirou os olhos e riu para Edward atrás de mim, que tirava os cabelos do meu ombro direito e o beijava. Ele parecia muito confortável ali atrás.
O DJ decidiu nesse momento aumentar o volume da música. Essa não era conhecida, mas sem que eu percebesse, o meu quadril estava se movendo no ritmo dela. Edward atrás de mim, colocou as mãos na minha cintura e começou a mexer sutilmente junto comigo.
Deus, ele tirou a noite para me provocar. Eu não parava de imagina-lo nu. Nunca pensei que dançar coladinho assim fosse tão sensual e encheria a minha cabeça de pensamentos sacanas e pervertidos.
Há quanto tempo nós chegamos? Tudo bem ir para casa agora?
Eu segurava o cabelo de Edward na parte de trás e ele se esfregava na minha bunda. Dançávamos sem nos importar com nossos amigos sentados na mesa à frente e ele cantava a canção baixinho no meu ouvido quando não estava mordendo a minha orelha. Mas nossa bolha foi furada quando ele foi chamado por alguém não muito distante de nós. Girei entre os seus braços beijei-o lentamente, usando o corpo para cobrir as suas mãos que ajeitavam o... a... ereção nas calças.
Uma comida cheirosa começou a ser servida nas mesas próximas, então tomei uma das cadeiras para provar os pratos. As coisas nunca acabam bem para mim sempre que eu bebia de barriga vazia e eu precisava estar sóbria o suficiente para ter aquela conversa com Edward. A cada hora que se passava, eu ficava mais nervosa. E se ele simplesmente me mandasse embora? Eu morreria se ele se afastasse de nós para nos manter seguros. Eu precisava dele para ficar bem. Ele teria que respeitar a minha decisão quanto a ficar aqui. Não sairia daquela casa até que pudéssemos voltar juntos, livre de quaisquer fantasmas que estejam nos assombrando no momento.
Sim. Eu faria isso acontecer.
Um garçom bonitinho de olhos claros serviu-me algo que eu não consegui identificar, mas pelo gosto, parecia ser pato confitado com chutney de maçã e estava tão bom que fiquei tentada a repetir. Meu apetite havia aumentado desde que cheguei em Atenas e assim como Rosalie, era provável que tivesse engordado uns bons quilos com a Maísa cozinhando como se um batalhão vivesse ali e nós ainda beliscávamos coisas na rua sempre que podíamos passear e visitar lugares. Edward sentou-se ao meu lado durante a refeição e tentou nos dar atenção, mas sempre aparecia algum para cumprimenta-lo, bajula-lo e as mulheres não se intimidavam em vir perguntar exatamente quem eu era.
Para: Charlie Swan +(630-616-2408)
Hora: 21:27 p.m.
“Você mataria para obter esse molho. Acredite. Mande um beijo para a mamãe. Te amo.”
Enviei para o meu pai com uma foto do prato anexada.
E então tive uma ideia que poderia dar certo e beneficiar a nós dois. Entrei na cozinha assim que acabei a sobremesa – um pudim quente e minúsculo – e falei com o chefe, deixando-o saber o quanto havia apreciado a sua comida. Ou ao menos tentei, porque ele só sabia grego e um pouco de italiano, mas como o meu estava enferrujado, ele não entendeu mais do que algumas palavras. Obtive ajuda de uma senhora e consegui a receita escrita. Agradeci ambos com um forte abraço e fiquei feliz porque sabia que ao menos Charlie entenderia tudo o que estava no papel. Ia adorar comer isso novamente quando os visitasse em Atlanta.
Eu sentia muito a falta deles. E do meu Eric e sua namorada.
Liguei para Helena na volta e pude respirar mais tranquila quando soube que Heitor acabara de adormecer, mas estranhei quando me disse que Edward havia ligado para casa minutos antes. Usei o banheiro rapidamente, uma vez que havia duas mulheres do lado de fora batendo na porta. Só tive tempo de conferir a minha aparência da cintura para cima e saí, dando lugar para uma delas, que se contorcia de tão apertada. Essa área estava mais cheia e momentaneamente me senti um pouco perdida sem saber para qual direção ficava a nossa mesa. Girei de um lado para o outro, tentando ver através das pessoas e amaldiçoei Igor ter uma casa tão estupidamente grande. Nem a mansão dos Cullen era tão espaçosa!
Resolvi arriscar e perseguir uma moça, vestida semelhante aos garçons – exceto por seu traje ser mais curto e colado – que empurrava um carrinho com uma bandeja cheia de garrafas, que iam desde o rum ao gin. Tomei um baita susto quando uma mão prendeu o meu braço, me fazendo parar no lugar e a raiva esquentou o meu rosto quando vi que se tratava de James me chamando para dançar outra vez.
O que há com essa gente me abordando depois que eu faço xixi?
Forcei o meu corpo a se afastar do dele e caminhei entre as pessoas depois de deixar claro outra vez que não estava interessada em merda alguma com ele.
— Vamos, Isabella, não faça assim. Você está um pecado hoje. — Minha nuca se arrepiou ao perceber que ele havia me seguido. Eu grunhi irritada e arranhei sua mão quando o senti atrás de mim e tocando a minha coxa. Mas que cara abusado! O que diabos ele está pensando?
— Inferno, eu já disse não! Será que o whisky corroeu o seu maldito cérebro? — Ele sorriu e tentou me beijar, mas fui mais rápida e virei o rosto de lado na hora — James, tire suas mãos de mim ou você terá a sua bunda estúpida demitida em dois tempos! — Ameacei e empurrei o seu peito tentando me soltar do abraço, mas ele só riu e me apertou mais.
Diabos. Com Tanya foi tão mais fácil.
— Rapaz, eu acho que a senhorita disse não. — Ouvi uma voz vir atrás de James e inclinei o rosto para ver um homem que estava com o celular no ouvido, o cenho franzido e uma mão apertando sutilmente o ombro dele.
Graças a Deus.
— Por que você não experimenta cuidar da sua vida?
— Isabella, eu quero falar com você — Ouvi a voz dura de Edward atrás de mim e tentei ir até ele, mas a mão no meu pulso apertou e machucou, me fazendo gemer — O que... Tire a porra das suas mãos da minha mulher! — Edward rosnou furioso e entrou entre nós dois, empurrando-me para o lado e eu cai contra Rosalie que já estava ao redor com Emmett e outras pessoas assistindo a discussão.
James tentou falar alguma coisa, mas foi interrompido pelo punho do meu namorado acertando em cheio o seu nariz. Nós ouvimos um barulho e estremeci com a ideia do nariz dele ter sido quebrado. Ele cambaleou para trás, gemendo de dor, mas Edward não parou e foi para cima. Eu gritei para ele que já chega e quis chegar perto, mas se eu tentasse, poderia me machucar. Rosalie segurou o meu braço para me lembrar disso e eu implorei que Emmett interviesse.
Todos em volta estavam chocados e abriram um círculo ao nosso redor. Eu temia que registrassem a briga e amanhã ele estivesse nos jornais. Edward não precisava de mais isso para se preocupar. Inferno, por que eu sempre me metia nessas coisas? Emm levou uma cotovelada nas costelas, fez uma careta, mas não desistiu até tirar um de cima do outro e o meu coração afundou quando eu vi o sangue no canto da boca de Edward. Onde ele havia se machucado mais?
— Bella, está tudo bem com você? — Rosalie me puxou dos meus devaneios. Virei para ela e assenti passando os dedos vagarosamente sobre onde a mão de James apertou. Notei o burburinho a nossa volta, pessoas rindo, apontando e sussurrando, mas não consegui encontrar nenhum dos homens. Pra onde diabos foram todos? — Ele foi se limpar no banheiro. Vamos sair daqui. O que foi que aconteceu, afinal?
Nós nos apressamos para nos livrar daqueles olhares estranhos e eu fui lhe contando o que tinha ido fazer até que aquele filho da puta apareceu alcoolizado achando que podia passar a mão em mim. Encontrei um coquetel intacto sobre uma mesa desocupada e peguei o copo, empurrando todo o liquido para dentro em poucos goles depois de cheira-lo. Rose brigou comigo e me ofereceu água, essa eu só tomei um pouquinho, mas estava me sentindo mais calma.
Meus olhos avistaram a figura do Edward se aproximando com um saquinho de gelo sobre o lábio. Sua expressão me fez estremecer, um homem tentava falar com ele enquanto ele vinha na minha direção com passos rápidos e Emmett em seu encalço, sorrindo como se algo o tivesse divertido muito. Não passou despercebido que James não estava nas proximidades.
Oh, merda. O que eles fizeram com o cara?
— Vamos embora — Anunciou tirando o corpo da minha mão sem muita delicadeza. Seu olhar para mim era frio e seus bonitos lábios formavam uma linha fina — Nicolas já está com carro pronto e nos esperando.
— Espere! — Pedi quando ele agarrou a minha mão e saiu me arrastando, enquanto Rosalie ficava para trás me chamando — Por que você está com raiva assim? É a dor?
— Eu não estou menos do que furioso, Isabella — Sua voz perigosamente baixa fez arrepios correrem soltos pelo meu corpo, mas não eram nada bons — E é com você.
O que? Não! Por que? Eu não tive culpa alguma.
Estávamos andando tão rápido que eu me assustei quando nos vi rodeados de homens em seus ternos pretos. Eram seus seguranças, nos mostrando qual caminho deveríamos pegar e ele caminhou em direção a uma porta por onde acabara de passar uma mulher carregando dois sacos de lixo grandes. Deduzi que iríamos para os fundos da casa onde provavelmente nenhum fotografo enxerido estaria por lá.
Apesar de chateado, Edward me ajudou a descer a rampa da calçada para que eu não torcesse o pé. Ouvi o motorista ligar o carro e Nicolas já estava segurando a porta para que pudéssemos entrar. Sua postura estava totalmente diferente da de hoje à tarde. Ele sempre ficava mais descontraído quando estava longe do patrão e apenas na minha presença, mas algo havia mudado. Não sorriu ou me olhou quando passei e isso me fez estreitar os olhos. Que bicho mordeu ele também?
— Amor, você pode me ouvir só um pouco? — Perguntei assim que sentei no banco de trás e Edward entrou para ficar ao meu lado — O James esteve atrás de mim desde que cheguei na festa, mas eu não lhe dei qualquer atenção e...
— Poupe o seu fôlego — Ele me cortou naquele mesmo tom que fazia o meu estômago gelar — Eu não estou com raiva apenas por causa do James e esta roupa transparente do caralho que fez cada sujeito torcer o pescoço para assistir você caminhar! — Sua voz aumentou e vi as mãos se fecharem em punhos sobre as coxas. Engoli e assenti. Ok... — Eu tive uma conversinha com Nicolas sobre a tarde de hoje. Será que você esqueceu de me contar alguma coisa ou ficou louca de vez, Isabella? — Gritou me assustando de verdade.
Oh, merda. Era isso!
O cara deu com a língua nos dentes e não podia ter escolhido momento pior. Estava mais do que claro que eu não pertencia a esses eventos, o meu azar esteve tentando me alertar desde o aborrecimento pelo qual passei quando a sede da Cullen foi inaugurada na minha cidade. Senti um pequeno calor inconveniente entre as pernas lembrando de como aquela noite acabou e cogitei por um momento a possibilidade de repetirmos aquilo quando voltássemos para casa, mas Edward não parecia no humor para isso. Definitivamente não.
Ele estava com ciúmes, machucado, preocupado com o Heitor e irritado por eu ter faltado com a minha palavra em manter contato. Ele não me tocaria hoje e a culpa era toda minha. Eu também não deveria estar no clima, mas eu o queria. Eu sempre queria...
Por que diabos eu não ficava em casa vendo TV e cuidando do meu filho como uma pessoa comum faria? Estava sempre arrumando problemas para nós dois. Nenhum filho da puta teria tentando nos machucar se eu tivesse simplesmente acatado o seu pedido e ficado onde era seguro.
Suspiro começando a me sentir culpada.
Afundo no banco, em silencio, enquanto aceleravam o carro e eu via pelas janelas as coisas surgindo e sumindo com a mesma rapidez. E enquanto pensava em algo para usar ao meu favor e amansar a fúria de Edward, desejava que morássemos um pouquinho mais longe.
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