Odisséia Grega
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Os dias passaram e na última semana de abril, eu estava eufórica com o casamento de Renata. Não tinha grandes responsabilidades, apenas arranjar um vestido, pois a roupinha elegante para Heitor e o presente, eu já tinha em mãos. A noite dos Cullen em minha casa foi tão adorável que repetimos a dose, dessa vez no apartamento de Rosalie. Eram os últimos dias de Alice, Jasper e sua garotinha na cidade, então fizemos uma pequena reunião no final de semana. Eu aproveitei que estávamos todos ali para lhes mostrar um dos álbuns de fotografias que tinha de Heitor. Esme deu gritinhos de excitação ao ver cada detalhe do primeiro ano de vida dele, completamente apaixonada. Ela era uma mulher fantástica. Criou o filho da irmã que tanto a odiava e transformou-o em um homem incrível. Eu gostaria de ter esse dom com o meu garoto também.
Todos comentaram outra vez da semelhança gritante entre os meus rapazes, me fazendo gemer de desgosto. Heitor me daria cabelos brancos ainda na adolescência. Garotas, encontros... argh!
Edward e Carlisle observaram a cada coisa que ele fazia como quem assistia ao lançamento do Apollo 11 e o garoto estava amando ser o centro das atenções, mas exatamente como da outra vez, assim que ele pôs os olhos em Antonella, todo o resto ficou de lado. Tínhamos que segura-lo o tempo todo, pois sua animação podia machucar a pequena. Ele queria segurar seu rostinho e morder, como fazia comigo para antes coçar a sua gengiva, mas que agora era apenas um habito doloroso. Ele chorou bastante chamando por Ella quando Jasper e Alice se despediram e os obriguei a prometerem que nos visitariam em breve, pelo bem da minha própria sanidade porque alguém aqui estava apaixonado.
Na Kara, foram jogados para mim mais alguns contratos novos e outros trabalhos para fazer. Um rapaz havia sido transferido, uma mulher entrou em licença maternidade, outra tirou férias e dois sujeitos foram dispensados. Estávamos sentindo o peso da ausência desse pessoal nas nossas costas, então tivemos que dar uma olhada em alguns currículos deixados lá durante os últimos meses.
Três dias depois contratamos Christian Berger.
O homem era charmoso como aqueles atores de novela mexicana. Tinha a pele branca bronzeada e os olhos bem azuis puxadinhos nas pontas. O corpo bem forte, semelhante ao de Emmett, mas não chegava a tanto e era simpático demais para o seu próprio bem. Realmente tentador, preciso admitir. As garotas fizeram um tremendo burburinho quando ele surgiu, mas o cara não demonstrou interesse por nada além do trabalho.
E foi por isso que nos demos bem logo de cara. Ele não demorou a pegar o ritmo das coisas na empresa e nesse meio tempo nos tornamos bons colegas. Era maravilhoso ter contato com alguém que fosse bom de olhar, mas que não estivesse desesperado pra entrar nas minhas calças. Nos nossos almoços, eu descobri que Christian era filho único como eu, era natural de Tennessee e achou graça por moramos tão perto por boa parte de nossas vidas. Ele tinha 29 anos e acabara de terminar um noivado de longos 4 anos. Apesar de ainda apaixonado por Alisson, Christian parecia feliz e disposto a recomeçar a sua vida, se a moça não voltasse atrás em suas questões – absurdas, de acordo com ele.
De: Edward Cullen +(630-842-3200)
Hora: 13:05 p.m.
“Cheguei de viagem hoje bem cedo. Estou morrendo de saudades. Tudo bem ir até o apartamento mais tarde, certo? Tenho tudo acertado para registrarmos o Heitor.”
Meu celular apitou enquanto eu mordia o meu sanduíche de frango no pão sírio. Peguei o aparelho fazendo careta para o barulho que Christian fazia ao sugar com força as últimas gotas de suco no copo. Aquilo me deixava louca de raiva, mas nada tiraria o sorriso do meu rosto ao ver que Edward tinha voltado. Quatro dias sem falar com ele ou ouvir sua voz. Tudo bem, nós conversamos por mensagens, mas não era a mesma coisa. E ele queria dar seu sobrenome ao Heitor.
Eu adiei a data tanto quanto pude por achar que tudo estava indo rápido demais. Tudo ficava tão real dessa forma. Mas é óbvio que eu não me oporia por muito mais tempo, sabia que ele ficaria no sétimo céu tendo o filho finalmente carregando seu nome e além de dever isso a ele, a ideia de Heitor tornar-se um Cullen no papel me agradava.
Para: Edward Cullen +(630-842-3200)
Hora: 13:11 p.m.
“Mas é claro! Você pode levar alguma comida? Não acho que vá chegar a tempo de preparar algo decente. Podemos ver um filme depois. Te vejo mais tarde.”
Nós ainda não havíamos saído do 0x0, a não ser que alguns beijos ocasionais – sem envolver a língua – devessem ser considerados. Desde aquele jantar, estávamos excessivamente comunicativos e carinhosos um com outro. Ambos sabíamos que em algum momento ficaríamos juntos, mas ainda estávamos indo devagar. Eu confesso que fiquei magoada no início, achei que ele já não tinha o mesmo interesse em mim, porém era uma suposição ridícula de acordo com Esme. Ela lembrou-me que agora mal conseguia vê-lo, uma vez que ele estava sempre trabalhando ou conosco, mas estava vibrando de felicidade tendo-o amável e bem-humorado.
Então conversamos. Nós falamos a respeito daquilo ao invés de tirarmos conclusões precipitadas e nos afastarmos outra vez. Edward disse que no passado, nós pulamos algumas etapas e apesar de termos convivido bem e sermos pais da mesma criança, ele gostaria de me conhecer melhor como pretendia em Atenas se tivesse feito escolhas diferentes.
Eu estava bem com isso. Achei gentil e atencioso de sua parte querer me cortejar, como diria o meu pai, antes de irmos paras as partes mais... prazerosas do namoro. Não colocamos títulos no que estávamos construindo porque eu me sentia meio ridícula sendo pedida em namoro naquela altura do campeonato e Edward dava a entender que só aquilo não era o suficiente.
Isso me deixava confusa e temerosa pra caramba.
— Então ao estacionar em frente a garagem, eu percebi que o meu lixo estava todo revirado. Fiquei cego de raiva na hora, mas depois pensei que poderia ser alguém precisando de ajuda, com fome ou qualquer coisa assim, certo? — Chris perguntou pra nós duas, Peyton e eu.
— Imagino a sua surpresa ao encontrar aquele pequeno saco de pulgas. — Falei brincando, pois já sabia da história do cachorro que ele havia encontrado no início da semana.
— Calada, Isabella! — Ralhou — Então eu sai para arrumar tudo que estava espalhado e fuçando em algumas sacolas estava uma coisa pequena e preta — Peyton arregalou os olhos de medo ignorando totalmente o fato de eu ter dito que era um cachorro — Era um filhote de Border Collie e foi amor à primeira vista! — Ele riu e nos mostrou uma foto dele em seu celular — Não tinha coleira, mas estava com uma das patas traseiras machucada. Eu perguntei na vizinhança se alguém tinha perdido um daquele e como ninguém se manifestou, o levei ao veterinário e fiquei pra mim.
— Ah, deve ser reconfortante voltar para casa todos os dias sabendo que aquela criaturinha linda está nos esperando ansiosamente. Eu tenho uma gata, sabe, mas ela não dá a mínima pra mim... só serve pra comer e encher o meu sofá de pelos. — Peyton queixou-se com sua voz de menina.
— Eu tenho vontade de adotar. Heitor fica maluco quando encontra algum cãozinho na rua, seria muito divertido ter um em casa, mas acho o apartamento pequeno pra nós três, então por enquanto isso está vetado. — Disse batendo algumas pastas na mesa para acertar os papeis e entreguei para Abigail, uma senhora agradabilíssima que trabalhava com a gente.
O resto do dia passou rápido, com muito serviço, mas sem dores de cabeça. Respondi alguns e-mails de Renée que continham fotos do final de semana dela com o papai e seus amigos no Callaway Gardens. Tive dificuldade de engolir a minha inveja, porque sempre quis conhecer aquele resort. Era absolutamente encantador, com 12 lagos, jardins incríveis e cabanas charmosas. Ri bastante dos flagras que ela fez de Charlie se arriscando e falhando no golfe. Suas amigas fora do peso tomando sol na praia já não foi uma imagem tão divertida assim.
Após o expediente, eu liguei para Jacob para saber sobre os resultados da fisioterapia. Ele me contou que o seu médico havia informado que apesar de não poder recuperar os movimentos das pernas, ele tinha grandes chances de conseguir 20 a 30% de sensibilidade da cintura pra baixo, se fizesse os tratamentos e se esforçasse. Fiquei exultante com a notícia, porque isso era muito pra quem não tinha nada. Jake também estava indo a uma psicóloga duas vezes por semana e ela estava fazendo milagres com sua autoestima. Eu entendi que ele passou a se sentir menos homem depois do acidente, quando a cadela o deixou e por não ter ideia se o seu... companheiro, funcionaria como antes. Eu acho que as respostas foram positivas, pois ele estava simpático e fazendo piada de tudo, apenas ligeiramente preocupado com sua situação financeira.
Já passava um pouco da minha hora quando encontrei com Chris no estacionamento, ele já estava de saída, mas parou quando eu gritei para que me esperasse.
— Você pode, por favor, me dar uma carona? Eu preciso pegar o vestido do casamento na lavanderia. Acredita que no dia em que trouxe da loja, Heitor derramou suco por todo o busto? — Gemi com a lembrança do pano sobre a cama, todo roxo onde só deveria haver amarelo — O meu carro ficou com a Rosalie e claro, eu posso pegar um...
— Isabella, calma! Respira — Ele riu do meu estado esbaforido e eu lhe dei um sorriso sem graça respirando pela primeira vez desde que vim correndo — Entra aí, claro que te dou uma carona.
Bati a porta para fecha-la e lhe dei o endereço da lavanderia. Não ficava muito perto de onde eu morava e os proprietários cobravam o olho da cara por qualquer coisa, um verdadeiro absurdo que só vale a pena porque eles realmente tiravam qualquer tipo de mancha das roupas. Eu recebia as peças parecendo que nunca foram usadas.
— Alisson ligou. Ela quer me encontrar para um jantar. — Ele anunciou enquanto eu enfiava as roupas no banco de trás com cuidado para não amassar o vestido.
— Sério? Isso é ótimo. Você acha que ela mudou de ideia e quer voltar? — Perguntei sorrindo.
— Eu realmente espero que sim, do contrário, você vai ter que providenciar uma ordem de restrição contra mim. — Respondeu sorrindo de volta e piscou, me deixando sem resposta.
O que ele quis dizer com isso? Que ele tentaria algo comigo? Era só o que me faltava! Não que em outro momento, isso seria realmente ruim, Christian era um sujeito ótimo e bonito, mas Edward estava aqui agora. Infelizmente, todos ainda me consideram disponível por estar há tanto tempo só e esse tipo de coisa continua acontecendo. Merda. Ouvi uma buzina e me assustei. Olhei em volta e percebi que ele já estava parando o carro. Christian desceu para me ajudar com as roupas e eu agradeci com um abraço, pedindo desculpas por atrasa-lo para o seu jantar e desejando-lhe sorte, então ouvimos um pigarro bem atrás de mim. Eu me virei e vi um Edward de braços cruzados com cara de pouquíssimos amigos.
Oh, porra. De novo não.
— Agora eu tenho mesmo que ir, certo? Se precisar de carona amanhã de manhã, me liga. — Christian sorriu me dando um beijo na bochecha e deu a volta no carro sem esperar por uma resposta. Olhei para o Edward e ele levantou uma de suas sobrancelhas grossas para mim. Não parecia nada satisfeito.
— Oi! — Cumprimentei meio hesitante e ele apenas me olhou, então arriscando a minha sorte, fiquei nas pontas dos pés e pressionei os meus lábios nos dele — Foi tudo bem em New Jersey? — Perguntei com simpatia, mas ele apenas assentiu, passando o braço em volta de mim, me puxando enquanto ouvíamos os pneus cantarem — Edward, vamos lá, pare com isso! Eu senti a sua falta. — Tentei outra vez e vi seu rosto suavizar um pouco. Foi então a sua vez de se inclinar para beijar-me na boca repetidas vezes, enquanto nos guiava para dentro, rumo ao elevador.
— Papapa papai! — Heitor gritou quando viu Edward em nossa sala. Eu não consegui não sorrir. Lá estava o meu menino batendo palmas todo alegre enquanto corria desajeitadamente lindo até o pai que tinha um sorriso imenso no rosto. Ele agachou e pegou o menino no colo, para fazer cócegas e lhe arrancar altas risadas em seguida.
— Ninguém sentiu falta da mamãe hoje? — Perguntei me aproximando com um bico falso nos lábios, fingindo magoa. Heitor ficou louco quando me viu chegando perto e saltou nos braços do pai, que se não o tivesse apertado, teria caído no chão — Oi, amor! — Beijei seu bracinho gordo sentindo o cheirinho de bebê e do sabonete líquido. Inclinei o rosto para beija-lo na bochecha, mas Heitor foi mais rápido e virou o rosto, mordendo o meu nariz e me deixando babada. Edward gargalhou ao meu lado.
— Não esquenta, filho. O papai vai te ensinar a beijar muito bem — Ele disse e sorriu lindamente pra mim, me deixando desarmada por um momento. Deus, ele era tão bonito — Ei! O que foi? — Reclamou quando lhe golpeei no braço sobre o papinho dos dois — Mamãe é ciumenta, Heitor. O quão irônico é isso?
Revirei os meus olhos para o seu deboche, cheirei a testa do meu garoto e fui guardar minhas coisas. Liberei Bree por hoje após lhe pagar por algumas despesas extras que teve nessa semana e deixei aqueles dois à sós para servir a comida que Edward havia trazido com ele.
— Seu carro está com defeito? — Perguntou como não quer nada enquanto eu lavava a louça do jantar e ele limpava a mesa da cozinha — Eu lembro dele ter voltado da revisão em perfeitas condições e então aquele sujeito te deu e ofereceu carona...
— O de Rosalie está. Ela precisava ir trabalhar e tinha uma palestra para participar ou algo assim em uma universidade após o almoço, achei que seria mais conveniente ficar com o meu do que ficar dependendo de táxi. O Christian só estava me fazendo um favor, Edward. Nada além disso. — Justifiquei dando de ombros.
— Ah... o Christian. Tem algo sobre o Christian que eu deva saber? — Questionou com a voz fria outra vez e eu mordi o lábio para não rir daquela bobagem. Eu não seria estúpida de aceitar carona de um cara com quem eu tenha ficado, quando estou envolvida com outro. Ele era tão bobo às vezes — Você dormiu com ele? Porque ele certamente quer repetir a dose. Eu vi!
Um prato escorregou no exato momento em que me distrai com a pergunta descabida, quebrando na pia e cortando a palma da minha mão. Gritei de susto quando vi o sangue começar a surgir.
— Merda, Isabella. Vem aqui! Deixe-me ver — Ele me puxou com delicadeza e checou o corte. Seu rosto era pura agonia, mas não parecia realmente grande coisa — Eu não queria que você se machucasse. — Diabos, eu sabia disso, mas me assustei. Não esperava que ele fosse explodir de ciúmes dessa maneira.
— Por que você insinuaria algo assim? — Perguntei. Ele fez uma careta parecendo irritado consigo mesmo e me levou de volta para a pia — Não é da sua conta com quem eu durmo ou não, mas você pensa mesmo que eu vou pra cama com o primeiro cara que me presta uma gentileza? — Lavamos o corte e a água fria pinicava sem parar a carne sensível.
— Claro que não, baby — Ele gemeu beijando a minha testa — Eu apenas vi o jeito que ele te olhava. Porra, Bella. Há anos eu não vejo caras te rodeando dessa maneira. O ciúme subiu à cabeça e então...
Heitor apareceu na cozinha choramingando meio confuso e Edward foi ajuda-lo. Ele perguntou baixinho para mim onde ficava o kit de primeiros socorros e voltou 5 minutos depois. Não precisaria de pontos, então ele mesmo resolveu com o que tínhamos em casa, o que foi ótimo. Estava cansada demais para enfrentar uma emergência de hospital ainda essa noite.
— Eu sinto muito — Ele disse respirando no meu cabelo. Continuei de cabeça baixa, então ele me pegou com cuidado e botou-me sentada na mesa, abriu as minhas pernas e encaixou-se entre elas — Sei que fui estúpido, mas pode me perdoar? Eu estava morrendo de vontade de você e então encontro aquele cara te comendo com os olhos e beijando o seu rosto. Fiquei louco com a possibilidade de ele ter tido você, Bella. — Ele gemeu agoniado e eu enterrei meu rosto no seu peitoral para esconder a minha risada.
O meu grego estava apenas sendo ciumento e sentindo-se ameaçado, como eu ficaria se o visse com qualquer outra. Talvez eu devesse acalmar o seu coração e dizer que só conhecia Christian há poucos dias, mas... não.
Ele merecia viver com aquela dúvida um pouco por ter sido grosseiro. Sorri quando me abraçou gostoso murmurando pedidos de desculpas no meu cabelo e fazendo carinho, então nós ficamos assim por um bom tempo, sem falar nada, apenas juntos e aproveitando o momento.
Depois de um tempo, a sua respiração e os carinhos nas minhas costas começaram a causar outro tipo de efeito em mim. Respirei fundo e tomando a decisão por nós dois, ergui a cabeça e o beijei na boca. Ele parou surpreso por um instante, mas não demorou a reagir.
Foi Edward quem aprofundou o beijo e enfiou a língua macia na minha boca a procura da minha, me levando do inferno ao céu em alguns instantes. Passei os braços ao redor do seu pescoço e entrelacei os dedos no cabelo dele, que continuavam sedosos como sempre. Puxei e senti o seu gemido vibrar contra os meus lábios. Nossa química continuava lá mais forte do que nunca e a prova disso eram os suspiros, os toques possessivos e meio desesperados em meio ao beijo. Um bom pra caramba, diga-se de passagem. Meu corpo estava quente e eu mal podia acreditar que há anos não sentia aqueles lábios se movendo contra os meus daquela maneira sensual.
Eu jamais me contaria com menos de novo.
Ele apertou o meu corpo como se não fosse soltar nunca mais e eu mordi o seu lábio inferior, para chupar depois. Edward rosnou e veio mais pra cima de mim, o atrito das nossas calças jeans era gostoso, mas eu realmente, realmente preferia estar vestindo outra coisa. Eu não sei se era por causa do tempo que fui privada disso ou porque era com ele, mas se a minha mão não tivesse doído ao apertar a sua nuca, eu teria devorado o homem ali mesmo.
Edward ficou com a testa encostada na minha para recuperar o fôlego e de vez em quando deixava um ou dois beijos ali. Senti vontade de leva-lo para minha cama e apenas deitar ali com ele, beija-lo por umas boas três horas até não aguentar mais de cansaço, mas o riso alto de Heitor quebrou o encanto.
— Você está perdoado, Cullen, apenas não aja mais daquele jeito, tudo bem?
— Sim, bem, talvez você poderia fazer o favor de deixar aquele cara saber que você já tem dono? — Ele questionou quando desci da mesa com cuidado e apesar de prestar atenção aos meus movimentos com preocupação, a raiva estava estampada em seu rosto.
— Desculpe, dono? — Perguntei engasgando com a risada e percebi que ele falava sério — Eu não acho que esse seja o termo, Edward. Ninguém manda em mim. Que tal companheiro?
— Companheiro? — Olhou-me incrédulo — Isabella, você é minha e nada menos que isso, se...
Heitor gritou outra vez assustando a nós dois e ambos decidimos que o assunto estava encerrado até encontrarmos aquela criança. O negócio era que o menino tinha ligado a TV da sala sozinho e nela passava o anuncio de uma trituradora de alimentos. O rapaz enfiava uma cenoura na abertura, empurrava e o negócio saia em centenas de pedacinhos, fazendo Heitor rir alto como se fosse a coisa mais legal do mundo. O que faz os pais babões rirem junto, é claro.
Edward recolheu os brinquedos, levou-os de volta para o quarto e depois perguntou se podia dar banho no menino, para que eu não usasse a mão desnecessariamente e eu acabei aceitando porque estava realmente dolorido. Eu poderia me machucar sem querer naquela tarefa.
Heitor estava no paraíso e o banheiro inundado. Na banheira quase já não havia espuma, a água estava ficando cada vez mais fria, mas ele não queira sair de lá, agitava os braços se eu ou o pai tentasse tira-lo. Meus homenzinhos que eram melhores amigos e cúmplices, deram um jeito de me expulsar dali para ganharem mais tempo e eu os deixei para ir buscar alguns panos de chão pra limpar aquela bagunça antes que causasse um acidente.
O ruivinho chutava as perninhas pra cima, contente enquanto Edward o enxugava com a toalha. O sorriso do homem parecia que ia lhe partir a cara a qualquer momento. Notei que o bebê começou a demonstrar estar com sono, bocejando diversas vezes depois de todo arrumadinho e só foi preciso balança-lo nos braços algumas vezes, ele logo estava ressonando.
Eu tomei um banho rápido para aliviar o calor anterior e me livrei do suor do dia de trabalho. Depois de colocar um pijama e dar um jeito no cabelo, encontrei Edward no sofá finalizando uma ligação. Meu sorriso não foi retribuído e eu franzi quando sentei ao seu lado, temendo o que estava prestes a ouvir. Ele estava tenso, calado e apertava o celular entre os dedos. Sem pensar duas vezes, tomei o aparelho de sua mão e facilmente encontrei o que procurava.
— Por que ela continua ligando e você estava atendendo, Cullen? Você disse que isso estava acabado! — Gritei irritada e Edward arqueou a sobrancelha. Eu estava prestes a continuar berrando em sua cara, quando percebi que estava agindo como ele antes — Ok, desculpe.
— Está acabado, Bella — Ele afirmou me olhando com cara feia por desconfiar dele. Mordi o meu lábio sem graça por tirar conclusões precipitadas — O problema é que Tanya arranja qualquer desculpa para entrar em contato e eu sempre acho que ela entendeu que eu só quero ser procurado se for alguma emergência. Estou evitando-a desde que voltei pra Chicago.
— Eu não me sinto à vontade com a sua ex te caçando dessa forma, Edward — Respondi após assentir em compreensão — Entendo que não possa evita-la enquanto está na Grécia, mas aqui, agora e comigo, fodidamente não! Se eu te vir atendendo essa mulher outra vez, pode esquecer qualquer coisa que esteja acontecendo entre nós dois.
Seus olhos se arregalaram com a minha imposição, mas no minuto seguinte estava afirmando que eu estava coberta de razão. Eu o fiz prometer que me contaria se ela voltasse a procura-lo, E assisti com satisfação quando ele pegou o celular, deletou-a da agenda e então bloqueou o número para não receber ligações, afirmando que se algo urgente acontecesse, ela que entrasse em contato com os outros.
Bom, muito bom.
Nós ficamos em silencio após isso. Um silencio incomodo que fazia a minha cabeça trabalhar e imaginar inúmeras hipóteses, situações, memórias e em todas a Denali estava presente. Pigarreei e me movi no sofá até deitar de barriga para cima, com a cabeça no colo de Edward. Ele sorriu com o meu gesto e acariciou o meu cabelo enquanto nós nos encarávamos sem dizer nada, até que eu lhe pedi para me falar sobre o seu passado com aquela mulher. Ele tencionou e tentou mudar de assunto, negar o meu pedido, mas eu precisava daquelas respostas.
Eu gostaria de saber até quão fundo eles foram e como ele se sentia sobre ela.
— Você sabe como essa história começou, Bella. Nós crescemos sabendo que ficaríamos juntos e eu estava bem com isso. Não entendia as responsabilidades daquilo. Tanya tornou-se uma moça muito bonita e como qualquer estúpido adolescente, eu achei que não teria dificuldades em honrar aquele compromisso. Quando começamos a nos relacionar e foi realmente bom, até que Tanya tornou-se tão parecida com Elizabeth que em determinados momentos eu cheguei a sentir agonia da sua presença.
— Edward... — O chamei já me arrependendo daquela estupidez. Estava com medo.
— Não demorei a perceber que não fomos feitos para aquilo, entende? — Continuou — Quando estava prestes a viajar para cursar a faculdade, nós terminamos. Tanya pareceu conformada, disse que entendia que eu quisesse experimentar outras coisas, mas ela me pediu para que... eu... huh.
— Será que você pode falar de uma vez? — Pedi nervosa com sua hesitação. O que?
— Ela pediu para que eu a fizesse mulher. Antes de eu ir embora — Edward limpou a garganta desviando o olhar e eu senti uma dor no peito horrorosa. Não podia deixar de odiar saber que ele tinha sido o primeiro para ela também — Nós ficamos juntos por algumas noites e quando eu já estava há dois meses aqui, ela me liga dizendo que está gravida.
Santa porra. Ainda mais essa.
— Eu fiquei apavorado. Eleazar e Elizabeth ficaram em cima de mim, queriam até que eu largasse a faculdade e voltasse para Atenas, mas os meus pais não permitiram aquilo de forma alguma. Na época eu estava conhecendo uma moça, ninguém sabia sobre ela, para não ter confusão. Eu não queria deixa-la, mas precisei fazê-lo por estar sobre toda aquela pressão de ter que assumir uma mulher e um filho tão jovem. A ideia de ser pai sempre foi muito atraente pra mim, mas eu era jovem demais. Não estava feliz com aquilo — Suspirou pesado e passou a mão pelo rosto, parecendo agoniado com as lembranças — Eu a pedi em casamento e ela perdeu o bebê aos dois meses e meio.
— Eu... sinto muito, Edward. — Falei de coração. Eu sentia. Devia ser uma dor terrível para os pais.
— Obrigada. Tanya ficou muito mal por um tempo, Bella. Ela esteve radiante com a ideia de ser mãe e nenhum de nós esperávamos que perder o bebê a deixaria tão frágil. Eu não pude sair daquele relacionamento por muito tempo, entende? Eu precisei ajudá-la a se reerguer — Ele olhava para algum ponto da sala, como se recordasse tudo o que viveu naquela época, então um sorriso amargo surgiu em seus lábios — Foi apenas nesse período que eu vi Elizabeth agir como humana, sabe? Ela criou aquela menina quando a cunhada faleceu e enquanto isso, eu era cuidado por Esme, porque ela não me queria. Ela não me escolheu.
Meu pobre menino. Todo esse tempo fazendo o possível para agradar uma mulher que nunca teve consideração alguma por ele, deixando-a ditar como ele viveria a sua vida, quando ela preferiu se dedicar a outra criança e não pensou duas vezes em deixar com o pai a que permaneceu por 9 meses em sua barriga.
— Eu esperei pelo fim da sua recuperação e acredite ou não, isso foi em torno de 1 ano. Quando terminamos, o céu desabou sobre a minha cabeça. O meu tio ficou furioso por eu estar magoando a sua garotinha debilitada, Elizabeth me julgou, me chamou de insensível e disse que tinha vergonha de mim — Sua entonação tinha mudado e eu percebi que ele não gostava nenhum pouco dessa parte em particular — Nossas famílias ficaram estranhas e só se misturavam em raríssimas ocasiões. Até que dois anos depois, a história se repetiu. Eu fui para casa por um tempo e claro, ela estava lá. Nós fizemos amizade porque ela parecia totalmente diferente. Estava leve, bonita, despreocupada. Então nas férias, ela veio passar duas semanas aqui. Tanya me pediu para tentar de novo e nós arriscamos.
— E não deu certo outra vez? — Questionei agora bem mais interessada na história deles. Eu sempre achei que havia algo de especial nos casais que terminavam e sempre acabavam voltando um para outro, mas eu não conseguia enxergar isso ou qualquer beleza naquele relacionamento. Era tão nítido que Edward, apesar de ter certo carinho por Tanya, só fazia aquilo para manter a paz entre as famílias. Ele não enxergava que isso não era saudável?
— Por algum tempo, sim. O meu tio tornou-se sócio na empresa, todos voltaram a ter a mesma amizade de antes e Esme se deu muito bem com a namorada que ele tinha na época. Apesar de brigarmos bastante e eu não concordar com 85% do que saía da boca de Elizabeth, nós passamos a nos dar... razoavelmente bem. Então eu achei que estava fazendo a coisa certa. Se tudo estava funcionando, por que não continuar com aquilo? — Perguntou como se fosse óbvio, então ele me olhou e de repente parecia tão triste — Mas eu não conseguia ficar feliz, Bella e me sentia um filho da puta por isso. Todo mundo estava bem com o jeito que as coisas estavam indo, por que eu sempre tinha que ir lá e foder com tudo?
— Edward, querido, você não pode sacrificar a sua vida para que os outros estejam em harmonia enquanto pisam na sua felicidade — Expliquei com gentileza ao me sentar e toquei o seu rosto bonito — Você sabe disso, não é?
— Agora eu sei — Ele sorriu pequeno pondo a sua mão sobre a minha e então arrastou-a até os seus lábios, onde a beijou por diversas vezes — Eu fui estúpido o suficiente para acreditar que Tanya estava sendo responsável por nós dois e ela engravidou outra vez.
— Merda! — Exclamei assustada sem conseguir me conter — Mas então... — Não consegui continuar. Não aconteceu outra vez, certo? Por Deus... coitados.
— Sim. Ninguém fazia ideia o porquê daquilo. Ela simplesmente... passava mal de uma hora para outra, tinha dores e então era tarde demais. — Explicou-me e o meu coração encolheu por aquela mulher. Eu simpatizava com a sua situação. E esses dois anjinhos que nem chegaram a nascer...
— Tanya foi ficando violenta e histérica depois da perda do segundo bebê, principalmente quando foi proibida pelo médico de continuar tentando por algum tempo. Ela culpava a mim, dizia que tinha tanto medo de me perder, que não ficava bem de saúde e resultava na morte do nosso filho. Sua chantagem emocional e ainda com Elizabeth falando em meu ouvido me mantiveram refém daquela situação por anos, Bella. Eu estive por meses abalado com o falecimento do meu avô, precisei manter os negócios nos trilhos e lidar com essa merda, mas ninguém via o meu lado das coisas. Só esperavam que eu concedesse tudo o que quisessem tirar de mim sem questionar. Porque eu sou homem e aparentemente, não sou de carne e osso e nem sinto, apenas tenho obrigações a cumprir — Ele estava nervoso agora, seu rosto meio avermelhado e os olhos muito expressivos. Eu sabia agora que ele estava desabafando e não se explicando para mim — Eu tinha Esme ao meu lado, é claro, mas não havia muito que pudesse fazer. Ela e papai brigavam muito por minha causa, então eu optei por esse... arranjo. Tanya sabia que se um dia eu encontrasse a mulher certa, não haveria a menor chance para nós dois. Foi o único meio que encontrei de ter controle sobre aquela situação e da minha própria vida. Eu precisava de um momento pra mim.
— Eu sinto muito. Sinceramente — Murmurei sem saber o que dizer de tudo isso. O julguei tão mal nos últimos anos, mas a verdade é que ele não estava sendo nada além de honesto com ela desde o começo. Eu não podia condena-lo por estar preso a um estilo de vida que eu não concordava. Ele não fazia aquilo por ser um homem ruim, muito pelo contrário, foi para satisfazer a todos ao mesmo tempo e ter alguma paz — E então... eu apareci.
— Sim. E os meus dias ao seu lado foram os mais incríveis de todos os meus anos de vida, Bella. Eu me apaixonei forte por você — Disse olhando nos meus olhos e eu parei de respirar — Só precisei dormir e acordar ao seu lado uma única vez para ter certeza que de que era aquilo que eu queria para mim — Me explicou com um sorriso doce no rosto e não pude evitar corresponder. Esse homem... — A minha mãe disse que eu deveria abrir o jogo, mas fiquei assustado com a possibilidade de você nem querer me ouvir uma vez que soubesse sobre Tanya, então decidi que a tendo fora do quadro, nós teríamos maiores chances.
— Então Elizabeth apareceu furiosa por você ter alguém e me contou toda a verdade. Ao menos a versão dela da verdade — Me apressei em corrigir quando ele me deu um olhar — Eu soube que você falou com Carlisle. Ia mesmo terminar com todo esse teatro pra ficar comigo?
— Não tenha dúvidas quanto a isso, Bella — Ele disse acariciando o meu rosto e eu me inclinei para o seu toque, quase deitando em sua mão. Edward me deixava tão leve — Eu finalmente encontrei algo pelo o que lutar. Então, nós dois tivemos uma longa conversa e ele sentiu-se um pai terrível por tão ter percebido o quanto aquela história esteve prejudicando a minha vida ao longo dos anos e quase me enfiou em um avião para vir busca-la — Eu ri junto com ele porque isso era bem a cara de Carlisle quando estava empolgado com algo — Mas pensei que lhe devia um tempo para se acalmar e ainda tinha muito o que lidar em Atenas com a coisa toda do ataque, logo em seguida veio a Esme e então...
— Espere, espere aí! — Interrompi me sentando ereta — O que tem a sua mãe?
— Ela esteve doente, Bella. Severamente doente — O rosto de Edward escureceu ao pronunciar aquelas palavras — Esme teve câncer em sua adolescência, mas estava há anos em remissão e de repente ele volta sem nos dar quaisquer sinais. Foi um choque para todos nós.
Eu travei no lugar assim que o meu cérebro assimilou aquela nova informação. Meu coração ficou minúsculo ao imaginar Esme sendo vítima daquela doença terrível. Eu sabia que o câncer não escolhia idade, caráter ou classe social, mas era inaceitável para mim um anjo como ela sofrendo em uma cama por causa daquilo. Lembrei-me da quantidade de remédios que vi em sua bolsa e praguejei por ter sido tão cega. Era óbvio que havia algo errado! Assustada sobre ela ainda estar em perigo, praticamente saltei no colo de Edward e ele me recebeu em um forte abraço, sussurrando em meu ouvido que tudo estava bem, que eu não precisava me preocupar. Mas meus olhos ainda se enchiam de lágrimas com as poucas coisas que a minha imaginação criava.
Eu deveria ligar pra ela!
Edward acalmou-me sem muitas dificuldades, me embalou nos seus braços e me explicou aos poucos desde quando ela começou a desenvolver os sintomas e resolveu ser honesta com eles – pois aparentemente Esme nunca contou a família sobre as situações do passado – até quando foi diagnosticada e os tratamentos começaram. Foram tempos difíceis. E de repente fez sentido a sua mudança drástica no visual. Ela realmente estava diferente das fotos antigas em seu escritório.
Eu só sosseguei quando ele me assegurou que a mãe estava fora de perigo. Que sim, ela ainda fazia exames e ia ao médico com uma certa frequência, mas que o pior havia passado e hoje ela está tão bem quanto qualquer um de nós, muito mais em paz depois que saiu de Atenas e agora radiante com o neto, filho do seu homem favorito. Pobre Carlisle.
Nossa conversa foi interrompida um par de vezes por nosso garoto inquieto em seu sono, decidimos deixar o filme para outra ocasião, pois aquela conversa era mais que necessária para que eu me sentisse segura ao colocar o meu coração em suas mãos e a entende-lo.
E eu acho que realmente entendi. Se tem algo que eu percebi sobre os Cullen, é que família vem em primeiro lugar. Eu vi isso através de Alice que mesmo ao formar uma amizade sincera comigo, não traiu o irmão. Em Esme que mesmo tentando guia-lo para o caminho certo, aceitou arcar com as consequências junto, antes de pensar em interferir nas escolhas dele. Em Carlisle que tanto se culpou por fazer seu garoto infeliz e então abriu mão de sua palavra para vê-lo realizado. E principalmente em Edward, que abdicou de momentos importantes de sua vida para agradar e deixar felizes pessoas que não mereciam na época e não merecem agora. Por ter me deixado, deixado a nossa felicidade em espera para ficar ao lado da mulher que o criou e educou, quando ela mais precisou de ajuda.
Me senti estúpida ao colocar numa balança o que eu soube no passado e o que fiquei sabendo hoje. Edward também sofrera. Eu tive um coração quebrado por causa de escolhas ruins e um mal-entendido, mas ele vinha sendo infeliz há muito mais tempo. Ao encontrar alguma paz em mim, o destino resolveu brincar um pouco mais com nós dois e envolveu Esme de maneira cruel nessa história. Eu queria tanto ter estado lá por ele. Mas foi ela que esteve.
Ele me contou que mesmo contrariando a sua tia, Tanya se reaproximou dos Cullen quando Esme ficou doente e deu apoio a ele. O modo como ele narrava os fatos me fez acreditar que Edward se agarrou ao que pode e se a Denali foi até ele oferecendo uma bandeira branca, ele aceitaria por não estar em condições de brigar outra vez. Todos pareceram se unir naquele momento em solidariedade, pois estavam assustados que Esme não fosse conseguir ganhar aquela batalha pela segunda vez, com exceção de Elizabeth que apesar de respeitar o momento, jamais tentou se aproximar da irmã.
Mas como aquela mulher já não me enganava, eu suspeitei que ela tinha alguma carta em sua manga e sem surpresa, eu ouvi Edward narrar como aos poucos durante a recuperação de Esme e as pequenas comemorações, ela foi se esgueirando até ficar cada vez mais intima dele. Edward afirmou com afinco que não tinha qualquer intenção de ficar com ela, ele tinha pouca, mas alguma esperança que houvesse um jeito para nós quando a poeira baixasse, mas então com o aniversário de Alice se aproximando, Esme que já se encontrava em casa, insistiu por uma festa para melhorar os ânimos no lugar, que estiveram abalados por tanto tempo.
Alice não se fez de rogada. E é claro que a noite terminou mal.
— Você está me dizendo que nessa noite, no aniversário da sua irmã, Tanya te deixou bêbado e... te molestou? Cullen, você está me chamando de retardada?! — Gritei incrédula. Onde ele acha que está? Em um fodido filme? Essas coisas não acontecem com caras como ele.
— Não! — Exclamou e arrastou os dedos pelos cabelos já totalmente despenteados — O que eu quero dizer é que em algum ponto daquela noite, eu não me senti bem. Eu só havia tomado quatro doses de alguma coisa e isso não era o suficiente pra me derrubar, mas ainda assim me senti fodidamente cansado e tonto. Eu lembro quando ela me abraçou rindo e disse que me ajudaria — Continuou explicando e o meu rosto estava quente de raiva. Eu tinha vontade de pegar aquela cadela loira e enfiar a mão na sua cara — Eu tentei chamar por Alice, Emmett, qualquer um, mas a próxima coisa que soube era que estava no meu quarto e então apaguei.
— E na manhã seguinte a história que contaram foi totalmente diferente dessa?
— Isso. Uma casa cheia de gente e ninguém me viu subindo sendo arrastado por aquela louca. Eu acordei e encontrei ao meu lado, totalmente nua — Eu estava com dificuldade de engolir a minha própria saliva. Eu queria dar na cara dela, mas naquele momento a de Edward parecia tentadora também — Eu juro por Deus que não toquei em um fio de cabelo daquela mulher, Bella. Eu não estive com nenhuma outra depois de você.
Parecia uma história para alguma trouxa dormir. Se o seu namorado acorda na cama nu com a ex também nua e te conta isso, você acredita? Inferno, não! Mas também não havia motivos para ele mentir. Para todos os efeitos, ambos eram noivos e não estávamos mais juntos, então se eles transassem, quem poderia julga-los? Mas aqui estava ele, com raiva, nervoso e me implorando para acreditar em sua palavra.
Edward contou que eles tiveram uma briga feia e que ele a expulsou do quarto. Ela tentou convence-lo de que haviam feito as pazes na noite anterior e que ele disse que daria uma chance, pois não tinha mais nada a perder. Edward disse que se não me amasse tanto, teria acreditado nela. Inferno, ele não podia dizer essas coisas assim! Ele estive dando a entender que me amava diversas vezes, mas nunca dizia diretamente pra mim e isso estava prestes a me dar um ataque cardíaco.
Eles não voltaram a se ver com a exceção de um evento em que Eleazar esteve presente e a levou junto, mas ambos se mantiveram distantes. Edward disse que algo no sorriso vitorioso que ela exibia o assustava demais e nas semanas seguintes, ele entendeu exatamente porquê.
Tanya apareceu na mansão exibindo orgulhosa e animada os papeis que comprovavam que ela estava gravida pela terceira vez. Edward afirma que nunca quis agredir uma mulher antes, mas precisou lutar contra a vontade, porque ele sabia que ela havia feito de propósito e todo o joguinho no aniversário de Alice fez sentido.
— É por isso que você a viu naquelas matérias sensacionalistas reforçando a ideia de um casamento próximo. Elizabeth achava que aquela seria a oportunidade de ouro de entrar para a família e Tanya estava mais animada com a ideia do filho do que de casar comigo, mas era o inferno de um bônus — Ele riu amargurado e os meus dedos já estavam doloridos pelo modo como eu apertava o sofá em minha mão — Ela foi internada em uma clínica particular, porque o médico recomendou que ela tivesse cuidados especiais e repouso absoluto, uma vez que a gravidez era de risco como todas as outras, mas ela não se importava. Estava em êxtase.
Aquilo não podia ser normal. Rose desde cedo soube que não poderia gerar seus próprios filhos e nunca arriscou a própria saúde para desafiar os exames médicos, então claramente aquela mulher não estava bem da cabeça por repetir a dose por mais duas vezes, prejudicando o corpo daquela maneira tão agressiva. Um aborto não era brincadeira.
— O bebê resistiu por quatro meses, foi nesse meio tempo que eu descobri que o filho não era meu e sim de um amigo do seu pai, quase 10 anos mais velho que ela — Eu pensei que meus olhos fossem saltar do rosto com essa revelação. Mas. Que. Porra! — Eu fiquei tão irado com ela, Bella, tão puto quando soube que invadi o quarto do hospital sem pensar duas vezes e quase voei em seu pescoço — Empalideci com isso. Como ela podia ser tão baixa? Fazê-lo passar por todo esse sofrimento quando o bebê nem era dele? E os outros, teriam sido ou era só mais uma de suas farsas para tê-lo preso a ela? — Eu joguei em sua cara que ela era tão podre por dentro e indiferente para mim, que os meus filhos não suportavam habitar em seu ventre.
— Edward! — Ofeguei — Deus, isso foi cruel! — Exclamei horrorizada e ele balançou a cabeça negativamente de um lado para o outro, como se não entendesse a minha reação.
— Ela me fez perder você, Bella! Ela riu disso. Eu podia ter voltado para Atlanta, ter te procurado e estado com você quando o Heitor nasceu, mas eu estava preso naquela maldita cidade, com aquela maldita mulher gravida de um filho que não era meu! Eu poderia ter tido tudo, mas deixei para trás e então descubro que foi em vão? Que tudo podia ter sido evitado, mas não foi por puro egoísmo dela? Eu não aguentei... eu não sou de ferro — Ele se defendeu e entendi o seu ponto. Claro que entendi — Nós brigamos e ela disse estar satisfeita por agora ser tarde demais para mim. Para nós. Que você já não me perdoaria ou acreditaria em uma palavra minha.
— Oh, meu Deus, querido... — Minha mente estava fervilhando. Eram tantas informações! Não me contive e subi em seu colo outra vez. Edward me abraçou e escondeu a cabeça no vão do meu pescoço, sua respiração irregular me deixava eriçada, simplesmente porque o meu corpo respondia ao dele, não porque eu estava no clima — Ela não conseguiu outra vez? Por favor, diga-me que ficou tudo bem.
— Eu gostaria tanto que tivesse — Ele me apertou mais e eu entendi — Ela passou mal horas depois da nossa discussão e o bebê... Ah, Bella! — Ele chorou. Edward fodidamente chorou em meu pescoço e eu sofri por ele — Tanya me culpou por tudo. Gritou a plenos pulmões que eu era o assassino de seu filho e a minha própria mãe ficou do seu lado. Me senti um monstro depois disso. Eu tinha consciência de que as possibilidades de a criança nascer eram poucas, mas eu adiantei as coisas, Bella. Eu tirei a chance daquele bebê lutar por sua vida. — Merda, isso era pesado. Eu sabia o quanto Edward era sensível sobre esse assunto e como se não bastasse o filho não ser dele, a morte do bebê o pegara em um momento frágil, fazendo-o se culpar junto com aquelas cobras.
— Não pense assim, Edward. Não foi sua culpa — Consolei ninando-o em meus braços, como eu fazia com o nosso filho — Tanya deve ter um grave problema de saúde que não a permitia segurar os bebês por muito tempo. Infelizmente esse também não sobreviveria.
Acariciei os cabelos dele pedindo perdão a Deus, pois o que eu pensava na verdade, é que aquela mulher era tão ruim que não merecia ser mãe e por isso tais coisas aconteciam. A regra não se aplicava a todas as mulheres, obviamente, mas eu não via outra razão para Tanya ter sido punida daquela forma tão severa repetidas vezes. Ela era irresponsável e infantil. Não seria uma boa mãe nem se tivesse a chance para isso.
Edward entrou em colapso naquela noite.
Ele estava frágil e parecia simplesmente aliviado de falar aquilo para alguém. Chorou fortemente nos meus braços, contando-me mais sobre aquele período de sua vida, sobre a culpa e o remorso de ter sacrificado o nosso relacionamento. Pediu perdão por ele, por ela, por tudo que saiu errado. Falou em meio a soluços sobre como amava o Heitor e que não entendia o que havia feito de bom para merece-lo e que algo tão maravilhoso realmente só poderia ter vindo de mim. Eu fiquei em choque ao ver o meu grego daquela forma pela primeira – e esperava que fosse a última – vez, eu o beijei várias vezes interrompendo as suas desculpas descabidas, mas o deixei desabafar porque naquele momento ele parecia apenas um garoto exausto e triste, se aconchegado em mim e segurando o meu corpo como se eu fosse seu salva-vidas.
Mas agora Edward não estava mais sozinho. Ele estava livre das amarras que o prendiam e agora tinha uma família bem aqui. Uma linda criança que o adorava incondicionalmente e a mim, que se já era perdidamente apaixonada, hoje estava transbordado de tanta admiração e amor por esse homem e suas atitudes que apesar de serem errôneas por muitas vezes, era todas repletas das melhores intenções possíveis.
Proteção.
Ciúme.
Amor.
Carinho.
Desejo.
Eram tantos sentimentos despertados de uma só vez. Enquanto nos aconchegávamos no sofá e ele mantinha o rosto no meu peito, estremecendo de vez em quando com o choro silencioso, eu tive a certeza que faria de tudo para evitar que esse homem em meus braços fosse submetido a qualquer coisa daquela novamente. Nós daríamos um jeito de jogar para debaixo do tapete os estragos que aquelas mulheres fizeram em nossas vidas. Estava disposta a tudo para a minha manter a minha família unida e feliz. Eu queria dar a Edward todo o amor e as experiências que foram negadas a ele em seu passado, nos dar a chance de construir memórias juntos. Eu o amava e não perderia mais um segundo de nossas vidas, pensando no que passou ou no que perdemos.
Edward adormeceu de exaustão e eu suspirei também cansada. Aquele não era o melhor lugar para dormirmos, mas estava bom senti-lo se apertando a mim daquela maneira. Beijei o topo do sua cabeça e suspirei ao fechar os olhos.
Estava pronta para começar de onde paramos com um lindo acréscimo, o nosso Heitor.
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