Odisséia Grega

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Oi, meninas. Vamos ler mais um pouquinho?

Estava escuro quando abri os olhos, a única iluminação que me orientou vinha do corredor passando pela porta entreaberta. Eu não fazia ideia de que horas são ou do porquê eu havia cochilado essa tarde até que...

Santa porra. Era isso!

Eu estava na casa de Edward.

Na cama dele. Porque eu tinha transado com ele.

Com aquela realização, sentei-me na cama em um milésimo de segundo sentindo uma tontura dominar a minha cabeça enquanto o quarto girava. Fechei os olhos e deixei que as imagens de horas atrás dominassem a minha mente, me levando de volta aos braços do meu grego até que senti um sorriso estupidamente apaixonado surgir no meu rosto. Toquei meus lábios com as pontas dos dedos quase sentindo o calor do deles ali outra vez e suspirei.

Ao meu lado, ele estava deitado de bruços, ressonando tranquilamente. Seu cabelo mais bagunçado que o normal destacava-se na brancura do travesseiro, os longos cílios descansavam sobre sua pele alva e a boca rosada ligeiramente aberta o deixava parecendo um menininho. Eu nunca pensei que viveria pra ver uma cena tão doce quanto essa de Edward dormindo, nem parecia aquele homem que todos abaixavam a cabeça quando passava ou para quem respondiam “sim, senhor” pra qualquer absurdo que ele dissesse.

Levantei os braços o mais alto que pude, me esticando inteira como um gato e quase gemi com as dores incomodas que sentia no corpo, mas era uma dor muito bem vinda porque eu sabia perfeitamente do motivo e já queria repetir muito em breve. Saí da cama nua, aproveitando o sono pesado de Edward e fui até seu closet, podia estar sendo enxerida, mas dada as circunstâncias não achei que ele se aborreceria em me emprestar algumas coisas.

O closet era grande, mas havia muito espaço sobrando, lembrando-me que a maioria das coisas de Edward deveria ter ficado em Chicago ou até mesmo em Atenas. Abri várias gavetas vazias até encontrar suas boxers todas bem dobradas e organizadas, peguei uma preta que parecia menor que as outras. Vai servir, pensei. Fui até onde estavam suas camisas e peguei uma branca social de botões, levei até o nariz e inspirei o cheiro de roupa limpa, com o toque excêntrico de Edward Cullen. Vestia-a rapidamente e fechei a maioria dos botões, deixando apenas os dois primeiros abertos, fazendo uma espécie de decote e logo a boxer já estava em mim também.

Andei descalça para fora do quarto, segui pelo corredor e cheguei até a sala. Encontrei o meu celular jogado no sofá próximo ao meu óculos escuros e nele havia alguns alertas de e-mail, mensagem da Rose e uma ligação perdida da mamãe, provavelmente querendo confirmar o almoço de amanhã. Uma ideia passou pela minha cabeça no segundo que desliguei o celular, mas logo balancei a cabeça para que elas voltassem de onde vieram. Que absurdo.

Na cozinha tudo estava como eu deixei. A comida ainda estava no forno, mas por sorte o mesmo estava desligado. Fui até a geladeira com um copo de vidro e enchi-o de água, sorvi o liquido como se fosse a primeira vez em dias que não bebia e culpei o cansaço que um certo ruivo de olhos verdes me causou. Com um risinho, olhei o relógio de parede que marcava 17:03. Certo... talvez o almoço sirva como jantar. Por que não? Coloquei a comida para esquentar e quando estava perto de desligar, resolvi acordar o menininho que deixei no quarto, mas antes que pudesse dar um passo, braços fortes me seguraram pela cintura e me puxaram, fazendo-me tombar com um corpo másculo de cheiro extremamente convidativo.

Os dedos dele apertaram-se em minha cintura, me fazendo soltar uma gargalhada involuntária e ele acabou rindo comigo ao ouvir o som. Virei meu corpo, ficando de frente e encontrei Edward com os olhos ainda apertados de sono e seu rosto ligeiramente amassado. Não me contive e fiquei na ponta dos pés para beija-lo por toda a sua linda carinha e foi o que fiz.

Nós sorriamos e nos acabávamos em selinhos demorados e barulhentos enquanto eu retirava a salada pela segunda vez da geladeira. Eu o guiei para mesa e pedi para que ficasse comportado, porque o meu estômago estava seriamente exigindo minha atenção.

— Então — Comecei alongando bem a palavra quando depositava uma travessa de porcelana na mesa bem à sua frente — Imaginei que todos esses meses na América te deixaram com saudade de casa, então pensei em trazer um pedacinho da Grécia para você. — Disse mordendo o lábio timidamente. Edward abriu a boca em surpresa, mas parecia estar se divertindo com o meu nervosismo e arqueou uma sobrancelha enquanto olhava para a mesa.

— E o que temos aqui, srta. Swan? — Questionou polidamente.

— Eu preparei um Fricassé de Cordeiro, uma salada grega com queijo feta e de sobremesa, temos iogurte com mel e nozes. — Tudo bem, eu podia até estar apreensiva, mas também estava orgulhosa, era a primeira vez que cozinhava algo da culinária deles e me sai muito bem.

— Sério? Nossa, Bella. Isso parece fantástico — Elogiou com admiração, tenho certeza que meus olhos brilharam porque não consegui conter o sorriso e logo comecei a servi-lo — Você é realmente maravilhosa. — Me disse segurando a minha mão quando coloquei seu prato de volta. Apenas ri com o rosto quente e fiz o meu prato para acompanha-lo. Edward serviu o vinho enquanto eu sentava e logo iniciamos uma conversa fácil enquanto saboreávamos a comida.

Estávamos em outra atmosfera enquanto comíamos a sobremesa no lado de fora, vendo as luzes de Atlanta começarem a surgir por toda a parte. As cadeiras eram extremamente confortáveis aqui, mas Edward não me deixou aproveita-las, ao invés disso puxou-me para o seu colo e assistimos o sol se pôr juntos, meio abraçados. Ele não parecia se importar com o meu peso enquanto conversávamos amenidades, por isso aproveitei ao máximo me apertando ao seu corpo, abraçando-o, cheirando seu pescoço e ganhando carinhos agradáveis nas costas.

Em meio as nossas brincadeiras e conversa, ele me contou que amanhã à noite teria um evento para comparecer e que se não fosse tão absurdamente chato, me convidaria para ir. Eu lhe disse que não me incomodava, mas ele insistiu para que deixássemos para uma próxima e por mim tudo bem, novamente aquela ideia me veio na cabeça e eu não consegui manter boca fechada.

— Meus pais e eu temos essa tradição de almoçarmos juntos nos domingos, já que durante a semana não conseguimos nos ver muito, então como já é amanhã, me passou pela cabeça que talvez você ao invés de ficar o dia todo aqui sozinho, quisesse ir comigo... pra casa dos meus pais. Almoçar. Porque é domingo. — Despejei de uma só vez e me atrapalhei já no final porque seu rosto ficou repentinamente sério e eu já estava me arrependendo da maldita coisa.

— Sim, adoraria ir com você, Isabella. É só me dizer onde quer que eu esteja e eu estarei lá.

Suspirei de alivio porque ele pareceu realmente querer ir e não aceitar só porque eu pedi. Abracei-o pelo pescoço e o beijei carinhosamente nos lábios como agradecimento. Não lembro quantas horas ainda ficamos lá fora, mas quando o frio começou a ficar mais forte, Edward sugeriu um filme na sala de estar e eu corri pra fazer pipoca pra gente.

Apesar dos mais de 200 canais que a TV à cabo tinha, tive dificuldade pra encontrar um filme que agradasse nós dois, mas Edward pediu para eu deixar na maratona de filmes clássicos que estava passando desde às 14, então comemos assistindo o final de Psycho e conseguimos ver Dial M for Murder todinho, o que me irritou um pouco porque de repente Edward era só elogios para a Grace Kelly, mas parecia estar fazendo isso só pra me provocar, porque sorria e beijava a minha boca sempre que eu ficava vermelha de raiva.

Ele riu muito durante a nossa discussão sobre Star Wars. A maldita propaganda anunciou o filme para às 21:00 e a partir desse momento o Cullen virou um tremendo nerd falando disso e daquilo sobre os quinhentos filmes e do que colecionava quando adolescente, me contou inclusive da colcha de cama que ganhou da avó aos 15 anos até que eu tive que brigar pra ele calar a boca.

— Isso não faz o menor sentido, Bella. Não tinha como você saber! — Berrou pela terceira vez.

— Mas é claro que tinha, você está sendo ridículo, Edward. — Revirei os olhos e ri alto.

— Foi a maior revelação da minha vida, como você, logo você poderia saber?

— “Vader” em holandês quer dizer pai, Cullen. O nome do sujeito é literalmente “Darth Pai”, qualquer um com um pouco de conhecimento sacaria essa. — Gargalhei da cara de estúpido que ele fez como se nunca tivesse visto por esse ângulo e deu por encerrada a discussão.

Nós namoramos a maior parte da noite, mas sempre que eu tentava arrancar as minhas roupas ou as dele, suas mãos aprisionavam as minhas e eu recebia uma tonelada de cócegas como castigo. “Nós já tivemos muitas atividades por hoje, você precisa descansar”, imitei sua voz na minha mente e fiquei emburrada até que seus dentes se fecharam na carne das minhas costas, subindo para nuca e indo naquele lugarzinho especial atrás da orelha e lá estava eu derretida nos seus braços outra vez.

— Bella?! Seu celular está tocando. É a terceira vez. — Ouvi a voz de Edward através da porta do banheiro. Estava terminando meu banho quando ele tocou a primeira vez e eu decidi ignorar, agora enquanto penteava meus cabelos parecia que alguém realmente precisava falar comigo.

Sai pelo apartamento enrolada só na toalha e descalça, Edward estava no sofá com a TV ligada, mas os olhos vidrados no notebook, tão concentrado, tão sexy. Suspirei alcançando o aparelho que já havia parado de tocar. Tinha mesmo 3 ligações e em todas de Rosalie. Senti algo ruim na barriga, como um pressentimento e retornei imediatamente.

— Ei, amiga. Você está viva? — Rosalie atendeu no segundo toque e tentou brincar, mas eu reconheceria sua voz de choro não importa o que ela fizesse

— Por que você está chorando? O que aconteceu?

— Não foi nada, eu só me senti solitária de repente e sei lá, Bella, só queria saber se caso eu precisasse você me atenderia, não é nada. — Ela falava depressa, atropelando as palavras e eu forçava o celular no ouvido para poder entende-la.

— Rose, para! Eu te conheço. O que houve? — Insisti andando de um lado pro outro sobre o tapete, atraindo olhares curiosos de Edward.

— Royce. Eu fui passar a tarde com os meus pais e na volta passei pelo hospital pra checar algumas coisas e ele me abordou no estacionamento. Estava todo estranho, amoroso demais, me abraçando a força, me beijando inteira e quando eu o afastei e expliquei que nós não estávamos mais na mesma página, ele surtou, Bella! Me xingou, apertou meus braços e se não fosse pelo segurança de lá, sabe Deus o que ele teria feito.

— Filho da puta! Jesus, Rose... você não pode fazer mais coisas assim, pelo menos por um tempo. Andar sozinha assim, não é certo. — Respondi sentindo aquela angustia vir com força total. Ela era como uma irmã pra mim e imagina-la sendo machucada por um infeliz desse me causava uma dor quase física.

Edward me puxou pelo braço para que eu sentasse ao seu lado e mesmo que tivesse coisas para resolver, ele deixou-as de lado e acariciou as minhas costas e minha perna enquanto eu conversava com Rose. Ele beijou a minha cabeça quando eu disse que precisava voltar pra casa, que não queria deixa-la sozinha e ele entendeu perfeitamente, fazendo questão de me levar.

— Você tem toda razão em se preocupar com a sua amiga. Alguns homens atualmente não lidam bem com términos que não são feitos por eles. Orgulho ferido, eu acho. Eu espero realmente que tenha sido um surto momentâneo e que ele não volte a procura-la, mas caso aconteça outra vez, eu quero que me comunique, certo? Tomarei providencias — Edward acariciou meu rosto quando estacionou na frente do meu prédio e me segurou carinhosamente com as duas mãos para beijar meus lábios, relaxamos por um tempo e aproveitamos o momento, trocando caricias gostosas por baixo da roupa um do outro — Eu não vou deixar que ninguém machuque você ou qualquer pessoa importante na sua vida. — Afirmou quando eu já estava de saída e eu sorri brilhantemente pra ele em agradecimento. No elevador eu só pensava no quanto esse homem estava se tornando vital pra mim e como eu quebraria inteira quando ele partisse.

A porta do apartamento estava entreaberta quando eu cheguei e o tapete de entrada estava todo torto. A sala parecia como sempre, mas o silencio me intrigou e eu estreitei os olhos.

— Rose?

Fui direto para a cozinha e acendi a luz, não havia ninguém, apenas algumas louças na pia e sobre a mesa. Dei meia volta e tirei as sandálias na sala, segurei-as na mão e caminhei devagar pelo corredor escuro. A porta do meu quarto estava fechada como deixei quando sai, mas a do banheiro não. Meu coração estava apertado e eu chutei a porta do banheiro que bateu com força na parede, acendi a luz de pressa e o cômodo também estava vazio. Mas que diabos...

Ouvi um ranger próximo a mim e notei que a porta do quarto de Rose balançava lentamente, pus meus pés para funcionar e fui até lá vagarosamente, temendo o que veria quando chegasse lá. Empurrei a porta com a mão e o que vi me fez ofegar e soltar as sandálias no chão, provocando um baque surdo ao atingir o piso.

— Rosalie!

Notas finais
Gostei da reação de vocês sobre o capitulo passado, esse não teve lá grandes coisas, mas faz parte. Vi que algumas de algumas moças que estão ansiosas pelo "drama", mas vai demorar um tempinho ainda, se acalmem! Curtam o Edward porque vamos ficar sem ele por "dois anos", certo? Até o próximo ;)