Odisséia Grega

36 Capítulo 36


Notas iniciais
Ei, pessoal. Estou de volta e com coisa nova para contribuir com o final de semana de vocês. Boa leitura :)

O caminho foi silencioso.

Eu gostaria de dizer que sentia muito, mas não achava que falar isso com o motorista como espectador, fosse a coisa mais sensata a fazer. A comida estava dando voltas na minha barriga e o nervosismo de enfrenta-lo estava tão grande que eu achei que a qualquer minuto teria que jogar a cabeça para fora da janela e simplesmente vomitar. A minha mente foi clareando enquanto íamos nos aproximando de casa e a cada minuto, eu me sentia pior.

Edward deveria estar pensando coisas horríveis de mim. Ele nunca teria feito o que eu fiz. O que deu na minha cabeça para que eu ficasse tão deslumbrada com a sua aparência e em provocar Tanya que esqueci momentaneamente o que eu fui fazer na festa em primeiro lugar? Estúpida.

O carro parou quando já estávamos dentro da propriedade dos Cullen. Edward foi o primeiro a deixar o veículo e o fez sem olhar para trás. Ele não me esperou ou me ajudou de forma alguma. Engoli a vontade de chorar e agradeci ao rapaz que gentilmente segurou minha mão quando saí.

A porta da frente ficou escancarada e não pude ver que direção ele tomou, uma vez que eu estava há muitos passos atrás dele. A maior parte das luzes estavam apagadas, indicando que os últimos empregados já tinham se recolhido para dormir. Ouvi vozes na outra sala e segui para lá usando aquilo como pretexto para adiar o meu encontro com o Edward.

Helena estava adormecida no sofá segurando um pacote de salgadinhos. Me inclinei para pegar o controle remoto na mesa de centro e desliguei a TV. Sua boca estava um pouco aberta e foi realmente engraçado quando seu nariz começou a franzir, como se um mosquito a perturbasse. Balancei a minha cabeça para os lados e cutuquei-a no ombro algumas vezes, para desperta-la. A garota dormia como os mortos e só se levantou quando eu a chamei. Alto.

— Senhorita? Eu...

— Você adormeceu. Não tem problema, Helena, já está mesmo tarde. Foi tudo bem por aqui?

— Sim, Heitor foi um anjo. Apenas ficou inquieto na hora de dormir, eu precisei ficar no quarto pelas primeiras horas. — Respondeu se levantando e limpando as migalhas da sua camiseta azul.

— Imaginei algo assim, ele nunca dormiu sem ninguém da família por perto e o dia hoje não foi o mais fácil — Suspirei pesadamente — De qualquer forma, você está liberada e muito obrigada por vir. Acrescentarei algum dinheiro no seu pagamento.

— Estou sempre à disposição, Srta. E obrigada, eu já vou indo... boa noite. — Desejou ao colocar a sua mochila sobre os ombros. Enfiou o pacote de salgadinhos vazio no bolso de trás da calça, sorriu se desculpando e saiu deixando-me ouvir o seu bocejo.

Eu desliguei as demais luzes uma vez que ouvi a porta da frente bater e subi as escadas devagar, o efeito do álcool não havia passado por completo e as minhas pernas estavam fazendo movimentos que não correspondiam ao que eu realmente queria, mas com ajuda do corrimão, enfrentei os degraus e cheguei no andar de cima sem muitas complicações. Os meus pés reclamaram no meio do corredor e eu fiz uma pequena pausa para tirar aquelas sandálias.

Estava realmente ansiosa para ver o meu filho, mas precisei parar em frente ao seu quarto e refazer os meus planos quando ouvi os sussurros lá dentro. Olhei através da porta entreaberta e vi que Edward estava debruçado sobre o berço, de costas para mim. Eu não saberia se dizer se ele estava conversando ou cantando para um Heitor adormecido, mas provavelmente estava contando para o garoto o quanto a mãe dele era idiota e como mais cedo, arriscou a sua vida desnecessariamente.

Pigarreei baixinho e dei meia volta, indo para o quarto ao lado. O quarto de Edward. Será que ele ia me querer dormindo aqui hoje? Será que ele sequer falaria comigo? Eu queria que ele falasse? Bem, claro que sim. Acho que era mais agradável enfrentar a sua fúria do que tê-lo longe de mim. O meu peito começou a apertar com a imagem dele se afastando, provocando a mesma dor que senti durante todo o caminho e eu corri para o banheiro tirar toda aquela maquiagem e roupa que agora não teria mais serventia de nada.

Eu tinha acabado de colocar uma calça de moletom e uma camiseta larga quando Edward voltou para o quarto com os seus sapatos na mão. Ele os jogou de qualquer forma perto da janela e retirou o cinto de costas para mim. Sua camisa também foi aberta e tirada em silencio.

— Eu sinto muito – Comecei testando a minha voz — Eu tentei falar com você mais cedo. Liguei para a empresa, mas você tinha saído há algum tempo e também tentei no seu celular, mas essa porcaria continuou dizendo estava fora de serviço ou desligado! Já falei que deveria troc...

— Você está tentando dizer que a culpa de eu ter passado todo o dia sem fazer a menor ideia de que tentaram causar um acidente que poderia ter deixado o meu filho hospitalizado, é minha e do meu maldito telefone? — Ele respondeu com aquela voz calma e fria. Inferno, eu odiava aquela voz — O Heitor poderia estar morto nesse momento, Isabella! — Ele gritou de repente e eu solucei.

— Eu não quis dizer... isso. Edward, desculpe...

— Como você pode ter sido tão imatura? — Indagou virando para mim. Seus olhos estavam escuros e eu podia ver a ira brilhando neles — Eu disse para vocês ficarem em casa. Viu o que te custou não me dar ouvidos? Deveria mesmo tê-la proibido de sair daqui de dentro, mas não, eu caí no seu joguinho de merda que quase me pôs direto no inferno.

— Como eu poderia saber que eles teriam acesso ao carro? — Gritei de volta, desesperada para que ele visse o meu lado das coisas — A sua irmã vive a menos de 20 minutos daqui. Eu jamais imaginaria que em um trajeto tão pequeno, poderiam tentar alguma coisa contra nós.

— Eu pedi a noite inteira para que desistisse dessa besteira. Pedi durante a manhã para que ficasse aqui, porque eu sabia melhor. Por que diabos escondeu isso de mim, Isabella?

— Não f-foi assim. Pare de dizer q-que foi assim! — Puxei o ar para os pulmões. Estava respirando com dificuldade entre os soluços — Eu só não queria enlouquece-lo, amor. Apesar de não conseguir te localizar por telefone, eu tentei te...

— Você deu ordens aos meus seguranças para não entrarem em contato comigo. Que porra é essa?! Sou eu que assino a porcaria do cheque desses filhos da puta, eles devem responder a mim!

— Vai jogar o seu dinheiro na minha cara agora? É sério?

— Não se trata disso, Isabella — Suspirou com impaciência e fechou os olhos — Eu contratei esses homens para mantê-los seguros e se eles não foram capazes de fazer isso, deveriam ter a decência de pelo menos me informar que não conseguem lidar com sua irresponsabilidade.

— Edward — Ofeguei me sentindo ofendida — Eu sabia que te encontraria mais tarde, achei que pudéssemos conversar com calma depois da festa. Foi uma má decisão baseada no quanto estávamos seguros naquele momento, eu consigo ver agora que fiz besteira e sinto muito por isso!

Ele começou a andar de um lado para o outro no quarto, como um leão enjaulado e estava furioso. Seus dedos estavam castigando o seu couro cabeludo, puxando o cabelo enquanto tentava se controlar, provavelmente para não estourar comigo. Seria assustador se eu não o conhecesse bem. Ele poderia me magoar com as palavras se fosse preciso, mas nunca encostaria a mão em mim, independentemente do quão errada eu estivesse.

— Se queria ignorar os meus avisos, se queria tanto bancar a superpoderosa, fosse para onde você quisesse — Disse com escárnio e eu fiz uma careta sobre como ele estava sendo... ruim comigo — Mas deixasse o Heitor aqui, porra. Não arriscasse a vida do meu filho!

— Ele também é meu filho!

— Que você negligenciou! — Gritou vindo na minha direção, me fazendo pular de susto e cair sentada na cama — Você tratou com descaso o acidente que poderia ter tirado a vida do nosso filho. Outra mãe teria grudado nele como se fossem um só para se certificar que ele estaria bem e não ido para uma festa de alguém que você nem conhece — Jogou na minha cara com desdém e doeu como se fosse um tapa — Eu realmente não quero saber de você agora. Eu não sei porque diabos estou falando isso com você, só precisava...

Ele não terminou de falar, apenas respirou fundo antes de desviar o seu olhar de mim e ir para o closet. Assisti enquanto ele recolheu algumas peças de roupa e foi embora. Assim que porta bateu, uma serie de soluços incontroláveis saíram de mim, me impedindo de respirar direito. Minha mão estava espalmada no meu peito e eu podia sentir os batimentos acelerados contra os meus dedos. Aquilo doía. Por que ele disse essas coisas? Eu havia mesmo feito aquilo?

Eu nunca o tinha visto tão furioso com alguma coisa antes. Eu daria tudo para que aquela raiva não fosse direcionada para a mim. O meu cérebro me pedia para ser sensata e entender que ele não queria me machucar, mas o meu coração se recusava a aceitar desculpas sobre o seu comportamento. A verdade é que me magoava profundamente receber esse tratamento daquele que gritava aos quatro cantos do mundo o quanto me amava. Sempre que eu errasse seria assim?

Minhas costas começaram a reclamar de ficar tanto tempo sentada naquela mesma posição e quando toquei o meu rosto, notei que estava seco. Eu realmente não fazia ideia de quantos minutos se passaram desde que ele me deixou aqui. Podiam ter sido horas? Virei e engatinhei pela cama até chegar nos travesseiros. Eles me receberam bem e eu me senti segura com eles a minha volta. Pude fechar os olhos e respirar o cheiro dele, fantasiar que ele não estava ali comigo, não porque eu havia feito algo muito errado, mas porque estava trabalhando até tarde, mas logo voltaria para mim.

— Olá? — Ouvi a voz de Rosalie, mas não me movi para atende-la — O que aconteceu aqui? Por que o seu homem quase me engoliu lá embaixo quando perguntei por você?

Ótimo. Agora ele realmente me odiava. Voltei a chorar apertando o travesseiro no meu rosto e Rose correu para a cama, dando a volta pelo outro lado e deitando-se no lugar de Edward. Ela me puxou para os seus braços mesmo que eu tenha relutado um pouco e obter um pouco de carinho, ao invés de me tranquilizar, só aumentou a minha crise, pois aquela voz na minha cabeça me dizia que eu não merecia nada daquilo.

Ela esperou que eu me acalmasse, puxou as cobertas para que pudesse me cobrir e eu deitei a cabeça no seu colo para lhe contar o que tinha acontecido depois que saímos da festa. Relatei tudo com riqueza de detalhes porque achava que uma vez que tirasse aquilo do peito, a dor diminuiria um pouco. Não fazia ideia de que horas eram, mas estava ciente de que estava bem tarde, Rose deveria estar cansada e com sono, mas continuou embaixo de mim, ouvindo as minhas queixas, lamentos e enxugando as lágrimas teimosas.

— Isso é fodido — Disse após abrir bem os olhos e soltar um suspiro — Nada me faria mais feliz do que arrancar a pele dele por dizer essas coisas horríveis para você, mas não posso ignorar esse meu lado racional que entende o porquê de o homem ter ficado dessa forma.

— Você acha que ele vai me perdoar?

— Você vai perdoa-lo?

— Bem, sim — Afirmei após pensar por alguns segundos — Eventualmente.

— É isso, então — Concluiu — É preciso um tempo para botar a cabeça no lugar. Vai cair a ficha de que ele foi duro demais com você, bem como está caindo a sua de que meteu os pés pelas mãos. Sei que está acostumada a tomar as decisões sobre o Heitor sozinha, mas agora vocês são uma família e alguma coisa muito errada está acontecendo por aqui. É preciso pensar antes de agir.

— Sinto falta de quando nossas discussões terminavam na cama — Confessei timidamente e ela gargalhou, fazendo a minha cabeça que estava no seu colo, balançar — O que devo fazer?

— No momento? Descansar. Seus olhos estão inchados de chorar e eu não gosto nada da aparência do seu rosto — Avaliou-me fazendo carinho na minha bochecha — Merdas acontecem e amanhã é outro dia. Estou imaginando que ele vai procura-la em algum momento e vocês irão conversar como os adultos sensatos e casal incrível que são. Mas agora é para dormir, certo?

Eu não discuti quando ela me embrulhou toda no edredom e ordenou que eu fechasse os olhos e deixasse o dia de hoje para trás. Tê-la acariciando o meu cabelo enquanto eu caia na inconsciência, foi fundamental para conseguir adormecer. Eu estava mais do que acostumada a dormir com alguém. Com ele. E foi exatamente por isso que no meio da madrugada, acordei com frio, assustada com o silencio do quarto e não consegui voltar a dormir até que o dia clareou.

Edward não voltou naquela noite.

E nem no dia seguinte.

Quando desci para o café da manhã, ele já havia saído para trabalhar e eu soube através de Maísa que ele esteve dormindo no quarto junto com Heitor. O meu coração doeu um pouco mais com a imagem de um Edward sensibilizado. Ele tinha outros quartos disponíveis para ficar durante a noite se não queria dividir a cama comigo, mas preferiu ficar com a de solteiro no quarto do filho. Aposto que ele estava assustado com a ideia de ter Heitor longe dos seus olhos e só deve estar indo trabalhar para não ter que esbarrar comigo pela casa.

Dispensei Helena pela manhã e tranquei-me no quarto com Heitor, decidindo que ele seria a minha tábua de salvação em meio àqueles pensamentos desagradáveis que povoavam a minha mente. Ele estava animado como nunca e tão bonito quanto isso era, eu não estava conseguindo acompanhar o seu ritmo, porque não havia uma gota de felicidade no meu corpo naquela manhã.

E isso me fez chorar um pouco mais.

Por que eu não podia estar grata pelo meu filho estar a salvo e simplesmente curtir o dia com ele enquanto ignorava a briga da noite passada? Casais discutiam o tempo todo. Isso não deveria me afetar tanto assim. Era ridículo!

Mas no fundo eu sabia que foi o motivo da briga que me deixou daquela forma. Eu estava profundamente arrependida de esconder algo dessa magnitude do Edward e tinha consciência de que nunca deixaria algo assim se repetir, mas eu estava parecendo um gravador velho, repetindo as palavras dele uma e outra vez, então quando Heitor começou a chorar para sair dos meus braços e brincar longe de mim, me senti ainda pior.

Eu nunca havia deixado o meu filho se machucar antes.

Ele nunca sofreu uma queda severa ou esteve em hospitais por falta de atenção minha.

Por que ele teve que plantar essa dúvida na minha cabeça? Por que eu estava começando a me achar uma péssima mãe?

Foi uma coisa boa que a babá pode voltar à tarde. Ele tinha um verdadeiro carinho por Helena e me deixou mais tranquila que ele estivesse satisfeito ao lado de alguém naquela casa. A rejeição de um garoto com menos de 2 anos que não tinha ideia do que estava fazendo, doeu e me deixou na cama pelo o resto do dia. Normalmente algo assim não me incomodaria, mas eu me sentia sensível demais. Edward ligou algumas vezes para saber do filho, mas não quis falar comigo ou perguntou por mim e eu estava preocupada sobre o que aquilo representava para nós.

O segundo dia começou da mesma maneira. Eu ia dormir tão tarde que não era capaz de ouvi-lo entrar no quarto para pegar roupas limpas. Queria confronta-lo, mas morria de medo da sua reação e isso não era saudável. Durante o almoço, falei com Rosalie que gostaria de fazer reservas em algum hotel da cidade, pois não me sentia mais a vontade de ficar naquela casa quando o dono estava me ignorando tão abertamente. Isso chamou a atenção de Emmett, que engasgou com o suco e perguntou se eu estava pensando em ir embora.

Eu tinha poucos dias sobrando para ficar em Atenas. Por que deveria continuar aqui? Aquela situação era muito estranha e eu não sabia bem como proceder. Eu gostaria de pelo menos, algum sinal de que as coisas voltariam aos eixos em breve, mas tê-lo longe, me deixava no escuro. Sorte minha, que a casa era imensa e eu estava tentando explora-la tanto quanto possível para não enlouquecer de impaciência.

A quadra de squash tornou-se o meu lugar favorito para ficar. Golpear a bola por diversas vezes e ouvir o barulho oco que ela fazia ao atingir a parede, começou a ficar cada vez mais agradável e me ajudou a liberar toda aquela frustração de não ter mais o controle sobre o que acontecia na minha própria vida. Tentando recuperar um pouco da atenção do meu filho, decidi enviar o nosso motorista para umas compras de última hora e confeccionar um quadro para dar de presente aos seus avós.

Ele gostou da ideia de fazer algo sujo.

Nós pintamos coisas sem formas e coloridas apenas pelo prazer de sentir as tintas em nossas mãos, Rosalie gravou vídeos do processo de criação e enviou para Esme que achou a coisa mais incrível do mundo, como avó babona que era, afirmando estar ansiosa para ter a obra em algum lugar de sua casa em Chicago. Nós conversamos por um momento sobre o que tinha acontecido e ela ficou profundamente chateada com as escolhas de palavras do filho, mas afirmou que o conhecia bem e se ele estava se afastando, era por reconhecer que havia me machucado e estar evitando fazer isso de novo ao perceber que ainda não estava bem sobre tudo, mas que a situação não se estenderia por mais tempo. Disse que eu era importante demais para ser deixada de lado.

Eu precisei dar algum credito à Esme, os dois eram muito unidos e ela deveria saber da verdade por trás de cada reação do Edward e suas palavras de incentivo realmente ajudaram a me restabelecer e ter um pouco de fé. Eu não podia culpa-lo por ter ficado chateado comigo, eu fui um pouco irresponsável e antes ser punida com a ausência dele do que ter algo de errado com o meu garoto.

Durante a conversa, ela lamentou mais ainda o atentado, como estavam chamando. Carlisle estava cogitando voltar para Atenas e nos ajudar no que fosse possível, mas tanto quanto eu os amava e gostaria de tê-los por perto, não os queria envolvidos nessa confusão.

Mais Cullen, também era mais problema. Mais pessoas para o desgraçado lá fora tentar algo contra e eu não estava ansiosa para aumentar a minha lista de preocupações.

Alice e seu marido vieram jantar conosco naquela noite. Ela esperava encontrar Edward também, mas ele preferiu ficar no trabalho a vir compartilhar a mesa com todos nós. Eu me perguntava se ele estava atolado com o serviço, se novas informações haviam chegado ou era apenas um pretexto para passar mais tempo fora de casa, uma vez que Emmett sempre vinha fazer as refeições com Rosalie, independente do trabalho.

— E ela tinha essa mania irritante de esvaziar a bolsa em cima da mesa, então limpa-la, assim como todas as suas bugigangas e então coloca-las de volta, na ordem. E no dia seguinte, refazia toda a maldita coisa — Alice bufou, arrancando uma risadinha de Rosalie — Enfim, vocês estariam dispostas a me acompanhar em uma consulta amanhã? Tenho horário marcado com o médico da Ella às 14h e depois, poderíamos fazer algumas comprinhas.

— Isso é muito bom. Gostaria de alguns maiôs ou biquínis novos. Eu tive um... incidente com os outros. — Rosalie fez cara feia e olhou para Emmett que estava se segurando para prender um sorriso. Ela bufou e voltou para o seu copo com água.

— Esse é o espirito! E você vem conosco, Bella, sem discutir. — Alice decretou e ergueu a sobrancelha para mim como se me desafiasse a contradize-la. Bem...

Eu apenas dei de ombros sem realmente responder. Heitor está precisando de fraldas e ao invés de mandar alguém busca-las, iria junto com elas e tentaria espairecer. Elas sabiam como animar alguém e talvez me submeter a compras desnecessárias acabasse sendo divertido.

As garotas tiveram essa ideia procurarmos algum jogo de tabuleiro para disputarmos algumas partidas e Emmett fez parecer que seria desinteressante sem qualquer aposta ou algo pelo o que vencer, então determinamos que os perdedores teriam que tomar uma dose generosa de vodka e se eu tivesse lembrando o quanto o álcool ajuda com questões do coração, teria atacado a geladeira há muito mais tempo.

Alice estava trocando as pernas quando saiu daqui declarando o seu amor por Jasper que apenas sorria e tentava guia-la para o caminho certo, sem que o corpo dela desabasse aos seus pés. A cena toda foi fofa e hilária, porque ele tinha uma paciência admirável. Rose me ajudou a dar banho no Heitor e deixa-lo pronto para dormir, uma vez que era a mais sóbria de todos nós. A mulher estava ficando resiste em relação a bebidas.

O bebê, cansado de todas as atividades do dia, não demorou a dormir, usando apenas a calça do pijama, uma vez que a noite esteve mais quente que o normal.

A cama tentadora me chamou como uma sereia seduz um pescador, mas eu precisava de uma boa ducha para tirar aquele cheiro de mim, bem como um pouco de tinta que havia passado despercebida durante o banho anterior. Após vestir um short de malha e uma regata, tentei secar os meus cabelos úmidos com a toalha, porque o secador se recusou a pegar na tomada do banheiro e eu não estava disposta a leva-lo para qualquer outro lugar, então apenas caí daquela forma sobre o edredom e desmaiei.

Em algum momento, eu senti o colchão afundando ao meu lado, mas ignorei sem realmente parar para pensar no que aquilo significava. O sono levou-me outra vez e fui desperta minutos depois quando um braço circulou a minha cintura e me puxou, fazendo as minhas costas descansarem contra um peitoral familiar.

— Eu senti tanto a sua falta — A voz falou abafada em meus cabelos enquanto seu nariz roçava entre os fios recém lavados — Desculpe por agir daquela forma. Eu te amo feito um louco.

Sem poder evitar, me rendi a escuridão com um sorriso preguiçoso ao constatar que Edward finalmente havia voltado para casa e eu estava outra vez nos seus braços.

Ao contrário do que eu imaginava, acordei sozinha e de ressaca na manhã seguinte. Um som infernal bem próximo à minha cabeça se repetia a cada dois segundos e com os olhos pesados, constatei que era o despertador e a tela de LED mostrava que pouco passava das 10:00h. A minha boca estava seca, dando-me uma sensação desconfortável. Sentei-me meio desorientada e o meu braço bateu contra algo que fez barulho de plástico sendo amassado. As grossas cortinas estavam bem fechadas, não permitindo que o sol entrasse e eu não conseguia enxergar direito, então me estiquei até alcançar o abajur e liguei a luz e arfei com a bonita surpresa que encontrei.

“Palavras não são capazes de expressar o quanto eu lamento por tudo. Muito obrigada por sua paciência e respeito. Espero que a comida esteja do seu agrado e ajude com o mal-estar.

Eu te amo muito.

Seu Edward.”

Era o bilhete escrito à mão ao lado do enorme buquê de rosas champanhe tão cheirosas e delicadas que eu tive todo o cuidado para não amassa-las ao coloca-las de volta ao travesseiro. No final da cama, havia uma bandeja com pés dobráveis com um café da manhã que me deixou salivando no mesmo instante. Havia mesmo um pequeno enjoo, mas não forte como os quais já tive, então empurrei o meu corpo até lá e me servi de um pouco de café. Estava surpreendentemente quente. Quando será que vieram deixar isso aqui? Aposto que essa era a causa do alarme, afinal.

Mordi um pedaço de torrada coberta por geleia e enquanto me alimentava, ia descobrindo mais coisas. Destampei algo que despertou a minha curiosidade e tenho certeza que soltei um gritinho.

Oh!

Era um lindo prato de panquecas com blueberrys e elas formavam um rostinho feliz sobre a massa, exatamente como parecia o balão que ele me comprou no nosso primeiro encontro.

Uau, ele ainda lembrava? Isso era tão doce.

Com o apetite voraz de quem mal tocou no jantar na noite passada, eu comi tudo o que normalmente não conseguiria fazer caber e joguei-me no colchão me sentindo imensa. A oferta de paz de Edward estava realmente deliciosa. Apertei o edredom no meu corpo e consegui sentir o cheiro dele, confirmando que não havia sido um sonho. Que ele havia voltado a dormir comigo e me pediu perdão enquanto abraçava-me a si.

Sorri com a constatação e levantei da cama para começar o meu dia.

Eu notei a agitação entre os empregados antes mesmo de descer as escadas. De cima, observei todos movendo-se com pressa, arrastando moveis, trocando coisas de lugar, limpando e encerando o que viam pela frente para que ficasse de acordo com o gosto de Maísa que latia ordens e parecia mais rigorosa do que eu jamais vi. Eu admirava a sua força para lidar com tantos detalhes que aquela casa exigia, sem contar que ela estava sempre preocupada com o que nos agradaria ou nos daria mais conforto. Era muito agradável ter alguém nos mimando constantemente, mas me preocupava que ela vivia pelos Cullen. Eu sequer sabia onde ela morava, pois, antes de dormir, ela já havia se recolhido. E sempre antes de acordar, ela já estava ocupada com os seus afazeres.

Cumprimentei o pessoal, orgulhosa de como o meu idioma estava melhorando à medida que eu praticava e todos pararam o que faziam para responder e sorrir de volta. Aposto que notaram que o meu bom humor havia sido restaurado. Estava realmente feliz que Edward tenha tomado a iniciativa de fazer as pazes comigo. Eu não pensei que a nossa primeira briga séria causaria esse estremecimento em nossa relação e bem como o meu coração já estava se recuperando de suas palavras duras, eu deveria fazer algo para buscar o seu perdão também, pois tinha consciência de que se não tivesse feito merda naquela noite, nada disso teria acontecido.

Encontrei Alice voltando da cozinha enquanto caminhava para lá e estreitei os meus olhos, primeiro para o que ela vestia e segundo para o fato de ela estar aqui quando combinamos de nos encontrar apenas à tarde. Eu não acho que Antonella esteja muito doente, uma vez que ela sorriu felicíssima ao me ver e agarrou-me em um abraço de urso, balançando o meu corpo de um lado para o outro, o que me fez rir. Aparentemente, alguém mais estava radiante por aqui.

— Você está com uma carinha melhor esta manhã e isso é ótimo, porque me dará menos trabalho. Vamos voltar para o seu quarto, porque nós temos muito a fazer. — Sua mão agarrou a minha e me arrastou de volta para sala, dando-me a chance de ver Heitor se divertindo no jardim com Helena, em volta a uma porção de brinquedos diferentes. Por que eu nunca os tinha visto antes?

— Rosalie? — Chamei, estranhando vê-la remexendo no meu closet. Alice correu até ela e começou a vasculhar os compartimentos — Você precisa de algo emprestado?

— Estou escolhendo o que você vai levar, agora cale a boca e não me atrapalhe — Resmungou e eu fechei a boca com o seu tom. Ela parecia realmente concentrada — Precisa de uma bolsa?

Por que raio nos precisaríamos de uma bolsa?

— Aqui está o que você precisa saber, Bella — Alice começou quando voltou arrastando uma mala tamanho médio e jogou-a aberta em cima da cama — Eu menti para você. Não estamos indo ao médico ou fazer pequenas compras na cidade. Os planos são outros e secretos até segunda ordem, então seja uma boa menina e não faça perguntas que não posso responder.

E o que diabos isso queria dizer? Rosalie riu descaradamente da confusão no meu rosto e começou a jogar peças e mais peças dentro da mala e eu só saí do meu estado catatônico quando a vi fazendo sons engraçados na minha gaveta de roupa intimas. Cadela, volte aqui! Eu tentei fazê-las me darem alguma luz sobre onde estávamos indo. A ideia de outras pessoas – por mais que as ame – governando a minha vida e me dizendo o que fazer, não era agradável em nada, mas perdi a batalha e fui empurrada para o banheiro e exigiram de mim um banho rápido, pois supostamente, estávamos ligeiramente atrasadas.

Mas atrasadas para que?

Quando voltei para o quarto, a minha cama já estava feita e sequer lembrava que um furacão de um metro e meio esteve ali espalhando calçados e tecidos em busca do que ela aprovava. Vesti o que haviam separado para mim e a minha curiosidade tornou-se ainda mais aguçada quando estudei o meu reflexo no espelho. Eu me parecia com aquelas socialites no auge dos 35 anos, pronta para ter um tempo de qualidade em um clube privado e elegante enquanto o meu marido se divertia no golfe com os seus amigos.

Eu estava pronta para gravar um episódio de The Real Housewives of Miami.

— Ei, você. Como está lindo, queridinho — Gritei empolgada no corredor quando vi Helena trazendo o meu filho vestido em roupas novas. Leves e perfeitas para o clima de hoje — Vem com a mamãe?

Ele não hesitou e abriu seus braços gordinhos em minha direção, abraçando o meu pescoço. Peguei-o no meu colo e ajustei a chupeta na boca para que ela não continuasse fazendo barulho enquanto ele chupava. Quando descemos, Rosalie estava no celular e pelo seu tom grosseiro de voz, deveria estar falando com Emmett. Ela desligou afirmando que nós estávamos saindo de casa e isso tornou tudo oficial. Eu era a única a não saber o que diabos estava acontecendo aqui.

— Você adora surpresas, Bella. Desmanche essa cara, por favor? — Ela pediu quando abriram a porta do carro para mim e eu hesitei em entrar por um momento, mas o fiz quando Alice rosnou atrás de mim. Jesus, ela me morderia ou o que?

— Eu só não quero mais problemas — Expliquei puxando a cadeira do Heitor pela quinta vez para ter certeza de que aquilo não sairia por nada nesse mundo — Eu deveria ligar para o Edward e avisa-lo que estamos saindo. Vocês sabem que ele não quer o Heitor na rua sem necessidade.

Sentia que estava matando o clima no carro, enquanto as meninas conversavam animadas sobre inúmeros assuntos, eu estava preocupada e com o estômago gelado. O que essas criaturas estavam aprontando? Caramba. Rosalie sabe perfeitamente o que tive que enfrentar há alguns dias. Ela não seria louca de me colocar em apuros e o problema todo não se tratava apenas do que o meu namorado acharia, mas se estávamos seguros saindo assim sem mais nem menos.

— Está bem, sua grande bebê chorona! — Alice exclamou virando-se na minha direção, sentada do outro lado do sobrinho. Ela tinha seus braços para o alto, em uma dramatização de quem não aguentava mais — Eu vou dar-lhe uma previa do que a espera — Acho que os meus olhos se iluminaram, pois ela não aguentou fazer cara feia e riu — Você não precisa se preocupar com o Edward, porque a ideia foi toda dele e eu preciso admitir, estou orgulhosa.

— Que ideia? Eu recebi as flores e os cartões, mas não sei do que você está falando.

— Nós vamos para a Ilha de Santorini — Respondeu-me sorrindo e praticamente vibrando sobre o banco — Ela é magnifica, Bella. Fica há uns 200 quilômetros de Atenas, mas não devemos demorar nada a chegar. A lancha do Edward é realmente bastante veloz.

Tenho certeza de que fiquei momentaneamente muda com as novas informações. Minha nossa! Edward havia preparado isto para mim? Estávamos todos indo para uma ilha usando a sua lancha? Isso era realmente, realmente muito doce. Eu quis pegar o celular e agradecer sua gentileza, mas senti um pequeno desanimo ao perceber que gostaria de tê-lo aqui para aproveitar tudo isso comigo.

— Isso é totalmente injusto — Resmunguei dobrando o tecido da minha saia — Não que eu esteja reclamando, mas Edward está me enviando para uma ilha para que eu tenha um pouco de diversão com as minhas amigas, quando eu fui a idiota a provocar toda essa confusão. E ele?

— Acredite em mim, Bella, essa deve ser a menor das suas preocupações — Rosalie riu virando no banco da frente para olhar pra mim e então acenar para Heitor que estava puxando do pulso, a pulseira que o pai lhe deu — Você terá sua chance de recompensa-lo à noite.

— Por que? O que tem essa noite?

Alice começou a rir daquela forma irritante e Rose a acompanhou. Eu me joguei contra o banco e virei para a janela me sentindo frustrada. Era ridículo que elas estivessem escondendo coisas assim de mim. Era a minha vida. O meu namorado! Inferno, eu sentia tanta a falta dele. Seria simplesmente tão incrível se o seu trabalho o permitisse vir junto conosco hoje. Teríamos um tempo incrível em Santorini. Poderíamos conversar e nos divertir longe de casa, onde os problemas pareciam prestes a saltar no posso pescoço a cada momento.

Fomos para o principal porto de Atenas que ficava no município vizinho de Piraeus. Como não morávamos no centro da cidade, nosso carro chegou em cerca de 35 minutos. Havia dois ferry-boats no mar quando chegamos e um deles já estava cheio com turistas ávidos para registrar alguma coisa incrível com suas câmeras, mas é claro que a lancha dos Cullen parada há diversos metros de distância dele, roubou toda a minha atenção. Era grande e incrível.

Como o dono.

— Por que você está corando? — Rose perguntou jogando a bolsa de Heitor sobre os ombros.

— Calor.

O bote me assustou um pouco quando começou a ser preenchido com as nossas malas. Eu não estava certa de que ele suportaria as coisas e o nosso peso, mas o senhor assegurou-me que estava tudo bem. Fui a primeira a me acomodar nele com Heitor em meu colo usando uma boia minúscula e adorável. Ele não reclamou de coloca-la porque gostou da cor. Uma vez que o motor foi ligado, partimos rumo à Targa 58 que nos esperava e de perto, eu podia afirmar que se tratava de uma lancha conversível e aparentava ser tão luxuosa quanto tudo que pertencia a eles.

Me surpreendi quando pus os meus pés se firmaram no barco e nada balançou. Claro que não estávamos em movimento ainda, mas ainda assim, era surpreendente. O meu garoto voltou para os meus braços e enquanto eu esperava que as garotas se juntassem a mim, notei um burburinho vindo de dentro. Vozes e risadas que eu não reconheci. Será que tínhamos convidados ou estávamos dividindo a lancha com mais alguém? Alice bateu palmas e correu em direção ao barulho tão rápido quanto os seus saltos permitiram e Rose colocou a mão nas minhas costas, empurrando-me ligeiramente para a mesma direção.

E eu achei que os meus olhos fossem saltar quando notei Esme gargalhando de alguma coisa que Jasper lhe contou enquanto acariciava a perna do marido, ambos sentados em um sofá que parecia muito confortável. Ela ouviu a filha gritar e nos olhou com um sorriso doce nos lábios.

Oh, meu Deus. Estavam todos aqui!

— Mas quando foi que...

— Bom dia, querida! — Ela veio em minha direção e depois de beijar a testa do neto, me deu um forte abraço que retribuí ainda meio atordoada — Como você cresceu, meu amor.

Heitor riu abrindo e fechando as mãos e inclinou o corpo para frente, para que fosse pego pela avó que não resistiu. Tirou-o dos meus braços, dando espaço para que Carlisle fosse o próximo a me abraçar. Ele pediu desculpas por manter em sigilo sobre essa visita inesperada e pareceu um pouco preocupado que eu não tenha gostado da presença deles ali, mas logo tratei de demonstrar o quanto era agradável tê-los a minha volta outra vez. Cumprimentei Jasper e sua garota que estava mal-humorada por causa do clima quente e teve que ter quase toda a sua roupa retirada, fazendo um beicinho aparecer nos lábios da mãe.

— Como você consegue ficar mais bonita a cada vez que a vejo? — Engoli o grito que subiu pela minha garganta quando mãos masculinas acariciaram meus braços e eu girei ficando de frente para Edward, sem realmente acreditar que ele estava ali — Você parece bem surpresa.

— Você está vindo conosco? — Perguntei em um fio de voz e ele assentiu abrindo aquele sorriso que fazia deixava a minha barriga em desordem — Isso sim é uma tremenda surpresa. Ainda é sexta-feira. Você não tem que trabalhar? E obrigada pelas flores, elas são muito lindas. O café da manhã também estava incrível. Oh, e por isso... – Calei-me quando percebi que estava falando sem parar devido o nervosismo.

— Claro — Ele deu de ombros como se fosse pouca coisa e meus lábios contraíram para rir. As mãos de Edward encontraram o seu caminho para o meu pescoço e depois que estremeci, subiram para segurar o meu rosto e inclina-lo para cima — Será que eu, que tenho sido nada menos que um babaca nos últimos dias, estou autorizado a beijar a minha mulher?

A resposta foi os meus lábios se chocando com os dele.

Edward foi rápido em enlaçar a minha cintura, me trazendo mais para perto e gemeu quando a minha língua pediu passagem. Meus dedos entrelaçaram-se entre os seus cabelos, puxando os fios da nuca enquanto eu o beijava com força, mostrando o quanto senti saudades e como eu estava feliz em tê-lo finalmente comigo outra vez.

Suas mãos me tocavam em todo lugar, o jeito que eu era apertada contra o seu corpo era quase sufocante, mas ambos precisávamos disso. A minha pele estava esquentando e a vontade de me livrar daquelas roupas apenas aumentando, então apenas o pigarro divertido de Emmett foi capaz de nos alertar que estávamos dando um show na frente da família.

Ao nos separarmos com um gemido a contragosto, escondi o meu rosto contra o peito do Edward, com vergonha e porque ele estava cheiroso demais hoje.

— É muito bom vê-los assim novamente — Esme disse sorrindo para mim quando fiquei de frente para todos. Eu olhei em volta e notei que já estávamos em movimento. Quando isso aconteceu? — Acho bom não chegar aos meus ouvidos que a Bella está abatida por causa do seu mal comportamento, Edward. — Ela repreendeu e todos riram do meu namorado ficando adoravelmente vermelho. Nós fomos sentar ao lado de Alice que segurava Heitor pelo braço enquanto ele pulava e tentava chamar a atenção da prima.

— Esme, você mesma já me colocou na casa do cachorro mais vezes do que eu imaginei que fosse correto e aqui estamos — Carlisle se pronunciou ao colocar uma taça de mimosa em sua mão. Outra rodada de risadas foi ouvida — É normal e saudável que as crianças se desentendam, desde que saibam reconhecer onde erraram e consertem aquilo que bagunçaram.

— É isso aí — Emmett concordou e levantou a sua taça — Um brinde ao sexo de reconciliação, pessoal! — Ele rugiu deixando o casal sem graça, mas que brindaram de toda forma, inclusive eu, mas com o rosto no ombro do Edward que ria do amigo sem noção e beijava o meu cabelo.

Ele estava animado em me mostrar todo o barco, então fizemos um tour rápido pelo interior, que constatei ser todo customizado e com cores semelhares a sua aeronave, mas a suíte principal era muito maior, assim como o banheiro. Nós sentamos na cama por um instante e Edward me questionou sobre eu estar à vontade ou não de fazer essa pequena viagem com ele e sua família.

Eu podia ver seu nervosismo por trás das palavras.

— Você não imagina o quanto eu lamentei ter dito aquelas coisas assim que elas saíram da minha boca, Bella — Ele começou apertando a minha mão e eu lutei para não relembrar o momento — Estava furioso, principalmente com a ideia de alguém ter tentado machuca-los enquanto eu estava longe cuidando das minhas próprias coisas, então ter a certeza de que você esteve a noite inteira mentindo para mim foi... o estopim.

— Eu entendi você o tempo todo, Edward. Você foi desnecessariamente duro comigo, sim e me fez pensar por dias que eu era uma péssima mãe e pus a vida do meu filho em risco deliberadamente, o que é impossível — Ele soltou a respiração e assentiu devagar, levando a minha mão fechada até os seus lábios e deixando um beijo demorado na minha pele — Mas compreendi que estava assustado tanto quanto eu e que fiz uma besteira imensa em não te contar assim que nos virmos.

— Eu sinto tanto, ágape mou, tanto — Seu rosto adquiriu uma linda careta de dor e sua testa encostou-se na minha. Seus olhos estavam fechados, mas eu ainda estudava as suas expressões. Ele parecia estar sofrendo — Você é capaz de me perdoar? Juro que tudo que falei foi da boca para fora. Você é absolutamente perfeita, para mim e para o nosso filho. Todos nós sabemos que seria capaz de dar a sua vida por ele.

— Sim, Edward. Me desculpe também por não dar ouvidos ao que você considera seguro para nós dois, ainda tenho um pouco de dificuldade em mudar as minhas decisões baseadas na opinião de outra pessoa. Eu estava precisando de algum espaço onde pudéssemos nos distrair um pouco daquele absurdo que estávamos vivendo, entende?

— Entendo, é claro. Você é tão boa para mim, baby. Obrigada por ver o meu lado — Agradeceu beijando os meus lábios repetidamente e eu sorri pequeno, sentindo sua mão na minha nuca, me prendendo ali — A ideia de alguém tentando tira-lo de mim me deixou louco. Eu estava apavorado. Ele é o meu único filho, Bella, uma criança inocente e tão maravilhosa. Ele não tem nada a ver com essa gente...

— Eu sei, amor, eu sei — Aproximei-me colocando meus braços ao redor do seu pescoço e ele me abraçou, escondendo o seu rosto entre o meu cabelo. Eu estava com calor, mas não me incomodei em tira-lo dali pelos próximos minutos que ele apenas me segurou em silencio — As coisas no escritório estão bem? Você passou tanto tempo fora de casa que me deixou preocupada.

— Sim, tudo sob controle. — Respondeu ao beijar a minha bochecha e então a boca novamente. Eu sorri porque ele não conseguia manter os lábios longe de mim.

Edward me contou sobre as últimas que perdi e fiquei aliviada que se tratava de pouquíssimas coisas e ele não parecia preocupado com nada daquilo. Acontece que a pequena discussão no aniversário do Igor foi registrada pelo celular de algum convidado e o vídeo foi vendido no dia seguinte para o TMZ, que afirmou que a causa da briga foi o meu comportamento suspeito com um colega de trabalho do Edward. Ele havia nos flagrado em um momento íntimo – segundo as testemunhas – e perdido a calma. Sanguessugas patéticos.

James apareceu e causou uma pequena confusão ao reclamar sobre ter sido demitido por injusta causa, mas me disse que ele foi facilmente colocado em seu lugar. E Elizabeth também tentou entrar em contato inúmeras vezes, provavelmente para reclamar sobre a sua exposição na mídia – e jogar a culpa sobre mim, como era de costume –, mas ele não retornou as suas ligações, uma vez que verificou que estava tudo bem com ela.

Edward ainda era bondoso ao ponto de verifica-la.

Jenks entrou em contato e estava a par do que haviam feito conosco. Ele marcou de nos encontrar na segunda-feira de manhã para conversar e deixar-nos a par das novas informações. A polícia descobriu a identidade da pessoa que supostamente maquiava os balancetes da empresa, mas tinham certeza de que ele era apenas um laranja que consciente ou inconscientemente participou do golpe e estava pronto para levar a culpa pelo o verdadeiro culpado, mas o homem entregou o apartamento que alugava há dois meses e estava se hospedando em pensões, mas infelizmente há pouco tempo deixou de usar o cartão de credito, dificultando a busca por ele. Mas estavam confiantes. Uma vez o tendo em custodia, eles proporiam um acordo para chegar no verdadeiro traidor.

Emmett veio procurar por nós e chamou-nos do outro lado da porta de forma nada sutil, exigindo que guardássemos nossas energias para que o quarto de hotel fosse bem aproveitado e voltássemos lá para cima, pois estavam perguntando por nós. Eu fiquei surpresa com a sua interrupção porque sequer havia percebido que estávamos há mais de uma hora da suíte fazendo absolutamente nada, além de trocar alguns beijos, carinhos e conversar.

Rosalie estava verde quando a encontramos.

Esme estava abanando-a, mesmo que o vento forte estivesse fazendo loucuras com o nosso cabelo, e afirmando que em menos de 20 minutos estaríamos em terra firme e ela lhe providenciaria um chá de hortelã para ajudá-la a se livrar daquele enjoo. Foi realmente constrangedor quando ela demonstrou sua animação para a possibilidade de vir um novo bebê na família através de Rose e tivemos que ver a sua expressão feliz, murchar, quando a minha amiga explicou que seria impossível algo assim acontecer. Ao menos pelos meios naturais.

— Está vendo ali? — Edward me perguntou apontando para as montanhas e uma espécie de vilarejo logo acima delas. Tudo era branco — Santorini é muito especial e romântica. Vai ser incrível explora-la com você. — Continuou, seu corpo me pressionando contra a grade na lancha. Ele continuou me contando sobre como a ilha era encantadora, o que poderíamos fazer durante a nossa estadia e com a sua voz falando daquela forma no meu ouvido, eu estava tentada a seguir apenas o conselho de Emmett e ficar no hotel.

Deus, já fazia tanto tempo...

Admito que fiquei nervosa quando chegamos e fui informada de que sua forma de meia-lua era devido a erupção de um vulcão ainda ativo. Pensei em pedir para voltar, mas logo fui distraída quando Alice me arrastou para as ruelas de Fira para verificarmos as vitrines das principais lojas. O fluxo de turistas das mais variadas nacionalidades era grande e por isso, o preço de tudo era exageradamente maior do que em outros lugares da região.

Nós fomos almoçar no PK Cocktail Bar e eu estava com medo de babar com a vista fantástica que tínhamos na nossa mesa do mar Egeu. Edward esteve constantemente me beijando durante a refeição e isso atrapalhou um pouco meu apetite, pois ter seus lábios constantemente no meu ombro nu, seus dedos passeando pelo meu braço e seu joelho roçando propositalmente na minha coxa, era muito para aguentar enquanto me alimentava.

Eu havia escolhido um peixe e uma salada com tomate-cereja e queijo feta. Descobri pelo garçom que tinha um excelente inglês, que os tomates eram saborosos daquela forma porque aqui, eles nunca são regados. A única água que absorvem vem da umidade do ar e isso deixava o sabor muito mais aguçado.

Nosso próximo destino foi Oía, aparentemente a cidade mais bonita da ilha, localizada no extremo norte. Era onde ficavam aquele conjunto de casinhas adoráveis com alguns telhados azuis que nós vimos de longe. Nós tínhamos reservas no Canaves Oia Hotel. Ele impecavelmente branco tanto fora quanto dentro.

Nós ficamos na Grand Suite e ela parecia com um pequeno apartamento. Era completamente mobiliada com tudo que poderíamos precisar, tinha três quartos, dois banheiros, uma sacada incrível com sofás, mesa e banheira de hidromassagem. Notei assim que chegamos que tínhamos a vista da imensidão do mar através da janela, da própria sacada ou se simplesmente deixássemos a porta aberta. Era incrível e quando senti a maciez da cama nas minhas costas, tive a certeza de que aquele era um pedaço do paraíso na terra.

— Ah! — Gritei quando o corpo de Edward caiu em cima de mim, me roubando o ar. Ele riu enquanto ajeitava-se de modo seu peso foi equilibrado com a ajuda dos seus antebraços — Onde está o Heitor? Ele sempre cochila após o almoço.

— Diga isso à Esme que não desgrudou de Antonella e dele desde que chegamos — Respondeu gemendo ao arrastar o nariz pelo o meu pescoço, me causando arrepios. Eu abri as minhas pernas tanto quanto a maldita saia me permitiu e empurrei meu quadril para o dele, nos encaixando. Os meus saltos estavam arranhando as suas panturrilhas e isso o fazia rosnar no meu ouvido e então mordiscar a pele — Você torna muito difícil manter nossas roupas.

— O que, essa porcaria? Por que eu iria querer ficar com isso? — Perguntei beijando a sua boca — Ei, volta para cá... — Gemi de desgosto quando ele se levantou rindo do meu beicinho.

— Me ajude a desfazer as malas — Pediu arrastando-as para perto da cama e eu me sentei sem muita vontade — Alice deve passar aqui em breve. Duvido que ela permaneça no hotel pelo resto do dia e nos intimará a ir com ela.

— Que seja. — Respondi com um bufar.

Sim, bem. Ela passou todas as ultimas noites nos braços do marido, então não veria problema em se separar dele por algumas horas e aproveitar a cidade. Ninguém entendia que eu estava necessitando ficar com Edward.

Levantei contra a minha vontade a abri a minha mala para ver pela primeira vez as peças que as meninas separaram para mim. Edward continuava rindo do meu repentino mal humor enquanto eu jogava as roupas de qualquer forma sobre a cama e quando alcancei a minha escova de cabelos, precisei conter o meu desejo de simplesmente atira-la em sua direção.

Ele, pratico como sempre, já havia organizado as suas no armário quando cheguei lá com a minha pilha e fiquei satisfeita que ainda desse para guardar outras coisas. Olhei para um espaço vazio na parte de baixo e estava avaliando se os meus sapatos caberiam ali quando o meu corpo foi virado repentinamente e eu tinha a boca de Edward na minha antes que eu pudesse piscar.

Ele nos moveu pelo quarto sem deixar de me beijar e ambos caímos de volta à cama, mas desta vez ele estava muito mais ativo e empolgado. Seus lábios desceram para o meu pescoço novamente, dando-me uma chance para respirar. Eu realmente soltei um gritinho quando ele puxou a alça da minha blusa para baixo e expôs o meu peito ao seu hálito quente.

O meu mamilo endureceu sem qualquer toque, como se implorasse por alguma atenção e eu tentava inutilmente roçar as minhas pernas uma na outra em busca de algum alivio, que veio com a boca de Edward sugando o meu peito como um bebê com fome. Estava impossível de controlar as reações do meu corpo. Quando ele mudou as caricias para o mamilo seguinte, passando a língua por toda a auréola e apertando o outro com a ponta dos dedos úmidas da própria saliva, eu estremeci embaixo e liberei um alto gemido. Ele zumbia no meu peito em aprovação tornando a sensação ainda mais incrível.

— Oh, por favor... m-mais. — Gemi diante do olhar que ele me enviou. Eu estava encharcada e necessitada, mas a cada minuto ficava mais claro que aquele estimulo parecia ser o suficiente para me levar à borda.

— O que foi, baby, do que você precisa? — Perguntou sorrindo torto para mim e assoprou o biquinho completamente molhado, fazendo com que minhas costas saíssem da cama — Diga.

— Me faça... oh, porra! — Gritei quando ele beliscou o meu peito e a dor tornou-se puro prazer quando sua língua deu batidinhas no outro bico sensível antes de chupa-lo, usando suas mãos para me massagear. Eu estava tão perto — Me faça gozar...assim.

Edward gemeu concordando e brincou com os meus mamilos antes de vir me dar um beijo de língua tão intenso que me transformou em uma poça sobre o colchão. Suas mãos continuaram estimulando os meus peitos e quando ele investiu o seu quadril no meu e sua ereção pressionou o meu sexo no lugar certo, aquele foi o meu fim. Seus lábios abafaram o meu gemido sofrido quando o orgasmo me atravessou e acalmaram o meu corpo com beijos gentis até que eu estivesse normal outra vez.

— Melhor, baby?

— Sim, obrigado — Nós rimos — Eu te amo.

— Eu também te amo — Ele sorriu no meu rosto e eu preguiçosamente atravessei o seu cabelo macio com os dedos enquanto a minha respiração ficava cada vez mais lenta — Eu preciso de um minuto.

Edward me deixou amolecida na cama e foi em direção ao banheiro tocando descaradamente o seu pau por cima da calça e imaginar que ele iria cuidar da sua situação sozinho me excitou novamente. Eu estava parcialmente satisfeita, mas nenhum orgasmo substituía aqueles que vinham quando ele estava dentro de mim e inferno, eu mal podia esperar.

Antes que pudesse fazer algo a respeito, ouvi uma pequena serie de batidas e sonolenta, desci as escadas para encontrar Alice e sua trupe do outro lado da porta, prontos para conhecerem mais da cidade e eu precisei sorrir, fingindo que estava empolgada com a ideia de esticar as pernas por aí. Ela me deixou saber que Heitor havia adormecido no quarto de Esme e que ela tomaria conta dele pelo o resto da tarde, assim como estaria de olho em Antonella.

Em carros separados, nós fomos para uma área onde havia dezenas de lojas simples, que vendiam artesanatos e produtos agrícolas, como mel de qualidade, favas e algumas lembrancinhas. Emmett comprou joias que viu Rosalie olhando enquanto passava e Edward me levou a uma pequena galeria de arte e uma das inúmeras igrejas. Tudo era branco. Fiquei realmente muito animada quando fomos ao moinho de vento no final da tarde. Eu nunca tinha estado aqui antes, obviamente, mas o reconheci de um velho cartão postal. As ruas estreitas pelas quais tivemos que passar, eram encantadoras e acho que perdi as contas de quantas fotos fizemos entre elas até chegarmos lá.

Finalizamos o passeio nas ruínas do Fort Londsa. Edward nos guiou para o mirante, onde a maioria das pessoas se reunia para assistir o famoso pôr-do-sol que acreditam ser um dos mais bonitos de todo o mundo. A vista era incrível e quando chegou a hora, todos os turistas estavam com suas câmeras em mãos para registrar o momento. Eu estava na primeira fila, com Edward abraçando-me por trás e os meus olhos lacrimejaram quando a caldeira vulcânica e as casinhas brancas foram iluminas pela cor alaranjada do sol poente nos primeiros segundos.

Era a coisa mais bonita que eu já tinha presenciado na natureza.

Edward apertou o nosso abraço, sussurrando no meu ouvido o quanto ele me amava e como desejava me ter em sua vida para sempre e eu repetia as mesmas palavras de volta, emocionada demais para acrescentar alguma coisa. Saquei o celular do bolso e apontei em direção ao horizonte e a câmera capturou uma bonita imagem do sol laranja, o mar arroxeado e naquela mesma linha, um pequeno barco solitário a velejar. Absolutamente incrível.

Quando voltamos para o hotel, eu me sentia cansada, mas não queria necessariamente dormir. Bati no quarto de Esme assim que chegamos e o meu garoto ainda estava dormindo, agora acompanhando pelo o avô, mas Antonella estava desperta e pronta para ser amamentada. Os rapazes se juntaram em uma área de descanso para jogar conversa fora e nós garotas, colocamos roupas de banho e fomos para a piscina. O vento frio me deixou arrepiada assim que pus o pé para fora do quarto com apenas um maiô e um roupão pendurado no braço, mas a água estava deliciosamente aquecida.

Antonella ficou conosco e ela esteve adorável em cada tentativa de dar braçadas sem a ajuda da sua mãe, o que deixava o meu coração na mão e parecia divertir todas elas. Depois de muita conversa fiada sob o céu estrelado de Oía, Esme veio nos intimar para um jantar. Eu realmente queria aproveitar tanto quanto pudesse a minha estadia aqui, mas a ideia de pedir serviço de quarto e ficar apenas com Edward e Heitor no quarto era tentadora, mas ela e Carlisle vieram de Chicago para ter um tempo de família com todos nós e fazer algo assim seria muita ingratidão da minha parte.

— Você está sempre cheirando tão bem.

— Eu acabei de tomar banho, baby — Edward riu ao enxugar o seu cabelo com uma toalha de rosto. A outra, maior, estava presa na altura do quadril e sempre que eu via as pequenas gotas de água escorrendo pelo seu torso, me dava vontade de puxa-la e cair em meus joelhos — O que vai vestir hoje? Hoje é um dia especial.

— Algum motivo especial além de você ter se afastado do mundo dos negócios para se isolar numa ilha com a sua família? — Perguntei divertida enquanto jogava um pedaço de pano nele, mas ele foi mais rápido e segurou.

— Talvez — Edward piscou para mim e balançou a renda azul diante do rosto. Espere! Isso era uma calcinha? — Tarde demais, Bella, tarde demais! — Ele gritou quando corri em sua direção para tentar tira-la de entre seus dedos, mas foi impossível. Edward me fez cócegas sempre que eu tentava chegar perto.

Passamos os próximos 10 minutos nessa brincadeira infantil até que Carlisle batesse na nossa porta para entregar Heitor que já tinha tomado banho e só precisava trocar de roupa. Eles deveriam mesmo estar com saudade das crianças, pois nós mal conseguíamos colocar as mãos neles depois que chegaram.

Eu optei por usar um vestido vermelho que ia dois dedos abaixo do meio das minhas coxas e tinha um decote sensual na frente e nas costas.

Separei um sobretudo branco, quase cor de creme e combinei os sapatos com a minha carteira. Heitor estava lindo em uma camiseta branca sem muitos detalhes e uma bermuda jeans, com cinco, que o deixava parecendo um rapazinho.

— Você está maravilhosa, baby — Ele me elogiou quando abriu a porta para mim, segurando o nosso garoto nos braços — Se os meus pais não estivessem esperando por nós, eu deixaria o jantar para os outros, tiraria esse bonito vestidinho e... — Ele foi interrompido pelos meus dedos pressionando os seus lábios. Eu apontei com a cabeça para Heitor que prestava atenção no pai e ele murmurou uma desculpa ainda através dos dedos.

— Obrigada, amor, você também está ótimo — Edward também optou por jeans, mas estava com uma camisa social branca e um blazer escuro por cima e eu estava tentada a simplesmente me mudar para o seu pescoço. A sua loção pós-barba era magnifica — Vamos?

Eu realmente achei que íamos comer em um dos restaurantes da redondeza, mas me surpreendi ao encontrar a nossa família toda reunida em uma área bem reservada do hotel. Eles estavam sentados ao redor de uma mesa retangular com oito lugares, em uma longa sacada, toda decorada com luzes e flores. Esme gesticulava para a louça enquanto conversava com um funcionário do hotel e me chamou atenção, o excesso de taças. Estávamos comemorando alguma coisa? Edward me beijou no rosto e puxou uma das cadeiras que sobraram para que eu sentasse e então nos trouxeram um excelente vinho branco para começar.

Heitor estava olhando admirado para o movimento das chamas das velas dentro dos vidros decorados, que pareciam lanterninhas sobre a mesa, enquanto mastigava um pequeno pedaço de berinjela cozida da sua carne de cordeiro com os tomates dos deuses. O jantar foi realmente incrível. A comida estava muito saborosa e a companhia melhor ainda. De frente para aquela imensidão azul, era como se todos os problemas estivessem tão distantes que faziam parte da vida de outras pessoas e não das nossas. Eu olhava para os meus amigos rindo de um Carlisle animado demais e refletia sobre o quanto tive sorte.

— Por que você está tão inquieto? — Perguntei para Edward, não aguentando de curiosidade. Quando a sobremesa chegou, uma linda torta de queijo, ele ficou tão nervoso que Heitor não quis mais ficar em seu colo e pediu a atenção de Rosalie.

— Porque eu tenho algo importante para fazer — Respondeu engolindo seco e eu franzi, confusa. Ele não tinha trazido trabalho para cá, certo? Isso me deixaria irritada — Eu posso ter um pouco de silencio, por favor? — Ele pediu olhando em volta e todas as conversas cessaram ao mesmo tempo. Esme abriu um sorriso bonito e apertou a mão do marido para chamar a sua atenção.

O mesmo rapaz de antes aproximou-se com um notebook, que não pertencia a nenhum de nós, mas ofeguei quando abriam um espaço na mesa para colocá-lo e viraram a tela em minha direção, mostrando-me os meus pais acenando para mim.

Mas que estava acontecendo aqui?

— Amor...

— Isabella, você precisa saber que há um motivo para estarmos todos aqui hoje — Ele começou virando-se na cadeira até ficar de frente para mim e então segurou a minha mão, entrelaçou nossos dedos e deu um beijo rápido — Eu te amo — Disse sorrindo e antes que eu pudesse responder, continuou — Soube que te queria para mim desde que aceitou a minha carona para casa naquela noite e adormeceu no meu carro — Eu ri com a lembrança de ter cochilado no banco de trás de um estranho após o jantar — Você me apresentou a sentimentos e sensações incríveis que eu só ouvia falar enquanto envelhecia perguntando-me quando seria a minha vez. Deu à luz a minha criança em circunstâncias nada favoráveis e a criou melhor do que eu mesmo teria feito. Eu só tenho a agradecê-la por ser a melhor parceira, amante e amiga possível. Obrigada por ter trazido Heitor para as nossas vidas. Obrigada não desistir de nós quando as coisas ficam difíceis e por enxergar em mim o que eu ainda não sei que sou capaz — Seu polegar alcançou uma lágrima traiçoeira e seu sorriso doce fez o meu coração dar um salto e disparar em antecipação — Amar você me fez um filho, um irmão e um homem melhor. Eu quero passar o resto dos meus dias agradecendo-a e fazendo-a feliz por isso. Quero ser aquele que irá cuidar e prover vocês. Quero poder apresenta-la como mais do que a incrível mãe e namorada que você é.

Edward saiu da sua cadeira e caiu em um joelho na minha frente tão graciosamente que me deu vontade de rir entre as lágrimas, porque só ele seria capaz de agir como um verdadeiro príncipe na vida real. Ele remexeu em um bolso dentro do blazer e tirou uma pequena caixa de madeira com acabamento brilhante e abriu para mim. Dentro, preso em uma almofada de veludo estava um incrível anel de ouro incrustado de diamantes. Eu ofeguei com a sua beleza e as mulheres da mesa imitaram a minha reação.

— Você me daria a honra de chama-la de esposa? Você quer casar comigo?

Respirei fundo algumas vezes até ter certeza de que a minha voz estaria ali quando eu precisasse. Olhei para a mesa. Esme tinha lágrima nos olhos, Carlisle tinha o nosso filho no colo e batia palmas com as mãozinhas dele. Emmett e Jasper nos olhavam com expectativa como quem assistia a um jogo importante, Rosalie estava emocionada e Alice segurando-se na borda da mesa esperando o momento de pular em comemoração.

— Sim — Soltei em um único fôlego e Edward abriu o maior sorriso que já em seus lábios — É claro que eu quero me casar com você, baby. — Ele levantou-se e a próxima coisa que soube, era que estava em seus braços e sua boca devorava a minha apaixonadamente.

Eu estava certa de que a comemoração à nossa volta estava grande, mas não conseguia focar em nada que não fosse o homem que me segurava apertado a si e beijava as lágrimas de felicidade que escorriam pelas minhas bochechas. Edward afastou-se apenas o suficiente para que pudesse retirar o anel e colocá-lo no meu dedo bem devagar, como se quisesse guardar o momento na memória exatamente como eu estava fazendo. Eu acariciei seu rosto com a mão que anunciava o meu noivado e ele beijou a palma com adoração antes de com um rugido de felicidade, tirar-me do chão e girar-nos como dois adolescentes.

Todos vieram nos abraçar e demonstrar o quanto estavam felizes por nós. Alice estava em polvorosa sobre planejar o meu casamento e falando sobre como estava difícil segurar essa informação até agora. A ficha caiu naquele momento que Edward havia deslocado a nós e sua família para a ilha apenas para me pedir em casamento e isso tornou tudo ainda mais precioso. Renée estava aos prantos sendo consolada por meu pai, que também estava muito feliz por mim, mas pediu-me para que eu esperasse mais um pouco até fazê-lo avô pela segunda vez.

Eu fiquei da cor do meu vestido e Edward gargalhou me pegando por trás, falando no meu ouvido para ninguém ouvir, que se o irmãozinho de Heitor não chegasse nos próximos meses, seria porque não era o momento certo e não por falta de pratica.

— Eu não quero um noivado longo — Ele confessou após me girar em torno de mim mesma em um passo de dança. Estávamos nos movimentando no ritmo de All For Love, a voz incrível do Rod Stewart embalando-nos enquanto dançávamos no meio da sala da nossa suíte — A minha irmã provavelmente vai surtar com o tempo que vou estipular para que ela consiga algo à sua altura, mas eu não posso mais esperar para tê-la como minha Sra. Cullen.

— Sra. Cullen — Repeti testando o nome — Sra. Isabella Cullen — Minhas bochechas doeram quando eu sorri pela milésima vez naquela noite — Eu também mal posso esperar.

Nós comemoramos o noivado por mais uma hora e meia. Tiramos fotos, rimos e brincamos dentro daquela bolha de felicidade, mas Edward correu comigo em seus braços para o nosso quarto na primeira oportunidade que tivemos e Esme anunciou que sequestraria Heitor por essa noite, para que tivéssemos alguma privacidade, mesmo que ele não costumasse nos dar trabalho durante a noite. Fiquei meio receosa em concordar aquilo, uma vez que sentia falta do meu garoto e gostaria de compartilhar com ele o turbilhão de coisas maravilhosas que eu estava sentindo, mas Edward me convenceu que tudo bem deixa-lo com os avós por uma única noite.

Amanhã o dia seria apenas de nós três aproveitando o que Santorini tem para oferecer.

— Eu estava pensando — Falei depois de uma risada. Os beijos dele em minha nuca estavam fazendo cócegas na área, mas as reações se espalhavam pelo corpo todo — Nós vamos poder quebrar pratos no nosso casamento?

— É o que você quer? — Edward perguntou atrás de mim. Ele segurou a saia do meu vestido e levantou-a até que ele estivesse saindo por cima da minha cabeça, deixando-me apenas de calcinha em frente a cama.

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— Oh, sim! — Respondi com entusiasmo e coloquei os joelhos sobre o colchão, para engatinhar até centro da cama — Eu sempre quis saber qual é a sensação de jogar toda aquela louça do chão em meio àquelas dancinhas engraçadas.

— Então você terá as louças — Ele disse subindo em cima de mim — As danças e palmas — Beijou a minha bunda e eu ri — E tudo o que você quiser, ágape mou.

— O que isso quer dizer afinal? — Perguntei me virando até ficar de frente para ele. Edward me chamava assim há tanto tempo e nunca me explicou o que significava, embora parecesse algo bonito e gentil.

Meu amor. O que você sempre foi e sempre será.

Sua boca prendeu o meu suspiro e eu me entreguei às suas caricias lentas, ousadas e excitantes. Edward tocou o meu corpo naquela noite como se eu fosse a verdadeira deusa daquele lugar e assim como Rosalie afirmou mais cedo, eu agradeci e demonstrei o quanto ele estava me fazendo feliz, até desmaiarmos de exaustão nos braços um do outro.

Pela primeira vez como noivos.

(Roupa da Isabella — 1)

(Roupa da Isabella — 2)

Notas finais
Esse capitulo foi bem agridoce, não? O stress subiu à cabeça e o Edward falou até o que não queria. Quem nunca soltou a língua em um acesso de raiva que atire a primeira pedra! O cara tava irado e com razão - em partes -, mas olha... se todo homem soubesse pedir desculpas como ele, o que teríamos para reclamar? Terminamos este com o casal oficialmente noivo ♥ e eu temo que a noticia não irá agradar a todos, mas é assim mesmo. Odeio pensar que estamos acabando essa Odisséia, mas espero que vocês continuem aqui para acompanhar a próxima ideia sem noção que a minha cabecinha criar. Bem, tivemos um cap grandão, então sejam bonzinhos! Nos vemos nas reviews.