Odisséia Grega
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Acordei do meu cochilo da tarde e me espreguicei sobre a cama, tendo cuidado para não atingir Heitor, que dormia pacificamente ao meu lado, com as mãos. Ele tinha deixado a chupeta escapar da sua boca e seus braços estavam jogados sobre a cabeça, expondo as axilas nuas por sua falta de camisa. O meu garoto parecia estar cansado, apesar de não ter feito qualquer outra coisa além de brincar mais cedo e eu culpava o calor que estava fazendo.
O verão em Atenas chegava a ser cruel com a sua alta temperatura e de tão acostumados com o frio cortante de Chicago, estávamos evitando sair e deixando as nossas atividades de turistas de lado por tempo indeterminado.
Alice e eu, tínhamos combinado de pedalar no início da semana com as crianças, mas estivemos atarefadas com nossas próprias coisas, então adiamos o pequeno passeio para hoje de manhã. Ela insistiu em me pagar um almoço em um restaurante muito acolhedor há poucos quarteirões de casa e logo eu percebi que aquilo não era uma boa ideia. Na primeira oportunidade, ela me bombardeou com perguntas e opiniões sobre o planejamento do casamento – o qual eu, ingênua, coloquei em suas mãos –, mas o seu exagerado entusiasmo era quase sufocante.
— Huh... não me importo com todas essas coisas, Ali — Disse dando de ombros e bebericando o meu suco — Por mim, casar com o seu irmão em um cartório estava mais do que bem.
Era verdade. Eu realmente nunca desperdicei o meu tempo planejando o grande dia e sempre achei que se algo assim fosse acontecer, não seria antes dos trinta. Nem nos meus sonhos mais ambiciosos, eu pensei que alguém como o Edward pudesse cruzar o meu caminho e prender-me de uma maneira que me fizesse desejar tê-lo para sempre em minha vida. As pessoas pareciam não entender, mas era exatamente por isso que eu queria que tudo fosse rápido, simples e fácil.
Alice arfou, colocando a sua mão sobre o peito como se eu tivesse acabado de cometer a maior blasfêmia e despejou em mim inúmeros motivos para que optássemos por um casamento tradicional, mesmo que fosse pequeno dada a nossa pressa em oficializarmos aquilo de uma vez por todas e quando ela mencionou a possibilidade de Heitor levar as alianças até nós, o meu corpo derreteu na cadeira com a imagem.
E também havia Charlie. Eu era sua única filha e seria muito injusto tirar-lhe a chance de me levar ao altar. Gostaria de compartilhar esse momento especial com os homens da minha vida.
Foi apenas na quarta-feira pela manhã quando eu decidi que estava na hora de contar aos meus amigos – Leah sendo a primeira, uma vez que Eric estava em outra viagem e eu simplesmente não consegui falar com ele – a notícia que me tirou o ar no final de semana passado. Os dias que passamos entre Oía e Fira, cidades da Ilha de Santorini, foram os mais incríveis da minha vida e eu devia tudo isso a Edward que tornou a minha estadia intensa, romântica e surpreendente.
Acho que foram pouquíssimos os lugares que deixamos de visitar, porque nossas horas trancados na suíte do hotel eram maravilhosas ao ponto de nos fazer esquecer do paraíso em que estávamos.
A sensação de andar pelas ruas de mão dadas com ele, às vezes abraçados, como um casal normal e sem ter uma dezena de homens vigiando os nossos passos, era de paz e liberdade. É claro que os três seguranças mais antigos do Edward estavam a postos no dia seguinte a nossa chegada apenas no caso, mas não tivemos motivos para qualquer aborrecimento. Ele tentou me convencer a acompanha-lo em um passeio ao vulcão, mas eu fui veementemente contra, ainda mais quando soube que o mais simples deles durava cerca de três horas e meia. Não, obrigada.
Ao invés disso, fomos ver o museu arqueológico e as praias. Até hoje, eu tinha algumas áreas doloridas do corpo por ter me queimado ao me empolgar e ficar tempo demais na água.
Levanto-me da cama e faço uma viagem rápida ao banheiro para tentar melhorar o meu aspecto de quem passou as últimas três horas dormindo. Vejo no espelho que as minhas roupas estão amassadas e o meu rosto meio inchado, mas a água fria ajuda bastante.
No corredor, uma das empregadas que carregava seus utensílios de limpeza, me informa que Helena estava no jardim respondendo a uma ligação, quando pergunto pela moça e peço para que a mesma seja avisada sobre manter um olho em Heitor assim que desocupasse.
— Será que alguém pode tirar esse maldito telefone do gancho? — Rosalie fez, aparentemente, uma pergunta retorica, uma vez que ninguém se levantou para tomar uma providência quanto ao telefone que tocava pela segunda vez, desde o meu caminho das escadas até a sala de estar.
— Isabella não vai gostar nada disso — Esme riu baixinho enquanto levava uma xícara até os lábios e sorvia o liquido — Lembra da última vez?
— Do que eu não vou gostar?
O toque irritante soou outra vez e eu me perguntei quem seria esse ansioso e porque raios ninguém respondia quando ambas estavam ali fazendo nada. Os olhos delas voltaram-se para mim, cautelosos e então Rose levantou-se bruscamente do sofá e caminhou decidida até a mesa onde o telefone fixo descansava e o atendeu com certa brutalidade.
— O que é?! — Arqueei a sobrancelha para o seu tom. Esta não era a sua casa. Ela não deveria atender a um telefonema para a residência dos Cullen dessa forma — Vocês de novo? Por que a minha resposta mudaria em menos de meia hora? Se estivéssemos interessados, nós entraríamos em contato com vocês, caramba — Revirou os olhos ao ouvir a resposta da outra pessoa e fez com a mão, o gesto de uma boca abrindo e fechando sem parar — Sim, bem, eu a deixarei saber.
— Alguém me explica o que está acontecendo?
— Eles sabem sobre o noivado, querida — Esme justificou me fazendo fechar os olhos de desgosto — Conseguiram uma foto de uma turista nos moinhos de Santorini onde vocês aparecem abraçados ao fundo e eles estão simplesmente eufóricos para conseguir mais detalhes sobre o casamento.
Mas que merda!
Sentei no sofá e elas me contaram que uma vez que o Alice soube dos boatos, fez uma nota oficial e foi a responsável de anunciar o nosso casamento para algum momento de setembro.
Edward e eu discutimos durante todo o domingo sobre uma data que se encaixasse entre os nossos compromissos e que não fosse muito longe. Ele gostaria de algo para agosto, mas Renée era bastante supersticiosa e isso daria em problema na certa, mas por fim, o homem acabou ficando obcecado por encontrar uma data em setembro, porque seus dois amores – Heitor e eu – faziam aniversário nele. Achei muito doce que ano que vem tivéssemos motivos para comemorar durante o mês inteiro, então concordei.
Quando me conformei de que seria assediada pela impressa pelos próximos dias, Rosalie me contou que mais tarde reservaria as suas passagens de volta para os Estados Unidos, pois apesar de ter de quatro a cinco dias de folga, estava sendo requisitada no trabalho. Isaac precisaria se ausentar para acompanhar a esposa em um compromisso familiar de última hora que aconteceria fora da cidade, mas podia apostar que era apenas mais um pretexto para tê-la de volta mais cedo e eu sabia que aquele era o jeito dela me perguntar se eu estava disposta a ir junto ou não.
Esme sentiu o clima estranho se formando e nos convidou a ajuda-la na cozinha. Ela escolheu torta de maçã como sobremesa e aparentemente, o doce cozido era o favorito de Emmett e por experiência própria, afirmou que apenas uma não seria o suficiente para todos nós. Ela sabia bem como tirar a minha cabeça de algum assunto especifico e logo me vi concentrada apenas em medidas de leite e manteiga, rindo de vez em quando dos pedaços da conversa entre as duas mulheres.
Mesmo sem prestar atenção, eu tinha certeza de que Rosalie estava contando outros fatos de sua tarde de aventura em Vlychada, porque é claro que a ela não ficaria sem visitar a única praia de nudismo da qual esteve tão próxima. Eu a amava e tudo mais, mas fazia um exercício mental para bloquear os detalhes sobre o quão bem os dois coelhos aproveitaram o mar esverdeado. Porém, me pegava constantemente segurando o riso sobre os pequenos machucados que Emmett teve nos pés por passear e brincar pela praia – normalmente quase vazia – descalço, pois não havia realmente areia lá e sim, muitas pedrinhas pequenas e pretas.
Uma xicara de açúcar será o suficiente?
— ... prestes a conclui-lo. Eu estou muito orgulhosa dele — Ouvi Esme dizer enquanto eu colocava três colheres de amido de milho em um recipiente — Você me daria uma mão com isso, Bella?
Elas se entreolharam quando perceberam que eu não peguei o tema da conversa e em meio a bastante farinha de trigo e fermento em pó, ela me contou sobre um curso de três dias que estava sendo promovido por uma amiga de longa data e patrocinado por um velho colega de classe.
— Veja, Oscar também é arquiteto e um excelente projetista de móveis — Começou. Seus olhos brilhavam de entusiasmo e eu vi ali o quanto ela adorava estar envolvida em projetos que ajudassem a outras pessoas — Ele teve essa ideia maravilhosa de dar este curso de baixo custo com duração de 12 horas durante esses dias para pessoas com algum conhecimento em engenharia processual e materiais para móveis ou até mesmo marceneiros.
Precisei conter o riso ao me lembrar de Seth tendo seu dedo batido pelo próprio martelo em uma tentativa falha de reformar o barco de pesca do seu pai, quando estávamos em Forks. Eu também era um perigo com pregos, serrotes e qualquer coisa desse tipo, então esse tipo de aula estava vetada para mim com toda a certeza.
— Ele fez o mesmo em Boston e o diploma que foi oferecido no final do curso ajudou a muita gente. Digamos que o homem tem um nome de peso — Gabou-se parecendo orgulhosa e então pigarreou quando Rose passou por trás dela para chegar na geladeira — De qualquer forma, além de ajudar com a divulgação, mas também fiquei de criar o material didático para os alunos. Eu gostaria que você me ajudasse mais tarde, se estiver tudo bem? — Perguntou meio insegura.
— Ora, mas com prazer! — Confirmei com entusiasmo, sorrindo para Rose que me ofereceu uma taça de vinho branco.
Esme também aceitou uma e após um brinde rápido, sentei em uma banqueta das altas que ficavam de frente para o balcão. Eu odiava aquelas coisas e rejeitei quando a vendedora tentou me empurrar algumas delas quando comprei os meus moveis. Para alguém que nasceu com coluna de velha e ainda precisava correr constantemente atrás de uma criança pequena, sentar naquilo para fazer a mais breve refeição, era uma verdadeira tortura.
— Srta. Swan? — Helena me chamou enquanto eu começava uma busca no iPad da loira que estava ao meu lado indo para a sua segunda taça — Desculpe interrompe-la, mas estou indo dar banho no Heitor e o seu celular continua tocando. Achei que fosse importante.
— Muito obrigada, querida. Você um doce. — Esme agradeceu por mim, passando os dedos embaixo do queixo de Helena que arregalou os olhos e corou.
Ela me entregou o celular rapidamente e saiu da cozinha depois de pedir licença. A garota simplesmente adorava a minha sogra, mas ficava desconcertada quando alguém lhe elogiava ou agradecia demais por algo que fazia. As reações de Bree não eram nada comparadas as dela quando Edward estava por perto.
O celular vibrou na minha mão e eu olhei para a tela prendendo um gemido.
— Você não pode estar noiva!
A voz gritou antes que eu pudesse de fato encostar o aparelho na minha orelha.
Oh, porra. Isso não ia ser bom.
— Oi, Eric. Como foi a sua viagem? Mais alguma aquisição para a sua coleção?
— Não me venha com essa merda! — Gritou outra vez e eu me afastei das senhoras antes que elas ouvissem e interpretassem mal o seu surto — Eu estava em uma reunião quando Maggie me mandou uma foto de uma revista estampando a notícia sobre o seu casamento. Como é que você noiva e eu fico sabendo disso através de uma revista? O Cullen deveria me pedir permissão.
— Ele deveria pedir a permissão do meu pai, Eric, não confunda os papeis — Disse achando divertida aquela situação — Foi uma surpresa. Você deve ter visto que não estávamos na cidade, eu pensei que se tratasse de um passeio, mas à noite, ele fez o pedido e os meus pais estavam na webcam assistindo tudo. Isso não foi atencioso?
Prendi um suspiro apaixonado. Eu havia amado que Renée e Charlie não tivessem ficado de fora.
— E sobre mim?
— Isso não é sobre você, seu crianção, é o meu casamento — Revirei os meus olhos e inclinei a taça para cima, até que estivesse vazia — Eu também adoraria que você tivesse estado lá, mas nós nem sequer sabíamos exatamente onde te localizarmos. — Menti um pouquinho.
Eu poderia obter essa informação facilmente através de Maggie, mas não fazia ideia dos planos de Edward e sabia que a intenção dele era reunir apenas a família para aquele momento, mas eu jamais teria coragem de dizer isso para o Eric. Ele era querido demais para nós e não gostaria que ele tivesse uma impressão errada do que o meu noivo queria com aquilo.
Meu noivo. A minha língua ficava doce a cada vez que eu pensava ou falava dele naquela forma.
— Eu ainda não conheço a Grécia — Murmurou meio baixo e em minha mente, surgiu a imagem de um garotinho loiro de 6 anos com beicinho adorável — Você está perdoada porque sei que tentou entrar em contato comigo algumas vezes, mas não foi legal saber disso dessa forma. Espero que eu seja convidado para o casamento.
— Você é muito dramático — Revirei os olhos outra vez e caminhei até a janela. O sol havia mudado, mas ainda estava ali para me confundir. Eu não tinha ideia de que horas já eram, mas esperava que fosse tarde o suficiente para que os rapazes não demorassem a chegar — Voltou para Atlanta?
— Nós próximos dias, ainda tenho besteiras a acertar por aqui — Respondeu — Sem problemas. Sim, querida, bem aí.
— Que diabos?
— Serviço de quarto, Bella — Ele riu e ouvi um barulho sutil de talheres — Comprei um presente para o Heitor, mas acho que teremos que esperar que ele cresça um pouco mais para aprecia-lo. E eu gostaria de passar por Chicago quando tivesse a certeza de que vocês estão lá. — Afirmou com a voz embolada e eu tive certeza de que ele estava mastigando.
— Tudo bem. Rosalie deve reservar os nossos voos no mais tardar, amanhã e eu te deixo saber quando chegaremos em casa. — Encostei a minha testa no vidro. Falar sobre partir nunca causava um efeito positivo sobre mim.
— Estou vendo o seu ânimo para voltar — Ele riu, me fazendo abrir um pequeno sorriso — As coisas estão mais calmas por aí? Deus sabe como fiquei quando recebi o seu e-mail me contando sobre o babaca no carro e a cadeira do garoto. Sério, Bella, nós precisamos rever a sua maneira de me deixar saber de coisas importantes. — Bufou descontente, mas com uma pontada de humor.
— Bem, sim. Mas por pouco Jenks não foi demitido.
— O que? Por que? — Espantou-se e eu lhe contei sobre a nossa curta e explosiva reunião na segunda-feira pela manhã.
Jenks lamentou pelo acontecido conosco e nos contou sobre o suposto laranja que foi encontrado, apreendido e prestou um confuso depoimento na polícia. Ele estava apavorado e dizia que não sabia em quem confiar, mas cedeu algumas informações importantes e foi liberado sabendo que seria chamado mais algumas vezes. O homem nos informou com uma frieza assustadora que o rapaz foi encontrado morto em um hotel barato. Tudo indica um suicídio e a polícia acreditava nisso, baseados na cena e em seu comportamento anterior, mas até eu sabia que ele estava fugindo de alguma coisa. Tínhamos certeza que alguém não havia gostado do que quer que ele tenha dito e deu um jeito para que ele fosse calado de uma vez por todas.
Estava na minha natureza lamentar mortes e essa não foi diferente. Ao que parece, era um rapaz jovem, deveria ser inexperiente e alguém o tornou ganancioso, fazendo-o colocar olhos grandes em cima da fortuna de Edward e apesar dele ter culpa no desvio de dinheiro da empresa, eu sentia que ele tenha terminado dessa forma e só me restava torcer para que o verdadeiro culpado por trás de tudo aquilo, pagasse, inclusive por sua morte.
Jenks nos contou também que um dos seus caras localizou a Jenna em um bar local, mas a garota parecia bem instruída ou perspicaz, porque não demorou a perceber que era uma armadilha e conseguiu fugir do local. O mesmo homem estava sendo um dos que estava na frente das investigações agora, uma vez que ele era o único realmente capaz de reconhece-la e tudo virou uma grande bagunça quando ele propôs que eu fosse usada como isca.
Edward que havia passado um final de semana tranquilo e em paz, parecia outra pessoa depois que aquela frase foi pronunciada. Eu precisei me colocar entre os dois para evitar que ele fizesse uma besteira que se arrependeria depois. De início, eu também achei loucura o que aquele homem estava dizendo, mas então a ficha foi caindo e a ideia não me pareceu mais absurda.
— Seu hipócrita do caralho — Edward rosnou — Como você diz que sente muito por Bella ter quase se acidentado com o meu filho e propõem para que ela fique à mercê desses canalhas?
— Edward, esqueça os laços que os unem só por um instante — Jenks aconselhou nenhum pouco perturbado com a explosão do meu noivo — Eu entendo que você queira mantê-la em uma redoma de vidro, principalmente agora, mas você precisa usar a lógica — Alertou — Em nenhum momento, eles, quem quer que sejam, tentaram ir diretamente contra você. Por alguma razão, eles querem prejudicar ela e você deixando-a longe de tudo e todos só os afastará e isso os deixará livres por mais tempo. Isabella é capaz de nos ajudar.
— Talvez ele tenha razão...
— Isabella, não! — Ele gritou e eu o empurrei para trás, fazendo-o sentar-se de volta no sofá — Inferno, não. Jenks, eu não te contratei para você fazer a cabeça dela dessa forma. Eu quase perdi o meu filho na semana passada, você tem alguma ideia do que está me pedindo?
— É claro que sei, Edward. Eu não colocaria nenhum cliente meu em perigo desnecessário, muito menos você ou alguém que você ame. Sabe que tenho um apreço e respeito especial por sua família e isso inclui a sua namorada e seu filho — Ele explicou daquela mesma forma calma — Nós podemos começar devagar e apenas deixa-la frequentar lugares e áreas da cidade, parecendo desprotegida. Eles não vão ataca-la de repente, agindo por impulso. Gostaria de ser capaz de estar lá enquanto estudam a ela e a essa nova situação.
— Eu sei que parece perigoso, amor, mas ele tem razão. Essas pessoas não podem ficar impunes por mais tempo. Por favor, me deixe ajudar. Eu faço qualquer coisa desde que você e Heitor estejam seguros e prometo que vou tomar todas as precauções possíveis.
— Isabella, não me peça isso — Ele gemeu infeliz esfregando as mãos no rosto e eu fiz carinho no seu cabelo para acalma-lo. Eu estava ligeiramente assustada com aquela responsabilidade nas minhas costas, mas tudo fazia muito sentido — Como eu posso trabalhar ou ficar em casa sabendo que você estará lá fora sozinha com...
— Ela nunca estará sozinha. Nunca. — Jenks enfatizou.
— Você sabe que se eu quiser realmente fazer isso, eu irei com ou sem a sua permissão, Edward. Eu jamais aceitaria ficar trancada nessa casa, como se fosse a criminosa enquanto eles estão provavelmente ferrando a vida de mais gente aí fora — Disse ao pegar o seu rosto e fazê-lo me olhar. Aqueles olhos tristes me matavam, mas aquilo era necessário — Seria muito mais fácil se você estivesse do nosso lado e não contra nós, então... por favor?
Edward se deu por vencido depois de relutar um pouco mais e fazer o detetive afirmar uma e outra vez que faria de tudo para me manter tão segura quanto fosse possível e ameaçou-o sutilmente, caso as coisas não acabassem bem. Isso fez o homem rir, mas ele assentiu para todas as imposições do meu noivo. E naquela mesma manhã, eu saí com menos segurança para fazer compras desnecessárias com o cartão de limite também desnecessário. Os dois homens estiverem atrás de mim como sombras nas primeiras horas, mas começaram a me deixar mais solta – como o combinado – para quem quer que estivesse, se estivesse, me observando, achasse que os funcionários de Edward estavam relaxando com a minha proteção.
Mas nada realmente aconteceu naquela tarde. Nem na terça-feira de manhã.
E muito menos na quarta-feira à tarde.
Isso foi uma surpresa para todos nós e começamos a cogitar que a mudança na minha segurança tenha feito com que eles acreditassem que Edward não se importava tanto assim comigo, mas sim com o seu filho, que desde aquela tarde, não esteve mais nas ruas de Atenas. Eu não sabia dizer se aquela constatação me dava alivio ou preocupação, mas tinha certeza que em breve saberia a resposta. Com o nosso noivado sendo impresso em revistas e exposto na internet, todos saberiam que eu não era apenas a mãe do filho de Edward Cullen e sim a mulher com quem ele se casaria e dividira a sua vida. O seu império.
— Eu não vou perder o meu tempo falando sobre o quanto você é estupidamente louca e que não vejo como isso possa acabar bem, mas eu realmente quero enfiar o meu punho na cara desse sujeito — Eric disse e eu gargalhei baixinho — Bella? Seja cuidadosa, por favor.
— Eu serei, querido — Sorri vendo as luzes dos faróis de um carro aluminando algumas plantas do jardim. O meu homem estava em casa — Você acha que eu deixaria o Cullen viúvo antes mesmo de casar? Até parece — Desdenhei e joguei o cabelo por cima do ombro e como se ele pudesse ver, riu junto comigo — Eu preciso ir, mas o deixarei informado sobre o retorno para casa, está bem? Eu te amo, Eric.
— Está bem, dê um beijo no garoto por mim — Pediu e me afastei da janela, percebendo que Maísa e outras estavam preparando o jantar e eu nem me dei conta da presença delas — Também amo você.
Fiz uma corridinha até o hall de entrada e conseguir acompanhar a chegada de Edward, Jasper e Emmett em meio a risos e uma conversa alta. Eles pareciam descontraídos e era uma visão maravilhosa ter o meu noivo voltando para casa com aquele bonito sorriso nos lábios.
Noivo. Isso era melhor do que eu pensava.
— Oi, baby! — Edward sorriu mais ainda quando me viu. Eu terminei de caminhar com passos apressados até ele e pulei, colocando os braços ao redor do seu pescoço e lhe dei um selinho demorado e meio barulhento — Está tudo bem? O que você fez hoje?
— Está sim, apenas senti sua falta — Confirmei beijando-o novamente e ouvi Emmett prender a risada. Deus, ele era tão infantil — Saí para pedalar com Heitor pela manhã. Ele merecia tomar um pouco de ar, almoçamos e passamos quase a tarde toda dormindo. — Minha mão fez carinho em sua nuca e fiquei contente de seu sorriso não ter desparecido quando disse que estive na rua com o nosso filho.
— Isso é bom, meu amor.
— E você — Apontei para Jasper que parou o que estava dizendo para Emm e concentrou-se em mim, parecendo até um pouco assustado — Avise a sua esposa que na próxima vez que eu colocar as mãos nela, não será agradável! — Fingi estar aborrecida, mas ele percebeu e riu.
— Sinto muito por isso, Bella, gostaria de ter evitado que Alice armasse toda essa confusão. Imaginava que você fosse querer mais privacidade sobre o nosso casamento.
— Edward, não fale desse jeito — O empurrei de leve e revirei os olhos — Até parece que é um grande sacrifício ter o meu nome ligado ao do homem que eu amo, principalmente anunciando para todas as senhoras assanhadas que você está prestes a ser meu. Oficialmente.
— Eu já pertenço a você, sua boba — Disse me olhando daquele jeito intenso enquanto se aproximava e o meu coração saltou no peito. Ele me puxou pela cintura e então tínhamos os corpos colados um no outro — Gostaria que eu te mostrasse isso?
— Sim, por favor.
— Ah, procurem um quarto, pelo amor de Deus! — Emmett gemeu e tive impressão que ele estremeceu, enquanto Jasper balançava o corpo tentando não rir — Vamos para o escritório. Eu vou procurar aqueles arquivos para você, enquanto o Edward vai dar pra Bella o que ela precisa.
Emmett nunca esteve mais certo.
Chegamos ao quarto nos agarrando como dois adolescentes, tropeçando nos degraus e parando várias vezes no corredor para darmos uns amassos cheios de mãos bobas e uma vez que estávamos entre quatro paredes, tiramos as roupas tão rápido quanto se estivessem pegando fogo.
Meus dedos foram atraídos para os fios macios e eu os apertei, puxando-o para perto de mim, não admitindo qualquer distância entre os nossos corpos e gemi ao sentir a temperatura de Edward. Ele estava ardendo por mim. Ele me deitou na cama e cobriu-me com o seu corpo, aninhando-se entre as minhas pernas que se abriam de boa vontade para acomoda-lo por completo. Edward beijou a minha barriga com adoração, deixando-me excitada e impaciente, mas soltei um suspiro de alivio quando os seus lábios encostaram na pele entre os meus peitos que estavam doloridos para sentir o seu toque e como se lesse a minha mente, suas mãos cobriram os dois montes ao mesmo tempo, enquanto ele lambia o caminho de volta para o meu umbigo.
Os meus mamilos foram provocados pelos seus polegares e dedos indicadores, que juntos, puxavam e massageavam, às vezes até beliscando, me obrigando a choramingar em protesto e implorar pelo alivio que apenas a boca de Edward seria capaz de me dar. As minhas mãos que antes acariciavam os seus ombros, agora castigavam o seu couro cabeludo para chamar a sua atenção e quando ele riu, puxando a minha pele em uma mordida, todo o meu estomago vibrou.
— Eu não vou pedir outra vez — Falei me contorcendo embaixo dele — Por que faz isso? Você gosta desse joguinho de me fazer esperar? De me ter escorrendo entre as minhas pernas e então latejar ao redor do seu pau quando finalmente entrar em mim?
— Isabella! — Rosnou e veio me dar um beijo de roubar o folego. Sua mão na minha cintura, me apertou de forma quase dolorosa, mas ele engoliu o gemido e usou as suas coxas para espalhar as minhas pernas na cama, deixando-me ainda mais aberta — Bella... — Foi a vez dele gemer quando tocou o meu sexo úmido. Ele brincou com o dedo, circulando a entrada e então deu uma leve atenção ao meu clitóris, me fazendo jogar a cabeça para trás.
Eu não precisei mais pedir. Edward deslizou para dentro de mim em uma lentidão quase desconcertante enquanto me olhava nos olhos e deixava nossos lábios roçarem um no outro enquanto murmurávamos que nos amávamos e assistindo o prazer em nossas expressões, fizemos amor. Lutei para manter-me focada em não quebrar aquela conexão, pois era intensa. Ele às vezes parava e apenas acariciava o meu cabelo, jogando a minha franja para longe da minha testa, beijava a minha boca com tanto carinho, que eu amolecia completamente.
— Eu gostaria — Ele começou gemendo em meu pescoço enquanto movia-se devagar dentro de mim — De poder ficar aqui. Dentro de você — Seu ritmo foi aumentando a cada nova estocada e não pude manter mais os olhos abertos — A porra do dia inteiro.
As minhas unhas um pouco curtas riscaram o lençol com a força que usei para puxa-lo. Sentia-me muito perto da borda. Os gemidos de Edward ficaram mais altos no meu ouvido assim como a sua respiração estava cada vez mais errática. Eu sabia que ele estava próximo também. Seu corpo suado, estremecendo e as metidas irregulares me alertaram, então usei o meu quadril para rebolar embaixo dele tanto quanto era possível com o seu peso sobre mim.
Ele rosnou com os movimentos que o meu sexo fez em torno dele quando comecei a acompanhar o seu ritmo e não apenas recebe-lo. Fiz aquilo de novo e depois joguei a cabeça para o lado oposto da dele, rindo do resultado. De como ele engasgou de surpresa e meteu mais fundo, tocando-me onde me deixava alucinada.
Oh, Deus. Fazer amor com ele era tão bom.
— Vem comigo, baby, me deixe fazê-la se sentir bem.
Eu não tinha realmente opção. Quando mudou a posição, segurou o meu quadril firme e investiu com mais afinco, me perdi totalmente. Ele assistiu me apertando enquanto eu tentava me esticar e me contorcer atordoada com tantas sensações. Edward desceu o rosto na direção do meu e roubou a minha boca, abafando os meus choramingos e se possível, o meu orgasmo tornou-se ainda melhor quando senti o seu gosto e então os jatos do seu próprio prazer escorreram pra dentro de mim.
As minhas pernas pareciam mortas, eu queria me encolher e descansar, mas deixei que ele deslizasse mais algumas vezes antes de sair e cair ao meu lado. Virei o rosto e o vi de olhos fechados, o seu peito subindo e descendo cada vez mais devagar e como se sentisse que estava sendo observado, ele sorriu largamente e colocou a mão esquerda em cima da minha barriga.
— Onde está Heitor? — Perguntou fazendo carinho e eu suspirei antes de lhe contar que Helena estava provavelmente, estudando alguma coisa com ele, após o banho — Hum. Eu gostaria de leva-los para um passeio sábado de manhã. Há tanto o que ver ainda na cidade e você se conforma com lojinhas e brechós.
— Seu chato! E para onde? — Levantei um pouco e me apoiei no cotovelo, para poder olha-lo melhor.
— Cabo Sounion. É onde ficam as ruínas do Tempo de Poseidon — Explicou e eu sorri entusiasmada com a ideia. Eu lembro que Bree mostrou-me fotos antes de viajarmos — Lá tem sido um local sagrado desde tempos muito antigos, Bella. Vamos pela manhã, para que o sol não esteja muito forte a ponto a de incomodar o Heitor.
— Você disse sábado? — Perguntei sentindo o meu sorriso apagar-se lentamente.
— Sim, qual o problema?
— Eu devo estar em casa no sábado, Edward — Murmurei e me cobri com um lençol. Não estava mais confortável para ficar nua, principalmente diante do olhar que ele estava me dando — Você sabe que eu tenho responsabilidades em Chicago, certo? Preciso voltar agora.
— Mas... — Ele franziu parecendo atordoado. Eu também fui pega de surpresa, querido. Para onde o tempo foi? — Eu vou... tomar um banho.
Ainda abri a boca para chama-lo, mas entendi que ele precisava de um tempo para assimilar a nossa nova situação. Eu deveria ter conversando sobre isso antes, mas minha cabeça esteve em outras coisas o tempo inteiro e não é como se eu estivesse realmente ansiosa para voltar para aquele apartamento e voltar a viver sozinha com o meu filho. Principalmente se isso implica que um oceano estará nos separando por sabe Deus quanto mais tempo.
Levantei da cama e tentei, após prender o lençol à minha volta, arrumar a cama de modo que ela voltasse a parecer um pouco com o que vimos antes de nos jogarmos lá. Tinha terminado de dobrar as nossas roupas sujas e as coloca-las sobre a poltrona, quando ele voltou cheirando muito bem. Nós nos olhamos por um instante e ele abriu um pequeno sorriso enquanto dizia que o banheiro estava livre, então seguiu para o closet sem pronunciar mais nenhuma palavra.
O meu banho foi rápido. Eu queria estar com ele o quanto antes e descobrir o que podia fazer para que aquele clima se desfizesse. Ri para o meu reflexo no banheiro quando percebi o quão estava mimada e mal-acostumada com essa boa vida que ele me proporcionava. Embora adorasse trabalhar, a falta de empolgação em voltar para Chicago não era apenas por estar longe dele, mas porque havia gostado da experiência de poder espera-lo todas as noites e ter tempo para cuidar de mim mesma e do meu filho. Quem diria, Isabella.
— Você está com fome? Sua mãe e eu preparamos uma torta para a sobremesa.
Ele estava arrumando, sentado e tinha a toalha molhada sobre a cama, ao seu lado. Eu realmente esperava que ele não fizesse isso quanto estivéssemos na minha casa. Edward negou com a cabeça, ainda com aquele pequeno sorriso e me chamou ao estender a mão. Eu segurei e fui puxada até estar sentada no seu colo como uma garotinha e sem perder tempo, escondi o meu rosto no vão do seu pescoço para sentir aquele delicioso cheiro de limpeza.
— Eu queria te perguntar algo.
— Sim?
— Você sabe que quando nos casarmos, o que será muito em breve, não irá ter quaisquer problemas financeiros, certo? Nenhuma preocupação com dinheiro — Começou e eu assenti, já imaginando onde aquela conversa nos levaria — Então por que não fica?
— Não me sinto à vontade dependendo de você para tudo, Edward — Afirmei suspirando — Eu não estudei para simplesmente bancar a dona de casa aos 26 anos. Gosto do que faço.
— Sim, baby, mas gosta mais de ficar com o Heitor, certo? — Perguntou entusiasmado — Ele ainda é tão jovem. Você não gostaria de acompanhar tudo o que ele ainda vai fazer e aprender de perto?
— Você está pegando pesado — Eu ri me afastando e olhei para o seu rosto que tinha um brilho de esperança ali. Eu gostaria de poder dizer sim — Estou adorando essa coisa de ser mãe em tempo integral, ter ele sempre por perto, mas não sei se conseguiria fazer apenas isso por muito tempo. Será que você entende?
— Claro. Totalmente compreensível. Mas e se você pudesse fazer os dois? — Estreitei os olhos e ele apressou-se em explicar — Uma vez que tudo estiver finalizado aqui e voltarmos para casa, você pode perfeitamente ocupar um cargo na empresa, Bella. E quando casarmos, teria total liberdade para trabalhar em casa e fazer seus horários sem precisar abdicar de ficar ao lado do nosso filho.
Isso parecia... meio incrível.
Era uma proposta tentadora. Trabalhar frequentemente em casa. Heitor passaria menos tempo com a babá e seria eu aquela que supriria todas as suas necessidades, a mãe, como tinha que ser. Eu o veria acordar todos os dias e ganharia aquele sorriso preguiçoso lindo igual ao do pai e ainda podia preparar todos os dias um jantar delicioso para esperar o meu marido no nosso lar.
Cara, isso soava bom. Talvez fosse um pouco errado aceitar esses privilégios por me tornar a esposa dele, mas não bancaria a politicamente correta quando sabia que faria o mesmo trabalho independentemente de estar na empresa ou não. Bastava Edward ter que ficar o dia todo preso naquele lugar. Heitor merecia passar mais tempo com a família ao invés de amigos.
— Então eu devo pedir demissão? — Perguntei sentindo frio na barriga. Eu ia mesmo fazer isso?
— Sim, por favor — Ele sorriu grande para mim e eu acariciei o seu rosto, feliz por vê-lo tão alegre por algo simples assim. Os meus rapazes valiam a pena — Eu te amo tanto, Bella! — Edward me puxou para um abraço apertado, realmente apertado, que me impediu de rir como eu gostaria e me beijou apaixonadamente.
Instantes depois, quando já tínhamos esquecido o assunto discutido, fomos interrompidos por uma batida na porta. Gritei para que entrassem e Heitor veio correndo até nós como um foguete, assim que Helena abriu a porta para avisar que estava tudo pronto para o jantar.
— Papai, olha o vião do vovô. — Ele mostrou o brinquedo que tinha em mãos para o pai que arregalou os olhos e exclamou um ‘uau’, fazendo um sorriso orgulho se abrir nos lábios do garoto.
— Esse é bem mais bonito que o meu — Edward refletiu e eu revirei os olhos, mas Helena riu baixinho ao meu lado — Será que você empresta pra mim? Bom garoto — Ele sorriu beijando a cabeça do Heitor quando ele assentiu e então olhou para nós — E essa moça bonita, fica para jantar conosco?
Helena ficou de uns três tons diferentes por notar a atenção do patrão em si, fazendo uma risada alta escapar de mim e eu apenas confirmei que sim, ela ficaria. A abracei pelos ombros e levei-a para fora do quarto, gritando para que os dois nos acompanhasse. Todos já estavam na sala de jantar, menos Jasper, que aparentemente já tinha ido para casa. Carlisle estava na cadeira onde Edward costumava sentar desde que chegamos e me cumprimentou com um carinhoso beijo no rosto.
Nós não tínhamos nos visto ainda hoje, pois nos últimos dias ele tem acompanhado o filho na empresa. Eu até arriscaria dizer que ele estava com saudade do seu tempo de presidência, se ele não tivesse jogado aquilo no colo do meu noivo assim que pode, com o apoio do Victor que tinha uma fé cega no desempenho dele. E essa foi outra decisão sábia do homem. Edward fez uma confusão tremenda com a sua vida particular e familiar, mas em compensação, era competentíssimo nos seus negócios.
Saboreamos a refeição em um clima leve e descontraído, apesar de Rosalie ter anunciado a sua partida para amanhã ao meio-dia. Emmett não parecia nada satisfeito com aquilo e eu sabia que seria difícil para eles, que estavam praticamente vivendo juntos, mas acreditava que em breve poderíamos retornar para casa sem deixarmos pendencias por aqui.
Ao contrário do que eu pensei, ela não ficou aborrecida por eu decidir não acompanha-la. Apenas brincou com algo sobre eu ser uma vaca de sorte e parabenizou Edward por ter conseguido me enrolar no seu dedo mindinho. Era apenas uma provocação tola e eu não lhe dei qualquer atenção, mas expliquei o arranjo que havíamos combinado. E tão estranho quanto soava, isso de trabalhar para o próprio marido, eu gostava de pensar que me tendo em sua equipe, ele poderia relaxar um pouco mais, sabendo que jamais permitiria que algo de errado acontecesse com a empresa – ao menos na minha área – embaixo do meu nariz. Eu lhe daria o meu melhor.
Depois de ver com os meus próprios olhos, Emmett devorar uma torta daquele tamanho praticamente sozinho, perguntei para Esme se poderíamos começar a trabalhar, pois havia me comprometido a assistir um filme com Heitor mais tarde, antes dele pegar no sono.
— O que vocês vão fazer? — Edward perguntou confuso, segurando a minha mão quando comecei a sair da mesa e eu sorri para ele.
— Sua mãe está envolvida com o projeto de um arquiteto e ficou encarregada de montar um material para leitura e estudo dos alunos. Eu me comprometi a ajuda-la. Parece uma boa distração — Dei de ombros e seus ombros relaxaram com o entendimento. Abaixei a minha cabeça e beijei-o demoradamente nos lábios — Helena deve partir em breve, então mantenha um olho no garoto ali por um tempo, ok?
Acho que não consegui esconder de ninguém o meu apreço por aquela biblioteca, tanto que Esme nos levou para lá e sobre a mesa já estavam livros, revistas, um notebook e cadernos para que pudéssemos usar. E em meio a anotações, pesquisas e uma breve e interessantíssima aula sobre a história da arte, passamos boa parte da noite. Admito que os meus olhos estavam ardendo quando fechei o meu arquivo e o renomeei como a sequência dos outros que havia criado para que fossem impressos na ordem correta.
— Você foi incrível, Bella — Esme me elogiou — Terminamos em tempo recorde e foi bem divertido te ensinar sobre um pouco do que aprendi. Alice nunca demonstrou interesse nessas coisas. — Revirou os olhos e eu ri.
— Foi um prazer.
— Amanhã eu termino de finalizar algumas coisas. Será que você aceita uma xicara de chá?
— Não, obrigado — Respondi em meio a um bocejo sem conseguir evitar — Vou ver se Heitor ainda está acordado para vermos aquele filme e então cairei direto na cama. Boa noite.
— Claro. Boa noite, querida.
Acontece que ele estava muito acordado e suado, saltando sobre a cama com o pai ao lado gargalhando com a risada gostosa do filho, mas eu não conseguia acreditar que ele teria que tomar outro banho antes de dormir por culpa do Edward que se recusa a impor limites para essa criança. Pigarreei na porta do quarto e Heitor caiu sentado, com os dedos na boca e olhando para baixo como se soubesse que estava encrencado. Foi difícil conter o meu próprio riso, então depois de uma leve repreensão, pedi para que Edward o livrasse daquelas roupas enquanto eu procurava o DVD para colocar.
Nós três adormecemos abraçados na mesma cama antes do filme completar meia hora e constatei isso ao acordar de um sonho ruim no meio da noite, percebendo que Heitor estava deitado entre o pai e eu. Edward estava segurando a minha mão e me senti segura dando-me conta de que o tinha comigo. Deitei de volta após desligar a TV e me aconcheguei nas costas do meu filho, deixando o meu nariz próximo ao seu cabelo e voltei a sonhar sentindo o seu cheiro de bebê.
O meu irritante, sedutor, inconveniente e belíssimo noivo me acordou quando o alarme soou, alertando que ele deveria se preparar para o trabalho. Seus beijos no meu pescoço eram desconcertantes e tanto quanto eu gostaria de empurra-lo e ficar brava por tê-lo atrapalhando o meu sono, aquilo era bom demais para despertar qualquer sentimento negativo em mim.
Quando ele me livrou do short e da calcinha, notei que Heitor já não estava ali e imaginei que durante a noite, ele o levou de volta para o seu quarto, mas os meus pensamentos ficaram confusos quando ele se encaixou em mim tão inesperadamente que as minhas costas arquearam. Eu o beijei como se não fizéssemos isso há semanas e deixei que ele amasse a mim a ao meu corpo no pouco tempo que tínhamos para ficarmos juntos. Edward me abraçou forte quando estremeci de prazer e por alguns minutos, estivemos apenas nos braços um do outro como se não houvesse um mundo lá fora e responsabilidades.
Se eu não soubesse que ele tinha coisas importantes a tratar hoje, o faria ficar comigo aqui até que ele encontrasse uma maneira de escapar dessa cama, mas por fim, nos despedimos com mais um beijo amoroso e então fui coberta pelo o edredom confortável e quentinho.
— Eu te amo, ágape mou.
— Eu também te amo, baby. — Gemi fechando os olhos.
A casa estava agitada quando finalmente levantei. Passava das 9:30 da manhã e então era oficial. Eu realmente estava mal-acostumada. Ouvi um choro infantil e desnecessariamente alto enquanto descia as escadas, ele não pertencia a Heitor, então logo deduzi quem estava de volta.
Alice veio na minha direção balançando uma colher de pau fina, que tinha um guardanapo branco amarrado na ponta. Era claramente uma bandeira da paz improvisada. Eu disse que ela era muito cara de pau e corajosa, então a puxei para um abraço e disse que a perdoaria se desse um jeito de tirar aqueles idiotas da minha cola, porque eu não tinha a menor intenção de deixar mulheres estranhas e aleatórias saberem sobre o tecido do meu vestido ou de que tipo de flor o meu buque será feito. Isso era ridículo.
Ela tomou café da manhã comigo ao redor da lagoa dos Cullen, o sol estava tímido atrás de algumas nuvens e o calor havia baixado consideravelmente por enquanto. Esme tinha saído há mais de uma hora para se encontrar com sua amiga e Rosalie se juntou a nós para conversar um pouco e distrair-se enquanto Emmett não voltava para leva-la ao aeroporto. Eu não conseguia acreditar que ia deixa-la ir sozinha. Seria muito estranho não tê-la mais nessa casa conosco.
Eu dispensei a babá de Heitor por hoje, uma vez que Alice afirmou que passaria o dia conosco e que a sua, seria perfeitamente capaz de manter um olho no garoto quando necessário e eu também era capaz de dar conta dele perfeitamente. Respondi uma mensagem de texto de Leah, ela dizia que apesar de ter uma grande vontade de conhecer a Europa, agradeceria se fossemos humildes e realizássemos o casamento no país para que a chance de ela comparecer fosse maior e isso nunca tinha passado pela minha cabeça. O local do casamento. Honestamente, Chicago parecia tão bom quanto qualquer outro lugar.
Aproveitei a oportunidade para enviar outra para Eric e avisar-lhe que Rosalie estava chegando sozinha e que ele deveria passar na cidade mesmo assim, para que ela não se sentisse só.
Olhei para o meu cabelo no espelho do banheiro e percebi que ele precisava de um corte. Deveria ter aproveitado a oportunidade no dia do aniversário do Igor e ter feito isso, mas não vi que ele estava longo demais e com alguns fios com pontas duplas. Enquanto continuava com a minha avaliação em busca de mais alguma coisa para corrigir, ouvi uma fraca batida na porta e alguém chamando pelo o meu nome.
Envolvi o meu corpo em um roupão e me surpreendi quando atendi. A moça, uma das que trabalhavam na casa, contou-me em um inglês sofrido que Elizabeth estava na entrada e pedia por um minuto do meu tempo.
O que possivelmente essa mulher teria para falar comigo?
— Está bem. Libere a entrada dela e acomode na sala — Pedi — Não precisa oferecer qualquer coisa para a Sra. Denali, tenho certeza que sua visita será muito breve.
Procurei entre as minhas roupas, algo decente para vestir, com a ideia de ir ao salão de beleza ainda na cabeça. Segurei um macacão confortável que eu não usei desde que cheguei, mas então sorri ao encontrar o mini vestido nude do Alexander Wang que Alice me deu de presente em uma das nossas tardes de compra. Os sapatos combinando estavam bem à minha frente, como se confirmassem que eu estava fazendo a escolha certa e então me apressei em me vestir, lembrando que aquela senhora me esperava lá embaixo.
Eu esperava do fundo do coração que aquilo não significasse mais problemas.
Ela estava no menor sofá. Pelos movimentos que as mãos faziam em seu colo, estava nervosa e em seu rosto, eu podia perceber marcas de noites mal dormidas, como as olheiras que pouco foram disfarçadas pela maquiagem sempre bem-feita. Elizabeth parecia realmente exausta.
— Boa tarde — Me fiz presente, não querendo ser pega observando — Você precisava falar comigo?
— Sim, Isabella. Obrigada por me receber. Você... está bonita.
— O que você quer? — Renée provavelmente me beliscaria se estivesse por perto, mas não é como se fossemos velhas conhecidas a se encontrar para o chá da tarde.
— Muito bem — Respondeu se levantando e alisou o tecido da saia para que não enrugasse — Eu gostaria da sua permissão para estar presente na vida do Heitor. Ao menos enquanto vocês continuam no país.
Eu acho que os músculos do meu rosto sequer se mexeram. É claro que o seu pedido me surpreendeu e aquela era a última coisa pela qual pensei que ela estivesse aqui, talvez seja esse o motivo do choque. Estava esperando que ela começasse a rir daquele jeito insuportável e revelasse o real motivo para estar aqui, mas Elizabeth continuou me olhando, implorando com os olhos que a eu entendesse.
— Tenho certeza que você sabe da minha história com o Edward — Começou e não passou despercebido que ela finalmente o chamou pelo primeiro nome e não o irritante Anthony — Eu não contribuí com a sua educação ou o criei de maneira alguma. Esme fez isso. E fez muito bem, mas é claro que eu vou dizer que é mentira se você repetir isso pra alguém — Disse desviando olhar, mostrando que ainda restava um pouco dela ali — Foi uma péssima escolha e eu sinto que mesmo que não mereça, estou ganhando uma segunda chance.
— O meu filho não é substituto e nem vai ser usado para você se aproximar de nós ou seja lá qual for o seu plano, Elizabeth — Respondi tentando passar firmeza — Eu não nasci ontem e acho que você deveria aliviar as suas frustrações em algum outro lugar. Além do mais, Edward jamais permitiria.
— Ele sempre faz o que você quer! — Gemeu inconformada e aproximou-se um pouco mais — Eu só quero que o Heitor saiba quem eu sou, Isabella. Ter um pouco de participação na sua vida e vocês estarão sempre por perto. Eu jamais faria mal para uma criança, mesmo tendo machucado o meu próprio filho com o meu desprezo. Foi horrível, eu reconheço, mas você nunca tomou uma má decisão?
Sim, tomei quando a deixei me envenenar no apartamento de Edward. Quando não permiti que esse se explicasse. Quando escondi o nosso bebê por tanto tempo e talvez agora, deixando-a entrar e enfiar essas ideias na minha cabeça, fazendo-me pensar que você tem sim um coração em algum lugar aí dentro.
— Srta. Swan? — Alguém me chamou com cautela e eu girei o corpo, para encontrar a mesma moça que foi me procurar — A Dona Esme ligou e pediu para que entrasse em contato quando terminasse a sua... reunião.
— Claro. Faço isso em um segundo, obrigada — Agradeci e ela se retirou, não antes de dar um olhar temeroso para a Denali — Eu não estou inclinada a contar ao Edward sobre o seu pedido, Elizabeth, mas o farei e acredito que ambas sabemos qual será a sua decisão. Não confiamos em você e temos motivos o suficiente para isso — Ela assentiu em concordância e suspirou, desviando o olhar para as janelas à sua direita. Notei que sua mão subiu até o rosto e acariciou rapidamente a lateral do olho, limpando uma lágrima. Ou aquela mulher era uma excelente atriz... — Mas nós ficaremos além do previsto em Atenas e conto com a sua força de vontade, se é isso que você realmente quer, para nos convencer do contrário.
— Eu realmente vou poder? — Perguntou. Sua cabeça girou tão rápido em minha direção que me fez querer rir do seu entusiasmo.
— Você vai poder tentar — Enfatizei — Mas o Heitor tem a mim, Elizabeth e eu jamais permitiria que ele fosse machucado como o Edward foi, então no seu primeiro erro, você estará banida das nossas vidas de uma vez por todas e nada que fizer me fará mudar de ideia. Fui clara?
— Perfeitamente! Agora devo ir, você parece ocupada... — Assenti e me lembrei da ligação que precisava retornar — Ao contrário do que pode pensar, estou contente com o noivado de vocês. Edward demorou mais tempo do que imaginei para pedi-la, mas não posso culpa-lo. Que confusão vocês estão vivendo!
— Sim, realmente — O telefone já estava em minhas mãos e eu tentava me recordar os últimos números do celular de Esme — Você conhece a saída, certo?
— Certo — Respondeu sem realmente se abalar com a minha frieza — Eu vou indo, então. Obrigada mais uma vez, Isabella e por favor, tenha cuidado. Muitas pessoas não estão felizes em vê-la se unindo legalmente com o meu filho.
— Você está sabendo de alguma coisa? É a Tanya?
— Bem, sim. Ela achou extremamente engraçado quando a notícia começou a se espalhar, disse se tratar de uma afronta do Edward por algum aborrecimento que ela o fez ter esses dias, mas quando Alice fez aquela nota... a mulher enlouqueceu — Senti um calafrio estranho percorrer a minha espinha quando vi seu corpo estremecer — Tentei convence-la a deixar isso para trás, Deus sabe que todos no nosso círculo estão fartos dessa sua pequena obsessão. Admiro que a alimentei por muito tempo, eles acabaram. Já faz tantos anos... — Vi seus olhos reviraram antes de serem cobertos pelo os óculos escuros e ela tomou a bolsa do sofá — Fiz o que pude por aqueles dois, mas é hora de seguir em frente. De qualquer forma, Tanya não ficou satisfeita com o meu encorajamento e mandou-me de volta ao meu apartamento. Estamos sem nos falar desde então, ela acha que estou traindo-a ao tentar me aproximar do meu neto, mas a ficha caiu.
— Do que está falando?
— Dediquei muitos anos para a pessoa errada, Isabella, descontei no pequeno Edward, a minha amargura por não ter o amor de Carlisle mesmo depois de dar-lhe um filho — Me explicou e eu assenti, concordando. Ela fez aquilo — É impossível voltar no tempo, mas não estou à beira da morte, posso fazer com que os próximos anos sejam diferentes.
— Boa sorte com isso.
— Obrigada. E mais uma vez, cuidado. Tanya tem tendência a... exagerar. Mantenha aqueles caras com você — Alertou-me segurando o meu braço — Tenha uma boa tarde.
Elizabeth partiu deixando-me apreensiva para trás, mesmo que não tenha sido a sua intenção. Eu não convivi por uma vida inteira com ela, mas já tinha lidado por tempo o suficiente com aquela mulher para ver a mudança drástica que me apresentou hoje. Não queria ser ingênua, havia uma pequena pulga atrás da minha orelha, me incomodando e pedindo para que eu lesse as entrelinhas e buscasse algo de errado em todo o seu comportamento de arrependida, mas também havia uma esperança menor ainda de que ela tenha falado com o seu coração.
Esme me pediu meia dúzia de desculpas antes mesmo que eu pudesse cumprimenta-la ou perguntar o que ela precisava. Contou que passou a manhã em um instituto com a sua amiga para abrir oficialmente as inscrições para o curso e assim que saísse de lá, iria encontrar com tal arquiteto para uma reunião de última hora e precisava de um favor meu. Ela realmente fez parecer uma grande coisa, quando o problema era que não poderia passar na gráfica para pegar o material que preparamos ontem à noite e gostaria que eu os levasse até eles.
Era uma coisa boa que eu tenha trocado a minha primeira escolha pelo vestido. Eu detestaria fazer feio na frente dos amigos de Esme, que era ou seria, a minha sogra. Ela agradeceu bastante quando confirmei que iria dentro de meia hora e perguntou mais duas vezes se não estaria atrapalhando os meus planos. Omiti que pretendia passar no salão e deixei esse compromisso para mais tarde, não havia pressa. Esme afirmou que tudo já estava pago e que ligaria para informa-los que outra pessoa estaria buscando as apostilas.
Saí por um segundo da casa para procurar por Nicolas e lhe pedi para que fizesse o motorista preparar o carro, pois eu estaria saindo em breve e precisaria dele e mais outro para me acompanhar esta tarde. Enquanto ele cumpria as minhas ordens, fui falar com Heitor que estava no seu castelo inflável se divertindo enquanto a babá de Antonella que a tinha no colo, o vigiava do lado de fora. Ele correu para a pequena abertura e tentou me puxar para dentro, fazendo com que eu quase desequilibrasse e a moça desse uma risada alta. Peguei-o pela mão e apertei-o em um abraço gostoso, beijando várias vezes a sua cabeça, bagunçando os seus fios idênticos aos do pai.
Me despedi dos dois e entrei na casa para pegar a minha bolsa. Alice e Rosalie vinham rindo e arrastando uma mala pequena para o lado das outras maiores no final da escada. O meu coração apertou com a imagem e eu corri para os braços da loira que me recebeu com um suspiro pesado.
— Você precisa mesmo ir?
— Infelizmente — Concordou segurando o meu rosto e abriu um sorriso triste — Vou sentir muita saudade de vocês e ligarei todos os dias, certo?
— Espero que sim. Tem certeza que não quer que eu te leve para o aeroporto? — Eu não me importo com o que tenho que fazer, apenas queria passar mais algum tempo com ela.
— Está tudo bem, Bella, o Emmett me disse que já estava na esquina quando liguei. Sei que vou chorar pateticamente antes de embarcar e não quero testemunhas — Nós rimos enquanto nos abraçávamos mais uma vez e ouvimos a porta abrir — Olha ele aí. Tudo pronto?
— Sim, mas tanto quanto eu gostaria que você perdesse o voo, sei que me bateria por isso, então é melhor irmos andando — Emmett disse pegando duas das malas e um dos empregados aproximou-se para ajudá-lo a leva-las para o carro — Você vem conosco, Bella?
Balancei a cabeça, negando e ele assentiu antes de sair. Rose me abraçou de novo, mas dessa vez, Alice se juntou a nós e eu percebi que ela também estava triste por termos que nos despedir. Eu a fiz prometer que me avisaria assim que chegasse em casa, então entraríamos no Skype e nos falaríamos um pouco. Ela riu da minha ansiedade, mas concordou.
— Se cuide, está bem? — Assenti fazendo-a sorrir maliciosa — Não faça nada que eu não faria. E obrigada por tudo, Ali. Espero que vá nos visitar em breve.
— Com certeza. Temos muito o que fazer.
E então ela se foi deixando os meus olhos em chamas. Eu queria chorar.
Há anos não nos separávamos por um dia sequer. Ia ser tão estranho.
— Você está o usando o meu vestido! — Alice saltou ao meu lado, me assustando e então olhei para o seu largo sorriso — Vai para algum lugar? Posso ir junto?
— Vou fazer um favor para a sua mãe. Fique com as crianças, eu não devo demorar.
Ignorei o seu beicinho de garota mimada e saí de casa. O motorista sorriu simpático para mim ao abrir a porta do banco traseiro e eu entrei com o celular e bolsa em mãos. Abri a mensagem de Esme e lhe disse o primeiro endereço para onde deveríamos ir. Enquanto acelerávamos, podíamos ouvir o Nicolas e outro bem atrás de nós, no segundo carro.
Nós dois nunca mais havíamos conversado ou interagido como antes depois do aniversário do onde fui delatada. Acredito que Edward foi duro o suficiente com todos eles para que nenhum se atrevesse a cruzar a linha do profissional outra vez, mas aquilo realmente não me incomodava. Todos nós fizemos uma besteira muito grande naquele dia.
Uma buzina alta soou me assustando de leve e olhando em volta, percebi que estávamos estacionando. O rapaz apontou para a tal gráfica, já que eu não saberia identificar o que estava escrito na grande placa e eu saltei para fora.
Os materiais dos alunos estavam guardados dentro de duas caixas pequenas. A moça que me atendeu, abriu-as para que eu pudesse verificar a quantidade e o conteúdo em si. Tudo parecia muito bom e de qualidade, então a deixei saber disso e assinei um pequeno recibo apenas para confirmar que fui a responsável por pega-los. Nicolas e o outro cara colocaram-nas no porta-malas e do outro lado da rua eu avistei uma padaria e café de onde vinha um cheiro de pão quentinho irresistível.
A minha boca salivou de uma forma que não consegui ignorar, então os avisei para onde estava indo, mas ambos insistiram em me acompanhar. O lugar tinha quase todas as mesas ocupadas por pessoas falantes e simpáticas, sentei-me em uma próxima ao balcão de atendimento e pedi um pretzel simples com açúcar e canela e um pouco de café para a garçonete que me garantiu que em um minuto estaria de volta.
Aproveitei para responder a mensagem de Esme e avisa-la de que já tinha tudo em mãos e no mais tardar, em 20 minutos, os encontraria. Ela enviou-me uma carinha satisfeita de volta seguida de um coração, me fazendo rir baixinho. O meu pedido chegou e era tão delicioso quanto eu imaginei quando estava do lado de fora. A massa era maravilhosa e eu não imaginava que encontraria um desses por aqui.
Sempre que alguém entrava ou saia no estabelecimento, um sininho soava alto o suficiente para que todos pudéssemos ouvir e eu não resistia em dar uma boa olhada em cada novo cliente. A maioria eram mulheres e jovens, mas pelos sotaques e vozes, percebi que esta padaria era outro lugar queridinho dos turistas. Uma moça perto de mim, estava conversando com outra ainda mais nova que lhe mostrava algumas fotos em sua câmera profissional e ela falava sobre ângulos, horários, iluminações e coisas que lembraram ao meu casamento.
Era inacreditável que em pouco mais de dois meses, eu seria uma mulher casada.
Através do vidro da janela, podia ver Nicolas olhando constantemente aqui para dentro, mas sempre que fazia contato visual comigo, assentia para si mesmo e desviava o olhar. O outro estava mais perto do carro, prestando atenção nos pedestres.
Quando a minha xicara ficou vazia, eu movia as minhas mãos para frente e para trás, tentando me abanar com elas. Tomar café nesse horário em pleno verão de Atenas não foi uma decisão sábia e agora eu me sentia derretendo. Depois de pagar a conta, levantei da cadeira e esperei que Nicolas desse uma outra olhada para mim, para avisa-lo que estaria indo ao banheiro por um minuto. Apontei para o corredor à minha esquerda e ele assentiu depois de um tempo.
Revirei os olhos e fiz o meu caminho para o banheiro. Só havia um, o que não me deixou muito à vontade, porque significava que homens e mulheres o usavam e eu sabia o quanto homens podiam ser porcos, mas me surpreendi ao entrar e encontra-lo muito decente. Era limpo e arejado, até um pouco espaçoso. Aproveitei a chance para esvaziar a minha bexiga antes de encontrar com o arquiteto Oscar e depois fui até a pia, lavar as mãos e me refrescar um pouco.
Estava tirando a umidade do meu pescoço com papel higiênico quando a porta se abriu de repente, me fazendo dar um pulo para o lado. Uma moça entrou apressada e antes que eu pudesse alerta-la de que o banheiro ainda estava sendo usado, ela empurrou a mão na minha boca e me pressionou contra a parede, fazendo os meus olhos se arregalarem.
— Até que enfim, maldição — Ela suspirou aliviada, mas não me deu a chance de ver o seu rosto, uma vez que ela olhava para os nossos pés — Eu pensei que aquele cara seria capaz de entrar junto com você — Ela tinha uma risada jovem e eu teria achado bonita também, se não estivesse estática de medo presa contra a parede — Aposto que seu homem o fez borrar nas calças por causa da última vez, hein?
— Quem diabos é você? — Perguntei quando sua mão deixou a minha boca e segurou o meu ombro para que eu não me mexesse.
— Eu sou a Jane.
Jane. Era a Jane.
E não Jenna.
Meus olhos piscaram várias vezes antes de eu conseguir focalizar no seu rosto. Ela era exatamente como a o Jenks disse que seria. Os olhos grandes de avelã eram bastante expressivos e mostravam o quanto ela estava se divertindo com a minha surpresa. O seu cabelo loiro estava penteado para trás, mas não parecia ser um rabo de cavalo e sim, uma trança. Me surpreendi que ela tivesse deixado o rosto todo exposto dessa forma quando sabia que estava sendo procurada.
A moça tinha a mesma altura que eu, mas aparentava ter uns 3 anos a menos. Jovem e bonita. Mas aquele sotaque... por que eu não percebi o sotaque antes? Definitivamente era espanhola ou algo assim. Ela abriu um sorriso malicioso e antes que eu percebesse, estava empurrando-a com toda a força que tinha, nos colocando do outro lado do banheiro e tentando batê-la.
— Que porra! — Gritou — O que está fazendo?
— Você tentou matar o meu filho, o que acha que vou fazer com você? — Rosnei levantando o meu joelho e atingindo a sua barriga, fazendo com que ela se curvasse de dor.
Jane acertou um tapa no meu rosto enquanto se levantava e eu me afastei alguns passos para segurar a pele que ardia, ouvindo o barulho dos meus óculos caindo no chão coberto por cerâmica. Eu tentei correr para a porta, mas ela me alcançou antes e jogou-me contra a pia, me fazendo gemer alto de dor quando as minhas costas atingiram a borda.
— Eu não fiz aquilo, Isabella. Tenho tentado falar com você para impedir que aquilo acontecesse. Agora acalme a sua merda e me escute! — Mandou e se afastou um pouco de mim, mostrando que não queria mais brigar.
— Você tem um minuto para falar. Eu já derrubei maiores que você, Jane. O que diabos está acontecendo aqui? O que você quer? — Nossas respirações eram ruidosas, principalmente a dela que teve o ar roubado com o meu chute, mas a garota era durona.
— Eu tirei as fotos e enviei-as para você. Eu queria que ficasse curiosa e tentasse me encontrar de volta. Você mesma e não aqueles brutamontes que o seu homem pôs atrás de mim — Explicou revirando os olhos — Mas não tive nada a ver com o que aconteceu com o meu filho. O meu pai é quem está por trás dos atentados. Todos eles.
Meu corpo enrijeceu com a revelação e eu me afastei ainda mais dela.
— Não se atreva — Alertou quando andei de costas em direção a porta e eu parei no lugar — Não torne as coisas mais difíceis, Isabella, eu não estou aqui para machuca-la. Eu quero te ajudar.
— Esqueceu que acabou de dizer que o seu pai está por trás de tudo o que deu de errado para os Cullen e para mim? Por que eu confiaria em você? — Olhei-a incrédula e ela assentiu, entendendo o meu ponto.
— Tudo bem, você está certa. Eu me expressei mal — Ela levantou ligeiramente as mãos como se me pedisse calma e eu parei de me mexer, esperando uma explicação quando deveria gritar a plenos pulmões. Onde estava Nicolas, afinal? — O meu pai biológico conheceu a minha mãe onde nós vivemos atualmente, no Chile. Ele estava envolvido em tudo quanto era negócio ilegal da área e a minha mãe desistiu de tentar qualquer envolvimento quando soube que estava me esperando. O desgraçado nunca teria me querido de qualquer forma — Cuspiu irritada e vê-la falar daquela forma sobre o próprio pai me fez repensar — Isabella, você precisa saber que esse homem é o tio do Edward.
— Os tios de Edward estão mortos. Você deve estar enganada. — Ou louca, pensei ficando impaciente. Essa garota não vinha falando coisa com coisa desde que apareceu e ainda envolve a família do Edward nisso. Era um absurdo. O único tio vivo que ele ainda tinha era Eleazar e não acho que o homem tenha estado sequer na América do Sul alguma vez.
— Caius estava vivo o suficiente para foder a minha mãe, muito mais jovem e inocente que ele e larga-la gravida! — Ela gritou perdendo a compostura e eu deixei a minha mente assimilar e repassar mais uma vez a história que vinha junto com o nome.
Caius era um dos irmãos do Victor. Aquele que se revoltou contra a família e sumiu no mundo quando não conseguiu tomar as empresas do avô de Edward. Lembro vagamente dele me contando que o homem não voltou a dar sinal de vida nem quando os pais faleceram e então surgiu os boatos que ele havia sido assassinato na Argentina.
Argentina. O Chile ficava bem ao lado.
Isso podia ser sério?
— Eu estou ouvindo os seus miolos trabalhando daqui — Ela disse me tirando do transe. Eu provavelmente fiquei quieta por tempo demais — Sei que parece loucura, o homem estava morto pra vocês, mas há anos ele está tentando derrubar o seu noivo. Ele tem o cara sendo constantemente vigiado, do contrário, eu mesma teria procurado o Edward. Você é o mais próximo dele que posso me dar ao luxo de estar e te explicaria as coisas com mais detalhes, até como cheguei a me envolver nessa merda, mas não temos tempo para ficar de fofoquinha.
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— O Heitor é o herdeiro de todo esse império, Isabella. É para as mãos do menino que tudo aquilo vai algum dia. Tudo que o Caius sempre sonhou para si — Explicou e olhou para o seu relógio de pulso — Caius teve que assistir o pai, o irmão e o filho do irmão governar e enriquecer às custas daquilo que ele acha que lhe pertence por direito. Ele é cruel ao ponto de não querer viver o resto dos seus dias sabendo que aquilo vai parar com outro que veio do Victor.
— Filho da puta — Xinguei por baixo de um suspiro — Ele sabia que você viria para cá?
— De início, não. Mas mamãe disse que mandou que me procurassem quando passei muito tempo sem dar notícias e acho que ele ligou 1+1 — Afirmou e aproximou-se para colocar o ouvido contra a porta e eu fui para o seu lugar, perto da pia — Ele me usou. Quando soube sobre mim, não ficou satisfeito por eu ser mulher, mas depois tentou me moldar para vir para a Grécia em busca da presidência da empresa. Eu nunca gostei do cara e não faria qualquer coisa que ele considerasse boa pra mim, ainda mais quando soube o quão sujo ele operava contra a própria família.
— Graças a Deus por isso. — Murmurei e ouvi o celular vibrar baixinho dentro da bolsa.
— Eu preciso contar com você agora, Isabella, porque isso não deve acabar muito bem para mim — Ela riu amargurada se afastando da porta — Caius é radical. Se você não é seu amigo, então você é seu inimigo e ele tem muitos amigos na cidade.
Eu estava prestes a responder quando a porta foi aberta novamente, fazendo-a ser empurrada para trás. Era Nicolas e ele tinha o cenho franzido enquanto passava os olhos pelo banheiro e então parava em mim. Seu rosto era pura confusão e eu imaginei o estado que estava depois de entrar naquela discussão corporal com Jane, mas antes que eu pudesse lhe dar alguma explicação, ela surgiu segurando a lixeira de aço inox e a usou para bater com força na cabeça do segurança que por pouco não caiu em cima de mim. Eu soltei um gritinho de susto e Jane me repreendeu. Eu a repreendi de volta explicando que ele estava comigo, mas ela não quis saber, alegou ter entrado em pânico e que não podia confiar em ninguém.
— O que a gente faz agora?
— A gente dá o pé daqui, garota. Vamos, vamos!
Ela jogou a minha bolsa nos meus braços e me empurrou para fora dali. Havia um rapaz e uma moça do lado de fora, provavelmente querendo usar o banheiro e nos esbarramos em algumas pessoas e cadeiras antes de alcançarmos a saída. Eu procurei o carro com os olhos e puxei-a pelo braço quando encontrei. Fizemos uma pequena corrida até ele, mas paramos bruscamente quando quase tropeçamos no corpo do motorista que estava desacordado e com as costas apoiadas no pneu. Mas que porra?
— Merda. Olha! — Jane disse apontou para umas 5 pessoas que rodeavam alguém sentado no chão da calçada há uns sete metros de nós. Eu me forcei a enxergar melhor e aos poucos reconheci os sapatos e a calça. Era o segundo segurança — Vem.
Jane me puxou para atravessar a rua, mas não fomos capazes de dar um passo para frente. Alguém me agarrou por trás e tapou a minha boca com uma força exagerada – muito diferente da dela – fazendo com que os meus próprios dentes machucassem os lábios. Eu gemi, mas a pessoa me apertou ainda mais e com o canto dos olhos, vi o que o mesmo acontecia com a loira. Um homem com cerca de 1,85m, branco e de cabelo bem curto, praticamente a imobilizava e arrastava-a para perto de mim. Ele abriu a porta do carro sem qualquer dificuldade e simplesmente empurrou a garota lá dentro. O meu destino não foi diferente, fui solta e enfiada no carro a força e sentei-me ao lado dela, com lágrimas nos olhos.
O que estava acontecendo aqui? Quem eram esses homens?
A minha bolsa foi tomada da minha mão bruscamente e jogada para o banco da frente. Virei e dei uma boa olhada no sujeito que se sentou ao meu lado e fechou a porta. Ele parecia ser tão alto quanto o outro, mas era negro, tinha os ombros mais largos e nenhum cabelo. A porta ao lado de Jane também foi aberta. O cara que que a segurava entrou e sentou-se também.
Armado. Tinha uma fodida arma apontada para nós.
O sujeito no volante ligou o carro e ajustou o retrovisor, chamando a minha atenção. Nossos olhares se cruzaram por um instante e eu vi o seu sorriso, bem como os olhos que o boné tentava esconder. Santa mãe de Deus.
— Surpresa, Isabella! — Ele disse com um falso entusiasmo.
Era o Jorge.
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