Odisséia Grega

33 Capítulo 33


Notas iniciais
Voltei com mais, gente! Íris, muito obrigada pela linda recomendação. E um feliz dia das mães atrasado, mas de coração, para todas as mãezinhas daqui ♥

Acordei no dia seguinte me sentindo terrível pela falta de sono. Tanto quanto eu amava estar com Edward, eu não conseguia acompanhar aquele ritmo de ficar acordado até altas horas da madrugada e então levantar pela manhã como se nada tivesse acontecido. Estava exausta e por pouco não liguei para o trabalho alegando estar doente para que pudesse ficar em casa e simplesmente não sair da minha cama por nada no mundo, mas não foi possível.

Heitor levantou antes nós dois. Quando chegamos lá em baixo, o encontramos brincando no jardim com Carlisle enquanto Esme terminava de colocar a mesa do café da manhã junto com Judi, a moça da cozinha responsável por todas aquelas delicias cheirosas e apetitosas.

— Bom dia pra vocês! — Esme cumprimentou feliz e eu precisei retribuir o seu sorriso porque ainda não sabia como negar alguma coisa a ela — Oi, querido. Eu não vi você chegar. Sente-se aqui.

Foi divertido ver Edward ser servido pela mãe por diversas vezes durante a refeição. Ela fazia questão de ter em mãos todas as coisas favoritas dele para que ele nunca saísse de casa com o estômago vazio e então eu finalmente entendi o motivo de seu apartamento ridiculamente caro viver praticamente abandonado. Se ele podia ficar na minha casa sempre que quisesse e tinha a mãe bem aqui para mima-lo dessa forma, por que diabos ficaria sozinho vivendo a base de comida congelada? Edward é um tremendo filhinho da mamãe.

— O que Marcus tinha a dizer, filho? — Carlisle perguntou entrando no cômodo e após nos cumprimentar, foi servindo-se de uma xícara de café com um pouco de leite.

— Ele vai pegar um voo hoje mesmo para Atenas e adiantará as coisas para mim — Ele respondeu e eu lembrei-me que aquele era o nome de um dos seus advogados — Disse que precisamos seguir o rastro de quem quer que tenha enviado a caixa, enquanto ainda está fresco e eu concordo.

— Eu realmente não entendo porque essa pessoa resolveu se manifestar após tanto tempo — Carlisle balançou a cabeça parecendo confuso e eu desviei o olhar para a porta de vidro à minha direta, que mostrava Heitor perseguindo Esme pela grama verde. Ele usava apenas uma fralda e um sorriso gigante. Seu cabelo estava uma bagunça adorável — É possível que ele ou ela esteja fazendo isso por arrependimento, mas também pode estar se vangloriando e é melhor termos cuidado para que aquilo não se repita.

Seria possível que estivéssemos interpretando errado esse aviso? Ao invés de uma pessoa tentando nos levar ao culpado ou com remorso, estaríamos tendo alguém mexendo na ferida só para tentar atingi-lo novamente? Edward realmente precisava voltar para Atenas e precisava ir rápido. Ele ficava enfurecido sempre que lembrava da quantia absurda que que roubaram, não porque lhe fez falta ou o deixou no vermelho, mas porque a empresa ficou em estado de alerta por um período e aquele dinheiro era dos seus funcionários. Daqueles que trabalhavam de segunda à sábado para sustentar suas famílias. Nenhum infeliz deveria sentir-se no direito de pegar o que não lhe pertencia e prejudicar milhares de pessoas.

O resto da semana passou-se feito um borrão e eu me sentia cada vez mais acabada. Apesar de o momento não ser o mais perfeito para isso, não tive tantas dificuldades em conseguir algum tempo fora do trabalho quanto pensei que teria e algo me dizia que tinha o dedo da minha sogra nisso. Porém, como os dias de sombra e água fresca ainda não haviam chegado, me dediquei em dobro – talvez em triplo, quem diabos sabe? – na empresa para não ser prejudicada com serviço acumulado na volta ou quem sabe alimentar motivos para uma futura demissão. Chegava tarde em casa todos os dias e apesar de sentir falta do Heitor, aquele pequeno sacrifício seria por um bem maior. Em breve teria dias a fio para me dedicar a ele e sua diversão, mas por enquanto, a Kara exigiria um pouco além do normal do meu tempo.

Bree não se importou em passar algumas horas a mais do seu dia com ele, uma vez que tinha ficado empolgada demais em ter pequenas férias adiantadas. Há poucos dias havia recebido um convite para passar algum tempo com os primos em uma casa alugada em algum ponto perto do incrível Lago Michigan e essa era oportunidade perfeita, uma vez que quando o verão chegasse, aquela areia branca ficaria disputadíssima e no inverno ele se tornava uma grande placa de gelo.

Diariamente eu era lembrada de tirar centenas de fotos da viagem e envia-las por e-mail. De preferência em todas as paisagens lindas que ela já tinha visto e se visitar todos aqueles lugares não saísse muito caro, eu o faria com o maior prazer, porque era mesmo tudo muito bonito.

Marquei uma consulta com o Angelo que vem sendo o pediatra de Heitor nos últimos meses e fizemos alguns exames por pura insistência do Edward, pois o médico havia dito que não era necessário e o nosso garoto estava com a saúde excelente para viajarmos, mas ele realmente só se tranquilizou quando viu no papel que estava tudo certo.

Eu liguei para Charlie para avisar que estaria saindo em uma viagem no final de semana e o homem quase teve um ataque. Estava tudo bem mudar de cidade, mas sair do país parecia loucura para ele. Às vezes tinha impressão que papai esquecia que eu vivo por conta própria desde que fui para a faculdade, tenho 26 anos e cuido do meu filho muito bem, obrigada. Renée conseguiu tranquiliza-lo após um tempo, afinal, os dois confiavam muito em Edward para pensar que ele deixaria algo acontecer comigo e Heitor. Eu ri quando mamãe disse no telefone para ele encarar isto como pratica para a lua de mel e lá estava ele aborrecido novamente.

— Você sabia que Chicago é uma das cidades-irmãs de Atenas, Bella? Não é uma coincidência super legal? — Ela gritou no telefone e usou ‘super legal’, santo Deus. Eu murmurei uma concordância, mas não sabia do que raios a minha mãe estava falando dessa vez. Renée estava animada que a minha primeira viagem internacional fosse para algum lugar na Europa e deveria estar nesse momento fazendo pesquisas na internet — Você quer ajuda sobre o que vestir?

— Não realmente — Suspirei lembrando-me de como usei as horas fora do trabalho ontem – Rosalie tem cuidado disso por mim.

Era verdade. Eu quase pude ouvir as engrenagens se movendo em sua cabeça quando lhe contei dos planos de Edward e de repente lá estava ela falando sobre incríveis promoções e coleções de verão recém lançadas nas suas butiques favoritas. Rose me arrastou por três dias seguidos durante o horário do almoço para pesquisar e comprar roupas para a nossa viagem.

Porque obviamente ela estaria vindo junto.

— Edward, Heitor e você estão indo para a Grécia e levando o meu homem por sabe-se lá quanto tempo, Bella. O que deu na sua cabeça para pensar que eu ficaria para trás?

Foi sua resposta quando questionei o porquê daquela pilha de roupas estar crescendo tanto em tão pouco tempo. Para mim foi realmente um alivio saber que ela estaria lá comigo o tempo todo. O seu pai não ficou nada satisfeito em tê-la saindo da clínica de uma hora para outra, mas assim como eu, ela também nunca tinha dado uma pausa no trabalho e nada a impediria disso agora.

Edward esteve ainda mais ocupado do que eu. Por algumas noites, ele chegava tão tarde do escritório que ia dormir no apartamento dele para não nos incomodar, uma vez que não teríamos tempo para nós dois e acordaríamos malditamente cedo no dia seguinte. Eu sentia falta dele demais, mas entendia. Fiquei sabendo através do próprio que os progressos que fizerem ainda eram mínimos para serem comemorados e Carlisle acabou se envolvendo para ajudar na parte da lista de suspeitos, uma vez que foi o primeiro a lidar com a situação enquanto Edward ainda estava aqui no país. Era até estranho pensar nos dois no meio dessa bagunça. Eu podia imagina-los sentados em uma grande e espaçosa mesa, numa sala de reunião, rodeados por agentes do FBI com planilhas, computadores, dados e nomes. Será que era assim que uma investigação funcionava?

Eu arrumei as malas, minhas e do Heitor, com dois dias de antecedência para não esquecer algo e ter que comprar na última hora ou quando chegássemos na cidade. Eu não me sentia confortável em depender do meu namorado para tudo, uma vez que não entendia coisa alguma daquele idioma e não sabia até quanto de inglês eles falavam para lidar com os turistas. E se eu fosse roubada?

Eram 06h35m quando nós fomos para o Aeroporto Internacional O'Hare. Estava absurdamente frio, apesar do sol ter nascido há algum tempo. Enquanto Heitor estava esperto e conversando no colo de Rosalie, eu tremia mesmo sendo envolvida pelos braços de Edward que me apertavam me esquentar, já que o aquecimento do carro não parecia ser o suficiente.

Ele tinha uma Hilux SW4 com espaço para sete pessoas e vidros escuros em frente ao meu prédio assim que acordei. Os seguranças dele nos informaram que algum artista famoso deveria chegar nas próximas horas e haveriam dezenas de fotógrafos espalhados por lá para registra-lo, então pegaríamos uma outra entrada para termos mais privacidade.

Emmett nos providenciou alguns cafés quentes da Starbucks quando nos estabelecemos em uma área privada do ORD. Enquanto tudo ia sendo preparado, dei um passeio com o meu filho e Rose por onde havia menos gente e mostrei para ele a esteira onde as bagagens das pessoas davam voltas e voltas. Eu queria que ele pudesse aproveitar alguma coisa antes de viajarmos. Nós passaríamos muitíssimas horas no ar e eu ainda não sabia se a experiência seria um sucesso ou um desastre total.

Claro que eu fui informada por uma senhorita simpática que o nosso avião estava pronto para embarcarmos e não pelo meu namorado. Iríamos no avião particular dos Cullen. É óbvio que eles tinham um, como é que esse pensamento nunca cruzou a minha mente? Que estúpida.

Eu posso ter batido um pouco no Edward por não deixar esse detalhe claro, mas ele apenas revirou os seus olhos e sorriu grande para mim como tem feito desde que apareceu na minha porta. O homem estava animado em me levar para a sua terra natal como se estivéssemos saindo para as férias de família e não para pegar algum criminoso desgraçado.

Bom, pelo menos ele estava.

— Nós vamos precisar parar em algum lugar? — Perguntei curiosa quando vi a grande aeronave de longe. Era toda branca, com duas listras finas na horizontal em tons diferentes de azul.

— Nop! — Emmett respondeu estendendo o ‘p’ — Se pegássemos um voo comercial, talvez parássemos em New York por um tempo, mas essa beleza aqui nos levará direto para casa.

— Devemos demorar muito para chegar lá? — Os ponteiros do meu relógio de pulso indicavam que faltava pouco para às 07:45. Vi Rosalie passando na minha frente nenhum pouco impressionada com a máquina e se estava, não quis demonstrar. Contei as sete pequenas janelas e me perguntei quanto aquilo deveria custar. 30? 40? Talvez até 50 milhões de dólares. Santa mãe de Deus...

— São umas 11 horas de viagem, Bella — Respondeu tocando os meus ombros com suas enormes mãos e eu tencionei na hora, mas pelo o horário. Era muito tempo. Será então com o fuso horário e tudo mais, chegaríamos no domingo? — Mas não se preocupe. Há um quarto aqui mais confortável que o meu e ele é todo de vocês. Garanto que mal verá o tempo passar. — Emmett me empurrou para nos apressarmos e por pouco não li o que estava escrito em uma das turbinas.

Aposto que era o sobrenome de Edward.

Fiquei meio insegura com a pequena escadinha, mas me surpreendi sobre o quanto era firme e em apenas quatro passos, eu estava em volta de muito luxo. Caramba! Aqui era mais bonito do que boa parte das casas onde já estive.

Rosalie já estava acomodada e relaxada em um divã branco, deslizando os dedos na tela do celular. Emmett estava no bar servindo alguma coisa para os dois enquanto conversava com uma moça pequena, oriental e uniformizada que obviamente eu nunca tinha visto. Ouvi um bocejo atrás de mim e encontrei Edward com o Heitor pendurado em seu braço enquanto trazia duas bolsas em seu ombro direito.

— Vem, baby, vamos ficar perto das últimas — Edward me puxou pela mão após entregar as nossas bolsas para aquela moça que abaixou os olhos quando o viu. Acho que ela tinha medo dele ou algo assim — Fique com ele por alguns minutos. Eu vou falar com o piloto.

Assenti enquanto sentava em uma poltrona parecendo mais acolchoada que as normais e um pouco maior. De repente pensei que derreteria no lugar. Como isso era tão macio! De que eram feitas essas coisas? Eu tinha certeza que estava parecendo uma caipira e agradecia por não estar verbalizando essas perguntas ridículas, mas que era surpreendente, era.

Acopladas às costas das poltronas da frente, havia monitores em HD de 10 ou 12 polegadas. Eu pressionei o centro de uma por um tempo e ela acendeu mostrando-me várias opções do que ver. Havia poucas coisas para crianças, mas não seria preciso tantas, afinal. A maioria eram filmes e eles duravam o suficiente. Selecionei um desenho para o momento e a atenção de Heitor foi capturada no mesmo instante. Ele, no lugar do pai, colocou a chupeta na boca e encostou-se para assistir como um bom menino.

Edward estava demorando e inquieta para finalmente seguirmos viagem, levantei para olhar ao redor e conhecer o lugar. A decoração era toda personalizada em tons de branco, cinza claro, escuro e preto. As poltronas eram revestidas em couro, havia um aparador lateral e mesas para refeição ou até mesmo reunião. Tínhamos TV por assinatura, internet, telefone por satélite e armários. No final do corredor, havia uma pequena cozinha, também como um quarto com guarda-roupa e um banheiro na parte traseira. Eu certamente poderia viver aqui dentro.

— O que diabos você está fazendo aqui? — Ouvi Emmett dizer e no susto, soltei a porta do armário, fazendo-a bater de vez. O que estava acontecendo? — Você não foi convidada. Saia!

— Você está sendo indelicado, Emmett. Eu não preciso de convites — Aproximei-me e pisquei para afastar a miragem da minha frente, mas ela não sumia e eu me recusava acreditar que Elizabeth estivesse mesmo ali — Querida, tome cuidado com ele, sim? — Ela falou para a moça entregando para ela uma caixa de transporte para cachorro, provavelmente com o bicho dentro.

Elizabeth colocou os seus cabelos para trás e virou o corpo para vir na minha direção. Por alguma razão, eu senti a necessidade de ficar perto de Heitor e me afastei até alcançar o braço da poltrona em que ele estava. Mas que porcaria! Como ela sabia que estaríamos aqui nesse exato momento? Essa mulher perseguia o filho ou coisa do tipo?

— O que você está fazendo aqui, Elizabeth? — Ouvi a voz de Edward e minha atenção voltou-se para o homem lindo que se aproximava com uma carranca no rosto. Todas as expressões dele eram tão bonitas e sexy. Como isso poderia ser humanamente possível?

— De novo essa pergunta — Resmungou. Quase podia ouvi-la revirando os olhos. Vi quando ela jogou a sua bolsa exageradamente grande para o assento à sua direita, junto com um — É muito simples, Anthony, eu tive uma excelente semana aqui, mas está na hora de voltar para casa. Por que enfrentar um voo regular quando posso pegar carona com o meu filho a quem eu prestei um enorme favor?

Emmett baixou a cabeça e balançou-a para os lados, resignado. Eu sabia o que ele estava pensando. Não que Edward devesse alguma coisa a Elizabeth, mas ambos sabíamos que ele se sentiria sem jeito para tira-la daqui, principalmente quando o motivo dela ter vindo em primeiro lugar, era a empresa dele. Foi a minha vez de revirar os olhos e suspirar conformada com a situação.

— Eu não posso acreditar que vou passar mais de dez horas trancado com você — Edward soltou uma risada amarga que saiu pelo nariz e fechou os olhos — Apenas... fique o mais quieta que você conseguir, certo? Eu realmente não quero ter que joga-la para fora daqui.

— Com licença? — A oriental se fez presente outra vez e corou ligeiramente quando todos os olhos se voltaram para ela — Seria interessante que fossem para os seus assentos, pois já vamos decolar.

Elizabeth foi para o seu lugar no mesmo instante e saiu das minhas vistas. No entanto, um Edward tenso e de maxilar travado apareceu bem na minha frente, me agarrou pela nuca e beijou-me até sugar todo o ar dos meus pulmões. Ele só me soltou quando ouvimos a voz da jovem falando sobre cintos, altitude, turbulência e toda essa baboseira que já sabemos de cor.

— Você está muito chateada? — Perguntou enquanto eu acomodava Heitor no meu colo com a sua manta favorita. Eu apenas balancei a minha cabeça indicando que não — Ainda não é tarde demais. Se você não se sentir à vontade tendo-a aqui, eu posso providenciar que ela viaje em outro lugar. Basta dizer a palavra, Bella.

O quão lindo era ele colocando as minhas vontades em primeiro lugar novamente? Eu amava que ele se importasse tanto e estivesse disposto a passar por cima de qualquer coisa para me fazer feliz, mas apesar de não gostar de respirar o mesmo ar que essa cobra por muito tempo, jamais o incitaria a expulsa-la do avião. Informei isso e me certifiquei de distrai-lo da existência dela nos minutos seguintes. Seguramos as mãos um do outro quando algumas luzes se apagaram e acabamos assistindo junto com o Heitor o desenho animado que tanto lhe arrancava sorrisos.

As primeiras horas de voo não foram difíceis em nada. Era tudo tão confortável, cheiroso e bonito que eu me esquecia completamente de onde estávamos. O dia inteiro sentada no trabalho deixava a minha bunda dormente na maioria das vezes, mas essa poltrona... minha nossa. Eu pensei seriamente em mandar fazer uma cadeira para a minha sala do mesmo material assim que voltássemos.

Rose estava lendo um livro enquanto Emmett tirava um breve cochilo em seu colo e com isso ficou tudo muito silencioso, então usamos os fones de ouvido para continuar assistindo sem incomodar ninguém. Quando Heitor finalmente começou a se agitar, Edward nos levou até o quarto para verificarmos a sua fralda. Para mim, era ainda muito estranho andar por todo o lugar sabendo que estávamos voando, mas isso foi esquecido com o choro impaciente do bebê.

Uma vez seco e limpo, o papai trouxe sua mamadeira recém aquecida e o alimentamos ali mesmo enquanto Edward abria o seu notebook e verificava algumas coisas. Mais algum tempo se passou entre conversas e brincadeiras de nós três sobre o colchão até que o meu estômago roncou e atrapalhou tudo. Edward riu de mim e beijou a minha testa, avisando que iria até a cozinha pedir para que servissem o nosso almoço, pois já tínhamos tempo demais sem comer.

Cheio e sentindo-se pesado, Heitor não estava no clima para brincar com os seus brinquedos, então mais uma vez o peguei nos braços e decidi voltar para os nossos lugares e esperar pela comida, pois eu estava mesmo faminta, mas no caminho trombamos com Elizabeth que parecia apressada para ir ao banheiro. Ela já estava pronta para me ofender, como sempre, quando finalmente percebeu a presença do Heitor.

Oh, merda. Lá vamos nós.

— Mas o que... — Ela gritou, mas tenho certeza que não pretendia. Seus olhos estavam arregalados e eu não tinha certeza se estava respirando — Que diabos de criança é essa?

— Olhe como você fala do meu filho, sua estúpida do caralho! — Explodi e xinguei, me chutando mentalmente por falar a palavra com c na frente de Heitor. Ele estava realmente entretido na pequena discussão e se não estivesse em meus braços, eu teria cedido a vontade de estapeá-la.

— Aí estão vocês... oh! — Ouvi Edward dizer, mas não desviei o olhar daquela cobra — Elizabeth. E então, você conheceu Heitor? Não é o garoto mais lindo que você já viu?

Ele parecia tão orgulhoso em apresentar o filho que não percebeu a expressão de horror naquela mulher. Está bem que era um choque saber da existência do neto assim de repente e sem ter a menor ideia, mas por que isso parecia ser um pesadelo para ela? Será que o seu coração era tão negro e podre que não podia ficar nenhum pouco feliz por nós? Por ele?

— Essa criança é sua? Mas Anthony... quando foi que... minha nossa! Isso não pode... — Falou colocando a mão sobre a boca aberta e o nosso garoto cansado daquela conversa sem sentido, resmungou e inclinou-se para Edward, o chamando de pai, fazendo-a ofegar — Por que você não me disse nada? Eu sou sua mãe! Sou... avó. Oh, minha nossa.

— Isabella estava gravida quando deixei Atlanta e graças a sua performance, eu nunca soube que tinha um filho até voltar para Chicago. Isso responde a sua pergunta? — O seu tom de voz era frio. Cortante como vidro — Você nunca soube da existência dele, porque não merece estar na vida dele e acredite em mim, a perda é sua — Continuou e riu do filho tentando morder sua bochecha. Heitor parecia gostar da sensação da barba do pai pinicando sua pele — Não saberá o quanto essa criança é incrível e nem vai experimentar o amor que ele tem gentilmente me dado pelos últimos meses, apesar de um ano inteiro de ausência. Mas tudo bem, porque isso nunca fez diferença para você, não é mesmo? Agora se você me der licença, eu gostaria de ter uma refeição agradável com a minha família.

Em outro momento, Elizabeth teria retrucado e sido agressiva, mas acho que ela estava tão atordoada quanto eu com o tapa verbal que recebeu e simplesmente ficou parada no pequeno corredor enquanto passávamos por ela. Rosalie estava nos braços do namorado e olhando para nós toda maliciosa. Ela deveria ter ouvido cada palavra e parecia satisfeita.

Após colocar Heitor de volta ao seu assento e me certificar que ele estava seguro e bem entretido, fui sentar-me com Edward em outras poltronas onde havia uma mesa para comermos. Emmett e Rose estavam em outras iguais esperando pela refeição que chegou em poucos minutos.

Comi tentando controlar os meus gemidos de apreciação porque estava mesmo delicioso. Nos reunimos para assistir TV em seguida e depois Rosalie tomou emprestado o quarto por algumas horas para descansar enquanto Edward tomava um banho e eu buscava algo de interessante para fazer na internet.

As próximas horas passaram mais rápidas ainda, principalmente quando foi a minha vez de dormir. Emm estava certo. Aquela cama era incrível para estar em um lugar como esse. Adormeci em segundos com Edward e Heitor entre nós dois e só acordei quando percebi estar com fome outra vez. Deixei os meus homens dormirem um pouco mais e fui para a cozinha beliscar alguma coisa.

Elizabeth esteve silenciosa durante todo o percurso. Ela parecia envolvida em seus pensamentos e no aparelho celular, a cabeça mal se mexia para olhar para os lados e eu me perguntei o quão chocada ela realmente tinha ficado. Emmett nos divertiu bastante. Brincou muito com Heitor e disse que ficaria com ele pra que nós pudemos usar o quarto para outros fins e Rosalie complementou dizendo que era uma das minhas fantasias sexuais. Fiquei morrendo de vergonha com o olhar que Edward me mandou. Tinha certeza que se não estivemos tão perto de chegar, ele teria me arrastado para os fundos do avião para ter o seu caminho comigo.

Enquanto aterrissávamos, Heitor estava no colo do pai e parecia alheio a qualquer movimento ao seu redor. Ele esteve muito bem para uma criança tão pequena e eu lhe daria qualquer coisa que ele quisesse pelo o excelente comportamento. Edward estava distraído outra vez observando o filho brincar com as abotoaduras brilhantes em suas mangas e eu soltei incontáveis suspiros ao ver o quanto eles eram parecidos, principalmente assim de perfil. Até a postura da criança era semelhante a dele.

Deus, eu sempre seria louca por aqueles dois.

— Você me deixa tão apaixonada. — Confessei mordendo o lábio e meu rosto aqueceu por alguma razão. Ele virou-se para mim e o seu sorriso estava imenso. Esticou seu braço, pôs a mão atrás da minha cabeça e logo eu fui puxada em sua direção para ser beijada longa e carinhosamente.

— Eu também sou apaixonado por você, ágape mou. Tão apaixonado — Admitiu apertando a minha nuca e me beijou com mais força — Eu te amo. — Oh, Deus. Senti o meu coração dar um salto, para acelerar logo em seguida como se estivesse em uma corrida. Aquela simples declaração me deixou mole como se não houvesse um único osso em meu corpo. Eu apenas queria abraça-lo e toca-lo por todo lugar com os meus lábios.

— Mamãe, beja eu também! — Ouvi uma voz e meu cabelo foi puxado. Olhei pra baixo e vi Heitor emburrado com os olhos castanhos atento à nós. Edward caiu na risada com seu ciúme bobo e eu não perdi tempo, enchi aquele pequeno gostoso de beijos estalados e em seguida foi a vez de seu pai fazer o mesmo. Sua risada encheu o avião e nos manteve com um sorriso estúpido no rosto até aterrissarmos.

O sol estava alto no céu, mas a temperatura era agradável e também ventava bastante. Tudo em que eu conseguia pensar era dar umas voltas por onde fosse possível para esticar as minhas pernas. Mas havia este outro grande carro nos esperando assim que descemos do avião para levar-nos para o nosso destino e isso era uma boa notícia, porque apesar de todo o conforto, não estava acostumada a viajar assim por tanto tempo, então meu corpo estava dolorido em diversas partes.

Emmett estava no celular com alguém, falando no idioma deles e sorrindo. Poxa, ele falava tão bem! Será que com o tempo eu também aprenderia? Se eu fosse me deixar levar por seus gestos e sons, diria que ele estava avisando da nossa chegada e providenciando alguma comida, o que era muito bom. Pelo que me foi dito, eram quase 10h no horário local e Edward disse que teríamos algum tempo para nos instalar e descansar antes do almoço quando chegássemos em casa.

Entretanto, usar “casa” para descrever aquilo era quase uma ofensa. Edward me disse que ela estava em sua família há algumas gerações, mas passou por grandes reformas desde que esteve nas mãos do pai. Eles viviam em uma mansão magnifica de inspiração mediterrânea e eu não tinha ideia de como Esme conseguiu se mudar daqui para Chicago.

Quando chegarmos no hall magnifico e cor de creme com branco, recebemos informações sobre o lugar para fazermos uma tour mais tarde. A mansão contava com 6 quartos, 9 banheiros, sala de jantar formal e de estar, uma biblioteca enorme da qual eu não quis mais sair de dentro, sala de jogos e como se não fosse o suficiente, também havia uma quadra de basquete combinada com a de squash. Quem jogava basquete aqui? Certamente não era Carlisle.

Uma senhora de meia idade bem baixinha apareceu toda radiante em rever o Edward. Os outros funcionários também pareciam satisfeitos em tê-lo de volta e isso foi uma certa surpresa. Em Atlanta, ele sempre foi temido e respeitado ao extremo, mas aqui... todos estavam à vontade. Ele era mesmo muito querido pelas pessoas daqui, era fácil de perceber isso.

— Aqui não tínhamos um lugar como o que Esme preparou para as crianças, mas eu providenciei que um quarto fosse liberado e preenchido com tudo que Heitor possa precisar — Edward me contou ao chegarmos no corredor espaçoso. Minhas pernas não aprovaram nenhum pouco aquelas escadas — Talvez não esteja do seu gosto, mas a Madison contratou alguém muito recomendada por aqui para fazer as compras dele. Vamos dar uma olhada? — Assenti a contragosto e disfarcei a careta, porque ele estava sendo muito gentil e preocupado com o nosso bem-estar, então por enquanto eu ignoraria a minha implicância com a sua secretaria.

Este novo espaço apesar de ser maior, estava mais simples que o da casa de Chicago e isso muito provavelmente era por não ter o toque pessoal de Esme ou Alice. As paredes em sua maioria, estavam pintadas de branco, mas havia duas em verde que não me incomodaram em nada, pois lembravam muito aos olhos do meu namorado. Estava satisfeita com o trabalho da pessoa solicitada. O que era essencial estava aqui e tudo da maior qualidade disponível.

Uma jovem ficou encarregada de desfazer as nossas malas enquanto a comida estava sendo servida e apesar de estar desejosa por um banho, eu preferi descer e ficar com eles. Todos já estavam na mesa e Emmett parecia mal-humorado por ter que me esperar. Elizabeth estava sentada duas cadeiras depois dele e conversava baixo com a mesma senhora simpática que veio nos receber. Eu estava muito interessada em saber quando o lugar dela ficaria pronto para tê-la longe dali. Era meio ridículo ter esse tipo de pensamento, uma vez que nada aqui me pertencia e elas mesma já viveu na casa antes, mas eu ainda a queria fora.

A senhora que fez o almoço ganhou diversos elogios de todos nós. Ela falava e entendia pouquíssima coisa de inglês, mas cozinhava comida americana como poucas faziam e era isso que tivemos no cardápio de hoje. Uma boa mistura de ambos os países que combinou muito bem. Foi realmente engraçado as caretas que Heitor fez ao provar algumas coisas. Ele esteve o tempo todo no colo do pai e eu servi uma porção no prato que desse para os dois se alimentarem. Edward parecia ansioso ao vê-lo provando algumas de suas coisas favoritas e um pouco decepcionado quando o filho rejeitou a maioria, mas foi só questão de se acostumar. Logo o garoto estava pedindo por mais disso e daquilo.

Meus incríveis homens gregos. Eu os amava.

Depois que saímos da mesa, fomos descansar nos sofás da sala de estar. A iluminação pelas grandes janelas era incrível e nós vimos Heitor correr animado direto para o piano. Eu não tinha ideia de como ele conseguiu reconhecer, tendo em vista que não possuímos um, mas lá estava ele lutando para subir no banco e teve o seu pai correndo para detê-lo antes que se machucasse de alguma forma. Elizabeth passou por nós avisando que voltaria mais tarde e saiu com o seu cachorro que mais parecia uma estátua de cera. Aquilo estava mesmo vivo?

— Aposto que foi visitar a filhinha postiça — Rose resmungou algo meu lado e eu concordei com a cabeça — Vamos torcer para que fique por lá mesmo. Que energia ruim!

Minha atenção voltou-se para Edward e o nosso filho no piano. Ele era jovem demais para aprender alguma coisa, mas isso não o impedia de bater nas teclas desesperadamente por fazer mais sons. Os olhos de ambos brilharam o tempo todo durante aquela atividade só dos dois que não nos atrevemos a interromper ou participar. Mas como já era de se esperar, o dever chamou. Emmett recebeu uma ligação de Marcus e logo eles não podiam ficar conosco por mais tempo.

Edward se despediu sem pressa, com um beijo longo e demorado e suas mãos nos bolsos de trás da minha calça jeans, apertando, puxando e roçando até que as pessoas ao redor pigarreassem incomodados com o nosso entusiasmo. Antes de ir para a empresa, ele nos levou até a garagem e lá estavam dois carros que ficariam a nossa disposição. Um motorista e também dois de seus seguranças. E que eu não saísse mais deste lugar, se eles não parecessem o Will Smith e Tommy Lee Jones em Men In Black.

Rosalie parecia animada para sair de casa, mas eu devo confessar que não estava. O que mais eu precisaria que não tinha naquele lugar? Nós passeamos entre os jardins. Eram privados, muito bem cuidados e encontramos alguns terraços para descanso e uma grande estação equipada para churrasco, com uma beleza de cozinha e forno para pizza.

Como eu tinha dito... sair para que?

— Deus... isso é o paraíso — Rose gemeu ao sair da água e deitar-se em uma das seis espreguiçadeiras — Você pode acreditar que o papai se vangloria daquela estúpida fazenda?

— É uma fazenda linda, porém — Assumi, mas entendia o seu ponto. Era ridículo que Isaac se exibisse com aquele pedaço de terra quando os Cullen tinham isso aqui e muito mais, mas continuavam humildes — Nós realmente deveríamos parar de falar desse jeito. Estamos soando meio interesseiras, não?

— Quem diabos se importa? Não estamos falando nenhuma mentira. Você pode fechar os olhos diante disso? — Perguntou apontando para onde eu estava. Perto da casa com piscina nós vimos que Carlisle tinha sua própria lagoa tropical com uma pequena cascata e não pudemos ignora-la, apesar de não saber se podíamos usar. Corremos escada à cima e vestimos o primeiro biquíni que surgiu na nossa frente. Heitor estava tirando um cochilo e eu tinha alguém indo vê-lo de vez em quando.

Algum tempo mais tarde, eu liguei para Renée porque não queria preocupa-la com a demora para entrar em contato. Nós conversamos sobre tudo que eu vi e fiz desde que aterrissamos, o que não era muita coisa e ela recomendou que eu aproveitasse tanto quanto possível, pois oportunidades como essa não surgiam toda hora.

E ela estava certa. Quando estivéssemos outra vez na Cidade dos Ventos, as responsabilidades voltariam a pesar sobre os meus ombros e eu cairia novamente na rotina – monótona, às vezes – dos mesmos afazeres de sempre. Foi com isso em mente que bati na porta do quarto de Rosalie e perguntei se ela ainda tinha energia para um passeio de última hora. Combinamos que nos encontraríamos lá em baixo em cerca de 40 minutos. Isso me dava tempo para acordar o meu garoto, dar-lhe banho e me vestir decentemente.

Nós dois tomamos banho juntos na banheira que era grande o suficiente para caber 3 ou 4 pessoas facilmente. Fizemos o inferno de uma bagunça e saímos de lá apenas quando o Heitor deu a entender que queria fazer o número dois. Um segundo banho rápido lhe foi dado com o chuveirinho e deixei-o brincando com seus carrinhos no centro da cama com dossel e fui procurar algo interessante entre as minhas roupas recém postas no closet de Edward.

O céu ainda estava claríssimo e com poucas nuvens quando fui na varanda. Eu aprendi em blog de um mochileiro que o sol de Atenas só se punha após às oito da noite. O quão estranho era isso? Como se não bastasse as horas trancadas em um avião, o fuso horário e ainda tinha mais essa para me deixar perturbada.

Depois de prontas, saímos de casa com destino ao Museu da Acrópole. Estava confiante em conseguir chegar lá sozinha. Pensei em pegar o metrô e saltar na estação Akropolis para vermos as pessoas e coisas de perto, mas os seguranças ameaçaram chamar Edward se eu tentasse um absurdo – segundo eles – daquele, então eu desisti. Por enquanto.

Chegamos na rua Areopageitou e pagamos 5 euros para entrar. A estrutura de vidro e cimento era encantadora e não estava tão cheio, o que nos deixou bem confortável. Os achados arqueológicos atraíram a minha atenção de imediato e eu soube que muitas das obras expostas ali estavam guardadas há mais de 100, 200 anos! Era incrível. O chão de vidro nos mostrou as escavações em andamento, objetos e esculturas que me impressionaram.

Havia esse guia turístico com um grupo de americanos e franceses que Rosalie logo tratou de seguir como se fizesse parte. O rapaz percebeu, mas não reclamou de nós estarmos em volta. Acho que ela o deslumbrou um pouco e ele pode ter ficado esperançoso em conseguir seu número após o passeio. Eu não havia percebido, mas ele nos informou que partes de algumas obras estão faltando. Não estavam perdidas, felizmente, mas em outros países. Aparentava ser um problema político, pois mesmo que a Grécia tenha construído um lugar para guardar as peças, alguns países não queriam devolve-las. Alguns fragmentos foram, em meados de 2009 pela Alemanha, Vaticano e Itália, mas ainda falta os que se encontram em Londres e eu achava que isso era realmente muito desrespeitoso.

Mas bem, o Edward ficaria orgulhoso das coisas que teria aprendido até o final do dia.

Saímos do museu quando o bebê começou a ficar agitado. Voltamos para o carro e o motorista entrou na área de Pnyka. Lá, havia uma igreja ortodoxa e mesmo que Rose estivesse meio relutante em me acompanhar, nós entramos e acendemos uma vela. Na saída, viramos a direita e seguimos para o incrível monte de Pnyka. Antigamente, era lá onde as reuniões do povo grego eram feitas. Também era o local onde Péricles, a maior personalidade política do século V a.C, deu seus discursos. A vista no lugar era fantástica e havia diversos outros turistas fazendo suas próprias coisas a nossa volta.

— Ei, Tommy, você acha que pode ir comprar algumas coisas para comermos? Qual a chance de haver uma toalha no porta-malas? — Rosalie questionou ao nosso segurança.

— O nome dele é Nicolas, Rose! — Repreendi corando de vergonha. Eu não acho que ele tenha entendido a referência, pois não houve uma alteração em seu rosto — O que você quer com uma toalha?

— Eu pensei em fazermos um piquenique antes de voltarmos para casa.

A ideia era realmente boa. Eu não conseguia lembrar quando foi a última vez que fiz algo assim. Nicolas abriu um pequeno sorriso e assentiu quando o pedido foi feito por mim. Ele saiu com o nosso motorista após receber o dinheiro para cobrir as nossas despesas e deixou o outro segurança conosco para a nossa proteção.

Em pouco tempo tínhamos comida de qualidade e tudo que um piquenique comum exigia. Sentamos para alimentar Heitor e ficamos fazendo planos para mais tarde. Eu não conseguia acreditar que já tinha visto e tido tanta informação quando ainda era cedo. Nossa, o dia aqui não poderia parecer mais longo.

Para: Edward Cullen +(630-842-3200)

Hora: 17:01 p.m.

“O seu filho está fazendo sucesso por aqui. Dá uma olhada nisso.”

Enviei a mensagem junto com três fotos diferentes de algumas turistas simplesmente babando em cima do meu menino. Elas passaram por nós e cumprimentaram por pura educação, mas simpático como ele era, gritou e acenou para as moças que de repente, vieram até nós para conversar e conhece-lo. Agora estavam brincando com ele e o garoto simplesmente se deliciava com a atenção das novas amigas.

De: Edward Cullen +(630-842-3200)

Hora: 17:16 p.m.

“Ele é um Cullen, não podia ser diferente. Até nisso o Heitor me dá orgulho.

Baby, não fique até tarde na rua, por favor. Estou com saudade.”

O meu coração sempre aquecia até com a menor demonstração de carinho dele, me fazendo até esquecer a sua estúpida insinuação na mensagem. A vontade que eu tinha, era de ligar e ouvir a sua voz bonita e macia, pois também estava com saudades, mas resisti a tentação e levei as coisas do Heitor de volta para o carro enquanto Nicolas recolhia as embalagens de comida e tudo que havíamos espalhados por ali. Aquele que parecia o Will Smith, estava de olho em qualquer um que passasse ou se aproximasse de nós. Ele era magro, mas musculoso, alto e assustador feito o diabo.

Passeamos um pouco mais. Rosalie esteve o tempo inteiro fazendo fotos e vídeos de todos nós desde o museu até o Monte e seus arredores. Decidimos voltar para a casa depois das seis, por sugestão do nosso segurança. Eu seguia confusa a respeito do tempo e horário, ele deve ter percebido que eu precisava de alguma orientação. Heitor que deveria estar cansado, estava saltitando no meu colo vestindo apenas a sua fralda descartável para evitar o calor e eu me perguntava onde uma criança tão pequena guardava tanta energia.

Tinha que ser sobrinho de Alice.

— Bem, olá. Voltaram tarde do passeio. Aproveitaram? — Tencionei no meio do assunto quando ouvi a voz carregada de veneno de Elizabeth bem atrás de mim. Nós tínhamos chegados há poucos minutos e estávamos bebendo um suco que nos foi oferecido ao chegarmos na cozinha. Eu realmente tinha esquecido — Causou muitos danos na conta bancaria do Anthony?

— De fato, sim. Aproveitamos bastante a nossa — Respondi me virando na cadeira para vê-la. Estava tão irônica quanto ela foi comigo — Mas o dinheiro do Edward não foi necessário. Eu trabalho há anos, não vivo de uma pensão da qual eu não mereço um centavo.

Seu sorriso desapareceu e a expressão em seu rosto era tão dura que poderia competir com o mármore do balcão. Eu me sentia perfeitamente capaz de ser cordial, apesar de ela não merecer, mas se fosse provocada a cada vez que nós nos cruzássemos, bem, ela era ouvir de mim.

— E você, por onde andava? — Indagou Rose. Elizabeth enrijeceu e olhou-a como se ela fosse um inseto repugnante. Elas realmente nunca se falaram até esse momento.

— Eu tinha coisas a fazer, ver pessoas que sentiram a minha falta — Eu meio que duvidava que isso fosse possível, mas o que diabos eu sei? — Mas se é tão do seu interesse, Rosalie, eu fui passar um tempo com alguns bons amigos — Respondeu sorrindo estranho e Rose beliscou o meu braço sutilmente — Bem, vou tomar o meu banho e me preparar para mais tarde. Deveriam fazer o mesmo — Disse e nos deu as costas para sair da cozinha. Nós continuamos em silencio até ela desaparecer pela porta, mas então ela surgiu nos chamando — E Isabella, por que não pede para Edward encontrar uma babá para auxilia-la durante esses dias? Você está de férias com seu filho. Seria bom alguma ajuda, tendo em vista que ele estará sempre ocupado. Vocês têm mais é que se divertir.

Estreitei os olhos para a sua repentina gentileza e apenas assenti bem devagar. Rose arqueou uma sobrancelha para aquilo, mas murmurou que fazia todo o sentido e apesar de concordar, eu não entendia a bipolaridade daquela mulher. Estava mais claro do que água que ela não ia com a minha cara e era até era compreensível, então por que ela me facilitaria as coisas para mim de alguma forma?

Talvez ela estivesse pensando no bem-estar do Heitor. Era impossível não gostar dele e eu não me surpreenderia se ele tivesse conquistado um pouco da sua simpatia mesmo sem algum contato real entre os dois. Era neto dela, afinal de contas.

Tomei um longo banho enquanto Heitor assistia TV na cama e estreava alguns dos novos brinquedos que encontramos no quarto dele, comprados pela moça que arrumou tudo. Enquanto escovava os dentes, notei que o meu celular vibrava e acendia mostrando que a bateria estava prestes a morrer, então após enrolar-me em uma toalha coral com bordados em branco, coloquei-o no carregador e respondi algumas mensagens que estavam mofando na minha caixa de entrada há algum tempo.

Três delas eram de Leah e o conteúdo era quase o mesmo, sempre me intimando para passar algum tempo em Atlanta e finalmente conhecer a sua filha. As duas estavam tão bonitas! Eu via algumas fotos que ela enviava de tempos em tempos para o meu e-mail, assim como eu fazia com as de Heitor, sempre que registrava algum momento memorável e engraçado. Deitei na cama e ele não demorou a se juntar a mim, a posição que estávamos não nos permitia ver a TV muito bem, porém ele parecia mais interessado nos carinhos que eu fazia em seu cabelo, então estava satisfeito em apenas ouvir o desenho por enquanto.

Abracei o seu corpo macio e cheiroso, passei o meu nariz por seu cabelo acobreado e suspirei. Estava bem mais quente do que se estivéssemos em casa, em Chicago, mas a brisa que entrava no quarto através da varanda era tão gostosa que o ar-condicionado ainda não se fazia necessário. Suspirei com aquele clima de sossego e me aconcheguei ao meu filho, vendo apenas escuridão depois.

Minha pele se arrepiava constantemente com os beijos deixados no meu pescoço. Era uma das áreas mais sensíveis do meu corpo e alguém estava se aproveitando disso. Me mexi na cama e minha mente alertou-me sobre onde eu estava. É isso, fechei os olhos por um instante e tinha adormecido! Mexi outra vez e trombei com algo duro que parou o movimento. Senti uma mão na minha perna, subindo por minha coxa e então entrando por baixo da toalha. Eu reconheceria aquele toque em qualquer dimensão. Minha respiração engatou quando os dedos alcançaram a minha bunda e então meus olhos se abriram, piscando repetidamente até se acostumarem com a iluminação.

— Desculpe acorda-la do seu cochilo, baby, mas está quase na hora do jantar e eu estava morrendo para ver esses olhos castanhos outra vez. — Edward disse olhando-me intensamente. Ele estava tão perto que não resisti. Alcancei o seu cabelo ligeiramente úmido e entrelacei os dedos ali, o puxando para um beijo delicioso. Ele gemeu e correspondeu do jeito que eu precisava, até que ficamos ofegantes e nos separamos, ouvindo o riso infantil do Heitor.

Ele estava todo sapeca sob os travesseiros nos observando e se divertido com a cena.

— Você chegou agora? — Questionei dando-lhe um último selinho.

— Não realmente. Só há tempo de tomar um banho com o meu garotão aqui e batermos um papo — Respondeu sorrindo para o nosso filho e eu percebi que ele estava mesmo com outras roupas. Agora informais, mas muito bonitas — Quer que eu vista alguma coisa nele enquanto você cuida de si mesma?

Assenti agradecendo e saltei da cama. Caramba, eu tinha perdido isso? Estive morta ou o que? Bufei indo em direção ao closet-do-tamanho-do-meu-quarto falando o que exatamente ele deveria pegar nas gavetas do Heitor para vesti-lo. O meu cabelo estava um pouco diferente devido a mudança de clima, o vento forte de mais cedo e o cochilo que dei agora pouco, então preferi não mexer muito, penteei com os dedos e o deixei solto, caindo em ondas meio bagunçadas sobre os meus ombros. Nada muito caprichado, mas era o suficiente.

Coloquei um vestido preto meio folgado, era bem confortável e optei por não usar saltos para descer. Eu me sentiria meio deslocada estando tão simples em uma casa como essa. Ela merecia ser habitada por pessoas com um gosto melhor que o meu, mas era só um jantar, pelo amor de Deus! Meus pés estavam doloridos. Eu não havia tido um sono realmente decente desde que saí do meu apartamento e estive para cima e para baixo com a minha criança quase o dia todo. Acho que merecia algum credito.

Estava borrifando um pouco do meu perfume no banheiro quando Edward veio e colocou uma caixa mediana e quadrada sobre o balcão da pia como se não fosse nada demais. Arqueei uma sobrancelha para ela e então olhei para o espelho. Ele estava atrás de mim, me olhando de volta meio nervoso, mas sorriu e apontou para a caixa com o queixo. O que esse grego estava aprontando agora?

Eu não era hipócrita. Sabia que caixas como aquelas significam joias em 98% das vezes que eram entregues a outra pessoa, principalmente a uma mulher, mas não esperava encontrar algo tão magnifico quando abri. Sobre veludo preto, estavam um par de brincos, um anel e um colar que me tiraram o folego com seu brilho e beleza. Nunca tinha ganhado ou comprado nada remotamente parecido com isso. Estava absolutamente encantada.

— Edward, isso é incrível! — Elogiei e não sei qual foi sua reação, pois meu olhar ainda estava preso nas pedras verdes — Não acho que possa aceitar. É muito gentil da sua parte, mas isso deve valer uma fortuna.

— Não seja tola, Bella. O valor é irrelevante quando você representa o mundo para mim — Me repreendeu e aproveitou que eu segurava a caixa, para tirar o colar de dentro. Ele colocou-o no meu pescoço e fechou-o sem qualquer dificuldade. Deixou um beijo na minha nuca e nós dois encaramos a peça. A joia parecia reluzir sobre o preto do vestido em um ponto acima dos meus seios — Você uma vez me disse que gostava de coisas que lembravam aos meus olhos. Eu encontrei estas nas joias de família e eu soube na hora que elas deviam pertencer a você.

Edward não esperou por resposta, pois sabia que eu iria recusar outra vez ao saber que não foram compradas, mas herdadas. Isso deveria pertencer a sua irmã ou a uma filha, não a mim. Sorridente, ele me deu um dos brincos para colocar enquanto ele cuidava do outro e eu suspirei dando-me por vencida, deixando que o meu próprio sorriso aparecesse. Não queria que ele pensasse que não havia gostado. Seu toque era tão delicado que eu mal o sentia tocando a minha orelha, mas o momento perturbador foi quando ele deslizou o anel no meu dedo. Eu precisei engolir seco, pois uma enxurrada de cenas parecidas veio à minha cabeça.

— Você ficou maravilhosa. Elas iluminam esses olhos que eu tanto amo — Disse sorrindo satisfeito com o resultado. Eu ficava abismada sobre como o meu homem ficava mais bonito quando estava feliz — Agora vamos? — Antes que ele pudesse sair do banheiro, o puxei pela camisa e lhe dei um longo beijo apaixonado em agradecimento. Para mim, os seus elogios valiam mais que o próprio presente.

Voltamos para o quarto abraçados e lá estava o nosso menino tentando desvendar como o celular do pai funcionava. Era bom que o aparelho tivesse uma senha, porque sabe-se Deus o que ele teria feito até o momento. Edward o pegou no colo e eles começaram a conversar daquele jeito sobre o passeio que fizemos hoje à tarde. Dei um tapa na bunda do Cullen quando o vi elogiando uma das novas amigas do filho e ele riu da minha besteira. Enquanto andávamos pelo o corredor de mãos dadas e eu lhe contava algumas das coisas que observei mais cedo, consegui ouvir um burburinho maior que o nosso lá em baixo. Franzi o cenho. Isso tudo era Emmett e Rose? Santo Deus, que não fosse uma briga.

— Que saudades de você, Bella! — Ouvi após um grito quando desci o último degrau da escada e antes que eu pudesse piscar, estava entre os braços de uma criatura pequena com um aperto impressionante. Alice estava em casa em um lindo vestido de alças finas, azul claro com preto e listras brancas próximo ao quadril. Ele deixava a sua cintura minúscula. Ninguém diria que ela já era mãe — Eu fiquei tão empolgada quando soube que vocês todos estavam aqui. Acredita que esse ingrato só me avisou ontem antes de embarcar? — Perguntou-me e socou com força o peito de Edward que gemeu ao meu lado, massageando o lugar.

— Desculpe o seu irmão, Alice. Ele estava com muita coisa na cabeça — Justifiquei e abracei-a mais delicadamente dessa vez — Eu também não sabia que vocês viriam esta noite, mas estou muito feliz em vê-los aqui. Olá, Jasper!

— Oi, Bella. Você está bonita — Ele respondeu rindo enquanto mudava a posição em que segurava a sua pequena garota — Parece que o meu genro também está feliz em nos ver.

Nós todos rimos juntos de Heitor sacudindo as pernas ainda no colo do pai, tentando se libertar para chegar até Ella que nos olhava com aquela curiosidade infantil, mas não prestava atenção nele ou em alguém exatamente. Edward não aguentou ser chutado por muito mais tempo e moveu-se até onde Jasper estava indo se sentar.

Na sala de estar, Alice me contou que havia insistido para que o irmão nos levasse para comer fora, porque simplesmente havia muito o que se ver nessa cidade e eles tinham uma noite bonita lá fora, mas ele foi contra alegando que não estava com humor para interagir com mais pessoas e estávamos todos cansados da viagem. Ela se conformou quando lhe contei sobre o meu passeio com Rose mais cedo, nós andamos bastante e a ideia de ficar em casa era bem mais atraente. Falando nela, Rosalie desceu maravilhosa em uma das suas calças jeans favoritas que deixava a sua bunda incrível, uma blusa de seda vermelha e saltos. Merda.

Emmett vinha logo atrás dela e estava meio despenteado. Acredito que os dois estavam em alguma atividade interessante antes de chegarem, mas experiente como a minha amiga era, não tinha um fio de cabelo sequer fora do lugar. Ele sorriu malicioso para mim como se ouvisse os meus pensamentos e piscou um olho antes de beijar o rosto de Alice. Eu apenas revirei os olhos e fingi que iria chuta-lo se ele chegasse perto. Que safados.

E que inveja. Não esqueci que Edward e eu não tivemos um tempo de qualidade juntos desde que chegamos, por isso esperava que ele não estivesse exausto na hora de ir para cama. Mas bem, se estivesse, eu faria todo o serviço por ele contanto que eu tivesse o meu final feliz.

Os rapazes começaram uma conversa sobre alguém que havia vendido suas ações por preço de banana e o que levou a fazer algo assim e enquanto isso, Heitor mostrava o seu cachorro Slinky, personagem do Toy Story, para impressionar a Antonella. Maísa, a senhora que animou-se por rever Edward pela manhã, apareceu para avisar que o jantar seria servido em 10 minutos e com o anúncio, a minha barriga roncou baixinho. Alice animou-se saltando do sofá e falando sobre o quanto estava ansiosa para que nós provássemos tudo que ela separou para esta noite, principalmente a sobremesa que era receita de sua bisavó materna guardada por Esme com muito carinho.

Ela estava no meio de uma frase quando suas mãos que antes gesticulavam ficaram paradas no ar e sua boca entreaberta. Ela já não nos via. Rose e eu nos entreolharmos sem saber o que diabos aquilo significava, mas eu entendi quando ouvi passos pisando com firmeza em nossa direção e então um perfume doce tomou conta do ar.

— Mas era só o que faltava! Como você é cara de pau — Alice rosnou cruzando os braços abaixo do peito — Edward, por favor? — Chamou e quando eu me movi no sofá, ele aproximou-se de nós com cara de poucos amigos. Seus lábios eram uma linha fina e eu poderia dizer que ele não estava nada feliz com a visita.

— O que você está fazendo aqui, Tanya? – O ouvi perguntar e senti que o meu coração despencou direto para o meu estômago. A fome foi totalmente esquecida.

Eu esperava vê-la em algum momento, é claro, mas não achei que no meu primeiro dia em Atenas, ela seria capaz de vir até nós nos afrontar.

Mas obviamente, eu a subestimei. Cadela.

Aposto que que a saída de Elizabeth foi exatamente para informa-la que ele tinha voltado, porém muito bem acompanhado. Não iria perder a chance de ver isso com seus próprios olhos. Me restava torcer para que ela fosse civilizada e não desse um show sobre o meu filho quando o visse, porque do contrário, que Deus me ajude, mas eu faria com Tanya cada coisa que fantasiei desde que soube que ela estava fodendo coma vida do meu Edward.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Tudo bem, eu posso ter sido bem ruinzinha em ter parado nessa parte, mas vocês me conhecem. Gente, fiquei o tempo todo imaginando a Cascavel-E mais branca que papel ao conhecer o Heitor. Vocês acham que ela simpatizou com a ideia de ser avó ou não? Bella tinha planos quentes para o namorado, mas será que a noite vai terminar como ela planejou, agora que Tanya veio para o jantar? Eu provavelmente deveria avisa-los que como chegamos ao capítulo 33, estamos perto de finalizar esta Odisséia. Não perto, que vá terminar no próximo ou no próximo, mas perto. Enquanto algumas autoras passam 8, 9, 10 meses e até mais em uma fic, nós estamos no quarto mês agora! hahaha Acho que exagerei na frequência e agora nos despediremos mais cedo, que tristinho. Bem, nos vemos nas reviews. Beijos!