Odisséia Grega

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Eu gostaria de agradecer a todas vocês que comentaram. Aos que não apareceram ainda, agora com um pouco mais de incentivo, irão, não é? haha Boa leitura!

Não tinha sido uma experiência de todo ruim, afinal. Quando entrei no ambiente, todos os movimentos pararam, inclusive as vozes. De repente eu era alvo do olhar curioso de 12 pessoas. Aquele silencio todo parecia ter durado horas me fazendo engolir seco até que uma sonora gargalhada foi ouvida e o mundo voltou a girar. Um grandalhão que mais parecia um armário de tantos músculos que tinha do que um executivo, ria e batia no ombro de outro homem.

— Olha só, Jasper. Quando o Edward disse que havia pedido por um garçom exclusivo para nós, eu não pensei que fosse algo tão bom de se pôr os olhos. — Comentou ele ainda risonho. Eu o teria tachado de cafajeste estupido se ele não tivesse aquelas malditas covinhas nas bochechas que lhe davam um ar tão infantil.

Acontece que eu não estava errada sobre ele, Emmett McCarty, como se apresentou depois, mostrou-se muito amigável a noite toda. Ele levantou-se e me cumprimentou como um verdadeiro cavalheiro, fazendo as apresentações de todos na mesa. Eu tentei de toda forma lembrar o nome deles, mas não deu muito certo. Ele deixou por último e não menos importante, o multimilionário Edward Cullen. O homem que me roubou o ar quando pus meus olhos nele. Agora entendi o que Leah quis dizer com “ele não parece humano”. A pele deliciosamente branca, mas saudável, os cabelos em um tom dourado envelhecido – um cobre, talvez, estava bagunçado e os fios apontavam por toda parte como se me pedissem uma caricia –, sua boca parecia naturalmente rosada e os lábios formavam um sorriso torto deslumbrante, o maxilar era quadrado e notei que sua barba estava por fazer, deixando-o mais sexy – se é que isso fosse possível –, mas quando cheguei aos olhos foi onde me perdi. Era de uma cor verde magnifica e brilhavam como esmeraldas lapidadas. Como se gritassem “perigo”.

Era lindo demais, o Adônis em pessoa.

Pisquei quando ouvi o riso sutil do tal Jasper e rapidamente recuperei a fala, explicando que aquela não era minha função e o que realmente fazia, mas deixei claro que podia providenciar o que lhes fossem necessário, recebendo uns sorrisos maliciosos de alguns velhos babões. Jesus.

Passada as formalidades, encaminhei os interessados até a sala de degustação ao lado. Permiti que todos passassem à minha frente quando chegamos na entrada, o Cullen vinha por último e eu me arrependi amargamente de olha-lo. O homem exalava confiança por todos os poros, era intimidante demais. Ele vinha na minha direção sorrindo pequeno como se me avaliasse. Aliás, como um predador estuda sua presa procurando o melhor momento de dar o bote.

— Senhor Cullen.

— Por favor, srta. Swan. Damas primeiro. — Ouvir sua voz tão perto de mim com aquele lindo sotaque quase fez minhas pernas cambalearem.

Era só um homem, pelo amor de Deus, controle-se! Tentei me recriminar, mas quando ele me indiciou a entrada, obedeci imediatamente. Foi automático. Andrew já estava lá servindo em taças um de nossos melhores vinhos para os senhores e a única mulher que nos acompanhou. Entrei no modo especialista e comecei a falar. O Sr. Cullen manteve-se calado o tempo todo enquanto os outros faziam comentários, gemiam apreciando a bebida e outros faziam perguntas curiosas sobre os poucos detalhes que conheciam.

— Meus parabéns. Seu amplo conhecimento em bebidas lhe deixa encantadora, srta. Swan. Sou proprietário de um vinhedo, sabia? — Já estávamos de saída quando ele se pôs ao meu lado e falou bem perto como quem não quer nada. O lado do meu corpo que ele estava arrepiou-se inteiro e eu engasguei com o elogio repentino.

— Muito obrigada, Sr. Cullen. Significa muito. Oh, verdade? Que incrível deve ser. Ainda terei o prazer de visitar um. São tantos lugares que ainda quero conhecer. — Comentei rindo pela primeira vez. Viajar para fora do país era um dos prazeres da vida que ainda não pude desfrutar e o assunto me deslumbrava totalmente. Conhecer culturas, etnias, povos, histórias e lendas era significativamente importante na minha vida, então enquanto não podia pôr os pés nesses lugares, eu lia sobre eles.

— Edward, por favor. Eu insisto! — Disse quando abri a boca para argumentar. Me olhou tão sério que eu não pude retrucar. Depois voltou ao seu já costumeiro sorriso charmoso — Sim, tenho 600 hectares no Côteaux Varois, em Provence. Meus avós simplesmente adoravam aquele lugar — Ele fitava o chão com um brilho nostálgico no olhar, como se estivesse perdido em boas lembranças — Quem sabe um dia não tenha a honra de apresenta-la a Château Miraval? —

Fiquei boquiaberta por segundos e estava prestes a descartar a possibilidade daquele absurdo quando várias vozes o chamaram ao mesmo tempo. Vi quando ele voltou para o seu lugar na mesa e foi apresentado ao meu pai que também estava lá, tremendo mais do que uma vara verde. Revirei os olhos e chequei as horas no relógio. Era tarde. Apenas mais uma mesa ainda era ocupada, além de claro, as dos funcionários do Cullen.

Nós não tivemos mais tempo de trocar qualquer palavra, o jantar chegava ao fim e muita gente se apressou para botar alguns assuntos esquecidos em dia e também tinha a loira que segurava o braço do Edward fazendo carinho e esfregando o rosto em seu ombro o tempo todo feito uma gata no cio. Eu sentia vontade da gargalhar toda vez que ela me olhava com um ar todo superior, vadia, por favor! Você nem seria notada perto da Rosalie. Mas era realmente legal que uma mulher como ela sentiu-se ameaçada por mim, mesmo que não houvesse uma chance no inferno dela estar certa. O resto da noite passou voando, meu estomago exigia comida, então com um breve agradecimento e palavras bonitas, me despedi de todos eles e fui para cozinha onde um Tortelinni quentinho me esperava.

Comi a refeição soltando suspiros de amor pelo papai, bebendo um bom vinho branco e conversando amenidades com as meninas que já estava em suas roupas casuais. Aos poucos os funcionários foram indo embora e decidi que estava na minha hora, não sabia se conseguiria um taxi e o tempo estava frio lá fora. Me despedi do papai, dando-lhe um forte e longo abraço enquanto ele me agradecia pelo favor de hoje. Apenas ri beijando sua bochecha rosada de calor e pedi que dissesse a Renée que a amava muito e a ligaria em breve.

O ar gélido da noite me atingiu feito um tapa, fazendo com que eu me encolhesse naquele sobretudo que no momento não tinha serventia nenhuma. Como era de se esperar, nenhum taxi à vista. Não tive alternativa além de castigar meus pés mais um pouco. Esfregava as minhas mãos tentando esquenta-las enquanto seguia para o meu apartamento, as noites de inverno em Atlanta normalmente não eram tão frias, mas justo hoje ela parecia estar brincando comigo. Ia atravessar a rua quando um carro em baixa velocidade passou e parou com a porta do banco de trás de frente pra mim, bloqueando a passagem. A janela escura abriu-se e eu vi Edward me olhando divertido.

— Me permite oferece-la uma carona, Isabella? — Diabos, senti algo vibrar no meu baixo ventre só com o jeito que ele pronunciou o meu nome.

— Não é necessário, Sr. Cullen. Obrigada, mas eu nem moro tão longe daqui. — Respondi tentando resistir a vontade de tê-lo perto só mais um pouco.

— Apenas Edward. E por favor, Isabella, eu não vou permitir que fique resfriada à toa quando pode esquentar-se aqui dentro. — Quis me xingar por ver duplo sentindo naquela frase quando ele estava só sendo gentil. A porta do carro abriu-se na minha direção e ele afastou-se, deixando um espaço para que eu sentasse.

Eu olhei para ele todo imperioso no seu banco de couro por uns bons segundos, mas quando o frio ameaçou congelar as minhas pernas, me dei por vencida e entrei batendo a porta com força. Quase gemi de contentamento, estava tão quentinho lá dentro, mas infelizmente eu ainda tremia. Edward percebeu e sem me perguntar nada, começou a me embrulhar com seu paletó e puxar-me para perto. Eu me deixei ir como se fosse uma boneca, por um segundo pensei que ele fosse me colocar em seu colo, mas como se mudasse de opinião rapidamente, apenas me deixou grudada no seu tórax enquanto me abraçava. Não nos falamos mais e eu relaxei sentindo o calor do seu corpo passar para o meu e então seu cheiro delicioso veio até mim, me deixando confortável, sonolenta, feliz. Fechei os olhos e permiti-me apreciar o momento, sabia que nunca mais o veria de novo, então por que diabos não?

Estava quase cochilando quando senti o carro parar. Abri os olhos meio grogue e através da janela vi o meu prédio. Mas como...? A porta foi aberta pelo motorista e eu sai de lá segurando a bolsa. Quando percebi que ainda estava com o paletó me cobrindo, virei rapidamente para entrega-lo e esbarrei no muro que era o peitoral do Edward. Nossos corpos se chocaram com força e ele teve que me segurar pela cintura para que eu não caísse. A troca de olhar em seguida foi tão intensa que acabou com qualquer resquício de sono em mim. Eu só queria leva-lo e...

— Vou acompanha-la até a portaria. — Ele disse pertinho do meu rosto. Pisquei algumas vezes e assenti virando de costas. Poucos passos depois estava subindo os batentes da entrada do meu prédio com um discurso de boa noite bem ensaiado que foi totalmente esquecido quando seu braço segurou o meu e puxou, me fazendo dar um giro e no minuto seguinte sua boca cobria a minha sem qualquer delicadeza. Era um beijo que eu nunca experimentei antes. Faminto, curioso. Edward parecia ansioso para experimentar meu gosto, pra pegar tudo que eu tinha oferecer e ele queria tudo de uma vez.

Suspirei em seus lábios quando meus dedos alcançaram os fios macios que eu tanto apreciei a noite inteira. Ele me mordeu, me fazendo gemer entreabrindo os lábios e aproveitou a brecha para entrar na minha boca com sua língua molhada e macia, massageando, provando e brincando com a minha. Eu comecei a sentir falta de ar e brigar com os meus pulmões para que eles tivessem um pouco mais de paciência porque era o Edward Cullen ali, me beijando como se o mundo estivesse para viver o apocalipse e eu não queria parar, inferno!

Mas como tudo que é bom dura pouco, ele foi diminuindo a intensidade do beijo até que tornaram-se selinhos carinhosos que saíram dos lábios para outras partes do meu rosto, me fazendo flutuar de deleite enquanto sua mão acariciava a minha nuca. Tão bom.

— Foi realmente um prazer, Isabella. Até breve. — Abri os olhos ouvindo sua voz mais rouca que o normal perto da minha orelha, ele deu um último beijo em minha bochecha quente e deu meia volta indo para o carro enquanto eu ainda assimilava a sua frase.

Até breve?

O que ele quis dizer com isso?

Até breve quando?

Notas finais
Mais personagens surgiram. E então? Estou curiosa pra saber quais foram as primeiras impressões de vocês sobre eles. Beijos!