Ode ao Futuro

3 Melhores amigos?


Notas iniciais
Mais um personagem é apresentado e vamos para o final da trama.

Ele encara meus olhos de forma profunda — tanto que arrepia -, sua aproximação de forma lenta acelera minha respiração. E sua boca de lábios rosados e molhados encostam nos meus num toque caloroso e frio enquanto tira nossas camisas. Enquanto beijava-me pelo rosto e pescoço, ia com a outra mão puxando a própria calça e cueca de uma vez...

8 de Outubro, 6h47 da manhã.

Um fato comum entre amigos, namorado e até família que decide morar junto — dividir o teto com outra pessoa qual que seja — são as brigas pelas tarefas da casa. Nunca é uma coisa utópica como sempre sonhamos, sempre terá um que será o escravo que cuidará da casa, das compras e etc. Por isso o Eduardo fez um planejamento de regras, a principal é esta: "As tarefas da casa serão alternadas, se um cozinha, o outro lava a louça, e no dia seguinte os papéis trocam."

Ontem foi o dia do Eduardo cozinhar, hoje é o meu, e pego justo o primeiro dia que o Fred está aqui; isso é bom, é bem capaz do Dudu tacar veneno na comida dele — risos -.

[...]

Tudo pronto, a mesa estava apenas esperando os dois ativos da casa acordarem, é engraçado para mim ser o único passivo aqui, até imagino a briga de espadas de quando o Edu e o Fred namoravam. Frederich foi o primeiro a acordar, com cara de cansado e em silêncio foi até a mesa.

– Bom dia, você está bem? — perguntei sem mudar minha feição.

Abraçando a si mesmo e o casaco respondeu:

– Quem consegue dormir bem com tanto frio assim? Vocês são loucos! Aposto que a ideia de vir para essa cidade foi dele.

– Foi sim, mas eu gosto daqui.

– Você é baba ovo dele, comeria até os pelos do saco dele se o servisse.

Rindo, eu respondi:

– Até posso ser baba ovo dele, mas ele não tem pelos no saco, acho que você sabe disso.

– Preferia não saber. — disse dando um gole café e em seguida cuspindo-o. — Café?! Eu odeio café! Não tem chá aqui?

– Para um inquilino você é muito exigente; tem chá mate no armário, se quiser vá e o faça.

– As opções também não ajudam... — reclamou.

– Eu vou acordar o Eduardo.

– Eita, acho que estou atrasado! — disse Frederich comendo mais rápido.

– Atrasado para quê? Nem emprego você tem!

– Atrasado para dar uma volta na cidade.

– Eu sei que está tentando fugir do Eduardo, mas preciso que fique, tenho uma notícia para dar.

– Ai, que grande merda, vai logo. — apressou-me.

No nosso quarto, Eduardo dormia num sono profundo enrolado em dois edredons e abraçando o meu travesseiro; fui me aproximando por trás — ele dormia de lado — e comecei a dar mordidinhas em sua orelha, ele arrepiava-se e revirava-se com um sorrisinho fofo que nem parecia ser daquele Dudu ignorante e frio, era até engraçado.

– Para... Eu vou ficar de pinto duro, sai daqui, Lucas. — reclamou me empurrando ainda de olhos fechados.

– Isso seria interessante. — provoquei.

– Fascinante como você pode trepar o tempo todo mas essa tua bunda continua faminta.

– Sou um felizardo, dois ativos em casa. — zombei aos risos.

– Vai com ele! Morre com ele! — disse levantando da cama e em seguida perguntou: — O café da manhã está pronto?

– Foi pra isso que te acordei, e também porque tenho um anúncio pra dar pra vocês.

– Tem certeza de que não é a bunda?

– Estou falando sério!

– Ok, ok, vamos.

Eu estive percebendo que por alguma razão eles me obedeciam, era como se eu fosse a única coisa capaz de unir esses dois. Ou era só uma desculpa deles para estarem juntos? Eu sei, eu sei bem o que causou a separação desses dois, e temo.

Tenho muito medo do que pode acontecer se o Eduardo — único que não sabe — descobrir.

[...]

Eduardo foi na frente, eu fiquei para arrumar a bagunça que fizemos essa noite, foi quando escutei o celular dele vibrar na cômoda; peguei e liguei o visor que avisava que havia um novo sms de um tal de Elior. Eu sei que não deveria, mas estava muito curioso, nunca ouvi falar nesse nome, e o DDD era local. No SMS havia a seguinte mensagem:

Oi, fofinho, seu cachorrão está aqui ye esperando! ;)

Desde quando o Eduardo conhece alguém daqui? Ele nem ao menos saiu de casa desde que me mudamos, como é possível? — pensei. Mas estava enganado, ele havia sim saído, quando soube que o Frederich vinha, logo lembrei-me; disse que iria pegar um casal de huskys mas voltou sem nada. Me traindo por raiva?

Que droga, Eduardo.

No mesmo instante segurei as lágrimas e com o celular no bolso fui até a cozinha, onde os dois estavam comendo. Como o esperado, nem se olhavam, Frederich havia terminado e estava somente esperando e quando me viu chegar apressou-me:

– Finalmente, anda logo com o anúncio!

Permaneci alguns segundos encarando o Eduardo que nem sequer olhava em minha direção, então eu disse:

– Eu arranjei um emprego, meu expediente começa em uma hora.

– Que bom, assim pagamos logo a passagem desse esquisito. — disse o Eduardo.

– Argh, eu vou dar uma volta! — avisou Fred retirando-se.

Após Frederich sair, virei-me para o Edu e perguntei:

– Tem algum compromisso para hoje?

– Tenho? Não lembro de nenhum... Ah, eu lavo a louça, faço as compras... O quê mais?

– Que tal se encontrar com seu amante?

– Amante? Eu não tenho amante nenhum! Por que está dizendo isso?

– Quem é Elior, então? — perguntei lacrimejando e lançando o celular em sua direção. Ele o pegou e começou a gargalhar. — Qual a graça? Seu merda!

– Elior é uma garota! Eu dei meu número pra ela para me avisar quando os huskys chegassem.

– Você está inventando uma desculpa!

– E você quer ser corno de qualquer jeito! Olha, Lucas, eu vou lá, pego o husky e fotografo ela e o crachá, que tal?

– ...

– Vai se arrumar para o novo emprego na nova cidade, ta bom? — disse levantando da mesa e beijando-me na boca e caminhando comigo sendo empurrado até a parede. — Tudo bem? — perguntou olhando-me nos olhos. Ele adora fazer isso, sabe que tenho um fraco com isso.

– Ok, eu vou... Desculpa, ta bom? Eu não quero te perder.

– A mesma preocupação de sempre, vai logo.

Sorrindo, fui ao banheiro para me trocar. Enquanto isso, uma mensagem foi recebida no celular dele, era de Donnie, seu amigo de infância que estava em outra cidade. Era aqui que nossos problemas começariam de verdade. Eu nem imaginava que as coisas ficassem tão perigosas a ponto de envolverem morte.

Eu não estou te chamando de mentiroso

Apenas não minta para mim

E eu te amo tanto...

E ele anda para cair

Cair

Cair...

Eu fui ingênuo demais. Afinal, quem manda SMS em 2020 ?

Donnie: Oi, gato, como estão as coisas por aí?

Eduardo: Nada boas, o Fred ta hospedado na minha casa. ò.ó

Donnie: hakskdkdkd que coisa, sério? O destino não foi muito legal contigo, né?

Eduardo: Infelizmente. Eu to saindo, tenho que pegar um cachorro, depois eu volto, até.

Donnie: Ok, tchau.

[...]

To fall... In your feet.

Notas finais
Próximo capítulo: "Cama de gato". Será lançado dia 26 de fevereiro. Restam 4 capítulos para o fim.