Notas iniciais
Espero que gostem :3

As nuvens já tinham encoberto o sol tímido que tinha aparecido pela manhã e a fina garoa já começava a cair deixando o lugar com cheiro de terra de molhada. O cenário que se formava com aquele clima todo era algo um pouco triste e sombrio, até porque estavam em um cemitério, ele por si só já era um pouco funesto.

Os passos iguais de todos seguindo o caixão enquanto uma melodia fúnebre tocava deixava marcas no solo enlameando por conta das constantes chuvas. Todos ali pareciam muito iguais com suas vestes negras e guarda-chuvas da mesma cor, as aparências tristes e um silencio que ninguém se atrevia a quebrar, ninguém ali estava com vontade de falar, o silencio era a melhor conversa que poderiam ter.

Chegaram ao lugar onde seria enterrado o caixão, era um pouco isolado das outras lápides, ficava perto de uma enorme árvore com folhas verdes e que parecia ser a única coisa viva naquele lugar. Talvez tivesse sido por isso a escolha da família de enterrá-la ali, ela era uma pessoa que gostava da vida e que com certeza não merecia estar a sete palmos abaixo da terra.

O padre disse mais algumas palavras de conforto antes de colocarem o caixão na terra e enquanto fazia isso podia ouvir soluços descontrolados de algumas pessoas, outros choravam mais baixo, uns se abraçavam, outros simplesmente mantinham suas máscaras de tristeza em respeito a família, mas que não queria nem um pouco estar ali.

Avaline era uma dessas pessoas, só estava ali por conta de sua amiga ter insistido muito e por estudar no mesmo colégio que Haille, então achou que seria falta de educação não comparecer. Ela nem conhecia muito a garota que era enterrada, a única coisa que sabia dela era que morava numa fazenda junto com os pais e era extremamente animada na escola.

A morte foi um pouco estranha, ninguém conseguiu confirmar a causa, só se sabe que ela estava caída próxima a piscina do colégio e a pele estava super pálida meio arroxeada, parecia que tinha se afogado e alguém a colocado na borda. A cena foi traumática para os alunos que presenciaram aquilo.

Avaline tentou afastar o pensamento da mente, ela tinha sido uma das pessoas a ver a cena, não a da garota na piscina, mas sim quando já estavam retirando o copo. Só que não foi tão traumático assim para ela, seu pai era dono de uma funerária e lá tinham funcionários que eram especializados em maquiar o corpo de falecidos, então já tinha visto alguns cadáveres antes.

Por conta da profissão de seu pai, Avaline sempre foi zoada no colégio, viviam chamando-a de morta-viva, cadáver ambulante, saída do caixão ou coisas desse tipo, inclusive a garota que estava sendo enterrada já a tinha chamado de um desses nomes e mesmo assim ali estava ela, indo no velório de uma pessoa que a tinha xingado. Se não fosse a superinsistênciade sua amiga e de seu pai ela estaria naquelemomento deitada na sua cama lendo.

O fim do funeral foi marcado por um sino que soava da igreja perto do cemitério. As pessoas jogaram flores sobre o túmulo e depois foram andando e desviando-se das lápides, uns se apoiando em outros para serem consolados e no caso de algumas mulheres só para não afundarem por completo seus saltos na lama.

Depois de sair do cemitério, Caterina ainda tentou convencer Avaline a ir numa despedida que seria feita na casa da família de Haille, só que ela não quis ir, preferia ir para casa descansar um pouco, já tinha ido ao funeral e isso já bastava, não aguentava mais receber olhares tortos na sua direção como se ela tivesse cometido algum crime. Não aguentava mais os alunos a julgarem só por não ser igual a todos e a filha do homem dafunerária.

– Já que você não vai, eu também não vou. O que acha de vermos algum filme de comédia para tirar esse clima de funeral de nós? — Caterina perguntou, ela adorava tentar animar as pessoas, principalmente Avaline, que quase nunca estava empolgada com nada.

– Não estou afim, só quero mesmo ir para casa.

– Bom, como as aulas de amanhã estão suspensas, o que acha de ir comigo na Upliday? Minha mãe pediu para eu comprar uns negócios para ela e você sabe que eu odeio aquele lugar e ainda mais se eu for sozinha.

Upliday era um feira que tinha toda quarta feira no centro de Huperville, era bem grande e tinha várias barracas e lá se vendia de tudo, até coisas do mercado negro se podia achar nos becos mais escondidos e a polícia dificilmente desconfiava de alguma coisa.

Avaline não gostava muito daquele lugar também, tinham umas pessoas estranhas que andavam por lá, mas acabou aceitando de ir com sua amiga até porque não queria ficar o dia seguinte trancada em casa ouvindo seus vizinhos discutirem o tempo inteiro, e pelo fato também que Caterina não iria sossegar enquanto não a convencesse de ir.

Em geral ela gostava bastante de ficar em casa, nãoconseguia entender o motivo dos adolescente da sua idade gostarem tanto de festas e de diversão 24 horas por dia. Raramente saia de casa e quando fazia isso era por conta de sua amiga ou seu pai te-la convencido. Mas se fosse por Avaline só iria de casa para escola e vice-versa e mesmo assim odiava o colégio.

Seguiu seu caminho para casa a pé, não era tão longe do cemitério, só algumas ruas de distância, seria bem mais rápido se pegasse um ônibus, mas eliminou a possibilidade, não tinha pressa para chegar, nada de muito importante a aguardava no seu apartamento, além de seu gato Merlin, mas ele se virava bem.

A chuva começou a cair mais fortemente , as pessoas na rua corriam para abrir seus guarda-chuvas ou iam para debaixo de marquises para tentarem se proteger. O céu escureceu mais e mais, parecia até que era noite. Esse clima era bem típico de Huperville, as chuvas eram bem constantes, quando surgia um sol no céu era motivo de todos tirarem suas roupas sem mangas do guarda-roupa e correrem para o lago Lummerl mesmo a temperatura nunca passando dos quinze graus.

Avaline vestia um vestido preto até os joelhos, coturnos da mesma cor e um longo casaco marrom que pertencia a seu pai há alguns anos. Apertou mais o casaco e cruzou os braços para tentar se esquentar um pouco mais, o vento soprava gelado. A garota apertou o passo dando corridinhas e se desviando das poças, até chegar a entrada de seu prédio, ela tinha se esquecido de levar o guarda-chuva naquele dia e o que tinha usado antes no cemitério era o de sua amiga.

Deu boa-tarde ao porteiro carrancudo que sempre parecia de mau-humor e se dirigiu aos elevadores. O prédio que morava era bem antigo, todo de tijolos vermelhos e tinha dez andares. O elevador também parecia não ser trocado há décadas, ainda tinham aquelas gradinhas na frente e as vezes inventava de parar.

Sempre que podia Avaline evitava pegar os elevadores, tinha um certo receio, mas em dias de muita chuva as escadas ficavam escorregadias por conta de algumas goteiras que ali tinham. Apertou o botão e ficou esperando, torceu mentalmente para que ninguém inventasse de subir também, não gostava daquele clima constrangedor que se tem dentro de elevadores quando um não conhece o outro.

Depois de alguns minutos o elevador apareceu, duas mulheres saltaram e Avaline entrou, apertou o botão do décimo andar e depois do ronco que aquela velha estrutura sempre dava, enfim subiu.

Ela sempre se sentia um pouco apreensiva de subir por ali, tinha medo dele parar e demorar a voltar, ficou vendo os números subindo a quando chegou ao seu andar deu graças a Deus.

Assim que ela saiu do elevador, um garoto saiu de um dos apartamentos e pediu para ela segurar a porta.

– Obrigado — ele agradeceu lhe lançando um sorriso.

Avaline deu um outro sorriso mais saiu mais parecido com uma careta. Ela nunca tinha visto aquele garoto ali no prédio e ele tinha saído do apartamento dos novos vizinhos brigões. Nem sabia que eles tinham filhos. Estremeceu com a possibilidade de ter imaginado coisas e não ter garoto nenhum ali e correu para o seu apartamento.

Seu pai ainda não tinha chegado do trabalho, a funerária dele era numa cidade próxima de Huperville. Aquele lugar era passado de geração em geração, mas Avaline deixou claro para seu pai que não queria ser dona daquele lugar um tanto assustador, é claro que ele ficou bravo com ela, mas só por algumas horas, logo depois já estavam se falando novamente, e contou a história que ele quando era mais novo também não queria herdar a funerária do pai.

Tirou as roupas molhadas pondo-as para secar e foi direto para o chuveiro tirar aquele cheiro de cemitério e de chuva do corpo. Saiu do banheiro, colocou uma roupa confortável, secou seus longos cabelos negros, que ela achava um tanto volumosos, e foi para a varanda com um livro embaixo do braço pronta para ser envolvida pelos prazeres da leitura.

Não estava sentada nem dez minutos na poltrona confortável da varanda, quando o telefone tocou. Avaline não queria nem um pouco se levantar para atender, mas pensou que poderia ser seu pai e ele não gostava quando ela não atendia as ligações dele.

– Alô — disse de mau-humor.

– Filha, queria saber se já tinha chegado, está caindo um temporal e fiquei preocupado. Então, como eu saí mais cedo hoje, estou aqui na loja de artigos de festa, o que acha de pratinhos de bolo e copos plásticos rosa com oncinhas?

Avaline sentiu vontade de pegar o telefone e tacar longe, não acreditou que seu pai a tinha ligado para isso. Revirou os olhos e respondeu:

– Primeiro, eu odeio rosa e segundo, eu não quero maldita festa nenhuma, já disse!

Sua voz tinha sido um pouquinho agressiva demais, o que fez seu gato Merlin que estava em cima do sofá brincando com um novelo pular de susto.

– Mas é seus 16 anos, Ava, devíamos comemora — a garota pôde sentir um tom de decepção na voz do pai no outro lado da linha, mas conteve o impulso de mandar ele trazer os malditos copos e pratos.

– Podemos comemorar de outro jeito que não seja uma festa. O.k?

– Tudo bem, depois conversamos.

Esse "tudo bem, depois conversamos" era sinal de que aquele assunto ainda não tinha sido encerrado, o que queria dizer que Avaline precisaria dizer mais mil vezes que não se sentia bem em festas e nem fazendo uma.

Colocou o telefone no gancho, pegou seu gato no colo e voltou lá para a varanda. Adorava a sensação de ler ouvindo o barulho da chuva, era tranquilizante e ainda mais quando os vizinhos estavam quietos.

*****

A quarta-feira amanheceu com um sol fraco entre as nuvens, o que fez Avaline despertar mais disposta para ir a feira com sua amiga, porque se caso estivesse chovendo o lugar estaria todo alagado e ruim de andar.

O celular apitou na cabeceira da cama e ao olhar o visor era uma mensagem de Caterina dizendo que passava na casa dela em torno de uma hora. A garota jogou as pernas pálidas para fora da cama sentindo o vento da manhã bater nelas e saiu do quarto, tinha se esquecido de falar a seu pai onde iria, no dia anterior ele tinha perturbado tanto para fazer uma festa que nem deu tempo de perguntar.

Passou pelo corredor enquanto sua visão ainda se ajustava de ter acordado mesmo sem vontade e quando chegou na sala teve a desagradável surpresa de notar que seu pai não estava sozinho. Sentados no sofá branco estava o casal brigão e o garoto que a tinha pedido para segurar a porta do elevador.

Avaline se sentiu corar no mesmo instante, só estava vestida com uma camiseta velha e um mini short que ela só usava para dormir. Notou todos os olhares se voltarem para ela. A garota chamou o pai rapidamente e depois voltou correndo para o seu quarto, um enorme constrangimento surgiu nela que seu rosto não voltava a cor normal.

Seu pai surgiu no quarto fechando a porta atrás de si, não conseguia esconder o sorriso.

– Que vergonha hem, isso é para aprender a dormir com coisas mais decentes — ele disse.

– Para tá, e você bem que poderia avisar que teria visita! — ela jogou uma almofada no pai que conseguiu agarra-la — E o que eles faziam aqui?

– Como sabem que trabalho numa funerária, queriam saber quanto eu cobrava pelos caixões e essas coisas, parece que alguém próximo da família faleceu.

– Hum...Bom, pai, eu queria ter perguntar se posso ir na feira de Upliday com a Caterina, ela não que ir sozinha.

– Pensei que odiasse aquele lugar.

– E odeio, mas minha amiga me convenceu de ir com ela.

Fabrizio pensou um instante, ele sempre fazia aquela mesma cara quando não sabia se deixava Avaline ir ou não, e ela não tinha tanta certeza que ele concordaria, sabia que aquele lugar era conhecido por seu um pouco perigoso ainda mais para duas garotas sozinhas.

– Tudo bem, mas leve o celular, não dê ouvido a estranhos, não entre naquele becos que vendem coisas proibidas e nem saia de lá tarde.

– Mais alguma coisa, capitão? — perguntou rindo.

– Por enquanto não, soldado.

Quando o pai saiu do quarto Avaline procurou uma roupa para vestir, acabou optando por uma calça jeans, uma camiseta de mangas e sapatilhas. Prendeu o cabelo num rabo-de-cavalo e passou lápis de olho para destacar seus olhos cinzas que pareciam sem vida.

Ao chegar na sala ficou mais aliviada pelos vizinhos já terem ido embora, não queria ficar envergonhada de novo. Se despediu de seu pai e saiu no apartamento no exato momento que sua amiga mandava uma mensagem dizendo que já tinha chegado.

Daquela vez ela desceu de escadas já que não estava chovendo, não queria descer de elevador mesmo que isso significasse descer um bando de escadas silenciosas e sombrias.

Ao sair do prédio avistou sua amiga, seus cabelos ruivos alaranjados e suas roupas espalhafatosas e chamativas era um forma de acha-la mais rapidamente.

Foram em direção ao ponto de ônibus e se sentaram naqueles banquinhos para esperar, Caterina não parava de falar um segundo sobre um cara lindo que conheceu no trabalho da sua mãe e Avaline fingia estar prestando atenção, só que o assunto não estava nem um pouco interessante.

– Então, o que você acha? — sua amiga perguntou.

– Acho o quê?

– Você prestou atenção no que falei?

A Caterina não suportava ser ignorada, ela gostava de falar e falar e de que todos sempre prestassem atenção no que ela dizia.

– Sim, só não entendi a última coisa — mentiu.

– Quero saber se você acha melhor eu ficar logo com ele ou esperar mais um tempo. Isso é algo muito importante para mim!

Avaline teve vontade de revirar os olhos por algo tão fútil ser motivo de ser algo muito importante na vida de sua amiga. Mas só disse:

– Acho que deve esperar, você só conheceu ele ontem e ele tem 30 anos anos e você só tem 16, acho que as pessoas iriam estranhar, principalmente sua mãe.

O ônibus enfim tinha aparecido, mas isso não foi motivo de fazer sua amiga parar de falar do cara e de como ela estava em dúvida se ele era mesmo a amor da sua vida ou não.

O caminho até a feira era em torno de uma hora e Avaline logo tratou de tentar mudar de assunto com Caterina, não queria passar uma hora ouvindo sua amiga falar sobre o cara que conheceu.

*****

A Feira de Upliday era enorme, ocupava uma praça inteira e se espalhava por várias ruas e vivia cheia, só acontecia as quartas-feiras e lá vendia-se de tudo e por preços bem mais baratos, o motivo da preferência desse lugar para as pessoas.

Quando Avaline era menor adorava frequentar aquela feira, sempre queria ir com seu pai porque gostava quando ele lhe comprava umas revistinhas de pintar com vários lápis de cores e canetinhas e depois passavam numa sorveteria próxima para tomar sorvete. Só que a graça acabou e ela odiava ir naquele lugar, o falatório, o cheiro de coisas misturadas e o empurra-empurra não eram nada agradáveis.

Já estava rodando a feira um tempo com sua amiga e ela não conseguia achar os sabonetes naturais que mãe dela insistiu tanto que lá tinha.

– Sério, eu vou pegar essa droga de sabonete e fazer minha mãe engolir ele — Caterina reclamou.

– Acho que estamos no lugar errado da feira, estamos na parte de frutas, temos que ir para outra parte. Só que não sei onde fica...

– Nem eu, acho que devia ter um mapa esse lugar.

Elas continuaram andando, passando por diversas partes sendo que a de frutos do mar foi a pior, um cheio horrível de peixe no ar e os vendedores cismando que elas tinham que comprar.

Avaline estava sentindo as pernas doerem e já estava suando, ali era quente, muitas pessoas juntas e tendas e barracas tampando a circulação de vento. Ela e sua amiga já tinham perguntados para alguns vendedores onde ficava a parte de higiene e alguns não sabiam de nada e outros davam explicações que não lhes eram úteis.

Entraram na parte que vendia móveis e uma aglomeração de gente empurrava uns aos outros em busca de um melhor preço, aquela parte era a mais cheia e quando Avaline olhou para o lado para chamar sua amiga para saírem dali não a viu.

Sentiu o pânico surgir, não sabia sair dali e nem para onde Caterina tinha ido. Andou um pouco saindo daquela parte movimentada demais, e por mais que chamasse sua amiga sua voz era abafada pelo grito dos feirantes. Pegou seu celular e tentou ligar para ela, só que sempre caia na caixa postal.

Como ela sabia que Caterina sabia o caminho para ir embora, então se preocupou menos e resolveu que iria embora, só precisava achar uma saída no meio de um bando de barracas.

Acabou parando, não sabia como, num beco e quando notou estava no meio dele. Ficou com medo e acelerou o passo, ali vendiam coisas estranhas, como pedras brilhantes,cartas de tarô, vidros com uns líquidos estranhos dentro, animais como galinhas e outras coisas que causavam arrepios. Poucas pessoas passavam por ali, estava meio vazio. Avaline notou que o lugar vendia coisas de feitiçaria e de rituais.

Queria sair o mais rápido possível dali, não estava se sentindo bem, quando sentiu uma mão segurar seu pulso quase desmaiou. Virou-se para o lado e viu uma senhora vestida com uma saia longa vermelha e na cabeça um flor da mesma cor, ela tinha os olhos meio estranhos, parecia não enxergar muito bem.

Tentou soltar seu pulso, mas a senhora era mais forte do que parecia.

– Fique, querida, não quero lhe fazer mal — a voz dela era doce, o que não combinava com sua aparência.

Avaline estava receosa e querendo sair correndo, mas não conseguia puxar seu pulso.

– O que você quer? — perguntou.

– O que acha de uma consulta sobre seu futuro, consigo ver muitas coisas em você só pelo seus olhos.

– Eu...eu não quero.

Olhou em direção a mesa que estava embaixo da tenda e notou vários artefatos vendendo, todos ali pareciam bem antigos e caros. Mais o que mais lhe chamou a atenção foi um espelho. Ela não conseguia tirar os olhos dele, era bem bonito, era redondo de tamanho médio, sua estrutura em volta era dourada com um brilho intenso, tinham alguns desenhos nela também mas que não davam para distinguir direito o que eram. De alguma forma Avaline não conseguia desgrudar os olhos dele, sentia que precisava do espelho e não entendia esse sentimento.

– Gostou do espelho, menina? — a senhora perguntou.

– Sim, é bem bonito...

Quando saiu do transe de olhar para aquele objeto, notou que a senhora soltou seu pulso, aproveitou isso para sair dali daquele lugar dando passos rápidos para fora do beco e não querendo nunca mais voltar ali, só que a imagem do espelho ainda estava na sua mente e ao olhar mais uma vez para traz, notou que a velhinha ainda a observava e dava um sorriso.

Avaline não perdeu tempo e saiu dali correndo, não queria mais saber de procurar sua amiga, sabia que ela estava bem, só queria ir embora daquela feira. E enquanto andava por ali em busca da saída, sentiu que alguém a observava...



Notas finais
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