Notas iniciais
Gente, me desculpem, era para eu ter postado ontem só que não deu tempo. Espero que gostem :D

Quando Avaline chegou em casa, estava assustada. Além de ter aquela senhora e aquele espelho estranho, ainda sentiu que tinha alguém a perseguindo enquanto fazia o caminho até seu prédio. Ela tinha tido a sensação diversas vezes e sempre que olhava para trás não tinha ninguém, ou pelo menos ninguém que parecesse persegui-la.

Quando chegou no seu prédio, sentiu seu celular vibrar e pulou de susto, seu coração foi a mil.

– Onde é que você se meteu? — Caterina perguntou no outro lado da linha, pela voz ela parecia estar brava.

– Você desapareceu, eu vim embora, tentei te procurar mais não achei. E você não sabe as coisas estranhas que presenciei.

Avaline nem fez questão de dar boa-tarde para o porteiro, ele nunca respondia mesmo e ela tinha se cansado de ser ignorada. Foi em direção aos elevadores, mas um papel colado dizia que estava escangalhado, sempre estava. Deu de ombros e foi em direção as escadas, ela sempre preferia elas mesmo.

– Que tipo de coisas estranhas? Conta, conta, conta!

Caterina adorava qualquer coisa relacionada com algo estranho e não explicável, então quando alguém dizia que tinha presenciado algo desse tipo, ela logo se animava e tentava descobrir o que era sempre levando para o lado sobrenatural.

– Se acalme, não é como se eu tivesse visto um vampiro ou coisa do tipo. É que eu acabei parando na parte de feitiçaria da feira e um velha estranha segurou meu pulso falando que podia ver o futuro nos meus olhos. O mais estranho foi um espelho que vendia lá, era absurdamente lindo e eu meio que não conseguia desgrudar os olhos dele. Quando saí daquele beco a velha ainda ficou me observando e agora quando estava voltando para casa senti que estava sendo perseguida... Acha que estou enlouquecendo?

As escadas do prédio ficavam atrás de uma porta pesada de madeira e as luzes só se acendiam quando chegava no andar, o lugar estava sempre silencioso e tudo ali dentro parecia ecoar, os degraus eram de um mármore claro e escorregadio principalmente por algumas poças de água que estavam ali por conta das chuvas do dia anterior. A voz de Avaline e seus passos eram as únicas coisas ouvidas ali dentro. Era um pouco claustrofobiante aquelas escadas por conta de não ter janelas nem nada, mas a garota não se importava muito, era um pouco melhor que os elevadores.

– Não acho que você esteja louca, só acho... — Caterina começou a dizer.

– Não venha com esse "só acho que você precisa descansar" não, tá legal? — Avaline disse interrompendo a frase da amiga.

– Eu não ia dizer isso, ia dizer que só acho que aquela velha deve ser uma bruxa e colocou algum feitiço em você para deixar-la se sentindo perseguida. Por acaso anda vendo seres flutuantes?

– Para com isso, Caty, eu estou subindo as escadas sozinha e você me mete medo!

– Não estou te metendo medo, mas pode ser isso...

Avaline não conseguiu escutar mais o que sua amiga tinha a dizer, o telefone começou a fazer uns ruídos estranhos e depois a ligação foi encerrada, o celular ficou sem sinal do nada.

– Caterina? Está aí? — mas Avaline sabia que não ela não iria responde-la, o telefone já tinha ficado sem sinal.

Um medo começou a percorre-la, os acontecimentos de algumas horas antes fizeram ela subir as escadas mais rapidamente. E quando chegou no quinto andar notou que as luzes não estavam mais se acendendo quando ela passava, tentou bater os pés nas escadas e fazer algum barulho, mas nada, continuou tudo um breu.

Começou a subir devagar usando a lanterna do celular e se segurando no corrimão para não escorregar no piso molhado. Enquanto subia, ouviu passos ecoando como se tivesse alguém subindo as escadas e se animou um pouco mais, pelo menos não subiria aquilo tudo sozinha mesmo que fosse com um vizinho chato.

Parou na curva que levava as escadas do sétimo andar e esperou quem quer que fosse subir e torceu para não parar em algum dos outros andares. Os passos se aproximavam cada vez mais e quando estavam bem próximos sumiram.

Avaline sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Ela tinha ouvido alguém subindo e não seria possível alguém abrir a porta de outros andares sem que ela escutasse, já que faziam um barulho alto quando batiam. Pensou em voltar e ver se a pessoa parou no meio do caminho, mas o seu medo era imenso, subiu correndo mesmo dando umas derrapadas nos degraus as vezes e quando já estava quase chegando e pronta para abrir a porta que dava para seu andar ela se abriu antes fazendo-na levar um susto e soltar um gritinho que ecoou nos corredores vazios das escadas.

– Desculpe, eu não queria te assustar — uma voz disse.

Ao ouvir uma voz e notar que quem estava ali na frente era seu vizinho, sentiu um tremendo alívio, sentiu até vontade de abraçar o garoto ali na sua frente, mas se conteve.

– Não foi nada — respondeu, mas sua voz estava meio trêmula.

Avaline saiu da parte das escadas e se sentiu melhor ao estar num lugar com iluminação

– Ah, nós não fomos apresentados ainda, me chamo Theodor — ele disse estendendo a mão. O garoto tinha olhos de um azul bem claro e os cabelos loiros que estavam escondidos por uma toca, um sorriso simpático estampava seu rosto.

– Avaline — respondeu sem muito entusiasmo, não queria bater papo, queria ir logo para seu apartamento.

Apertou a mão dele estendida e logo depois a soltou. Ainda estava se sentindo constrangida pelo fato dele vê-la com uma roupa ridícula mais cedo.

– Nome diferente...bonito.

– Obrigada. Bom, já vou indo, até qualquer momento.

Avaline saiu dali do corredor e foi para seu apartamento se sentindo mais segura ali dentro, queria tirar o medo da sua mente e pensar que tudo o que aconteceu foi só sua imaginação fértil.

*****

A vontade de ir para o colégio no dia seguinte era pequena. O tempo estava chuvoso e frio e sabia que as pessoas a olhariam estranho como sempre, ainda mais pelo motivo de antes da Haille morrer Avaline tinha sido a última pessoa a conversar com ela, mas não tinha sido nada demais, só tinha emprestado um caderno. Mas como o pessoal do colégio não gostava dela, já até esperava os olhares tortos.

Pensou fingir que estava passando mal, mas no momento que chamou seu pai e quando ele entrou no quarto viu-a deitada na cama com um travesseiro na cabeça, foi logo dizendo que ela não poderia faltar. Fabrizio sabia muito bem quando a filha mentia, ela não era boa mentirosa.

Levantou-se sem vontade e se enfiou embaixo de um chuveiro com a água gelada, quase congelou lá dentro, mas despertou bem mais rápido, esse era um bom truque quando estava com muito sono, apesar de ser um pouco doloroso ainda mais em dias mais frios.

Vestiu uma roupa qualquer, colocou um grosso casaco, botas de cano alto, pegou sua mochila e saiu do quarto. Nem fez questão de arrumar o cabelo nem nada, a vontade era bem pouca de fazer qualquer coisa.

– Que cara é essa filha? Parece até que não gosta do colégio — seu pai disse quando ela apareceu na sala e ele tinha um sorriso brincalhão no rosto.

Avaline lhe lançou um olhar que não precisou nem de resposta. Seu pai sabia que ela odiava o colégio e queria mais era que seus anos escolares acabassem logo.

– Se você me deixasse ficar em casa, faria uma pessoa feliz — disse abrindo um sorriso forçado.

– Você sabe que não gosto que falte aulas, estão fique disposta e olha só, vou te deixar no colégio hoje, não precisa nem pegar o ônibus. Viu que legal?

– Nossa, super legal — respondeu revirando os olhos enquanto seu pai empurrava seus ombros para fora do apartamento.

Os elevadores já tinham voltado ao normal e Avaline nunca sentiu tanto alívio disso, ficou com certo trauma das escadas. Tentou contar a seu pai o ocorrido só que ele não acreditou muito, falou que ela estava vendo filmes demais e fora que nem ela própria ainda acreditava,colocou na cabeça que era só sua imaginação e que o som dos passos foi só uma pessoa subindo e que parou em outro andar mesmo sem ter ouvido o barulho da porta batendo.

O carro do pai era um Chrysler prata que ele tinha um imenso cuidado e não emprestava para ninguém, Avaline ainda não entendia esse motivo já que achava o carro feio, mas era bem melhor do que ser levada para a escola com o veículo da funerária, isso ela se recusava.

Entrou e se sentou no banco passageiro batendo a porta fortemente por querer fazendo seu pai reclamar um pouco, adorava perturbar ele com relação ao carro.

– Querida, seu aniversário é daqui a dois dias e você ainda não resolveu o que quer fazer. Então, me diz, já que não quer festa.

– Hum, que tal ficar em casa vendo um filme?

– Nada disso, vou te levar para sair e escolher um presente. O que acha daquele tablet novo que lançou? Meus amigos do trabalho disseram que os filhos deles estão loucos por um.

– Não precisa, pai, é sério, eu não quero presentes nem nada.

Fabrizio assentiu com a cabeça e depois começou a perguntar se a filha queria frequentar um psicólogo, fazer terapia ou algo que a fizesse se sentir melhor, se abrir com alguém, a achava muito fechada. E Avaline só negava com a cabeça, só pelo fato de não ser como todos não quer dizer que precisasse de um psicólogo. Se virou para a janela e ficou vendo as gotas da chuva escorrerem pelo vidro.

*****

Já estava no terceiro tempo de aula e estava morrendo de sono, a garota não aguentava mais ouvir o professor de história falando, ele adorava que os alunos participassem da aula e sempre perguntava coisas para ela, pois sabia que sempre estavam corretas as respostas. Mas isso não a deixava muito feliz, porque fazia o Sr. Metchew pegar no seu pé o ano todo alegando que era a melhor aluna.

Quando estava quase cochilando, Avaline percebeu um movimentação estranha ao lado da mesa do professor, parecia uma sombra sem forma meio agachada. Ficou olhando bem e aquilo parecia tomar a forma de uma pessoa. Ela ficou assustada, sentiu suas mãos começarem a suar e fechou os olhos com força falando para si mesma que aquilo não era real, era só pelo fato de se estar com sono.

– Tudo bem com você, Srta. Castillo? — o professor perguntou fazendo Avaline abrir o olhos. Ele era um homem gordo com os cabelos engomados para trás e pele avermelhada, e que todos o tinham apelidado de professor suíno.

Ela olhou rapidamente para a mesa do Sr.Metchew e ali não tinha mais nada, estava tudo normal e todos os alunos olhavam para a sua cara.

– A saída-do-caixão deve estar tendo um surto de maluquice, ela deve estar vendo mortos — uma garota gritou dos fundos da sala fazendo alguns alunos darem risinhos.

– Isso se ela não for uma — um outro garoto disse fazendo a turma rir.

Avaline simplesmente ignorou como sempre fazia, já tinha se acostumado com as piadinhas deles, não que não a magoasse, mas ela mantinha sua máscara de imparcialidade.

– Dá para todos pararem? Ou vou levar os engraçadinhos para a sala do diretor — o Sr. Metchew repreendeu e depois se voltou para Avaline de novo — Então, está se sentindo bem?

– Estou sim — respondeu e depois voltou os olhos para o caderno fingindo estar fazendo os exercícios.

O professor lhe deu uma última olhada antes de voltar para a sua mesa e reclamar que o lugar parecia estar mais gelado que o resto da sala de aula.

*****

Na tempo de intervalo Avaline encontrou com Caterina que estava encostada num dos armários enquanto parecia discutir com um garoto, e pelo que conhecia da sua amiga ela estava pronta para dar na cara dele.

Ela foi até lá antes que as coisas começassem a piorar, não queria que sua melhor amiga ganhasse uma suspensão.

Puxou a Caterina pelo braço e a tirou dali, ela parecia estar bem furiosa.

– Posso saber o que estava acontecendo?

– Aquele idiota do Luziel. Ele é um babaca, sabe o que ele disse para mim? Que era para eu ir para o grupo dele e ajuda-los a arranjar uma forma de humilhar você. Sério, o que eles ganham com isso? Eles estão achando que foi você que matou a Haille, não sei qual o problemas deles.

– Como eu teria matado a Haille se quando ela morreu eu nem estava mais aqui? Eles realmente tem problemas, eu não fiz nada pra ninguém, não sei porque não me deixam em paz!

Se recordou da conversa que teve antes de Haille ir para a piscina, a garota estava meio estranha e desanimada, mas Avaline nem reparou isso apesar de ter se sentido um pouco tonta, só a entregou o caderno que tinha pedido e depois saiu da escola. Depois que veio a notícia que Haille estava morta, foi um tremendo espanto para todos.

– São uns estúpidos. Mas mudando de assunto, o que vai fazer no seu aniversário?

– Você também com isso, está igual meu pai. Eu não quero fazer nada, que saco.

Um grupinho de garotas passaram e deram risinhos debochados na direção de Avaline que retribuiu levantando o dedo do meio fazendo as garotas revirarem os olhos.

– Esqueci o quanto minha amiga é chata.

– Também de adoro Caterina.

Caterina foi conversar algum assunto com a professora de biologia e enquanto isso Avaline seguiu para as escadas que levavam a uma parte da escola que não era mais usada. Enquanto fazia seu caminho passou pela piscina e um sentimento estranho a percorreu, se sentiu ficar mais gelada e um pouco enjoada. Andou mais rápido e ignorou o fato de ter visto algo se movimentar dentro da água.

Pulou a corrente que estava na frente das escadas e subiu para um pequeno corredor com apenas três salas das quais nenhuma era mais usada por conta de não serem mais úteis. Entrou na primeira que tinha uma grande janela e dava para os fundos onde se dava para ver a floresta que dividia Huperville de uma outra cidade. Ela adorava se sentar ali e ler um livro ou então só pensar na vida e se esconder dos outros alunos.

Puxou uma cadeira velha de madeira gasta, e a virou para a janela sentando-se ali. O ar fresco soprava fazendo os vidros balançarem, mas a chuva já tinha passado deixando só o seu cheiro no ar.

Ficou ali sentada pensando no quanto sentia falta de sua mãe, sempre quando seu aniversário estava próximo ela já começava a se empolgar fazendo mil planos sobre onde poderiam ir, naquele tempo Avaline ainda gostava de comemorar seu aniversário, mas isso mudou desde que sua mãe faleceu num acidente de helicóptero, e ela só tinha oito anos na época, foi difícil para Fabrizio explicar o que tinha acontecido e muito doloroso.

Avaline sabia que tinha sido adotada, seus pais nunca esconderam isso dela e sempre a trataram como se ela fosse filha deles de verdade, e talvez por esse motivo a garota nunca tivesse se interessado em saber quem eram seus pais biológicos. Sentia uma imensa saudade de sua mãe adotiva e nunca tinha se conformado por ela ter morrido da forma que morreu.

Enquanto estava imersa em pensamentos, se assustou ao ouvir um som de música próxima. Parecia uma melodia um pouco triste sendo tocada num piano. Avaline se levantou um pouco assustada, até porque muitas coisas estranhas andavam acontecendo, e seguiu o som da música.

Saiu da sala que estava e notou que a melodia vinha da sala três, ela estava com a porta meio entreaberta mas a única coisa que dava para ver era a parte de um piano. Aquela sala era a mais acabada dali daquele andar, antes funcionava como a de música, mas depois foi transferida para o andar debaixo e a única coisa que permaneceu ali foi uns instrumentos antigos e que estavam ruins. Então era um pouco estranho alguém conseguir tocar num piano escangalhado.

Se aproximou da porta devagar tentando não fazer barulho no chão de madeira velha e olhou pela fresta. Dentro da sala pode ver um garoto de costas tocando o piano perfeitamente. Sentiu um ligeiro arrepio, ela não tinha ouvido barulho de ninguém ali quando subiu para aquele andar, mas pensou que a pessoa poderia ter ficado em silêncio assim como ela, então só parou ali e ficou vendo o garoto tocar.

Quando o som parou, o garoto se virou não dando tempo de Avaline sair dali e não ser pega desprevenida espiando. Ele era bem pálido, seus olhos eram de um tom que ia do verde ao mel e seus cabelos pretos iam até o pescoço. A garota se sentiu envergonhada por ter sido pega olhando-o tocar.

– Desculpa...eu... — tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu.

– Não precisa se desculpar, o que achou da minha melodia?

– Boa, mas um pouco triste.

Ainda estava tentando reconhecer aquele garoto, nunca o tinha visto no colégio e em canto nenhum.

– Quer ouvir mais uma? Entra aí — ele se virou para o piano de novo e uma nova melodia começou a surgir.

Avaline ponderou sair dali, mas acabou entrando na sala, talvez fazer amizade com um isolado como ela fosse legal, pensou.

A música tocada não era mais tão triste como a outra, era um pouco mais animada. E quando acabou de tocar, o garoto se virou para ela de novo e tinha um sorriso no rosto.

– Isso é estranho — ele disse do nada.

– O que é estranho?

– É...esquece. Qual o seu nome?

– Avaline.

Ela ainda ficou pensando no que era estranho, mas nada veio a sua mente.

– Me chamo Lorenzo. Não quer tentar aprender a tocar?

– Não, obrigada ...Você é de que turma?

– Era do último ano — ele respondeu e abaixou a cabeça parecendo ficar desanimado de uma hora para outra.

– Era?

– Nos vemos por aí.

O garoto saiu da sala deixando Avaline um tanto atordoada sem saber o que tinha acabado de acontecer. E quando ouviu som de passos vindo pelo corredor e entrando na sala levou um susto, mas era só sua amiga.

– O que faz aqui? Que eu saiba a sala que você gosta de ficar é a primeira.

– Caty, você sabe quem é aquele garoto que acabou de sair daqui?

Caterina olhou para trás e para os lados e deu de ombros.

– Que garoto, Ava?

– Ele deve ter passado por você no corredor, saiu um segundo antes de você entrar — disse, mas sua voz já tinha começado a ficar trêmula.

– Não passou ninguém por mim. Estava dormindo amiga?

Avaline sentiu suas pernas fraquejarem, se segurou na parede para não cair. Um medo a dominou, não era possível, ela o tinha visto. Respirou fundo, olhou para onde estava o piano e se deparou com ele coberto de poeira e não muito bonito como estava antes, e ainda tinha umas flores vermelhas em cima que antes não tinha. Sua amiga tentava falar com ela, mas a voz parecia estar sumindo, teve que sair rapidamente da sala antes que desmaiasse.

Notas finais
Queremos agradecer aos comentários e nunca esqueçam de deixar um review para pelo menos sabermos que estão lendo :)