Notas iniciais
Por que meus capítulos são sempre os menores? :'( Enfim, resolvi postar hoje porque estava com um tempo mínimo de sobra, mas a ideia fixa nossa era de postarmos sempre ela no domingo e eu na quarta. Acabou que ela postou na segunda ai eu resolvi burlar a lei também e postar hoje, ok? rsrs Ah, vou por uma música no final do capítulo que eu postei até no outro capítulo também, mas é que é muito perfeita para a história e eu recomendo novamente que ouçam. Queria agradecer os comentários, vocês são incríveis, quero continuar sabendo a opinião de todos!

Somente o som do despertador não conseguiu fazer Elise despertar do pesadelo que tivera. Estava acorrentada, em uma casa mal iluminada e fétida. As paredes úmidas na qual estava encostada arrepiavam-na de frio. O silêncio do local era o mais assustador. Não importava o quanto ela tentasse se lembrar, não sabia de jeito algum porque estava naquele lugar.

Quando seu celular tocou, Elise conseguiu voltar ao mundo real. Ao atender, desligou o despertador e tentou parar de suar frio e respirar calmamente.

– Alô? — pergunta ela. Retira o celular por apenas alguns segundos do ouvido para ver se reconhecia o número. Estava escrito desconhecido.

– Elise, espero não ter te assustado tanto ontem. Nos vemos na escola. — A voz era desconhecida e Elise arregalou os olhos. Por um segundo todo o ar a sua volta evaporou. Quem quer que estivesse na sua casa ontem de noite, estudava com ela.

Num passo rápido, Elise seguiu para o banheiro. Lavou o rosto dezenas de vezes até que se acalmou ao ouvir sua mãe chamá-la para tomar o café.

Sem nem olhar seu reflexo no espelho, seguiu para seu quarto e pegou o copo de leite que deixara na bancada da janela. Ao chegar na cozinha, sua mãe lhe beija na testa e acaricia seus cabelos longos e ondulados.

– Você nunca mais deixou eu fazer cachos no seu cabelo... — reclama a senhora de Paula, enquanto lava o copo de leite que a filha trouxe de seu quarto.

– Mãe, eu não sou mais criança... — diz Elise enquanto se senta em frente a bancada da cozinha, vendo a mãe preparar agora ovos mexidos.

– Mas você amava tanto ter cachos! — exclama a mãe enquanto se vira para pegar o prato vazio que estava na bancada.

– Eu ainda gosto, mas meu cabelo não está cooperando muito a meu favor ultimamente...

Após terminarem o assunto, Elise subiu novamente para seu quarto, trocou de roupa e quando foi pegar sua mochila, lembrou-se do livro de seu bisavô que estava na bancada da janela. Imediatamente enfiou-o na mochila e desceu correndo.

– Tchau, mãe, até seis e meia — diz ela, prestes a abrir a porta da frente, mas é detida pela sua mãe.

– Não esqueça de passar na biblioteca hoje, a senhora Hill pediu para você levar aqueles livros do seu bisavô.

Elise suspirou aliviada ao lembrar que a caixa que teria que levar não era a mesma da qual tirou o livro desconhecido de seu bisavô.

– Ok... — grunhiu Elise antes de fechar a porta atrás de si.

*****

Durante todo o percurso para a escola, Elise sentiu alguém a observando e a seguindo. Pouco a pouco, a rua ficava mais deserta e seu coração palpitava mais apertado. Ela não conseguia esquecer todos os momentos de terror que passara na noite anterior. Ela queria que tudo aquilo tivesse sido um sonho. Ela queria poder contar tudo a mãe, mas tudo estava tão estranho que Elise desconfiava até mesmo da senhora de Paula.

Ao chegar na escola, tudo que ela conseguiu fazer foi procurar pelo seu melhor amigo e focar em um outro mistério. O livro de seu bisavô.

Não demorou muito para ela encontrá-lo sentado na escadaria da entrada da escola acompanhado de alguns de seus amigos, que Elise detesta.

Ao vê-la se aproximar, Anthony manda seus amigos irem embora.

– Olá... Conseguiu dormir bem? — pergunta Anthony, preocupado.

Elise se senta ao seu lado e tira o livro da mochila.

– Não muito, ontem fui dormir muito tarde, fiquei lendo o livro do meu bisavô que, por mais estranho que seja, está escrito em inglês.

Ela não consegue nem mostrá-lo a foto, pois o sinal bate e eles têm de correr para a sala de aula.

*****

Elise ficou pensando durante toda a aula de matemática em quem poderia ser a pessoa que esteve em sua casa ontem à noite e qual seria o motivo para isso. Ligá-la foi um desaforo e ela não conseguia acreditar em tal insolência. Os momentos de pavor que passara na noite anterior foram causados por alguém que a conhecia da escola.

O humor de Elise já não estava bom desde ontem de tarde, quando fora ver seu amigo na praia. Ele, acompanhado de seus outros amigos, quase não viu quando ela chegou e, além disso, estes ficaram falando mal dela e a menosprezando por ser tímida e também por tocar violoncelo. Às vezes ela achava que até mesmo seu melhor amigo se sentia envergonhado por tê-la como amiga.

O fim das aulas chegou rápido, Elise nem sentiu o tempo passar. Quando bateu o sinal do último tempo, ela tentou esquecer que lembrou dos maus momentos que já teve com seu amigo. E pensar que ele já disse ser apaixonado por ela...

Quando chegou no banheiro, lavou o rosto e tentou controlar os cabelos fazendo um rabo de cavalo. Para Elise, não havia motivos que a faziam ser menosprezada. Fazia parte de duas famílias muito importantes não só da região. Elise Mori de Paula. Tudo que ela queria era ser respeitada, não só pelos valores que herdou devido aos seus sobrenomes, mas também por ser quem ela é, algo que nunca viam de verdade, por ser tímida.

Quando voltou para o corredor, viu que estava sozinha. Essa sensação já não a agradava mais, estava com tanto temor de ouvir alguém a chamando novamente que decidiu respirar fundo e fechar os olhos. Nesse momento, quase implorou para que quem quer que fosse que tivesse ligado para ela de manhã não estivesse ali e não fosse um dos amigos de Anthony. No momento em que ela abriu os olhos novamente não conseguiu segurar o grito.

Na sua frente, muito próximo a ela, estava Seiji, um garoto de intercâmbio com o qual Elise nunca trocou nenhuma palavra. Ela até já quis se aproximar, para treinar seu japonês, só que ele sempre pareceu tão distante e tão misterioso...

Seiji então aproximou-se mais de Elise, que deu um passo para trás e esbugalhou os olhos quando pisou no cadarço do tênis e quase caiu. Seiji segurou-a, pôs uma mão em suas costas e a ajudou a ficar de pé novamente.

– O... — Elise nem conseguiu agradecer, Seiji começou a falar antes que ela conseguisse voltar a respirar normalmente.

– Fui eu. Desculpe-me por te assustar ontem à noite... — diz Seiji com uma voz rouca e amedrontadora. Elise rapidamente solta a mão dele de suas costas e encolhe os ombros. Tenta não encará-lo então olha para seus pés. Ao pensar em xingá-lo, respira fundo e então planeja em como vai fugir daquela situação.

Elise não tinha notado antes o sotaque de Seiji quando ele a ligou de manhã, mas não parava de pensar em sua insolência. Como ele ousa invadir sua casa? E ainda ligar para ela com um número anônimo? O que ele pensa que é? Qual seria o motivo para tal ato?

– Você que anda me perseguindo! Seu, seu, seu... — tentou controlar-se, mas não deixou de empurrá-lo.

Seiji voltou para perto de Elise, rindo e com as mãos atrás das costas.

– Elise... Você não sabe de nada sobre si mesma.

– Deixe-me em paz! — responde Elise, empurrando-o para o lado e correndo em direção a saída.

*****

Ao chegar em casa, Elise não conseguiu conter o choro. Era muita coisa para assimilar. Primeiro, ouve alguém a chamando, depois, alguém invade sua casa, que ela descobriu que foi Seiji, um garoto que nunca nem sequer trocou uma palavra com ela e que não teria motivos plausíveis para isso.

Elise então seguiu para a cozinha após largar a mochila no sofá e deixar os tênis próximos ao tapete oriental da entrada. Abre a geladeira e começa a vasculhá-la a procura de algo para comer. Seus olhos ainda estão vermelhos e ela sente uma tontura ao levar um prato — que sua mãe já deixou pronto — para o microondas.

Enquanto espera a comida ficar pronta, apoia-se na bancada da pia e deixa as lágrimas rolarem pelo rosto aveludado. Sempre achou que a vida não pudesse piorar. Não era boa na escola, nunca teve muitos amigos e sempre foi escarnecida por ser tímida, mas, mesmo assim, nunca se deixou abalar.

Fungou o nariz e respirou fundo. Ouviu o som do microondas apitar e depois de tirar o prato, seguiu até a sala, ligou a televisão e se sentou no sofá.

Depois de alguns minutos, percebeu que sua mochila estava aberta. Imediatamente, largou o prato de comida na mesa de centro e investigou se tudo dela estava em seus devidos lugares. Não percebeu que, ao pegar o livro de seu bisavô, a foto da mulher extremamente parecida com ela não estava mais lá.

*****

Novamente, Elise acorda assustada. Ela acabou caindo no sono no sofá, com a televisão ligada e — quando procurou pelo seu prato de comida — viu que ele não estava mais no lugar onde ela o tinha colocado.

Caminhou em passos largos até a cozinha e viu que seu prato estava na pia, mas não se lembrava de como o levou até lá. Quando voltou para a sala, seu telefone tocou, mas, desta vez, analisou o número antes de atender e viu que era Anthony.

Atendeu, então, desanimada:

– Oi... — resmunga e logo depois, espirra. Pensou, então que estava ficando resfriada. Voltou para a cozinha, encheu um copo com água e sentou na cadeira em frente a bancada.

– O que houve com você hoje? Resolveu lanchar sozinha, não voltou comigo para casa...

– Achei que você queria mais tempo com seus amigos. — interrompe Elise.

– Você é minha amiga. Eu quero mais tempo com você.

– Não me iluda, Anthony, você sabe que eu odeio quando seus amigos implicam comigo e, mesmo assim, você continua falando sobre mim.Você não entende que eles só querem saber o que está acontecendo comigo para me zoarem depois?

– Do que você está falando? — pergunta, sem entender o que a amiga quis dizer.

– Ontem, quando eu cheguei na praia para te ver porque você me chamou, eu não sabia que eles estariam com você...

– Mas o que isso tem a ver com...

Elise não o deixa terminar e imediatamente o ataca:

– Você contou que eu tenho aulas de violoncelo, você sabe que eu não gosto de dizer isso para ninguém! Além disso, você não me defendeu e quer continuar dizendo que sou sua amiga?

Quando Anthony ia se explicar, Elise tirou o telefone do ouvido ao ver um vulto passar pela porta de entrada. De onde ela estava sentada, dava exatamente para a porta.

Assustada, mas já desconfiada de quem fosse, deixou o celular ainda com a ligação em aberto e pegou uma frigideira que estava em cima do fogão. Imediatamente, caminhou até uma pilastra, para que quem quer que fosse que estivesse na porta, não pudesse vê-la, entretanto, um frio correu sua espinha quando ela novamente teve a impressão de ouvir alguém a chamando.

Alguém bateu na porta. Cinco batidas lentas, que, como sua mãe havia lhe dito e fixado em sua cabeça, não era para atender, independentemente se a circunstância fosse necessária.

Respirou fundo, fechou os olhos e tentou esgueirar-se para ver o que tinha na porta. Ainda atrás da pilastra, pode ver uma sombra alta — aparentemente de um homem — na porta. Com o temor estampado em seus olhos, Elise agacha e tenta não fazer nenhum som, esperando que quem quer que seja, fosse embora.

Ela jamais abriria a porta, desrespeitando o que sua mãe a implorou para nunca fazer.

De repente, ouve novamente cinco batidas na porta, dessa vez em tom mais agressivo. Parecia até que a porta iria ser derrubada. Respirando com dificuldade, tenta se erguer sem que seja vista. Apontando a frigideira, tenta respirar fundo e tomar coragem, não podia ficar ali agachada para sempre.

– Que-que-quem é? — pergunta, após gaguejar de nervoso, aflição e desespero. O suor que escorria pelas suas têmporas estava a incomodando e o rabo de cavalo mal feito em seu cabelo não estava ajudando muito a fazê-la sentir-se arejada.

– Deixe-me entrar! — grita uma voz rouca e dominante que faz toda a casa balançar. Elise aperta mais a frigideira entre suas mãos.

– Seu destino está prestes a começar... — continua a temida voz. O estranho é que a sombra do lado de fora não se mexe e Elise não tem coragem de atacar, até que, ao se aproximar ainda mais da porta, um estrondo a faz ser empurrada para trás, arremessada em direção a pilastra, logo depois, ela cai no chão, com dores em todas as partes do corpo. A porta de vidro foi quebrada e, enquanto Elise tenta abrir os olhos, com a cabeça meio zonza e com os pensamentos desorganizados, um homem se aproxima dela, com passos largos e lentos.

Um grito fica preso em sua garganta quando Elise reconhece quem é.

Notas finais
Então, gente, quais as opiniões de vocês sobre o capítulo? Já estão entendendo o rumo que a história vai ter? Gostaram? Algum erro de digitação? Algum erro ortográfico? Espero que me ajudem! Aqui a música que eu falei (para quem não leu o texto enorme lá de cima, eu avisei que seria a mesma que a do meu outro capítulo): https://www.youtube.com/watch?v=DRVvFYppU0w Ai, gente, como eu quero um violoncelo elétrico!