Oculto
1 Prólogo
1998, 12 de Junho.
“Medo. Era a única coisa que conseguia distinguir no momento, sutil e quase imperceptível, apoderava-se da minha mente. Era uma sensação que nunca sentira antes, podia sentir cada músculo do meu corpo ceder ao pavor de me encontrar indefeso, tão consciente da minha impotência. Drenando qualquer emoção que pudesse me salvar agora, era um cara morto.
Ouvia uma voz, doce e infantil, sussurrava meu nome quase como uma canção. Logo passos. “Darius... Darius”, com certeza era uma criança, talvez não mais que 12 anos. “não Darius, 15. Um perfeito corpo de 15 anos completos hoje, e você é meu presente.”. Não era um sussurro afinal, era uma voz clara em minha mente... Mente. Ela conseguia falar em minha mente...
– Por favor...
Seu riso cortou qualquer frase que eu pudesse completar, não sabia o que pediria. Talvez que me deixasse ir, embora não soubesse onde estava.
– É um lugar muito deprimente, admito. Mas você não está muito longe de casa. – Aos poucos conseguia recobrar meus sentidos, os que nesse momento eram os que mais prezava ter. A garotinha parecia realmente ter quinze anos. Seus cabelos negros, dançavam, confundindo-se ao vento, lançando reflexos cor púrpura... Ou talvez não fossem realmente negros. Seus olhos pontos distintos na escuridão, turvos e indecifráveis ante minha visão, exatamente igual aos cabelos, cor púrpura... Era uma bela garotinha de malditos quinze anos. – Eu sei, não é? No começo odiei ter de permanecer nesse corpo para sempre, mas olha só. – Riu, sem nenhuma graça aparente. – Vocês nunca sequer pensam na letalidade que uma garotinha pode fazer.
Tentei inutilmente levantar, só então percebi o quão incapacitado estou. Das minhas pernas e braços jorrava sangue, inundando-me em uma poça de um vermelho vivo. Minha roupa estava rasgada, feridas expostas cobertas de sangue e sujeira. Sentia as pontas do meu cabelo preto grudarem em meu rosto, deixando o resto cair como cachos até metade do rosto, desprendiam-se uniformemente em um emaranhado confuso, estava uma completa bagunça... O que diria a Sra. Morello ao ver isso. “ora, Darius, você encara a morte e consegue apenas pensar em seu cabelo?” O pensamento me estabilizou, ou apenas meu cérebro que era o único no momento que conseguia funcionar. Morte.
– Não se preocupe.
Com isso a escuridão.”
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