October

10 Swan Lake


Notas iniciais
Desculpa a demora meus amores, problemas com a internet.
Façam uma boa leitura.

#10

- Você tem certeza que quer ir, Tober? – Brenna perguntava enquanto acariciava os cabelos finos da filha, esta que já se encontrava colocando suas devidas coisas dentro da mochila.

O sábado havia chegado num piscar de olhos desde que avisara Stacy de que ela poderia ir. Paul de inicio não havia gostado da idéia, tentara fazer de tudo para que a filha mudasse de opinião. Parece que nem seu hackeador nerd favorito havia conseguido a convencer de ficar para irem até a casa de Corey, encher seu computador de vírus. E olha que ela amava o fazer, principalmente quando Angie estava lá; Ficava mais divertido com a companhia da garota.

- Eu não sei mamãe... – Mas algo dentro dela grudava aos pedidos do pai.

- Vá filha! Será uma ótima oportunidade para você fazer novas amigas! Stacy foi muito legal de ter te chamado...

- Eu sei, mas papai não está feliz.

- Ele só está inseguro de te deixar dormir numa casa que não seja a nossa, amor. Não se preocupe.

October abaixou a cabeça por um momento, assentindo. Talvez sua mãe estivesse certa. Ajeitou sua mochila nas costas e pegou seu travesseiro, colocando-o debaixo de seus braços. Mas aquela empolgação que sentia dois dias antes havia simplesmente diminuído dentro de si. Ela não sabia explicar o porquê, talvez fossem os pedidos e esforços de seu pai para que ficasse; Ou talvez tivesse percebido, através de uma pura conexão sobrenatural que conseguiam ter, que ele estava apenas fazendo o que seu intuito de pai o mandava fazer. Porém, apesar de todo esse instinto paterno que a tentava segurar perto de suas asas, ela queria ir. Precisava sair daquele seu mundinho e construir uma vida social com os demais, mesmo que fosse com aquelas meninas extremamente diferentes de si.

- Oi filha... – escutou a voz de Paul quando terminara de descer as escadas. – Você vai me ligar se alguma menina começar a te magoar?

- É claro papai. Mas pode ficar tranqüilo, eu vou me divertir lá. – disse firme, transparecendo uma segurança que Paul deixou ser levado.

- Tudo bem. – deu-se por vencido, se ajoelhando a frente de October. – Te amo pequena. – falou por fim, beijando-lhe a testa.

- Eu também papai.

Brenna sorriu ao ver tal cena, se encantava com essa parte do marido. Ela não tinha nem sombra de dúvidas que a filha era a coisa mais importante de sua vida, mesmo quando, às vezes, ele perdesse a paciência com ela por querer pular em cima de suas costas enquanto tentava escrever algo. Mas, de certa forma, ver gestos do tipo, de preocupação e afeto a fazia se apaixonar ainda mais por aquele homem que conheceu há anos atrás, completamente diferente do que estava vendo naquele momento gracioso.

Se despertando daqueles devaneios vagos que haviam a pegado sem motivos, acenou para Paul, se dirigindo ao carro junto com a menina, que havia dado lugar a um meio sorriso em seus lábios finos.

- Já sabe não é Tober? A mamãe vai deixar o celular dela com você. Qualquer coisa ligue para o do papai, e não importa à hora!

- Eu sei mãe, é a terceira vez que você me diz isso. – disse revirando os olhos, entediada.

- E se alguma daquelas meninas estiver lá e te atrapalhar junto com a Stacy e as outras garotas, finja que elas não existem.

- Ok, mamãe.

- Promete que vai fazer?

- Prometo...

- Tudo bem então. Chegamos.

Ao avistar o enorme prédio ao seu lado, October estremeceu. A ansiedade havia voltado, e talvez acompanhada a medo. Não sabia o que a esperava lá, isso era certo. Desceu do carro, apanhando seu travesseiro inseparável; Havia ganhado de Cristina e Jim, era lá da Itália e tinha um formado de pizza. Viu um dos zeladores a acompanharem até o elevador, apertando o botão reluzente do décimo quinto andar, o terraço onde Stacy morava.

Ao adentrar o espesso corredor repleto de portas, já podia escutar os ruídos de música alta e de vozes agudas das meninas, essas que com certeza já haviam começado a se divertir. Um sorriso quis pairar sobre seu rosto delicado e pálido, mas o quê October fez foi apenas apertar as mãos esqueléticas de sua mãe. Brenna a olhou de esgoela, a vendo soltar um suspiro pesado.

- Ainda da tempo de desistir Tober...

- Eu não vou.

Sorrindo Brenna soltou as pequenas mãos da filha para bater na porta impecável de madeira a sua frente. October respirou fundo ao ver a maçaneta ser aberta.

- Oi, você deve ser a October! – uma mulher loira havia atendido. Brenna tentando não remediá-la com apenas um olhar, tratou de retribuir aquele mesmo sorriso de puro botox. – E você é a mãe dela, não?

- Sim. Brenna Gray, prazer. – ela estendeu a mão formalmente, sentindo a mulher puxá-la para cumprimentá-la num abraço, particularmente, bem desnecessário.

- Evelin Smither, prazer todo meu. – falou simplesmente, voltando sua atenção para a pequena que já encarava o interior do apartamento cautelosa. – E então October, entre! As meninas estão lá na sala, acho que vão assistir Barbie e o lago dos cisnes!

Arqueando as sobrancelhas na direção da mãe, Brenna engoliu o riso. A única coisa que poderia fazer agora era desejar boa sorte a filha, enquanto teria que assistir desenhos fúteis. Venhamos e convenhamos.

- Pode ir Tober... Já sabe, não é? – ela assentiu, beijando a bochecha da mãe antes de entrar enfim no apartamento.

Era refinado, sofisticado. Mas não foi isso que havia chamado sua atenção, no entanto. Ao se aproximar da sala, vira então o carpete peludo repleto de garotas, essas com seus pijamas e ursos de pelúcia. Perguntara-se no mesmo instante se era preciso de um urso de pelúcia para festas do pijama, mas antes que pudesse analisar melhor o fato, foi interrompida de seus pensamentos por Stacy.

- October, você veio! – a garota correu em sua direção, puxando-a pela mão. – Meninas, essa é a minha nova amiga: October!

- October? – uma delas perguntou enquanto franzia o cenho. – Diferente seu nome.

- Foi minha mãe que escolheu...

- Vem Tober, vestir seu pijama para assistir Lago dos Cisnes com a gente! – a garota ruiva disse, carregando-a para o cômodo mais próximo.

...

A introdução do desenho havia começado. October havia conseguido um lugar no meio das garotas, essas que aparentavam bem diferentes do que imaginara, por assim dizer. Não haviam chamado-a de porquinha, e nem prestado atenção em sua janelinha na frente da boca. Talvez fosse pelo fato de que se esforçara para não sorrir abertamente, pelo menos até aquele momento.

Ao prestar atenção como todas as outras, a garota não pode negar que a sinfonia chamada “Lago dos Cisnes” era realmente bem bonita. Aquele começo suave para depois um tom mais sombrio. Não soube ao certo o motivo exatamente, mas se lembrara de seu pai naquele momento; Talvez fosse pelo fato de que quando se tratava de música, Paul sempre tinha sua opnião na ponta da língua para compartilhar com a filha, e naquele momento October desejou muito saber qual seria ela em relação aquele tom.

O som da campainha havia ecoado pelo apartamento, interrompendo aquele transe da pequena Gray. Mas nenhuma das meninas – inclusive a própria Stacy – tinham se movido para ir atender.

- Casey, querida! Pensei que não viria! – October gelou ao escutar a voz ardida de Evelin Smither a porta. Encolheu-se num canto, recebendo um olhar significativo de Stacy no mesmo instante. A menina se aproximou de October, vendo-a engolir em seco.

- Me desculpe Tober, eu não a chamei, mas minha mãe é muito amiga da mãe dela... – tentou se explicar, cabisbaixa.

- Onde está Stacy, tia?

- Lá na sala com as outras garotas assistindo O Lago dos Cisnes. Vá até lá!

- Eu não vou falar com ela, fique tranqüila. – Stacy a confortou, pelo menos tentou. Mas October ainda estava muito insegura enquanto aquilo e não se sentiria confortável sabendo que aquela menina também estaria no mesmo ambiente que o seu, por uma noite inteira. Definitivamente.

- Stacy, filha, a Casey chegou. – Evelin aparecera com a garota loira na sala, apontando-a a filha. De esgoela October pode ver o sorriso falso que a menina havia dado para recém chegada, e talvez estivesse certa de que Stacy realmente estava decidida a não falar mesmo com aquela que a fizera se sentir tão inferior.

Casey avistara como um relâmpago October sentada logo ao lado, e seu sorriso se desfez no mesmo instante. Sendo deixada pela mãe da amiga – bem, pelo menos amigas há alguns dias atrás – não lhe enviou um semblante dos melhores. Mas levando em conta os conselhos da mãe, Tober decidiu simplesmente ignorar dessa vez, Stacy estava do seu lado por mais difícil que fosse acreditar em seus conceitos.

- Stacy você não me disse que a Vandinha Adams viria. – começou, cruzando os braços.

- Você nem foi convidada, Casey...

- Claro que fui, e pela sua mãe.

- Mas a festa do pijama é minha não é dela.

- Vai me trocar pela porquinha? Pensei que festa do pijama fosse só para garotas normais, não as esquisitas.

- Ela não é esquisita, e se você quer saber, ela é bem mais legal que você! – Stacy defendeu, e com todos os olhares intensos das garotas em sua direção, Casey deixou o queixo cair.

- Meninas, está tudo bem aí?! – Evelin perguntou/gritou de lá da cozinha.

- Sim mamãe, não se preocupe!

Stacy voltou à atenção para televisão, com um sorriso satisfeito estampado em seu rosto. October ainda tentando absorver o que tinha acabado de presenciar, não pode evitar deixar um riso baixo lhe escapar. Agora não tinha mais dúvidas de que Stacy era realmente sua nova amiga, e ela gostara daquilo.

Ao tardar da noite, grande parte das garotas presentes haviam adormecido no tapete felpudo da sala de Stacy Smither. Alguns outros filmes – entre eles mais de Barbies – haviam sido assistidos, e por mais que fossem extremamente chatos diante de suas ideologias, October se manteve acordada, com companhia de Stacy e mais uma garota que ela lembrava vagamente o nome, talvez fosse Stella.

Mas o sono por fim chegou as três garotas, e antes que fossem se deitar para finalmente dormirem, Tober fora buscar sua escova de dentes. Porém não fora exatamente este objeto que ela decidira apanhar primeiro, e sim o celular de sua mãe, este que já continha uma nova mensagem.

“Hey Tober, está tudo bem por aí? Quer que o papai vá te buscar? Sabe quem acabou de chegar com mais travesseiros de pizza pra você? O Jim e a Cris estão loucos pra te ver, pequena... Amanhã iremos buscar você logo pela manhã, tudo bem? Tenha uma boa noite amor, eu te amo. – Papai.”

“Hey Papai, está tudo bem aqui! O que acha de Lago dos Cisnes? Amanhã você me diz. Também te amo, boa noite.”