Obsessão
35 Mate a Guerra PT 7
Notas iniciais
Desde o começo, eu nunca fui boa o suficiente.
Mas isso não era motivo bom o suficiente para mim não tentar.
(...)
Eu me esqueci há muito tempo.
Essa sensação.
Esse desprezo pela vida alheia. Fazia milênios, eu mentia para mim mesma quando eu dizia que não sabia exatamente quanto tempo já fazia. A sensação e a desemoço da vida, afinal, vida é feita para ser passageira, nosso criador explicou isso bem entre as entrelinhas do que os humanos chamam de vida.
Era totalmente visível, no início dos tempos, humanos eram feitos para durarem quase um milênio, o homem comum que viveu por mais tempo, me falha a memória seu nome, mas sua idade era quase novecentos anos. Eu queria que meu carcereiro pudesse viver tanto tempo, mas ele mal tem dias.
Não, é um erro também de minha parte dizer que ele é um carcereiro, eu tinha adquirido esse costume com o passar desses cinco anos que estivemos acelerando a morte dele, não, é um eufemismo dizer que ele também estava acelerando a morte dele, eu também estava acelerando, eu só nunca havia contado isso para ele. Talvez em algum momento da nossa jornada eu tivesse sido pior do Esdeath, Naruto sabia o que ela estava fazendo para ele, e mesmo assim ela tinha o seu coração, a mesma pessoa que o machucou era quem tinha um lugar na vida dele.
Por muito tempo eu fiquei pensando no que poderia ter levado ele a gostar dela mesmo depois de tudo o que aconteceu entre eles, mas isso nunca conseguiu chegar a nenhuma conclusão óbvia, o óbvio não se aplicava a ele, já pensei que era simplesmente porque Esdeath havia cuidado de Aika, dado a ela uma vida de muito luxo e uma proteção incabível até mesmo para um magnata, mas se fosse por isso, Naruto deveria odiá-la também, pois ela foi uma das causas da morte de Chelsea, pelo menos é o que eu consigo me lembrar.
A morte de Chelsea era envolvida de muitos mistérios. Eu não podia dizer se ela estava morta, quando Naruto estava diante de seu túmulo, eu deveria poder sentir algum traço dela. Mas Naruto apenas teve um delírio mental ao visualizar a imagem dela na sua cabeça. Eu não sabia dizer se era realmente o corpo dela ali, ou se algum dia ela estava morta.
Entregar a própria filha para a mulher que deixou o pai da criança em um estado lastimável, totalmente duvidoso de criticismo. Enquanto a arma de Esdeath estava ao chão e ela estava apenas parada observando Kushina e os demais se afastarem de Akame, que quase foi esmagada quando o braço direito da Teigu Imperial foi para o seu lado. Ela apenas ficava em seus pensamentos.
Pensar era uma das únicas coisas que ela podia fazer, a parte das nações que estava fora do que restou da muralha imperial já não era mais uma ameaça, só restava os soldados que já estavam dentro do império, e para todos naquele lugar, só restaria o fim. Ela se encarregaria pessoalmente de dar-lhes um fim digno de entrar no inferno de cabeça erguida.
A alma que não tremulasse hoje, não tremularia nem se o inferno inteiro se virasse contra ele.
Pois esse lugar seria como o inferno na terra.
Ela sentiu alguma coisa subir nas suas caldas, tivera a sensação de uma formiga percorrer sua pelagem agora, muito maior. Ela olhou para trás, suas imensas orelhas podiam ouvir tudo, era Kushina, juntamente com todos os restantes do Night Raid, e Budo. As duas garotas que acompanhavam Ishiki haviam sumido, mas com certeza não estavam mortas.
Daquela altura, era uma ventania estridente para pessoas normais, principalmente agora que as nuvens do céu começaram a se formar em uma forma espiral, cobrindo totalmente o império de cima, era como se fosse um teto natural naquele lugar, era uma cena bonita, a raposa podia dizer isso.
— Kurama... Eu não me surpreendo por mais nada depois dessa aparição. – Eu ouvi Kushina gritar em meus ouvidos, ela podia sussurrar que eu ouviria. – Como você ficou tão grande? – Eu a ouvi perguntar, Najenda estava ocupada demais olhando abestalhada como a Teigu que tinha tanto poder, estava aos chãos diante do meu próprio poder.
— Algumas coisas aconteceram. – Elas acharam estranho a imagem da minha boca apenas se mexer e as palavras saírem, diferente de Naruto, eu não podia me comunicar por meio mental, era estanho eu falar normalmente, até para mim. – Mas não temos tempo para isso. – Eu apontei para Teigu, eu recuei alguns passos, nenhuma alma estava perto de nós, ninguém era louco o suficiente para nos interromper agora. Mas eu tinha que tomar providências contra Ishiki mais tarde. Embora ninguém mais soubesse da minha promessa contra ele, ninguém mais sabia, nem mesmo Naruto sabia...
Esdeath dentro do controle da Teigu estava com um ferimento na testa, quando a calda da maldita raposa a atingiu ela bateu a cabeça em um painel de controle daquele lugar apertado, era frustrante isso.
Sua ideia de ir embora e ir atrás do loiro, foi com toda certeza interrompida.
— Essa raposa maldita, sempre no meu caminho... – Murmurou a azulada para si mesma. – Já não bastasse ela ser forte em um tamanho de um Tigre Malasiano, agora ela vai até a cintura e um pouco acima da minha arma? Como algo tão injusto pode existir além da minha própria injustiça? – Esdeath ponderou para si mesma, deixando isso de lado. Ela colocou suas mãos dentro dos controles, seu anelar estava pronto agora. – Vamos ver como lidar com isso, raposa no cio!
Kurama quando viu a arma lentamente se levantar conseguiu ouvir um barulho muito estranho de dentro da arma, e a boca da Teigu se abriu mais do que estava antes, então ela automaticamente presumiu que algum tipo novo de ataque viria. Seja qual fosse o tipo de ataque ela teria que desviar.
Esdeath não escondeu a surpresa quando sua arma disparou quando ela deu o comando, a velocidade do disparo e a intensidade eram totalmente diferentes dos disparos que ela fez contra as catapultas das nações atrasadas. Esse disparo único que ela deu, foi o suficiente para cortar metade de uma das nove caldas da raposa, a distância delas era de pelo menos oitocentos metros, ela cobriu isso em segundos, milésimos? Não sabia. Mas ela ficou surpresa quando viu a calda da raposa lentamente começar a crescer, então quanto maior o tamanho maior era o tempo para as células de tipo curativo percorrerem pela linha sanguínea e eventualmente começar a crescer novo tecido, células tronco com certeza eram algo que ela tinha em abundância para o sangue dela correr tão rapidamente pelo imenso corpo dela, mesmo que regeneração fosse mais atrasada, ainda sim era rápido para um ser vivo daquele tamanho.
Ela podia imaginar o sofrimento que essa raposa havia dado para o Primeiro Rei quando foi transformada em uma Teigu Biológica.
— Você é um verdadeiro espetáculo raposa vermelha. – Disse Esdeath, observando de dentro da arma a expressão raivosa da raposa, ela aproximou seus olhos do ombro da raposa, os pequenos insetos da Night Raid estavam ali. Onde estava Akame? – Se ela morreu com minha queda, melhor para ela.
Mas para seu desgosto a mulher ainda estava viva, e com mais ódio ainda.
Kurama vendo ela se aproximar esticou os olhos. – Essa vadia ainda está viva. – Ela viu a morena escalar os escombros e tentar ir de encontro com seu corpo, com a lâmina de Murasame brilhando. – Mesmo que eu esteja tão grande como estou, sou um alvo ainda mais fácil para ela. Se ela me cortar é o meu fim, e Esdeath terá tudo para ganhar a Guerra mais uma vez.
Os olhos de todos fumegaram em êxtase. Era exatamente como a raposa estava dizendo, se eles vacilassem, Akame explodiria o mundo por Tatsumi, vocês podem dizer que meu tipo de mulher ideal não é muito convencional, eu vou aceitar isso, não tenho argumentos contra.
Kushina tomou a frente e começou a descer o corpo da imensa raposa, Leone a seguia logo atrás, as dúvidas sobre matar Akame haviam sumido de seu coração. Ela deixou a morte de Tatsumi possuir até mesmo seu orgulho, ela não sabia dizer se Akame um dia pensou se Tatsumi achava que isso era bom para ela.
Akame achou que os demais estavam ocupados demais para observá-la agora, mas ela se esqueceu da arma que ela empunhava. Era realmente uma boa arma, ela mataria todos e colocaria todas as nações em uma depressão profunda.
— Podem vir! – Ela rugiu entre dentes. – Vou aceitar todos, nem que seja de uma vez só. – A primeira a se aproximar foi Kushina, que saltou do antebraço da raposa com suas correntes na frente, quando Akame tentou um corte vertical visando suas costas, Kushina esticou seus braços para trás, fazendo com que sua corrente estivesse bem na frente do fio da espada, ela escorreu a corrente para frente, havia um pequeno espaçamento entre as correntes, uma abertura de alguns centímetros, que foi o suficiente para mais da espada de Akame ficar entre as correntes, quando Kushina foi tentar virar seu corpo para tirar a espada das mãos de Akame, a mesma tirou a espada saltando para trás.
O que ela não esperava era que lá estivesse uma leoa com uma expressão nunca vista para com ela.
Uma expressão misericordiosa.
Akame nunca viu Leone a olhar desse jeito, ela não entendeu, o motivo disso. Mas não demorou muito. Leone estava com uma katana envolta dos fios de Lubba, Akama com certeza jamais se esqueceria daquela expressão, uma expressão que Leone só usava com pessoas da pior escória... E ela estava usando essa expressão para ela também. Akame não conseguiu fazer nada quando a lâmina desceu.
O rosto de Leone, uma das suas melhores amigas, desde o ínicio.... Estava com uma expressão de quase nojo, para ela isso era diferente, era estranho, quase impensável.
Mas o impensável é o que te mostrar suas fraquezas.
Akame não gritou quando viu seu braço fraco ser cortado fora na altura do cotovelo. Ela não esboçou nenhuma reação quando o disparo de Minna acertou suas costelas, levando alguns ossos. Ela não se importou com isso.
Leone ainda estava com uma expressão de quase caridade, esse rosto fazia toda a convicção que Akame tinha cultivado nos últimos anos morrer de tal forma, que parecia que tudo o que ela fez até agora, era apenas um disparo adolescente, como uma birra idiota e desconexa da realidade aceitável. Ela se sentia desgostosa. Se sentia uma pessoa tão ruim quanto todos os homens do império que ela matou...
Foi aí que a verdade que ela escondeu de si mesma resolveu aparecer.
Ela era tão ruim quanto eles agora. Todo o senso de justiça que ela tinha antes, havia sumido como um sopro de verdade, verdade que veio por Leone, não intencionalmente. O que era pior ainda... Akame havia honestamente pensado nisso todos esses anos, ela colocaria o mundo num mar de guerra, para que o mundo pudesse entender a dor de perder alguém importante.
Mas ela esqueceu algo importante.
Ela faria todas as pessoas do mundo a fora, sentirem essa mesma dor.
O pai de família iria para a guerra, a mãe passaria por dificuldades tremendas sozinha, e a criança se tornaria um câncer social, era uma pirâmide de acontecimentos, que acabavam em morte de terceiros. Era um ciclo infinito de maldade, que estava começando por ela.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ela ouviu a voz de Leone lhe chamar para o mundo, só aí Akame percebeu que ela estava de joelhos perante a loura.
— Eu... – A leoa tentou começar algo, mas ela falhou miseravelmente, ela não tinha palavras para esse momento, tampouco Akame tinha enquanto a olhava nos olhos, mas a expressão abatida do rosto da mulher mais velha, ainda a incomodava.
— Não me olhe desse jeito... – Suplicou a morena, quase soltando sua espada. – Esses olhos, os olhos de quem conhece e julga o próprio mal no próximo, esses olhos que julgam o próprio pecado interior, não me olhe com esses olhos. – Ela sussurrou a última parte. – Não me faça crer que eu me tornei algo digno de pena perante seus olhos.
Leone a ouviu atentamente, os demais estavam mantendo a distância, Lubba estava impedindo que Kushina se aproximasse, Najenda o consentiu. Era um momento delas.
— Não existe outra maneira de te observar além dessa. – Disse a loira quase que fria. – Você se tornou o que eu mais abomino, egoísta. Uma pessoa que coloca a morte de alguém querido sobre a vida de pessoas inocentes, você se tornou algo que Esdeath é, você se tornou um demônio a sua própria maneira.
Akame estava com os lábios secos, sua garganta doía, seus olhos lacrimejavam, mas nenhuma lagrima saia, ela não se permitiria chorar agora, não depois de tudo o que ela havia feito, para tantas pessoas. Leone vendo a confusão mental dela se abaixou e encontrou o nível dos olhos vermelhos dela.
Olhando dentro deles, ela disse o que ela precisava dizer.
— Quando você tentou matar a criança de um companheiro que eu sei que teve suas tribulações na vida, você pensou como o nosso falecido e amado companheiro iria se sentir Akame? – Foi o estopim para ela. Ela nunca havia pensado nisso, desde que Tatsumi havia morrido, Akame nunca havia levado suas considerações emocionais com ela, ela colocou suas próprias emoções como vontades, vontades de uma pessoa que já havia morrido. Vontades estas, que Tatsumi não tinha.
Ele era um garoto bobo, que não havia entendido em que mundo estava vivendo.
Ela se apaixonou por isso.
E foi exatamente isso que ela não soube respeitar.
Não soube entender que ela havia deixado os sentimentos da pessoa que ela mais ama, desaparecer do coração dela.
Ela deixou suas lágrimas fluírem.
Com uma determinação diferente nos olhos, ela segurou firmemente sua espada, Kushina estava pronta para se mover, achava que Akame continuaria contra eles.
Mas a mão erguida de Leone a fez parar, ela não desviou o olhar da antiga companheira, de sua melhor amiga.
— Tatsumi deve se envergonhar de ter uma mulher como eu, não é? – Ela perguntou para Leone, e para si mesma. – Ele deve me olhar com vergonha, não é?
Leone sorriu para ela. – Não posso dizer isso, eu não conheço o coração dele tão bem quanto você, Akame-chin. – Ela alargou seu sorriso. – Você deve descobrir por si mesma, faça o que você tem que fazer. Faça o que é certo, pelo menos agora.
— Eu irei até ele agora! – Disse Akame fechando seus olhos e erguendo sua espada e colocando ela em seu pescoço. – Eu rezo para o meu Deus que eu possa vê-lo no outro mundo.
Leone fechou os olhos.
Mas os demais não tiveram essa coragem.
Akame, a infame, havia cometido suicídio.
Ela encontrou seu próprio fim, a sua própria maneira.
Ela nunca mais teve por quem viver, mas para quem ela deveria morrer.
Ela sempre teve...
Era só uma questão de quando ela faria isso.
Essa história anos tarde, era conhecia como ‘’. Os cruzares da Alma. ‘’. Um conto muito famoso, no novo mundo que surgiu depois de tudo.
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