Obsessão
38 Mate a Guerra PT 10
Existem coisas que a imortalidade não compra, o carinho de alguém, um teto único e uma família que lhe pertence, sim... Acho que a imortalidade jamais poderia comprar algo assim.
Eu nunca esconderia a minha ganância de ninguém, não escondo os meus desejos, eu quero tudo o que eu nunca podia ter tido antes.
Tudo o que eu quero, é realizar os meus próprios desejos egoístas, essa é a natureza de um ser humano, essa é a natureza que eu tenho que conviver agora.
(...)
Arrependimento é algo que pode doer no mais profundo de sua alma, eles diziam, hm? Estavam todos certos, se arrependimento mata-se, eu... Com certeza absoluta já estaria muito bem morta, como tal, devo viver com meus pecados, com minhas falhas, com todos os meus erros, devo respirar pecaminosamente nessa imensidão de mundo, devo fazer tudo o que eu quiser, devo viajar para a outra ponta do mundo, devo provar todos os sabores que o mundo pode me oferecer. Devo montar em um cavalo e ir além do deserto, devo montar em uma besta voada e ir além dos céus, devo fechar meus olhos e ir além dos meus maiores sonhos. Devo experimentar sensações novas, devo experimentar sentimentos nunca antes sentidos, devo observar coisas nunca antes notadas por mim mesma. Eu tenho que entender coisas novas, tenho que descobrir o que é bom para mim, e o que não é. Eu devo buscar o conhecimento que me falta como ser vivo, devo buscar a minha metade, devo me apaixonar, devo ter uma família, devo ter um canto de moradia, devo ter um lugar a qual devo proteger, eu devo ter alguém a quem quero proteger. Eu com certeza tenho alguém assim.
Na minha vida inteira, eu tive muitos nomes, deves entender que sua nomeação perante um mundo é importante, deve-se lembrar do significado do que te chamas, ou te que te chamam. Porém, com minha idade avançada, já tive mais nomes do que algum ser humano tem o direito de possuir. Minha mãe havia me dado um nome, em meu batizado de nascimento. Um canto de raposas tão imensas quanto monstros era tudo o que eu podia me lembrar daquela época, uivos tão bonitos e longos que eram apenas para mim, lembro-me que meu nome era algo difícil de pronunciar, o meu primeiro nome, foi o nome que eu esqueci. Quando eu fui embora das caldas de minha mãe, tudo o que eu podia lembrar era ela gritando pelo meu nome, meu verdadeiro nome, eu nunca consegui lembrar qual é...
Meu primeiro amor foi um rapaz belo, forte e destemido, corajoso e bravo, porém nunca orgulhoso ou esnobe, era pertencente a nobreza, era Rei, o Rei do império. Ele com ajuda de outros seres me subjugou e me colocou em outra forma. Isso já fazia muitos séculos. Nesse tempo, me foi dado muitos nomes, todos horríveis, comprei e paguei por cada um deles, eram os nomes que o mundo havia decidido que eu teria, que assim fosse, eu levaria eles preso na minha alma por toda a eternidade, não me esqueceria de mais nenhum nome. Mas o meu nome de criação, eu nunca poderia me orgulhar de levar comigo. Fui chamada de muitas coisas.
Demônio Vermelho, Raposa Alada, Monstro, Matadora de Humanos, Guerra Viva, como eu disse, comprei e paguei por cada um deles, nunca me importei com o significado de cada nome, era apenas minha nomenclatura. Por mais que doesse ser chamada de algo ruim, eu tinha minha vida, e eu tinha minha vontade também. Algo dentro de mim sempre se alegrava quando eu desgraçava uma vila inteira, ou uma nação inteira...
Já matei mais Reis do que qualquer coisa nesse mundo, a mando do meu próprio. Já andei por lugares que fariam sua alma tremer em uma sinfonia agonizante, entrei em mundos diferentes em pequenas cavernas protegidas por demônios, já desbravei os sete mares do mundo a nado, passei anos rodeada de meus demônios interiores e acordei com minha sanidade em pé, conversei com Deusas, você já deve ter ouvido falar de mim.
Eu sou Kurama, eu sou Chelsea, eu sou o que o meu artesão quer que eu seja. Eu posso ser qualquer coisa que ele quiser, ele só precisa me dizer. É uma das vantagens de ser forte, poder dobrar sua própria vontade assim no mundo inteiro, é a liberdade que eu queria... Mas essa é a primeira vez que eu faço isso, provavelmente porque é a primeira vez que eu vejo um artesão meu ir para a morte de bom grado.
Lembro-me raramente de Kvoth, o meu último artesão antes do homem que eu carrego em meus braços, ele era um homem bom, não tanto quando este de agora, mas ainda sim, o rapaz tinha seus próprios valores e seus ideias eram colocados na cabeça firmemente, Esdeath o fez rastejar no gelo, e no gelo, eu encontrei ele.
Olho para ele, sonolento, a marca que o meu poder pede cobre seu corpo, seu rosto, é a única coisa que eu posso ver que ainda se parece com ele, ter poder demais, também é uma maldição. Ser forte demais, é uma maldição ainda maior. Eu não sabia quanto tempo eu demoraria para reverter tudo o que eu fiz, mas com certeza eu faria tudo o que estivesse em meu alcance para salvá-lo. Existem coisas boas na vida eterna, conhecimento também é um poder.
Mas eu não posso mais divagar assim, tenho que proteger o que me é importante, devo lutar pelo que eu quero, e devo sobreviver a qualquer coisa.
— Eu sou uma Deusa viva, Esdeath. — comecei a falar, minha voz com certeza não escondia meu desgosto por ela. — Uma verdadeira. — andei em sua direção, ela se colocou de pé. Eu não a atacaria, ela parecia saber. — Você sabe, Esdeath? Deuses da Morte odeiam mulheres...
Ela pareceu estar confusa do que eu lhe disse. — Sabe o por quê? — perguntei para ela, nenhuma das outas pessoas parecia estar com vontade de falar, tudo o que ecoava ali, era minha voz, e sons de batalhas ao longe. — Uma vez, um Deus da morte desceu a terra, em busca de uma emoção diferente, não se contentava mais em comer alma de seres humanos... Ele começou a observar essas almas, começou a se interessar por cada nova alma que vinha até sua garganta, ao invés de comê-las, como deveria, ele começou a cuidar delas... Colecionou uma infinidade de almas de pessoas diferentes, em segredo. Se isolou em um canto do submundo, um dia... Ele conheceu uma alma pura, muito gentil e muito suave, uma mulher, O Deus da Morte nunca havia presenciado tamanha bondade em um ser. Ele se apaixonou por uma alma. Ele a guardou por muito tempo, tanto tempo que ele nunca mais olhou para as outras almas que ele havia pego para si mesmo, em seu egoísmo e em seu fascine-o, ele quebrou uma regra muito valiosa, uma regra que ele sabia que iria quebrar... Mas seu coração podre e gélido nunca havia experimentado nada como esse sentimento caloroso e suave antes, movido pela sua paixão, ele reviveu a alma mais uma vez. Dando-lhe um corpo, uma voz, um coração pulsante, e uma vontade própria, o Deus da Morte, em sua paixão, lhe deu o poder do livre arbitre-o, como ele era tolo...
Voei em minhas memórias enquanto me lembrava disso, eram memórias tão antigas. — Quando a mulher voltou a respirar em seus braços monstruosos, a primeira visão de seu nascimento, foi o rosto desgarrado do Deus da Morte, ela gritou em horror e fugiu, fugiu em um mundo que ela nunca havia visto antes, ela correu para o mais longe que podia. Correu para longe de seu salvador, sentindo-se traído, o Deus da Morte levantou suas asas e voou até ela, a pegando pelo pescoço e a levando para o tártaro, sem hesitação, ele a jogou dentro da fenda, deixando-a para toda a eternidade agonizando no tártaro, um lugar onde somente os piores se encontravam, o Criador sabe o que essa alma ainda passa naquele lugar maldito... Desde em então, o Deus da Morte adquiriu um ódio mortal pelas mulheres, ele achava que cada mulher era um demônio, um demônio pior do que qualquer outro, se escondia em uma pele macia e cheiros suaves, apenas para enganá-lo... O Deus da Morte tomado pela sua ira, ele jogou uma maldição na humanidade, uma maldição para lembrá-lo para nunca mais confiar em uma alma de uma mulher, ele nos amaldiçoou Esdeath, em sua raiva ele nos proibiu de viver como deveríamos...
Esdeath escutava cada palavra com a maior atenção que podia, mas havia coisas nas palavras da outra que ela não entendia. — Viver como deveríamos? O que quer dizer? — a azulada perguntou.
Chelsea, ou Kurama, riu com gosto. — Ele nos amaldiçoou pelo gosto da Guerra, pela vontade da própria morte, eles nos jogou uma praga em nossos corações, ele rebulhou nossa vontades, ele nos submeteu ao ódio, ele nos permitiu sentir toda a raiva do mundo dentro do nosso coração, ele nos mantém vivas para que possamos causar mais conflitos, para que possamos mudar o mundo em Guerra. — tudo o que queria dizer para ela estava ali, eu estava farta de muitas coisas, Guerra era uma dessas coisas. — Eu me recuso, a continuar vivendo por Guerra, Esdeath. Eu me recuso a lutar mais do que o necessário, eu tenho algo para proteger, mas não tenho porquê lutar mais uma vez.
Comecei a me afastar lentamente dela, podia sentir os olhos dela irem de encontro com o meu artesão, o amor... Tão doentio e tão apaixonante e viciante, era risível a vontade que a mulher tinha de pegá-los nos braços e tomá-lo para si mesma, mas isso não estava acontecendo.
— Você não o terá, nenhuma vez mais em sua vida, Esdeath. — eu lhe disse com toda a raiva que eu tinha guardada. — Eu me lembro, claramente de tudo o que você fez para ele... — minha voz ecoava em nojo. — Me lembro de você apresentá-lo com seu amor doentio e louco... Você fez atrocidades a um ser humano, eu não permitirei nada mais.– Eu não entendo o que você está querendo dizer, Kurama. — Esdeath lhe disse. — Por que está dizendo todas essas coisas agora?
Tudo o que ela recebeu foi meu olhar. — Para que vocês possam entender sua própria agonia, para que vocês possam se redimir pelos próprios erros, eu hei de partir, em minha presença, sempre trarei mais sangue mais dor a todos vocês. — era uma verdade, em qualquer lugar que eu estivesse, haveria Guerra. — Eu me tornarei uma peregrina, eu buscarei a redenção pelos meus pecados, vocês devem fazer o mesmo a sua própria maneira. — olhei ao redor de tudo o que restava do império, com certeza não era muita coisa. — Olhem ao redor, estamos rodeados de morte, posso sentir a alma de cada um pairando no ar, em busca de perdão, e em busca de vingança contra os vivos... Eu hei de partir, para um lugar onde nenhuma alma terá o seu rancor revivido por mim.
Esdeath apertou os punhos. — Você vai fugir? Como uma covarde? Vai sumir do mundo? Como é idiota. — a raiva da mulher era visível. — A Guerra sempre lhe alcançara, e eu estarei a levando comigo nos ombros. — lhe apontei a espada. — Onde você estiver, eu estarei, pois eu sou parte da Guerra.
Kurama não se indagou a olhar para a ameaça, tudo o que ela fez foi observar tudo. — Eu não irei fugir desta vez, essa é minha última batalha, humanos. — todos conseguiram sentir algo diferente na mulher. — Esse lugar já foi um lar para Naruto. — ela o encarou. — E por isso, eu lutarei uma vez mais. — eu comecei a andar em direção de Kushina. — Cuide dele, Kushina, faça o que você nunca fez antes, protege-o.
Não esperei por uma resposta.
— Eu irei mostrar para o mundo uma vez mais. — eu podia sentir o meu poder transbordar. — Irei mostrar a esse mundo esquecido pelos Deuses, o porquê me chamam de Guerra!
Eu iria mudar tudo, pelo bem do meu artesão.
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