Obsessão

39 Capítulo 39 - Mate o Primeiro Fim.


Notas iniciais
Mais um capítulo restante, para o final da história. Conto com vocês na segunda temporada.

Não importa o tempo, eu ficarei com ele, até ele me presentar com seus olhos vivos.

(...)

Uma história antiga, já dizia sobre todos os cantos do mundo, perambulando sobre todos os ventos do céu e sobre todas as ondas deste imenso mar, a humanidade perecerá. Uma história que ela ouviu de sua mãe, logo que ela nasceu, ela era tão nova, tão finita, ela tinha tantas coisas pra aprender, e não seria uma história de tempos tão antigos quanto a sua mãe que lhe faria entender, o que são os humanos.

Humanos, são criaturas horrorosas e egoístas, tão podres quando a alma de um demônio que abdicou o próprio livre arbítrio em nome de sua ganância, humanos são criaturas desprezíveis que venderiam tudo o que possuíssem, em trocar de algum coisa valiosa, algo que era muito mais do que eles mereciam e podiam ter, ela sempre ouviu isso. Em qualquer canto do mundo, onde tiver um ser humano, haverá guerra, e haverá morte, ela demorou muitos séculos para entender isso.

Mas ela era ignorante, ela nunca se importou com a vida de seres tão baixos, como se importar? Seres humanos morreriam por eles mesmos, por seus desejos mórbidos, ou por guerra que eles criaram. Seres humanos criaram uma nova definição de guerra, era tão medíocre aos seus olhos, mas ela se deliciava enquanto os observava, ela descobriu um entretenimento, ela observou a história deles se moldar de pouco a pouco, observou eles se dividirem e se reproduzirem, como pragas no mundo, ela estava lá pra ver, ela feliz com isso, observou o mundo se tornar contaminado pela presença gananciosa deles, e ela adorou ver isso acontecer em pouco tempo.

Ela vagou pelo mundo quando atingiu a maior idade, e quando fugiu de sua mãe, ela vagou como uma raposa enorme pelo mundo por muito tempo, ouviu histórias que fariam seres menores duvidarem de sua própria sanidade, ela fechou seus olhos no mar de atormentações e apenas se deixou ouvir os lamentos de todos os mortos do mundo, ela passou pelo mar vermelho e atingiu o outro continente, e novamente, as pragas estavam lá.

Ela ficou fascinada por isso, aonde quer que ela fosse, eles estariam lá, e isso a intrigada, ela nunca pensou que seres tão patéticos e com vidas tão vazias, pudessem ser tão persistentes, ela começou a achá-los, deveras interessante naquele momento. Ela observou aqueles serem darem a luz para seres tão fracos e tão patéticos quanto eles. E mesmo com o poder suficiente pra matá-los do mundo, pouco a pouco, ela não o fez. Movida pela sua curiosidade, ela deixou-os prosperar e viver. Ela deixou aqueles seres desabarem o mundo em que ela estava. Ela os permitiu atingir o ápice da hipocrisia e os permitiu vasculhar os cantos do mundo, em busca de uma satisfação pelos seus desejos corruptos. Ela não se importava mais.

E então, ela dormiu, ela não sabia por quanto tempo ela dormiu sobre a planície, nenhum ser humano a encontrou, talvez ela tenha dormido por um século, talvez por um milênio, ela nunca se importou, mas quando ela acordou, ela procurou aqueles seres finitos, e ao mesmo tempo, tão fascinantes depois que ela começou a entendê-los. E ela logo os encontrou, com estruturas que ela nunca havia visto. Mas eram tão pequenas comparadas a ela, ela achava graça, mas achava interessante. Os seres humanos construindo sua própria moradia e sua própria terra domada, era tão belo, e tão horrível ao mesmo tempo. Seres humanos tomavam tudo o que podiam, e usavam para seu beneficio. Eles não conheciam o termo de divisão, eram seres gananciosos.

Ela observou, com o passar dos anos, criaturas como ela começarem a se interessar pelos humanos também, algumas de maneiras diferentes, algumas criaturas queriam exterminar essa espécie nova e fraca, mas logo desistiam, não queriam perder o seu tempo com algo que iria morrer logo, belo engano.

Se ela soubesse na época que esses seres miseráveis seriam capaz de subjugá-la, ela teria os eliminado logo que foram expulsos do paraíso. Mas ela era jovem... Ignorante, nunca ouviu os conselhos de sua mãe para se manter longe desta prole maculada. Em sua tolice, ela se aproximou demais de um sol, e acabou se queimando por isso.

Ela foi derrotada por seres que não chegavam a altura de suas patas, e foi morta por eles, ela os poupou, há muito tempo atrás, numa época onde eles cobriam suas coisas com barro e grama velha, ela se lembrou disso com ódio no coração, em sua ignorância, ela pensou que eles se lembrariam de sua benevolência, belo engalo. Ela foi morta pelas mãos miúdas e frágeis destes seres tão odiosos, e tão fascinantes ao mesmo tempo.

E então, ela descobriu o amor, ou o fascine-o, ela não sabia diferenciar. O proclamado Rei de um continente, uma criatura pequena, com uma bravura e coragem que ela soube admirar e conhecer, o Rei do Império Antigo, um homem que exalava confiança em seu povo e exalava dignidade, uma palavra tão pouco conhecida quando falada de seres humanos. Ela só pôde rir com isso. Ela caiu de amores por um ser tão pequeno... E tão frágil, mas que ainda sim, agora era seu parceiro.

Ela nunca demonstrou tanta dor, quando este veio a morrer, e deu lugar a seu filho, que fez o mesmo processo, por pelo menos trezentos anos, mas ela sabia que havia perdido um exemplo de ser, uma criatura que era de uma espécie podre, e ele era tão exemplar. Ela sentiu falta de alguém como ele.

E então, ela foi deixada de lado, numa jarra, como se fosse perigosa e venenosa, os poucos que tentavam repetir o feito de domá-la, acabavam por morrer, ela os matava, o que os seres humanos não sabiam, era que para ela se tornar uma arma a ser usada por eles, ela tinha que aceitar ser dominada. Os tolos vinham aos milhares e morriam por ela. Sempre tentando usá-la novamente.

E então, ela por capricho, aceitou uma parceria com um homem que foi honesto com ela, quando ela lhe perguntou, o que ele queria que ela fizesse.

Este homem morreu no gelo, enquanto fugia das garras de Esdeath. Este homem havia perdido a mulher e a filha pelas mãos do Império, por não conseguir pagar as suas dividas, ambas morreram de uma maneira brutal. E então, ela lhe concedeu seu poder.

Mesmo que ele tivesse movido pela sua vingança, somente isso não seria o suficiente pra fazer ela lhe dar sua marca. Ele foi o primeiro usuário que ela teve desde o Rei, e foi por um mero capricho de seu coração.

Depois dele tentar inutilmente assassinar Esdeath e o Primeiro Ministro, que foram os responsáveis pela atrocidade na sua vida, ele falhou, e quase morreu, vagou pelo mundo por dois dias, ela o ajudou na medida do possível, mas ela não faria muito por ele, pelo menos, se ele morresse, ela seria perdida para sempre. E poderia dormir eternamente.

Mas então... Aconteceu o que ela chamou de interversão divina, o capricho dos Deuses, eles lhe entregaram um menino, um menino que queria ser homem, ele tinha olhos azuis, tão azuis quanto os dela eram vermelhos, aqueles olhos, eles tinham um resquício de maldade, mas ainda sim possuíam sua ingenuidade completa, ela os achou fascinante quando ele e aquelas duas crianças mortas encontraram seu último artesão.

Esdeath a encontrou logo após, e quando ela resolveu se tornar parte daquele menino, tudo mudou na vida dele.

O inferno que ele viveu durante esses quase dez anos, foi em parte, tanto culpa dela, quanto de Esdeath. Ambas fizeram ele ser levado ao extremo da dor e da loucura, e mesmo assim, ele saiu daquele lugar com a mentalidade pronta, e com um objetivo, dar um fim ao império, mesmo que a sua vida fosse necessária como troca.

Ela se perdeu na maravilha que ele era, um menino tão bom, mesmo que ela nunca tivesse lhe perguntado sobre seu passado, ela descobriu pouco a pouco a sua história, e começou a se interessar por ele. Não era um interesse de força como ela tinha pelo Rei, era um diferente, um que ela nunca soube explicar, antes dela ser bloqueada pelas drogas de Esdeath. E quando ela voltou, ela entendeu que o que ela sentia por ele, era amor.

Uma palavra de seres inferiores, mas que ela foi contaminada com. Ela adorou a sensação que isso a fazia sentir, se sentir impotente algumas vezes, se sentir necessária, e ficar próxima a ele, quando ele ia a sua mente até ela, era algo que sempre aqueceu seu imenso coração. E ela o amou desde então.

Sempre intervindo em seus sonhos, e livrando de seus pesadelos. Ela fez o que podia, ela ofereceu tudo o que ela podia oferecer, como companheira, e como arma, ela lhe deu um poder que nem mesmo havia dado ao Rei. E ela se permitiu ser egoísta, e ir atrás de seus próprios desejos.

Pondo os olhos no horizonte, ela podia vê-lo, com o rosto sereno, entre a vida e a morte, o homem que ela amava. Ela entrou em fúria continua. Este lugar... Estas terras, fizeram demais para ele, ela iria exterminar tudo neste lugar, ela iria fazer o império se tornar uma história antiga, uma história de um reino onde ela destruiu tudo.

Quando eles levaram ele para longe o suficiente, para que nada acontecesse a ele, ela se permitiu agir. Ignorando qualquer pessoa que estava lutando naquele lugar, qualquer homem que estivesse brandindo sua espada pela sua família, ela se permitiu, atear fogo em tudo.

Ela queimou esta pele, mais uma vez e se permitiu voltar a sua forma real mais uma vez, assim que tudo acabasse, ela se tornaria a mulher que ele amava, mais uma vez, mas por agora, ela tinha que destruir tudo o que havia naquele lugar.

Todas as nações que tentavam tomar o controle daquelas terras, pararam por segundos, sentindo uma mistura de medo e admiração, enquanto a vinham se erguer no meio de toda aquela destruição.

Pobres tolos e inúteis, ela os mataria de qualquer jeito. Alguns largaram suas armas, pois sabiam, pelas histórias antigas, o que aconteceria com eles agora que a raposa estava naquele lugar.

Ela era tão imensa, tão sublime, era impossível ir contra ela.

Os soldados que estavam mais perto, tiveram uma morte agonizante e não merecida. Eles foram esmagados pelo imenso corpo da criatura, Kurama se jogou no meio da Guerra, abrindo sua imensa boca e ateou fogo aos homens que tentavam fugir pelos céus, ela derrubou eles um por um, era como um show de fogos, humanos medíocres gritando por suas vidas enquanto ela olhava para baixo, e em sua mente, ela negava misericórdia a todos.

Ela destruiu o que restava das muralhas do império, e foi em busca dos líderes covardes que ordenavam a guerra, um a um, ela os engoliu e cuspiu, para seus soldados virem o que ela podia fazer com seus líderes, velhos gananciosos e podres, não eram nem ao menos dignos de vivarem seu jantar. O sol já estava no horizonte, mas ela continuaria. Ela terminaria com tudo.

Ela perdeu a noção do tempo, enquanto fazia fogo surgir de sua boca e disparava naqueles seres, inimigo ou não, ela matou cada ser humano que havia ousado ficar naquele lugar. Os únicos que ela permitiu saírem vivos, estavam muito longe daquele lugar, ela podia se soltar, ela podia fazer uma marca no mundo e dizer a todos os Deuses que ela sabia que a observavam.

— Eu estive aqui, eu voltei. — ela dizia enquanto olhava para o imenso céu, enquanto destruía tudo.

Ainda havia vestígios daquele lugar podre, ainda existiam pessoas tentando fugir para bem longe, ela não os permitiria.

E então, ela foi suja com aqueles seres medíocres. Ela exterminaria todo o mal daquele lugar, ela jurou em nome de seu amado.

Juntando tudo o que a fazia ser invencível, ela juntou todo o seu ódio, todo o seu rancor e seu ressentimento, e voltou seus olhos para o chão. Ela podia ver eles, fugindo dela, como se ela fosse um demônio, ela riu em alegria.

Deixe-os pensar que eu sou um monstro, isso torna suas almas mais interessantes quando forem ao purgatório. Ela pensava deste jeito.

Em um rugido de puro ódio, ela canalizou toda a sua energia em uma esfera, muito imensa, era tão grandiosa, todos podiam vê-la, os tolos que tentavam sair com vida, nem ao menos olharam para ela, na pequena esperança de saírem vivos. Quando ela rugiu estridente mais uma vez, eles olharam para ela, e quando ela voltou seu rosto para o chão, todos sabiam naquele momento.

O demônio veio buscar suas almas.

Ela fechou seus olhos, e ela pôde sentir com clareza, tudo o que ela havia feito. Ela olhou ao redor, e grunhiu satisfeita, tudo o que havia causado dor ao seu amado, sumiu perante o seu poder.

Ela estava no centro, do que antes era um imenso império, agora não nada mais do que crateras enormes, e um berço de almas que guardariam um rancor por ela, a vida era bela, ela estava satisfeita.

E então, como havia prometido. Kuromada desceu dos céus, junto com Esdeath. Kurama ainda estava em sua verdadeira forma, olhando predatória, a criatura voadora nem ao menos se atrevia se aproximar mais.

Enquanto se aproximava, com Naruto em seus braços, o verdadeiro Naruto, ele tocava em sua arma, sua Teigu ilusória. E por fim, terminou tudo.

Esdeath encarou Kurama por um momento, até abrir a sua boca.

— Por quanto tempo, vocês eram aliados? — ela perguntou olhando tanto para a raposa, quanto para Kuromada. — Esse nível de ilusão, uma imagem falsa e tangível por um continente inteiro, como você fez isso?

Kuromada não a respondeu sobre isso, ele se limitou a dizer o que podia. — Eu fiz coisas horríveis a este homem. — ele olhou para o loiro em seus braços. — Eu o torturei com você, durante anos. Eu não pude deixar isso terminar desse jeito... Não preciso responder mais nada a você. — ele voltou seus olhos para Kurama. — Como prometido... O verdadeiro está aqui.

Kurama olhou para o home que tinha seu coração, e lhe envolveu em caldas. E colocou o perto de sua cabeça, ele inconscientemente, se agarrou a sua cabeça, ela olhou para os dois abaixo dela.

— Eu me recuso a deixar ele com seres humanos novamente. — ela disse, abrindo a sua boca, mas ela era entendível. — Vocês, serão os únicos que eu permitirei ficarem próximos a ele... Não porque eu gosto, porque eu preciso de vocês... E ele precisa de você, Esdeath.

Esdeath não disse nada, apenas subiu até suas costas, e pegou Naruto e colocou ele em seu colo. — Quando ele acordar... O que diremos a ele? Como explicaremos que ele vai ter que abandonar a sua filha, para mais anos a finco?

Kuromada ficou em silêncio, bem como Kurama. — Diremos a verdade... — por fim respondeu a raposa, oferecendo outra calda para Kuromada subir. — Quando ele acordar, e quando conseguirmos encontrar uma maneira de deixá-lo vivo... Diremos a verdade. E eu serei a única dizer isso a ele.

— Você é a pessoa que ele mais confia. — disse Esdeath, olhando para o rosto adormecido dele. — Tem certeza que está pronta para o ódio dele?

A raposa ficou em silêncio por alguns momentos. — Eu tive meus segredos, do homem que eu mais amo, para protegê-lo, eu sempre soube que um dia, eu teria que contar-lhe a verdade, então eu estarei preparada para tal coisa... Eu estarei preparada para qualquer coisa...

Com o silêncio instalado, os quatro saíram daquele campo de guerra, os quatro vagaram rumo ao mundo desconhecido, a uma viagem que eles nunca souberam o destino final, eles rumaram para o além, para uma viagem de redenção, redenção de seus pecados para o homem que estava no colo de Esdeath.

Redenção para o homem que nunca poderia ter sua filha de volta, redenção para seus corações, por trazerem mais dor a ele, mesmo que para protegê-lo de sofrer.

Kurama levou o ser que ela ama nas costas, atravessou o amor, passou por geleiras, usou caminhos que somente ela conhecia, e então...

Ela se permitiu descansar, naquele lugar, onde nunca seriam encontrados, ela se permitiu colocar o seu amado em seus braços humanos mais uma vez...

Este era o seu fim? Ela nunca soube dizer. Ela ainda teria que resolver assuntos pendentes, e Esdeath a ajudaria a fazer isso.

Eles iriam sumir do mundo, não sabiam por quanto tempo...

A única coisa que eles desejavam, do fundo do seus corações, é que Naruto as perdoasse, era tudo o que o amor significava, perdão.

Uma obsessão por alguém, sempre termina em sofrimento, e no final, tudo o que lhe resta, pode ser o ódio mutuo e absoluto... Ou o perdão incorruptível, um sentimento tão belo, mas que poucos tinham em seus corações.

Tomando ele em seus braços, com o rosto da mulher que ele um dia amou, Kurama rumou para terras que somente ela passou. E por lá, ela ficaria...

Ela ficaria ali com ele, pelo tempo que fosse necessário.

Alisando o seu rosto, ela plantou um beijo em seus lábios, e se permitiu chorar...

Mesmo em seu amor mais puro, e sua preocupação mais honesta, ela sabia que causaria mais dor ao coração dele...

Quando ele acorda-se, ela contaria a verdade... E nada além.

Como dizer isso ao homem que ela amava? Ela não sabia.

Ela nunca soube...