Obsesso

46 45. Saindo das sombras


Notas iniciais
Hello o// Alguns minutos atrasada, eu sei =// Capítulo dedicado à linda e maravilhosa ivyvi, que descobriu o significavam os números apenas algumas horas depois de eu postar o capítulo em que eles apareceram pela primeira vez. Cê é foda, menina, principalmente porque descobriu de um jeito totalmente diferente do que meu =33 Obrigada por tudo

Era desconfortável, aquele sentimento que crescia sempre mais. Uma semana se passara desde que Naruto transara com Sasuke pela primeira vez. Era sábado novamente, sete de março. No dia anterior, dois meses haviam se completado desde a morte de Itachi. Dois meses desde que vira Sasuke pela primeira vez.

Remexeu-se na cama, sentindo aquele vazio. Era horrível. Sentia falta do corpo, do cheiro, do sorriso… e, porra, ele estava no quarto ao lado! Estavam aproveitando cada momento em que Naoto e Aya dormiam para transar. Fora acordado em inúmeras madrugadas pelos desejos do Uchiha e agora percebia que não podia continuar com aquilo.

Cada olhar, cada sorriso, cada palavra… cada mínimo detalhe estavam a matá-lo um pouquinho mais. Apaixonava-se mais perdidamente a cada segundo que passava. Não queria sentir aquilo, não por ele. Sasuke cansara de dizer-lhe que não sentia nada por si, que não o amava e que jamais seria capaz de amá-lo. Naruto sentia vontade de chorar sempre que ouvia aquelas palavras.

O colchão ao seu lado afundou, e Naruto reconheceu quem se deitava com ele pelo cheiro. Braços fortes – os braços dele – envolveram-no pela cintura e o puxaram para mais perto. Lábios macios – os lábios de Sasuke – acariciaram seu pescoço. A voz grossa – a voz do homem que amava – foi sussurrada em seu ouvido.

— Acordado?

Era naquele momento. Precisava afastá-lo, precisava retomar o controle sobre… Sasuke mordiscou sua orelha e as mãos habilidosas escorregaram para dentro da blusa solta que Naruto usava. O Uzumaki suspirou. Logo depois, com uma risada nasalada, Sasuke puxou a touquinha que o loiro usava com os dentes.

— Já disse que você parece uma criança com essa coisa?

— Só um milhão de vezes.

— Você parece uma criança com essa coisa.

— Eu durmo melhor com ela.

— Então acho que não vai precisar dela, porque eu não vou te deixar dormir.

Os lábios voltaram a tocar a pele morena. Naruto queria mandar Sasuke parar, queria dizer a ele que não dava mais, que não podiam mais continuar transando daquela forma. Precisava parar antes que o amasse demais e não conseguisse mais terminar com aquilo.

Mas nenhuma palavra saiu de sua boca. Talvez fosse tarde demais.

–-//--//--//--//--//

Orochimaru analisou o ruivo com um sorriso levemente macabro no rosto.

— Um acordo, você diz?

O moreno estava sentado em sua cadeira, encarando o ruivo com um olhar arrogante e prepotente; o olhar de sempre. Nagato continuava indiferente, negando-se a demonstrar o quanto o desespero o consumia. Tentara ouvir Konan e deixar para lá, procurar por outras soluções, mas não conseguia. Ela morreria! Claro que Kabuto poderia estar mentindo, mas também não havia como saber aquilo. Ele não podia deixá-la morrer, não ela. Não depois de ter perdido Yahiko. Konan era tudo que lhe restava.

— Eu sei onde Kabuto está. Posso te dizer, se você me disser qual é o antídoto para a proteína que vocês criaram.

Orochimaru sorriu.

— Eu vejo.

Nagato ficou esperando, mas o homem continuou calado, apenas observando o ruivo como se soubesse de todas as coisas que este não sabia. Quando não aguentava mais esperar, Nagato incentivou.

— E então?

— Bom, estou esperando você me dizer o que eu ganho em troca.

— Kabuto.

— Não, Kabuto está morto. Se você quer saber sobre isso, então Konan não teve uma enxaqueca, e sim foi uma das cobaias de Kabuto. Ele sabia sobre o antídoto, então você perguntaria a ele se Kabuto ainda estivesse vivo. Como não está, porque você provavelmente não conseguiu se controlar quando o viu, então não há como saber de que maneira salvará Konan. Por isso veio até mim. Eu te dou o que você quer, mas não há nada que você tenha para mim.

Nagato sorriu.

— Eu esperava que você não associasse as coisas assim tão rápido.

Orochimaru recostou-se no encosto da cadeira negra.

— Eu não seria o líder da Akatsuki se não fizesse associações simples como essas. Mas você me deixou em problemas, Nagato. Kabuto era útil.

— Mas burro. Não teria ido atrás de Konan se fosse inteligente. Você consegue achar outros cem como ele.

Orochimaru entrelaçou suas mãos e apoiou os cotovelos na mesa. Era verdade, porém poucos teriam o sangue-frio que o grisalho costumava ter. Sentiu um breve incômodo e uma vontade nem-tão-breve de matar Nagato. Controlou-se, é claro. Diferente do ruivo, sabia esperar.

— O que você tem para mim?

O homem pegou os arquivos que Sasuke perdera no Four Seasons.

— Isso é tudo o que Sasuke tem sobre nós.

— E ele sabe que você tem esses arquivos?

— Provavelmente. Ele deixou cair no hotel na noite em que Deidara e Sasori morreram.

Um sorriso levemente cruel apareceu nos lábios secos de Orochimaru.

— E eu imagino que você não os tenha usado de isca para capturar Kabuto.

— Não, eu não faria isso.

O tom levemente descarado e o sorriso de canto contradiziam completamente as palavras que Nagato pronunciou. Orochimaru riu alto, contente.

— Eu sabia que valia a pena apostar em você, garoto. É completamente inescrupuloso.

— Eu não esperava que eles fossem morrer. Acho que os superestimei.

— Ou subestimou Sasuke.

— Foi o Naruto. Quando os dois estão juntos, ficam muito difíceis de matar.

— Por isso vamos separá-los, assim como fizemos com Itachi. Matar Sasuke e Itachi quando estavam juntos era igualmente complicado.

— Separá-los não dá tão certo. Não conseguimos fazer com que Sasuke fosse ao banco. O desgraçado fez com que o advogado resolvesse tudo sem sair de casa.

Orochimaru deu de ombros, ainda analisando a falsa tranquilidade de Nagato. O ruivo não queria falar sobre Sasuke, queria falar sobre Kabuto. Porém fingia não se importar com o desvio de assunto.

— Pois é, talvez ele não seja tão idiota quanto nós pensamos. Mas será fácil atraí-lo quando cercarmos a casa de Gaara. Talvez matar o amigo dele seja todo o incentivo de que ele precisa para ficar completamente fora de controle e resolver nos atacar de forma imprudente.

Nagato sorriu de canto.

— Sasuke não é imprudente e não agirá por impulso.

— Eu pensei que agiria quando matei Itachi. Vamos matar Gaara e Ino. Os dois são os padrinhos daquelas crianças inúteis. De certa forma, também são Uchiha. Estão próximos à família.

Nagato acariciou a pasta que carregava.

— Talvez não seja tão simples quanto parece.

— O que quer dizer?

— Eu te entrego isso, você descobre e me fala sobre o antídoto.

Orochimaru assentiu com a cabeça, sorrindo. “Inescrupuloso, manipulador, oportunista e inteligente. Por isso o escolhi”. Nagato colocou os documentos sobre a mesa, mas não tirou suas mãos dele. O mais velho compreendeu que precisaria falar para ter a pasta liberada.

— O antídoto não existe. Kabuto não chegou a criá-lo, porque não era de nosso interesse salvar as mães que infectamos. Queremos as crianças, não as mães.

— Por que as crianças?

— Elas perderiam a mãe de qualquer forma, e isso pode abalar o emocional de qualquer um. O soro estimulava a inibição da parte sensitiva do cérebro. Basicamente, ele nasceria sem ter a capacidade de sentir.

Os olhos de Nagato se arregalaram.

— Os psicopatas perfeitos.

Orochimaru sorriu ainda mais.

— Exatamente. Kabuto também estava elaborando a falta de livre-arbítrio. Queríamos os perfeitos psicopatas soldados. Mas, como você sabe, mesmo psicopatas podem criar algum tipo de obsessão com suas mães. Não amor propriamente dito, mas algo parecido o suficiente para retirá-los do caminho que eu escolhi.

— Você mata as mães para criar um exército.

O homem deu de ombros.

— Podemos dizer que sim. Um exército formado pelos melhores soldados já conhecidos.

— De quem foi a ideia?

— Kabuto. Era o amor da vida dele, esse projeto.

Nagato assentiu com a cabeça e soltou a pasta. Orochimaru a pegou, faminto.

— Kabuto disse que o antídoto era real.

— Kabuto queria viver. Infelizmente, ele sabia ser bem covarde quando precisava. Chantagearia você para depois não cumprir com sua parte do acordo.

— Isso parece bem idiota.

— Ele teria conseguido se proteger.

— Ele poderia tentar.

Nagato saiu da sala. O antídoto era uma mentira. Konan simplesmente… balançou a cabeça negativamente, incomodado. Não podia acreditar que Kabuto mentira. No fim, fora bom ela ter colocado uma bala na cabeça do desgraçado. Se tivesse sobrevivido, então Nagato estaria sendo manipulado.

Orochimaru observou a porta da sala se fechar com o mais cruel dos sorrisos. Abriu a primeira gaveta e pegou o frasco cheio de um líquido amarelo. Os anticorpos que matariam a proteína criada por Kabuto, é claro. O antídoto que Nagato tanto queria. Era sua pequena vingança particular. Se o ruivo matara Kabuto, seu assistente, então Konan deveria morrer.

Na mente de Orochimaru, fazia todo sentido.

Sem demora começou a analisar o arquivo que Nagato lhe entregara. Precisava saber o que Sasuke sabia.

–-//--//--//--//--//

Segunda-feira de manhã. Naruto entrou no inferno quase como se estivesse em um sonho. Há dois meses entrava naquele mesmo lugar, cheio de expectativas e esperanças. Poucas semanas depois fora afastado por ser acusado de assassinato e agora retornava ao seu local de trabalho, completamente livre das acusações infundadas que foram feitas contra ele.

Era perfeito.

O barulho de seus coturnos contra o solo ecoou nas paredes, exatamente como naquele primeiro dia, e o Uzumaki chegou à sala em que sempre trabalhava com um sorriso enorme no rosto. Sua mesa ainda estava vazia, e Neji ocupava a mesa que sempre pertencera a Sasuke. Aquilo talvez tenha sido o mais estranho. Olhar para aquela mesa que já estava acostumado a observar e não ver o Uchiha trouxe um sentimento ruim ao seu peito. Sabia que Sasuke não estaria lá – afinal, estava com o moreno até o dia anterior –. Ainda assim, foi estranho.

Aplausos chegaram aos ouvidos do Uzumaki, que desviou o olhar para os companheiros. Hyuuga. Gaara, Sai, Chouji, Tenten… todos que aprendera a admirar comemoravam seu retorno. Com graça, Naruto removeu seu quepe e fez uma mesura, arrancando gargalhadas da maioria. Procurou por um garoto de cabelos escuros e olhos enormes, portador de uma monocelha, mas então a verdade atingiu seu estômago com uma pancada. Lee estava morto, era impossível que o recepcionasse naquele momento.

A mesura perdeu a graça, e as risadas pareceram um pouco falsas. Naruto recuperou-se e todos os outros vieram apertar suas mãos e parabenizá-lo por ter conseguido seus documentos de volta – todos achavam que havia sido um simples roubo de identidade. Poucos sabiam o que realmente acontecia em sua vida.

Gaara aproximou-se quando já estava sozinho. Naruto sentou-se em sua mesa; sentira falta dela.

— Como Sasuke está?

O Uzumaki deu de ombros.

— Não é como se ele falasse comigo sobre essas coisas. Acho que está bem. Não aparenta outra coisa, ao menos.

O ruivo assentiu com a cabeça e escorou-se na mesa de Naruto. Não sabia se falava ou não o que queria falar. Estava entalado em sua garganta, mas não era realmente de seu interesse. Como Sasuke pedira, era melhor ficar longe da vida sexual dele.

— E como está Ino? Aya comentou que ela está grávida.

— Sim, sim. Ela está bem. Ansiosa com o bebê, mas ainda não sabemos o sexo. Acho que vamos conseguir descobrir em breve.

— Legal. Você vai ser um bom pai.

Gaara assentiu com a cabeça. Achava que Naruto já sabia o que ele fazia ali e apenas tentava desconversar. Fazia sentido, visto que a conversa seria desconfortável.

— Naruto, eu sei o que aconteceu na casa de praia.

Todo o sangue de Naruto foi para seu rosto, que parecia incendiar. O loiro engasgou com sua saliva e concentrou-se no computador. Digitava palavras aleatórias em uma página em branco do Bloco de Notas apenas para fingir que trabalhava.

— Não sei do que você está falando, não, eu não sei. Acho que eu tenho trabalho aqui, sabe? Acumulou e… cê sabe, não tá dando pra dar conta aqui, né?

— Naruto, não é como se eu não soubesse que isso aconteceria eventualmente.

Gaara teria revirado os olhos se fosse qualquer outro, porém apenas manteve-se com um sorrisinho de canto. Naruto ficou ainda mais constrangido, além de surpreso.

— Como assim?!

— Vocês estavam se comendo com os olhos. Sério. Era constrangedor chegar perto.

Naruto coçou sua nuca, constrangido. Aquela conversa era tão estranha…

— Eu… – Porém não havia o que dizer.

Naruto simplesmente ficou ali, coçando a cabeça com seu rosto vermelho. Era tão incrivelmente constrangedor. Gaara estava achando a conversa estranhamente divertida. Talvez fosse levemente sádico e gostasse de ver o desconcerto do outro.

— Você o ama?

Naruto quase caiu da cadeira depois daquilo. Nunca tivera uma conversa longa ou profunda com Gaara, como ele podia simplesmente aparecer em sua mesa e fazer aquelas perguntas logo em seu primeiro dia de volta ao trabalho?!

— Não! Quer dizer, eu… é… a gente tá… Ai, Gaara, que pergunta é essa? Não é assim… Sasuke não se sente assim.

O Sabaku suspirou, compreendendo toda a situação. Sabia que Sasuke não era assim, conhecia o moreno melhor do que Naruto – ao menos por enquanto –, entendia o que o moreno sentia. E, agora, também entendia Naruto.

— Então sim, você o ama.

O loiro desviou os olhos azuis do outro, querendo escapar da pergunta. Por que não conseguia simplesmente mentir e dizer que não? Por que não podia simplesmente ser como todas as outras pessoas e mentir descaradamente? Talvez fossem aqueles olhos verdes e penetrantes. Provavelmente eram. Mentir para eles era quase impossível.

— Isso é perigoso, sabe?

— Eu sei, Gaara. Acha que eu não sei? Me diz como fazer isso sumir e eu faço.

— Não tem como fazer sumir. Sasuke sabe?

Naruto negou com a cabeça. Não conseguira falar ainda. Não conseguira parar aquela viciante rotina de sexo que estavam criando. Sentia-se horrível depois – porque Sasuke simplesmente ia embora e o deixava sozinho na cama, ou no sofá, ou no banheiro –, um completo lixo, mas não conseguia simplesmente parar.

Desejava-o tanto! Sentia-se tão desejado nos braços de Sasuke! Sabia que não era amor, mas aquilo talvez funcionasse para eles.

— Ele precisa saber.

— Por quê?

— Porque ele vai se acostumar assim e a relação de vocês nunca vai evoluir se você não parar de transar com ele sempre que aquele idiota quiser.

Naruto revirou os olhos.

— Fala isso porque não é em você que ele fica esfregando aquela bunda perfeita.

Silêncio. Um silêncio extremamente constrangedor. Gaara pigarreou, levemente enrubescido, e Naruto também ficou vermelho. Aquela situação era constrangedora, para dizer o mínimo. Naruto e sua maldita boca grande!

— Erm… hm…

— Então… tirando esse detalhe, você não pode deixar Sasuke tão no controle.

— Eu sei…

— É sério. Ou vai acontecer com você o mesmo que aconteceu com Suigetsu e Juugo.

O loiro olhou para o lado, incomodado.

— Então ele realmente transou com o Suigetsu.

— Sim, e não foi há muito tempo atrás. Sasuke se cansa e joga fora. Sempre foi assim e sempre vai ser. Se você continuar com isso, vai se magoar muito.

— Por que você se importa?

Gaara parou para pensar por um momento.

— Eu gosto de você. Você é bom pros meus afilhados e é bom pro Sasuke também. Eu realmente não quero te ver fora da vida deles. Seria catastrófico para todos os três. Aya principalmente.

Naruto sorriu ao ouvi-lo falar dela. Ele a amava tanto! A ela e a Naoto. Eles faziam parte de seu mundinho agora. Não conseguia mais se imaginar longe daqueles dois.

— Não vou sair da vida deles. Sasuke prometeu que não me afastaria, independente do que acontecer.

Gaara pareceu receoso.

— Erm, Naruto…

— Hm?

— Não é como se Sasuke nunca tivesse mentido antes. Cuidado com essas coisas que ele te promete.

Naruto sentiu-se desconfortável com o aviso. Seria verdade? Suspirou. Independente de ser verdade ou não, era preciso acabar com aquilo de uma vez. Sexo sem compromisso era bom até os sentimentos começarem a se misturar. Depois, era como comer doce quando se está de dieta. Bom na hora, mas não deixa nada além de culpa e arrependimento.

–-//--//--//--//--//

Naruto gostava de Sai. Ficaram a tarde inteira patrulhando a cidade, e foi bom. O homem concordara em deixá-lo perto do XV Beacon – apesar de não saber que estava fazendo isso – assim que o expediente deles acabara. O Uzumaki realmente precisava voltar a dirigir – porém se reacostumara ao metrô e era difícil perder o hábito –.

Subiu devagar, pensando nas palavras que usaria ao terminar com Sasuke. Não que eles tivessem algo realmente, mas, de certa forma, estavam terminando.

“Sasuke, eu te amo e, apesar de querer transar com você o tempo todo, eu também quero amor e carinho”.

Meloso demais.

“Sasuke, somos almas gêmeas! Fique comigo ou eu tô fora”.

Dramático demais.

“Sasuke, é o seguinte: ou você assume, ou sem sexo pra você”.

Chantagista demais.

Quando a porta abriu e Naruto entrou no quarto, mil ideias haviam passado pela sua cabeça e nem mesmo uma era boa. Suspirou, aceitando o destino como ele era. Teria que ser no improviso, como normalmente era.

Encontrou Aya e Naoto dormindo contra o peito do Uchiha, que olhava a um filme qualquer que passava na televisão. Era um milagre não encontrá-lo trabalhando. Um sorriso malicioso se formou nos lábios do Uchiha quando este o viu. Saiu da cama – com cuidado para não acordar os pequenos – e aproximou-se de Naruto com um sorriso levemente malicioso.

Quando ia tocar seus lábios nos dele, o Uzumaki o parou – Naruto sabia que desistiria se deixasse Sasuke tocá-lo –.

— Precisamos conversar.

O tom sério, tão incomum a ele, fez Sasuke caminhar com Naruto até outra sala.

— O que foi? É James de novo?

O nome trouxe aquela dor que sempre trazia. Será que, algum dia, seria menos doloroso falar dele?

— Não, Emi não me deixa vê-lo.

— Aquela mulher é…

— Shiu. Não fala nada, ok? Eu… não quero falar sobre isso.

Era desconfortável ouvir Sasuke xingá-la. Apesar de tudo o que Emi já fizera, Naruto não gostava quando falavam coisas ruins a respeito dela. Apesar dos pesares, Emi fora sua companheira durante muito tempo e, querendo ou não, ela estivera lá quando ele mais precisara. Haviam criado um garoto juntos – mesmo que por poucos meses –, e Naruto ainda nutria um carinho muito grande por ela. Provavelmente sempre nutriria.

— Ok. O que foi então?

Naruto respirou fundo. Era agora, o momento da verdade. Não podia mais escapar.

— Lembra o que a gente combinou? Sobre não se apaixonar e tal?

Sasuke colocou sua máscara de indiferença assim que ouviu essas palavras. Aquilo só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto. Só porque estava gostando de ficar na presença de Naruto, o idiota tinha que se apaixonar?!

— Não sou idiota, não te amo enlouquecidamente, relaxa. Mas acho melhor pararmos com isso, pelo menos por um tempo. Só pra eu não confundir nada, você sabe.

— Uzumaki, eu…

Ouvir seu sobrenome fez os olhos azuis voltarem-se para os negros com uma raiva contida.

— Você não vai fazer isso. Pode ir tirando essa expressão de quem comeu e não gostou, porque eu sei que você gostou e muito.

Sasuke não conseguiu segurar o revirar de olhos com aquela frase. A máscara de indiferença caiu imediatamente, mesmo que o Uchiha não tenha percebido.

— Não to fazendo nada…

— Tá sim! Você não vai me afastar, nem vai me chamar de Uzumaki, nem vai começar com essas putices de ficar com cara de cu o tempo todo. Nananinanão. A gente só vai parar de transar, só isso. Eu ainda vou passar a maior parte do meu tempo aqui, e você ainda vai me ligar sempre que precisar sair correndo de algum lugar. Entendeu?

Sasuke sorriu cínico.

— Alguém está se achando muito mandão para um idiota apaixonado, não está?

O Uzumaki revirou os olhos.

— Já disse que não estou apaixonado ainda, idiota. Só não quero correr nenhum risco por enquanto.

Sasuke suspirou dramaticamente.

— Não posso te culpar. Acho que até eu me apaixonava se ficasse sempre tão perto de mim mesmo.

Naruto riu. Não conseguiu segurar, não com aquela expressão cômica e aquele jeito desleixado que o Uchiha utilizava. Aquilo era tão engraçado!

— Você consegue brincar?! Ai meu Deus, eu tinha que ter filmado isso. Uchiha Sasuke brincando comigo. É quase um milagre, Senhor!

O moreno revirou os olhos, e Naruto percebeu, de novo, como ele era bonito. Aquele rosto, aqueles lábios… aquela pele. Tudo nele chamava por Naruto. Era realmente bom enganar Sasuke. Já estava apaixonado há tempos.

— Então vamos simplesmente retornar à época em que ficávamos com tesão sempre que o outro entrava na sala? Sempre que nos víamos?

— Isso pode apimentar a relação – Naruto piscou, divertido.

Sasuke sorriu e puxou o loiro para um beijo. O Uzumaki se deixou levar, aproveitando o sabor dos lábios dele. Nunca havia sido assim. Nunca havia sido tão… quente. Não com outro.

— Só pra você não esquecer o que é bom.

— Acho que você queria lembrar, Uchiha.

–-//--//--//--//--//

Era recém terça-feira. Segundo dia de Naruto trabalhando. O Uzumaki não voltaria tão cedo – saíra logo pela manhã –, e Sasuke trabalhava naqueles números.

9:30 am 44482.22244.444

7:00 pm 777727777885533

Meia-noite 42.27772

Se cada número representasse um conjunto de letras, talvez pudessem chegar a algum lugar. Mas como saber quais letras eram representadas? E aqueles pontos ali no meio, serviam para quê?

— Tio Sasuke.

Sasuke olhou para baixo, sendo retirado de seus pensamentos pelo sobrinho. Naoto estendeu os braços, pedindo colo, e Sasuke escondeu as fotos dos corpos de Sasori e Deidara. As anotações podiam ser vistas – Naoto ainda não sabia ler –, mas as fotos não.

— Aya me empurrou da cama – resmungou ele, bocejando.

— Tem outra.

Ele negou com a cabeça, indicando que não queria mais dormir.

— Eu posso te ajudar?

Sasuke acariciou um dos joelhos dele, pensando em como aquilo era complicado. O que Naoto poderia fazer para ajudar a ele?

— Não, Nao. Não tem nada pra você fazer aqui.

— Papai dizia que era bom falar em voz alta. Quer que eu escute? Sempre gostei de ouvir ele falando sobre os casos.

Sasuke sorriu um pouco. Itachi fazia com Naoto o que ele fizera com Naruto. E, mesmo com o loiro, um policial treinado, o desabafo não servira de muita coisa.

— Já falei em voz alta, não adianta muito.

— Quê que aconteceu às nove e meia com o papai?

Sasuke piscou, confuso.

— Onde viu isso?

— No seu bilhete. Diz “nove e meia, Itachi”.

O coração de Sasuke falhou uma batida. Naoto havia acabado de decifrar o código que ele passara horas tentando entender?

— Naoto… você consegue entender esses números?

O menino assentiu com a cabeça.

— 44482.22244.444 significa “Itachi”. 6626668666 é “Naoto” e 29992 é “Aya”. Papai ensinou pra gente. Era como a gente fazia as nossas brincadeiras, sabe, tio? Quando a gente brincava de espião.

Sasuke nem respirava de tanta animação.

— Naoto, e os outros números?

— Ah, isso eu não sei. Eu decorei cada nome. Porque eu e a Aya ainda não sabemos ler, então nem adiantava papai ensinar. Mas acho que era algo com o telefone dele. Ele sempre precisava olhar pra escrever as coisas.

— Telefone?

— Uhum.

Sasuke pegou o celular que estava em seu bolso. Talvez uma chave no próprio celular, talvez…?

— Não, tio. Olha aqui.

Naoto pegou o celular de Sasuke e clicou no símbolo do telefone. Sasuke ficou encarando os números que apareciam na tela, com letras embaixo, e depois olhou para os números no papel. Clicando no quatro três vezes, a letra “I” seria formada. Uma vez no oito, a letra “T”. Uma vez no dois, a letra “A”. Três vezes no dois, a letra “C”.

Finalmente! Depois de tanto tempo, finalmente conseguia entender! Era um pouco constrangedor. O código era tão incrivelmente simples que chegava a ser ridículo ter demorado tanto tempo para compreendê-lo. E ele e Shikamaru ainda se chamavam de gênios…

Claro que não tivera muito tempo para focar nos números, uma vez que estava ocupado com outras coisas, assim como Shikamaru. E o Nara também estava trabalhando em um caso paralelo – porque ele nunca trabalhava em um caso só –, mas nada era desculpa para a demora. Sentia-se envergonhado por não ter descoberto antes, porém realmente esperava algo mais difícil.

Beijou a bochecha de Naoto três vezes, quase sem perceber que o fazia.

— Você é um gênio. Por isso que carrega o nome Uchiha.

Naoto riu, sem saber exatamente o porquê de receber o carinho inesperado, mas gostando muito dele.

O Uchiha ligou para Shikamaru enquanto decodificava os outros dois nomes. “Sasuke” era o segundo. Shikamaru atendeu e Sasuke ficou completamente pálido. Encarou o relógio de parede, vendo que marcava quatro horas da tarde.

— Sasuke?

Sasuke desligou antes de falar qualquer coisa. Havia outra pessoa que precisava bem mais de sua atenção naquele momento. Gaara atendeu no terceiro toque.

— O que f…

— Traz Ino pra cá agora. Eles estão indo atrás de você.

Naoto olhou assustado para o tio. Compreendera apenas que sua madrinha amada estava em perigo, nada além. Aquilo já era o suficiente para fazê-lo tremer. Aquele pesadelo não acabaria nunca?

–-//--//--//--//--//

Naruto segurava Naoto, que tinha o rosto escondido em seu pescoço. Ino segurava sua barriga, ainda pequena demais para que pudesse ser identificada como sendo de grávida, e Gaara abraçava a noiva pela cintura.

— Por que estão atrás de mim?

— Não sei. Decodificamos aqueles números, Itachi ensinara a Naoto como usá-los. Seu nome era o terceiro. Querem atacar à meia-noite, mas não sabemos ainda quando.

Ino agarrou a perna do ruivo, que acariciou carinhosamente as costas dela. Não podia morrer ainda, não sem antes conhecer seu filho. Tampouco podia permitir que sua loira fosse pega no meio de toda aquela confusão.

— Sasuke, o que vamos fazer?!

O Uchiha negou com a cabeça.

— Fiquem aqui. Se atacarem a casa de vocês, pelo menos não estarão lá.

— Tio Sasuke, eu não quero que ataquem o tio Gaara.

Aya fez uma expressão de choro e Gaara soltou Ino para segurar a menina em seu colo. Aya prendeu-se a ele como se o ruivo pudesse simplesmente desaparecer, e Ino juntou-se ao abraço apertado que se formara.

— Princesa, você não vai perder o tio Gaara. Tio Sasuke é um herói, tio Naru e tio Gaara também – Ino murmurou, querendo tranquilizá-la.

— Papai também era.

— Mas papai estava sozinho – Sasuke respondeu. – Não vai acontecer anda com Gaara.

Aya largou o padrinho e fez com que ele a colocasse no chão. Sasuke sabia que ela correria para si e já se abaixou para recebê-la. A verdade era que ninguém além de Sasuke conseguia acalmar os medos dela.

O telefone do Uchiha tocou. Sasuke atendeu sem delongas.

— Olá, Sasuke.

— Quem é você?

— Você me conhece. Orochimaru.

Sasuke colocou no viva-voz. Todo o seu ódio transparecia pelos seus olhos. Naoto apertou seu abraço contra o loiro, e Aya escondeu o rosto no pescoço do tio. Tremia.

— O que você quer, Orochimaru?

Tensão na sala.

— Bom, acho que você já sabe que estávamos querendo atacar seu amigo ruivo. Você compreende, não? Matar as pessoas que te rodeiam antes de te atacar de verdade. Mas acho que nós dois já nos prejudicamos o bastante.

Orochimaru sequer desconfiava o tempo que levaram para descobrir o significado dos números. Bom. Muito bom.

— Concordo. Onde quer me encontrar?

Aya contraiu-se em seu colo, claramente incomodada com a informação.

— Você sabe onde. Amanhã, sim? Você sabe a hora.

— Meia-noite.

— E qual seria um momento melhor para morrer?

Sasuke sorriu, cínico.

— Ainda bem que já sabe como isso vai acabar.

— Com o seu sangue nas minhas mãos, assim como o de Itachi. Depois será o loirinho, depois Aya e, por fim, Naoto. Ele é o mais parecido com Itachi, não é?

Aya soluçou. Ela conseguia visualizar sem dificuldades o que Orochimaru descrevia. E não conseguia se imaginar em um mundo sem seus tios ou Naoto. Sabia que sobreviveria – sobrevivera à morte de Itachi, não é mesmo? –, mas não sabia se gostaria de viver em um mundo sem eles. A resposta, é claro, era negativa.

— Filho da puta… você nunca, nunca, vai encostar na minha família, tá me ouvindo? Nunca!

Orochimaru riu malicioso.

— Você diz isso, mas eu já matei seu irmão.

— Eu nunca vou perdoá-lo por isso. Mas Aya e Naoto você não terá em hipótese alguma.

— Veremos, Uchiha. Prepare-se. E deixemos claro que, se levar qualquer um com você, mesmo Naruto, nós não teremos piedade. Quem estiver lá vai morrer como Itachi.

O telefone ficou mudo.

Notas finais
Olááá o// Então, os números finalmente foram revelados! E, no fim, a treta do Gaara nem vai mesmo acontecer. HUASHSUAHSHAS Tá, agora as tretas. Uma pessoa que lê Obsesso foi reclamar com outra pessoa sobre eu lamber muito alguns leitores na hora de responder comentários. O que me incomodou sobre isso, na real, foi que o(a) dito(a) cujo(a) nem se prestou a vir falar comigo, mas sim foi reclamar com outra pessoa. Meu bem, se o problema é comigo, fale co-mi-go! E quanto a lamber e ser puro amor com alguns (muitos) de vocês: Eu sou mesmo. Sou aqui, sou no spirit e sou em todos os lugares. Recebo comentários lindos, que fazem com que eu queira sempre continuar, então eu vou lamber todo mundo mesmo. Vou mimar, vou agradecer e vou mandar coração. Eu sou assim, eu tenho o número do whatsapp de alguns leitores e um deles, que nem lê mais a fic, mas, às vezes, vem futricar no comentários, é meu melhor amigo (sim, Pete, é tu u-u). Então sim, eu lambo todo mundo, converso com todo mundo e sou assim. Quem me manda comentários mais longos é mais mimado e é mais bajulado sim, porque os comentários me contam a reação de cada momento. Pra uma escritora, cês têm noção de como é maravilhoso saber que o coração de vocês acelerou em tal parte, ou que ficaram brancos de pavor em outras?! É incrível! Uma das melhores sensações do mundo. E sim, eu vou continuar dizendo que amei os comentários, que vocês me levam aos céus e vou continuar dedicando capítulos àqueles com quem converso mais. Acontece, é assim que as coisas funcionam. Então, se existe algum problema quanto a isso, se alguém não gosta de ser tratado assim, por favor, fale COMIGO. Resolva isso comigo e não fiquem incomodando quem gosta. Se não quer ler comentários melosos respondidos de forma mais melosa, não leia os comentários dos outros, simples. Enfim. A partir de hoje, tenham isso em mente: problemas com a minha fanfic, venham tratar CO-MI-GO, por favor. Eu adoro cada um que comenta (e desculpa ainda não ter respondido os comentários, mas eu to tentando), e adoro respondê-los. Não vou parar de fazer isso e vou continuar sendo como sempre fui. Também não quero ninguém xingando a pessoa que foi reclamar, porque cada um tem direito à sua opinião. Só quero passar essa mensagem: problemas com a fanfic, falem comigo e não com os outros. Obrigada e desculpa pelo textão AUSHUHSAUHUHAUH Bjs e teh + ^3^//