Obsesso
47 46. Olhos fechados
Notas iniciais
Naruto simplesmente não conseguia ficar parado. Aya e Naoto ficariam com Ino e Gaara naquela noite, e ele observava Sasuke arrumando as armas que escondia em seu corpo. Canivetes, armas de fogo, algemas… tudo de que pudesse precisar.
— Eu ainda acho que devia ir com você.
— Vamos fazer como foi planejado, ok? Eu vou mandar um sinal quando estiver precisando de ajuda.
Naruto revirou os olhos.
— Você é um egocêntrico psicótico! Nunca vai achar que tá precisando de ajuda.
Sasuke ergueu uma sobrancelha e deu de ombros.
— Naruto, pare de demonstrar seu amor por mim. É constrangedor.
O Uzumaki poderia ter se constrangido, mas ele sabia que era apenas uma tentativa de Sasuke para mudar o assunto. Em outros momentos provavelmente funcionaria, mas não naquele. Não podia simplesmente deixar o moreno ir. Seria… sentia como se um pedaço seu estivesse indo com ele.
— Cala a boca e me escuta. Acho que mais gente devia ir.
— Não, eu vou sozinho.
— Por que você é sempre tão teimoso?!
— Eu não sou teimoso, você é. Espere pelo meu sinal. Não sou idiota, ok? Eles são muitos.
— E se roubarem o seu relógio? E se a mensagem não vier pro meu celular?
— Shikamaru reprogramou meu relógio pra mensagem chegar no seu celular. Relaxa, Naruto. Tudo vai acabar hoje.
— Você tá quase cometendo suicídio, como eu vou relaxar?!
O Uzumaki andava de um lado para o outro. Neji apenas ouvia a discussão da porta, com Tenten ao seu lado. Era quase engraçado ver aquela cena. Sasuke dificilmente discutia com alguém, muito menos deixava que falassem consigo daquela forma. Estaria ele mantendo um relacionamento mais do que profissional com Naruto? Estariam eles… juntos?
A imagem era estranha à sua mente. Sasuke não era exatamente o tipo de homem que entrava em relacionamentos com homens que conhecia há dois meses. Abraçou a cintura de Tenten, que apoiou a cabeça em seu peito.
— Não estou cometendo suicídio, usuratonkachi. Eu vou simplesmente matar Orochimaru hoje.
— Tem certeza de que vai ser no lugar em que o Itachi foi morto? – Shikamaru resolveu intervir.
Sasuke assentiu com a cabeça.
— Tenho. É o perfeito lugar pra isso acabar.
— Ele morreu na rua.
Sasuke deu de ombros.
— Será naquela rua.
Naruto ainda estava nervoso, andando de um lado para o outro, incomodado. Sasuke sentiu-se quente ao ver aquilo. Desde a morte de Itachi, ninguém realmente preocupara-se consigo como ele estava fazendo. Mesmo que Sasuke jamais fosse admitir, ele estava muito grato por tudo o que Naruto já fizera por si.
— Eu vou ficar bem. Fiquem preparados para o meu aviso.
Sasuke estava pronto. Olhou para cada um dos que estava ali – Naruto, Gaara, Ino, Neji, Tenten, Shikamaru e Chouji – e sentiu uma certa afeição por eles. Seus olhos pararam, por último, em Aya e Naoto. Estavam ao lado de Gaara e Ino, assustados com tudo aquilo. O Uchiha abaixou-se e os pequenos correram para os braços dele. Aya chorava. Naoto tentava não chorar.
— Promete que volta? – perguntou o pequeno.
Aya simplesmente sentia aquele medo irracional e sem sentido. Não sabia para onde o tio estava indo, só sentia que era a última vez que o veria – e aquilo a apavorava mais do que qualquer sentimento fora capaz de apavorar –. Naoto era mais inteligente. Ele sabia que o tio estava indo se encontrar com os homens maus que mataram seu papai – e isso apenas aumentava mais seu medo –.
— Prometo.
Ficaram naquele abraço apertado mais um pouco e, então, Sasuke soltou-se deles e caminhou até a saída. Fechou a porta após passar por ela.
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Sasuke sentia sua cabeça doer. Lembrava-se de chegar ao ponto de encontro à meia-noite em ponto. Lembrava-se das ruas iluminadas pelas lâmpadas e de uma picada realmente incômoda em sua nuca. Mas, além disso, era tudo negro. Piscou os olhos, confuso. Seus pulsos estavam presos, amarrados atrás de seu corpo. Estava sentado em uma cadeira de aço, mas todas as bordas eram arredondadas, portanto não havia lugar para cortar a corda.
Respirou fundo, tentando manter a calma. Procurou seu relógio com as mãos, porém não havia nada em seus pulsos.
— Procurando seu relógio, Sasuke?
Uma luz foi ligada. Sasuke fechou os olhos, incomodado, mas fez o possível para acostumá-los à claridade.
— Seu irmão tinha um desses também. Mas, quando eu tentei fazer com que ele te chamasse, ele quebrou o dele. Triste, não?
O coração de Sasuke falou uma batida. Dois meses e nem sequer pensara em checar o relógio de Itachi? Nem sequer pensara em ver se ele estava quebrado ou não? Quis dar um tapa em sua própria cara, porém o momento era inoportuno.
— Não vai falar? Mas eu esperei tanto por esse momento!
Orochimaru sorria. Sua língua anormalmente grande molhou os lábios secos.
— Sabe, eu pensei que você seria mais difícil. Seu irmão foi quase impossível.
Aquilo fez Sasuke remexer-se na cadeira, desconfortável. Precisava dar um soco bem dado naquela cara sínica e estúpida dele. Precisava descarregar sua dor e sua frustração naquele estúpido psicopata.
— Mas parece tão calminho, Sasuke… está assim tão ansioso pra morrer?
Orochimaru acariciou o rosto delicado. Sasuke deixou que o homem o tocasse por alguns segundos. Quando sentiu que a mão dele estava suficientemente próxima, virou o rosto e o mordeu o mais forte que conseguiu. Quase arrancou um pedaço da mão do energúmeno.
— Ai, Sasuke. Assim dói!
Orochimaru sorriu malicioso e lambeu o sangue que escorria pela sua pele.
— Ele morde, você viu, Zetsu?
Uma risada foi ouvida das sombras, mas ninguém se moveu. Zetsu ficou apenas encarando a cena com um sorriso macabro no rosto, porém nada disse.
— Sobraram tão poucos aqui comigo, Sasuke. Só Hidan e Kakuzu, praticamente. Tudo culpa sua, que matou Deidara, Sasori e Kisame. Eram bons membros, sabe?
Sasuke não respondeu. Seu pulso começava a doer pelo movimento contínuo, porém guardara um canivete dentro da manga de seu casaco. Se conseguisse alcançá-lo…
— Procurando sua faquinha?
Orochimaru balançou três canivetes, todos os que o Uchiha tinha escondido.
— Você veio preparado, preciso admitir. Mas realmente achou que conseguiria algo contra mim, Sasuke? Ou essa é só uma razão pra poder morrer sem sentir culpa por abandonar seus sobrinhos?
Orochimaru não voltou a tocá-lo. Sasuke não respondeu; àquele tipo de provocação, simplesmente deveria ficar calado. O mais velho parecia gostar daquele autocontrole, daquela tentativa de não morder o que era uma isca óbvia.
— Itachi ficaria tão decepcionado… ele tinha tanta fé em você. Bom, acho que é melhor eu mostrar, não é mesmo? Dizem sempre que uma imagem vale mais do que mil palavras, não dizem?
Orochimaru apertou um botão e uma televisão enorme foi ligada. Nela, Itachi estava exatamente na mesma posição que Sasuke. A única diferença era que seu irmão estava sendo torturado. A máscara de indiferença caiu sobre o rosto de Sasuke como se nunca houvesse saído dali. Ele não podia permitir que seus inimigos vissem o quanto aquilo o afetava.
— Bom, você sabe por que eu te odeio.
— Meu papai matou seu papai. Tão infantil, Orochimaru.
Um soco no estômago. Então aquela fora a “briga” que seu irmão enfrentara. Fazia mais sentido do que supor que David Reew era capaz de lutar contra alguém como seu irmão.
— Meu pai era um gênio! O seu simplesmente o matou por achar que ele vendia drogas.
— Seu pai estava vendendo algo que ainda não sabemos o que é para crianças de doze anos. Tentou fugir quando meu pai o mandou parar. Não era como se ele tivesse muitas escolhas.
Orochimaru riu alto, como se Itachi tivesse acabado de contar a melhor piada do universo.
— Meu pai era professor! Ele tinha um bom coração, jamais venderia para crianças. E, se vendesse, era apenas para recreação. Ele era um homem decente, e seu pai o arrancou de mim.
Itachi cuspiu sangue antes de falar com um sorriso.
— Pelo menos morreu antes que você entrasse na adolescência. Aposto que foi um adolescente terrível, Orochimaru.
Aquilo desencadeou mais uma onda de raiva no líder. Com um chute dessa vez, Orochimaru fez o Uchiha cuspir mais sangue.
— Chame seu irmão e pare de me incomodar.
Itachi riu.
— Chamar Sasuke? Sabendo que isso é absolutamente tudo o que você quer? Nunca.
— Eu posso chamá-lo por você.
Itachi começou a bater seu braço contra a cadeira. Sangue escorreu, mas o Uchiha continuou batendo até Orochimaru forçá-lo a parar.
— IDIOTA! VOCÊ QUEBROU O RELÓGIO!
— Você nunca terá meu irmão.
O tom fora sério, definitivo.
Orochimaru travou o vídeo e voltou-se para Sasuke com um sorriso.
— Lindo, não? Se ele soubesse que, dois meses depois você estaria aqui, exatamente no mesmo lugar que ele, do jeitinho que eu falei que seria…
Sasuke não respondeu ou deixou transparecer o quão perturbado estava. Itachi acabara de destruir sua única chance de fuga para que ele, Sasuke, não ficasse em perigo.
— Ah, que coisa linda! Quer dizer que você é apaixonado pelo maninho, hm?
Itachi relaxou na cadeira, finalmente desistindo de se soltar.
— Eu sou o irmão mais velho, devo ir primeiro de qualquer forma. Além disso, Sasuke não pode morrer ainda. Ele tem meus filhos para cuidar.
Orochimaru voltou a rir alto. Era como se ele estivesse em uma comédia.
— Acha mesmo que Sasuke vai ficar com os pirralhos? Ele vai mandá-los a um orfanato, e então nós os mataremos. Não dou nem mesmo uma semana de vida àquelas desgraças.
— Nunca fale assim dos meus filhos.
Itachi mantinha os olhos estritos, firmes. Não vacilava ou se deixava levar pelo medo – Sasuke sabia que ele estava apavorado, apesar de não demonstrar –, diferente de qualquer outro. Quase ninguém aguentaria estar no lugar em que Itachi estava naquele momento.
— Batam nele. Não no rosto, quero que Sasuke o identifique. Façam parecer uma briga de rua, se for o caso.
Orochimaru saiu e Deidara aproximou-se com um sorriso malicioso. Lambeu a bochecha de Itachi, que desviou o rosto da língua dele.
— Deidara…
— Você nos traiu, meu bem. É uma pena termos que desperdiçar seu corpo…
— Daria uma ótima marionete – brincou Sasori, acariciando os ombros de Itachi. O ruivo abaixou-se e sussurrou algo no ouvido dele que Sasuke não conseguiu ouvir, mas deixou os olhos de Itachi cheios de raiva.
— Vocês não vão violar meu corpo.
Sasori acabou negando com a cabeça.
— Precisamos te devolver pro seu irmãozinho.
Deidara chutou as pernas de Itachi, que não demonstrou qualquer reação. O Uchiha sempre fora bom naquilo de ficar quieto quando queria gritar.
— Últimas palavras?
— Não preciso. Sasuke sabe o que precisa saber.
Por um segundo, Itachi olhou direto para a câmera e sorriu.
Sasuke nem percebia que seus pulsos sangravam, apenas tentava sair daquela maldita cadeira para… nem mesmo ele sabia para o que queria sair da cadeira, só queria. Aquilo acontecera há muito tempo e nada mais poderia ser feito, mas tentava se soltar de qualquer maneira.
Queria chorar, queria fazê-los parar, mas não conseguia nem um dos dois.
— Acho que é hora de trazer seu amiguinho loiro para a nossa festa, não?
Orochimaru sorriu malicioso e apertou o botão. Sasuke encarou o relógio com ódio de sua própria impotência. Achara que tinha tudo muito bem planejado, que já sabia o que podia e o que não podia acontecer, porém via-se completamente enganado.
Barulhos no telão voltaram a captar a atenção Uchiha.
Itachi foi jogado na rua em que fora encontrado ainda com as cordas ao redor de seu pulso. Ajoelharam-no e Deidara segurava a arma. Talvez fosse impressão, talvez não, mas o loiro parecia tremer. Orochimaru pegou o revólver da mão de Deidara, que nada fez além de se afastar. Orochimaru sorria.
— Últimas palavras, Itachi-kun?
— Te vejo no inferno, vadia.
O tiro fez Sasuke pular na cadeira. Quis chorar. Quis chorar muito. Acabara de ver… o filho da puta filmara…! Não chorou. Não daria aquela alegria a uma cobra peçonhenta que não fazia nada além de estragar a paz dos outros.
Não soube exatamente como conseguiu não chorar ao assistir ao vídeo. Talvez por tentar não vê-lo de verdade, mas sim apenas manter seus olhos sobre ele. Não queria focar-se na forma como seu irmão morrera, mas as palavras dele estavam gravadas a ferro em sua mente. Itachi o defendera até o fim e protegera-o com sua vida. Mesmo morto, o desgraçado conseguia mostrar que era melhor do que Sasuke conseguiria ser um dia
— E então, Sasuke-kun? Ansioso pra ver eu matando seu loirinho?
— Naruto não é nada meu, por que essa fixação nele?
— Eu acho que você gosta dele.
Sasuke franziu o cenho, desconvencido. Não achava que Naruto fosse assim tão importante. Claro que estava acostumado à presença do loiro, porém, realmente, não era algo assim tão intenso, certo?
— Não da forma como você está pensando.
Orochimaru sorriu um pouquinho mais.
— Tenho a leve impressão de que sua ideia vai mudar assim que eu conseguir colocar uma bala no coração dele.
Sasuke voltou a tentar se soltar, mas não conseguiu. Era simplesmente impossível! E aquela merda de cadeira com bordas arredondadas não tinha uma porcaria de lugar para conseguir rasgar a corda; nem prego solto, nem ferrugem.
— Ele não vai vir.
Um desespero começou a surgir no peito de Sasuke, que tentou ignorar o sentimento. Naruto estava vindo direto para uma armadilha, e sequer sabia daquilo!
Seus pulsos sangravam, seus olhos estavam marejados e alguém acabaram de chutar seu estômago – Hidan, talvez –. Sasuke só queria uma arma. Uma arma e acabaria com tudo aquilo.
Barulho. Passos pelo corredor. Sasuke sentiu vontade de gritar, mas Orochimaru colocou um pano em sua boca. O Uchiha passou a fazer mímica, querendo que os policiais que chegassem compreendessem o que acontecia. Naruto, é claro, foi o primeiro a aparecer: espalhafatoso e barulhento como sempre.
— EU VOU TE JOGAR NO CHÃO E PISAR EM CIMA SE VOCÊ NÃO SAIR DE PERTO DELE!
Orochimaru soltou sua típica risada soberba. Depois começou a atirar. Naruto escondeu-se atrás de um dos pilares de sustentação, que ficou marcado pelas balas do revólver que o atingiu.
— Vai mesmo, é? E por que não sai das sombras, loirinho? Medo?
Naruto, com raiva, voltou-se para o moreno.
— E por que você não chega mais perto, hein? Medo?
Sasuke continuava se remexendo, tentando soltar suas mãos daquelas amarras, mas era simplesmente impossível! Tudo o que conseguiu foi cair com a cadeira. Se ao menos fossem algemas, talvez conseguisse se soltar.
Uma mão cobriu a de Sasuke, que começou a se debater ainda mais.
— Fica quieto, porra. Sou eu – Neji sussurrou, baixinho demais para que Orochimaru o ouvisse.
Naruto fora a isca para que Neji conseguisse chegar a Sasuke. O Hyuuga cortou a corda e o Uchiha tirou o pano de sua boca.
— Tem mais deles! Mais três.
Imediatamente Neji virou-se, procurando por alguém que tentasse acertá-lo pelas costas. Hidan corria silenciosamente em direção a eles, com uma arma apontada. Os dois conseguiram correr e se esconder atrás de um dos pilares de concreto.
— Quantos são?
— Quatro, pelo que eu saiba. Era uma armadilha, foi Orochimaru quem chamou vocês.
— Esse foi o erro dele.
Uma bala passou tão perto deles que Neji perdeu alguns fios de cabelo. Olharam assustados para trás, mas viram apenas Naruto sorrindo e acenando. Voltaram a olhar para frente, para onde o loiro apontava freneticamente, e viram Kakuzu com o braço sangrando. Sasuke pegou a arma que Neji lhe estendia e atirou na cabeça dele, entre os olhos. Poderia ter atirado nas pernas ou em algum ponto não-letal da barriga, porém não queria correr nenhum risco. Era preferível matá-lo agora a se arrepender depois por não tê-lo feito.
— Faltam três.
Neji assentiu com a cabeça, sem se perturbar com a imagem de Sasuke matando Kakuzu a sangue-frio. Com Mukade fora pior, e com outros fora pior do que com Mukade.
Naruto saiu de seu esconderijo para atirar, mas acabou não conseguindo acertar ninguém. Por questão de segurança, resolveu voltar para onde estava anteriormente. Olhou Sasuke e Neji discutindo do outro lado. Era melhor que eles tivessem um bom plano.
— Naruto, o que tá acontecendo aí?
A voz de Shikamaru no ouvido do loiro fê-lo perceber que estava com os comunicadores que o Nara havia preparado para eles. Apertou em um botãozinho no aparelho em seu ouvido.
— Sasuke está com a gente, mas tem três deles aqui. O que a gente faz?
— Vou ver se consigo uma rota de fuga alternativa.
— Sasuke não vai permitir. Ele quer acabar com isso hoje – Neji disse, também pelo comunicador.
Naruto olhou para o lado. O olhar que o Uchiha mandava era direto e inflexível. Não sairiam dali até aquela merda estar finalizada.
— Porra, então esperem. Tentem enrolá-los por mais tempo, vou enviar uma equipe da Swat aí pra dentro.
— Diga a eles que Sasuke quer matar Orochimaru, e que eles não devem atirar na gente – Neji novamente passou a mensagem.
— Diga a Sasuke para ele ir tomar no cu e ficar muito feliz por eu ter o contato da Swat. Se ele quer matar Orochimaru, então que faça isso logo.
— Eu to ouvido isso, não ele. Você sabe, né? Não precisa ficar nervosinho.
— Neji, cala a boca.
Uma risada irônica foi ouvida. Naruto percebeu que era a primeira vez que ouvia Neji rindo.
— Vamos atacar. Naruto, nos dê cobertura.
— Não, Neji, espera! – gritou Shikamaru.
Mas a chamada foi cortada. Naruto também desligou o seu comunicador e olhou para o lado. Neji e Sasuke preparavam-se para atirar. Naruto pegou seu revólver reserva e conferiu se tinha balas suficientes. Não eram muitas, mas teriam que servir.
O loiro começou a atirar e, assim que toda a atenção estava nele, Neji e Sasuke posicionaram-se. A cabeça de Zetsu ficou na mira do Uchiha.
— Faltam dois.
Aquela contagem estava deixando Neji realmente nervoso. O Hyuuga procurou Hidan com o olhar, mas não conseguia encontrá-lo. Naruto continuava atirando a esmo contra Orochimaru, tentando distrair o líder por tempo suficiente para que os outros dois pudessem fazer o que precisava ser feito.
Rastejando, Neji foi para o lado de onde as balas que tentavam acertar o Uzumaki vinham. Não era com Orochimaru que ele trocava tiros, mas sim com Hidan. Com um sorriso malicioso, atirou no peito do homem três vezes. Hidan nem soube de onde as balas vieram, tão preocupado estava com Naruto.
— Falta um.
Neji revirou os olhos ao perceber o que dissera, mas deu de ombros.
— Muito bem, Sasuke. Mas e agora, o que vai fazer?
Os tiros haviam parado, mas uma arma encostava na cabeça de Naruto. Orochimaru estava atrás dele, empunhando o revólver e sorrindo como se não estivesse sob a mira de duas armas.
— Solta ele, ou eu atiro.
— Não, você não vai. Eu estou morto de qualquer jeito, você sabe. Você matou meu time todo, e eu matei seu irmão. Não é como se você fosse permitir que eu saísse pela porta da frente.
Sasuke acabou sorrindo maliciosamente.
— Solte Naruto, e eu te dou uma morte rápida.
— Sabe, eu acho que é exatamente o contrário. Se eu atirar nele agora, então você vai ficar preocupado e vai me matar rápido. Se eu deixá-lo ir… bem, eu sei como você gosta de tortura.
Sasuke tentava, a todo custo, não perder a cabeça. Orochimaru tornava tudo muito difícil ao continuar com a arma contra a cabeça de Naruto. O loiro olhou para Sasuke e sorriu. Piscou para ele e agarrou a mão de Orochimaru, invertendo as posições sem demora.
— Sabia que não pode ficar assim tão perto ao ameaçar uma pessoa, não sabia? Inverter as posições é tão simples!
Orochimaru sorriu ainda mais.
— É claro que eu sei disso, loirinho burro.
Antes que Neji ou Sasuke pudessem pensar em algo, Orochimaru torceu a mão de Naruto e atirou no peito dele, mais próximo da barriga do que do coração. Naruto caiu devagar, mas foi Orochimaru quem morreu primeiro. Neji e Sasuke, ao mesmo tempo, como se fosse planejado, descarregaram as armas no peito e na cabeça dele. Sasuke deixou seu armamento cair e correu, assim como Neji. Naruto contorcia-se no chão, tentando parar o sangramento, mas sem conseguir. Sasuke colocou sua mão sobre o buraco de entrada e olhou para os risonhos olhos azuis.
— Não me diga… que você está preocupado.
A respiração vinha difícil para ele, e Sasuke sentiu lágrimas encherem seus olhos.
— Não se atreva a morrer, tá me ouvindo?
Naruto cuspiu um pouco de sangue, mas riu. A mão de Sasuke correu para a cabeça loira, que apoiou-se contra os dedos finos. Neji ligou novamente o comunicador em seu ouvido.
— Chama uma ambulância agora, Shikamaru.
— O que aconteceu?!
— CHAMA!
Shikamaru começou a fazer a ligação. Sasuke ainda pressionava o ferimento de Naruto, que fechava os olhos.
— Não dorme. Olha pra mim – mandou Sasuke.
— Vai remover a bala? Eu tirei uma de você também.
— Não estava perto de nenhum órgão importante.
Naruto riu um pouquinho mais.
— É, eu sei.
Sasuke balançou-o de leve ao perceber que o Uzumaki estava tentando fechar os olhos novamente.
— Eu disse pra não dormir.
— Relaxa, Sasuke. Eu não vou morrer sem ouvir você se declarar pra mim.
— Idiota.
— É sério. Como posso morrer sem te ouvir dizendo o quanto me ama? Não, eu espero mais um pouco.
Sasuke teria rido se a situação não o apavorasse tanto. Quando encontrara Itachi, ele já estava morto. Naruto não. Naruto estava morrendo, e Sasuke não podia fazer nada para salvá-lo.
— Você nunca vai me ouvir dizendo isso.
Naruto sorriu e estendeu sua mão ensanguentada, tentando tocar no rosto de Sasuke. Uma lágrima estava presa nos olhos dele e se libertou ao sentir o toque quente.
— Então não vou morrer tão cedo.
— É melhor não morrer mesmo. Aya e Naoto nunca me perdoariam.
Naruto sorriu.
— Eu amo eles. Não deixe que eles esqueçam isso, ok?
Algumas lágrimas começaram a escapar pelos olhos cerúleos. A dor sumia, era quase como se nem estivesse ali. Naruto sentia como se voasse, como se estivesse em um sonho. Sua cabeça estava tão pesada…
— Você vai dizer isso pra eles. Não se atreva a nos abandonar, ok?
O riso de Naruto foi mais alto.
— Eu sabia que você me amava. “Nos abandonar”, não “abandonar eles”.
— Cala a boca.
Naruto olhou naqueles olhos negros que sempre o encantaram e abriu aquele sorriso que Sasuke achava o mais lindo de todos. Aquele que fazia o mundo parar.
— É recíproco, teme.
E os olhos azuis se fecharam.
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