Obsesso
41 40. Hospital
Notas iniciais
Naruto abriu os olhos e sentiu Naoto abraçado ao seu corpo. Piscou, confuso, sentindo sua cabeça doer, e voltou a fechá-los. Passou seu braço ao redor do garotinho e acariciou os cabelos negros, sentindo o cheirinho de criança dele confortá-lo.
Naoto estava bem, e Aya também ficaria bem. Todos eles ficariam bem.
— Tio?
Os dois homens abriram os olhos ao ouvirem a voz feminina. Naoto continuou embalado no sono por mais alguns segundos. Mas tanto o loiro quando o moreno se sentaram, e logo o mais novo fazia o mesmo.
— Aya, estou aqui.
Sasuke arrancou alguns nos medicamentos que estavam em seus braços e tentou cambalear até a cama dela. O moreno tinha o braço apoiado em uma tipoia, porém, ainda assim, acariciou os cabelos negros com a outra mão. Ele nunca fora tão carinhoso antes.
— Você tá no hospital, little.
Naruto sorriu ao ouvir o apelido que sempre utilizava sair dos lábios de Sasuke. Ele o dizia bem.
— Por quê?
— Sofremos um acidente, lembra?
Aya negou com a cabeça, confusa. Apoiou a cabeça na mão do tio.
— Eu tive um sonho muito ruim, titio…
— Teve, é?
Ela assentiu com a cabeça.
— Sonhei que o papai tinha morrido. Chama ele pra mim?
Sasuke acariciou os cabelos macios e apoiou-se na beiradinha da cama. Desceu seu rosto até o topo da cabeça dela e a beijou na testa.
— Não foi sonho, little. Mas vai ficar tudo bem. Eu vou pegar quem fez isso com papai, e vou pegar quem fez isso com você.
Aya chorou, sentindo toda a desolação novamente. Não era a primeira vez que acreditava piamente que Itachi ainda vivia, porém a dor era sempre a mesma. Sua esperança destruída, sua vitalidade roubada, a depressão instalada.
Naruto também arrancou os tubos que estavam presos ao seu corpo e cambaleou até o lado dela. Pegou numa das mãozinhas e a beijou.
— Você não tem papai, mas tem eu e o tio Sasuke. E nós amamos muito você, my little. Você vai ficar bem.
Aya assentiu com a cabeça e chorou quando Naruto a beijou na bochecha. Naoto foi colocado na cama com ela e acomodou-se abraçadinho à irmã o melhor que pôde. Tomava todo o cuidado do mundo para não machucá-la.
— Pode dormir, maninha. Eu te acordo, lembra?
Aya sorriu e apoiou a cabeça no ombro do menininho.
— Eu te protejo.
Sasuke olhou para Naruto, que retribuiu o olhar. Naoto protegeria Aya, e Sasuke e Naruto protegeriam os dois.
O telefone do Uzumaki tocou. Ele olhou a tela e suspirou. Voltou à sua cama e deixou o telefone de lado.
— Quem é que não para de te ligar?
Naruto sorriu malicioso.
— Ciuminho, Uchiha?
O olhar de Sasuke indicava que aquele não era momento para brincadeiras. Naruto suspirou e atendeu ao telefone apenas para Sasuke parar de ficar tão curioso.
Mas aquilo não diminuiu a curiosidade do Uchiha. Conseguia perceber pela expressão de Naruto que o Uzumaki não estava bem. Mantinha um olhar frio e nada dizia, como se apenas estivesse esperando a pessoa do outro lado da linha calar a boca.
— Não. Eu não tenho paciência pra você hoje, ok? Eu…
Silêncio. Agora Naruto parecia ansioso por desligar o telefone e voltar ao momento delicado com Aya. A menina já dormia novamente, assim com Naoto. Apenas Sasuke ouvia sua conversa.
— Pare de metê-lo nessas coisas! James não tem nada a ver com isso, ok? Só…
Silêncio. Lágrimas presas, Sasuke sabia. Então era com tal pessoa que Naruto falara quando estivera destruído naquela tarde? Ficou curioso. Muito, muito curioso.
— Ok, ok. Eu passo aí em dois dias, ok? E então nós resolvemos o que você quiser. Eu não posso hoje. Estou no hospital, ok?
Silêncio.
— Ok, tchau.
Naruto desligou e ficou encarando o teto. Queria, desesperadamente, chorar até ficar sem lágrimas de novo. Controlou-se.
— Feliz? – perguntou a Sasuke, num misto de raiva, rancor e ódio.
Os sentimentos não eram direcionados a Sasuke, é claro. Todos pertenciam a Emi. Mas o Uzumaki não queria falar sobre aquilo agora.
— Não. Quem é?
Naruto riu. Uma risada tão morta que doeu nos ouvidos do Uchiha.
— Essa resposta é tão complicada…
Quem era Emi? Bom, era a garota que mais amara na vida, a mãe do menino que, por meses, criou como se fosse seu filho. Uma mulher que ainda desestabilizava todas as suas estruturas… aquela que ele acreditara ser o grande amor de sua vida.
Uma lágrima teimosa escorreu, mas Naruto não permitiu que outra a seguisse. Virou-se de costas, sentindo dor, mas a ignorando.
— Isso não é resposta.
Naruto suspirou e fechou os olhos.
— Estou exausto, eu acho que precisamos dormir.
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Assistiam, os quatro, a um desenho animado que Aya já vira mais de quinze vezes. Sasuke estava sem seus papéis de trabalho, que haviam sido confiscados por Gaara por “razões médicas”. Aparentemente, Sasuke precisava parar de trabalhar um pouco.
A porta foi aberta de supetão e todas as cabeças se viraram. Naruto ficou pálido, Sasuke franziu o cenho e pegou a arma que mantinha debaixo do travesseiro – um presente de Neji –.
— Naruto, querido! Eu fiquei apavorada quando você falou que estava no hospital, precisei usar todos os contatos que eu ainda tinha pra descobrir onde você estava.
Ele ficou paralisado de início. Não conseguiu falar nada até sentir o toque gelado da mão dela em seu rosto. Afastou-a delicadamente, querendo o máximo de distância possível entre eles.
— Meu bem, o que foi?
— Sai daqui… – sussurrou. Respirou fundo, reencontrando sua voz. – Sai daqui agora.
Emi acariciou os cabelos loiros com cuidado. Sasuke acariciou o cano da arma da mesma forma. Seria tão simples acertar a cabeça dela…
— Amor, não fala assim. Precisamos conversar, e eu estava preocupada com você.
Naruto riu. Era aquela risada horrorosa e seca, completamente contrária à risada animada que ele sempre tinha.
— Cinco anos pra se preocupar, hm? Realmente, Emi, com uma preocupação assim… eu estou melhor sozinho, sabe?
Ela remexeu em sua bolsa. Removeu de lá um anel de diamantes. Sasuke observou aquilo e não precisou de muito para compreender o que acontecera. Eles eram noivos. Ou haviam sido.
— Lembra disso aqui? Não significa mais nada pra você?
— Emi, por favor, esse não é o momento e nem o local. Precisamos falar em particular, ok?
Ela finalmente pareceu perceber que não estava sozinha. Os olhos negros de Aya a perfuravam. A menina chegara ao ponto de cruzar os braços e franzir as sobrancelhas. Naoto era mais discreto e ficara na dele, sem compreender realmente o que acontecia. Sasuke não demonstrava expressão facial alguma.
— Ah, eu entendi. Você tem uma nova família agora, não é? Aquele é seu marido? Vocês adotaram essas crianças? São seus filhos? É simples assim pra você, Naruto? Começar uma vida nova e esquecer a antiga?
— Emi, cala a boca! Sasuke é meu chefe, não meu marido.
— Sasuke… Uchiha Sasuke, hm? Você realmente sempre quis trabalhar com ele. Mas eu sei da sua bissexualidade, Naruto! Vai mesmo me dizer que eles não significam nada? Se fosse assim, por que estariam no mesmo quarto?
Naruto não podia ser assim tão cego. Ela estava jogando a bissexualidade dele sobre Sasuke como se aquilo fosse uma nova informação, como se fosse prejudicá-lo de alguma forma. Quis gritar a ela que já sabia muito bem que o loiro gostava de ambos os lados, mas era mais controlado do que aquilo. Sasuke sentou-se, fazendo com que Naoto deixasse a irmã para ir ajudá-lo.
— Ele é meu funcionário. O que você faz aqui? Não acho que tenha autorização.
— Tem policiais na porta, Emi, como conseguiu…?
— Eu disse a eles que sou sua esposa e mostrei uma foto nossa.
Naruto arregalou os olhos, irritado e confuso.
— VOCÊ FEZ O QUÊ?!
— Chegamos tão perto que realmente não acho que tenha feito…
— Tio Naru, você tem uma esposa? – Aya perguntou, verdadeiramente magoada. – Mas… eu achei que eu fosse a sua menininha.
Uma lágrima escorreu do olho dela. Naruto arrancou os frios e tubos que os médicos haviam recolocado para arrastar-se até ela. Não importava se Emi estava ou não ali.
— Mas é claro que você é a minha menininha, Aya. Ela não é minha esposa, só foi uma namorada há muito, muito tempo. Agora é uma amiga, só isso.
— Mas ela falou que é sua esposa…
— Ela se enganou. Você é a minha menininha.
— A única?
— A única.
Aya sorriu, contente, e Emi começou a chorar.
— Eu nunca devia ter vindo… você já substituiu James também, pelo que eu percebo.
Aquilo doeu. Doeu tanto que os olhos azuis se arregalaram e Sasuke remexeu na arma que repousava entre seus dedos. Aquela vadia… e Naruto se deixava manipular como um bonequinho. Quem seria James? Provavelmente uma criança, por ter sido comparado a Aya.
— Emi… nunca, nunca diga isso. Você sabe que é mentira.
— É? Porque ele vai morrer, e você não parece estar dando a mínima!
Aquilo fez Naruto voltar-se para ela.
— Do que você tá falando?!
— Ele tá doente.
— Mas eu o vi esses dias, de manhã…
Emi suspirou e limpou algumas das lágrimas que caíam.
— Voltávamos do médico. Ele precisa de uma cirurgia, mas eu não vou conseguir pagar. Acho que vou vender a casa, mas não sei como faremos com os remédios depois… se não morrer do coração, morre de fome.
— Ele nunca… eu não…
Naruto caiu no chão. James estava doente? Sentia todo o seu corpo mole, suas forças iam embora devagar. Era mais um pesadelo? Sasuke levantou-se, pronto para ajudar, arrancando todos os fios de seu corpo também.
— TIO NARU!
Aya também queria levantar, mas a perna dela não deixava. Naoto correu para o lado do loiro, mas Naruto levantou-se sozinho. Sasuke dava a volta na cama de Aya. Naoto agarrou o braço do tio e ficou segurando-o, como se, assim, pudesse impedir que Naruto caísse novamente.
— Sasuke, deite-se. Você não pode ficar caminhando, eu to bem, só… Quanto é essa cirurgia?
Sasuke o ignorou e continuou parado. Emi caminhou até o loiro e removeu delicadamente o apoio que Naoto oferecia. Apoiou Naruto e o ajudou a sentar-se na cama.
— O que foi, meu amor?
— Para de me chamar assim.
Ela acariciou o rosto pálido e sorriu de leve.
— E se ainda for verdade?
Naruto afastou a mão dela e acariciou os cabelos negros de Naoto, que o encarava com os olhos arregalados. Naruto segurou na mão do pequeno e brincou com os dedos dele. Naoto sorriu e apoiou a cabeça nas pernas do loiro ignorando completamente a presença de Emi. Sentia medo de que aquela mulher estranha fosse arrancar seu titio de si.
— Fale sobre essa tal cirurgia.
— Eu vou precisar de quinze mil, no mínimo. Mas jamais pediria isso a você, Naruto. James não é seu filho, afinal. Eu achei que você o amasse, mas… acho que você já tem problemas suficientes.
A ficha ainda não caíra para ele.
— Para com isso, Emi. Eu tenho umas economias, eu pago a cirurgia.
Sasuke poderia apontar que Naruto não tinha dinheiro algum e que ele não daria nem um centavo àquela nojenta, mas ficou quieto. Aquela conversa viria em outro momento. Sentou-se na cama de Aya.
— Não, Naruto.
— Não por você. Por James. Mas… eu quero vê-lo.
O pedido foi feito com tantas lágrimas presas naqueles olhos que Sasuke sentiu seu ódio aumentar. Não sabia por que estava tomando as dores do loiro para si, mas estava. E sentia raiva dele, por ser submisso daquela forma.
Naruto afastou um pouco Naoto de seu corpo e apontou para Sasuke com a cabeça. O menino franziu o cenho, confuso, mas fez como o Uzumaki queria. A verdade era que Naruto não queria os pequenos perto de Emi naquele momento. Não queria ninguém perto dela, como se a mulher pudesse arrancar aquelas crianças de si também. Não suportaria viver sem eles.
— Ele não pode agora, Naru. Está machucado, no hospital… acho que é melhor esperar.
Naruto riu.
— Você não conhece outra resposta? Eu pago, mas vou estar lá, com ele, em cada segundo. Em cada cirurgia, em cada recuperação. E você não vai dizer uma palavra.
— Não posso fazer isso. Ele não pode ficar com um estranho, Naruto.
— EU NÃO SOU UM ESTRANHO!
Aya encolheu-se na cama, assustada com o grito. Naruto virou-se de costas para os pequenos, envergonhado e irritado consigo mesmo. Sasuke segurou na mão dela e acomodou Naoto, que se escondeu em seu colo.
— Para ele, sim. Vai realmente deixar seu filho morrer por um capricho?
Aya arregalou os olhos, apavorada. Sasuke franziu o cenho, confuso. Filho? Desde quando Naruto era pai?
— Agora ele é meu filho? – perguntou Naruto, a voz embargada pelo choro e carregada de ironia.
— Sempre foi para você.
Naruto respirou. Tentou respirar. Não queria ter aquela conversa na frente dos seus pequenos, muito menos na frente de Sasuke. Não queria chorar tanto assim, não queria nada daquilo.
— Como estão meus… – Tsunade parou de falar no meio da frase.
Emi sorriu para ela.
— Tsunade!
A mulher imediatamente caminhou até Emi e a arrancou da cama de Naruto. Postou-se entre eles, cobrindo a vista que Emi tinha do loiro.
— Mas o que essa mulher tá fazendo aqui?! Não tem vergonha na cara não?!
— Baa-chan… – chamou Naruto.
A loiro virou-se para o loiro, reconhecendo aquela expressão no rosto dele.
— Ele estava bem! – apontou para Naruto. – Foi você chegar e, cinco minutos depois, ele tá um caco?! Quem você…
— Baa-chan, o James tá doente.
Tsunade parou. O coração dela falhou uma batida. James… então era por ele. Devia saber. Para Naruto, sempre seria por James.
— Você não tem um pingo de decência, tem? – perguntou a Emi. – O que o menino tem?
— Não importa. É uma doença do coração.
— Traga-o aqui. Amanhã. E fique bem longe desse quarto.
Emi cruzou os braços, decidida. Não perderia seu bebê apenas por Tsunade querer se meter em sua conversa com Naruto.
— Ele já tem médicos, obrigada.
— Emi, por favor – pediu Naruto –, aqui o cuidado vai ser melhor.
— Aqui você pode entrar na sala que quiser, né? Não, Naruto, eu não sou burra. Ele tem os médicos dele e são médicos muito bons.
— Você deve estar pagando uma fortuna. Eu faço de graça.
— Não, Tsunade.
— E quais são os sintomas dele? Tosse, secreção…?
— Esses e muitos outros.
— Tosse é pulmão, não coração. Deixe-me ver o menino.
— Nunca.
Sasuke não sabia direito o que acontecia ali, sabia apenas que Naruto não conseguia nem falar. Estava de costas para si, e Sasuke não ouvia nada vindo do canto dele, mas suspeitava de que o Uzumaki estivesse chorando.
— Sai daqui ou eu chamo a segurança.
— Pensa, ok, Naruto.
Ela tentou se aproximar dele, mas Tsunade não saiu do lugar.
— Você fica bem longe dele.
— Veremos.
Emi saiu da sala, e Tsunade removeu a pose defensiva. Os ombros relaxaram e toda a expressão durona desapareceu. Como espectadores de um drama, os Uchiha observaram a mulher correr até Naruto.
— O que ela queria? Dinheiro? Sua alma?
— Os dois – respondeu Sasuke. – Quer quinze mil.
Naruto poderia ter atirado em Sasuke naquele momento.
Tsunade negou com a cabeça.
— Você não vai dar esse dinheiro pra ela.
— Ele tem esse dinheiro?
— Eu tenho economias. E devo fazer o quê, deixar James morrer?!
— Eu cuido dele.
— Ela nunca vai permitir.
— Se ele realmente estivesse doente, ela permitiria.
— Eu não. Se fosse eu no lugar dela.
Tsunade revirou os olhos.
— Você nunca faria as coisas que aquela desgraçada fez. Eu ainda vou matar essa mulher, Naruto.
Naruto suspirou e sorriu um pouco. Acariciou a mão que Tsunade mantinha em sua perna e afastou as lágrimas que queriam escorrer.
— Não, não vai. Ela tá só protegendo o James, baa-chan. O dinheiro é dela, nós sabemos. Eu vou pagar. Só…
Ele respirou fundo. Aquilo tirava o Uchiha do sério. Naruto estava se deixando fazer de fantoche!
— Eu não vou te reembolsar – falou Sasuke. – Já disse que posso te dar o dinheiro que você quiser, quando quiser, mas não vou dar dinheiro pra ver você sendo chantageado.
Aquilo irritou Naruto de um jeito… era como se todas as pessoas soubessem sobre a vida dele, menos ele próprio. Era como se todos quisessem dar palpite, quisessem mandá-lo fazer as coisas, e aquilo o tirava do sério.
— Porra, Sasuke, você nem sabe o que tá acontecendo! Cala a boca e não se mete.
— Eu não preciso saber o que está acontecendo pra reconhecer uma chantagista quando eu vejo uma. Ela não é uma pessoa boa.
Naruto já ouvira aquilo. Era tudo tão confuso! Deixaria James morrer ou daria o dinheiro de que ele precisava? Cederia aos desejos de Emi, ou veria seu filhinho morrer por orgulho? Realmente não sentia como se tivesse escolha naquelas situações. Ou entregava o dinheiro, ou entregava o dinheiro. James não sofreria pelas ações de Emi. Naruto se negava a acreditar naquilo.
Seu coração começou a bater mais rápido e ele sentiu falta de ar. Queria chorar, mas não deixava as lágrimas escaparem, o que parecia pressionar sua cabeça e deixá-lo ainda mais desconfortável do que já estava.
— Naruto?
Ele não conseguiu responder. Tsunade correu até a máquina ao lado da cama dele e recolocou uma das agulhas que fora removida anteriormente. Depois acrescentou o conteúdo de uma seringa colorida.
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— Quem era essa mulher?
Naruto fora colocado para dormir por Tsunade, que acariciava os cabelos loiros dele. Ela olhou para Sasuke, depois para Aya e Naoto. O garotinho estava nos pés do Uzumaki, observando-o com atenção. Aya apenas olhava para ela, deixando toda a preocupação que sentia transparecer.
Tsunade suspirou.
— Naruto devia te contar, mas ele não vai fazer isso. É muito orgulhoso.
Sasuke esperou. A médica levantou-se e começou a olhar a perna de Aya.
— Ele começou a namorar Emi uns cinco anos atrás. Ela havia sido abandonada pelo namorado quando ele descobriu que estava grávida, e o avô de Naruto acabara de morrer. Eles estava unindo as dores, entende? Ela parecia incrível…
Sasuke esperou novamente. Nada transparecia em sua face.
— Ela tinha um filho. James tinha dois anos, só. Assim como aconteceu com os seus sobrinhos, o Naruto amou mais a criança do que a Emi. Ainda acho que ele amou James mais do que a própria mãe dele o amava. James o chamava de papai, até. Eles eram próximos…
Ela suspirou.
— Seis meses depois o tal namorado voltou. Levou menos de um dia para Naruto levar um pé na bunda e ser proibido de ver James de novo. Aquilo o destruiu. Ele tentou ir à casa dela, ligava quase todos os dias… ela nunca deixou, nem uma vez. Numa noite ele colocava James pra dormir, e depois nunca mais o viu. Não sei o que ela disse a James sobre o sumiço de Naruto, ou se disse qualquer coisa.
Sasuke sentiu raiva. Não sentia pena de Naruto porque não era de sua personalidade sentir aquilo. Se o Uzumaki realmente quisesse ver o garoto, então podia ter invadido a casa – sabia que ele conseguiria se quisesse –, ou ter ido buscá-lo na escolinha antes de a mãe chegar. Talvez, apenas para provocá-la, poderia ter ficado com o menino em frente à escola, exibindo para todos o quanto o garotinho amava mais a ele do que à mãe. Mas, é claro, essas eram coisas que Sasuke faria. Naruto era diferente. Naruto era… bom. E pessoas boas sempre sofriam.
— E agora ela simplesmente voltou?
— Nunca tinha pedido dinheiro a Naruto antes. Mas ela também não o deixaria vê-lo. Ela sabe que é questão de tempo até Naruto voltar a ser mais importante do que ela para o menino. Nem sei se ele está doente, mas é inteligente. Naruto faria qualquer coisa por ele, assim como ele também faria qualquer coisa pelos seus sobrinhos.
Sasuke sabia que era verdade. Vira com os próprios olhos a forma como Naruto deixara sua segurança de lado por Aya e Naoto. Imaginar que alguém pudesse querer tirar vantagem de sentimentos puros como aqueles deixavam-no irritado, mas o que mais o incomodava era saber que teria feito exatamente a mesma coisa se estivesse no lugar de Emi.
— Não faça isso com ele, ok, Sasuke? Não faça o que ela fez.
Aya entendeu sem dificuldades o que ela queria dizer. A garotinha já foi logo negando com a cabeça.
— O titio jamais ia separar a gente, moça Tsunade. Ele não é mau, né, tio Sasuke?
Sasuke olhou para ela e beijou a mãozinha que a menina tinha sobre as pernas.
— Não vou separar vocês.
Aya sorriu, como se sempre soubesse daquilo. Naoto era mais inteligente; achava que Sasuke havia acabado de tomar aquela decisão.
— Vocês todos precisam dormir. Amanhã já ganham alta.
Sasuke agradeceu com a cabeça e Tsunade saiu do quarto, mas não sem antes lançar um último olhar ao neto.
Sasuke suspirou. Estava tão cansado de ser impotente! Queria simplesmente fugir daquela situação, ir para algum lugar paradisíaco em que pudesse apenas relaxar. Um lugar sem a Akatsuki, ou mulheres chantagistas, ou o que fosse. Itachi sempre fugia para a casa de praia em momentos como esse.
Não sempre, mas nos últimos anos… os últimos anos… casa de praia… Pegou seu celular, sentindo os dedos tremerem de ansiedade.
— Shikamaru, eu acho que sei onde posso achar mais pistas.
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