Obsesso
42 41. Mentiras
Notas iniciais
Era tarde. James ardia em febre, e Naruto entrava em desespero. A porta da frente se abriu.
— Cheguei, meus amores! – gritou Emi, da sala.
Naruto correu até ela.
— James está ardendo em febre, eu vou levá-lo a Tsunade.
Emi foi até o loiro e o abraçou. Beijou a bochecha com barba por fazer e acariciou o rosto másculo.
— Ele está bem, Naruto. Deve ser uma cólica que passa daqui a pouquinho. Ir pro sereno da rua não vai ser bom pra ele. Além disso, Tsunade está em Boston. Até você chegar lá a febre já vai ter passado.
Ele negou com a cabeça.
— Ele já tá assim há muito tempo. Por favor, Emi, deixa eu levar o menino. Eu vou me sentir muito mais seguro.
Ela suspirou.
— Eu to cansada, Naruto. Trabalhei o dia todo, to com fome…
— Eu pago uma janta maravilhosa pra você. Comemos em Boston.
Ela suspirou e foi até o quarto. Acariciou os cabelos castanhos e beijou a testa febril.
— Tá doentinho, meu amor?
— Papai cuida.
Ela sorriu.
— Sim, meu bem. Papai cuida de você. Mamãe também cuida, viu?
Ela suspirou. O desespero de Naruto também era o seu.
— Vamos dar uma voltinha?
Ela o vestiu e voltou à sala. Lá, Naruto preparava uma mamadeira.
— Vamos, Naruto?
Ele abriu o sorriso mais lindo que existia e caminhou até ela. Beijou os lábios macios e depois estendeu os braços para pegar o garoto. Ele foi imediatamente.
— Vamos lá, garotão, vamos cuidar de você.
Naruto amava Emi por deixá-lo se preocupar tanto quanto se preocupava. Foram a Boston apenas para Tsunade entregar um antibiótico ao menino. A loira ficou paparicando o considerado bisneto até o casal voltar do jantar romântico ao qual Naruto resolvera levar Emi. A cada trinta minutos precisava responder às mensagens do loiro, que, preocupado, queria saber como estava o garoto.
Tsunade amava Naruto por aquilo. Ele preocupava-se sempre, independente de ser preciso se preocupar ou não. Ele seria o netinho de coração dela eternamente, com ou sem Jiraya por perto.
— Papai é um bobão preocupado, né, meu bem?
James dormia tranquilamente com a cabeça sobre as pernas dela. Ele não respondeu, mas Tsunade continuou com as carícias no couro cabeludo.
— É sim, é sim.
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Eles saíram do hospital direto para um outro hotel. Naruto dormiu o caminho inteiro e apenas acordou quando chegaram ao XV Beacon. O Uzumaki estava cansado demais para se impressionar com a recepção. Carregava Naoto, que dormia tranquilamente, e Gaara trazia Aya. Sasuke os registrou e subiram ao quinto andar. A suíte era tão impressionante quanto a outra, porém mais escura.
Mas haviam duas camas de casal daquela vez. Naruto colocou Naoto ao seu lado em uma delas e deitou-se. Dormia em menos de meio minuto. Estava exausto.
Sasuke observou Gaara colocar Aya na outra cama e depois sentaram-se no sofá que ficava em frente à televisão. O Uchiha preferia o Four Seasons, mas sabia que não poderia voltar para lá. Não depois do estrago que haviam feito.
— Repete – pediu o Uchiha.
Gaara suspirou.
— Zetsu fugiu. Não conseguimos interrogá-lo.
Sasuke manteve sua expressão cotidiana de tédio, mas, por dentro, contorcia-se de raiva. Como podia ter funcionários tão incompetentes? Não, não poderia chamar Gaara e Neji de incompetentes.
— E onde você e Neji estavam nesse momento?
— No hospital com você.
Sasuke respirou fundo.
— Nunca mais deixem a delegacia vulnerável – Sasuke não precisava Gaara dizendo que cortaria o salário dele caso não fosse obedecido. Não eram necessárias ameaças quando se tratava dele. – Mas isso não importa tanto agora. Eu e Naruto estamos saindo em uma semana. Quero só retirar os pontos primeiro. E arrumar as coisas por aqui. Ficaremos duas noites e três dias fora.
Gaara franziu o cenho. Aquilo não parecia bom.
— E pra onde vocês vão?
— Casa de praia. Itachi estava passando muito tempo lá nos últimos anos, então acho que vou achar alguma coisa. Não sei o que pode ou não ter por lá, por isso preciso que você fique com a Aya e com o Naoto.
Gaara assentiu com a cabeça.
— Você e Naruto sozinhos em uma casa de praia?
Sasuke teria revirado os olhos se fosse qualquer outra pessoa. Entretanto, apenas manteve o olhar fixo no sofá e deu de ombros.
— Nós vamos trabalhar apenas. Mas, se alguma coisa acontecer, o que eu duvido, nada muda. Ele não sente nenhum tipo de amor platônico por mim, e eu definitivamente não o amo. Se acontecer, ao menos a atração passa e tudo volta ao normal.
Gaara assentiu com a cabeça, interessado no assunto.
— E se a atração não passar? E se você quiser de novo?
— Eu nunca quero de novo.
— Nem com Suigetsu ou Juugo?
Sasuke deu de ombros.
— Eu quero sexo, eles podem oferecer. Não importa muito quem está embaixo, Gaara. Você sabe disso.
— E se Naruto for diferente?
Sasuke franziu o cenho.
— Por que seria?
— Você gosta dele.
Sasuke assentiu com a cabeça.
— Assim como também gosto de você. Não significa que você seja o amor da minha vida.
Gaara revirou os olhos.
— É diferente, e você sabe.
— Não vai acontecer, Gaara.
O Sabaku acabou desistindo. Não havia como argumentar com Uchiha Sasuke, não quando ele estava daquele jeito.
— Só pense nos seus sobrinhos antes de fazer qualquer coisa.
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Naruto não disse absolutamente nada sobre a invasão de Emi. Passou-se quinta-feira e eles arrumaram o hotel da forma como queriam. Sexta saíram para comprar roupas, porque todas as roupas que tinham haviam sido perdidas (Naruto passou em sua casa para pegar algumas peças). O Uzumaki não saiu do lado deles nem por um momento.
No sábado, os documentos de Naruto foram devolvidos oficialmente. O Uzumaki teve todas as acusações removidas de seu nome e suas contas bancárias foram descongeladas. Em comemoração, pagou um bolo para todos eles. Sasuke esperou, pacientemente, até domingo. Era de conhecimento geral que, na segunda-feira, Naruto iria ao banco fazer a transferência pedida por Emi. A mulher ligava todos os dias, o que tirava um pouquinho a paciência de Sasuke. Naruto nunca pôde falar com James.
Depois do almoço, Aya e Naoto deitaram-se para um cochilo. Naruto e Sasuke ficaram sozinhos em frente à televisão, que transmitia um noticiário qualquer.
— Naruto – chamou o Uchiha.
Naruto já sabia sobre o que aquilo seria. Não estava com vontade de ter aquela conversa.
— Acho que eu vou dormir também…
— Não, não vai. Vamos conversar.
O Uzumaki encolheu os ombros e ficou sentado no sofá sem encarar o diabo.
— Tsunade me contou sobre Emi. A Aya e a Naoto também.
— QUÊ?!
— Não grita, idiota.
— Como assim?!
Sasuke continuou a tentar fitar os olhos azuis, porém Naruto mantinha-se esquivo.
— Foi uma tática para eu não fazer o mesmo que ela fez. Funcionou, inclusive. Eu não vou afastar vocês.
Um suspiro foi ouvido. Naruto assentiu com a cabeça. Era como se o mundo inteiro saísse de suas costas.
— Eu liguei. Todos os dias, por um ano. Pedi pra falar com ele no aniversário, em qualquer dia. Queria um final de semana, um final de tarde, qualquer coisa. Ela nunca deixou. E agora ela diz que eu os abandonei pra ficar com você.
A ironia era tão grande, mas tão grande…! Se ao menos houvesse acontecido aquilo, então estaria tudo bem. Mas não acontecera. Nem mesmo estava com Sasuke! E, ainda assim, sentia-se o pior dos homens. Talvez devesse ter insistido por mais um ano, talvez…
— Não é sua culpa, espero que saiba disso. Ela estava apenas sendo egoísta. Eu teria feito o mesmo, o que é irritante, porque aquela mulher é nojenta.
Naruto negou com a cabeça.
— Emi só está desesperada. Ela quer o James bem e faria de tudo para ter isso. Ela ama o filho.
Sasuke não duvidava do amor dela pela criança, apenas continuava a acreditar que ela não era boa pessoa. E nutria um ódio secreto por ela. O quanto o Uzumaki o odiaria se ela aparecesse morta em alguns dias?
— Ela está arrancando dinheiro da gente.
— Da gente?
— Eu vou pagar os quinze mil. É o mínimo que posso fazer depois do que você fez por mim alguns dias atrás.
Naruto negou com a cabeça.
— Eu fiz por mim também. Você sabe que eu amo seus sobrinhos.
Sasuke assentiu com a cabeça.
— Eu sei. Isso me preocupa um pouco, mas eu sei.
— Não vou magoá-los.
— Eu sei disso, baka. Mas… tudo pode acontecer.
— Eu não quero que eles fiquem como James. Eu o vi esses dias. Ele… ele não sabia quem eu era.
“Foi esse o motivo do choro, então”. Finalmente Sasuke compreendia o porquê de Naruto ter estado tão desesperado naquela manhã. Ele vira o garotinho que considerava como a um filho e não fora reconhecido.
— Ele está enorme. Eu quase não o reconheci também.
Naruto apoiou a cabeça no sofá.
— Aya e Naoto não serão assim – Sasuke prometeu.
Naruto sorriu.
— Espero mesmo, Sasuke.
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Segunda-feira. Sasuke ia com Naruto ao banco – Gaara ficara no hotel com os pequenos –, e era o Uchiha a dirigir. Estavam quase na metade do caminho quando ele parou no acostamento.
— Que foi? – perguntou Naruto.
— Vamos à casa dela.
— QUÊ?!
— Só conferir que o menino está doente, só isso.
— Mas ele tá no hospital, não em casa.
— Melhor ainda. Podemos dar uma analisada na casa e ver como ele está.
— Sasuke, acho que não é uma boa ideia…
— O endereço, Naruto.
— É em Worcester, Sasuke.
— Uma hora não é tanto tempo. Anda, fala logo.
Depois de muita briga, Sasuke acabou vencendo – o que não poderia ser considerado realmente uma surpresa – e a dupla foi ao apartamento em que ela ainda vivia.
O lugar trazia tantas lembranças… arrombaram a porta sem dificuldades – passar pela portaria fora simples, Sasuke apenas mostrara seu distintivo –, e Naruto paralisou naquela sala.
Estava igual. À exceção das fotos, estava tudo igual. Mesma decoração, mesmos sofás, mesma televisão. Era como se o tempo tivesse parado naquele pedacinho de lugar. O Uzumaki guiou Sasuke até o quarto de James, que estava vazio como previsto.
— Parece que o menino tá mesmo no hospital, hm? Ninguém dorme nesse quarto há dias – murmurou Sasuke.
Em seu âmago, o Uchiha esperava que a mulher estivesse mentindo. Se assim fosse, as relações que Naruto mantinha com ela se encerrariam de vez e tudo ficaria bem. Mas James era o mais próximo que Naruto tinha de uma família, e Sasuke sabia que não se brinca com família.
— Sasuke, alguma coisa está errada.
— Por quê?
— A bombinha de asma dele tá aqui. Ele nunca sai de casa sem ela, ele não pode.
Naruto remexeu o objeto entre seus dedos. O Uchiha franziu o cenho, mas não achou aquilo tão estranho assim.
— Talvez ele esteja com uma reserva.
— Mas o ursinho tá na cama. Ele não vai a lugar algum sem o ursinho, Sasuke.
O Uchiha aproximou-se de Naruto e tocou no ombro dele. O Uzumaki voltou os olhos desesperados para Sasuke, em busca de uma explicação lógica e indolor.
— Naruto, ele já tem sete anos. Talvez não goste mais desse ursinho.
O Uzumaki assentiu e deixou a cabeça cair. Sasuke estava certo, é claro.
— Eu sou um estranho para ele, né?
— Não é sua culpa.
— Isso não muda nada.
Caminharam para fora do quarto. Naruto queria apenas ir embora, mas não conseguiu resistir. Entrou no quarto de Emi e olhou para a cama. Era nova. Sentiu-se estranho. Ainda recordava-se do colchão que ouvira as tantas promessas de amor que sussurrara no ouvido dela. Abriu a porta do armário. Apenas roupas femininas. Riu sem vontade. Ele os abandonara de novo, então. E, mesmo assim, Emi não fora procura-lo. O bastardo a abandonara pela segunda vez, e mesmo assim Emi não o considerava bom o suficiente para ficar com James.
A porta de entrada foi aberta. Sasuke tentou arrastar Naruto até a janela, mas o Uzumaki apenas negou com a cabeça e caminhou até a sala. Sasuke o seguiu, desconfortável. Encontraram Emi chorando.
— Emi?
— O que tá fazendo aqui?
Ela limpou as lágrimas rapidamente, como se não quisesse que eles as vissem. Ela observou Sasuke e lançou a ele o mais profundo olhar de ódio.
— Trouxe meu dinheiro?
— Sim… eu só queria saber se ele tá doente mesmo. Por isso viemos. Mas acho que ele tá no hospital, né?
— Passou já o dinheiro pra minha conta? Você disse que faria hoje.
— A cirurgia vai ser quando? Amanhã, hoje à noite?
— Você passou o dinheiro?!
Ela chorava. Naruto se aproximou, incomodado com a situação.
— Emi, eu vou passar, ok?
— EU QUERO AGORA! AGORA, NARUTO! EU QUERO MEU FILHO AGORA!
Naruto ficou confuso. Ele assentiu com a cabeça e pegou o celular, pronto para ligar para o banco, porém Sasuke segurou sua mão.
— Ele não está doente. O que aconteceu?
Emi soluçou, mas logo recuperou o autocontrole. Respirou fundo, não podia falar nada.
— Ele ficará bem. Só… me dá o dinheiro.
Foi como se um botão fosse apertado na cabeça de Sasuke. Tudo finalmente fazia sentido.
— Ele foi sequestrado, não foi? O dinheiro é o da troca.
Naruto arregalou os olhos, confuso, e olhou para a ex-namorada. Emi chorava mais, sem conseguir negar as palavras de Sasuke.
— Eles queriam informações sobre vocês. Naruto, principalmente. Eu falei tudo o que sabia, mas eles não me devolveram o James. Então pediram dinheiro, mas tinha que vir de você, Uchiha.
— Querem ver eu mexendo na minha conta, porque eu vou te dar o dinheiro – disse Sasuke. – Talvez estejam atrás da minha senha ou qualquer coisa assim. Quinze mil não é pouco, não tem como pegar em uma caixa eletrônica, eu precisaria entrar no banco. Talvez planejassem explodi-lo também?
— Você não vai me dar um centavo por enquanto. Eu pego na minha conta. Emi, está tudo bem.
— Se estiverem atrás de nós, não muda muito quem estiver no banco. Eles podem simplesmente querer que apareçamos em algum lugar. Vamos fazer por telefone. Eu ligo pro meu advogado.
Emi negou com a cabeça.
— Eu me afastei de você por isso! Era muito perigoso! Você se envolve demais, fiquei com medo de que James e eu pudéssemos ficar em perigo. Você criava inimigos, e quando o assassino de Jiraya não foi pego…
— Não mente, Emi. Eu sei que ele voltou e…
— Por isso também. Mas eu sempre tive medo. Você sabe ser maravilhoso, Naruto, mas realmente não compensa. Eu quero meu filho.
Naruto aproximou-se e a abraçou.
— Eles pegaram James semana passada, depois que nos encontramos no centro. Eles disseram que nós devíamos ser muito importantes pra você… e levaram ele. Eles levaram meu bebê!
— Eu vou trazer James de volta.
Sasuke sentia-se um intruso naquela situação. Ficou observando o casal abraçado, e sentiu-se desconfortável. Mas, é claro, não demonstrou nada.
— Emi, e quanto ao…?
Naruto não precisava continuar. Queria saber onde o desgraçado estava. Emi riu sem humor, sentindo aqueles braços que tanto já a haviam acalmado ao seu redor.
— Ele foi embora, né? Não é exatamente uma novidade.
Ela não chorava mais. Respirou o cheirinho de Naruto e apertou o abraço, sentindo aquele conforto que era tão dele. Amara-o. Não podia dizer que não amara o loiro, mas Richard… Richard era o grande amor de sua vida. Ainda assim, fora idiota. Ele a traíra, fugira com uma parte de seu dinheiro e nunca conseguira ser para James o pai que Naruto fora.
Naruto apoiou o queixo na cabeça dela. Estar ali era estranho. Aquela casa era a maior testemunha do seu amor incondicional por Emi e James, porém se sentia um completo estranho ali. Era como entrar em um ambiente familiar e distante. Como entrar em uma memória esquecida. Acariciou os cabelos dela, mas não sentia mais a ânsia de anos atrás. Não sentia mais aquela vontade de casar com ela, de criar o filho dela e ter mais outros tantos. Sentia apenas pena e carinho. Emi sempre seria seu primeiro grande amor, e ele não poderia mudar isso jamais, porém não sentia mais vontade de estar com ela. A verdade era que apenas James os mantinha unidos. E, depois de terem o garoto de volta, provavelmente não se veriam de novo.
— Por que eu não posso vê-lo?
— Pra quê? Pra ele amar você e saber que nunca será seu pai de verdade? É injusto com ele, comigo e contigo.
— E por que não podemos mais recomeçar?
Ela riu, sentindo o calor dele envolvê-la. Fora uma tola.
— Porque você não me ama mais, loirinho. Tem uma nova família agora.
Sasuke não ouvia os sussurros compartilhados. Virou-se de costas e começou a analisar a casa, procurando por qualquer coisa que indicasse vigilância ou perigo. A verdade era que a cena o incomodava e não conseguia ficar olhando por muito tempo. Sua mão ainda coçava para atirar em Emi, apesar de saber que ela fizera tudo aquilo pelo filho. Se Aya ou Naoto estivessem no lugar dele, Sasuke também faria o que ela fizera, sem se importar com os sentimentos alheios. Crianças sempre despertavam aquele lado nos adultos.
— Eles não são minha família. Eu queria que fossem. Eu considero aqueles dois já, mas…
— Sasuke gosta de você.
Naruto riu.
— Não tem como saber disso. Viu ele duas vezes.
— Ele gosta. Eu sei, eu vejo. Ele te olha como eu te olhava. Como você me olhava.
Naruto sorriu e sentiu algumas lágrimas escorrerem.
— Eu sei que você deve me odiar por ter afastado vocês, mas eu realmente não sabia o que fazer. E quando Richard foi embora pela segunda vez, eu fiquei com vergonha de te procurar.
— Eu teria corrido pra ti como um cachorro corre pro seu dono.
— Eu sei. Me arrependo de não ter te ligado e implorado por desculpas.
— Emi…
— Não. Já tentamos enquanto eu amava outro, e não deu certo. Agora é você quem não estaria de verdade no relacionamento, Naru. Você o ama.
Emi se afastou, com lágrimas escorrendo por seus olhos. Acariciou os cabelos loiros e viu que Naruto também chorava. O loiro apoiou a cabeça contra a mão dela e soltou uma risada esganiçada.
— Não amo.
Ela beijou os lábios finos. Apenas um selinho. Sasuke não conseguiu desviar o olhar da cena. Sentia-se roubado. Era como se alguém arrancasse de si algo que era apenas dele. Afastou o pensamento ao perceber o quão irracional estava sendo, mas não conseguiu desviar o olhar. A mão acariciava o cano de sua arma.
— Não me ama também.
Emi sorriu e acariciou o rosto dourado. Naruto tentou sorrir, mas estar com ela fazia com que sentisse uma vontade absurda de chorar e gritar. Sentia-se vazio e pequeno. Impotente.
— Desculpa.
— Traz meu bebê de volta, ok? E depois vá atrás dos seus bebês.
Naruto riu, lembrando-se da gargalhada gostosa de Aya e dos abraços tímidos de Naoto. Sorriu e acariciou o rosto dela, pensando em tudo o que poderia ser e não era. Pensava no futuro que poderia ter tido com ela, mas que não tivera. Ao menos tinha Naoto e Aya. Talvez até mesmo Sasuke fosse um pouquinho seu.
— Eu vou trazer, Em. Eu prometo que vou.
Ela sorriu com o apelido há muito não ouvido e sentiu-se mais tranquila. Naruto nunca quebrava suas promessas.
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De início, Sasuke tentou convencer Naruto e Emi de que dar o dinheiro não era qualquer garantia de que o menino voltaria inteiro e com vida. Mas os dois foram irredutíveis e negaram qualquer envolvimento da polícia. Sasuke revelou que poderia tentar falar com Nagato, mas ninguém o ouviu. Era por isso que detestava quando os pais estavam no controle. Eles nunca eram racionais em situações de sequestro. Ainda assim, não pudera fazer nada. Em seu íntimo, nem tentou. Se James morresse, nada mais ligaria Naruto àquela nojenta. Afastou o pensamento tão logo quanto ele veio, porque não queria verdadeiramente a morte do menino, mas não podia fingir que nunca pensara naquilo. A verdade era que seu egoísmo sempre prevaleceria e Sasuke já aceitara isso.
O dinheiro foi transferido, mas James não voltou imediatamente. Terça-feira passou sem que uma notícia do garoto fosse dada. Sasuke queria ir logo para a casa de praia, porque os pontos foram retirados e estava se sentindo melhor. Naruto também já estava razoavelmente bem, porém não havia conversa. Naruto não arredaria o pé de Boston até ter James em segurança.
O menino apareceu quarta-feira à noite. Desidratado, machucado e sujo, foi jogado em uma ruela qualquer. Ele correu até alguém concordar em levá-lo a um hospital e, de lá, ligaram para a mãe dele. Ela repassou a notícia para Naruto, que se trancou no banheiro para chorar de alívio. Aya sentia ciúmes, Naoto não sabia o que sentir e Sasuke apenas queria que aquela situação acabasse logo. Precisava de Naruto focado no que realmente importava.
Apesar de tudo, Emi negou-se a deixar Naruto ver o garoto.
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Quinta-feira de manhã, Sasuke e Naruto entraram no carro novo que o moreno comprara e partiram para o retiro dos sonhos dos Uchiha. Naruto apenas imaginava o tamanho da tal casa. Pelo que conhecia de Sasuke, o lugar deveria ser gigantesco.
— Então, vamos ficar lá até quando?
— Até, no máximo, domingo. Se acharmos algo antes, voltamos quando acharmos. Disse a Gaara que voltaríamos no sábado, mas… bom, depende do que acharmos.
— E o que você espera encontrar?
— Qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.
Naruto estava nervoso. Ficaria todos aqueles dias completamente sozinho com o Uchiha. Apesar de ansiar por aquilo, também temia. Qualquer coisa poderia acontecer. Se, com Aya e Naoto por perto, a tensão e o tesão estavam quase explodindo, imagina sozinhos? E se Sasuke resolvesse andar só de toalha pela casa, com água escorrendo por seu corpo…
Não se controlaria. Se aquele desgraçado resolvesse fazer isso… Poxa, Naruto tinha uma tara por água! Seria simplesmente tortura! Ou se resolvesse falar daquele jeito rouco e sexy… ou se perguntasse: “o que vai querer?” antes do jantar… ou… se respirasse perto dele.
O pênis do loiro começou a endurecer, e Naruto não acreditava naquilo. Colocou a mão no bolso da calça para tentar mudar a posição dele e tornar sua ereção menos evidente, porém estava tão excitado que não achava ser possível. Sasuke percebeu a movimentação e sorriu malicioso ao compreender o motivo dela. Resolveu fazer-se de desentendido.
— Ficou quieto de repente… no que está pensando?
“Em você e eu, nus… fazendo coisas…”
— Nada mesmo. To com um sono…!
— Pode dormir, se quiser. Acho que vai ser meio difícil, mas pode tentar.
Naruto engoliu em seco, perguntando-se se Sasuke percebera o motivo de seu nervosismo.
— Como assim?! Não… não vai ser… não. Por que seria?! Tá tudo… ótimo. Sem motivos para…
— A estrada está com buracos, Naruto. Foi a isso que me referi. O que achou que eu tinha dito?
Naruto sentiu suas orelhas ficarem vermelhas. Sasuke achou-o a coisa mais sexy do universo desconcertado daquele jeito. Ficava até… comestível.
— Exatamente isso que eu entendi. Realmente, exatamente isso.
O Uzumaki virou a cabeça para longe de Sasuke. O Uchiha sorriu malicioso e, sem tirar os olhos da direção, apertou a perna de Naruto. O Uzumaki sentiu arrepios em todo o seu corpo.
— Eu até te ajudava, Naruto, mas, como vê, eu preciso dirigir… então não se alivie aqui. Acho que eu bateria o carro se o visse fazendo algo tão sexy assim.
— BASTARDO, CALA A BOCA!
Sasuke riu e removeu sua mão, vendo o quanto Naruto ficava engraçadinho em situações como aquelas.
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Naruto estivera certo. A casa era simplesmente enorme. Três andares, com um pedaço de praia particular e garagem para cinco carros, a mansão de praia Uchiha era maravilhosa. O loiro olhava encantado para tudo o que havia ali. Sasuke mostrou a Naruto o quarto no qual o loiro dormiria. Neste, uma cama de casal mais confortável do que qualquer outra repousava rente à parede. Naruto tinha um banheiro particular, um sofá, televisão, videogame e até mesmo um computador de mesa à sua disposição. E aquele era o quarto de hóspedes.
— Meu quarto fica aqui na frente.
Naruto jogou sua mochila sobre a cama e seguiu o Uchiha. O quarto dele era a coisa mais incrível que o Uzumaki já presenciara. O quarto de um adolescente típico estava à sua frente. Pôsteres de bandas metálicas e rock, computador, revistas em quadrinhos, videogame, alguns livros… e o sistema de som mais incrível de todos.
— UAU! IMAGINA OS GRÁFICOS QUE OS JOGOS DEVEM TER NESSA SUA TELEVISÃO!
— Naruto…
— E ESSE SOM! DEVE SER TÃO DIVINO JOGAR TERROR AQUI! COMO VOCÊ NÃO MORA NESSA CASA?!
Naruto correu até a janela, que dava vista direto para o mar.
— MEU DEUS! ISSO É DEMAIS!
Sasuke riu, vendo-o como veria uma criança. Naruto era tão… puro.
— Pare com isso, Uzumaki. Temos muito trabalho a fazer.
Naruto continuou comentando sobre como cada um dos cômodos daquela casa era incrível. Procuraram por documentos em cada um dos esconderijos que Sasuke conhecia, mas não encontraram nada útil em nenhum deles. Naruto, então, percebeu um corredor que levava a uma única porta. Ficava ao lado da escada.
— Sasuke, e lá dentro?
— Não, lá não está.
— Por quê? O que tem lá?
— Nada demais…
A resposta esquiva apenas encheu Naruto de curiosidade. O loiro saltitou até lá, fazendo Sasuke deixar sua procura de lado por alguns segundos para acompanhá-lo. Os olhos azuis brilharam ao ver a sala de banho.
— MEU DEUS! ESSE LUGAR É INCRÍVEL!
Talvez sete jacuzzi estivessem espalhadas pela sala, junto de um sistema de som invejável e uma porta que dava acesso a um banheiro coletivo. As festas que poderiam ser dadas ali abalariam até o inferno.
— É massa. Podemos vir depois, se quiser.
— SIM! DEFINITIVAMENTE!
Naruto se arrependeria muito mais tarde, porque não percebera que estava a pedir para ficar na mesma banheira que Sasuke enquanto os dois estavam sozinhos, longe de todos.
O Uzumaki, encantado, pensava apenas em como seria incrível tudo aquilo. Em como aquele lugar era maravilhoso. Sasuke pensava em como teria que exercer seu mais profundo autocontrole.
Depois os dois seguiram procurando. Procurando, procurando, procurando… mas não conseguiam realmente focar no que faziam. Pensavam apenas na hidromassagem, na água e nas banheiras.
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