Obsesso
30 29. Os cuidados que ele já esquecera
Notas iniciais
Sasuke suava frio, mas tentava não demonstrar a dor excruciante que sentia. Já levara tiros antes, entretanto não se recordava de terem doído tanto. Naoto mantinha a cabeça pressionada contra seu ferimento, o que de nada ajudava. Mas não afastaria o sobrinho, pois sabia que o menino já estava suficientemente assustado sem um ataque de pânico seu.
— Uchiha, vou ligar pra Tsunade. Ela é médica e não vai falar nada a ninguém e…
— Não. Só dirige, Naruto, rápido.
Era a primeira vez que Sasuke usava seu primeiro nome. Talvez aquele não fosse o melhor momento para que o Uzumaki percebesse aquilo, porém percebeu. Sentiu-se bem ao ouvir a palavra sair pelos lábios finos de Sasuke. Sentiu-se íntimo dele.
— Mas…
— Só dirige.
Naruto crispou os lábios e obedeceu. Seus dedos coçavam para ligar para Tsunade, mas sabia que não poderia. Sasuke não era de confiar em ninguém, e Naruto definitivamente não queria perder a pouca confiança que conquistara até o momento. Ainda assim, sentia vontade de apenas pegar seu telefone e chamar a loira.
Chegaram. Naruto deixou o carro em frente ao hotel, na rua, e saiu do carro. Abriu a porta traseira e retirou primeiro Aya, depois Naoto. Os pequenos estavam cobertos de sangue, porém ainda não o tinham percebido.
— Hm… Naoto, Aya, retirem os casacos, ok?
— Mas tá frio, tio Naru.
— Mas tira.
Aya emburrou, mas obedeceu. Naruto acariciou o rosto de cada um deles, removendo discretamente o sangue ali preso, e jogou os casacos para dentro do carro. Sasuke olhou para o loiro.
— Me dê seu casaco – ordenou.
Naruto obedeceu.
O delegado retirou sua jaqueta e tentou limpar o sangue já levemente coagulado com ela. Pegou o casaco de Naruto e o colocou, sabendo que era questão de minutos até que ele estivesse completamente manchado de vermelho.
— Dirija até uma rua lateral e depois volte. Entre no elevador e vá direto ao State suite, ok?
— Esse quarto é caro pra…
— Só vai.
— Ok.
Sasuke respirou fundo e saiu do carro. Naruto ajudou o Uchiha a retirar as malas e equilibrou a caixa sobre a alça da mala branca novamente.
— Você tem certeza de que…
— Uzumaki… vá.
Naruto voltou ao carro e Sasuke olhou para os sobrinhos.
— Vocês fiquem por perto e não digam uma palavra.
Eles assentiram com a cabeça.
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Naruto bateu à porta desesperadamente, assustado com a possibilidade de ser parado por um funcionário. Sasuke atendou, e o Uzumaki entrou. Naruto não assimilou direito a grandiosidade do quarto, porque não deu tempo. Ele poderia pasmar com a beleza do lugar depois.
— Aya e Naoto estão quase limpos, no quarto. Preciso da sua ajuda.
— Ok.
Sasuke arrastou Naruto pela enorme antessala e chegaram ao aposento. Na enorme cama de casal, Aya e Naoto estavam encolhidos.
— Tio Naru… – choramingou Naoto.
— Agora não, Naoto. Depois a gente vem ficar com vocês, ok? – resmungou o moreno.
Sasuke trancou a porta do banheiro e deixou a expressão de dor manifestar-se em seu rosto. Finalmente, deixava-se sentir a dor de levar um tiro no ombro. Lágrimas acumularam-se em seus olhos e talvez chorasse se fosse Itachi ali com ele. Mas não era seu irmão que teria que costurá-lo, mas sim Naruto. Bem, era o melhor que poderia pedir naquela situação terrível.
— Naruto, eu preciso que você pegue um saco de lixo que tem na mala preta. Coloque as roupas machadas de sangue nele, as suas e as de Naoto e Aya. Deixe os dois limpos da forma que conseguir sem permitir que usem esse banheiro. Não os troque, vai demorar muito. Depois disso pegue o kit de primeiros socorros que está na mesma mala. E então volte pra cá.
— Uchiha, seus ferimentos…
Sasuke respirou fundo novamente.
— Depois de hoje, pode me chamar de Sasuke. Só faça o que eu disse, ficarei bem.
Naruto sentiu algo queimar em seu estômago e assentiu com a cabeça. Sabia que estava recebendo ordens muito importantes e queria ser digno delas. Obedeceu ao Uchiha e saiu do banheiro. Aya e Naoto continuavam agarrados um ao outro com suas roupas sujas de sangue.
— Tirem as roupas, sim? Elas tão um pouquinho sujas…
Caminhou até a mala e a abriu. Ouviu os pequenos se mexerem atrás de si e fez o possível para não tremer. Precisava aparentar a calma que não sentia.
— Tio Naru, tem muito sangue aqui… – murmurou Naoto.
Aya chorava baixinho, fazendo o possível para não ter um ataque de pânico.
— Eu sei, mas vai dar tudo certo. – Pegou duas camisetas de Sasuke, ambas negras, e lançou-as à cama. – Vistam isso, ok?
Foi até as roupas sujas e colocou-as no saco. Retirou sua própria blusa, que se sujara de alguma forma, e colocou-a ali também. Depois pegou uma toalha que estava por perto e esfregou de leve os rostos delicados.
— Vai ficar tudo bem – prometeu.
Aya ainda tremia.
— Eu to com medo…
— Eu preciso ir cuidar do tio Sasuke, mas vocês podem ficar assistindo desenho. Pode ser?
Aya assentiu com a cabeça e Naruto colocou em um canal qualquer. Passava Pokémon.
A menina e o irmão esconderam-se debaixo do cobertor da enorme cama e Naruto pegou o kit que Sasuke pedira. Imediatamente voltou ao banheiro, e encontrou-o agonizando para remover a própria camiseta. A água da banheira fora ligada.
— Eu ajudo.
Naruto aproximou-se e foi rasgando a camiseta de Sasuke até conseguir removê-la. Como fez com o resto do que estava sujo, jogou no saco. Sasuke respirava de forma irregular e seu rosto estava molhado por lágrimas e suor.
O casaco de Naruto sujava o chão, mas ninguém se importava com ele.
A dor de Sasuke era tão grande que até Naruto estava em agonia. Mas o Uchiha não gemia. Seu corpo suava e ofegava, seus olhos deixavam lágrimas escaparem, mas ele não se permitia gemer. Seria como admitir uma derrota imaginária contra a dor.
— Sasuke, deixe-me chamar Tsunade…
O estômago de Naruto estava tão revirado que ele sentia vontade de vomitar. Era muito sangue. Sentia que o Uchiha iria entrar em coma se não repusesse o que fora perdido.
— Não. Ninguém pode vir aqui por enquanto. Amanhã eu passo na casa dela, mas por hoje vai ter que ser você. Preciso que remova a bala.
— QUÊ?!
— Não grite, idiota.
— Não. Eu não sei fazer isso, eu não sou médico!
— Itachi também não era e fez isso mais de uma vez em mim.
— Seu irmão era um gênio, eu não sou!
Sasuke revirou os olhos, aquilo estava bem claro.
— É simples, eu mesmo já fiz. Faria em mim se a porcaria da bala não estivesse nas minhas costas.
— Sasuke, você quer que eu faça uma cirurgia em um banheiro!
— Eu não posso ficar com essa bala!
— E se eu fizer um curativo e ligar pra Tsunade? Posso te levar agora pra casa dela.
— Naruto, deixa de ser maricas.
— Não sou maricas, mas eu posso te matar!
— Não vai me matar, mas eu posso morrer se essa porcaria não sair de mim agora!
A discussão continuou, porém Naruto logo aprenderia que um Uchiha não pedia, ele mandava. Com Sasuke ditando cada passo, Naruto pegou o que era preciso no kit que o moreno preparara.
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— Nao… o que será que tá acontecendo?
Na televisão, Ash Ketchum batalhava com um líder de ginásio qualquer. Nenhuma das crianças prestava atenção.
— Eu não sei… tinha tanto sangue nas roupas do tio Sasuke…
— Mas é o tio Sasuke, ele vai ficar bem, né?
Naoto abraçou Aya e ficou agarradinho a ela, tremendo.
— Eu sempre achei que papai fosse ficar bem também.
Aquilo fez Aya chorar baixinho, tentando achar segurança nos braços finos do irmão.
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Naruto fez o que Sasuke queria como se estivesse sonhando. Mal conseguia acreditar que realmente fazia uma cirurgia, ou o mais próximo disso, sem ter feito uma única aula de medicina e com um simples anestésico que o Uchiha guardava sabe-se-lá-Deus por quê. O Uchiha, aparentemente, já fizera aquilo algumas vezes, porque falava com precisão e naturalidade. Por sorte a bala não estava muito funda e Naruto conseguiu pegá-la com uma pinça estranha. Costurar foi a parte mais simples – aquilo ele já fizera várias vezes, afinal não tinha como realizar o treinamento que Jiraya lhe impusera sem que alguns cortes precisassem ser fechados – e a mais rápida. Sasuke estava tonto pelo anestésicos e pelos remédios para dor que tomara.
— Tem sangue nas minhas calças?
Naruto suspirou e olhou para a calça do Uchiha. No cós, perto da bunda, via-se apenas sangue.
— Sim.
— Tire ela, então.
A voz do homem estava meio enrolada, porém o tom autoritário permanecia o mesmo. Naruto engoliu em seco, sabendo que aquele não era o melhor momento para perceber que estava a despir Sasuke. Obedeceu com o máximo de delicadeza que possuía. Começou abrindo o botão acima do zíper, mas não conseguiu continuar, pois Sasuke estava completamente jogado para frente, e seu tronco impedia Naruto de obedecê-lo.
— Vou te apoiar na banheira, ok?
Sasuke assentiu e Naruto empurrou o Uchiha até que este estivesse com as costas contra a porcelana. O ferimento não tocava em nada, porém continuava a doer.
O Uchiha estava completamente vulnerável. Naruto percebeu que tinha muita confiança depositada sobre si. Abriu o zíper da calça e depois conseguiu retirá-la. Sasuke já removera os sapatos há muito tempo. Jogou a peça dentro do saco e olhou para o corpo quase despido à sua frente. A cueca, anteriormente branca, possuía manchas vermelhas. Naruto sabia que aquilo não daria certo, que dizer a verdade apenas traria mais tesão para aquele momento impróprio, porém não tinha muita opção.
— Sua cueca está suja também…
Sasuke riu – talvez fossem os remédios – e encarou Naruto com seus olhos negros levemente embaçados.
— Se eu não sentisse o sangue na minha bunda, diria que está se aproveitando de mim, Uzumaki.
Naruto abriu um sorriso levemente malicioso. Então não era o único a sentir a tensão sexual entre eles.
— Eu nunca faria isso.
“Principalmente porque você é hétero. Se fosse gay…”.
— Tira.
Naruto voltou a se ajoelhar ao lado de Sasuke e suas mãos tremeram ao tocar na pele gélida da cintura dele. O Uchiha estava bem mais pálido devido à perda de sangue, porém não parecia estar a ponto de desmaiar. Naruto agradecia imensamente por aquilo.
Delicadamente puxou a peça branca para baixo e tentou não olhar para o pênis mole que apareceu. Foi difícil, mas fez seu melhor.
— Eu já vi o seu, pode olhar. É grande, eu não tenho vergonha não.
Naruto riu, tendo plena certeza de que aquilo era o anestésico. Se Sasuke soubesse o que estava falando…
— Tudo bem, Sasuke. Vamos só acabar logo com isso, ok?
— Por quê? A tentação é grande?
“Demais. Então cala a boca antes que eu esqueça que você tem um buraco nas costas”.
— Acho que exageramos nesses remédios – resmungou Naruto, constrangido.
— Provavelmente – concordou Sasuke.
Completamente nu, o Uchiha mantinha seu olhar perdido na parede. Estava sentindo e não sentindo a dor ao mesmo tempo.
— Tira o sangue de mim.
Naruto ajudou Sasuke a entrar na banheira e a água ficou imediatamente vermelha. Pegou uma toalha e a molhou para limpar as costas de Sasuke. Em menos de alguns segundos, ela estava tão vermelha quanto a água. Talvez aquele fosse outro fator para a tontura do Uchiha. Jogou-a no saco de lixo assim que estava inutilizável. Sasuke apenas respirava devagar, deixando que Naruto removesse a sujeira de seu corpo. Sentia-se uma criança, mas era bom ser cuidado. Pensara que nunca mais teria alguém para ajudá-lo como o Uzumaki fazia, e sentiu um alívio estranho ao perceber que estava enganado.
“Esses remédios não tão me fazendo bem…”.
Naruto esfregava devagar as mãos pelo corpo de Sasuke, tentando não pensar muito no que fazia. Precisava limpá-lo, porém também acarinhava de leve a tez macia. Sabia que talvez não devesse fazê-lo, porém não achava que tivesse muita escolha; suas mãos tinham vida própria. Acariciou a nuca dele quando voltou a remover o sangue que circundava o ferimento e depois seus dedos subiram para os cabelos negros, que também estavam sujos. Limpou-os sem usar shampoo ou condicionador, apenas com a água da mangueira de chuveiro que o hotel disponibilizava. Sasuke fechou os olhos ao sentir as mãos suaves em seu cabelo e sentiu vontade de chorar. Não o fez, é claro, mas sentiu vontade.
“Malditos remédios”.
— Está bom assim, Naruto. Faça um curativo.
Naruto pegou outra toalha limpa e ajudou Sasuke a sentar na borda da banheira. O Uchiha ficou de costas para o loiro, que manchou outro pano com o sangue remanescente. Porém o ferimento não mais sangrava, o que era bom sinal. Usando o que tinha disponível no kit preparado por Sasuke, Naruto fez o melhor curativo que conseguiu. Depois o Uzumaki passou outra toalha limpa para Sasuke, que começou a secar seu corpo molhado. Seus movimentos eram lentos e descoordenados, porém estava conseguindo fazer o que precisava ser feito. Depois de ter o curativo pronto, Naruto ajudou Sasuke a se secar.
— Eu consigo.
O Uzumaki sentiu que aquilo provavelmente estava constrangedor demais para o outro – o chamado diabo mal conseguia se secar sozinho – e resolveu dar um pouquinho de privacidade a ele. Já limpo, Sasuke parecia que era capaz de ficar sozinho por alguns segundos.
Caminhou para fora do banheiro e foi até a mala preta. Aya e Naoto, assim que o viram, pularam na cama.
— Tio Naru, por que tá demorando tanto?!
— Eu to cuidando do tio Sasuke. Mas ele precisava de um banho, mas agora vai ficar bem. Só mais um pouquinho e ele vem aqui ficar com vocês.
— Ele tá bem mesmo? – perguntou Naoto.
Naruto abriu seu melhor sorriso.
— Tá sim, não se preocupem.
Naruto pegou uma camiseta preta de mangas compridas e uma calça de moletom da mesma cor – além de uma cueca – e voltou para o banheiro. Quando chegou, Sasuke já estava seco e sentado sobre o vaso sanitário. O chão do banheiro estava cheio de sangue.
— Eu limpo isso depois – prometeu Naruto.
Sasuke assentiu com a cabeça e estendeu a mão. Naruto entregou-lhe a cueca e observou o Uchiha colocá-la. Ele fazia caretas, porém não pediu ajuda e bateu na mão de Naruto quando este se aproximou para auxiliá-lo. Queria ao menos fazer aquilo sozinho.
Quando pronto, Naruto se aproximou.
— Eu ajudo com a calça. Se machucar mais agora não vai fazer seu ombro melhorar.
Sasuke suspirou e assentiu com a cabeça. Não conseguiu encarar Naruto nos olhos enquanto o Uzumaki o ajudava – finalmente percebia o quão constrangedora era aquela situação toda – e tentou não fechar os olhos ao sentir Naruto colocar a camiseta com tanta delicadeza em si. O toque dele era bom, gentil. Sasuke não sentia nada daquilo há muito tempo.
— Aya e Naoto também precisam de um banho. Pode limpar a banheira?
Naruto assentiu e Sasuke observou o Uzumaki remover o tampão que prendia a água na peça de porcelana. Depois ele pegou uma toalha branca – a que haviam usado para retirar o sangue de Sasuke – e começou a limpar o chão.
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Aya sentia-se bem mais aliviada desde que Naruto aparecera dizendo que o tio estava bem, porém ainda sentia um leve desespero. Queria ver Sasuke, tocar nele, saber que ele não estava machucado de verdade. Ficou esperando, com Naoto ao seu lado, até a porta ser aberta e Sasuke sair completamente limpo.
Ela correu até ele e pulou no colo do Uchiha, que a segurou com dificuldade. Naoto também correu e agarrou-se às pernas dele.
— Tio Sasuke, você tá bem? – Aya perguntou, passando a mão pelo rosto dele.
Talvez fossem os remédios, talvez fosse a carência há muito escondida de Sasuke, mas ele apoiou a cabeça na mão pequenina dela.
— To sim, Aya. Mas meu braço dói um pouquinho, então vou te soltar, ok?
Ela assentiu com a cabeça e, assim que estava no chão, abraçou a perna dele.
— Eu te amo, tio Sasuke.
Ele sorriu e acariciou os cabelos negros dela. Era a segunda vez que ouvia aquelas palavras, porém agora sabia o que responder.
— Eu também te amo, Aya. Amo vocês dois.
Naoto apertou o abraço e começou a soluçar. Sasuke se abaixou e deixou que os dois se agarrassem a ele. Naruto observou a cena com o coração na mão. Nunca antes vira uma cena tão bonita. Limpou a lágrima que escapou pela lateral de seu olho antes que algum deles a percebesse.
— Eu te amo, tio – murmurou Naoto.
— Vamos pro banho? – perguntou Sasuke, ficando novamente em pé.
Com o sorriso mais lindo que Sasuke já vira, Aya assentiu com a cabeça. Eles entraram no banheiro, já limpo, e viram a banheira cheia de água cheirosa com espuma – Sasuke fizera Naruto colocar sais nela –.
Aya e Naoto estenderam os braços, e Naruto despiu os dois. Sasuke ficou apenas ao lado, observando. Seu braço voltava a doer.
Quando já estavam debaixo da espuma, Aya jogou água para cima.
— Vamo fazer guerrinha?!
— Não hoje, Aya-chan – pediu Naruto. – Tio Sasuke ainda tá com o braço doendo, e vocês todos têm que descansar bastante. Amanhã o titio vai pro médico, então todos têm que dormir bem.
— Tio Sasuke, dói muito?
— Só um pouquinho.
Aya assentiu com a cabeça.
— Eu dou beijinho depois pra passar, tá?
Sasuke sorriu e assentiu com a cabeça.
— Tudo bem.
Sasuke ficou apenas observando, sentindo seu corpo todo pesar. Naruto lavou os cabelos dos pequenos e agiu com muita perícia. Lembrava-se de sua primeira tentativa em banhá-los, fora um fracasso. Como ele era tão bom? Bem, não importava. Em breve descobriria.
— Vou pegar um pijama enquanto o tio Sasuke seca vocês, ok?
— Eu quero o de borboleta, tio Naru! – gritou Aya.
— Ok.
— Estão na mala branca – falou Sasuke.
Naruto assentiu com a cabeça e pegou as roupas que Aya queria. Escolheu um pijama com ursinhos azuis para Naoto, achando que aquele seria tão bom quanto qualquer outro. O dia era frio, porém a calefação do quarto parecia ser boa. Além disso, Naruto percebera uma lareira na sala ao lado.
Voltou ao banheiro e viu ambos enrolados em uma toalha branca. Sorriu e ajudou Sasuke a vesti-los.
Aya e Naoto já estavam bem mais calmos. Assim que não havia mais o que ser feito no banheiro, Sasuke levou-os novamente para o quarto.
— Aya, penteie seu cabelo enquanto eu desço, ok? Preciso pagar nossa estadia e deixar Naruto lá embaixo.
— Aah, o tio Naru não vai dormir aqui? – ela perguntou tristonha.
— Hoje não. Preciso que ele faça mais uma coisa pra mim.
Os pequenos pareceram tristes, mas assentiram com a cabeça.
— Não abram a porta pra ninguém, não atendam o telefone e não cheguem perto de nenhuma janela. Eu não demoro. Pegue o saco de lixo – ordenou a última frase apenas a Naruto.
Sasuke foi até sua mala e jogou uma camiseta e um moletom a Naruto, que apenas então percebeu estar ainda parcialmente nu. Colocou a roupa que lhe foi oferecida e obedeceu. Os dois caminharam até a porta. Sasuke deixou que o Uzumaki passasse primeiro e depois seguiram em silêncio até o elevador.
Lá dentro, depois de três segundos, Sasuke apertou o botão de emergência e fê-lo parar. Naruto franziu o cenho.
— O que foi?
Foi surpreendido por um abraço. Ficou sem reação por meio segundo, porém depois largou o saco negro e retribuiu. Sasuke manteve-o preso ali por tempo suficiente para Naruto tomar consciência do cheiro delicioso que dele exalava.
— Obrigado – murmurou contra o ouvido do outro.
Naruto sentiu cada pelo de seu corpo arrepiar. Sasuke nunca agradecia a ninguém. Sentia que aquele era um dos momentos mais especiais de sua vida. Sasuke deixou duas lágrimas escorrerem e escondeu o rosto no pescoço de Naruto, que fez o mesmo consigo.
— Sasuke…
— Você salvou Aya hoje, Naruto.
O Uchiha não percebera, até aquele momento, como os sobrinhos lhe eram preciosos. Até estar quase a ponto de perdê-los. O abraço prolongou-se e ninguém parecia querer quebrá-lo. Há quanto tempo Naruto esperava por algo como aquilo? Tempo demais, certamente.
Ficaram ali até Sasuke sentir que podia soltá-lo. A gratidão que sentia era tão enorme que seria capaz de entregar cada centavo que tinha ao Uzumaki sem sequer titubear. Ele salvara Aya, a menina que ele descobria amar mais do que a si mesmo. Naoto também. Percebia, finalmente, que não mais poderia viver sem aqueles dois. Haviam se tornado seu motivo para existir.
Sasuke saiu dos braços calorosos e apertou novamente no botão, fazendo o elevador voltar a descer. Sorriu.
— Eu te devo uma, Naruto. Pode me pedir o que quiser. Não será o suficiente para pagar o que você fez hoje, mas…
— Eu não…
— Eu sou rico. Muito rico. Muito, muito, muito rico. Se precisar de dinheiro… se quiser dinheiro… eu posso te fazer milionário. É só dizer. Uma palavra. Ou qualquer outra coisa. Peça e eu dou um jeito de conseguir.
— Eu não quero seu dinheiro. Realmente gosto dos seus sobrinhos e…
— Tudo bem. Mas me diga que vai me pedir se algum dia precisar de alguma coisa.
Naruto sorriu e assentiu com a cabeça.
— Eu prometo.
Chegaram ao térreo e caminharam à recepção. O homem que lá estava empertigou-se ao ver o Uchiha.
— Senhor.
— Quero uma chave de quarto extra.
— É apenas uma por…
— Eu quero.
O homem engoliu em seco e assentiu com a cabeça.
— Providenciarei.
— Esse homem pode subir quando quiser, não é necessário avisar.
O recepcionista olhou para Naruto com o ar soberbo que todos da alta classe possuíam. Naruto sorriu, mas recebeu apenas um olhar falso em resposta. Sabia que o atendente achava-o indigno de tamanha honra.
— Se é o que o senhor deseja…
— Sim, é. Vou pagar estadia por oito dias.
O recepcionista assentiu com a cabeça, e Sasuke estendeu seu cartão.
— Quantas vezes?
— À vista.
Eram mais de vinte mil dólares. Naruto sentiu seu queixo cair, e o recepcionista precisou de muita força de vontade para não se mostrar igualmente surpreso. Foi quando finalmente compreendeu o “muito rico” que Sasuke lhe dissera.
— Tem certeza que não quer que eu fique?
Sasuke afirmou com a cabeça.
— Já pedi demais de você por hoje. Mas venha amanhã cedo. Gaara também virá. Preciso que alguém fique com Aya e Naoto enquanto eu saio.
Saíram de perto da recepção e caminharam até a entrada.
— Jogue essas roupas para dentro do carro e coloque fogo em tudo. Mas pegue meu celular que caiu perto do volante e o traga para mim amanhã. Eu posso te pagar o valor do carro, se quiser. Pelo serviço.
Naruto negou com a cabeça.
— Você já está pagando meu salário. Essa é uma forma de fazer valer o dinheiro que você está gastando comigo.
— O dinheiro que gasto com você é quase insignificante.
— Não importa.
Sasuke assentiu e observou o Uzumaki sumir pela porta. Deu meia volta e voltou ao elevador.
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