Obsesso

29 28. Tiroteio


Notas iniciais
Oláááá o// Bom domingo pra vocês :3 ~~enjoy

Naoto olhou para o tio, que vinha correndo atrás do homem estranho, e sentiu um alívio tremendo. Quis disparar em direção a ele, mas Sasuke levantou a mão, indicando que devia ficar parado. Obedeceu. Leu os lábios do tio, que diziam “feche seus olhos”, e fechou. Puxou Aya para um abraço e fez com que ela virasse de costas para Hidan. Não sabia o que aconteceria, apenas sabia que nem ele e nem Aya deveriam ver.

Sasuke atirou. Gritos foram ouvidos, mas nem Naoto e nem Aya abriram os olhos. Apavorados, ficaram paralisados. Apenas respiravam devagar, na esperança de que fosse Sasuke quem saísse ganhando. Apertaram o abraço que já estava forte, temendo o que estava por vir. A vontade do Uchiha era de atirar no peito ou na cabeça, mas sabia que havia muitas testemunhas. Atirou na perna direita primeiro e depois na esquerda – juraria, depois, que gritara avisando Hidan para se afastar, mas a verdade era que fora silencioso como um gato –. Em seguida saiu correndo e impediu que Hidan alcançasse a arma que trazia na cintura. Jogou o revólver longe e pegou tanto Aya quanto Naoto no colo. Eles gritaram, assustados.

— Sou eu, sou eu. Não abram os olhos ainda.

Os dois agarraram-se ao tio, que entrou no carro e colocou-os de qualquer jeito no banco do carona. Os pequenos finalmente se permitiram olhar ao redor. Aya estava assustada demais para dizer qualquer coisa, portanto Naoto falou pelos dois.

— Tio, a gente ainda é pequeno, não pode ficar na frente…

— Agora pode. Fiquem no banco e se segurem.

Sasuke saiu em disparada. Um tiro acertou a traseira do carro – Hidan tinha uma arma reserva, afinal –, mas isso não fez o Uchiha parar.

— Aya, pegue meu celular e ligue pro tio Gaara. Consegue fazer isso?

Aya assentiu e pegou o celular do tio, que estava perto do painel do carro. Procurou por “Gaara” na lista de contatos – já sabia reconhecer as letras do nome dele – e apertou no verde.

Gaara atendeu no primeiro toque.

— Fala, Sasuke.

Aya ficou quase meio segundo sem nada dizer. E então falou a primeira coisa na qual conseguiu pensar.

— Tio Gaara… tio Sasuke atirou num homem.

— Aya, passa pra cá.

A menina estendeu o telefone e abraçou Naoto. Estavam sem cinto de segurança e Sasuke dirigia muito rápido, o que definitivamente não afastava o medo que sentiam.

— Gaara, Hidan estava na creche. Vou pra casa e depois pro hotel. Eu atirei nele, preciso que vá lá e veja se consegue prendê-lo. Eu duvido, mas… eles atacaram.

— Sasuke, isso é muito perigoso! Aya e Naoto estão no carro com você?!

— Faça isso, sim? Melhor: mande Neji fazer e fique no controle da delegacia.

— Sasuke…

— Faça, Gaara. É uma ordem.

Sasuke desligou e deixou o celular cair. Teria tempo para ele depois. Acelerou o máximo que pôde, e quebrou mais de uma regra de trânsito, porém chegou em sua casa numa velocidade recorde. Naruto esperava em frente ao portão.

— TIO NARU!

As crianças saíram correndo do carro no momento em que o avistaram. Sasuke pegou Naoto no colo assim que estava suficientemente próximo e Naruto não precisou de um aviso para saber que devia fazer o mesmo com Aya. Correram até o elevador e, lá dentro, Sasuke respirou fundo.

— Uchiha-san, o que está acontecendo aqui?!

— Eles foram atrás de Aya e Naoto. Estava na creche, Hidan. É um dos caras que matou Itachi.

— O QUÊ?! O que querem com eles?!

Abraçou Aya mais forte, e a menina agarrou-se à camiseta dele. Sasuke ainda mantinha Naoto bem preso junto ao seu corpo. Os corações, tanto de Sasuke quanto das crianças, estavam acelerados.

— Eles querem matá-los.

Naruto não disse nada por alguns segundos, paralisado. Queriam… haviam pessoas querendo matar… Naoto? Aya? Não fazia sentido. Por que alguém gostaria de machucar aquelas duas crianças?! Justo eles, que eram tão…

O elevador chegou ao último andar e Naruto saiu do transe. Sasuke correu até a porta de sua casa, com o Uzumaki em seu encalço, e quase jogou Naoto para os braços do loiro.

— Vou pegar algumas roupas nos quartos. Recolha os papeis em cima daquela mesa e mantenha os dois perto de ti.

Naruto não teve tempo de responder, apenas viu Sasuke correndo e apressou-se a obedecê-lo. Aya começou a chorar quando foi colocada no chão, e Naoto estava igualmente assustado.

— Calma, gente. Por favor, não chorem.

Mas o pedido foi em vão. Como podiam não chorar? Tio Sasuke acabara de atirar em alguém, e Aya havia gostado tanto daquele homem! Ele conhecia o papai, e era bem engraçado… mas, no fim, queria apenas matá-los. Foi apenas naquele momento que ela realmente entendeu o desespero do tio naquele dia no parque. E se fosse aquele homem estranho a encontrá-la, e não Naruto? O que poderia ter acontecido?

Ela não sabia, mas a possibilidade a enchia de medo.

Naruto reuniu todos os papeis numa pilha e colocou em uma espécie de caixa que estava ao lado delas. Depois correu e fechou todas as janelas da casa, com medo de estarem sendo observados.

— Eu não quero ir embora… – murmurou Naoto.

Ele gostava daquela casa. Sentia-se seguro nela, porque era a casa de tio Sasuke. E o titio mantinha sua casa sempre protegida, não? Sim, Naoto sabia que sim.

Naruto sentou-se no sofá e puxou os dois pequenos para o seu colo. Não sabia para onde iriam, mas sabia que qualquer lugar seria melhor do que ali.

— Mas a gente vai pra um lugar bem legal. Tio Sasuke vai levar vocês pra uma casa cheia de doces e não vai ter nenhum cara mau por lá.

Aya limpou as lágrimas que escorriam. Não sentia vontade de comer doces. Queria apenas ficar ali, quietinha no abraço de Naruto, sentindo o cheiro dele. Preferencialmente com Sasuke ao seu lado.

— Tio Naru, você vai estar lá também…?

— Claro que eu vou. Achou que eu ia deixar vocês sozinhos agora?

Aya sentiu uma segurança enorme invadi-la e deixou sua cabeça descansar no peito de Naruto. Estava tão cansada…

— Eu sou um herói, Aya-chan. E o titio Sasuke também. Naoto também não precisa se preocupar. Eu prometo que vai ficar tudo bem.

Naoto imitou a irmã e fechou os olhos. Queria apenas chegar a esse lugar seguro. Apenas… sentir o medo todo ir embora.

Sasuke invadiu a sala com duas enormes malas, uma negra e uma branca. Correu com elas até em frente ao sofá e colocou-as no chão. Mal teve tempo de pegar Naoto no colo e uma explosão balançou todo o prédio. O quarto que fora pintado alguns dias atrás já não mais existia.

Sentido todo o seu corpo voar, Sasuke caiu com Naoto nos braços. Tentou proteger o sobrinho o melhor que pôde e torceu o pulso com o movimento, mas a dor não chegou a ser processada por seu cérebro. Tudo o que sentia era medo. Vasculhou a sala semidestruída com os olhos, procurando por Aya.

— Aya!

— Ela está bem – gritou Naruto.

Um suspiro escapou de seus lábios ao vê-la segura nos braços do Uzumaki. Assustada, mas sem nenhum arranhão. Tinha duas opções ali. Correr até a sobrinha e tentar fugir com duas crianças nos braços, sem possibilidade de defesa caso alguém tentasse atacá-los, ou deixá-la aos cuidados de Naruto e tentar escapar apenas com Naoto.

Nunca nenhuma decisão foi tão difícil. Nunca chegou a confiar tão profundamente em alguém quanto confiou no Uzumaki naquele momento.

Levantou-se e correu até atrás da mesa meio caída.

— Naoto, se apoia no meu outro ombro, rápido.

O menino escorregou para o lado esquerdo do tio e Sasuke pegou a arma que mantinha presa embaixo da cadeira que sempre usava para trabalhar. Olhou lentamente por cima da madeira e ficou encarando o buraco que acabara de ser formado.

O fogo acionara o alarme de incêndio, mas não havia nenhuma água caindo, apenas o barulho quase ensurdecedor das sirenes. Em breve os bombeiros chegariam, e ele não sabia se queria isso. Procurou Naruto com os olhos e viu-o no mesmo lugar de antes, tentando acalmar Aya que chorava ainda mais alto do que as sirenes. Voltou o olhar para o buraco e contou três homens a entrar, todos protegidos com coletes e carregando um blaster rifle. Arma bem mais potente do que seu revólver, porém Sasuke sabia que situações como aquelas dependiam bem mais do atirador do que da arma.

Os homens começaram a atirar a esmo, e algumas balas acertaram a mesa – porém não ultrapassaram a madeira –. Procurou Naruto com os olhos e percebeu que ele encontrara abrigo atrás do sofá – que tinha o encosto de madeira também –, mas não vira o assassino que se aproximava por trás. Esperou quatro segundos.

Atirou.

O homem, que tinha as costas de Naruto em sua mira, caiu para trás com um tiro na testa. Naruto virou-se, com Aya escondida contra seu peito, e olhou para Sasuke. Procurou por sua arma, porém não usava nem mesmo coldre.

— Entre as almofadas do sofá!

Naruto encontrou um revólver ali e suspirou aliviado. Com Aya entre seu corpo e o sofá, levantou-se e espiou o buraco criado pela explosão. Três homens haviam invadido, contando o que Sasuke acabara de matar. Naruto tentou acertar os outros dois, porém eles não demoraram a encontrar esconderijos também. Atirou na parede, tentando convencer um deles a sair, porém não surtiu efeito.

Sasuke sentiu que a mesa em breve não serviria para mais muita coisa; estava rachando. A cozinha era o lugar mais seguro para deixar Naoto, além de ter mais uma arma escondida por lá. Olhou para Naruto, mas o Uzumaki não o encarava. Decidiu tentar a sorte e sair correndo sem cobertura. Era um pouquinho idiota, porém seria acertado se ficasse por ali por mais tempo.

O tiroteio continuou. Agora com os atacantes a participarem mais ativamente.

Sasuke correu. Não parou nem mesmo quando uma bala atingiu a pele de seu ombro esquerdo. Continuou até ver-se em segurança na cozinha, e então quase caiu ao chão. Fez o possível para não demonstrar a dor que sentia, porém Naoto estava apoiado em seu ombro machucado e o sangue que saía em nada ajudava na discrição.

— Tio Sasuke… sangue!

— Shiu. Tá tudo bem. Fica quietinho, ok?

Naoto tremia como um gatinho, mas obedeceu ao comando de Sasuke. O Uchiha respirava fundo, tentando ignorar o ombro latejante. Respirou devagar por alguns segundos e ficou tentando controlar a própria respiração. Quando achou que estava suficientemente bem para atirar, virou-se novamente para a sala. Naruto tentava matar o assassino restante, porém não conseguia ter um bom ângulo para atirar. Sasuke o tinha.

Da cozinha, Sasuke conseguiu mirar suficientemente bem para matar o último dos três. Respirou fundo, mas sabia que não tinha muito tempo.

— Naoto, vai pro outro lado.

O sobrinho escorregou para o lado direito de Sasuke novamente, removendo a pressão no ombro machucado. A dor era forte, mas não era a primeira vez que o Uchiha era baleado. Olhou ao redor e arrastou-se até o armário de mantimentos. Lá dentro, uma terceira arma estava escondida. Pegou-a, apenas por precaução.

Depois de mais um segundo respirando, Sasuke guardou as armas em sua calça e correu até a sala. Com o braço machucado, pegou a caixa que Naruto fizera e carregou-a até em frente ao sofá. Naruto continuava escondido com Aya em seus braços.

— Leve a mala preta, precisamos sair daqui!

Naruto assentiu com a cabeça e levantou-se. Olhou para o fogo que ainda queimava, esperando que mais alguém saísse das chamas, porém parecia que eles ainda tinham um pouquinho de sorte. Sasuke puxou a alça da mala branca e equilibrou a caixa o melhor que pôde. Depois disso saiu correndo porta afora, rezando para que Naruto tivesse compreendido que deveria fazer o mesmo.

Sasuke gemeu baixinho pela dor que carregar o peso da bagagem com o braço ferido lhe causava, mas tentou se manter silencioso. Não queria alarmar ninguém. O Uzumaki continuava em seu encalço.

Naruto estava tão absorto na luta que não percebeu o sangue que escorria pelo braço de Sasuke. Eles chegaram ao elevador e a porta se fechou. Sasuke conseguiu respirar com mais calma.

— A polícia deve estar chegando logo. Uzumaki, pegue as chaves em meu bolso. Você dirige.

Naruto percebeu que havia algo de errado. Sasuke jamais o deixaria dirigir se pudesse fazê-lo. Entendeu o que era no instante em que deitou seu olhar sobre ele; Sasuke não poderia dirigir com o braço daquele jeito.

— Uchiha! Seu braço…

— Está tudo bem. Pegue a chave.

Naruto obedeceu. Apesar de estar tocando na perna de Sasuke, Naruto não sentiu nada além de pavor. O momento não permitia que sentisse algo além daquilo.

Quando o elevador abriu novamente, os dois correram pela garagem até o carro de Sasuke. O Uchiha entrou no banco traseiro e colocou Naoto para dentro com tanta velocidade que o garoto foi quase jogado. A mala branca foi em seguida e acabou caindo em cima da perna do menino, mas Sasuke não podia fazer nada.

— Naoto pro lado, rápido!

Deu um jeito de desviar da cadeirinha rosa de Aya e entrou atrás também. Naruto jogou a mala negra sobre a cadeira infantil e fechou a porta com Aya ainda presa contra si. Entrou no carro e ligou-o.

— Aya, vai pra trás com o seu tio – ordenou.

Naruto deu a partida e saiu do prédio o mais rápido que conseguiu. Sasuke estendeu os braços para ela e a menina soltou-se de Naruto e se jogou sobre Sasuke, que a segurou apesar de seu ferimento.

Naoto chorava.

— Tio Sasuke, minha perna…

— Tá tudo bem.

Sasuke não conseguiu ver o que o peso da mala fizera com a perna dele, mas puxou-o para seu colo e deixou a bagagem branca cair para o lado. Estava desconfortável com os três dividindo o banco do meio da parte traseira, mas era o melhor da situação. Naoto tinha a cabeça apoiada no ombro machucado de Sasuke, e o Uchiha apenas começava a sentir a real intensidade da dor naquele momento. Sentia vontade de gritar, porém manteve-se calado.

— Uzumaki, para o Four Seasons!

— O hotel?!

— Rápido!

Naruto acelerou.

Notas finais
Oláááá o// Os comentários de vocês são a coisa mais linda desse mundo