Obsesso

22 21. Declaração de guerra


Notas iniciais
Hoje estou postando certo *---* ~~enjoy

Shikamaru estacionou tranquilamente em frente à casa de Naruto. Tragou seu fumo uma última vez e jogou o resto sobre a calçada, pisando em cima. Espreguiçou-se, cansado, e caminhou até a porta. Devagar, como ele gostava. Recebeu uma mensagem de Sasuke antes que pudesse chegar ao seu destino.

“Não demore”.

“Apressado” reclamou o Nara em pensamentos. Guardou o telefone e apertou a campainha. Esperou.

Algo se quebrou lá dentro, e móveis foram arrastados. Riu ao ouvir o barulho de Naruto tropeçando em alguma coisa e praguejando.

— Desculpa a…

O loiro perdeu a voz ao ver quem o encarava. Franziu o cenho, confuso, e Shikamaru apenas sorriu de canto.

— Olá, Naruto.

— Oi…?

Shikamaru ficou esperando, mas o loiro apenas o encarava confuso. Quase era possível ver as engrenagens trabalhando para que um raciocínio a respeito de sua aparição fosse criado. Sentiu vontade de rir, mas ficou calado.

— Não vai me convidar para entrar?

— Ah, sim! Claro, entra!

Naruto abriu espaço e repetiu o que fizera quando Sasuke o visitara. Jogou as peças de roupas e a bagunça maior para trás dos sofás, tentando abrir espaço para o jovem gênio sentar. Diferente de Sasuke, Shikamaru sentia-se confortável com a bagunça.

— Então… o que veio fazer aqui?

Shikamaru riu e sentou num sofá.

— Queria falar com um humano sobre o que tá acontecendo, entende? Gaara e Neji muitas vezes não se enquadram nisso, e Sasuke é um alienígena.

Naruto riu e relaxou. Estava curioso demais a respeito do que acontecia. Tentara começar uma investigação sozinho, mas não havia muito para descobrir sobre Uchiha Sasuke na internet. Apenas que era o delegado, que era temido, e que era rico. Aquilo explicava a oferta de cinco mil dólares.

— Yeah… ele passou aqui ontem.

Shikamaru assentiu com a cabeça.

— Eu vi seus documentos. Muito bem feitos, realmente. Se eu não soubesse que você não fez nada, te acharia suspeito.

Aquilo soou todos os alarmes que existiam na cabeça de Naruto. Talvez aquela não fosse apenas uma visita de cortesia. Talvez Shikamaru estivesse realmente suspeitando dele. Estreitou os olhos, confuso.

— Você acha que eu matei Itachi?!

Shikamaru riu. Ele era mais idiota do que imaginara.

— Não, definitivamente não.

Aquilo, por algum motivo, soou como uma ofensa aos ouvidos do Uzumaki.

— Por que não?

— Naruto, Itachi era um gênio. Você não conseguiria matá-lo.

Os braços fortes foram cruzados, querendo evidenciar os músculos do loiro. Naruto armou sua expressão indignada com um leve bico nos lábios, e os olhos demonstravam toda a raiva que sentia por aquela resposta.

— Eu posso não ser um gênio, mas eu sou bem forte, ok? Sei que não parece, mas…

— Foi treinado por um ex-soldado, e é fisicamente capaz de matar alguém, apesar de nunca ter feito isso. Passou por treinamentos de sobrevivência com seu avô e fez algumas viagens com ele. Nelas, vocês treinaram um pouco. Fisicamente, você está apto a lutar tranquilamente com Sasuke. Talvez seja até mais forte do que ele.

Naruto engoliu em seco, e tentou fechar a boca.

— Como você…

— Achou realmente que entraria pro Inferno sem antes ter passado por uma completa vistoria minha? Eu sei tudo sobre a sua vida.

Aquilo soou como uma ameaça, mesmo que Naruto não soubesse o porquê de Shikamaru estar a ameaçá-lo.

— Ok… você sabe mais sobre a minha vida do que qualquer um. Por que acha que eu não poderia matar Itachi?

Shikamaru desviou o olhar. O clima não era mais leve como outrora. Estava pesado, mas ele sabia que o diálogo era inevitável. Verdade fosse dita, queria tê-lo.

— Naruto… Itachi era um gênio. Ele simplesmente adivinhava todas as suas fraquezas depois de passar alguns segundos com você, e então vencia. Sempre. Era incrível vê-lo lutar. Vi Itachi derrubar pessoas dez vezes mais fortes do que ele. Era como se aqueles olhos vissem as fraquezas do adversário, não sei explicar.

Shikamaru bagunçou os cabelos, e apoiou os cotovelos sobre os joelhos. Naruto também se ajeitou no sofá. Era a versão mais detalhada que já ouvira sobre Uchiha Itachi.

— Mas ele foi morto como, então?

Shikamaru riu sem humor, e esfregou a mão em seu rosto. Quando voltou a olhar para Naruto, tinha os olhos tristes.

— Eu não sei. Eu sou inteligente. Eu odeio não saber as coisas. E eu não sei o que está aconteceu com um dos meus melhores amigos. Itachi morreu, e agora Sasuke está nessa cruzada suicida, completamente louco de raiva e sem conseguir manter a calma, sabe?

Naruto não sabia. Para ele, Sasuke era a pessoa mais calma e controlada do universo. Mas não foi essa a parte que prendeu a atenção do Uzumaki.

— Suicida?

Shikamaru riu de novo. Sempre fazia aquilo quando não queria perder o controle. Uma risada nasalada e sem humor; um sopro de infelicidade em forma de riso.

— Nem ele percebe. Acha que é intocável, mas nunca vi o Sasuke tão obcecado com alguma coisa. Ele não pensa em nada além de Itachi e da morte de Itachi, e ninguém tira ele disso. Nem Aya ou Nao… eu tenho medo do que ele possa querer.

Aya. Aquele nome de novo. O estômago de Naruto se embrulhou, e ele tentou entender o motivo de estar ouvindo tudo aquilo. Sentia uma forte atração pelo moreno, é claro, mas não eram próximos de forma alguma.

— Posso saber por que está me contanto tudo isso?

— Porque Sasuke vai ficar insuportável nos próximos dias. E vai te culpar, então eu quero que você entenda um pouquinho o lado dele, ok? Não o odeie. Não é fácil gostar de Sasuke, nem eu gosto às vezes, mas tento por Itachi. Itachi amava tanto aquele irmão endemoniado dele…

— Não tô entendendo…

— Usaram a sua identidade ontem.

Naruto engoliu em seco, sentindo uma leve vertigem. Sabia que era apenas questão de tempo até aquilo acontecer – por que alguém roubaria uma identidade se não planejasse usá-la? –, porém saber que tinha outra pessoa por aí, usando seu precioso nome e sua preciosa identidade, tiravam-no do sério.

Respirou fundo, e focou-se em Shikamaru.

— Ok, mas o Uchiha-san sabe que eu não matei Itachi. Se não souber, fala essa coisa de eu não poder.

Shikamaru percebeu o leve desespero do Uzumaki, e balançou a cabeça negativamente.

— Não por isso. Eu juro que te caço até o inferno se contar ao Sasuke que eu vim aqui hoje.

Naruto riu pelo trocadilho.

— Nem é tão longe – brincou.

Shikamaru manteve-se sério, e Naruto ergueu as mãos, rendido.

— Ok, ok. Não vou contar.

O Nara assentiu com a cabeça, e falou.

— Ele vai te culpar por ter perdido os documentos. Não acho que ele realmente vá vir falar com você, mas… bem, só queria avisar. Você merece saber o que estão fazendo com seu nome, não?

Naruto riu. Pelo menos alguém concordava com ele. Abriu um sorriso maroto e espreguiçou-se. Shikamaru o olhou confuso.

— O velho sempre reclamava que eu ainda ia me meter em encrenca por ficar transando com qualquer um. Quem diria que ele ainda ia poder esfregar meus erros na minha cara, hein?

Shikamaru também riu, e Naruto relaxou. A merda estava feita de qualquer jeito, e o que restava a si era aceitar aquilo e procurar maneiras de se redimir depois.

— O que o desgraçado fez com meu belo nome?

Shikamaru ficou em silêncio por alguns segundos, percebendo a diferença entre a seriedade de Sasuke e a leveza de Naruto. O Uzumaki conseguia sorrir, mesmo que daquela forma sapeca e resignada, apesar de tudo o que lhe acontecia. Sasuke não o fazia nem mesmo quando coisas boas aconteciam.

— Ele explodiu um armazém e declarou guerra contra Sasuke.

O sorriso sumiu, e a surpresa predominou na expressão de Naruto.

— Como assim?!

— Sasuke ainda não sabe o que é, mas algumas coisas foram roubadas do armazém. Eu acho que são relacionadas ao passado dele, porque muito dos casos do senhor Fugaku estavam lá. Explodir as coisas do pai e matar o irmão certamente são uma forma de declarar guerra, não?

Naruto assentiu com a cabeça, e agradeceu, com todas as suas forças, por não ser o idiota que fazia aquilo. Declarar guerra contra o diabo não podia ser boa coisa.

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— Naruto, relaxa – falou Karin.

A ruiva olhava para Suigetsu, que revirava os olhos.

— Desliga essa merda – falou sem emitir sons.

Karin riu e mostrou o dedo do meio para o amigo.

— Sério, eu tô bem. Tô com um amigo aqui. Te ligo depois, ok?

Ela desligou, e Suigetsu jogou uma almofada sobre a ruiva.

— Eu quase nunca venho, e daí, quando apareço, você fica no telefone com esse idiota.

Karin riu.

— O Naruto não é idiota, Suigetsu. Ele é muito bacana, ok?

— É, não defende o imbecil na minha frente, ok?

Karin riu ainda mais, sem saber o porquê de o amigo sentir tanta raiva assim do Uzumaki. Suigetsu apenas bufou.

— Eu queria que vocês dois se conhecessem! Ia ser tão bacana!

Suigetsu lançou a ela seu melhor olhar de escárnio. Karin se aproximou mais, acomodando-se ao lado do amigo.

— Não quero ver aquele lá nem pintado.

— Realmente não entendo.

— O cara simplesmente aparece do além e se nega a fazer sexo contigo, que é toda gostosa desse jeito. Depois ainda se come na mesa com um outro cara… eu só não quero que ele se apaixone por mim também, sabe?

Karin riu ainda mais, caindo sobre o colo de Suigetsu, que permitiu que a amiga o abraçasse de leve. Gostava de Karin, de verdade. Ela era uma chata idiota, mas, ainda assim, sua chata idiota. Detestava saber que o tal Naruto podia ser bissexual e estar apenas tentando conquistar a confiança dela para depois fazer o que todos os outros tinham feito.

— Ele não vai se apaixonar por ti, bobão. Ele gosta do Sasuke.

O mundo de Suigetsu parou. Como assim o idiota que Karin conhecera no meio do nada conhecia Uchiha Sasuke, o diabo?

— Como é que é?

Karin riu marota, e começou a contar tudo para Suigetsu. Ela sempre contava tudo a ele.

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Sasuke entrou em casa, finalmente. Aya e Naoto imediatamente começaram a correr pelo apartamento, brincando de alguma coisa qualquer. Era cedo ainda, não passava das cinco da tarde, porém o Uchiha prometera trocar o horário em que via os sobrinhos, e assim fizera. Saber que a Akatsuki tinha seus horários o deixava muito mais apreensivo do que pudera imaginar.

— Tio Sasukeeee! – chamou Naoto.

Sasuke largou sua jaqueta sobre o sofá e olhou para o sobrinho, que tinha um sorriso traquina no rosto.

— Hm?

— Eu não quero tomar banho.

Sasuke arqueou a sobrancelha, e Naoto saiu correndo. O Uchiha revirou os olhos, observando o lugar pelo qual Naoto desaparecera. Não ficaria correndo atrás dele como um idiota. Tanto Naoto quanto Aya tomariam banho, era fato. Não existia a possibilidade de não o fazerem – Ino o mataria se visse as crianças mal cuidadas novamente.

Estralou seus ombros e costas, cansado. Pegou a jaqueta sobre o sofá e foi até seu quarto, colocando-a sobre a cama. Aya apareceu no batente da porta. Tinha o mesmo sorriso que Naoto.

— Eu também não vou tomar banho, tio Sasuke!

Sasuke nem a olhou duas vezes. Simplesmente retirou sua camiseta e ficou apenas de calça. Estava acostumando-se à sua rotina, e sabia que era inútil dar banho neles vestindo camisetas, pois sempre acabava encharcado. Quando estava preparado olhou para o corredor, mas ninguém mais estava lá. Revirou os olhos.

— Se vocês não aparecerem aqui em dez segundos, vão ficar sem jantar.

Ninguém apareceu. Nove segundos. Ainda nenhum movimento. Seis segundos.

— Eu não tô brincando. Cinco. Quatro. Três…

— Tio Sasuke, você não sabe brincar – reclamou Naoto, aparecendo com um bico nos lábios.

Aya apareceu dois segundos depois. Tinha a mesma expressão e mantinha os braços cruzados sobre o peito.

— A brincadeira é te fazer correr atrás de nós, tio! – reclamou Naoto.

— Por que eu vou correr se vocês vêm até mim?

Ainda emburradas, as crianças seguiram Sasuke até o banheiro.

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Aya e Naoto faziam sabe-se-lá-o-quê no quarto do garoto, e Sasuke realmente não se importava. Finalmente estava pronto para analisar os arquivos que Itachi lhe deixara. O idiota do Uzumaki entregara seus documentos de bandeja à Akatsuki, que tinham ousado invadir um armazém de estoque de evidências de casos antigos. Shikamaru tentava descobrir o que sumira, mas demoraria alguns dias até que pudessem saber o que era exatamente – as câmeras de segurança lhes diriam, porém estavam danificadas demais para que pudessem ter uma resposta imediata.

Suspirou, sabendo que não havia mais volta. O local que guardava as mais preciosas lembranças de seu pai – Sasuke sempre soube que o trabalho era o mais importante para Fugaku – fora violado, e aquilo não ficaria sem retaliação.

Abriu o arquivo, e seu fôlego parou. Ali estava uma descrição detalhada sobre cada um dos integrantes do grupo, com direito a fotos e observações especiais. Sasuke sorriu. Finalmente encontrara uma vantagem. Estava um passo a frente deles.

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Aya acordou de supetão, mas Naoto continuava dormindo. Ela pensou em acordar o irmão, mas o desespero que sentia era muito grande. Havia tio Sasuke partido também? Estava ele desaparecido como o papai? Sentiu o soluço querer escapar e cobriu a boca, sem querer acordar o irmão. Quase caiu da cama ao tentar sair dela e correu pelo corredor.

Com esforço e tropeçando devido à escuridão, Aya conseguiu chegar ao quarto de Sasuke. Soluçava alto agora. Correu até a cama dele e tentou içar-se para cima, porém não conseguia ver nada, e caiu de novo.

— TIO SASUKEEE!

Sasuke não estava na cama. Acordou ao ouvir o grito de Aya e quase caiu ao pular da cadeira. A menina ainda chorava, e o Uchiha entrou em desespero. Estavam sendo atacados? Havia alguém tentando profanar a segurança do lar do Uchiha?

Sasuke saiu tropeçando pelos corredores, batendo nas paredes. O barulho vinha de seu quarto. Invadiu o aposento de supetão e ligou a luz. Aya chorava agarrada ao seu cobertor, que fora parar no chão devido às puxadelas da menina.

Ela estava sozinha no quarto.

Sasuke conseguiu respirar. O pânico que o dominara ao acordar com os gritos de Aya o havia feito prender a respiração.

Naoto começou a gritar.

Sasuke deixou a sobrinha, que ainda chorava, e correu até o quarto do garoto. Ele chorava na cama, também sozinho. Suspirou aliviado. Não havia ninguém atrás deles. Naoto e Aya estavam bem. Ninguém tentava matá-los.

Depois de passado o susto, Sasuke caminhou até o sobrinho.

— O que foi?

Naoto não respondeu, apenas agarrou-se a ele e se negou a soltá-lo. Ainda chorava, assustado. Os gritos de Aya também podiam ser ouvidos. Sem ter o que fazer com Naoto, Sasuke o levou no colo até seu quarto. A garota permanecia na mesma posição.

— Aya, pare de chorar. O que foi?

Sasuke caminhou até ela e a menina estendeu os braços, acomodando-se no colo do tio, ao lado do irmão. Sasuke era forte, mas não conseguiria carregar os dois por muito tempo. Acabou por se sentar em sua cama, e ambos se ajeitaram de forma a abraçá-lo melhor.

— Está tudo bem, eu tô aqui – repetiu as palavras que Ino lhe ensinara.

Como da outra vez, elas pareceram ter um efeito instantâneo nos dois, que se acalmaram e cessaram com as lágrimas.

— A Aya começou a chorar, e eu fiquei com medo do escuro – segredou Naoto, escondendo o rosto na curva do pescoço de Sasuke.

Sasuke assentiu com a cabeça, imaginando que era algo como aquilo. Aya ainda soluçou mais um pouco antes de sussurrar:

— Eu tive um pesadelo, tio.

“Outro?” perguntou-se Sasuke, preocupado.

— Que pesadelo, Aya?

A menina apenas negou com a cabeça e o abraçou mais forte. Sasuke acariciou a cintura dela, sem saber o que mais fazer ou dizer para acalmá-la. Aya acabou falando depois de mais alguns segundos.

— Você não vai embora, né? Vai sempre voltar.

— Como assim?

— Papai disse que ia embora, mas que voltava. Mas ele não voltou. E eu sonhei que você não voltava também, tio.

Naoto agarrou Sasuke, como se a simples possibilidade o apavorasse, e Aya fez o mesmo. O Uchiha ficou alguns segundos apenas encarando os pequenos que o abraçavam com tanto desespero, e no fim assentiu com a cabeça. Não sabia se poderia cumprir aquela promessa, mas faria o seu melhor.

— Sim, Aya. Eu sempre vou voltar.

Aya apenas o abraçou mais forte, e Sasuke levantou novamente, segurando os dois.

— Vamos dormir, sim?

— NÃO! – os irmãos gritaram juntos.

— Vocês são crianças, têm que dormir, tá tarde.

Sasuke olhou para o relógio. Eram quatro horas. Ele também precisava dormir.

— Só se for aqui – disse Aya.

— Por favor, tio – concordou Naoto.

Sasuke suspirou. Não era como se tivesse muitas opções.

— Tudo bem, mas só hoje.

Os dois assentiram com a cabeça.

— Mas deitem na cama pra eu desligar a luz.

— NÃO! – gritou Naoto. – Eu tenho medo, tio Sasuke!

— Não precisa ter medo, Naoto.

O menino formou um beiço de choro, e Sasuke deixou os dois pequenos sobre a cama. Aya tentou voltar ao seu colo, e Naoto fez o mesmo, mas o Uchiha se afastou.

— Deitem os dois na cama, que eu vou desligar a luz.

— Não, não, não! – protestaram juntos.

Sasuke detestava dormir com a luz acesa e realmente não queria se irritar mais.

— Aya e Naoto, eu não vou deixar ninguém chegar perto de vocês agora, mas é hora de dormir, e a luz vai ser apagada. Agora deitem.

O bico de birra permaneceu, mas os dois obedeceram.

— Você nem gosta da gente! – reclamou Aya, deixando algumas lágrimas escorrerem.

— Se continuar reclamando eu vou fazer vocês dormirem sozinhos – ameaçou Sasuke.

O choro aumentou, e o Uchiha podia ter jogado os dois pela janela apenas para ter silêncio. Sabia que não era culpa deles terem pesadelos, mas aquilo já era um pouquinho demais. Itachi mimara muito os dois, e agora era ele quem tinha que consertar aquilo.

— Sem choro.

— Você vai nos dar pro bicho papão? – perguntou Naoto, com a voz marejada.

“Puta que pariu, e essa agora?”

— Não tem bicho papão nenhum, Naoto. Só homens maus, e nenhum homem mau vai vir aqui.

— Mas eles pegaram o papai – disse Aya temerosa.

— Não na minha casa.

A menina não soube o que responder àquilo, e Sasuke pegou o cobertor do chão. Os dois se deitaram um em cada ponta, e Sasuke percebeu que seria ele a dormir no meio. Cobriu os sobrinhos com o cobertor e foi até seu armário. Colocou apenas um calção. Nunca dormia de camisetas.

— Rápido, tio Sasuke! – reclamou Naoto.

— Calma.

Sasuke desligou a luz e caminhou tranquilamente até sua cama; já sabia o caminho. Assim que deitou, sentiu os dois grudaram em seu corpo, um de cada lado.

— Sai, Nao, eu que to abraçando aqui – reclamou Aya, tentando empurrar o irmão pra longe.

— Sai tu, Aya!

— Sem briga, ou vão os dois pro outro quarto.

Aya acabou cedendo e abraçou Sasuke como pôde. Naoto fez o mesmo, e o Uchiha não teve outra opção que não abraçá-los de volta. A posição não era a melhor, porém se sentia estranhamente confortável. Assim como as crianças, dormiu muito rapidamente.

Aya não sonhou, assim como tampouco o fez Naoto. Sasuke trazia uma sensação de segurança tão grande para eles, que sabiam que era impossível que qualquer mal os atingisse. Com Sasuke era como se possuíssem um campo de proteção ao redor e sentiam-se tão protegidos e acolhidos que apenas a paz lhes dominava.

Notas finais
OOooie o// Então, eu acabei de terminar o próximo já, e quero falar uma coisinha com vocês. Tava tentando fazer capítulos entre 2500 e 3500 palavras, pra não termos exageros. Mas o próximo passou das 4000. Eu sei que o capítulo vai ser maior, mas realmente não tem como diminuí-lo - estaria acabando com todo o meu plot se o fizesse. Ou seja, os próximos dois ou três serão BEM longos, mas depois disso JURO que volta tudo ao normal, ok? Obrigada a todos os comentários lindos e acompanhamentos, e favoritos *--* Vocês são demais *--* Bjs e teh + ^3^//