Obsesso

23 22. Reencontro conflituoso


Notas iniciais
Finalzinho do dia, mas tô no prazo ainda o// ~~enjoy

O arquivo já estava com Shikamaru, porém não tiveram tempo de discutir o assunto. Sasuke fora chamado para ir a outro armazém, este perdido entre algumas fazendas abandonadas. Não era idiota como Itachi e levava reforços, Neji estava consigo – preferira deixar Gaara em casa. Com o filho a caminho, não queria o amigo em nenhum local perigoso.

O tal armazém fora comprado por Naruto. Supostamente, ao menos. Os cartões de crédito do loiro obviamente já estavam sendo seguidos, apesar de ainda não terem sido bloqueados – era o que Sasuke faria a seguir, apenas para manter as aparências. Se a Akatsuki ainda não sabia que haviam descoberto a ilegitimidade dos documentos do Uzumaki, melhor.

— Como você está?

Sasuke não era de perguntar aquilo, porém estava verdadeiramente preocupado com Neji. O Hyuuga era conhecido de longa data, e um dos únicos que Sasuke podia chamar de amigo.

— Tão bem quanto você. Lee era um irmão pra mim.

“Uma merda que caminha, então”. Sasuke não voltou a perguntar, e Neji também se manteve quieto. A morte de Lee não estava sendo fácil para o Hyuuga, principalmente porque Tenten também sentia muito a falta dele. Eles tentavam se consolar mutuamente, mas era difícil. Ninguém sabia o que dizer; era Lee quem normalmente os tirava do fundo do poço. Mas Lee não estava mais lá.

Chegaram. O lugar estava decadente, e Sasuke colocou novamente sua máscara de indiferença. Ela caía muito nos últimos dias, porém o Uchiha fazia o possível para sempre recolocá-la. Precisava, mais do que nunca, ser forte.

— Que merda de lugar, hm? O Uzumaki não tinha dinheiro pra algo melhor?

Sasuke relembrou a casa simples na qual Naruto vivia, e percebeu que não, ele provavelmente não tinha. Fez uma nota mental de reembolsar o loiro pelo armazém. Ele provavelmente precisaria do dinheiro depois.

As paredes de madeira estavam caindo, cheias de cupim e fungos. Pior que elas apenas o telhado, cheio de buracos e telhas quebradas.

— Acho que vamos ter que arrombar – murmurou Neji, analisando o cadeado de entrada.

Como estavam dentro da lei e Sasuke não estava com paciência, arrombaram. Os dois chutaram juntos, e a porta caiu. Estava podre, mas ninguém olhou para a porta. Olhavam para as paredes, infestadas de fotos de Sasuke e Itachi. O irmão predominava, mas havia uma foto de Aya e Naoto também. Por alguns segundos, o coração de Sasuke parou.

–-//--//--//--//--//

Aya brincava com uma menininha loira e divertida. Estavam com duas bonecas, uma mais entretida que a outra, quando o telefone da sala tocou. Ela desviou o olhar, curiosa, e viu a professora se arrumar toda ao falar. Riu para Jes, sua amiga, e as duas se aproximaram mais para ouvir.

— Senhor Uchiha, não há necessidade de…

— TIO SASUKE! – gritou Aya, feliz.

Naoto ouviu o grito e largou seus amigos, correndo até o lado da irmã. As duas crianças começaram a pular nas pernas da professora, que tentava mantê-las afastadas.

— Elas estão bem, senhor Uchiha. Não há necessidade de preocupação…

— TIO SASUKE, FALA COM A GENTE – gritou Naoto, querendo ser ouvido.

Mas a professora desligou o telefone.

— Vocês falam com o titio depois. Ele tava muito ocupado agora.

Aya inflou as bochechas, irritada, e fez seu característico biquinho.

— Você que é egoísta e não queria dar o telefone pra gente porque gosta do titio. Mas ele ama eu, e não ama você. E ele dorme com eu, e não com você.

E a menina saiu batendo os pés, irritada.

— Aya! – repreendeu a mulher.

— Não adianta, tia, ela tá certa – disse Naoto, antes de voltar para onde estivera.

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— Sasuke, eles não tão brincando…

Neji ainda estava apavorado. A sala tinha detalhes da rotina de Sasuke e Itachi, assim como fotos de momentos em que os dois nem se imaginavam acompanhados.

— Vamos precisar analisar cada uma delas.

Além daquilo, alguns objetos pessoais de Naruto estavam presentes. Roupas extravagantes que se mostrariam do loiro se Sasuke fizesse o teste de DNA, assim como uma escova de dentes e todas as armas que haviam sido roubadas.

— As roupas e…

— Isso é desnecessário. Queime antes que alguém veja.

— Vamos estar destruindo a cena do crime… – protestou Neji.

— Eles querem que eu pense que foi o idiota do Uzumaki a fazer isso, mas eu sei que não foi.

Sasuke permaneceu imóvel por alguns segundos, tentando controlar o turbilhão de sentimentos conflituosos que o perturbavam. Estava assustado e irritado ao mesmo tempo.

— Mas Sasuke, independente disso…

— Não, Neji. O simples fato de o armazém estar no nome dele já vai ser complicado. Tentar explicar aquelas roupas ali vai ser quase impossível. Não vou mandar ele para a cadeia.

Neji assentiu com a cabeça, e carregou as coisas que pertenciam ao Uzumaki até seu carro. Ainda não havia cobertura de poeira sobre nada, então não havia como os policiais que depois viessem descobrissem que algo fora removido.

— Algo a mais a fazermos?

— Tô pensando em nem falar nada pra ninguém sobre isso aqui… Fazemos a investigação bem básica, só o pessoas da 66 e depois arquivamos. Eu pego o principal e trabalho em casa.

Neji negou com a cabeça.

— Sasuke, há um grande conflito de interesses aqui. Você claramente está envolvido, e deveria ser afastado da investigação.

Imediatamente a cabeça de Sasuke virou-se na direção de Neji.

— É a morte de Itachi.

Neji pareceu propenso a discutir mais, mas acabou por ficar calado. Suspirou incomodado.

— Tudo bem, mas não fique aqui enquanto recolhemos as coisas, ok? Você pode ter acesso às fotos e a tudo o que acharmos aqui à noite.

O Uchiha não pareceu muito satisfeito, e Neji revirou os olhos.

— Sasuke, sem drama! Você conhece o protocolo, nem deveria estar aqui, porque é muito próximo do que aconteceu.

­­— Neji, eles estão atrás da minha família! Acha que eu simplesmente vou ficar parado enquanto os imbecis que mataram meu irmão estão soltos por aí? Acha que vou ficar esperando que eles cheguem e matem meus sobrinhos também?!

O brilho feroz nos olhos negros fez com que Neji desistisse. Não adiantava brigar com o diabo, não quando ele estava assim envolvido. Não quando alguém tentava mexer com a família dele.

— Tudo bem, mas espere até de noite. Vou levar as coisas pra sua casa. Agora queime o que quiser queimar e saia.

Sasuke suspirou, mas assentiu com a cabeça. Pegou tudo o que poderia ter o DNA de Naruto e levou de volta para seu carro. As roupas não estavam manchadas de sangue ou fuligem, e poderia devolver tudo a Naruto. Pela anarquia na qual o Uzumaki vivia, ele nem deveria ter sentido falta das peças.

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— Fiquei bem surpreso com a ligação.

Sasuke encarou Juugo, que fumava um cigarro no quarto. Suas roupas já estavam devidamente dobradas sobre uma mesinha, parecida com a do outro motel ao qual fora, e caminhou nu até o homem que o esperava na cama.

— Tive um tempinho hoje, e to meio estressado.

Juugo riu de leve, e ofereceu o cigarro a Sasuke.

— Você sempre tá estressado, Sasuke, só não admite.

Sasuke aceitou o cigarro e sentiu a nicotina invadir seus sentidos. Aquilo era bom. Admirava-se por não ter pegado nem mesmo um cigarro desde a morte do irmão. Não era um vício, apenas um hábito que mantinha quando estrava nervoso.

— Talvez.

Sasuke deitou-se sobre Juugo e os dois se beijaram. O ruivo gostava do sexo, e sentia grande admiração pelo moreno, mas não passava disso. Sabia que Sasuke tampouco nutria grande afeto por si.

O beijo parou, e Sasuke tragou mais uma vez enquanto Juugo ocupava-se em beijá-lo no pescoço. Não precisava mandar o ruivo não marcá-lo; diferente de Suigetsu, ele nunca o fazia.

— Precisamos conversar – murmurou Sasuke, começando a perder-se na sensação de ter aquelas mãos ao seu redor.

— Podemos conversar depois.

— Ok.

O cigarro foi esquecido no cinzeiro do criado-mudo, e Sasuke prendeu as mãos de Juugo sobre a cabeça dele. Segundos depois abriu seu sorriso mais malicioso, e lambeu lentamente os lábios. Juugo também sorriu. Aquela tarde seria boa.

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Deidara sorriu enquanto encarava o teto. Tinha o uniforma policial guardado em uma sacola em seu guarda-roupa, e o usaria assim que Sasori retornasse da missão investigativa dele. Sentiu o celular vibrar; era uma mensagem de Konan. Uma reunião estava para acontecer.

— Mais essa agora… – murmurou.

Deidara suspirou, sabendo que não seria naquele momento que poderia se divertir, e trocou de roupas, indo até o ponto de encontro. Não demorou a chegar – morava perto da casa alugada que usavam –, e percebeu que era o primeiro.

— A explosão foi linda, Deidara – elogiou Konan quando ele chegou.

Deidara sorriu, convencido.

— A arte sempre é bela para quem sabe apreciar.

Konan apenas riu divertida, e os dois se sentaram no sofá bordô da sala.

— E Nagato?

A mulher mordeu o lábio inferior, entristecida.

— Nagato não está hoje. Mas ele vem pra reunião.

Nagato transava com quase qualquer mulher que usasse saia, menos com Konan, e todos sabiam o quanto aquilo incomodava o coração da mulher. Os dois moravam juntos, porém Nagato agia como se fossem irmãos, e ela queria muito mais do que aquela fraternidade. Talvez, se Yahiko ainda estivesse vivo, eles pudessem ter uma relação apenas fraterna. Mas Yahiko morrera, e Nagato era o único homem além dele que Konan já fora capaz de amar.

— Ele é um idiota, você sabe.

Konan negou com a cabeça.

— Nagato apenas tem muito o que pensar e fazer.

— Se eu fosse bi, definitivamente te pegava.

Konan riu, e Deidara aproveitou para rir também. Eles tinham uma amizade meio incomum, mas realmente se gostavam. Não era nada muito profundo, mas, ainda assim, era bom. Deidara não tinha muitos amigos.

— E como estão você e Sasori?

— Estaríamos fazendo sexo se você não chamasse.

Konan riu e não respondeu. A campainha tocou.

Em menos de uma hora, estavam todos ali.

Orochimaru era o líder – ou, ao menos, pensava ser – e observou todos os integrantes daquele pequeno culto.

— Estamos todos aqui procurando justiça, e nada mais. Vocês sabem disso, e eu também. Sasuke precisa aprender.

— Não foi Sasuke quem fez aquilo – apontou Sasori.

— Não, mas Itachi era um espião, e Sasuke também se mostrará um traidor. Está no sangue daquela família ser assim.

— Ainda acho que as crianças não têm nada a ver com a história – murmurou Deidara.

— Eles são sangue, serão como foi Fugaku, Itachi e Sasuke. É melhor que sejam mortos agora, antes que destruam a vida de alguém – disse Hidan. – Se eles precisarem viver, Jashin não permitirá que os matemos.

— Você e essa sua religião ridícula que ninguém entende – murmurou Kakuzu, remexendo na moeda que tinha no bolso.

— Jashin é…

— Hidan, cale-se – ordenou Orochimaru.

— Eu não me calo não! Ele ofendeu Jashin!

Hidan pegou uma faca com três pontas. Normalmente gostava de usar sua foice, porém não podia andar com ela pelas ruas. Limitava-se a usá-la apenas ao realizar um de seus muitos rituais de sacrifício.

— As crianças, assim como Sasuke, devem seguir Itachi – Orochimaru disse.

Hidan não parecia ouvir ninguém. Kakuzu encarava a faca, e tinha a mão tocando seu revólver. Se fosse atacado, reagiria ainda mais rapidamente do que o outro. Não começaram a briga; Orochimaru desarmou Hidan.

— Fique quieto, pois a reunião não pode se prolongar.

Hidan não gostou de ser tratado daquela forma, mas apenas lançou um olhar de ódio velado a Orochimaru e voltou a encarar Kakuzu. Os dois mantinham uma relação estranha. Apesar de já terem se esfaqueado e de Kakuzu já ter atirado na perna de Hidan, continuavam sendo parceiros e continuavam vivos.

— Sasuke congelou todas as contas de Naruto. Demorou, mas acho que está finalmente acreditando que o Uzumaki é o culpado. Foi visitá-lo na segunda-feira, e saiu de lá batendo a porta.

— Não acho que Sasuke seria suficientemente idiota a ponto de confrontar o Uzumaki sem ter certeza – Konan disse. – Se eles estão conversando, então, talvez…

— Se não desconfia, em breve desconfiará – Orochimaru sorriu.

— Como assim? – perguntou Nagato.

— Vamos deixar Sasuke saber que foi você quem matou Jiraya. Se ele souber, pode acreditar que Naruto desejava se vingar da Akatsuki.

— E, como Itachi era um espião, então Naruto atacou Itachi e o matou.

Orochimaru assentiu com a cabeça e Nagato sorriu.

— Como deseja que eu me revele?

Orochimaru encarou todos os participantes.

— Sasori, o que Sasuke fez depois de ver o armazém?

— Ele pegou as roupas e tudo o que deixamos lá com o DNA de Naruto e depois foi até um motel. Encontrou-se com o chefe de Zetsu.

— Juugo, hm? – perguntou Zetsu, sorrindo. – Precisamos nos livrar dele?

— Não, Sasuke e Juugo já se encontram há bastante tempo, não há nada de incomum aí – respondeu Orochimaru.

Nagato ainda esperava por sua resposta. O líder sorriu malicioso, e falou devagar, como se ainda pensasse ao pronunciar as palavras.

— Vamos esperar. Não estou bem convencido de que Sasuke caiu em nossa armadilha. Pelo que sabemos, ele pode ter descoberto sobre os documentos.

— Não – negou Kakuzu. – Eles foram muitíssimo bem feitos. Eu cuidei da troca pessoalmente.

— Não duvido. Mas esperemos. Depois, vamos fazer uma surpresinha a Sasuke.

Nagato sorriu ao ouvir aquilo. Adoraria ajudar a maltratar aqueles que mataram Yahiko. Sasuke merecia sofrer mais do que qualquer um.

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Ofegantes, Juugo e Sasuke acenderam outro cigarro.

— Agora podemos conversar – disse o ruivo, cortando as palavras com sua respiração pesada.

Sasuke jogou a fumaça para fora de seus pulmões e sentiu a mistura dos prazeres pós-orgasmo e nicotina. Se estivesse com um uísque ao seu lado, o momento seria perfeito.

— Você conhece uma organização chamada Akatsuki?

Juugo pegou o cigarro de Sasuke e assentiu com a cabeça.

— Um dos meus policiais que os investigava sumiu. Há suspeitas de que seja uma seita religiosa. Encontramos alguns corpos que foram usados em rituais e uma testemunha afirma ter ouvido dois homens conversando. Foi de onde tiramos o nome.

Sasuke não conseguia acreditar que precisava simplesmente ter corrido até Juugo para mais informações.

— E a testemunha?

— Morta. Sumiu meia hora depois de sair da delegacia.

Sasuke suspirou, resignado. A Akatsuki, em si, não era uma seita religiosa. Os corpos encontrados provavelmente pertenciam ao tal Hidan, olhos estranhos e cabelo muito claro, mas nenhum outro cultuava Deuses. Talvez estivesse conversando com Kakuzu, o parceiro dele. Amava seu irmão por ter deixado arquivos tão completos.

— E seu policial sumido?

— Zetsu alguma coisa. Ele era experiente, mas sumiu ao investigar essa tal Akatsuki. Olhei suas anotações, mas não tinha descoberto muita coisa.

Zetsu era um dos integrantes do grupo. Sasuke não disse nada, apenas puxou mais nicotina para dentro de seu corpo. Tudo estava muito mais interligado do que ele pudera imaginar.

Sasuke tinha uma leve ideia da ideologia do grupo, mas queria discutir aquilo com Shikamaru. Agora que sabia que era seguido, conseguira sentir olhos a observarem-no até chegar ao motel. Não sabia quem era, mas via uma sombra pelo canto do olho sempre que se movia bem rápido. Sairia pelos fundos, na esperança de despistar seu vigia e ir falar com o Uzumaki. A Akatuki não podia nem desconfiar de que não caíra nas táticas deles.

–-//--//--//--//--//

Naruto estava começando a segunda temporada de Arrow quando a campainha tocou. Receberia em breve seu equipamento e poderia treinar novamente. Corria todas as manhãs ao acordar, e procurava uma boa academia para frequentar, mas até o momento não achara o lugar perfeito. Talvez devesse escolher uma academia de luta, e não uma em que apenas fizesse exercícios. Boxe, talvez.

O loiro pausou o episódio e tropeçou até a porta. Precisava admitir que sua casa necessitava de uma boa arrumação. Estava com tempo sobrando. Talvez arrumasse alguma coisa no dia seguinte.

— Olá?

Abriu a porta, e sentiu todos os músculos de seu corpo se tencionarem ao ver Sasuke parado ali. O frio de fora nem mesmo o incomodou, tamanho era seu desconforto.

— Uchiha-san?

Sasuke apenas empurrou Naruto e bateu a porta ao entrar.

— O que…?

— Estou sendo seguido. Acho que a Akatsuki já suspeita de que não desconfio de você.

Naruto franziu o cenho. Aquela situação tornava-se apenas mais complicada a cada dia que passava. Sasuke estava sendo seguido?!

— Como eles poderiam saber? Você bloqueou meus cartões, e me tirou do trabalho. O que mais eles querem que você faça? Atire em mim?

Os olhos negros tornaram-se ainda mais escuros, e Naruto recuou um passo.

— Não to falando sério. Não atire em mim.

— Não vou atirar em ti, idiota. Eu vim devolver umas coisas que foram roubadas.

Sasuke atirou sobre Naruto as roupas dele, e o rosto do Uzumaki, normalmente tão leve e tranquilo, tornou-se obscuro.

— Que brincadeira é essa, Sasuke? – reclamou Naruto, jogando aquelas roupas longe.

O Uchiha franziu o cenho, confuso.

— Onde conseguiu aquilo?! – Naruto voltou a gritar.

Naruto não pensou muito, apenas se jogou contra Sasuke, prensando-o contra a bancada que separava a sala da cozinha. O Uchiha sentia a pedra fria a bater no meio de suas costas, mas estava confuso. Empurrou Naruto para longe.

— O que é aquilo?

— Não te interessa, onde conseguiu?

Naruto partiu para cima de Sasuke novamente, e o Uchiha desviou, mas puxou Naruto ao enroscar seu braço ao redor do pescoço dele, por trás. O Uzumaki se abaixou e fez o Uchiha passar por cima de si, batendo de costas no chão. Sasuke rolou e logo estava em pé novamente.

— O que está fazendo, Uzumaki?

— Onde conseguiu aquelas roupas?!

— Num armazém que você supostamente comprou, cheio de fotos minhas e de meu irmão.

— Eu não tirei aquelas fotos, e nunca vi esse armazém.

— O que são essas roupas?

O tom de Sasuke era perigoso, e Naruto estaria apavorado em qualquer outro momento, mas não naquele. O loiro estava raivoso demais para sentir medo.

— Não é da sua conta.

— Como a Akatsuki pegou roupas suas?

— Eu não sei. Foi você quem me meteu nessa sua guerra estúpida.

Os olhares estavam presos um no outro. Negro no azul. Azul no negro.

— Eu não te meti em nada. A Akatsuki te escolheu porque acharam que eu te acharia suspeito. Mas eles são inteligentes. Porque escolheriam você, se nunca teve nenhum contato com eles?

— Eu não sei. Porque eles são idiotas.

— Não são idiotas.

— Eu não matei seu irmão.

— Eu também achava que não. Explique sua raiva.

— Não é da sua conta.

Naruto não gostava de falar sobre aquilo com ninguém, e certamente não falaria a nenhum policial o que fizera vestindo aquela jaqueta de couro. Sasuke lançava a Naruto seu olhar mais profundo, mas parecia que este não surtia efeito no Uzumaki. Estranho. Normalmente surtia efeito em qualquer um.

— Isso é muito suspeito, não acha? Como eles teriam roupas das quais você se livrou?

— Como sabe que eu me livrei delas?

Naruto estreitou os olhos.

— Você acabou de me confirmar.

“Merda”.

— Eu acho que está na hora de você ir embora.

— Eu não acho. Se eu testar essas roupas pra sangue, encontrarei alguma coisa?

— Eu não matei seu irmão.

— Matou outra pessoa?

— Nunca matei ninguém.

Os olhos continuavam presos um no outro. Eram como dois animais selvagens a ponto de se atacarem.

— Então por que está desse jeito?

— Não é da sua conta. Saia da minha casa, e trate de me tirar dessa sua bagunça.

Os olhares continuavam. Parecia que iam começar outra briga.

— OLÁ, VADIA!

Karin invadiu a casa de Naruto com um sorriso de orelha a orelha. Tinha uma sacola na mão direita, cheia de comida.

A troca de olhares se quebrou, e a atenção se voltou para ela.

— Karin? – perguntou Sasuke, confuso.

— Sasuke?!

Naruto suspirou, bagunçando seus cabelos, e tentou sorrir para ela.

— Esqueci que você vinha.

— O que está acontecendo?

Naruto suspirou e lançou um último olhar a Sasuke antes de caminhar até suas roupas. Uma camiseta laranja, um casaco de couro negro e uma calça negra. Seu traje de fazer baderna. A roupa que usava quando quase matara Nagato, e a roupa que tinha o sangue de Jiraya. A roupa que usava ao invadir residências, quebrar patrimônio público e ao fumar escondido com as más companhias que Kiba desconhecia. A roupa com a qual se imaginara matando aquele ruivo desgraçado mais de uma vez. A roupa que usava quando policiais o encontraram e disseram que Jiraya estava mal. A roupa que presenciou sua ida desesperada ao hospital, seu alívio quando descobriu que o avô estava estável no quarto… e o pânico de quando ele começou a sangrar. O casaco com o qual Naruto tentara cobrir a fenda da qual saía tanto sangue…

— Naruto?

Ele sorriu para Karin, que percebeu as lágrimas querendo sair de seus olhos. Vira-o assim apenas quando falara sobre o avô.

— Que roupas são essas? – perguntou ela.

Naruto encarou Sasuke com o canto do olho, mas toda a concentração do Uchiha estava em Karin. Deu de ombros.

— Nada de importante. Vou me livrar disso depois.

O loiro pegou aquele conjunto de lembranças dolorosas e o levou até seu quarto. Colocou em uma sacola e fingiu que elas não existiam. Como a Akatsuki colocara as mãos naquilo?

— O que está fazendo aqui? – Sasuke perguntou.

Naruto sentiu o tom de acusação nas palavras dele, e sentiu raiva. Depois de tudo o que Karin lhe dissera, Sasuke ainda tinha a coragem de ser grosso daquele jeito com ela.

— Naruto é meu amigo. Vim fazer companhia a ele agora que está em um momento complicado. É o que amigos fazem.

— Desde quando se conhecem?

— De que te importa, Sasuke?!

Karin estava irritada e confusa ao mesmo tempo. Sasuke fora um idiota com ela, e agora queria satisfações? Passara todo aquele tempo sem lhe dar um único telefonema, e agora achava que podia fazer um interrogatório?

— Eu pensei que Suigetsu tivesse colocado juízo na sua cabeça!

— Agora ser amiga do Naruto é não ter juízo?

— Você não o conhece nem há um mês, ele não é seu amigo! Depois de tudo, como consegue se deixar levar assim? Ele podia ser como todos os outros!

Sasuke estava irritado. Confuso. A máscara caíra, e ele não conseguia recolocá-la.

— Como você sabe que nos conhecemos há pouco tempo?!

— Eu penso, Karin! Ele está aqui desde o dia seis, e você nunca vai a Worcester, porque não conhece ninguém lá. Então se conheceram aqui.

— Pra sua informação, nos conhecemos em Worcester!

— Pior ainda. O que fazia lá?!

— Não te interessa! Eu parei de ser um estorvo, lembra?

— Obviamente não. Anda, eu te levo pra casa.

Karin sentia seu rosto arder. Detestava aquilo! Sasuke simplesmente achava que podia mandar nela, que ela seria para sempre aquela menininha de doze anos assustada e que precisava de proteção. Bem, ela mudara.

— Karin não vai a lugar algum – falou Naruto, aparecendo pelo corredor. – Ela fica aqui.

— Você não se aproxime dela.

Karin franziu as sobrancelhas, confusa. Naruto também estava.

— O que é isso, Sasuke?! Por que não posso ser amiga do Naruto?

— Ele está no meio de uma maldita guerra. Não me interessa se queria ou não estar, ele está. Ficar vindo aqui só vai colocar você em perigo também.

— E desde quando você se importa?

Sasuke não acreditava que ela dizia aquilo. Sabia que não era o melhor amigo do mundo, entretanto acolhera Karin em sua casa. Cuidara dela quando ela mais precisava ser cuidada, e agora achava que não se importava?! Ele oferecera dinheiro a ela! Mas a idiota sempre achava outro problema, e outro problema…

— Você obviamente ainda não sabe escolher suas companhias.

— Pra sua informação, o Naruto é uma ótima companhia! Ele me achou depois de eu ter sido roubada em Worcester, e não abusou de mim como você acha que qualquer outro teria feito.

— Você foi roubada em Worcester?

Karin encarou o chão. Detestava aquilo. Detestava se sentir impotente e humilhada em frente a Sasuke. Uma criança.

— Eu realmente acho que não é da sua conta, Uchiha – Naruto se intrometeu. – Agora saia.

— Não saio. Ela estava naquela festa que você mencionou? Aquela em que exibiu seu distintivo pra meio mundo?

— Você contou isso a ele?! – Karin quase gritou.

— Eu precisei contar, ele queria saber como que meus documentos foram trocados, e eu acho que foi o loiro.

— O bonito? Cabelo meio longo, olhos azuis, corpo meio definido. Tinha uma franja.

Tanto Sasuke quanto Naruto franziram o cenho.

— Você lembra? – perguntou Naruto.

— Deidara… – murmurou Sasuke.

— Eu lembro. Sasuke, Naruto me deu abrigo e me trouxe de volta pra cá. Ele cuidou de mim quando eu precisei. Ele não é como Richard.

Apenas ouvir o nome do desgraçado lhe enchia de ódio. Richard tentara estuprar Karin sob o pretexto de ter o direito de fazê-lo. Fechou os olhos e baixou a cabeça. Respirou fundo duas vezes e voltou a abri-los. Estava novamente indiferente. Odiava perder o controle.

— Não faz isso… – pediu Karin. Ela conhecia aquela expressão.

Sasuke não deixou nada transparecer.

— Você não está errada. Não é mais da minha conta. Mas toma cuidado. Naruto está sendo vigiado também, e ele está marcado pela Akatsuki.

— Akatsuki?

— Você conhece?

Ela ficou quieta, e depois desviou o olhar para Naruto, que parecia preocupado com ela. Karin mordeu o lábio inferior.

— Itachi me falou sobre eles.

O mundo parou. A máscara de indiferença quase caiu novamente, mas o Uchiha fez o possível para mantê-la no lugar.

— Itachi fez o quê?

— Ele pediu pra eu nunca te falar sobre isso. Disse que tinha descoberto essa organização criminosa, e que ia entrar disfarçado. Mas isso foi há anos, Sasuke. Pensei que ele tivesse desistido depois que Sakura… – Karin não continuou. Apenas a lembrança de Itachi chorando sobre o corpo da esposa morta lhe cortava o coração.

— Anos? – perguntou o Uchiha. – Filho da puta, desgraçado… se não estivesse morto…

Sentiu vontade de chutar todos os móveis daquela sala, mas se conteve. Filho da mãe! Anos. Itachi mentia e o enganava há anos!

— Ele não parou?

— Não. E agora esses desgraçados estão atrás de mim.

— Naoto?! Aya?!

— Estão comigo. Vão ficar bem.

— Estão atrás deles?

— Qualquer um na minha vida está em perigo. O mesmo vale para o Uzumaki. Querem que ele leve a culpa, e vão fazer o possível pra isso. Claro, partindo do pressuposto de que o Uzumaki não tenha feito nada.

— Eu não matei seu irmão!

— Ele não matou. Se não acredita no Naruto, acredite em mim.

— Você amava Richard.

O nome saiu com tanto ódio dos lábios de Sasuke, que Karin percebeu que não devia continuar insistindo.

— Eu já disse que ainda vai acabar morta por suas péssimas escolhas.

— Naruto não é uma péssima escolha.

— É melhor estar certa. Eles mataram Lee. Mataram Itachi. Querem matar muitos mais. Você não seria um problema.

Naruto sentia-se um estranho em seu próprio lar. A conversa era tão íntima. E Karin conhecia a tal Aya. Sasuke a amava. Mesmo ele percebia. O modo de falar… ele fora tão protetor quando a ruiva a mencionou. Suspirou, sentindo-se mal. Sentia atração por um cara comprometido, arrogante, e extremamente idiota.

— Eu me viro. Sempre me virei.

Sasuke lançou a ela seu olhar mais incrédulo e deu de ombros. Karin acreditava no que quisesse.

— Vou embora. É melhor não sair de Boston, Uzumaki. Estou de olho em você.

— Eu não matei Itachi!

Sasuke o ignorou e foi embora. Quando a porta se fechou, Karin jogou-se contra Naruto e os dois se abraçaram.

Notas finais
Aiaiaiaiaiaiai!! Muitas revelações agora! Akatsuki, briguinha Sasuke, Naruto e Karin... Ai, Gzus, gostaram? Eu to super sem tempo ultimamente, mas espero mesmo que vocês tenham gostado. Obrigada por todos os comentários - os que não foram respondidos ainda em breve o serão. Aain, tão gostando? Amei essa briga final o// E agora? Sasuke odeia Naruto? Ele acredita no nosso loirinho? Bjs e teh + ^3^//