Obsesso

18 17. Tudo para Sasuke


Notas iniciais
Não consegui postar ontem, então aqui está ;3 ~~enjoy

Sasuke bagunçou os cabelos, nervoso. O que a Akatsuki queria?! Estava descobrindo os planos deles e os desvendando, ou apenas caindo em armadilhas seguidas de armadilhas?! Estava sendo o gato ou o rato? Caçava ou era caçado?

Suspirou, confuso, e voltou a pensar no que acontecera antes da morte de Lee. Aquele interrogatório não saía de sua mente.

Sasuke suspirou antes de entrar na sala com a parede de vidro. Observou o interior da sala de interrogatório, e sentiu o sangue subir. O desgraçado estava lá, sentado como se aquilo não fosse problema dele, e Sasuke sentia que podia descarregar sua arma na cabeça do infeliz sem fazer pergunta nenhuma. E era por esse motivo que não estava lá dentro, por isso que Neji conduziria o interrogatório.

— Sasuke, como o Lee tá? – Gaara perguntou.

— Em cirurgia. Tenten está lá com ele, e o Uzumaki imbecil também. Ele roubou a evidência para me obrigar ir ao hospital ver como o Lee estava. Acha que não estamos fazendo nada importante.

Gaara abriu um sorriso de canto. Sasuke não compreendeu como ele podia aprovar tal atitude.

— Ele tem princípios, Sasuke. E coragem. Acho válido, não?

— É burro, isso sim. Eu podia acabar com a vida policial dele por isso.

— E não vai fazer isso porque…?

— Porque eu tenho mais o que fazer.

Neji apenas observava a discussão. Em outro momento estaria ao lado de Gaara, mas estava preocupado demais. Não deixava transparecer, é claro, mas Lee era como seu irmão, e temia pela vida dele. Talvez Gaara tivesse que assumir o interrogatório em algum momento. Não conseguia acreditar que Lee se machucara por um traidor. Sentia raiva.

— Vamos começar? – perguntou por fim.

— Neji.

Neji desviou o olhar para Sasuke, que usara seu tom mais frio ao chamá-lo.

— Eu quero que faça isso porque eu sei que vou encher aquele cara de porrada se entrar naquela sala. Se você sentir vontade de fazer a mesma coisa, então saia e Gaara assume. Temos câmeras lá dentro, e não é o local adequado.

Neji assentiu com a cabeça.

— Eu me controlo, mas só se dermos uma voltinha hoje à noite.

Sasuke sorriu de canto, e Gaara desviou o olhar. Há algum tempo, nem mesmo se importaria em ouvir aquilo. O desgraçado merecia. Agora, entretanto, era incômodo. Não gostava de imaginar a cena, principalmente porque eram seus amigos que fariam aquilo. Ino andava mexendo com sua mente, verdade fosse dita. Balançou levemente a cabeça, afastando os pensamentos. Neji e Sasuke fariam o que quisessem, como sempre.

Neji saiu do aposento com o coração um pouco mais leve. Independente do que acontecesse ali, tudo ficaria bem. E Mukade pagaria. Entrou na sala de interrogatório.

— Sai, desculpa o incômodo. Só confirmando: Lee jogou-se na frente de Mukade, certo?

Sai assentiu com a cabeça, e Neji repetiu o gesto. Caminhou até Sai e removeu as algemas dos pulsos dele.

— O que vai acontecer com Mukade?

— Nada. Apenas vamos conversar. Você pode ir pra casa agora. O senhor Uchiha disse que sua parte já foi encerrada.

Sai assentiu com a cabeça e saiu. Sentia que alguma coisa realmente ruim estava para acontecer ao outro policial, mas não se intrometeu. Não sabia o que estava acontecendo ali, sabia apenas que Sasuke suspeitava de Mukade, e que Neji arrancaria qualquer segredo que ele pudesse ter. Independente do que fosse, não era problema seu.

Na salinha adjacente, Sasuke desviou seu olhar para Gaara.

— As crianças ficam com você essa noite, ok?

— Sasuke…

— Elas não podem ficar sozinhas de noite, e eu tenho um compromisso.

— Um compromisso com Neji, não é?

— Vamos sair pra beber.

Gaara assentiu com a cabeça, sabendo que era mentira. Sentiu vontade de protestar, mas era com Sasuke que falava. Acabou por dar de ombros.

— Vou pedir pra Ino buscá-los.

Mas Sasuke já voltara sua atenção para o interrogatório, e Gaara fez o mesmo.

— Então, Mukade, vamos conversar, sim?

Mukade sentiu um frio estranho na barriga.

— Neji, eu não entendo…

Neji começou a blefar, exatamente como ensaiara com Sasuke. Em algum momento, Mukade diria algo que não sabiam.

— Sem gracinhas. Sasuke sabe, e eu sei também. Uma organização interessante, a de vocês. A mulher de cabelos roxos é bem bela, não acha? E Itachi manteve arquivos tão completos! Queremos apenas te ajudar aqui, Mukade. Diga o que queremos ouvir, e aliviamos a prisão. Dizemos até que você agiu por obrigação.

Não diriam porcaria nenhuma, mas Mukade podia acreditar naquilo. Neji conseguia ser bem mais eficiente ao retirar informações usando uma faca, mas a conversa estava sendo gravada, e ele não podia usar todos os truques que conhecia.

— Vocês sabem um pouquinho sobre a Akatsuki e seus membros, grande coisa! – resmungou Mukade, tentando manter-se afastado de Neji. – Eu não vou contar nada!

Akatsuki. Finalmente juntavam a organização a um nome. Neji riu. Se tivesse uma faquinha… uma mísera faquinha, arrancava tudo dele!

— Ah, eles vão te matar, hm? Pra matar, precisam chegar em você primeiro. Eu poderia dizer que vamos te proteger, mas Lee levou um tiro por você. E Lee pode morrer. Então eu não vou oferecer proteção nenhuma, e Sasuke muito menos. Sabe por quê? Porque você ajudou a matar Itachi, e Sasuke nunca vai perdoar você por isso. E nem eu.

Mukade engoliu em seco, sabendo que tudo aquilo era verdade.

— Eu não sabia sobre o Itachi-san! Só me pediram pra reportar o que ele fazia. Eu só estava obedecendo, ok? Eu não fiz nada!

— Então você era só um espião? Ah, menos mal então, né? Só entregou informações sobre Itachi e Sasuke para seus chefes, não é?

— Não é minha culpa, ok? Ele é obcecado com os Uchiha! Eu só disse o que sabia. Que Itachi e Sasuke eram próximos, que Itachi tem dois filhos, e que ele quase não vinha mais aqui, só…

— VOCÊ CONTOU PRAQUELES DESGRAÇADOS SOBRE OS MEUS SOBRINHOS?!

Sasuke invadiu a sala com tanta velocidade e tanto ódio, que Neji precisou jogar-se sobre ele para impedi-lo de matar Mukade ali mesmo. Gaara entrou logo depois, com sangue escorrendo do canto da boca. Ajudou Neji a segurar Sasuke, que continuava a se debater.

— Desculpa, senhor Uchiha, desculpa.

Mukade começou a chorar. Nunca em sua vida sentiu tanto medo. O olhar de Sasuke… e a raiva que exalava dele. O ódio. Era como encarar o diabo. Mukade tentou se afastar mais, mas estava algemado à mesa. Sentiu o frio em seu estômago, e vomitaria se tivesse comido algo naquela manhã.

Com dificuldade, Neji e Gaara conseguiram retirar Sasuke da sala. O moreno continuava a se debater, tentando chegar a Mukade, mas Neji e Gaara o mantinham imobilizado.

— Sasuke, se acalma, por favor!

— Esse desgraçado falou sobre a Aya e o Naoto, Gaara! Como quer que eu me acalme?! Eles são minha responsabilidade agora, ok? E se…

Sasuke sentiu um frio na barriga e parou de se debater.

— Me solta!

Soltou-se de Neji e virou as costas para os dois, pegando seu celular em seguida.

— Sasuke… – Gaara tentou se aproximar, mas o Uchiha apenas levantou a mão, sem se virar.

Neji revirou os olhos, nervoso.

— Aqui é Uchiha Sasuke. Onde estão Aya e Naoto?

Silêncio.

— Não, não quero falar com eles. Obrigado.

— Estão bem?

— Brincando na sala de aula. Desenhando alguma coisa, não sei.

Ficaram em silêncio por mais um minuto, e então Sasuke voltou a olhar para os dois. Estava novamente indiferente e vazio. Ou tentava, a todo custo, demonstrar isso.

— Continue, Neji. Estamos indo bem.

Neji assentiu com a cabeça e voltou para a sala.

— Como percebeu, Sasuke não está nada feliz com você.

Mukade sentiu as lágrimas continuarem a escorrer, e olhou para a porta, temendo que o Uchiha fosse invadi-la novamente. Todo seu corpo estava arrepiado. Era como se estivesse mais leve, de tanto medo que sentia. Sentiu ânsia, mas não vomitou. Seu estômago estava se revirando.

— Eu não matei Itachi! Eu só dou informações, ok?

— E pra quem, exatamente?

— Eu não posso dizer, não posso! Eles vão me matar se eu disser!

— E o que acha que Sasuke fará com você se não se mostrar útil, hm? Nós temos três opções aqui, Mukade. A) Você me fala o que sabe e eu fico quietinho sobre tudo isso. B) Você não fala e eu deixo escapar praquela linda mulher de cabelos roxos que você nos contou muitas coisas. Ou C) Eu te deixo com Sasuke. Qual vai ser?

Da salinha adjacente, Sasuke rezava para Mukade escolher a terceira opção.

— Sasuke não pode fazer nada comigo nessa delegacia. Existem câmeras.

— Sasuke não vai te machucar, amigo. Isso seria muito simples. Ele vai denunciar você, congelar todas as suas contas bancárias, acabar com qualquer reputação ou chance de emprego que você arranjar. E depois de tudo acabado, vai liberar para a mídia. Assim todos saberão o que você fez. E, na cadeia, o pessoal da Akatsuki vai te achar. E eles vão te matar.

Era mentira. Sasuke amarraria Mukade e o torturaria com uma colher, arrancando um olho de cada vez. Mas Mukade não precisava saber daquilo e, mais importante, ninguém que futuramente visse as filmagens precisava saber.

Mukade não tinha muitas opções. Era falar ou morrer, literalmente.

— Sasori. Eu me reportava ao Sasori, ok? Posso ir agora? Isso é tudo o que eu sei.

Neji quis rir. Lee quase morrera por um idiota que não sabia de quase nada.

— Por que não nos dá os nomes dos outros, hm?

— Eu não sei. Nunca vi ninguém mais, nem essa mulher de quem você fala. Eu só sei o que Sasori me dizia.

— E o que você ganhava em troca de dar informações?

— Dinheiro.

Neji se levantou e virou as costas para o homem. Se não fosse tão controlado, bateria tanto no desgraçado que ele nunca mais conseguiria andar. Mas era controlado, por isso apenas dispensou-lhe seu melhor olhar irritado. Caminhou a passos rápidos até Mukade, e soltou as algemas dele.

— Vai. E não volta. A carta de demissão vai ser enviada em dois dias.

Mukade assentiu com a cabeça e saiu correndo, com medo de encontrar Sasuke no corredor, ou onde fosse.

O que era possível fazer em tal situação? Estavam mesmo atrás de Aya e Naoto? Sentiu um frio na barriga e levantou, correndo até o quarto dos sobrinhos. Buscara-os da casa de Ino ao anoitecer, pois Aya estava nervosa, mas agradecia por fazê-lo.

Observou que os dois dormiam na cama de Naoto, e ficou olhando-os por quase dez minutos. Tinha medo de sair e descobrir que eles haviam sumido também. Como Itachi. Não sabia o que faria se os sobrinhos também morressem. Sasuke percebeu, com um pouco de assombro, que eles, aos poucos, se tornavam seu motivo de viver.

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Naruto pegou uma colherada do sorvete sem pressa. Nem um dia completo se passara desde que estava em casa, e o tédio era grande. Karin olhou para ele com um sorriso escondido nos lábios vermelhos.

— Então você está totalmente inútil?

O Uzumaki revirou os olhos, e afundou o rosto em seus braços.

— Eu sei. Vou morrer de tédio.

Karin riu.

— Podia ser bem pior.

— É?! E como?

— Você podia estar… hm… demitido. Pelo menos é só temporário.

Naruto a encarou por alguns segundos, mas voltou a esconder o rosto entre suas mãos.

— Eu preciso de uma academia. Ou qualquer lugar em que eu posso transformar minha frustração em violência permitida.

Karin riu ainda mais, e continuou tomando seu café. Naruto era divertido às vezes.

— Eu vou fazer o teste pra faculdade em alguns dias.

O Uzumaki sorriu verdadeiramente, esquecendo-se de seu drama pessoal por alguns momentos. Sabia que aquele era um grande passo na vida da ruiva, e queria que ela soubesse que sempre a apoiaria.

— Isso é incrível! Karin, parabéns, sério.

Conversaram por alguns minutos sobre medicina, e depois Karin ficou quieta por quase um minuto, bebericando seu café. Ela não quis sorvete, mesmo depois de Naruto dizer que não precisava de dieta. Mulheres.

— Então… como está Sasuke?

Naruto sentiu-se momentaneamente mal. Sabia quais eram os sentimentos que a ruiva nutria por Sasuke – ou achava saber –, e eles o incomodavam. Incomodavam, porque nem ele conseguia entender direito aquela fascinação que sentia pelo moreno. Aquele frio na barriga que sentia sempre que ele estava perto demais.

— Não sei. Não é como se fôssemos próximos, sabe?

Karin ergueu uma sobrancelha, e riu. Naruto revirou os olhos, sabendo que estava na defensiva.

— Eu acho que ele tá namorando…

Aquela informação pegou a ambos de surpresa. Karin parou de beber seu café, e colocou a xícara sobre a mesa. Naruto falara aquilo olhando para o lado, com uma leve insatisfação em seu rosto.

— Como sabe?

— No carro… uma mulher ligou pra ele. Shikamaru disse que ela estava amarrando ele, e que o controlava bem. Algo assim.

Aya. O nome era Aya. Naruto não queria dizê-lo em voz alta, por isso não acrescentou o pequeno detalhe. Não sabia quem era, podia ser qualquer uma, mas sentia que ela era importante. Shikamaru agia como se a influência que ela tinha sobre Sasuke fosse grande, e o loiro sabia que poucos tinham influência sobre o diabo. Ele parecia ser rodeado por uma parede invisível que mantinha todos fora, menos alguns poucos sortudos. Naruto sentia que a tal Aya era uma sortuda. Sentia que ela conseguia passar pela parede de Sasuke.

— Ninguém controla Sasuke, acredite.

— Ela fez com que ele parasse com o que fazia para ir buscá-la em algum lugar.

Karin bebericou novamente o líquido quente, e observou o sorvete de Naruto derreter. Ela estreitou os olhos.

— Naruto… você gosta dele, não gosta?

Naruto sentiu o rosto avermelhar e começou a bagunçar os cabelos loiros, nervoso.

— Não, não. Eu não. De onde tirou isso?! Ele é homem, Karin!

Por um segundo, o Uzumaki esquecera-se de sua própria bissexualidade. Karin riu e observou o loiro se contorcer na cadeira, negando a afirmação dela com todas as suas forças. Foi o que fez com que ela tivesse certeza.

— Eu te vi quase comer um homem, Naruto. Em cima da mesa, ainda por cima.

Naruto bagunçou mais seus cabelos. Como conseguia se constranger daquele jeito?! Não podia ter mentido de forma tranquila, como todas as outras pessoas que conhecia? Não, é claro que não. Tinha dificuldade em mentir. Quando era extremamente necessário até conseguia, mas pego de surpreso como fora… impossível.

— Isso não quer dizer que eu gosto do senhor Uchiha.

— Ironicamente, é a primeira vez que você o chama assim na minha frente.

Naruto merecia ganhar um prêmio. Ninguém devia mentir pior do que ele.

— Karin, eu não…

Karin sorriu e pegou as mãos do homem, que gesticulava como uma criança tentando se explicar para a mãe.

— Naruto, não precisa mentir pra mim. Eu amo o garotinho que o Sasuke foi, mas… ele morreu. O garoto por quem eu me apaixonei não existe mais. Mas você consegue, de alguma forma, gostar dessa versão mecanizada dele, então… sem ressentimentos.

Naruto engoliu em seco, e soltou suas mãos das dela, voltando a gesticular em negativa.

— Mas eu não gosto dele, Karin. Eu nem conheço ele, pra ser sincero. E é claro que o Sasuke é atraente, com aquele corpo esculpido por Deus e aquela bunda redondinha, mas não é como se eu estivesse apaixonado ou algo do tipo. É só atração.

Pelo menos aquilo precisava admitir. Sasuke era gostoso, e se sentia atraído por ele. Mas gostar? Daquele jeito que ela insinuava? Não, eles não tinham tanta intimidade. Não que Naruto fosse rejeitar uma noite de sexo selvagem se ele quisesse – não rejeitaria mesmo –, mas o clima entre os dois estava estranho desde que o Uzumaki levara o celular de Kisame consigo para o hospital.

— Naruto, relaxa. Eu não to julgando aqui.

— Quero dizer, ele é um grosso total. E tem aquele olhar indiferente que é irritante pra caramba, e não erra nunca! Nossa, isso é o que mais irrita. Quer dizer, quais são as chances de o cara que está ignorando um de seus policiais morrendo no hospital estar fazendo a coisa certa?! Foi injusto eu ter me ferrado naquela vez.

Karin continuava rindo discretamente da indignação do loiro.

— E eu aposto que esse castigo nem é só por causa daquela organização que matou o Itachi. Aposto que é só birra dele comigo, porque eu peguei o celular. Ah, que merda! Ele me detesta. E essa tensão resultaria num sexo ótimo, mas não vai acontecer. Ele é hétero. E tem namorada.

Karin apenas assentiu com a cabeça e terminou o resto do café.

— É, você realmente não gosta dele – ironizou, vendo o amigo voltar a ficar constrangido.

Deus, importunar Naruto sobre aquilo era tão legal!

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Sasuke parou em frente à escolinha e apoiou-se no carro, como sempre fazia. Aya e Naoto não demorariam para sair, e ele tinha muito em que pensar. Estava repassando todas as informações que tinha mentalmente, e sua maior preocupação era com os sobrinhos. Mukade dissera que um tal de Orochimaru estava fixado em sua família. Shikamaru ainda não conseguira arrancar tudo do maldito telefone, e Sasuke estava levemente impaciente.

Nenhuma das crianças dormira com Ino e Gaara desde que percebera que os sobrinhos estavam em risco. Eles eram tudo o que restava de Itachi, e era sua obrigação protegê-los. Sentia-se nervoso quando não estavam em seu campo de visão. Se a organização matara Itachi, duas crianças de quatro anos não deviam ser um problema.

O telefone tocou. Era seu advogado novamente. Merda.

— Uchiha Sasuke – atendeu.

— Senhor Uchiha – cumprimentou o outro. – Ainda não veio aqui no meu escritório discutir sobre o testamento de seu irmão. Tem tempo ainda hoje?

— Só em uma hora, mais ou menos.

— Perfeito!

Sasuke revirou os olhos. Não queria ir, mas sabia que já adiara aquilo por tempo demais. Desligou o telefone sem se despedir, e viu os dois sobrinhos aparecerem correndo.

— TIO SASUKEEE! – eles gritaram juntos.

Sasuke acenou com a cabeça, e acariciou as cabeleiras negras quando os sobrinhos se jogaram contra suas pernas. A mulher que reclamara com ele outrora encarava a cena com uma carranca. Sasuke passou seus olhos por ela como se esta nem existisse. Para ele, era quase uma verdade.

–-//--//--//--//--//

Sasuke fez com que Aya e Naoto o acompanhassem até dentro do escritório do advogado. O homem parecia contente.

— Senhor Uchiha! Que ótima aparição…

Mais um monte de palavras amáveis, que Sasuke fingiu não ouvir. Detestava puxa-sacos. Marcara de aparecer na segunda-feira, mas eventos trágicos na delegacia o haviam impedido. A semana correra, mas Itachi morrera no início do mês, então estava na hora de ler o testamento dele.

— Não é longo, senhor Uchiha.

Sasuke assentiu com a cabeça, mas manteve um olho preso nos sobrinhos, que desenhavam alguma coisa sobre uma folha que haviam acabado de receber. Estava preocupado, e queria estar em qualquer lugar menos ali.

— Vai assumir a guarda das crianças? Precisamos arrumar os documentos para isso logo, não? – perguntou o advogado, remexendo em suas coisas em busca do testamento.

Sasuke assentiu com a cabeça.

— Sim, vou ficar com elas.

Era como se estivesse comprando balas no supermercado. “Sim, são estas as que desejo, obrigado”. Sentiu-se mal com a comparação, mas não deixou transparecer. Aya riu do desenho de Naoto e começou a rabiscar sobre ele, querendo mostrar que seus traçados abstratos eram melhores do que os do irmão.

O advogado voltou a chamar a atenção de Sasuke ao entregar-lhe uma única página. Nela, uma frase.

“Deixo tudo para Sasuke”.

O moreno olhou para as duas crianças que brincavam, e entendeu o significado do “tudo”. O Uchiha mais velho não se referia à generosa quantia que tinha no banco.

O peso da responsabilidade pesou em Sasuke, que sentiu que carregava o mundo nas costas. De certa forma, era verdade. Sasuke agora era oficialmente responsável por todo o mundo de Itachi.

Notas finais
Heeey o// hasuahushsuahushuas Quem aqui ama a Karin?! Eeeeu o// Então, Sasuke agora é o tutor oficial das crias, e o interrogatório integral do Mukade está aí! o// Eu ia colocar antes, mas o capítulo ia ficar enorme demaais! Então trouxe ele pra cá ;33 Gostando? O Sasuke é o caçador ou a caça, gente? Comentem o// Bjs e teh + ^3^//