Obsesso

17 16. Suspeito


Notas iniciais
Vamos deixar bem claro que esse capítulo está sendo postado por pura chantagem emocional. O PeteLouis, aquele manipulador bastardo, ficou me enchendo no whats até agora pra eu postar. Dei uma corrigida de leve, mas qualquer erro gritante, culpem ele. Dica a todo ficwriter: não deem seu whats pra um leitor chato u-u Obs: Pete, cê sabe que eu te amo, né?

— Tia Ino, por que o tio Sasuke não quis ficar com a gente hoje?

Ino colocava os afilhados para dormir na cama de casal do quarto de visitas, e estava sentada na cama com os gêmeos. Ela sorriu para Aya e acariciou a mão dela.

— Um amigo do titio foi enterrado hoje, Aya. Ele e Neji tiveram que sair pra conversar. Uma conversa de gente grande.

A menina se lembrou de quando foi à casa do tio quando era mais nova. O pai a levara, e eles tiveram que sair correndo porque o tio estava tendo uma dessas conversas de gente grande com um homem estranho.

— Tipo aquela conversa de gente grande que ele teve no ano passado? Com o homem de cabelo branco?

A pergunta veio de Naoto. Gaara, que estava na porta, começou a rir. Itachi resolvera aparecer de surpresa no apartamento de Sasuke, e encontrara-o em um momento íntimo com Suigetsu.

— Não, Naoto. É um tipo completamente diferente de conversa.

Os dois olharam para Gaara, e sorriram para o padrinho. Gaara também se sentou na cama, e Aya saiu de debaixo das cobertas, indo para o colo dele. Naoto imitou a irmã, correndo para os braços de Ino.

— Sasuke deixa vocês bem carentes, hm?

Aya olhou para a madrinha e sorriu. Sasuke estava fazendo seu melhor, mas carinhos e atenção não eram suas especialidades. Se fosse apenas alimentá-los e levá-los de um lugar a outro, Sasuke seria a escolha perfeita. Infelizmente, crianças exigiam atenção também.

Gaara ficou acariciando os cabelos negros de Aya até a menina começar a bocejar. Ela gostava do colo de Gaara. Era quentinho e confortável, parecido com o colo de seu papai. Ela sentiu muita saudade dele naquele momento, e agarrou-se mais ao ruivo.

— O titio Sasuke vai ficar bem, não vai?

— Claro que vai, Aya. Sasuke sempre fica bem.

Aya pareceu aceitar aquela resposta, e pegou no sono logo em seguida. Naoto não demorou a seguir a irmã, indo para o mundo dos sonhos com o cheiro dos cabelos de Ino a envolvê-lo. Nenhum dos dois admitiria, mas Ino sempre fora o mais próximo que eles tinham de uma mãe. E tanto Aya quanto Naoto amavam a madrinha incondicionalmente.

–-//--//--//--//--//

— Fiquei surpreso com a ligação.

Sasuke olhou para o garoto de cabelos azuis claros – brancos, quase –, que estava sentado na cama. Suigetsu já estava seminu, e parecia bem à vontade.

— Estive ocupado – respondeu o Uchiha.

Sasuke observou o outro se levantar e caminhar lentamente até ele, mas o impediu ao levantar a mão.

— Espere eu tirar minhas roupas. Não posso ter seu cheiro nelas.

Suigetsu ergueu uma sobrancelha, sem saber de onde viera toda aquela preocupação. Sasuke nunca fora assim antes. Sorriu malicioso. Talvez fosse um novo fetiche. Observou o garoto remover cada peça de roupa lentamente, de forma impecável. Dobrou cada uma delas sobre uma mesinha no canto do quarto de motel. Normalmente iam à casa do moreno, mas Sasuke dissera que nada poderia acontecer lá.

Depois de deixar a cueca dobrada sobre as outras roupas, Sasuke aproximou-se completamente nu. Suigetsu sorriu, lambendo os lábios.

— Não deixe marcas.

Suigetsu adorava quando Sasuke começava a ser mandão.

— Está comprometido agora, é? A patroa não pode saber que está saindo, é isso?

Sasuke pensou em Aya e Naoto, e sorriu levemente.

— Algo como isso.

O outro realmente não se importava. Em poucos segundos os dois homens caíam sobre a cama e bagunçavam os lençóis limpos daquela cama nem tão intocada.

–-//--//--//--//--//

Sai dirigia pela cidade, fazendo a patrulha junto de Naruto. O Uzumaki parecia estressado, mas Sai também o estava.

— Você chegou a ver o interrogatório?

Sai negou com a cabeça.

— O Hyuuga me tirou de lá antes. Acho que não queriam que ninguém visse. Mas foi tudo gravado, então não devem ter feito nada demais.

Naruto diria alguma coisa, mas seu celular começou a tocar. Ele olhou para a tela, era Karin. Desviou seu olhar para Sai. Sabia que estava em serviço, mas não era como se estivessem realmente fazendo alguma coisa.

— Atende.

Naruto atendeu.

— Hey ruivinha.

— Hot gay!

Naruto revirou os olhos, mas sorriu.

— Tudo bem?

— Sim, sim. Não usei a chamada de emergência ainda, não se preocupe. Acho que consigo sobreviver três dias sem você, não?

Naruto riu, mas deu de ombros.

— E qual o motivo da ligação?

— Eu quero uma opinião. Suigetsu, por algum motivo, não atende o telefone, e Juugo está trabalhando.

— Eu também to trabalhando, mas tudo bem. Opinião sobre o quê?

— Eu quero voltar a fazer faculdade.

Naruto abriu seu mais genuíno sorriso.

— Karin, isso é maravilhoso! Faculdade de quê?

— Medicina. Ou enfermagem, no que eu conseguir entrar.

— Isso é ótimo, sério. Não sabia que você queria ser médica.

— Eu sempre quis, mas nunca deu muito certo. Mas agora eu arrumei esse trabalho nessa creche aqui perto de casa, e talvez eu consiga pagar a faculdade a partir do mês que vem. Mas vai ser complicado… você acha que eu devia fazer?

— Eu definitivamente acho que sim.

Karin pareceu feliz com a resposta.

— Obrigada, Naruto. Você é o melhor.

Naruto sorriu e desligou. Olhou para Sai, mas o moreno não parecia nem minimante interessado no conteúdo da ligação. Resolveu que falaria mesmo assim.

— Uma amiga minha vai fazer medicina.

— Legal.

— É.

Ficaram em silêncio por quase dois segundos, mas Naruto resolveu que precisava conhecer Sai melhor. Era seu parceiro, afinal, e eles precisavam se conhecer bem.

— Me fale sobre a sua vida pessoal.

Sai ergueu uma sobrancelha, visivelmente confuso.

— Por que eu te contaria sobre a minha vida pessoal?

— Porque somos parceiros.

— Colegas de trabalho.

Naruto revirou os olhos.

— Vou passar quase o meu dia inteiro com você. Eu mereço te conhecer.

Sai o encarou por mais alguns segundos e resolveu que não valia a pena nem ao menos responder àquilo. Ouviram o rádio dizer que um corpo fora encontrado em um local perto dali. Sai virou o carro naquela direção. Mais uma desculpa para ignorar Naruto completamente.

— Não adianta me ignorar, sabe? Eu vou ficar com você. O tempo todo. Todos os dias.

Naruto se inclinava mais na direção de Sai ao dizer aquilo, apenas para provocar ainda mais o quase amigo. Sai o encarou por alguns segundos, inclinado a procurar por uma fita adesiva para fazer Naruto calar a boca. Mas a fita provavelmente não ajudaria. Chegaram ao local, e aquilo fez com que Sai escapasse das perguntas nada discretas do Uzumaki por algumas horas.

Os dois saíram do carro. Outros policiais já haviam estabelecido o perímetro, mas aquela área era responsabilidade da 66ª delegacia – popularmente conhecida como 666ª delegacia de polícia de Boston –, portanto era responsabilidade deles. Entregaram seus distintivos para que um dos policiais da área confirmasse suas identidades e entraram no beco.

O corpo já fora empacotado – como gostava de dizer Naruto –, e Sai abriu o zíper para dar uma olhada na vítima. O coração de Naruto falhou uma batida. Era Mukade. Mas o loiro não pôde aproveitar a surpresa. Seu corpo foi empurrado contra a parede, e Sai imediatamente levantou-se para ajudá-lo. Era o policial que recebera seus distintivos.

— O que está acontecendo aqui?!

— O seu distintivo bateu, senhor, mas o desse loiro aqui é falso. Ele não é policial coisa nenhuma.

Naruto arregalou os olhos, apavorado. Conseguiria se livrar do aperto do homem facilmente – Jiraya passara uma temporada no Afeganistão, e depois treinara Naruto para sobreviver a uma guerra –, mas estava surpreso demais para qualquer coisa.

— Eu sou policial sim! Estou trabalhando com Uchiha Sasuke há uma semana. Sai pode confirmar isso.

O policial que o prendia riu.

— Uchiha Sasuke? E eu sou Britney Spears.

— Eu juro! Liga pra ele, ele vai confirmar.

Mas Sai já estava bem adiantado a isso. Pegou o celular e ligou para a delegacia. Alguma coisa muito errada estava acontecendo ali.

–-//--//--//--//--//

Sasuke investiu mais cinco vezes antes de se derramar dentro de Suigetsu. O outro já tivera seu segundo orgasmo, e caiu assim que o Uchiha retirou-se de dentro dele. Os dois estavam ofegantes, e tudo ainda parecia um sonho nublado quando o celular de Sasuke começou a tocar. O Uchiha não tivera nem tempo de retirar a camisinha usada de seu pênis; e ser interrompido enquanto se recuperava do maravilhoso estado pós-orgasmo era, provavelmente, a única coisa que poderia deixá-lo irritado naquele momento.

Suigetsu olhou para o moreno e sorriu. Apenas em momentos como aquele – de sexo –, é que via um pouquinho do garoto com quem crescera. Em todos os outros momentos Sasuke parecia simplesmente… vazio. Mas nem mesmo o diabo conseguia se manter indiferente ao transar. Era bom saber daquilo. Era bom ser um dos únicos que realmente via Sasuke demonstrando qualquer emoção que fosse. Gostaria de contar a Karin que o garotinho que tanto gostavam ainda estava vivo dentro daquele casco no qual Sasuke se tornara, mas seria crueldade. Karin finalmente parecia estar superando Sasuke, principalmente depois de conhecer aquele tal Naruto, de quem não parava de falar – o que realmente estava começando a irritá-lo –, portanto não abriria novamente a ferida já quase cicatrizada.

Sasuke pegou o celular e viu que era Gaara. Sentiu vontade de não atender, mas acabou tocando no botão verde.

— O quê?

— Quanto mal humor. Pensei que você estava transando.

— Estava, até ser interrompido.

Gaara riu do outro lado da linha, e Sasuke sentiu vontade de dar outro soco no amigo. Aparentemente, ficar com o lábio sangrando não era o suficiente.

— Temos um problema. Encontraram o corpo de Mukade.

— Não foi como se a gente o tivesse escondido. Não há nada para ser encontrado.

— Não é com isso que me preocupo. Naruto e Sai chegaram à cena. Parece que o distintivo de Naruto é falso.

Sasuke franziu a sobrancelha. Dera um distintivo muito verdadeiro para ele na segunda passada.

— Eu to indo.

Desligou antes que Gaara pudesse falar qualquer outra coisa.

— Pra que tanta pressa, Sasuke?

Suigetsu sorriu malicioso, mas Sasuke já se levantara. O Uchiha foi ao banheiro para secar o suor e retirar o esperma que ainda permanecia em seu membro. A camisinha foi para o lixo.

— Um dos meus policiais fez burrada de novo. Eu ainda vou acabar matando esse loiro.

Suigetsu riu e voltou a se deitar na cama, aproveitando toda a paz pós-sexo que Sasuke não podia aproveitar.

O Uchiha estava a ponto de colocar suas roupas, quando o celular tocou novamente.

— O quê? – atendeu grosso.

Estava começando a se irritar com os momentos inoportunos nos quais recebia ligações.

— Sasuke, precisamos conversar pessoalmente sobre o interrogatório de Mukade.

— Acho que tenho outra pista. Um distintivo falso apareceu.

— Acha que tão querendo incriminar alguém?

— É possível. Passo na sua casa pra te buscar em dez minutos. Esteja pronto.

–-//--//--//--//--//

Naruto era mantido algemado, dentro do carro da polícia. Estava realmente desconfortável. Não era a primeira vez que parava na traseira de um carro policial – não tivera a mais calma das adolescências –, mas era a primeira vez que o fazia sem ter cometido nenhum crime.

E era horrível ser falsamente acusado. Seu distintivo era sim verdadeiro! E não ficara longe dele para que pudesse ser trocado. Poxa, fora apenas uma semana e alguns dias! Era quarta-feira. Ele recebera o distintivo na segunda anterior. Devia ser um engano de Sasuke, ou algo do tipo. Era a única explicação lógica.

Sai tentara argumentar com os outros policiais, mas ninguém parecia ouvi-lo. Depois de um tempo acabou desistindo, e Naruto não teve opção a não ser esperar pela vinda de Sasuke. Detestava se sentir a donzela em perigo que precisava ser salva, principalmente porque não era uma donzela.

Um carro preto estacionou, e dois homens saíram de dentro dele. Naruto sentiu o coração acelerar de leve ao ver Sasuke caminhando, elegante como sempre. Tentou voltar a sentir raiva dele, mas não conseguiu. Tudo o que o moreno fizera até o momento fora perfeito. Mantivera a paciência e a ordem no momento mais confuso imaginável – a morte de Lee –, e conseguira seguir trabalhando, apesar de toda a distração. O perfeito oficial da lei. Naruto queria, um dia, poder lutar “mano-a-mano” com o Uchiha, apenas para saber se ele era assim tão bom quanto parecia.

O outro homem que o acompanhava tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo, e caminhava preguiçosamente. Sasuke foi imediatamente falar com os outros policiais, sem lhe dirigir um segundo olhar, e o homem riu com aquilo. Naruto sentiu o estômago embrulhar quando percebeu que os dois haviam saído do mesmo carro e que o outro parecia extremamente relaxado na presença do Uchiha. Quem se sentia relaxado na presença do diabo?!

“Alguém próximo dele… um amigo”. O pensamento o incomodou, mesmo que Naruto não compreendesse o porquê. Todos deviam ter amigos, certo? Bem, talvez ele fosse um pouco mais do que um amigo…

Afastou o pensamento ao vê-lo chegar perto de si.

— Hey, sou o Shikamaru.

Naruto riu ao ver que ele lhe estendia a mão.

— Naruto Uzumaki. Eu apertaria sua mão direito, mas…

Naruto apertou a mão estendida com as suas duas, porque estavam presas na algema e não era como se ele fosse conseguir se livrar delas tão cedo.

— Não se preocupe com isso. Sasuke foi buscar as chaves.

Ele chamava o Uchiha pelo primeiro nome. Aquilo causou outro distúrbio desagradável no estômago de Naruto, mas o Uzumaki resolveu ignorar o desconforto.

— O que está acontecendo?

Shikamaru quis rir com a pergunta. O que não estava acontecendo? Suspirou, e tentou pensar na melhor maneira de explicar. Decidiu que não falaria nada longe de Sasuke. O moreno tinha o direito de participar daquela conversa.

— Muita coisa. Eu explico no carro.

Naruto franziu o cenho, ficando cada vez mais confuso.

— No carro?

— Você está sendo acusado de fraude. Não é como se Sasuke pudesse te deixar sair andando daqui sozinho. Vamos te dar uma carona até em casa.

Naruto balançou a cabeça, sentindo vontade de coçar seus cabelos. Mas não podia fazê-lo, é claro, porque estava algemado.

— Eu não acredito que isso tá acontecendo…

— Relaxa, Naruto. Tudo pode piorar.

Naruto estranhou ser chamado pelo primeiro nome logo na primeira conversa, mas nada parecia muito normal em Shikamaru. Era óbvio que ele sabia de muita coisa, porém não se parecia com um policial. Verdade fosse dita, Naruto podia apostar que ele não tinha nada a ver com a polícia.

— Sasuke está vindo.

Naruto desviou o olhar para frente e viu o moreno caminhar displicentemente até eles. Trazia sua costumeira – e irritante – inexpressividade. O Uchiha jogou as chaves para Shikamaru, que se virou para ajudar Naruto. O distintivo falso também estava com ele.

O loiro desviou o olhar para o policial que o prendera, e ficou com vontade de pedir a ele para cantar “Baby one more time”*.

— Odeio policiais lentos. Disse a eles que eu vou levar esse caso adiante, por ter sido com um policial meu que aconteceu. Expliquei que houve um roubo de identidade, e vamos dar procedimento a tudo na delegacia.

— Oi pra você também… – murmurou Naruto, baixo demais para Sasuke ouvir.

Shikamaru começou a rir e observou o Uchiha, que já caminhava em direção ao carro preto.

— Ele nunca dá oi. Ou tchau, pra ser sincero. É irritante, não?

Naruto acabou sorrindo de lado. Shikamaru caminhava com as mãos atrás da cabeça, como se nenhum problema do universo pudesse atingi-lo. O Uzumaki invejava essa paz que ele aparentava sentir. Era algo raro.

Entraram no carro. Shikamaru e Naruto atrás. Sasuke no volante. O Uchiha direcionou seu melhor olhar indagador ao Nara ao vê-lo no banco de trás.

— Vou fazer companhia a Naruto. Ele precisa de alguns esclarecimentos.

— Por quê?

Shikamaru apenas fez um gesto negativo com a cabeça.

— Porque ele teve o distintivo roubado, Sasuke.

— Falando nisso, Uzumaki, como aconteceu?

Naruto, que até então apenas acompanhava a conversa, indignou-se ao ouvir o tom de menosprezo de Sasuke.

— Não fui eu! O senhor deve ter me dado o errado.

— Não, o seu era verdadeiro.

— Não tem como.

— Deixe-me vê-lo – interrompeu Shikamaru.

Sasuke jogou o distintivo falso para trás, e Shikamaru o examinou de perto. Assobiou depois de quase dois minutos de puro silêncio. Naruto estava perdido em suas memórias, tentando lembrar um momento oportuno para a troca, mas sem sucesso.

— Trabalho muito bom, Sasuke. Eu não olharia duas vezes se não soubesse que é falso. Eles não queriam que a gente descobrisse.

— Que quem descobrisse o quê? O que tá acontecendo?

— Você está sendo incriminado de assassinar meu irmão.

Naruto gelou. Lembrou-se das palavras de Sasuke no dia em que entrara no Inferno pela primeira vez, e de como ele parecia convicto de que o assassino já poderia ser considerado um homem morto. Engoliu em seco.

— Eu não matei ninguém! E nunca conheci Itachi, como podem querer armar pra mim?!

— Não sabemos por que você, mas provavelmente porque é novo. Esperávamos que fossem tentar incriminar Gaara ou Neji, mas eles sabem que Sasuke confia muito nos dois. Acha que vão seguir com o plano quando descobrirem que sabemos sobre Mukade?

— Não sei – Sasuke respondeu. – Acho que vão tentar explorar Naruto, e é por isso que precisamos que eles acreditem que nós suspeitamos dele.

— Eles quem?!

Naruto sentia-se mais perdido do que turista em país estrangeiro. Não compreendia nenhuma linha de raciocínio ali estabelecida, e tudo o que sabia era que estavam planejando torná-lo um suspeito de assassinato.

— Uma organização secreta matou Itachi, e achamos que eles querem que a gente pense que foi você quem fez isso. Assim Sasuke perde tempo indo atrás de você, e para de perseguir eles.

— Eu não matei Itachi.

— Eu sei – Sasuke se pronunciou. – Mukade passou informações precisas a eles, Shikamaru. Vamos precisar ser mais cuidadosos a partir de agora. Dois de seus membros estão mortos, e não podem estar felizes com isso.

Naruto realmente detestava a sensação de ser um fantasma. Sasuke lhe dirigia duas ou três palavras, como se aquilo explicasse tudo, e depois voltava a falar com Shikamaru como se os dois estivessem sozinhos. Constrangedor, para falar o mínimo.

— Acho que Mukade era mais um espião de fora. Kisame talvez fizesse parte da organização, mas Mukade não. Ele era idiota demais.

Sasuke não podia discordar daquilo. O Uchiha suspirou e encarou Naruto pelo espelho do carro. O loiro parecia levemente apavorado.

— Uzumaki, como chegaram até você?

— Eu não sei. Só…

Naruto parou. A festa. Ficara bêbado o suficiente para não se lembrar de muita coisa. Talvez alguém tenha feito algo consigo lá.

— Só o quê? – Shikamaru incentivou.

— Eu saí nesse final de semana. Fui passar uns dias com uns amigos, em Worcester. Nós fomos nessa festa, e eu acho que talvez alguém possa ter se aproximado.

— Acha?! – Sasuke parecia levemente irritado, o que era um avanço. Normalmente Naruto recebia apenas o tom vazio costumeiro.

— Eu estava bêbado, ok? Sou maior de idade, não estava trabalhando.

— Então estavam marcando você. Não teria como saberem que era policial só por estar na festa, certo?

Naruto sentiu o rosto esquentar. Era verdade que não se lembrava de muita coisa, mas se lembrava perfeitamente do momento em que subira na mesa. E da consequência deliciosa que se seguira àquilo.

— Na verdade… eu meio que… hm… subi numa mesa e mostrei meu distintivo pra todo mundo.

Sasuke balançou levemente a cabeça, tentando compreender como uma única pessoa podia ser tão estúpida. Aquilo significava que eles não tinham a menor ideia de quem poderia ter trocado a merda do distintivo. Naruto obviamente estivera bêbado demais para se lembrar de todas as pessoas que tocaram nele.

— Teve algum ruivo? Um homem chamado Sasori? – era o único nome da organização que Sasuke conhecia, e valia a pena tentar.

— Não. Ruivo não.

Shikamaru estreitou os olhos. Um sorriso malicioso brincou em seus lábios.

— Ruivo não?

Naruto não acreditava que estava falando aquilo para seu chefe e um completo estranho.

— Nada. Não penso em ninguém que…

— Uzumaki, fale de uma vez.

O tom de voz de Sasuke era irritante, mas Naruto acabou cedendo. Não era como se tivesse vergonha por ser bissexual, apenas não costumava contar aquilo a qualquer um.

— Um loiro. A gente foi pra um motel, nunca descobri o nome dele. Mais baixo que eu, olhos… de alguma cor. É o que eu lembro. Foi embora antes que eu acordasse, e eu nunca mais o vi. Mas minhas coisas estavam no lugar.

“E ele tinha uma língua grande”, mas Naruto achou melhor não acrescentar aquilo. Detalhes demais.

— Daria tempo de ele trocar tudo. Estava bêbado?

— Eu sim. Ele, nem ideia.

Shikamaru riu.

— Então ele deixou tudo pago e foi embora? Antes de você acordar? Pensei que fosse o homem, Naruto.

Naruto sentiu o rosto ferver. Jou fazer aquelas piadas com ele era uma coisa – o recepcionista era seu amigo de longa data –, mas um estranho que tinha amizade com Sasuke… Aquilo não descia na garganta do loiro.

— Não foi assim, ok? Eu só tenho o sono pesado, e normalmente sou eu quem pago, e eu sou homem.

Shikamaru continuava rindo.

— Relaxa, Naruto. Eu to brincando.

O telefone tocou, e Shikamaru atendeu logo no primeiro toque. Era sua loira, e ela realmente não gostava de esperar.

— Fala, baby.

Ele sorriu como um bobo, e Naruto observou o sorriso dele. Nunca ficara do jeito que Shikamaru estava por ninguém, e sentiu que talvez gostasse de ficar. Um dia, quem sabe.

— Sasuke, é pra você.

— O quê?

— Aya.

Sasuke franziu o cenho, confuso.

— O que Aya está fazendo com Temari?

— Temari ia visitar Ino hoje. Aya está lá, não?

Sasuke pegou o telefone e o colocou no ouvido. Naruto dobrou sua atenção. Aya? Quem seria aquela? Uma namorada? Amiga? Esposa?

— Eu to ocupado agora, Aya.

Naruto quis rir. Fosse o que fosse, não duraria muito se Sasuke continuasse falando assim com ela.

— Não posso ir te buscar. Fica com a Ino por…

Ele fechou os olhos, como se pedisse paciência a alguém. Shikamaru apenas ria no banco traseiro.

— Não grite, ok? Eu to ocupado, já disse.

Sasuke suspirou, virando à esquerda. A casa de Naruto já podia ser vista.

— Eu te busco depois, então. Só pare de gritar, ok?

Depois disso Sasuke desligou.

— Cara, ela te prendeu de um jeito…

— Cala a boca.

Naruto sentiu o estômago ainda mais embrulhado. Não era com Shikamaru que devia se preocupar, afinal. Era com uma tal de Aya. Quase visualizou uma mulher alta e magra, com o corpo e cabelos perfeitos. O par perfeito para Uchiha Sasuke. Afastou o pensamento, negando-se a acreditar que realmente estava ficando com ciúmes. Sasuke era seu chefe, e um bastardo manipulador estupidamente perfeito. Nada além disso.

— Uzumaki, você fica afastado da delegacia pelos próximos dias.

— O quê?!

— Eu preciso fingir que te considero suspeito. Quero saber o que vão fazer com o seu distintivo real. Não tem mais como fingir que eu não descobri, então é o único jeito.

— Por que não conversa com os policiais que sabem?

— Quase qualquer um é subornável. E eu não acho que dinheiro seja problema pra eles – respondeu Shikamaru.

— E o que eu devo fazer até tudo isso resolver?! Como eu ajudo?

— Você não ajuda. Só não atrapalhe, e não fale a ninguém sobre o que ouviu hoje.

Naruto sentiu raiva. Tinha conhecimento de muitas informações até o momento – pelo menos o que conseguira entender do que os dois haviam dito –, e era injusto ter que ficar de molho. Naruto queria ação.

— Por que me contaram tudo isso se não querem minha ajuda?

— Porque eu achei que você merecia uma explicação – Shikamaru respondeu. – Mas acredite, Naruto, você ainda não sabe de nada.

O Uzumaki ficou irritado, mas logo foi expulso do carro. Observou o veículo ir embora com o coração na mão. Estava destinado a um número ilimitado de dias entediantes, e não podia fazer nada para ajudar na investigação.

Se tudo fosse resolvido na delegacia, ele iria até lá e se intrometeria. Mas as reuniões eram em algum lugar desconhecido – provavelmente na casa de Sasuke –, e Naruto não sabia como fazer para se intrometer. Suspirou, sentindo o tédio se aproximar. Não soube como Sasuke sabia onde morava, mas tampouco perguntou. Naquele momento, não parecia ser a pergunta certa.

Naruto olhou para sua rua pacata, e percebeu que pouco conhecia sobre a cidade. Não tinha opções além de ir explorar o lugar para o qual se mudara. Era ridículo, mas não durara nem duas semanas no Inferno. Kiba acabara ganhando a maldita aposta. Devia vinte pratas para o cachorro. E realmente pensara que sobreviveria lá para sempre.

Naruto entrou em casa ainda um pouco perplexo. Estava sendo acusado pelo assassinato de Uchiha Itachi, e nunca matara ninguém. Era ridículo e estúpido, assim como sua punição.

*Música da Britney Spears.

Notas finais
Heeey o// Ok, já to com o humor um pouquinho melhor. Mas minha cabeça vai explodir por causa dessa gripe. Tenho até o 18 pronto - os anjos cantam -, então nas próximas duas semanas tem cap o// Curtiram essa interação? Naru com ciúmes da Aya, sem saber quem é ela!