Obsesso
13 12. Apenas um sábado qualquer
Notas iniciais
Sasuke já tinha duas páginas completas de nomes quando Gaara e Ino simplesmente entraram pelo apartamento. Aya e Naoto correram para cumprimentá-los, porém Sasuke não prendeu seu olhar neles por mais de alguns segundos.
Gaara logo foi até onde o Uchiha estava, curioso com a concentração dele. Ao ver que o ruivo aproximava-se, Sasuke levantou-se.
— Pegue uma caixa ali na cozinha e me ajude com isso.
Em menos de dez minutos os dois já haviam se trancado no escritório, com ambas as caixas com os arquivos das atuais almas e o vídeo da tarde anterior. Enquanto Sasuke aumentava sua lista, Gaara ia riscando os nomes ao analisar as pastas.
— Michael não foi também. Ele agrediu sexualmente uma mulher e está preso há pouco tempo. O delator precisa estar lá há algumas semanas, certo?
Sasuke assentiu com a cabeça, continuando a escrever os nomes. Tinha dificuldades para lembrar-se de alguns presos, e Gaara ajudava-o com isso. Aqueles cujos nomes estavam esquecidos tinham uma foto guardada numa pasta especial, para quando Shikamaru chegasse.
O Nara não demorou muito, e logo estava tão entretido quanto eles na tarefa. Ao final da análise, oito nomes foram selecionados.
— Olhe esse tal de Kisame – chamou Gaara. – Ele tem uma entrada quase periódica na delegacia. Pelo menos uma vez por mês acaba lá, para ser solto logo depois. Suspeito, não?
— Ou pode ser só um vagabundo – comentou Sasuke.
— Vale a pena investigar.
Batidas na porta interromperam o raciocínio deles, e logo uma cabeça loira foi posta para dentro.
— A comida está pronta.
— Estamos indo, baby – respondeu Shikamaru, mas seus olhos voltaram novamente para a folha em suas mãos.
Temari observou o irmão, o marido e o imbecil do Uchiha (palavras da própria loira) por quase vinte segundos antes que uma veia perigosa começasse a pulsar em sua testa. Eles haviam voltado a conversar como se ela não os tivesse chamado, e aquilo a irritava profundamente.
— Vocês têm cinco segundos pra saírem dessa sala, ou eu juro que espanco cada um dos três. – E fechou a porta com um estrondo.
Shikamaru e Gaara entreolharam-se, cúmplices, cientes do temperamento da garota. Sasuke agia como se não a tivesse escutado.
— Mulheres… – murmurou Gaara.
— Problemático.
— Por isso que eu não tenho nenhuma na minha vida – murmurou Sasuke.
A resposta arrancou risadas dos outros dois, mas a expressão séria e indiferente que o moreno exibia era irritante. Ele acabara de fazer uma piada, podia ao menos esboçar um sorriso ou raiva. Ou tristeza. Na verdade, qualquer tipo de sentimento satisfaria o jovem Nara.
— Será? – perguntou Gaara, com um sorrisinho de canto.
Sasuke detestava aquele sorriso, e olhou-o de soslaio.
— O que vo…
— TIO SASUKE! – Aya, como um furacão negro, invadiu a sala. – A GENTE TÁ ESPERANDO VOCÊ PRA COMER, E EU TO COM FOME, ENTÃO VEM LOGO!
A menina tinha um beiço nos lábios, mas o olhar era determinado e irritado. Shikamaru começou a rir desesperadamente e se levantou.
— O que estava dizendo mesmo?
Sasuke não conseguiu segurar o suspiro que lhe escapou por entre os lábios entreabertos, mas imitou o gênio ao levantar-se também. Gaara o acompanhou, e os três caminharam até a menina que agora exibia um sorriso de orelha a orelha.
— Vamos logo!
E ela pegou na mão de Gaara e Sasuke, arrastando-os para a mesa. Mais atrás, Shikamaru ria da cena. Sasuke provavelmente tinha a mulher mais problemática de todas em sua vida.
— TIO SHIKAMARU! SE DEMORAR MAIS EU VOU AÍ TE PUXAR PELO CABELO! – gritou a pequena, ameaçando caminhar até ele.
Shikamaru apenas correu até a mesa farta que as mulheres haviam-lhes preparado. Feliz, Aya estava sentada entre Naoto e Sasuke. A garotinha falava ininterruptamente, e Sasuke, apesar de não soltar mais do que alguns monossílabos para ela, parecia ouvi-la. Sorriu novamente, sentindo que tudo ficaria bem. Itachi teria gostado daquela cena. Teria gostado muito mesmo.
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Naruto abriu os olhos devagar, ouvindo gritos de onde julgava ser a sala. Sua cabeça rodava, e ele sentia o corpo meio mole ainda. O sono ajudara bastante quanto à ressaca, porém esta ainda não fora completamente dizimada. Meio zonzo, sentou-se na cama e bocejou. Espreguiçou-se e bagunçou os cabelos, ouvindo novamente os gritos que o acordaram inicialmente.
Cambaleou até o corredor, e a partir dali conseguiu recuperar o equilíbrio e caminhar quase normalmente. Chegou à sala e riu com a cena que encontrou: Karin detonava com Kiba no Xbox.
— VOCÊ TÁ ROUBANDO, RUIVA DESGRAÇADA.
— BEM NA SUA CARA, CACHORRINHO!
Shino ria dos dois, que continuavam rindo e discutindo enquanto Karin ganhava de Kiba em um jogo qualquer. Naruto observou a cena por mais alguns minutos antes de se jogar no sofá entre os dois e encerrar o jogo.
— E então, quais são os planos pra hoje?
— Acho que eu to ficando velho, Naruto – murmurou Shino, esfregando os olhos. – Estou podre de ontem ainda.
Naruto riu, querendo zoar com a cara do amigo, porém percebeu o cansaço que ele próprio sentia e acabou desistindo.
— Eu to com o Shino – falou Kiba. – Não sei como a gente conseguia ir em três festas seguidas nos finais de semana e aguentar a faculdade depois.
— A gente não aguentava. Você dormia na aula – respondeu Naruto.
— Ah, é.
Karin riu, e seu personagem começou a acertar múltiplos ataques em Kiba.
— DE NOVO, CACHORRINHO!
— SUA VADIA, EU TAVA DISTRAÍDO!
— As duas crianças podem, por favor, parar de gritar? Minha cabeça vai explodir! – resmungou Naruto, recebendo dois olhares cínicos.
Seu pedido não foi atendido.
— Acho que a gente podia ficar em casa e olhar um filme. Já é quase noite. Podemos pedir uma pizza.
Naruto poderia ter beijado Shino naquele momento, mas Kiba provavelmente não gostaria muito daquilo.
— Eu topo – falou o loiro. – Vou tomar um banho e vocês procuram uns filmes por aí, ok?
— Kiba e eu podemos ir à locadora enquanto Karin faz a pipoca e liga pra pizza.
— Por que a gente? Eu to com preguiça – reclamou o moreno.
— Porque precisamos buscar Akamaru no veterinário e Karin não tem roupas pra sair de casa.
Kiba suspirou, mas assentiu com a cabeça.
— Ok, ruivinha, mas isso ainda não acabou.
Karin riu.
— Cachorrinho, não fique com essa cara. Eu chuto a sua bunda quando quiser.
Kiba mostrou a língua, e Naruto desviou o olhar, indo tomar uma ducha enquanto eles começavam a discutir.
— Você tava roubando, ruiva. E sabe disso.
— Ok, ok, vocês dois. Kiba, levanta essa bunda daí. Karin, a gente tem o número da pizzaria na geladeira. O Kiba come qualquer coisa, e eu quero vegetariana. Você e o Naruto podem escolher os outros sabores.
Karin assentiu com a cabeça e observou os garotos levantarem. Kiba espreguiçou-se, e Shino foi pegar as chaves do carro. Logo depois entrelaçaram os dedos e caminharam até a porta, com Kiba reclamando sobre algo qualquer e Shino ignorando-o pacientemente.
A ruiva sorriu, gostando da cena. Era aconchegante estar em um lugar sem brigas e intrigas o tempo inteiro. Um lugar calmo em que as pessoas tinham o estranho hábito de confiarem umas nas outras. Há muito tempo atrás, ela também confiava nas pessoas. Agora, entretanto, apenas duas eram dignas de confiança. Talvez três.
Sorriu e caminhou até a cozinha, começando a procurar pela pipoca. Encontrou três pacotes de pipoca de micro-ondas no armário, e pegou todos. Aqueles garotos pareciam comer bastante. Deixou a pipoca separada e virou-se para a cozinha. Pulou de susto e quase caiu no chão.
Naruto estava apoiado na porta; recém saíra do banho.
— Pode colocar a pipoca no micro-ondas, ruiva.
— Mas eles ainda não voltaram, Hot Gay.
— Ok, chega dessa coisa de “Hot Gay”.
Karin riu e Naruto revirou os olhos, indo se sentar em uma das cadeiras. A garota colocou a pipoca no micro-ondas e sentou-se em frente a ele.
— Me diz uma coisa… – começou ela. – Como aqueles dois puderam sair da casa deles e deixar uma estranha sozinha com você? Eu podia ter roubado tudo o que têm de valor e depois fugido.
— Você nem tem roupas pra fugir. – Naruto comentou com uma risada.
— E se eu tivesse mentido quando disse que fui roubada?
O Uzumaki estreitou os olhos, curioso. Karin parecia muito nervosa.
— Qual que é o problema, hein? Você mentiu?
— Não! Eu realmente fui roubada, e tal, mas… vocês são legais demais, sabe? Não pode ser normal.
Naruto gargalhou e pegou uma maçã em seguida.
— Karin, os meninos só são hospitaleiros, ok?
— Isso não pode ser normal. Quer dizer, Worcester não é uma cidade pequena, sabe?
— Karin, existem pessoas legais em cidades grandes também.
Naruto divertia-se muito com a situação. Ele passara por problemas bem grandes quando criança, mas sempre tivera amigos e Jiraya; tudo o que precisara para tornar-se quem era.
— Eu sei, mas quais são as chances de justo eu encontrar vocês?!
— Por que não você?
Ela riu de forma irônica e apoiou-se pra trás na cadeira.
— Eu normalmente só atraio problemas e gente ruim, acredite.
— Por que isso?
Ela olhou para Naruto desconfiada. Lera em alguns livros que algumas pessoas realmente se interessavam pelo passado dos outros, mas aquilo não acontecia na vida dela. Não existiam pessoas assim em seu pequeno mundo.
— Longa história.
— Eu sou um ótimo ouvinte.
Naruto pegou uma maçã e começou a mordê-la, mas o olhar de Karin estava a incomodá-lo. Sabia que era o olhar de alguém que está analisando a situação, querendo descobrir as intenções escondidas.
— O que foi?
— Por que quer saber?
— Você começou o assunto, e eu fiquei curioso, só isso.
— Ok… deixa pra outro dia.
Naruto deu de ombros.
— Como você quiser. Se quiser conversar, estou aqui.
Ele piscou divertido para ela, sem qualquer malícia, e Karin tentou lembrar quanto tempo fazia desde que alguém que não Suigetsu ou Juugo falara assim com ela. Nenhuma data vinha à mente.
— Eu digo o mesmo então, loirinho. Conte-me sobre sua infância feliz com seus pais maravilhosos.
Naruto riu com o comentário dela. Estava tão acostumado a fingir que tudo estava bem, que a gargalhada pareceu perfeitamente natural para a mulher.
— Sendo bem sincero, meus pais foram assassinados quando eu tinha oito anos, e então eu tive que vir morar em Worcester. A gente morava no Japão antes disso, eu gostava de lá. Mas eu tive que vir morar aqui, porque quem matou meus pais podia ou não estar atrás de mim também. Não estavam, mas não tinha como saber, então meu avô me trouxe pra cá e eu passei a morar com ele. Uma médica ia sempre lá em casa, porque meu avô era apaixonado por ela e porque eu sempre me metia em encrenca e acabava apanhando na escola. Essa coisa toda de ser o aluno novo que fala japonês e é loiro, então ninguém realmente achava que eu era japonês. Mas eu conheci o Kiba e o Shino na escola, e eles se tornaram meus melhores amigos bem rápido. Depois de um tempo eu parei de apanhar na escola, e meu avô começou a trabalhar dobrado, porque eu ficava pedindo presentes, e ele não sabia dizer não. Há seis anos meu avô morreu em serviço, e eu fui atrás do filho da puta e quase acertei uma bala na cara dele, mas consegui me controlar. O velhote era contra essa coisa toda de vingança, e eu não queria decepcionar ele, sabe? E então eu voltei ao trabalho e aqui estou.
O tom fora tranquilo e jovial, mas a dor e a tristeza eram óbvias naqueles olhos azuis tão profundos. Karin piscou, afastando algumas lágrimas que haviam invadido seus olhos. Ver alguém lutando tão desesperadamente para fingir que não sentia dor era ainda pior do que ver alguém chorar ao contar uma história.
— Você parece ser tão feliz… – ela murmurou, fazendo Naruto rir novamente.
— Eu sou feliz, de verdade. O velhote me ensinou muita coisa, Karin. Principalmente a tirar o melhor de cada situação, independente do que acontecer. E eu tento fazer isso sempre, sabe? Porque eu sei que ele ia me dar um cascudo se soubesse que eu to chorando pelos cantos ao invés de aproveitar meus dias com quem ainda tá vivo.
Ela sorriu e segurou uma das mãos de Naruto, que estava sobre a mesa. Karin sorria verdadeiramente.
— Ele parece ter sido uma pessoa incrível.
Aquilo pegou o Uzumaki de surpresa, e Naruto desfez toda a falsa alegria. No lugar dela, apenas um pequeno sorriso sincero se fez presente.
— Ele era. Meu avô e meu pai são meus heróis, e sempre vão ser.
— Você sabe quem matou seus pais?
Naruto assentiu com a cabeça, tentando evitar que mais lágrimas viessem. As pipocas já estavam prontas há tempos, mas nenhum dos dois se importava com elas.
— Meu pai era famoso no Japão. Um político honesto, acredite ou não. Ele ajudou muita gente, sabe? E ajudar os pobres irrita alguns ricos, como, por exemplo, o cara das finanças de um banco. Meu pai tinha exposto ele pro Japão inteiro, e todo mundo sabia da lavagem de dinheiro. O homem perdeu tudo, então eliminou quem fez aquilo com ele. Meu pai salvou o dinheiro de muita gente, mas perdeu a vida por isso. Minha mãe também.
— E o que aconteceu com ele?
— Está apodrecendo na prisão, pelo que eu saiba. Meu pai tinha bons amigos, e ele foi preso logo. Pelo que eu sei da história, minha mãe foi só um efeito colateral.
Karin ficou em silêncio, sem saber exatamente o que dizer. Depois de quase um minuto, ela levantou-se da cadeira e foi até Naruto, envolvendo-o em um abraço caloroso.
— Não se preocupe, loirinho. Tá tudo bem agora.
Naruto sorriu, afastando quase imediatamente toda a tristeza que carregava em seu semblante.
— Eu sei. Meus pais morreram para que eu tivesse uma vida boa, e a melhor maneira de honrá-los é sendo feliz. Para que eles não tenham morrido em vão.
Karin sorriu, querendo conseguir sorrir como ele quando tudo parecesse ruim.
Naruto não disse a ela que nem sempre era assim tão fácil honrar o desejo de seus pais. Não contou a ela que já pensara seriamente em tirar a própria vida, e que fora uma criança complicada e um adolescente quase pior. Não contou sobre as brigas que tivera com o pobre Jiraya, e nem como fugira de casa uma vez, com uma arma na mão. Queria matar o assassino de seus pais, e só desistiu porque Jiraya mostrou como era impossível. Também não contou a ela como destravou a arma que tocava na cabeça do miserável que matara Jiraya, e nem como estava ridiculamente perto de matá-lo. Não contou como começara a tremer, sussurrando para aquele desgraçado como Jiraya era bom, e o quanto ele fazia falta.
Não contou nada disso, porque eram apenas detalhes. O importante era que, de alguma forma, na maior parte do tempo, Naruto conseguia honrar o desejo de sua família.
Kiba e Shino entraram antes que Karin soltasse Naruto, e ela beijou a bochecha do loiro antes de soltá-lo.
— Eles estariam orgulhosos.
Naruto sorriu, e concordou com a cabeça. Depois voltou o olhar para os amigos, que entravam com um cachorro que chegava na cintura de Kiba.
— Akamaru, como você cresceu!
O cão latiu ao ouvir a voz de Naruto e soltou-se de Kiba, correndo até o Uzumaki e derrubando-o da cadeira. O loiro riu e acariciou o cachorro, que apenas começou a lambê-lo ainda mais.
— Ok, Akamaru, chega.
Kiba apareceu e tirou o cachorro de cima de Naruto, que riu.
— Não precisa sentir ciúmes, Kiba. Ele só veio me dar boa noite.
Kiba revirou os olhos e Naruto riu. Akamaru estava agora concentrado na ruiva, que tentava escapar dele.
— Esse cachorro é realmente grande.
Shino soltou uma risada estrangulada e foi até o micro-ondas, retirando a pipoca dali e colocando outra no lugar. Ele abriu o pacote e colocou o conteúdo em uma bacia.
— Akamaru não morde amigos, né Akamaru? Ele só quer sentir seu cheiro – acalmou-a Kiba.
A garota manteve-se parada, e Akamaru cheirou-a por um tempo antes de se sentar, olhando-a. Karin encarou-o de volta e estendeu a mão, cautelosa. Irritado com a demora, Akamaru aproximou-se da mão e esfregou-se contra ela, obrigando a garota a fazer carinho nele.
Karin sorriu.
— Você é grande, mas inofensivo, não é, garotão?
Akamaru pareceu gostar, pois deitou no chão com a barriga para cima.
— Ok, amigão, chega de incomodar.
Akamaru latiu em protesto, mas levantou e foi até Kiba, parando ao lado dele.
— Bom menino – elogiou o moreno, abaixando-se para acariciar o cão.
— Quais filmes pegaram?
— The conjuring* e How to train your dragon**.
— Terror e um desenho animado? – Karin arqueou uma sobrancelha.
— Você não consegue dormir depois de um filme de terror, né! Precisa relaxar.
A ruiva riu do comentário do loiro.
— Vocês pediram a pizza?
— Não, a gente tava conversando – respondeu Naruto. – Começamos a falar do passado, e tal, e daí contei pra ela sobre como eu vim pra América e do velhote.
Kiba sorriu.
— Jiraya era legal mesmo. Mas não se preocupa, Karin, o Naruto já superou a fase homicida da vida dele.
— Eu nunca matei ninguém – defendeu-se o loiro.
— Mas bem que queria.
Naruto deu de ombros. A amizade dele era suficientemente forte para que brincassem a respeito daqueles momentos sombrios. Jiraya sempre lhe ensinara que precisava conhecer suas próprias fraquezas, porque seus inimigos certamente as conheceriam e eles com toda a certeza as usariam. Por isso Naruto usava seus piores momentos como armadura.
Se ele fingisse que aquilo não era relevante, então, em algum momento, deixaria de ser relevante.
Pediram duas pizzas grandes, fizeram pipoca e tomaram cerveja e refrigerante. As pizzas chegaram logo após o primeiro filme – que arrancou alguns gritos dos quatro –, e eles assistiram ao desenho animado enquanto as devoravam.
Faziam piadas, conversavam e riam. Assistiram ao filme, fizeram guerra de pipoca, e conversaram sobre nada de importante. Foi bom. Foi como estar em casa, para Karin.
Depois que todos já dormiam, ela olhou ao redor. Kiba e Shino estavam no sofá; o mais calado dormira meio sentado, com Kiba em seus braços. Naruto dormia sobre o colchão que fora colocado no chão, ao lado dela. Karin sorriu com a cena, e depois desviou o olhar para a televisão, que mostrava, pela segunda vez, Soluço tentando se aproximar de Banguela.
E Karin sorriu. Era realmente bom estar ali, porque os três eram como uma família, e haviam-na recebido quase como se fosse um deles. Era bom, porque eles pareciam simples. Eram pessoas boas, que lidavam sempre da melhor forma com os seus problemas. E, diferente dela, tinham conseguido fazer o certo com a vida deles.
Karin aproximou-se um pouco mais de Naruto, sentindo o calor que saía dele, e acabou adormecendo também. Mais tarde se perguntaria quanto tempo fazia desde que dormira tão bem, mas não encontrou nenhuma resposta para aquela pergunta.
*Invocação do mal, no Brasil. Eu vi e adorei. Filme de terror MUITO FODA!
**Como treinar o seu dragão, no Brasil. O filme é foda demais, e eu amo tanto o um quanto o dois.
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