Obsesso

7 06. As coisas que Sasuke esqueceu


Notas iniciais
Heey o// Eu juro que tentei demorar mais, mas tava com muita vontade de postar esse capítulo >< ~~enjoy

Chegaram ao prédio e o Uchiha usou a ajuda de um dos funcionários do edifício para carregar ambas as caixas grandes e as mochilas dos sobrinhos. Subiram até a cobertura – um Uchiha não moraria em nenhum lugar menor do que isso – e Sasuke deu uma boa gorjeta ao funcionário que o auxiliara.

Os garotos entraram lentamente, e sentaram-se no sofá. Esperavam qualquer tipo de atenção por parte do mais velho, porém tudo o que ele fez foi ir até a mesa com uma daquelas caixas gigantes e abri-la. Os irmãos se encararam meio entristecidos, e então Naoto sorriu, gentil, e puxou Aya pela mão.

O tio olhava para a foto de um homem moreno com sobrancelhas estranhas, e a menina imediatamente passou a encarar as letras que ainda não conseguia decifrar. Tudo o que queria era aprender a ler, porém o pai não chegara a ensiná-la. Sabia apenas como era seu nome e o de Naoto, mesmo que fosse difícil reproduzi-los; entretanto era uma Uchiha e, portanto, o difícil não era impossível.

— Tio Sasuke, o que tá fazendo?

Sasuke encarou os dois com o canto do olho. A pergunta viera de Aya, e ela parecia ter esquecido completamente das palavras que dissera a ele apenas alguns minutos atrás. O Uchiha fechou o documento e se voltou para os sobrinhos; a menina se debruçava sobre suas pernas, tentando ler o que ele escondera.

— Investigando.

— E a gente pode ajudar? – pediu Naoto.

Uma sobrancelha foi arqueada, e as duas crianças o encararam com expectativa. Sempre ajudavam o pai quando este permitia, e era muito divertido. Eles tinham que procurar objetos em fotos de salas, e se entretinham com a atividade.

— Não.

Um bico se formou nos lábios de Aya, e ela se afastou dele.

— Papai deixava!

— Eu não sou seu pai.

Aya sentiu os olhos marejarem novamente. Sabia. Tanto ela quanto Naoto sabiam muito bem daquilo. Saiu de perto do tio, irritada com ele, magoada. E Naoto também se afastou.

— EU SEI DISSO! PAPAI É MUITO MELHOR QUE VOCÊ! – e a garotinha saiu correndo, com as lágrimas ainda escorrendo.

Sasuke sentiu aquela sensação ruim, e observou a sobrinha sumir pelo corredor. “Eu sei que ele é muito melhor do que eu, Aya. Eu sei”, porém não permitiu que o pensamento melancólico transparecesse em sua face. Naoto ficou em silêncio por alguns segundos, e então correu atrás da irmã. Sasuke suspirou, sabendo que aquilo se transformaria em um problema.

Por que tinha que cuidar deles mesmo? Por que não manipulava Ino para que a loira se sentisse culpada e aceitasse cuidar dos dois? Ah, sim, prometera a Itachi. O irmão traidor e retardado que escondia coisas dele. Bufou e tentou ignorar a cena que acabara de se passar. Precisava analisar aqueles arquivos.

Voltou a olhar o de Rock Lee, de descendência japonesa. Em poucos segundos era como se estivesse sozinho na casa; o silêncio que reinava o fez esquecer completamente as crianças tristonhas que choravam no quarto.

Conseguia apenas pensar nos papéis à sua frente, que o deixavam um passo mais perto de sua próxima vítima – não havia como o tal homem sair vivo da batalha que se seguiria.

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Sasuke não dormiu ou viu os sobrinhos. Quando conseguiu terminar de analisar a segunda caixa, o sol já entrava pelas janelas sem cortinas da sala e ele olhou ao redor, um pouco assustado. O relógio na parede indicava sete horas da manhã. Bocejou e analisou o caderno com a folha repleta dos nomes daqueles que lhe pareciam possíveis suspeitos.

Lee

– Sabe cinco artes marciais diferentes

Neji

– Um prodígio

– Sabe três artes marciais diferentes

(porém nunca demonstrou qualquer sinal de traição)

Sai

– Muito controlado

– Domina dois tipos de luta

Kakashi

– Policial veterano

– Muito bom de luta; não se sabe onde aprendeu tudo o que conhece

Asuma

– Treinou o Shikamaru

Mukade

– Começou pouco depois de Itachi começar a ser cuidadoso

– Sabe-se pouco sobre seu passado

Choji

– Era amigo de Itachi (como todos)

– É muito expressivo

Uzumaki Naruto

– Feliz demais

A lista seguia, porém Sasuke parou seus olhos naquele nome. O loiro fora riscado por Sasuke saber que seu argumento era inválido, porém pessoas felizes o irritavam, e Naruto estava sempre rindo e já fizera amizade com absolutamente todas as pessoas daquela delegacia – menos com ele próprio, é claro.

Afinal, o diabo não tinha amigos.

Suspirou perante o pensamento e apoiou a cabeça sobre seus braços, na mesa. Detestara o comentário de Aya como nunca detestara outra coisa – e a capacidade do Uchiha de odiar era realmente grande – e realmente não entendia o porquê, afinal, já fora chamado da mesma forma por muitas e muitas vezes sem se incomodar. Admitia que até gostava de ouvir o apelido passar pelos lábios daqueles que o reconheciam.

Levou dois segundos a mais do que normalmente para perceber que não via os sobrinhos desde que Aya saíra gritando até seu quarto. O costumeiro vazio no estômago denunciava a falta de alimento, nada incomum na rotina do Uchiha, que volta e meia esquecia-se de tudo ao seu redor quando trabalhava. Porém isso fora antes, quando morava sozinho. Esquecera-se de jantar; consequentemente, Aya e Naoto tampouco haviam comido algo na noite anterior.

Bufou, irritado, ao perceber que ambos haviam dormido de estômago vazio. Isso era um castigo cruel em algum lugar, ele tinha certeza. Bagunçou seus cabelos, demonstrando toda sua frustração. Itachi passara sua incrível capacidade de aborrecê-lo para os filhos, e tal afirmação era indubitável. Por que eles não podiam ter vindo pedir comida? Por que não podiam caminhar até a cozinha e preparar um pão?!

“Porque eles têm quatro anos e você os magoou ontem”, respondeu uma vozinha extremamente irritante em sua mente, parecida com a de Itachi.

— Se quisesse que eles ficassem bem, não devia ter morrido. – retrucou Sasuke, como se o irmão realmente tivesse falado com ele.

Arregalou um pouco os olhos ao perceber que estava falando sozinho, e levantou-se abruptamente. A falta de sono realmente não lhe fazia bem.

O Uchiha preparou três sanduíches de mortadela – sua cozinha estava tão vazia que nem ao menos ovos tinha – e abriu a geladeira em busca de suco ou leite; nenhuma das duas bebidas foi encontrada. Resignado, procurou por café, porém lembrou-se que sempre comprava o líquido no caminho, e que não possuía o necessário para preparar um em casa. Precisava comprar suprimentos urgentemente. Serviu três copos com água e foi até o quarto de Aya, encontrando Naoto a dormir junto da irmã. A cena não era surpreendente; o quarto de Naoto era apenas representativo desde que haviam se mudado.

— Acordem. – ordenou.

Aya se remexeu, porém permaneceu adormecida no abraço de Naoto. Com sua típica indiferença, Sasuke aproximou-se e sacudiu de leve os ombros deles; em sua versão embaçada da realidade pós-sono, Aya podia jurar que era Itachi quem a acordara, e, por um momento, indagou-se o motivo de ele não se deitar junto deles para fazê-lo.

— Papai? – chamou.

Como sempre, Sasuke se manteve calado e esperou que os sobrinhos acordassem de verdade. A decepção nos olhos negros de Aya era evidente, e Sasuke já era velho conhecido do sentimento. Não se deixou abalar pela expressão no rosto da sobrinha, a entendia. Ele próprio desejava que Itachi voltasse à vida e assumisse novamente a responsabilidade como pai. O Uchiha percebia que não levava jeito para a coisa.

— Levantem. – ordenou.

As crianças o obedeceram; ainda vestiam as roupas que usaram para ir à creche no dia anterior, e Sasuke reprimiu a carranca que quase apareceu. Não sabiam nem ao menos trocar de roupas sem que ele ficasse ajudando? Sabia que não, porém o pensamento aliviava um pouco a culpa por ter se esquecido deles.

O Uchiha simplesmente pegou as crianças pelas mãos e saiu puxando-as até a cozinha. Os sanduíches sobre a mesa fizeram os pares de olhos negros brilharem. Soltando-se das mãos do tio, os gêmeos correram até a mesa. Enquanto comiam, Sasuke voltou ao quarto da garota. Pegou uma camiseta cor-de-rosa com mangas compridas – era inverno – e uma calça de veludo negra. Lembrou-se também que não os banhara na noite anterior, e voltou a bufar. Detestava se sentir tão irresponsável. Sentir que falhava – não havia como definir melhor a situação. Falhava miseravelmente na missão que Itachi lhe confiara.

O relógio na parede do quarto da garota marcava sete e meia, e Sasuke não tinha tempo de dar banho nos sobrinhos antes de levá-los à creche/escolinha – como ele saberia a diferença? –, pois precisava ir trabalhar. Não podia se atrasar; tinha muitas descobertas para compartilhar com Shikamaru.

Rapidamente foi até o quarto de Naoto e pegou uma camiseta de magas compridas na cor azul e uma calça jeans escura. Voltou à cozinha e encontrou as duas crianças ainda comendo, satisfeitas. Sentou-se em frente a elas e não demorou para engolir o sanduíche. Precisava ir urgentemente ao supermercado – esquecera-se de fazê-lo no dia anterior. “Mais uma de muitas coisas que eu esqueci”, pensou.

Há menos de duas semanas, não precisaria se preocupar com ninguém além de si mesmo, porém agora tinha mais duas vidas que dependiam única e exclusivamente de seus cuidados. Observou com atenção os sobrinhos que ainda comiam, e fez um esforço enorme para não transformar sua rotineira expressão indiferente numa de desagrado. Os cabelos de Aya refletiam a luz acima deles, oleosos, grudados em seu couro cabeludo; e Naoto tinha olheiras. Nunca vira-os assim quando moravam com Itachi. Pareciam… “mal cuidados”, completou em pensamentos. Não permitiu que a carranca transparecesse, porém sentia-se muito frustrado. Por que Itachi tinha que ser tão melhor que ele em tudo?

Saiu de suas divagações ao perceber que Naoto e Aya já haviam terminado de comer. Levou-os até o quarto da menina e ajudou-a a se vestir. Ela estava bem desperta, e não demoraram para que ela ficasse pronta.

— Penteie seu cabelo enquanto ajudo seu irmão.

A garota não respondeu, e Sasuke tampouco esperou pela resposta dela. Foi com Naoto até o quarto dele e ajudo-o a se vestir; saíram de lá apenas quando o menino já estava com o tênis azul nos pés. Entrou no quarto de Aya e lembrou que precisava passar na casa do irmão para pegar os pertences dos sobrinhos – esquecera-se daquilo também –, e suspirou. Sabia que não conseguiria passar lá naquele dia.

Aya ainda estava sentada sobre a cama, porém tinha uma escova de cabelos entre seus dedos. Caminhou até ela e, timidamente, Aya estendeu o objeto sem encarar o tio, que compreendeu imediatamente o problema. Porém, ele tampouco sabia como desembaraçar os cabelos de uma criança. Fez o melhor que pôde, porém levaram tempo demais com a “brincadeira” – estavam atrasados.

Meio correndo, Sasuke levou as crianças até seu carro – voltou a chamar o funcionário do hotel para que este o ajudasse com as grandes caixas, e deu-lhe a primeira nota que encontrou – e seguiu seu caminho.

Primeiro a creche, depois o café e, então, finalmente, o trabalho.

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O belo par de olhos azuis fitava fixamente a tela do computador à sua frente. Estava extremamente entediado, e realmente não sabia o que fazia ali. Tinha os olhos perdidos, vagos; seus pensamentos não estavam em lugar algum, perdidos no nada. Em outras palavras, o Uzumaki vegetava descaradamente em pleno horário de serviço.

Pulou na cadeira ao ouvir a porta ser aberta abruptamente, e sentiu o coração acelerar ao ver Sasuke entrando na sala. Sorriu de canto, e fingiu que realmente preenchia a papelada à sua frente. À exceção daquela manhã em que haviam capturado o tal Yanakashi, não vira o moreno em ação. Queria saber como era o Uchiha em serviço; queria ver se ele realmente conseguia manter aquela expressão indiferente em frente ao perigo real. Observou-o carregar as duas caixas que levara no dia anterior de volta à sala de evidências. Todas as células de seu corpo imploravam para que ele fosse até a salinha descobrir o que aquelas caixas escondiam, porém se controlou.

Sabia que sua curiosidade era incômoda para a maioria – quase todas – as pessoas, por isso manteve seu olhar preso na porta. O moreno parecia apressado naquele dia, e de mau-humor. Naruto resmungou e desviou o olhar. Quando o diabo estava de mau-humor, era melhor não dar motivos para ele se irritar ainda mais. Voltou o olhar para o computador, porém mantinha um pouco da sua atenção no delegado.

Sasuke tinha o dia cheio, e não podia perder muito tempo ali. Chamou Gaara e avisou-o que precisaria sair no período da tarde. O ruivo concordou de imediato, e então se retirou para a parte das jaulas – apelido carinhoso dos policiais às celas –, provavelmente para manter a ordem. Era incrível como os desgraçados se calavam quando Gaara, Neji ou Sai – os demônios, como eram comumente conhecidos – se aproximavam. Afinal, todo diabo precisa de sua guarda pessoal. Naruto voltou a resmungar baixinho, meio irritado. Era espontâneo, e não receber respostas o irritava – consequentemente, Gaara, Sasuke, Neji e Sai também o irritavam.

O loiro resignou-se e parou de tentar prestar atenção ao que fazia. Sabia que não tinha jeito – aquela papelada não ficaria pronta de jeito nenhum. Queria ação, não papéis. Tornara-se policial justamente para escapar da papelada, porém seu primeiro ano em Worcester lhe provara que trabalhar numa delegacia se provava quase tão monótono quanto trabalhar num escritório – isso, é claro, até um novato entrar para assumir as tarefas burocráticas; nesse ponto, ser o garoto novo sempre era uma merda. Tentou lembrar-se do motivo de ter abandonado suas regalias em Worcester – e o novato que fazia tudo o que ele não queria fazer –, e voltou a olhar para Sasuke. Sua curiosidade infernal, é claro. Se não fosse a curiosidade em conhecer o inferno por dentro, jamais teria aceitado aquela proposta. Porém trabalhar com Uchiha Sasuke parecia tão incrivelmente excitante que não pôde resistir. Entretanto, o moreno se mostrava tão entediante quanto qualquer outro delegado que conhecia. Apenas analisava, impassível, inúmeros papéis. Qual a graça naquilo? Voltou a vegetar para a tela do computador, e não soube quanto tempo ficou naquilo. Em algum momento, cochilou.

Sasuke observou o loiro que dormia na cadeira e reprimiu uma careta, fechando a gaveta de sua mesa com força. Nenhum de seus policiais podia se dar ao direito de ficar tão relaxado quando ele próprio estava uma pilha de nervos. Um quase sorriso apareceu em sua expressão ao vê-lo cair espalhafatosamente da cadeira. Imediatamente após subirem, os lábios de Sasuke voltaram à sua posição inicial, como se nunca houvessem estado de forma diferente.

Naruto, pego de surpresa, apenas gritou.

— TEMEEEE!*

Arregalou os olhos ao perceber que falava com seu chefe, e tudo o que recebeu em troca foi uma sobrancelha erguida. Sasuke não se dignou a responder, apenas resmungou, baixinho demais para que o loiro ouvisse:

— Usuratonkashi.**

Naruto não ouviu o resmungo do outro, e sentiu seu rosto inteiro se avermelhar – de raiva e vergonha – ao perceber que pagara mico novamente na presença do Uchiha. Por que, diabos, não conseguia agir como uma pessoa normal?! Não era a primeira vez que fazia-se aquela pregunta.

Pediu desculpas ao Uchiha, sem receber qualquer resposta. Sentindo seu humor se tornar tão sombrio quanto o do moreno que encarava aqueles papéis como se nada mais no mundo importasse, voltou a se acomodar na cadeira. Segundos depois Sai apareceu ao seu lado, informando que era a vez deles de fazer patrulha. Quase agradecendo aos céus pela notícia, Naruto voltou a sorrir.

–-//--//--//--//--//

Hora do almoço. Ino sorriu feliz ao receber aquela folga surpresa, e deixou o hospital antes que seu chefe mudasse de ideia. Apenas Kami sabia o alívio que era ter o resto do dia inteiro de folga; usá-lo-ia para relaxar. Talvez ligasse para Sasuke pedindo para ficar com as crianças. Sentia saudades dos afilhados, e queria ver se o moreno estava cuidando bem deles. Conhecia Sasuke o suficiente para saber que Aya e Naoto estavam carentes; preocupava-se apenas em saber quanto.

Ouviu o telefone tocar e riu ao ver quem era. “Pensando no diabo…”. Atendeu.

— Pode passar na casa de Itachi e levar as coisas das crianças lá pra casa?

Ino revirou os olhos.

— Boa tarde pra você também.

Não ouviu resposta alguma, e bufou. Sasuke era tão mal-educado! Gaara era tão frio quanto o Uchiha – ok, talvez nem tão frio quanto, mas chegava perto –, porém mantinha-se extremamente educado. “Nota mental: mandar o Gaara ensinar boas maneiras ao Sasuke!”

— Sou uma médica ocupada, sabe? – retrucou, emburrada.

Já mudava o rumo de seu caminho para a casa do Uchiha falecido, porém Sasuke não precisava saber daquilo.

— Quem você acha que conseguiu a sua folga?

Ino ficou quieta por vários segundos, sem saber se ficava irritada ou se ria da situação. Até onde iam os contatos de Sasuke? Como ele conseguia coisas como aquelas? Pedia folga ao Cirurgião-chefe do Departamento de Pediatria há tanto tempo que suas forças já se esvaíam, e Sasuke conseguia aquilo com um único telefonema? Mas era o diabo mesmo.

— Interesseiro! – acusou ela.

— Se for, consigo um final de semana inteiro pra você ainda esse mês.

Ino não precisou pensar.

— Vou deixar tudo na portaria.

Sasuke já estava para desligar – ele nunca se despedia –, quando a loira voltou a se pronunciar.

— Sasuke, posso ficar com as crianças hoje? Deixo elas na escolinha amanhã de manhã, prometo.

Do outro lado, o Uchiha suspirou aliviado. Uma preocupação a menos para aquele dia. Se estivessem conversando pessoalmente, Ino veria um dos raros sorrisos aliviados do Uchiha; porém este se encontrava sozinho na enorme sala de atendimento da delegacia de Boston, e apenas os computadores foram testemunhas de tal expressão.

O Uchiha confirmou com a loira e desligou o telefone, novamente apático. Sua atenção se voltou para o computador, porém instantes depois a sala foi preenchida pela voz do novato, que ria e falava alto junto de Sai. O moreno – tão parecido consigo – mantinha-se quieto, apenas ouvindo. Naruto não parecia se importar com o monólogo, e prosseguia relatando o que parecia ser a primeira vez que prendera alguém. O Uchiha o ignorou e voltou a analisar o que tinha no computador.

Procurava pelos nomes de cada um dos suspeitos em sua lista. Alguns nomes haviam sido riscados, outros possuíam um ponto de interrogação ao lado. Procurava pela ficha criminal de Hatake Kakashi. Esperou alguns segundos, e estreitou os olhos com a resposta: Confidencial.

Pouquíssimas coisas eram confidenciais a ele, e o Uchiha tinha uma ideia do que aquilo queria dizer. O Hatake fazia parte de alguma organização do governo, provavelmente o FBI ou a CIA. Talvez uma organização que ele nem ao menos conhecesse. Riscou o nome do homem e apagou os registros de que o pesquisara. Alguém que participava de algo como aquilo passava por testes de fidelidade constantes, e traidores eram mortos em pouco tempo. Apagou qualquer registro que possuísse do homem, apenas por precaução.

Depois do Hatake foi riscando vários outros nomes – algumas das informações contidas no computador não estavam nas fichas deles. No final, de suas quase vinte folhas apenas sobravam cinco. Sentiu-se satisfeito com o resultado; era a sensação de um trabalho bem feito. A imagem de uma Aya descabelada e mal cuidada apareceu em sua mente, porém Sasuke logo tratou de afastá-la. Não era o lugar e nem o momento apropriados de se distrair com aqueles pensamentos supérfluos.

Mal decidiu que precisava falar com Shikamaru quando o telefone tocou. Atendeu-o.

— Uchiha Sasuke.

— Preciso falar com você. – era Shikamaru, e sua voz transparecia urgência.

— Minha casa em meia hora.

E desligou, pegando as anotações que tinha e caminhando em direção à porta, alheio aos raivosos olhos celestes que o seguiam.

Naruto sentiu aquela raiva do dia anterior. Sasuke saía no meio de expediente dois dias seguidos para encontrar-se com sabe-se-lá-quem, para fazer sabe-se-lá-o-quê? Quanta falta de profissionalismo! Sentiu vontade de segui-lo e repreendê-lo. Chegou ao ponto de levantar-se. Que tipo de delegado abandonava a delegacia daquele jeito? Era conhecido como “o diabo”, por que não honrava aquele nome? Por que não agia como devia – sendo insensível e mandando quem quer que fosse a pessoa ao telefone tomar no meio do rabo, porque estava em serviço e não podia sair?

Voltou a si ao perceber que já caminhava em direção ao moreno. Sasuke desviou o olhar para o loiro, que fingiu que estava indo pegar água. O que acabara de acontecer? Queria morrer? Quase fora atrás do homem mais assustador que já conhecera para repreendê-lo. Estava mesmo a ponto de se meter na vida pessoal do Uchiha? Piscou confuso, e engoliu toda a água do copo.

Visando esquecer seu quase suicídio, voltou para a mesa e começou a preencher a papelada que ainda faltava.

*Teme: bastardo

**Usuratonkashi: idiota

Notas finais
*-----* Curiosos? Quem aí detesta o Sasuke? No próximo: Ino dando bronca no diabo HOHOHHOHHOO O próximo já tá planejado, mas ainda não escrevi. Talvez ele venha até domingo, talvez eu consiga me segurar um pouquinho mais. Obrigada pelos reviews, quem quiser, pode mandar de novo *o* Bjs e teh + ^3^//