Notas iniciais
Tecnicamente falando, esse é o último capítulo desta trama. Contudo, o desfecho real eu deixei para o Epílogo. Obrigado a todos que me acompanharam até aqui.

Obsessão Fatal

Capítulo X

Naruto agachou-se diante de Sasuke e o viu, em um gesto automático, provavelmente para evitar encará-lo, virar o rosto para o lado.

Sasuke ainda não sabia ao certo o que pensar sobre Naruto, tivera quase certeza que ele estava do seu lado, mas bastou o irmão surgir que ele se bandeou para o lado dele.

O barulho de um clique fez Sasuke mudar de ideia e voltar-se para encarar o loiro com curiosidade. Naruto havia acionado um canivete de bolso e em seguida o envolvera com seus braços, fazendo-o sentir-se tonto por tê-lo tão próximo. Estremeceu. Não podia negar aquele sentimento, estava perdidamente apaixonado por aquela pessoa. Talvez seu sentimento não se comparasse ao de Itachi, ainda assim não sabia como evitar senti-lo.

O loiro usou o canivete para cortar as cordas que prendiam as mãos de Sasuke atrás da cadeira, então voltou a guardar a arma no cano do tênis.

— Pronto — avisou. — Continue fingindo que está preso até a gente sair. Eu cortei o suficiente para você arrebentar se forçar um pouco. Aí você se vira para desamarrar os pés. Mas faça isso depois que o Itachi e eu estivermos longe, ele não pode perceber que eu o ajudei — alertou.

— Por quê?

— Que pergunta idiota, porque eu não quero que você morra, é óbvio.

— Mas...

— Ele matou meu pai e meu tio, Sasuke — Naruto o interrompeu. — E de certa forma eu sou culpado também.

— Do que está falando? — o moreno perguntou espantando, sentindo o coração disparar ao pressentir algo ruim naquela fala. — Achei que não se importasse com o que ele fez a sua família. Você disse lá no quarto que não tinha mais família quando rasgou a foto. Afinal, você não é cúmplice do meu irmão desde o princípio?

— Cúmplice do Itachi? — O loiro coçou a cabeça em sinal de confusão. — Eu não me lembrava do seu irmão até essa tarde. Eu perdi a memória há dez anos, Sasuke. Só que ser trazido de volta para essa casa me fez recuperá-la. Apesar de que, no fundo, eu sabia que havia coisas ruins envolvendo o meu passado, por isso nunca fiz nenhum esforço para recuperar minhas lembranças. Mas quem diria que Neji me traria de volta para o meu infernal passado, não é?

Naruto sorriu e Sasuke sentiu-se desnorteado.

— Então, você não sabia da fuga de Itachi? Você não se aproximou de mim de propósito? Você não está do lado dele desde o começo?

O rapaz loiro sentiu-se tonto com tantas perguntas, mas ponderou por um momento, admirando o brilho de esperança que agora irradiava nos olhos de Sasuke.

— Bem... — Ele se levantou para aliviar o formigamento que estava sentindo nas pernas. Esticou os braços para cima, depois os repousou na cintura e se arqueou para trás, fazendo alongamento. — Não foi nada premeditado se é isso que quer saber — confirmou. — Mas obviamente existe uma força maior agindo de forma que as coisas que ficaram pendentes no passado se finalizem agora.

— Eu não estou entendendo. O que você pretende fazer?

Naruto tirou uma peça de automóvel de dentro do bolso da calça jeans e mostrou para Sasuke.

— O que é isso?

— Eu aprendi alguma coisa de mecânica na rua — informou ele, girando a peça entre os dedos. — A gente aprende essas coisas quando se está metido no meio de roubo de carros. Eu sempre era isca para atrair os caras ou as mulheres e os meus companheiros agiam para roubá-los. Essa cara bonitinha que mamãe e papai me deram serviu para me ajudar a me virar bem enquanto estive nas ruas — ele sorriu, dando de ombros. — Eu tirei isso na hora que estava ajudando seu onii-san na revisão do carro. Sei que sem essa peça o freio não vai funcionar direito.

— Irá provocar um acidente? — Sasuke deduziu rápido. — Seu plano é se livrar de Itachi? Mas e quanto a você? Você não estará no carro com ele?

O loiro fez um passe de basquete e arremessou a peça em um latão de lixo perto da porta da garagem acertando-a em cheio.

— Yosh[1]! Três pontos! — ele vibrou e então voltou a encarar Sasuke, que continuava esperando a resposta. — Você não entendeu ainda, né Sasuke? Você ouviu mesmo tudo que o Itachi te contou? Eu sou a criança má da história. Se eu não tivesse me envolvido com um psicopata e ainda por cima gostado de estar envolvido com ele, o tio Nawaki e o Minato-otou-san ainda estariam vivos.

— Você era só uma criança — Sasuke justificou rapidamente. — Crianças são inocentes. Ele deveria ter tido consciência do que estava fazendo. Ele te seduziu.

— Não, Sasuke. Eu gostava do que o Itachi fazia comigo. Na boa, de verdade. Eu não era nada inocente e ainda não sou. Eu roubei, me prostituí, enganei pessoas... — Naruto engoliu em seco, era difícil assumir o quanto era uma pessoa errada. Havia se afeiçoado de verdade a Sasuke. Mas ele, Naruto, estava longe de ser o tipo de cara que merecia alguém como ele. Sasuke tinha um bom coração e certamente encontraria alguém mais digno. Por isso precisava acabar de vez por todas com as esperanças dele. Seria dolorido para ambos, mas era a coisa mais sensata a ser feita. — Além de tudo isso, eu tenho o dom de induzir as pessoas a fazerem coisas ruins.

Sasuke arregalou os olhos, ele havia descoberto sobre Neji?

— E não sei se você percebeu, mas eu sou masoquista de verdade, Sasuke — confessou. — Eu só sinto prazer se sentir dor. Essa minha tendência despertou cedo, eu gostava de me machucar de propósito só para ver meu pai ou minha mãe largarem o que estavam fazendo para virem me mimar. Eu fui uma criança egoísta. Mas chegou um momento que, mesmo eu estando machucado, meus pais continuavam sem tempo para mim. Para suprir a minha necessidade de atenção eles passaram a pagar outras pessoas para fazerem o serviço deles de me mimar, babás e até meu tio. Mas nenhum deles ligava de verdade para as minhas birras. O Nawaki-ojii-san era o que menos se importava, ele me largava sozinho no parque perto da escola e saía para namorar. Foi em um dessas vezes que Itachi apareceu.

Sasuke suspirou profundamente, agora era o ponto de vista de Naruto da mesma história que ouvira do irmão. Mas algo o estava incomodando naquela narração, algo que não soube identificar de imediato, mas que fazia um nó forte apertar em sua garganta e uma vontade crescente de chorar.

— O Itachi-nii-san me deu toda a atenção que eu precisava. Até mais do que isso, ele me ensinou algo proibido, me fez sentir prazer. Eu estava feliz.

— Você o amava? — Sasuke perguntou, o tom de mágoa impregnando a rispidez na sua voz. — Digo, você ainda o ama? — Sasuke refez a pergunta de forma ferina, clara e direta, precisava ter aquela certeza. — Me responde! — exigiu ao perceber Naruto desviar os olhos dos seus, como se precisasse de tempo para refletir sobre a resposta.

Odiava Itachi por tudo que ele havia feito, mas o fato de imaginar que o irmão maníaco poderia ter um lugar maior no coração do seu anjo fazia-o sentir uma revolta de tamanho sem igual.

— Me responde, por favor...

— Isso não importa — Naruto finalmente deu a resposta, erguendo a cabeça e voltando a repousar o olhar sobre o moreno. — Eu era uma criança na época, já disse o que sentia, no começo foi curiosidade, depois foi pelo prazer. — Balançou os ombros. — Não me pressiona com essa merda de amor. O Itachi fazia o que eu queria e eu gostava dele por isso. Se ele não tivesse feito tanta merda, quem sabe teríamos ficados juntos de verdade, somos dois pervertidos.

Sasuke não conseguiu segurar as lágrimas.

— Mas, de qualquer forma, eu não soube sobre as mortes na época — ele continuou. — O Itachi matou muita gente por prazer e isso é bem mais grave do que minha tara por dor. Além disso, ele matou meu pai e o meu tio e assim que fugiu da cadeia confessou que matou o cara que o ajudou a fugir, ou seja, Itachi Uchiha vai continuar matando da mesma forma que eu vou continuar sendo masoquista. — O loiro respirou profundamente. — Vai por mim, Sasuke, Konoha vai ser um lugar melhor pra se viver depois de hoje.

— Kitsu...

— Naruto — o loiro o corrigiu.

— Para mim você ainda é o meu Kitsu.

Naruto arregalou os olhos.

— Kitsu eu o...

— A culpa pelo assassinato do Neji recairá sobre mim — Naruto o interrompeu de repente. Não queria ouvir aquilo que Sasuke tinha a lhe dizer, ouvir sobre os sentimentos dele naquele momento só o faria fraquejar e não poderia se dar ao luxo de fraquejar.

— Quando soube sobre o Neji?

— Eu assisti o noticiário.

Sasuke surpreendeu-se. Havia esquecido completamente daquele detalhe, ele mesmo havia dito que o televisor estava funcionando para que Kitsu tivesse com o que matar o tempo.

— Eu tive um caso com Neji e também conhecia o cara que foi encontrado morto com eles. Todas as evidências apontaram para mim.

— Que ligação você teria com o Zefiro?

— Zefiro? Cara, por Deus! Ele dá cada nome estranho. — O loiro riu, coçando um das sobrancelhas. — Pra mim ele disse que se chamava Orfeu. Ele estava investigando a família Hyuuga fazia algum tempo, quero dizer, políticos ligados a máfia da Akatsuki. Depois disso ele me perguntou qual era a melhor forma de se aproximar do Neji. Então eu respondi que era só ele se disfarçar de garoto de programa. Só não esperava que ele fosse levar isso tão a sério.

— Eu que os matei, Kitsu. Eu me tornei exatamente como o meu irmão.

— Não! — Kitsu respondeu incisivo. — Você não é como o Itachi, Sasuke. Você fez para me defender e não por prazer. Além disso, Neji teve o que mereceu. Não era só fazer as pessoas de brinquedo sexual que ele gostava, ele e o tio são apoiadores da Akatsuki. Esses apoiadores desviam os valores dos impostos de pessoas honestas para financiar essa máfia que causa o caos. Tudo isso para que eles tenham com que criticar a atual gestão de políticos e conseguirem se elegerem nas próximas eleições, ou seja, jogam sujo. O Gaara sempre foi honesto e não aceitou fazer parte dessa sujeira.

— E porque não ficou com o Gaara ao invés do Neji se sabia que ele era um mau-caráter?

Naruto abriu um sorriso debochado.

— Viu como você é um cara bom? Chega ser inocente. Já disse que não me importo com quem seja desde que me dê o que eu quero — respondeu, abrindo mais seu grande sorriso. — Neji me ofereceu mais do que Gaara. Apesar de que foi idiotice confiar em alguém traiçoeiro como ele, acabou que foi tudo ilusão. Mas não posso reclamar por ter vindo... — Kitsu confessou, fazendo uma massagem no pescoço, um tanto constrangido. — Afinal, eu o conheci. Essa foi a parte boa de toda essa bagunça. Ter alguém querendo te proteger sem ter nada em troca, foi legal.

— Naruto...

— Pode continuar me chamando de Kitsu.

— Kitsu, eu...

— Sasuke, não diga isso. Você tem que viver, cara! Casar e ter filhos. Você tem tudo para ser um cara normal e ter uma vida legal. Você é bom de verdade.

Sasuke encarou Naruto, os olhos marejados.

— Mas é você que eu...

— Ama?

As lágrimas desceram pelo rosto de Sasuke com vontade, ele assentiu com um menear de cabeça.

— Eu te amo. Não se sacrifique, por favor.

Naruto se aproximou.

— Eu já fiz a minha escolha — ele toucou o rosto de Sasuke, fazendo uma breve carícia. — Essa tempestade logo vai passar — Naruto confessou, com a voz embargada, beijando-o nos lábios.

Em seguida se afastou depressa.

— Iremos pela encosta, a beira mar. Itachi vem vindo. Adeus, Sasuke.

— Kitsu, não. Espere.

— Vamos, Naruto! — Itachi entrou na garagem com apenas um dos galões de gasolina em mãos e terminou de despejar o conteúdo dele na garagem. — Terminei — anunciou, jogando o recipiente de plástico no chão e limpando as mãos na calça. Depois disso, caminhou até a porta de elevação da garagem e a levantou. O dia acinzentado começava a clarear. — Entra no carro.

— Não vai se despedir do seu irmão? — perguntou o loiro, indo em direção a porta do passageiro do veículo. — É a última vez que irá vê-lo na vida.

— Tem razão — Itachi concordou, indo até Sasuke e erguendo o rosto dele ao segurá-lo pelo queixo, então encarou por um minuto aqueles olhos marejados. — Não chore. Desta vez não vai doer, otouto. Eu prometo que será bem rápido. — E o beijou na boca.

Sasuke virou o rosto na tentativa vã de escapar da boca do irmão, mas Itachi foi rápido, deu-lhe um beijo breve e pressionado nos lábios, no momento seguinte estava entrando com Naruto dentro do carro. Ouviu o ronco do motor do Prelude e o cantar dos pneus acelerados. A mão de Itachi pendeu para o lado de fora segurando um isqueiro aceso, que foi derrubado no chão banhado de gasolina. O fogo se alastrou rapidamente. Sasuke não tinha mais tempo para se lamentar, se queria viver e resgatar Kitsu, precisava ser ágil. Forçou as cordas que arrebentaram facilmente, desamarrou os pés e correu em direção a porta aberta da garagem.

Do lado de fora, Kakashi e Tsunade chegavam à mansão quando viram o Prelude preto sair pulando em alta velocidade na frente deles. De relance, a médica viu o rapaz loiro do banco do passageiro daquele carro e, sem pensar, colocou a cabeça pra fora do veículo do policial e gritou com todas as suas forças.

— Narutooooooo!

— Droga! — Itachi praguejou ao volante olhando pelo retrovisor e percebendo que o carro fazia o contorno, eles viriam em seu encalço. — Eu não pensei que os tiras apareceriam tão rápido.

— Eu dou um jeito — propôs Naruto.

— Tem uma arma no porta-luvas.

— Nem vou precisar disso. — Naruto colocou metade do corpo para fora, encheu os pulmões de ar e gritou de volta. — Sasuke vai virar churrasquinho se não fizerem algo.

Kakashi freou o carro bruscamente ao ouvir aquilo, baixou sua máscara e sentiu cheiro de fumaça. Olhou o retrovisor, havia mesmo uma nuvem de fumaça se erguendo da casa que ficara para trás. Começou a manobrar o veículo. O carro que Itachi estava era um coupé[2], um tipo de carro com lugar somente para duas pessoas, Sasuke havia sido deixado na mansão pegando fogo.

— Kakashi e meu filho? — perguntou Tsunade ao ver o homem dando marcha ré no carro.

— Desculpe-me, Senju. Seu filho está bem. O meu corre risco de vida — Kakashi fez meia volta e retornou em alta velocidade para o casarão Uchiha.

Os dois dentro do Prelude riram vitoriosos.

— Perfeito, Naruto-kun! — O maníaco puxou o loiro pela nuca e o beijou nos lábios.

Mas Naruto o afastou.

— Olho na estrada. Você não quer perder a direção logo agora, não é?

— Com certeza.

— Hein, Itachi-nii-san? Vamos pela encosta?

— O que você acha?

— A acredito que seja a melhor rota.

— Se você diz, quem sou eu para discordar.

— Valeu, eu queria ver o mar — Naruto riu.

— Você verá — Itachi garantiu e pisou forte no acelerador.

...

Kakashi estacionou o carro de qualquer jeito na frente da mansão e desceu do veículo em desespero. Sasuke saía da garagem aos tropeços, atrás dele o fogo aumentava gradativamente. Correu até ele e ao alcançá-lo o abraçou fazendo-o deitar-se no chão.

— Abaixe-se!

As janelas da casa explodiram, chuvas de estilhaço caíram sobre eles. Com receio de que houvesse novas explosões, Kakashi ajudou Sasuke a se levantar e os dois saíram correndo em direção ao veículo. As explosões continuaram, levantando nuvens enormes de fumaça que se juntavam as de chuva no céu.

Ao chegarem ao veículo encostaram-se na lataria do lado aposto, Kakashi tocou o rosto pálido de Sasuke que estava encoberto de fuligem.

— Você está bem, Sasuke? — perguntou ele, tocando na lateral dos braços dele, no peito, no pescoço, precisava certificar-se de que ele estava realmente bem.

— Eu estou bem, Kakashi-san — Sasuke confirmou. — Mas o Kitsu, o Kitsu não...

— Do que está falando, Sasuke?

— Digo, o Naruto, o filho da doutora, Kakashi-san... — Sasuke se esforçava para respirar. — Ajude-o, por favor. Ele está planejando se matar junto com o Itachi. Ele tirou uma peça que compõe o freio do carro.

— Não se preocupe. Eu vou atrás dele.

— Promete, Kakashi-san? Promete que irá salvá-lo, por favor? — Sasuke implorou, entre lágrimas. — Eu o amo, Kakashi-san. Eu o amo — confessou.

O policial suspirou fundo e puxou Sasuke pelo braço, levando-o até a médica que havia saído do carro e esperava na frente do portão da mansão.

— Tsunade, fique com ele — pediu, deixando-o com ela e voltado para o veículo. — Eu vou atrás daqueles dois.

— Eu também vou.

— Não — esbravejou Kakashi. — Estão vindo os reforços — avisou, sem deter os passos apressados. — Fiquem aqui para darem à eles as coordenadas. Eu vou na frete.

A médica emudeceu.

— Eles vão pela encosta, Kakashi-san!

O homem fez um sinal de jóia e entrou no veículo, seguindo rumo à via que beirava a encosta marítima.

...

Kakashi seguia conforme as coordenadas dadas por Sasuke. Entrou na via da encosta bem no momento que a garoa fina que caía se transformou em pingos grossos de chuva. O fluxo daquela via era horrível naquele horário. Seus dedos batiam impacientemente no volante. Estava atrás de um caminhão. Via de mão dupla. Proibida a ultrapassagem. Claro, havia uma montanha rochosa de um lado e um desfiladeiro de mais de sessenta metros que culminava no mar do outro, um erro ali desencadearia um acidente fatal.

— Kakashi-san, na escuta? — ouviu o rádio.

— Sim, prossiga — respondeu, ao acionar o viva-voz do aparelho.

— Seu afilhado passa bem, acabamos de examiná-lo — Kakashi respirou com alívio. — Estamos com ele na ambulância. O fogo na mansão Uchiha também está sendo contido. Qual a localização do senhor?

— Quilômetro quinze da rodovia da encosta. Vocês precisam dar um jeito de diminuir o tráfego no local, está muito intenso. Bloqueiem a via de entrada. Está chovendo forte e o carro dos fugitivos está sem freio, um mero deslize da parte deles causará um acidente de proporções gigantescas.

— O helicóptero da polícia está levando a força policial de elite para criar um cerco no pedágio nessa avenida, senhor. Eles serão detidos ao tentarem ultrapassar.

— O carro dos fugitivos está sem freio, atente-se a esse detalhe. É um Honda Prelude na cor preta, se o avistarem, atirem nos pneus!

— Sim, senhor!

...

No Honda Prelude.

— Maldito, Hatake Kakashi — reclamou Itachi.

— Esquece, vai. Conseguimos escapar dele.

— Graças a você — Itachi repousou a mão sobre a perna de Naruto e a apertou.

O loiro tentou corresponder com um sorriso, mas logo voltou a ficar sério e fixar sua atenção na janela, observando que a chuva aumentava.

“Droga, o trânsito vai começar a ficar lento a qualquer momento”, se preocupou.

— A polícia está mais atenta do que eu esperava — Itachi comentou, voltando a colocar as duas mãos no volante. — É possível que nos deparemos com algum bloqueio.

— Existem oito saídas diferentes em Konoha, não é possível que a polícia consiga bloquear todas em algumas horas. Além disso, para fazer um bloqueio policial na nossa frente eles precisariam passar pela gente, mas com esse trânsito tumultuado é meio impossível. No máximo passaremos por um bloqueio com a única viatura do postinho policial dessa saída.

Itachi sorriu de lado.

— É, você está me surpreendendo, Naruto-kun. Muito mais do que surpreendia quando era criança. Além de mais bonito, você ficou muito esperto.

— Não é nada disso. Eu só fiz uma pesquisa na casa do Neji porque eu estava procurando a melhor rota para sair de Konoha e voltar para Suna.

— Se está dizendo. Agora se segura, vou ultrapassar novamente — Itachi avisou, aumentando a velocidade e entrando na contramão.

Kitsu fechou os olhos ao ver que vinha um caminhão na direção deles, mas logo os reabriu ao sentir o carro manobrando de volta para pista da direita.

— Ultrapassar caminhões em uma via dessas, você é mesmo louco...

— Dizem que sou. — Itachi apertou a coxa do loiro mais uma vez. — E é só por isso que você me ama, não é?

— Não.

— O quê?

— Não é “só” por isso, é pelo que tem no meio das pernas também.

O moreno deu uma alta gargalhada. Sentiu a adrenalina correndo por todo seu corpo novamente. Havia fugido da penitenciária de segurança máxima de Konoha, recuperado seu maior pertence e estava com o porta-malas cheio de dinheiro. Estava tudo dando certo desta vez. Logo estaria longe de Konoha para sempre e ainda seria reconhecido ali como o maior bandido de todos os tempos. Não podia estar se sentindo melhor.

— Se não fosse essa merda de trânsito lento — comentou ele.

— É impressão minha, ou está parando?

— É, ficou muito lento de repente. — Itachi observou a velocidade caindo no velocímetro do veículo. — Que merda está acontecendo lá na frente?

— Será que foi um acidente? — supôs o loiro.

— Pode ser. — Itachi buzinou alto e várias outras buzinas o acompanharam em resposta. — Vou parar e subir no capô para ver se vejo algo.

— Não precisa parar, continua. Está lento, mas está fluindo. Deixa que eu vejo — Naruto se propôs imediatamente, já saindo pela janela e subindo no capô do carro.

Na verdade, o loiro não queria que Itachi percebesse que o carro estava sem freio. Mas nem precisou ficar de pé sobre o teto do carro para perceber as luzes vermelhas de sirenes da polícia mais adiante, era um bloqueio, bem como Itachi imaginara. O trânsito estava prestes a parar de vez, Itachi iria perceber o carro sem freio.

“Merda, a polícia não podia fazer esse alarde!”

— E então, o que está havendo aí, Naruto? — perguntou Itachi batendo na lateral do carro, querendo uma resposta imediata.

— É um acidente — inventou a desculpa.

— Merda! — Itachi praguejou, batendo as mãos no volante e pisando no freio. — Mas que porra é essa? — perguntou estressado ao bater o pé com força no pedal do freio e o carro não parar. — Esta merda tá sem freio? — observou, aumentando para a terceira marcha e fazendo o carro afogar. — Eu não chequei os freios? Espera... — Itachi franziu o cenho. — Os freios foram a primeira coisa que eu chequei.

Naruto ao perceber o carro afogar deitou no capô e pendeu a cabeça para a sua janela, mas Itachi saía pelo outro lado batendo a porta. De repente sentiu seus pés serem agarrados, estava sendo puxado, escorregou de barriga para baixo pelo teto do automóvel e foi colocado de volta no chão, virado, empurrado contra a lataria e por fim teve seu pescoço agarrado por Itachi.

— Seu filho da puta, eu vou te matar.

— Ei, ei, ei, ei, Itachi-nii-chan, o que está fazendo? Está me sufocando! Tá me sufocando!

— Eu chequei os freios, Naruto. Foi a primeira coisa que fiz. É a polícia que está lá na frente, não é? Estamos cercados? Você está com eles, não é? Isso é uma armação para me colocar de volta na cadeia, não é?

— Não sei do que está falando...

— Não minta para mim, porra! Foi você que indicou a merda desse caminho. Você está com eles? Está me traindo? Me responda, seu merda!

— Ei, o que está acontecendo aí? — perguntou o motorista de um dos caminhões que havia parado na pista contrária. O homem saiu da cabine batendo a porta e foi na direção dos dois rapazes que brigavam. — Cara, solta o pescoço do garoto, ele está ficando roxo, o que pensa que está fazendo?

Naruto tentou impedi-lo de se aproximar.

— Não venha...

Mas foi tarde, Itachi retirou a arma da cintura e disparou na direção do homem atingindo-o na testa.

— Não se meta nos assuntos que não lhe diz respeito, balofo — resmungou, encostando a arma no rosto do loiro enquanto ouvia as pessoas gritarem e deixarem apavoradas seus veículos.

— Comece a rezar, Naruto. Ninguém me trai e fica vivo para contar a história.

...

Não muito longe dali, Kakashi ouviu o barulho de um disparo. Assustou-se ao se deparar com o aglomerado de pessoas vindo em sua direção, desceu do carro.

— O que houve? — perguntou para quem pudesse respondê-lo.

— Tem um homem fora de si atirando lá na frente — respondeu uma mãe, correndo desesperada com sua criança no colo.

Kakashi saiu correndo, na direção de onde as pessoas vinham.

...

Do outro lado da via, os policiais que cercavam a saída da rodovia também saíram correndo ao ouvir o disparo. Eles haviam chegado de helicóptero, fechado a via em meia pista e estava parando os motoristas e pedindo identificação dos ocupantes e veículo.

Tsunade e Sasuke, que acompanharam os agentes para ajudarem em uma possível identificação dos suspeitos, saíram da viatura onde estavam escondidos, eles queriam saber o motivo do tumulto, quando um dos policiais pediu para que eles retornassem para o veículo, Sasuke desviou do homem e saiu correndo atrás dos outros policiais.

— Ei, garoto, espere! Não vá, é perigoso!

— Sasuke, onde está indo? — Tsunade também saiu correndo atrás dele.

— Dona, você também não! Voltem para viatura! — E saiu o policial atrás dos dois.

...

Trovões se propagaram no céu e a chuva passou a desabar torrencialmente. Itachi e Naruto lutavam. O loiro havia dado uma joelhada na parte íntima do maníaco e a arma deste caiu da sua mão e saiu deslizando para debaixo dos carros. Agora os dois brigavam corpo a corpo. Mas apesar do loiro ser bom de briga, por ter vivido muito tempo na rua, Itachi era bem mais forte.

— Desgraçado! Filho de uma cadela vadia. Eu vou te esfolar vivo, Naruto! — esbravejava o mais velho, grudando mais uma vez no pescoço do loiro, tentando estrangulá-lo.

Mas, novamente, Naruto revidara com um pontapé na barriga de Itachi e quando ele se curvou para amparar a barriga, outro golpe de pé o atingiu, desta, vez no rosto. Itachi andou trôpego para trás e caiu sentado no asfalto.

— Não use essa sua boca podre pra falar da minha mãe, Itachi. — Naruto cuspiu uma bola de sangue na enxurrada que corria pelo asfalto.

Mas o Uchiha não estava disposto a desistir, se levantou e investiu a cabeça contra o peito do rapaz, jogando-o para trás, e batendo-o contra a grade que ladeava o lado da via que ficava na direção do precipício. Naruto ficou meio desnorteado com a investida e Itachi aproveitou para golpeá-lo, o primeiro soco foi desferido no rosto, o segundo na barriga e na sequência ele agarrou-se aos cabelos do loiro, virou-o de costas e o empurrou, batendo-o com força, contra a grade.

— Grande merda é você e a vadia da sua mãe! — Itachi sussurrou no ouvido de Naruto, batendo-o novamente contra o cercado e fazendo o ferro criar vergões roxos em seu belo rosto. — E agora? Se sente excitado com a dor? Quer que eu meta em você? Hã, Naruto?!

A grade que cercava a pista media em torno de dois metros de altura nas partes sinuosa, entretanto, perto deles, a via vinha de uma reta, e nas partes retas, o gradeado media menos de meio metro.

— Eu fiz tudo por você, Naruto. Foi o único que deixei viver. Por que me traiu?

Um trovão urrou nos céus, Naruto riu.

— Qual é a graça? — perguntou Itachi ainda mais irritado, puxando os cabelos dele novamente. — Está rindo de mim? Está rindo dos meus sentimentos?

— Não, Itachi-nii-san... Eu estou rindo de mim mesmo.

— Sabe, Naruto. Eu tinha planos para nós, você estragou tudo. Você tentou me matar ao tirar os freios do carro, agora quem vai morrer é você. E sabe de outra coisa? Eu posso até voltar para cadeia, mas vou fugir de lá de novo, e de novo, e de novo, quantas vezes forem necessárias. E quando eu estiver do lado de fora, eu vou atrás do seu principezinho, o meu tolo irmão, e juro, juro que irei fazê-lo sofrer como nunca, só para descontar toda a raiva que estou sentindo de você.

— Acho que não terá uma nova chance, Itachi-nii-san — respondeu Naruto, tranquilamente. — Se for preso, não escapará da sentença de morte. Reconheça, é o nosso fim. — declarou o loiro, ainda sorrindo.

Itachi o puxou pelos cabelos e o levou até a parte mais baixa do gradeado, debruçando seu corpo contra a tela de metal, fazendo-o encarar o oceano em revolta embaixo deles.

— Nunca teve medo de morrer, não é? Você era o pirralho que adorava sentir dor. Então considere esse meu último presente para você, Naruto-kun. Essa queda será a experiência mais intensa que irá viver antes de partir para o outro mundo — observou Itachi, rindo de forma demente, sentindo que, mesmo o loiro sendo corajoso, tentava se impulsionar para trás ao ser debruçado em direção ao precipício.

— Está escorregadio... — reclamou ao notar a enxurrada passando entre suas pernas, forçando-os para direção em que caía.

— Eu sempre admirei sua coragem e sua força, não me decepcione até nisso.

Naruto arregalou os olhos, entrou em estado de pânico. Há muito tempo estava preparado para morrer, mesmo assim, sentiu medo. Queria ver Sasuke por uma última vez, dizer o que sentia de verdade em relação a ele. Queria pedir perdão a mãe por ter sido uma criança tão malcriada e ruim, por ter levado o pai e o tio a morte. Com certeza não encontraria o tio e o pai no inferno para pedir perdão a eles. Engoliu em seco, enquanto o tremor abalava seu corpo inteiro.

— Solte-o, Itachi — ordenou uma voz atrás deles.

Itachi virou-se e trouxe Naruto com ele, mantendo-o preso com uma chave de pescoço. Encarou friamente o policial Hatake Kakashi, o mesmo policia que o prendera há dez anos.

— Se aproxime e nós dois iremos parar no fundo desse desfiladeiro.

— Vamos conversar, Itachi — pediu o homem calmamente. — Eu abaixo a minha arma, mas solte o garoto.

— Ah? Essa conversa mole de novo, policial? Você não vai conseguir me enganar para salvar esse aqui como salvou meu tolo irmãozinho, isso eu garanto. Estou mais escaldado agora.

Antes que Kakashi pudesse responder, surgiu pelo outro lado da via os demais policiais que cercaram o lugar, apontando suas armas em direção ao serial. Também chegou junto com os reforços Sasuke e Tsunade. Ao ver o filho nas mãos de Itachi novamente a médica se desesperou.

— Naruto!

Itachi se voltou na direção dos dois que chegaram, permitindo que Naruto e ela se olhassem.

— Oi, mãe.

— Meu Deus. É mesmo o meu filho! O que está fazendo com ele de novo, seu monstro? Por favor, solte-o! Você já não tirou o suficiente de mim?

— Encontro de família — ele sussurrou próximo ao ouvido do loiro. — Você e sua mãe. Meu tolo irmãozinho e eu.

— Solte-o, Itachi! — desta vez o grito veio e Sasuke, a chuva não permitindo que vissem seu choro.

— Sabe, Sasuke, mãe do Naruto, senhores policiais aqui presente, esse aqui fez questão de me lembrar que eu vou morrer de qualquer jeito. Seja aqui, agora, seja quando eu voltar pra cadeia, depois de uma sentença de morte. Então... — Ele deu um passo para trás. — Eu já não tenho mais nada a perder.

— Vamos negociar, Itachi — Kakashi interveio. — Por favor, todos vocês, para trás. Abaixem as armas — pediu ele aos demais colegas, tentando ganhar a confiança de Itachi. — Eles vão colaborar. Todos vão embora. Peça o que quiser, Itachi. Vamos deixar você viver, por favor, solte o Naruto.

O maníaco gargalhou, abraçando o loiro com mais força.

— Naruto, se não podemos ficar juntos em vida, vamos ficar juntos para sempre no inferno, não vamos? — Itachi voltou a sussurrar no ouvido dele.

O loiro sorriu. Sentindo aquele abraço reconfortante de alguma forma. Olhou Sasuke. A mãe. Estava tudo tão quieto. A chuva perdera seu som, mesmo com os relâmpagos ainda estrondando no céu, não ouvia mais nada. Apenas a voz mansa de Itachi em seu ouvido. Era este o momento que antecedia o fim? Fechou os olhos. Tinha tanto a dizer, principalmente para aquele que o olhava tão desolado, como se fosse realmente o fim.

“Sasuke...”

— Eu te amo...

— Eu também te amo, Naruto — ouviu a resposta do Uchiha mais velho em seu ouvido.

Então sentiu Itachi desvencilhar do seu corpo, apanhá-lo no colo e colocar o pé sobre a grade...

Naruto sentiu seu coração disparar.

— Kakashi! Ele vai pular com o meu filho!

— Merda. Atirem na perna dele — ordenou o agente especial.

Um grito de “não” irrompeu em meio aos relâmpagos. Um zunido. Um tiro. Uma dor lacerante na perna. Itachi escorregou. A dor, o peso do loiro, a água escorrendo abundantemente, fizeram com que perdesse o equilíbrio, o corpo escapou dos seus braços. Caiu.

— Okasaasaaaaaaaaaaaaaaa! Sasukeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

— Meu filho, meu filho, meu filho! Narutoooo!!

A mulher foi impedida pelos policiais de sair correndo. O mesmo aconteceu com Sasuke.

— Me larguem! Larguem-me! Kitsu! Kitsu! Soltem-me! Temos que ir atrás dele! Precisamos segurá-lo. Precisamos impedir que ele caia! Me solta, seu babaca!

— Naruto? Naruto? Naruto... — Itachi estava debruçado sobre a grade, os braços pendidos, ofegando, os olhos incandescidos, o coração latente. — Ah!! — gritou ele, esforçando-se para subir na grade. — Me espera, Naruto, eu estou indo!

— Atirem! — ouviu-se um único comando.

Kakashi não permitiria que Itachi se jogasse e o corpo desaparecesse no oceano. Já estava tudo perdido mesmo, iria acabar com aquilo de uma vez.

Foram inúmeros disparos. Muitos. Mais gritos. Itachi Uchiha ainda gritava o nome de “Naruto” loucamente enquanto recebia a saraivada a queima roupa. Os barulhos cessaram e ele tombou.

Tsunade e Sasuke se soltaram dos braços dos policiais e correram para barreira do desfiladeiro. Corações desesperados. Rostos banhado em lágrimas e chuva, muita chuva. Olhos queimando. Olhares inconsoláveis. O mar estava agitado lá embaixo. As ondas se chocavam ferozmente contra as rochas. Estavam tão alto que não conseguiam enxergar se tinha alguém caído na água.

Os policias chamaram a equipe de resgate pelo rádio, mas sabiam, no fundo sabiam, era praticamente impossível alguém sobreviver a uma queda daquelas. Kakashi aproximou dos dois e repousou seus braços entorno dos ombros deles, não havia conseguido cumprir a promessa que fizera a nenhum deles. Queria pedir perdão, mas sabia que nada do que dissesse naquele momento faria diferença.

Ao sentir o apoio do amigo, protetor, policial, Sasuke e Tsunade se voltaram para Kakashi e o abraçaram abafando seus rostos inconformados no peito dele.

E choraram então.

Choraram compulsivamente.

Choraram, enquanto a chuva caía como lágrimas que vinham do céu.

Havia sido um fim trágico, mas enfim, era um fim.

...

— Itachi Uchiha, um dos maiores serial Killer de todos os tempos, foi morto hoje pela equipe da polícia com quarenta e seis tiros à queima roupa. Itachi estava foragido há mais de vinte horas e foi cercado ao tentar fugir da cidade. Antes de ser morto pela polícia, ele ainda fez três vítimas: o médico residente que o ajudou a fugir do Hospital Penitenciário, Deidara Sato, de 25 anos, que foi morto com um tiro no peito. O caminhoneiro Maino Uedo, de 48 anos, morto com um tiro na cabeça. E o jovem desaparecido há dez anos, filho da família Senju, Naruto Namikaze, de dezoito anos, que foi arremessado no desfiladeiro pelo próprio serial. As equipes de busca da marinha e da Polícia ainda estão à procura do corpo do jovem que tentou bravamente se vingar do maníaco que assassinou seus parentes há dez anos. A mãe do rapaz, que se encontra em estado de choque no momento, não está em condições de prestar declarações. Infelizmente, o último capítulo dessa história, que daria o roteiro de um filme de tragédia, tem seu desfecho de forma agonizante. Os moradores de Konoha irão dormir essa noite mais aliviados por um criminoso do porte de Itachi Uchiha estar finalmente morto. No entanto, tristes, por essa mãe que perdeu mais um dos seus entes para esse terrível monstro. Assim, deixamos no ar a seguinte questão: era mesmo uma maldição que tornou esse jovem de classe alta um maníaco que exterminou tantas vidas de forma tão fria e brutal? Ou, esse foi só mais um caso da obsessão que danifica as almas humanas levando-as a um final tão insano? Eu, Sayume Ono, termino minha cobertura por aqui, agora é com vocês aí no estúdio.

O câmera fez um sinal para a jovem repórter e ela relaxou os ombros. Antes de ir ela ainda observou os inúmeros carros de polícia que faziam suas sirenes vermelhas reluzirem naquele início de noite tão sombrio. A chuva ainda caía, lavando o sangue do maníaco da via. Limpando e purificando tudo.

— Que coisa horrível aconteceu aqui hoje — ela suspirou por fim.

— Concordo. — O rapaz que segurava a câmera respondeu. — Mas, vamos sair dessa chuva, Sayume-san? É a sua vez de pagar o café, não é?

— Você anda bem folgado né, Tatsuya? — ela repousou as mãos na cintura. — Quem tem que pagar o café para uma dama como eu é você.

— Pôxa, eu achei que você estivesse sensibilizada com essa história toda.

— E estou — confirmou ela, terminando de enrolar o fio do microfone e puxando a toca laranjada da capa de chuva para cobrir melhor o rosto. — Mas esse foi só mais um furo de reportagem. Logo esse assunto cairá no esquecimento. Afinal, já reportei inúmeros casos tão ou piores que esse. Então não use a tragédia como pretexto para se aproveitar de uma dama. Você paga o café. E o meu eu quero com chocolate e chantilly — concluiu ela, passando pelo homem.

— Pôxa vida, Sasyume-san... — resmungou, retirando a câmera, que também estava encapada com um plástico transparente, do ombro.

É...

O tempo faria com que as pessoas esquecessem toda aquela desgraça de uma forma muito rápida. Os crimes, a guerra, as doenças, as descobertas, as mortes, o desvio de dinheiro por políticos corruptos, as tragédias naturais, assuntos que sempre são televisionados no momento dos acontecimentos, até aparecer um novo, e todos se esquecerem do fato anterior.

Porém, e aqueles dois corações que já não aguentavam tanta dor? Eles suportariam mais aquela sensação de perda? Será que os acontecimentos daquela noite, daquela semana, dos últimos dez anos, cairiam no esquecimento de suas mentes da mesma forma que aconteceria com aqueles que apenas assistiram de longe? E será que a chuva conseguiria limpar dos seus peitos a dor e o medo da mesma forma que lavava o sangue derramado naquela noite?

E o sol?

Resplandeceria magistral nos céus dessas mentes tão nubladas novamente?

Só mesmo o tempo será capaz de nos dizer.

Sound Track

As flores estão desabrochando na estrada adiante?

Quando um caminho se contorce e vira desse tanto,

É normal se perder, não é?

Meu corpo e espírito estão tremendo...

Estou tão aflito...

Tsubomi – Maria

Vocabulário de expressões e Observações.

[1] Yosh: exclamação de comemoração, normalmente traduzida como: “é isso aí”.

[2] Coupé ou cupê é um estilo de carroceria de automóveis. Atualmente a designação se refere a automóveis de capota fixa geralmente para 2 ocupantes e com 2 portas;

Notas finais
Agradecimentos especiais: Bom, a leitora Mefram me fez pensar, que deveria fazer uma homenagem (ou agradecimento especial) a todos vocês que realmente me dão apoio, e postam seus comentários, faça chuva ou faça sol. Então vou eternizar os nomes de vocês aqui nessas páginas. Para que os futuros leitores que vierem apreciar o trabalho mais tarde possam pensar: “Putz! Se eu tivesse lido na época, também estaria aqui. Mas esse privilégio é para pouco, née?” :D Então... Let’s Go!” — Natz Cullen: A primeira a deixar review na fic Obsessão e está comigo desde o Prólogo. Muito obrigado, Natz! — Kabuto. – Por incrível que pareça, eu vi que ele (ou ela) foi banido da comunidade e até hoje, eu me mordo de curiosidade pra saber o motivo. (._.). Espero que ele continue lendo, se tiver, fica meu agradecimento. Gabhy — Foi a terceira a deixar review na fic. A primeira que pediu para me adicionar e hoje se tornou minha filhota! Amo você de mais Gabhyzinha! Beijos amor, obrigado pelo seu apoio! UchihaMizu – Foi minha quarta leitora a deixar comentário, e também está presente em todos os capítulos. Fidelíssima. Muito obrigado, mesmo. Hinatinha: — Linda... (eu a vejo a sim) delicada, amorosa. Até nos seus comentários. Assim, como é nas fics dela. Também está comigo desde o primeiro capítulo. Obrigado Hinatinha. Nannao – Nem sei o que dizer. Assim como a Anna veio do ffnet pra cá, a Nannao fez o caminho contrário, e migrou de cá do Nyah pra lá, e quis conhecer meus trabalhos de Saint Seiya também. Obrigado de verdade! Chokomela — Anda ausente. Mas foi uma das primeiras também. Gracias, anjo! Espero que só esteja ocupada e que logo possa voltar acompanhar. Aido. – Eu o vejo, (ou “a” até hoje não sei se é menino ou menina xD) como uma pessoa séria. Ainda não esqueço da MP que mandei e ele me respondeu, “estou um pouco ocupado com os trabalhos da facul, mas não esqueci, vou ler”. E realmente foi verdade, por mais que demore, ele (a) sempre aparece e sempre deixa um comentário. Obrigado de verdade, Aido-san. Hikari-chan – Companheira de loirice! Dou altas risadas com as reviews dela. Nós combinamos nas loucuras! Adoro! Agradeço de mais suas reviews sempre engraçadas. Laurabk – Tem ótimos trabalhos também. Está sumida. Mas logo ela aparece. Obrigado Laura. Anninha – Como já disse, veio de lá do ffnet parar aqui. Sério. Amo de paixão. Ela é uma flor, carioca da gema, apaixonada pelo Shun de Saint Seiya. E quando disse que iria escrever sobre Naruto ela surtou, e está aqui. Thank you, amore! Nyuu D – Nem sei o que dizer dela. Nossa, as reviews dela sempre me deixa corada, com tanto elogios. E os comentários, então? Me faz inflar o peito de algo bom. Obrigado, Nyuu! Akitou-sama: — Me encontrou lá no ffnet, e viu o link daqui e veio direto. Me mandou e-mail falou que queria fazer as capas. Olha, agradeço de verdade pelo apoio, Akito! MillaWind: Amiga de longa data. (:D) Lá do ffnet. Só postou até o primeiro capítulo, mas sei que ela enrola pra ler. Um dia ela chega aqui, e deixo pra você meu agradecimento especial, Milla! Anne: Também está desde o primeiro capítulo e chegou aqui. Sempre com seu fascínio pelos irmãos Uchihas. E principalmente pelo Itachi. Obrigado, Anne! Mefram: A que queria ter os nomes aqui nos créditos. Olha, aí Mefram! Você aqui. Começou do dia pra noite. Leu todos os capítulos e deixou reviews em todos, mesmo começando a ler depois. Agradeço de verdade seu apoio! Beijos! KiraKira: Está ausente alguns capítulos, mas espero que ela chegue aqui no final também. Ri muito dos comentários dela também. Muito divertido! Umi-ao: Começou a ler agora, seja bem vinda. E quando chegar aqui nesse capítulo, verá meu agradecimento especial! Obrigado. U-z: mesma coisa da Umi-ao, começou agora, vai demorar chegar aqui. Mas me impressionou em dizer que tinha parado de ler fics do Naruto e voltou a ler por causa da minha. Agradeço de verdade. Lumii: Também começou agora, e, até chegar aqui vai demorar um pouco. Mas, já fica meu agradecimento. Crics: Começou agora, e leu tudo em um dia, não foi? (Oo) Nussa... fico impressionada com isso. Veio da indicação da Nyuu. E disse que até chorou. Obrigado. Beijos. Yukihina: Começou comigo com Os Bastidores, veio depois para a Obsessão, e curtiu tanto, que me deixou uma linda recomendação. Obrigado de verdade! Julya Doida: Cara, ela me faz rir também com suas reviews. E é apaixonada pela história dá pra sentir na euforia dos seus comentários. E isso me deixa nas nuvens! Obrigado, Julya! Meguari Uchiha: Não deixou de comentar desde o começo também. Sempre está presente. Deixa comentários com sua opinião, é muito legal! Obrigado! Lah: Tem os comentários meigos. Muito fofo. Está comigo também desde o começo. Olha, obrigado, amor! Ri00 – Que fez cadastro só pra me acompanhar. Olha que legal! Espero que conheça outras histórias, tem muita gente boa aqui, Ri! Agradeço de mais suas reviews! NChan : Faz uns comentários muito fofos . Até pediu dicas. Me deixa super envaidecida. Agradeço demais, Nchan! Suhime: Começou há pouco também, já nos alcançou e está presente agora em todas as reviews. Obrigado Suhime! Shermie: Também começou há pouco, já alcançou, e está vibrando a cada capítulo. E até sugeriu uma ideia que anotei para próxima fic. (:D) Beijos, Shermie. Desiree: Os comentários dela eu percebo o quanto ela se envolve com a história. A indignação em algumas cenas, pôxa, me faz entender que eu alcancei meus objetivos com esse trabalho. Muito obrigado, Desiree! Dayanemanfrere: A última, não a menos importante, porque além de tudo foi sincera, disse que já deveria ter feito a tempo a review, mas não fez. E sei que muitos como você, também lêem a fic, e se esquecem de comentar, ou algo parecido. Enfim, o importante é que você comentou! Obrigado! Você que não comentou ainda e me acompanha, deixa de ser tímido (a) e me deixa um olá para essa ficwriter terminar esse trabalho ainda mais contente! E se eu pulei alguém jogue pedrada, e me acerte, eu vou entender. Mas posto o nome no Epílogo. Assim como alguém mais que venha aparecer. Já que o próximo é o fim realmente. Obrigado a todos pelo apoio que me deram nesse projeto! Valeu! Estou emocionada aqui, porque meu pulso está doendo de tanto responder. E só agora percebi quantos leitores escrevem (ou já escreveram) reviews nessa fic... (._.) Agora, abaixo, meus comentários finais! A história termina aqui? Assim? *sendo agarrada pelo colarinho e arremessada no desfiladeiro junto com o Naru* — Socorrooooooooo! ‘o’ Tá, besteiras a parte. Vocês perceberam que a história toda sempre rodou entorno do Sasuke, não é? Ele é o personagem principal da trama. E sinceramente, eu não suporto o Uchiha mais novo na história do mangá e do anime. E acho que foi por isso que o fiz sofrer tanto nessa fic. Vingança por ele fazer meu Naru sofrer lá. Eu sou maquiavélica. *-* Mas... todos merecem uma chance de serem felizes, né? Então, no Epílogo, terá se passado alguns meses, e aí, vocês saberão como Sasu, Kakashi e Tsunade terminarão essa história. Mas dá pra imaginar, né? :D E fiquem calmos, essa ficwriter não é um ser sem coração, acreditem. :D Então, deixem seus comentários. E fiquem atentos aos últimos momentos de Obsessão Fatal. :D Reviews? =) See you next!