Obsessão Fatal
12 Epílogo
Notas iniciais
Obsessão Fatal
Capítulo 11
Epílogo
Cinco meses se passaram.
— Sasuke, você ainda está no banho? — perguntou Tsunade para dentro do apartamento.
— Não, já estou me trocando — ouviu o rapaz lhe responder de volta.
Voltou a mexer a omelete na frigideira, enquanto escutava as notícias da manhã na televisão.
— A Polícia decidiu na data de ontem encerrar as buscas pelo corpo do jovem Naruto Namikaze. O rapaz, de dezoito anos, estava tentando vingar a morte dos seus familiares e acabou sendo outra vítima do Serial Killer Itachi Uchiha. O ato foi consumado com um enterro simbólico as margens da via da encosta, onde o jovem foi arremessado. Muitos moradores da cidade, que consideraram a ação de Naruto Namikaze um feito heróico, compareceram a cerimônia para prestar condolências a família. Ontem, em declaração a imprensa, a mãe de Naruto Namikaze, Tsunade Senju, agora mãe adotiva do irmão mais novo de Itachi Uchiha, Sasuke Uchiha, declarou que não existe mais remorsos no seu coração e que agora está pronta para seguir em diante ao lado da sua nova família. Sobre o filho adotivo, ela afirma que passa bem, e que o jovem não acredita em maldições e que de hoje em diante viverá a vida como um rapaz normal da sua idade. Eu sou Sayume Ono e essa edição do Konoha Dia, agora é com vocês aí no estúdio e a previsão do tempo para o dia de hoje.
— Obrigada, Ono-san. A primavera que começou faz uma semana promete dias belos e ensolarados. Finalmente o clima cinza e chuvoso de todo outono e do inverno dão lugares ao belo verde das paisagens da cidade e ao sol, que volta a brilhar majestoso em um céu de um azul impecável, o qual não há equiparação. A previsão desse fim de semana é de tempo aberto, sem indícios de chuva e muito calor, propício a praia...
— Você nunca viu os olhos de Naruto para dizer que esse céu azul não tem comparação — resmungou Tsunade, desligando a televisão.
Sasuke entrou na cozinha e pegou algumas torradas.
— Estou indo, mãe.
— Como assim “estou indo”? — espantou-se ela, virando para a mesa, depois de desligar a frigideira. — Tome seu café direito, Sasuke. Você não tem aulas hoje. Eu fiz omelete.
— Eu vou ver meu namorado. Sabe o que é uma semana longe do namorado?
— Eu passei dez anos sem ninguém — contrapôs a doutora. — Não acha que já está na hora de conhecermos esse seu novo namoradinho, não, meu filho?
— Mãe, em breve, eu prometo. Ele é tímido.
A médica fez um bico em sinal de contrariedade, não conformada com a resposta, e repousou as mãos na cintura.
— Sei...
Sasuke sorriu e se aproximou de Tsunade. Nunca pensou que gostaria tanto da sua psicanalista como gostava agora. Ela realmente o tratava como um filho verdadeiro, e ainda exigia que a chamasse de “mãe”.
— Você deveria se preocupar mais com o meu irmãozinho ao invés de mim. Afinal, eu já sei me cuidar — ele disse, acariciando a barriga de cinco meses de gravidez dela.
— Olha, ela gosta de você — Tsunade afirmou, apertando a mão dele sobre a parte que havia mexido. — Acho que o reconheceu. Você está sentindo mexer?
— Sim. Mexeu mesmo — concordou ele, sorrindo bobamente. — Mas, espera, “ela”?
— Fiz um novo Ultrassom ontem, é uma menina — anunciou a mãe com um doce sorriso.
— Isso é ótimo! — Sasuke a abraçou. — Parabéns!
— Obrigado, meu amor. Estava pensando em chamá-la de Naruna, o que acha?
— Vai por mim... — O rapaz fez uma careta, franzindo cenho. — Não faz isso com essa pobre criança. Agora eu tenho mesmo que ir. Beijo — ele deu um selinho nos lábios de Tsunade e outro na barriga. — Tchau, imoto-chan.
— Sasuke, tome pelo menos o café conosco.
— Hoje não, mãe. Eu tomo todos os dias da semana. Fim de semana eu sou dele.
Sasuke quase trombou com Kakashi que vinha entrando na cozinha de cabeça baixa, distraído com o jornal.
— Opa, que pressa é essa?
— Desculpe-me, pai. Mas é que já estou de saída.
— Vai continuar com aquele Prelude velho, Sasuke? — perguntou o homem, seguindo-o até o hall onde ele parou para trocar a pantufa de dentro de casa por outro calçado. — Tsunade e eu estávamos pensando em comprar um novo pra você — comentou, encostando a lateral do corpo ao beiral da porta, cruzando os braços no peito. — Um presente por passar em primeiro lugar no vestibular — concluiu.
— Pai, a boa colocação é um dever meu — respondeu ele, terminando de calçar as sandálias. — Não preciso ser recompensado por isso. Além disso, meu carro está de bom tamanho, eu juro. Agora eu tenho que ir, de verdade. — Ele entrou na casa novamente e beijou a boca de Kakashi por cima da máscara e viu o homem esfregar o punho fechado na região em resposta, aparentemente enojado com o gesto.
— Yare, yare, Sasuke. Já te falei pra parar com essa mania — bronqueou Kakashi, em um tom bem-humorado, fazendo a esposa que vinha atrás dele sorrir.
— Quem manda ele ser um pai tão sexy, né, Sasuke? — a médica comentou, piscando um dos olhos para o filho e abraçando os ombros do marido carinhosamente.
Kakashi retribuiu o gesto da mulher acariciando os braços dela.
— Você está certa, mãe. Eu amo vocês — disse ele abrindo a porta.
— Não acha que está na hora de apresentar seu novo namorado para gente, Sasuke? — o homem repetiu a pergunta que Tsunade havia feito há pouco.
— Prometo que no próximo fim de semana — deu a desculpa e saiu fechando a porta. — Ittekimassu[1]!
— Você diz isso todos os fins de semana — reclamaram os dois juntos, e emendaram: — Itterasshai[2].
O casal trocou olhares apaixonados e Kakashi repousou a mão sobre a barriga da esposa, sentindo a bebê mexer. Os dois sorriram.
— Ela está agitada — observou o pai.
— Ela consegue sentir o quanto estamos felizes, e se ela puxar pelo menos um terço do que foi meu Naruto, ela será uma menina muito alegre e agitada.
— E mais linda que a filha do Shikamaru e da Temari.
A esposa riu.
— Bobo. Está com inveja da beleza da sua afilhada?
— Hm — ele balançou a cabeça positivamente.
— Estou tão feliz que você e Shikamaru largaram a Polícia — Tsunade confessou, repousando sua mão sobre a do marido em sua barriga. — É um alívio para o coração de uma esposa.
— É, temos que aproveitar da riqueza e da boa influência de nossas lindas mulheres, não é mesmo?
— Interesseiro...
— Eu te amo, Senju.
— Eu também te amo, Kakashi.
Eles se beijaram.
...
Sasuke havia deixado o carro para lavar e resolveu terminar o percurso andando até seu pequeno apartamento de fim de semana, que ficava próximo da praia. Enquanto andava, observava o fluxo de transeuntes indo e vindo. Cada indivíduo ali com sua própria história de vida, cada um com seus medos, anseios, esperanças e sonhos. O ser humano era assim feito de história e de sentimentos.
Admirou o céu e seu azul claro impecável, que sempre lhe remetia a uma única pessoa. Mesmo naqueles dias tão cinzentos, que ficaram para trás, Sasuke se orgulhava em dizer que teve o seu próprio e ensolarado céu azul.
Suspirou profundamente, sentindo o ar carregado da maresia invadir os pulmões.
“É preciso deixar os mortos enterrados”, lembrou-se do que Kitsu lhe ensinara. Por isso, haviam decidido enterrar Naruto de vez.
Distraiu-se com um trio de meninas que passou por ele tentando esconder seus sorrisos com as mãos, certamente seguiam para praia. Cumprimentou-as com um breve aceno de cabeça e ouviu seus risos aumentarem enquanto suas faces coravam. Chegava a ser engraçado a facilidade que tinha de chamar atenção. Nem estava atraente, afinal, vestia um bermudão preto, sandálias, e uma camisa regata branca com estampa do Kanji “paz” em cor preta ao centro. No bolso só a carteira, as chaves do carro velho que chacoalhavam conforme seu andar e o celular. Enfim, era um cara normal, pronto para iniciar a faculdade de Tecnologias da Informação. Tinha um pai, uma mãe, e daqui alguns meses teria uma linda irmãzinha. Sentiu uma paz imensa o invadir.
“A maldição quem faz são as próprias pessoas”.
Tinha que concordar com a fala do irmão, fora a única coisa sensata que saiu da boca de Itachi.
Naqueles cinco meses só aconteceram duas situações difíceis de lidar: a primeira foi explicar a Sakura que não poderia corresponder aos sentimentos dela porque era gay. E a segunda, fora confessar a polícia que ele, Sasuke Uchiha, havia sido o responsável pelo assassinato de Neji Hyuuga, Rock Lee e o agente especial Sai. Contudo, o advogado da família conseguira que respondesse ao processo em liberdade, alegando que além dele ser réu-primário, na época do ocorrido, estava em tratamento psiquiátrico e por isso, estava instável mentalmente. Ainda não fora julgado, mas o advogado estava confiante em sua absolvição, e caso fosse condenado, acreditava no cumprimento da pena em regime aberto ou semi-aberto. De qualquer forma, Sasuke estava disposto a pagar pelos seus erros.
Sasuke sorriu ao sentir uma brisa perfumada tocar seu rosto, notou que o aroma vinha de uma floricultura. Era primavera afinal, e seu colorido se espalhava pelas ruas, deixando as pessoas mais bonitas e sorridentes. Aproximou-se da vendedora de flores que havia lhe acenando, era uma moça de longos cabelos loiros e presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça, a conhecia do consultório da mãe.
— Oi — cumprimentou-a.
— Oi — ela respondeu, dando um breve suspiro, não contendo o sorriso no rosto. — Você se lembra de mim, Sasuke-kun? Sou estagiária da Tsunade-sensei.
— Sim. Claro. Yamanaka-san, certo?
— Isso mesmo — ela assentiu.
— Flores?
— Pois é. É o negócio da família. Ajudo aqui nos fins de semanas — explicou ela, ficando levemente ruborizada. Ainda não acreditava no que a testuda da sua colega havia contado. Era difícil acreditar que um pedaço de mau caminho como Sasuke era gay. Provavelmente, era uma desculpa da colega para camuflar sua incompetência em conquistá-lo. Iria tirar aquela dúvida naquele instante. — Veio visitar sua namorada? Eu sempre o vejo por aqui nos fins de semanas.
— Isso mesmo, meu namorado mora naquele condomínio ali embaixo, perto da praia — confirmou Sasuke, apontando para o lado em que ficava o prédio. — Vou aproveitar e levar flores. Acho que não custa ser romântico, não é?
— Sim. Flores sempre são românticas — ela sorriu abertamente. — Pode escolher. Mas, Sasuke-kun, você disse “namorado”, não quis dizer “namorada”?
— Não. Eu quis dizer namorado mesmo. Afinal, ele é um cara.
O sorriso no rosto da florista se desmanchou imediatamente e ela entreabriu os lábios, surpresa. Sasuke sorriu ao vê-la ficar vermelha e pedir desculpas, totalmente constrangida. Sinceramente, não importava aonde ou para quem dizia aquilo, as reações, sempre adversas e inesperadas, o divertia de uma forma sem igual.
...
Depois de algum tempo caminhando, ele entrou no prédio de cinco andares. Havia tomado aversão à altura, por isso o apartamento ficava no segundo andar[3]. A euforia e a ansiedade o invadiam a cada passo que dava em direção ao reencontro com seu amado. Cumprimentou o porteiro com um breve aceno de cabeça e subiu pelas escadas. O prédio era simples, familiar, nada de luxuoso. Mas, gostava daquele lugar exatamente por ele ser daquele jeito, singelo.
Acabara comprado um ramalhete de Girassóis.
Girassóis eram românticos?
Talvez não. Mas lembrava-lhe o sol. O sol que tanto idolatrava. Parecia bobeira levar flores para um cara, mas era romântico, como a florista havia lhe confirmado, e queria ser romântico com ele.
Tirou a chave do bolso, destrancou a porta e surpreendeu-se ao deparar-se com a bagunça do quarto. Estava tudo revirado. Havia roupas, latas de bebida, embalagens vazias de ramen espalhadas pelo chão. Balançou a cabeça negativamente, asseio não era mesmo uma qualidade dele.
— Trouxe presente? — ouviu a voz que soava como música em seus ouvidos e foi abraçado por trás.
Desvencilhou-se dos braços não muito musculosos que o envolvia e se virou, e sempre que se deparava com aqueles olhos e com o sorriso mais lindo do mundo, aquele filme se repetia em sua mente.
...
Estavam no segundo dia da buscas, depois de muito custo e com a ajuda de Kakashi, Sasuke conseguiu participar da equipe de resgate. Naquele segundo dia chovia muito e o capitão queria encerrar as buscas mais cedo. Insistira com ele para que continuasse e que se aproximasse das pedras, mas o homem continuava negando incisivamente, dizendo que era arriscado e que as ondas arremessariam a lancha contra a parede de rochas. Continuou insistindo, disse que havia visto algo, — nem tinha visto —, mas precisava convencê-lo. Além disso, esse algo havia em seu coração, uma possibilidade remota, que não podia esperar até o dia seguinte. O homem se comoveu e resolveu tentar, mas antes de chegar ao lugar indicado o movimento brusco provocado pelas ondas fez capitão recuar. Sasuke se apavorou, acusou o comandante de fraco, medroso, covarde. Mesmo assim ele manteve sua decisão, dizendo que não se aproximariam. “Não vou arriscar a vida de todos aqui por um corpo sem vida”. As palavras dele o feriram, fizeram ondas de lágrimas rolarem dos seus olhos.
Contudo, aconteceu algo estranho quando aportaram.
— Eu perdi a minha esposa e minha filha em um acidente de barco há dois anos — disse um dos auxiliares da equipe. — Por isso decidi trabalhar em resgates, para que não cometessem o mesmo erro que cometeram comigo — continuou ele a explicação, ganhando cada vez mais a atenção de Sasuke. — Elas ficaram presas em uma pequena ilha rochosa. Se as buscas tivessem avançado conforme eu havia pedido na época, eles conseguiriam salvá-las, mas ao invés disso, encontraram-nas sete dias depois, mortas devido a desidratação. No lugar exato onde eu havia pedido para irem. Eu o entendo. O que acha de alugarmos uma lancha particular, eu sei pilotar. Vamos procurar pelo seu amigo onde você está falando.
Anjos existem, foi o que Sasuke pensou, abraçando-se ao auxiliar que, por uma estranha coincidência, também era loiro.
Os dois fizeram como combinaram, alugaram uma lancha e saíram para continuarem a busca. Procuraram perto dos cascalhos, chamando ora o nome de Kitsu ora de Naruto. Nada. A chuva havia acalmado, mas os relâmpagos ao longe anunciavam uma tempestade. A escuridão era intensa e os holofotes da lancha não eram mais suficientes.
— Sasuke, vamos continuar?
— Se essa tempestade que está ameaçando vir se aproximar nós recuamos, Shiro-san. Caso contrário, quero continuar até amanhecer, quando a outra equipe começar.
O auxiliar meneou a cabeça em um sim e prosseguiram na busca.
Era alta madrugada quando o bombeiro resolveu tirar um cochilo na cabine da lancha. Sasuke continuou do lado de fora, apontando o holofote para as pedras. A temperatura havia caído drasticamente e seus dentes batiam uns nos outros. Pelo menos a tempestade que ameaçara cair havia ido embora, estava somente àquela garoa fina e gelada. Pensou que se Kitsu estivesse mesmo naquelas rochas, ferido, molhado, talvez já estivesse morto de hipotermia, pois ele, mesmo agasalhado, não estava mais suportando o frio.
Uma lágrima rolou cortante pelo rosto de Sasuke, ainda não queria desistir. Então decidiu fazer seu último apelo, olhou para os céus e começou a rezar.
— Senhor, eu sei que não fiz certo ao tirar a vida daquelas pessoas e não mereço estar falando com o Senhor agora, muito menos para pedir favores. Mesmo assim, Deus, eu não tenho a quem mais recorrer. Por favor, eu peço, imploro, me devolve ele. Kitsu se tornou meu motivo para viver. Eu perdi meus pais, meu irmão, eu não posso perder a pessoa que amo também. Por favor, devolve ao meu peito o coração que está perdido nessas águas geladas. Eu não vou conseguir sem ele.
Depois daquele apelo, Sasuke chorou, chorou como uma criança eternamente perdida da família em uma multidão.
Mas, de alguma forma, sentia que suas preces seriam ouvidas. E foram. Sasuke piscou várias vezes ao ver um brilho esverdeado na imensidão de águas escuras. O brilho estava próximo de um rochedo que não chegava perto do grande paredão. As ondas estavam mais amenas. Forçou os olhos e viu o brilho novamente. Sim, havia algo ali. Uma luz verde piscando constantemente.
— Shiro-san! Acorde! — gritou para dentro da cabine. — Eu encontrei algo!
— Encontrou? — o homem o respondeu como se estivesse acordado de um sono leve e sobressaltado voltou para o convés. — Onde?
— Lá. Tem algo brilhando naquela rocha.
— Você tem razão. É um brilho esverdeado, algo como uma jóia. Acho que dá pra aproximar. Espera, vou fazer o contorno — disse ele pegando o leme e direcionando o barco naquela direção.
Sasuke não conseguia segurar o choro
— Eu estou vendo, Shiro-san! — Gritou Sasuke elevando as mãos na boca quando o barco se aproximou. As lágrimas rolando abundantemente por sua face ainda mais pálida. Seu coração batia tanto. — É ele. É ele.
— Eu vou lá, fica no controle — pediu o homem, vestindo a roupa de mergulho e descendo para água.
O bombeiro nadou até o local, escalou a rocha e observou o rapaz agarrado à pedra. O objeto em volta do pescoço dele chamou-lhe atenção, um colar com um pingente formado por três pedras verdes brilhantes. Aquilo deveria ter reluzido com o reflexo dos holofotes. Notou que ele estava com olhos fechados, mas os lábios arroxeados dele tremiam e pareciam murmurar algum nome. Estava vivo. Não imaginara que força aquele garoto tinha para se manter agarrado aquela pedra por mais de trinta horas. Prendeu ele junto ao seu corpo com um suporte formado por cintos de segurança e com cuidado pulou com ele para água.
Assim que conseguiu subir no barco, Sasuke veio e envolveu o rapaz loiro com um cobertor térmico. Prestou apenas o socorro básico e achou melhor seguirem rápido para o Hospital mais próximo.
— Ele vai sobreviver? — Sasuke quis saber, agarrando-se ao corpo gelado, tentando lhe proporcionar algum calor, como se só aquele gesto fosse capaz de lhe doar um pouco da sua vida.
— Ele é um lutador, um sobrevivente, Sasuke. Se ele sobreviveu até agora, vai sobreviver até chegarmos ao Hospital. Peça a Deus.
Decidiram entre os dois não avisarem a ninguém sobre o resgate, evitaria tumultos.
No Hospital esperaram e horas mais tarde, o médico plantonista veio dar-lhes o diagnóstico.
— Hipotermia. Pouco antes de iniciar o terceiro estágio, o estágio que leva a morte. Ele também está muito desidratado, têm inúmeras escoriações pelo corpo, pernas, braços, rosto, até parece que levou uma bela surra. Posso dizer que o trouxeram no momento exato. Ele tem que ficar internado por uns três dias, tomando soro e medicamentos na veia. Mas, vocês disseram que ele caiu de uma altura relevantemente alta, não foi? Quão alto?
— Aproximadamente sessenta e oito metros — falou o bombeiro, tendo certeza dos dados técnicos.
— É impossível — o médico comentou surpreso. — Não só ter sobrevivido a uma queda dessa altura, mas não ter sofrido nenhuma fratura grave.
— Não estamos mentindo, doutor.
— Nem estou dizendo isso também — o médico se retificou rapidamente. — Eu sou médico, mas acredito em milagres. Algo aliviou a queda. A camisa dele estava bem rasgada, podemos supor que ele tenha se enganchado em algum galho de árvore, ficou pendurado por um tempo e depois caiu na água a uma altura menor. Ele deve ter nadado e ficado agarrado em algum rochedo. Pois a pele das pernas estava começando a se desmanchar, provavelmente a parte que ficou na água.
— Sim, ele estava agarrado a um rochedo, com a parte de cima do corpo para fora da água — confirmou o auxiliar de resgate.
— Viram? É um milagre. De alguma forma, ele se manteve vivo. Talvez, algo muito forte o tenha motivado. Ele está totalmente fora de risco agora, fiquem tranquilos.
Os dois suspiraram aliviados.
— Querem vê-los? — o médico quis saber.
Sasuke arregalou os olhos e abriu um grande sorriso.
— Podemos?
— Evidente que sim. Ele está sedado, mas por incrível que pareça está consciente. Até pediu para enfermeira uma porção de ramen.
Sasuke riu, sentindo os olhos arderem, estava prestes a chorar novamente. O bombeiro apertou um dos seus ombros.
— Vai lá, Sasuke. Vou esperar aqui.
O médico acompanhou Sasuke e mostrou a ele o quarto em que Kitsu estava, depois disso os deixou a sós, voltando para sala de espera para buscar mais dados sobre o acidentado com o bombeiro que ajudou em seu resgate.
O loiro usava um respirador, seu rosto estava inchado e com manchas roxas em várias partes, eram as marcas da luta dele com Itachi.
— Oi — Sasuke o cumprimentou ao vê-lo repousar seus olhos claros sobre ele. Estava se esforçando, mas sentia que não conseguiria segurar a comoção por muito tempo. Estava muito feliz.
— Pela sua cara eu não devo estar nada atraente — resmungou com a voz abafada pela máscara transparente que o ajudava a respirar.
— Está atraente, está vivo.
— E o Itachi?
— Morto.
— Hm.
— A Sua mãe e o Kakashi...
— Sasuke?
— O quê?
— Eu tenho que repetir quantas vezes que devemos deixar os mortos enterrados?
— Mas...
— Naruto está morto. Deixe-o descansar em paz. Você viu o que aconteceu quando o revivemos?
— Mas...
— Sou eu, Kitsu, não sou eu quem você ama? Nem me deu um beijo. Devo estar horroroso mesmo.
Sasuke aproximou-se dele, ergueu a máscara e o beijou nos lábios, voltou a recolocá-la e confessou:
— Eu te amo, idiota...
— Se quiser me amar, me deixe ser somente o seu Kitsu. Esquece meu passado. Eu já não pertenço mais a ele há muito tempo. Eu não me sinto animado a retomá-lo também.
— Sim, sim, o que você quiser, Kitsu...
...
Com ajuda do novo amigo bombeiro e do médico que os atendera naquele dia, Sasuke conseguiu manter o resgate de Kitsu em segredo. As buscas a Naruto continuaram, cessaram e finamente o enterraram.
Agora Sasuke podia continuar admirando, sempre que quisesse, o brilho do seu resplendoroso sol, que continuava sendo só dele.
— Flores do meu velório? — Kitsu quis saber, olhando com estranheza o ramalhete de flores que Sasuke trazia nas mãos.
— Claro que não, comprei essas agora em uma banca ali embaixo. Estão frescas, sinta o perfume.
O loiro enfiou o nariz entre as flores e inspirou o cheiro destas, espirrou e as arremessou no sofá.
— Lindas. Tem mais alguma coisa para mim?
— Deveria colocá-las em um vaso com água sobre a mesa ao invés de... — Sasuke se interrompeu, franzindo a testa. — Cadê a mesa?
— Ah? Pois é. Eu estava ensaiando uma posição nova e...
— Kitsu?
— Desculpe-me? — ele envolveu seu pescoço do moreno, sorrindo. — Estava com saudades. Uma semana é muito sem te ver.
— E o joystick? — perguntou Sasuke, arqueando umas das sobrancelhas.
— Chega uma hora que perde a graça? — ele também arqueou uma das suas.
Os dois riram. Sasuke apertou a cintura do loiro.
— Bem que eu queria ficar mais tempo com você, mas para isso eu preciso te apresentar a nossa família, mas você não quer.
— Deixa as coisas se acalmarem mais...
— Mais calmas do que já estão?
— É, mais calmas — afirmou ele, fazendo um bico.
— Você terá uma irmãzinha — informou Sasuke. — A sua mãe está grávida de uma menina.
— Sua mãe está grávida, e a filha dela será sua irmã e não minha. Sasuke, eu não quero ser seu irmão, falou? Pare de tentar me convencer. A minha vida mudou quando eu saí de casa pela primeira vez, não tem mais como eu resgatar tudo que se foi.
— Você ainda se sente culpado pelo seu pai e o seu tio, não é?
— Não quero falar sobre isso.
— Mas a sua mãe...
— Um dia, Sasuke, um dia, tá? — O loiro o interrompeu. — Um dia nós explicaremos a eles sobre o meu resgate, sobre tudo. Mas depois disso eu vou voltar pra cá e a gente vai continuar assim. Até que você venha morar de vez comigo. É isso que eu quero, só.
O moreno suspirou. Não adiantava tentar argumentar com ele, Kitsu era muito teimoso.
— Certo, então, vamos fazer sua nova posição? Ou eu preciso comprar uma mesa nova primeiro?
Kitsu gargalhou.
— Não, vamos para o quarto, quero que você me fod...
— Opa — o moreno o impediu de continuar tampando a boca dele. — Quer o quê? — perguntou, destampando-a.
— Você e essas suas regras bestas — resmungou ele. — O que tem demais falar “me foda”?
— Kitsu... — o rapaz chamou-o pacientemente, agora repousando as mãos nos dois ombros do namorado. — Você prometeu que tentaríamos ser diferentes. Você mesmo disse que não queria que comigo fosse como foi com os outros. Que sente mais prazer do meu jeito. Então, faça como combinamos.
O loiro suspirou desolado e contorceu os lábios, formando com eles um bico, então cedeu, porque valia a pena.
— Tá. Vamos para o quarto. Eu... eu... er... — ele engoliu em seco, umedeceu os lábios e sentindo que suas bochechas coravam, encarou Sasuke. Afinal de contas ser brega era embaraçoso. — Eu... eu quero que... você me ame.
Sasuke assentiu, satisfeito.
— Não foi tão difícil, viu?
Naruto continuou com o bico nos lábios e com as bochechas coradas infladas, Sasuke o achou irresistivelmente lindo daquele jeito. Seus vivos olhos azuis se destacando ainda mais devido a rubor de sua face. E foi difícil controlar a pontada que sentiu na virilha e a ereção que se formava dentro do seu calção. O desejo de possuir Kitsu já consumia cada célula do seu corpo, fazendo-o estremecer. Às vezes era difícil controlar a vontade de tomá-lo com violência e intensidade. Mas prometeu a si mesmo que nunca faria daquela forma. Nunca. Seria diferente de todos os outros que ele já teve.
— Viu porque é um saco? — resmungou o loiro impaciente. — Eu estou aqui, morrendo de tesão, com um pau duro, nesse calor infernal, e você fica aí, com essa cara de velho babão só me comendo com os olhos.
Sasuke gargalhou alto ao ser chamado de "velho babão". Esse era seu Kitsu. Paciência não era sua dádiva, ele também não era acostumado a ser admirado, aquilo parecia algo idiota para ele.
— O que tem demais em admirá-lo, seu boca-suja? Você não tem idéia do quanto é lindo, não é?
— Cala a boca — ordenou. — Se tem alguém com a cara bonitinha aqui é você.
— Poupe-me, Kitsu. Não há comparação entre nós, você é infinitamente mais bonito.
— Já disse para calar a boca — ele esturrou de novo, deixando seu rosto corar ainda mais. — Estamos parecendo um casal de bobos apaixonados. E casais apaixonados são ridículos, melosos e cafonas. Olha o que você fez, me trouxe flores?
Sasuke não se importou com a bronca.
— Seu rosto está corando mais... — provocou o moreno, parecendo ainda mais encantado.
Kitsu revirou os olhos.
— Idiota. Vou ter que esperar o dia todo por sua resposta?
— Tem razão. Eu posso? — Sasuke apontou para Kitsu.
O loiro largou os braços ao longo do corpo e suspirou, já sabia o que ele queria. Apesar de que aquilo não lhe trazia boas lembranças, as vezes imaginava que Sasuke o arremessaria pela janela, quase igual ao que o Itachi havia feito. Mas era seu Sasuke. Ele jamais seria igual ao outro. E, mesmo se ele o jogasse, a queda seria menor.
— Tá.
Sasuke apanhou Kitsu no colo e o levou para o quarto. Lá dentro, depois de depositá-lo sobre a cama, os dois se despiram lentamente. Sasuke passeava os dedos com cuidados em cada parte do corpo do loiro, dedilhando inclusive as cicatrizes que ainda estavam espalhadas, marcando sua pele, que agora tinha um lindo tom bronzeado devido aos dias que ele passava na praia. Tinha que confessar: o loiro havia ficado muito mais atraente com aquela cor dourada e parecia ainda mais com o Sol. Passou a beijá-lo, primeiro na boca, depois no pescoço, nos ombros, no peito, na barriga.
— As cicatrizes ainda doem? — perguntou o rapaz moreno, beijando docemente parte por parte do corpo embaixo do seu.
— Nenhum pouco... — Naruto arfou, sentindo o rosto esquentando e o corpo se ascendendo a cada novo toque do namorado. — E já que é para ser brega, eu também serei, seus beijos têm poder de cura, Sasuke.
Sasuke riu e pediu:
— Fica de bruços, Kitsu.
— Não — respondeu o outro rapidamente, apertando os olhos. — Você vai fazer “aquilo” e “aquilo” é tortuoso.
— Não reclame, eu sei que você gosta.
— Mas eu ando gozando antes de você meter em mim...
— Essa é a intenção das preliminares, ser tão boa quanto o ato em si, agora vire-se.
— Andou lendo de novo?
— Tudo para satisfazê-lo sem lhe provocar nenhuma dor. Agora deita de bruços — insistiu.
Sasuke fizera aquela promessa: jamais faria sexo com Kitsu da maneira que os outros fizeram. Prometeu a ele que seria diferente e que o enlouqueceria de prazer amando-o da forma mais gentil possível. Por isso o impedira até de usar termos chulos quando quisesse se referir ao sexo.
Kitsu ainda achava estranho, estava se acostumando com aquela maneira mais comedida de transar. Mas ele já havia confessado que estava gostando e era eficaz.
Pensando naquilo, Kitsu se pôs de costas. Já sabia o que viria a seguir, então crispou os punhos na grade da cabeceira da cama, fechou os olhos e suspirou fundo, sentindo os primeiros arrepios varrerem sua coluna, mesmo antes de Sasuke começar com a tortura. Alguns segundos se passaram até sentir a ponta úmida da língua de Sasuke tocar seu cóccix. Nunca o loiro pensara que aquela região fosse tão sensível. Depois disso ficava ainda pior, Sasuke subia aquele passeio úmido pelas suas costas devagar. A sensação daqueles toques fazia-o se empinar e se contrair involuntariamente. O coração acelerava, sua boca entreabria e a respiração se tornava pesada. Queria que ele voltasse ao ponto inicial, e sem proferir uma palavra sequer, Sasuke voltava e começava tudo de novo, pacientemente.
A sensação se tornava perturbadora. O loiro gemeu e elevou seu corpo da cama quando sentiu Sasuke o penetrando com a língua. Esfregava o dorso dos pés no lençol, contorcia até as pontas dos dedos, seu membro pingava de tão ereto. Enquanto Sasuke o estimulava daquela forma tão perturbadora com a língua, ele usava as mãos para acariciar a lateral do seu corpo. Subiu a boca mais uma vez e passou a mordiscar sua nuca, enquanto atiçava seus mamilos com os dedos, sentiu novos arrepios.
— Sa... su...ke…
— Resista... — sussurrou ele em seu ouvido.
— Não consigo, eu vou gozar...
— Você não é o corajoso? Não é resistente a dor?
— Isso não é dor, mas é mais...! — Kitsu não conseguiu concluir seu pensamento, apertou mais as grades da cama ao sentir novos arrepios que a boca do namorado provocava em sua nuca. Sasuke sabia que ali era seu ponto fraco, por isso ele concentrava sua tortura ali, lambendo, mordiscando, soprando e fazendo-o gemer descontroladamente. — Merda, Sasukeeee! Merda!
Estava beirando o ápice, sentia que não iria mais resistir, empinou-se e passou a contrair seu orifício anal, fazendo-o abrir e fechar rapidamente, quase involuntariamente, precisava gozar.
— Vai fazer o resto sozinho?
A pergunta sussurrada a beira do ouvido fez Kitsu parar, pendeu a cabeça deixando os fios loiros esconder seu rosto em chamas. Sentia todo o corpo sensível, trêmulo, tanto, que não conseguiu ficar com o corpo arqueado na cama. Sentiu vontade de chorar.
— Droga, Sasuke. Olha o que você fez?
— Eu ainda não fiz nada.
— Ah!
— Relaxe as mãos dessa grade? — Sasuke pediu, forçando os dedos para que se desprendessem dali. — Pronto. Agora, vire-se, eu quero amá-lo olhando em seus olhos.
— Você quer é me ver constrangido! — reclamou o loiro.
Sasuke levou uma das mãos dele até sua boca e beijou a ponta dos dedos, confessando: — Deixe de ser tão caprichoso, só estou fazendo isso porque eu te amo... — Sasuke percebeu que até as orelhas do loiro se cobriram de um intenso vermelho.
Kitsu acabou obedecendo e quando Sasuke vislumbrou o rosto contorcido e as lágrimas que beiravam aqueles lindos olhos azuis, teve certeza, havia exagerado.
— Desculpe-me — pediu Sasuke depositando um beijo na testa e outro ao lado do olho direito.
Naruto cobriu os olhos com uma das mãos viradas para cima.
— Não me prive da sua beleza.
— Cale a boca.
Sasuke sorriu e novamente beijou a ponta dos seus dedos. Naruto ainda era assim, como uma linda e mimada criança que se irritava quando perdia em seu próprio jogo. Por isso gostava tanto de desafiá-lo.
Pelo menos, conseguiu conter a ânsia dele de chegar ao ápice sozinho. Estendeu o braço até a cômoda ao lado, abriu a primeira gaveta e retirou dela o pote de creme lubrificante, o desrrosqueou com uma mão só, deixando a tampa cair fora da cama, e usou dois dedos para apanhar um punhado do creme, devolveu o pote para cômoda e voltou-se para o loiro que continuava com os olhos encobertos.
— Abra bem as pernas.
Naruto descobriu os olhos e fez um bico com os lábios.
— Vai começar a segunda parte da tortura?
— Prometo que não vou ser mal agora.
Kitsu suspirou trêmulo, mas acabou obedecendo.
— Mentiroso.
Sasuke riu e introduziu os dedos lambuzados de creme no pequeno orifício que não se contraía mais. Percebeu Kitsu se retesar e passou a fazer movimentos leves de entrada e saída. Depois disso, passou a beijar os mamilos acesos e passear sua língua pelo pescoço, tórax e barriga dele.
— Ah... — gemeu o loiro, segurando os cabelos negros entre seus dedos e prendendo o lábio inferior nos dentes, principalmente quando sentiu Sasuke passeando a língua pela região da sua virilha.
Não iria mais reclamar, não daria a Sasuke o gostinho sequer de ouvi-lo gemendo. Mas foi complicado se segurar nos minutos seguintes, quando o sentiu passar a língua por debaixo do seu pênis, lamber os sacos escrotais, subir a língua pela ereção e atiçar com ela o pequeno orifício na ponta. Ainda haviam os dedos, que não paravam um segundo de estimulá-lo por trás.
Os dedos melados de lubrificante entravam e saíam facilmente, fazendo a vontade de contrair se maior que ele mesmo. Seu pênis estava totalmente ereto. Sentiu de novo a vontade de chorar por não conseguir suportar aquela tortura. Virou o rosto de um lado a outro, estava suando, o coração acelerado, elevou a mão fechada em punho na boca e a mordeu com força, era uma forma de buscar equilíbrio. Sasuke não era bom no que fazia, era perfeito. O coração acelerou, tirou o punho da boca e fechou os olhos novamente. Era o sinal que o orgasmo estava chegando.
Sasuke sentiu que Kitsu não iria mais resistir, abriu a boca e deixou o pênis dele escorregar para fora dela, então retirou os dedos de dentro dele e direcionou seu membro rijo na pequena entrada, introduziu-o lentamente e de forma bem cadenciada.
— Não goze ainda... — pediu ao loiro.
— É- é- fácil.... falar...
— Você consegue — Sasuke contorceu o rosto ao sentir seu pênis atingi-lo no fundo, então debruçou-se sobre o loiro devagar e alcançou seus lábios, beijando-o docemente.
Passou a se mover cadenciado, retirando e recolocando seu pênis devagar, quase que com delicadeza. Contemplou mais uma vez o rosto do namorado contorcido e os olhos estreitados.
— Abra os olhos, Kitsu — murmurou o pedido. — Quero viajar nesse límpido céu azul que são seus olhos.
O loiro abriu os olhos devagar e apreciou a face do namorado. A frase havia sido brega, mas aprendera a interpretá-las do modo que deveriam ser: românticas. Criou forças e se ergueu o suficiente para envolver o pescoço de Sasuke com seus braços, concentrando-se na sensação do sexo dele deslizando dentro de si. O barulho que aqueles movimentos fazia eram tão indecentes que afloravam seus nervos. Revirou os olhos, era tão quente e tão excitante que perdia o fôlego.
— Respire, Kitsu... — pediu Sasuke, com a sua própria respiração entrecortada. O rosto suado, os dentes apertados.
Kitsu sorriu, arqueou as costas do lençol, que já estava banhado pelo seu suor, e passou a mover seu quadril de encontro as investidas do moreno. Tinha que confessar que daquela forma o sexo era bem mais intenso. Sasuke abraçou suas costas e o ergueu da cama fazendo-o sentar-se sobre seu colo. As posições estavam sendo invertidas. Sasuke ficou por baixo e ele por cima.
Kitsu gemeu ao sentar-se sobre o membro de Sasuke e senti-lo se alojar no mais profundo do seu íntimo.
— Isso é...
— Perfeito — Sasuke observou, segurando a cintura dele. — Consigo vê-lo por inteiro agora.
O loiro sentiu-se um pouco constrangido, foram poucas vezes que ficara naquela posição. Sempre fora o dominado, sempre ficava por baixo ou de quatro, aquela posição era diferente, pois o colocava no comando.
— Mexa-se...
Concordou com um meneio de cabeça. Sasuke estava tão excitado que conseguia sentir através da rigidez do membro alojado em seu interior. Chegava a ser incomodo, mas era o que gostava. Passou a fazer como namorado pedira, subir e descer o quadril, evitando se contrair para não ser repreendido. Sabia que chegaria uma hora que aqueles movimentos o levariam ao ápice, aprendera apreciar a sensação boa que era ter o membro do seu parceiro deslizando dentro de si. As mãos de Sasuke acariciavam suas costas, mas logo desceram para alisar seu peito e por último se detivera na masturbação em seu membro.
Saber que sentiria um prazer em dobro fazia seu coração disparar e seu corpo agir involuntariamente, passou a mover o quadril em círculos sobre o pênis de Sasuke, erguendo-se e voltando a descer, totalmente dominado pelo anseio de gozar. O suor escorria por suas costas. O sol estava incandescente do lado de fora. Uma brisa suave entrou pela janela aberta fazendo as cortinas farfalharem. E, de repente, foi tomado pelas contrações que se iniciaram em seu interior. Mesmo dominado pelo torpor do orgasmo, não conseguiu cessar os movimentos.
Sasuke também chegava ao seu ápice, pois ele largara o membro do parceiro, que expelia fortes jatos de sêmen para sua mão, para agarrar-se as nádegas dele e apertá-las com força, fazendo-o deter seus movimentos. Inclinou-se para trás sentindo seu pênis pulsar com força e preenchê-lo com o seu sêmen.
Os dois contraíram suas faces e soltaram urros abafados enquanto gozavam, quando a euforia do êxtase se amenizou, Sasuke puxou o rosto de Kitsu e os dois se beijaram.
Ficaram assim por alguns minutos, apenas sentindo o estremecer do corpo um do outro, o bater acelerado dos corações, o gosto de suas bocas. Estavam conectados. Unidos. Juntos. Como um só. E se o mundo permitisse, para sempre.
Passados alguns minutos, os dois amantes permaneciam abraçados na cama. O cheiro do calor, do orgasmo e do suor impregnando o pequeno quarto. Da janela aberta vinha uma brisa de tarde de primavera. O sol continuava crepitando do lado de fora. Crianças gritavam na rua. Carros passavam em alta velocidade. Algumas buzinas. Havia até pássaros fazendo festa nas árvores. Barulho de vida. E ali dentro, o único som provinha do ventilador mosquitinho, zumbindo de um lado para outro, soprando um vapor quente nos dois corpos nus, suados e colados de calor. Mesmo assim, eles nem sonhavam em se desgrudarem um do outro.
Naruto ergueu os olhos e observou o rosto de Sasuke, pleno, sereno, quase angélico. Ele tinha um sorriso leve e ameno em seus lábios. Estavam juntos. Felizes. E se pensava em perdê-lo sentia o peito doer. Estava tão feliz que chegava a ser egoísta.
— Sasuke?
— Hm?
— O que é essa obsessão fatal exatamente?
O moreno abriu seus olhos e encarou os azuis a sua frente e sorriu docemente.
— Eu acho que a obsessão é um abismo que leva a pessoa para um caminho sem volta. Por isso que ela pode se tornar fatal. Este precipício pode ser tanto no sentido literal da palavra, naquele o qual você caiu, como o precipício da mente, naquele onde meu irmão estava.
— Mas existe cura para essa obsessão, não é? Você esteve próximo de se tornar como seu irmão, mas conseguiu voltar e seguir o caminho certo.
— Na verdade, eu nem cheguei a cair nesse precipício, apenas o estive beirando, caminhando por sua extensa margem durante dez anos. Mas antes que eu caísse alguém me estendeu a mão e me tirou de lá — Sasuke fixou seus olhos no loiro.
— Eu? — perguntou ele após pensar por um tempo.
— Sim, Kitsu, você. — Sasuke confirmou, suspirando profundamente. — O amor verdadeiro é a cura para muitos maus. Se as pessoas aprendessem a amar de verdade, acredito que não haveria tanta maldade no mundo. Mas normalmente as pessoas amam de uma forma egoísta, querendo satisfazer somente aos seus próprios desejos e anseios, o que importa é ser correspondido. Mas quando isso não acontece, algumas dessas pessoas não sabem lidar muito bem com a rejeição e esse sentimento egoísta acaba por corromper sua alma, se transformando nessa obsessão fatal, que é capaz de fazer as pessoas cometerem as piores loucuras. Mas quem ama de verdade não comete atrocidades, não tira a vida de quem ama, ele deixa a pessoa amada viver e ser feliz, mesmo que não seja ao seu lado.
— O amor puro é tão nobre. Será que nós, seres humanos, somos mesmo capazes de amar dessa maneira, Sasuke?
O moreno ficou em silêncio, pensativo. Estava feliz porque seu amor fora correspondido e seu Kitsu estava ali, protegido em seus braços. Havia encontrado nele a cura para a sua doença. Mas aquela pergunta, que ficara sem resposta naquela tarde clara e quente de primavera, rondaria sua mente por muito tempo, principalmente nos dias frios de inverno e tempestuosos de outono, quando a dúvida plainaria sobre sua mente ao pensar se conseguiria mesmo manter sua sanidade mental se levassem de si o brilho do seu resplendoroso sol.
Abraçou-se ao corpo de Kitsu, tentando afastar aqueles pensamentos sombrios de sua cabeça e apenas reforçou aquilo que o mantinha sã.
— Eu te amo, Kitsu — murmurou, fazendo um breve afago nos cabelos loiro e beijando-o.
O loiro, que havia sido abatido por uma forte sonolência, abraçou-se mais ao corpo do moreno e sorriu brevemente.
— Eu também te amo, Sasuke.
Fim.
“Mesmo em mundo caótico de ideologias egoístas, onde cada um pensa só em si mesmo, eu digo: ainda há chances para o amor.”
Vocabulário de expressões e observações:
[1] Ittekimassu: estou indo.
[2] Itterasshai: volte com cuidado.
[3] No Japão os prédios o térreo é considerado primeiro andar, então o que é o primeiro andar para nós (ocidentais) para eles são o segundo.
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