Obsessão

26 Mate a Forma.


Notas iniciais
Sim, demorei bastante tempo, e o capítulo não compensou, na verdade não chegou nem aos cinco mil minimos, motivos? Nenhum, apenas o de sempre, se eu tivesse escrito até cinco mil... Demoraria mais uns três dias no minimo pra mim postar, sei que tem gente que vê essa história toda vez que acorda de madrugada, esperando uma att. Ela está aqui. Não tenho desculpas sobre a demora, ela apenas aconteceu. De qualquer forma, ainda espero o apoio de vocês, esse é o último pequeno arco. Então, não me abandonem no final.

— Isso está demorando. – comentou Esdeath do lado de fora da porta dos cientistas e médicos, agora com os mecânicos de prótese lá dentro, foi lhe dito pra esperar pacientemente enquanto o braço mecânico era acoplado, mas ela já estava certamente a mais de cinco horas ali. E se Jorg resolvesse torná-lo uma cobaia, ou vingar seus parentes mortos de Kurama indiretamente usando Naruto? Ela abriu a porta em um baque forte ignorando totalmente a confusão mental dos demais, eles estavam em uma voltinha, em circulo diante de uma cadeira e algumas mesas de metal com coisas que ela não entenderia.

Naruto a olhou com os olhos serenos, ele sempre trajava essa expressão agora. – Eu lhes tinha dito pra deixar ela na sala desde o começo, ela não ia agüentar esperar. – ele disse calmamente, ignorando a acoplagem da planta inicial do braço mecânico, que com certeza muitos teriam desmaiado, ele voltou os olhos para Jorg, o sorriso nojento que ele esboçava segundos antes havia sumido. – Você queria me machucar, consigo ver em seus olhos, eu ia deixar você fazer isso, até neguei anestesia.

Os olhos de Esdeath estralaram com isso. – Hm? – o tom dela baixou. – Pode me explicar isso Jorg? – ela já havia conjurado uma pequena adaga de gelo, foda-se se ele era bom.

Naruto apenas olhou para isso, estava claro que ás vezes ela tinha sua recaída, ele tinha ouvido uma leve mudança nas atitudes dela, provavelmente por sua causa, mas era sempre assim, não importava quanto à aparência mudasse a essência de si mesma sempre voltaria pior do que antes. – Ele tem o direito de querer me machucar. – comentou ele calmamente, novamente ignorando a segunda parte, ele se interessou pelo modelo de prótese. Era uma garra com dedos longos no lugar dos dedos comuns metálicos, melhor do que a prótese de Seryu, que com certeza deveria estar ardendo no mais profundo inferno, com seu papai. Jorg continuou surpreso com a falta de expressão dele enquanto ele costurava os seus ligamentos com os fios da prótese.

— Não me entenda mal Esdeath. – disse Jorg olhando pro rosto dele enquanto trabalhava nada acontecia na expressão dele, parecia morto. – Como infernos você não grita? – ele perguntou verdadeiramente alarmado, não existia alguém que pudesse resistir aos ligamentos dos membros com fios e acoplagem metálica sem soltar um único grito.

Ele riu sem humor mantendo os olhos na mulher em sua frente, ela parecia nervosa. – Esta ai me fez perder a garganta uma vez.

Esdeath virou para o lado com vergonha, ela havia dilacerado a traquéia e tentado fazer traqueotomia com ele uma vez, uma experiência, ela se arrepende disso. – Sinto muito. – ela baixou levemente sua cabeça. Naruto nem ao menos viu isso, continuou olhando ao redor daquele lugar.

— Você parece estar desesperada pra conseguir me surrar Imperatriz. – ele sussurrou o titulo dela com um leve escárnio muito bem escondido na voz. – Não vai adiantar do mesmo jeito. – ele deu de ombros pros olhos pavorosos dela. – Não faça essa expressão, você me da nojo.

— Não precisa ser tão ignorante comigo. – ela disse mal humorada cruzando os braços, olhando atentamente para o braço metálico dele, a parte da garra ia ser colocada agora, Naruto movimentava o braço metálico que só foi estendido até o pulso, à mão ia ser colocada agora, era com garras, mas ele queria isso. – Espero que você goste do seu novo braço.

— E eu espero que você o aprecie quando ele for voar para o seu pescoço e quebrá-lo. – ele falou quase como um tom doce, o que não combinava com as palavras que saiu dele, ele parecia estar alheio a muitas coisas. – Aika está com Meli?

— Está. – ela respondeu levemente irritada. – Desde quando você conhece uma empregada?

— Transei com ela ontem. – disse ele simplesmente, os olhos dela voaram para fora e ela se prontifico pra ir atrás dela e matá-la, mas ela ouviu uma risada baixa, era de Naruto, ele estava rindo. – Você é muito idiota por acreditar nisso, eu não fiz isso muito, umas duas vezes.

— Duas? – ela perguntou curiosa. – A primeira foi com Chelsea. – Naruto demonstrou uma leve surpresa nos olhos por ela chamar Chelsea pelo nome e não por ruiva ou uma ofensa. – E a segunda...?

— Foi com algumas garotas dos Shikis. – ele respondeu ignorando a raiva que se instalou na expressão dela, Jorg ria internamente, era um bom show. – Não posso dizer que eu faria de novo, mas foi bom.

— Me sinto ótima ouvindo isso. – ela disse sarcástica, puxando uma cadeira giratória e sentando-se, brincando de girar como se isso fosse mais interessante do que ouvir as histórias dele, pelo menos esse tipo ela não queria ouvir, ela não sabia muito dele do mesmo jeito. – Você se lembra daquela conversa que tivemos depois que te ensinei a dançar? – ela perguntou de repente.

— Me lembro sim. – ele respondeu simplesmente, movimentando a mão nova, a garra tinha alguns tons roxos, era interessante e a garra era perolada. Um bom trabalho, diga-se de passagem.

— Eu queria conhecer o seu pai... – ela meditou, já havia conhecido Kushina, que era a presa escarlate, o prejuízo que essa mulher lhe dava era imenso, mas ela ainda simpatizava com ela, em algum nível. – Você não se lembra ainda?

Ele meditou por alguns segundos, depois de algumas conversas com Ishiki ele descobriu algumas coisas interessantes. – Meu pai descobriu que Ishiki não era um humano, e que ele já fazia parte daquele grupo chupa sangue. – ele refletiu novamente. – Meu pai morava em uma cabana mais afastada, ele ia levar eu e minha mãe pra vila, e iria cuidar dos Shikis sozinho, pelo que eu sei, Ishiki cortou sua cabeça e bebeu seu sangue, e minha mãe, voltou ao seu encontro e só encontrou o corpo do meu pai em pedaços e completamente seco... – não fazia sentido ficar triste por isso, é claro que ele queria conhecer seu pai, pelo menos uma vez, mas não fazia sentindo sentir-se ruim agora.

— Você não sente raiva do Ishiki? – ela perguntou súbita.

— Você não quer ir direto ao assunto e não dar voltas? – ele foi direto, Jorg agora apenas lustrava o braço e cuidava dos fios ao redor, faltava pouco, ele ainda não demonstrou um pingo de dor.

— Eu só queria saber mais sobre você. – ela respondeu honestamente, parando de girar sua cadeira, e olhando em seus olhos, Naruto nunca viu um pedido tão humilde em sua vida, mesmo que esse pedido viesse de um monstro como ela.

Ele suspirou. Os homens pareciam querer ouvir a resposta também.

— Você já sabe tudo de mim, e eu sei tudo de mim que preciso saber.

Agora foi a vez dela de suspirar tristemente. – Você é muito triste. – ela ergueu seu rosto e olhou pro dele. – Ás vezes eu penso que mesmo se você não tivesse me encontrado, você ainda seria infeliz.

— Eu sou obrigado a concordar. – disse o moreno. – Dizem que a base da felicidade plena é feita sobre aqueles que te deram a capacidade de viver, eu não conheci meus pais, minha mãe está longe de mim, e eu não quero voltar agora...

— Não sabe o que vai acontecer se você for não é? – foi uma pergunta retórica, era mais do que obvio que era esse o motivo. – E se eu usar a sua mãe pra te fazer mal? – ela não faria isso realmente, mas queria ouvir a resposta.

Ele apenas... Ignorou sua pergunta, não parecia nem ter ouvido pela forma que ele fechou os olhos, ele olhou para o braço, Jorg já havia terminado de colocar a placa de metal protetora ao redor do aço. Podia se dizer que foi um bom trabalho.

— Ku me disse pra ir atrás do exército revolucionário. – ele se ergueu da mesa. – Acho que eu vou seguir seu conselho, mas não agora. – ele passou reto por ela, mas quando ele foi fechar a porta, ele voltou o rosto pra ela. – Você vem?

Ela não tardou um segundo pra corresponder e se projetar ao lado dele. Ela só ficou um pouco intrigada com isso, mas estava bem com isso, mesmo sem saber os motivos. – O que você geralmente faz Esdeath? – ele perguntou ao lado dela no corredor.

— Se me perguntasse isso um ano atrás, eu diria tortura, mas agora... Eu cuido de Aika e cuido de táticas, e dou ordens nada além disso. – ela respondeu simplesmente, indo para o seu quarto ao lado dele. – Qual o motivo da pergunta?

— Você ainda tem torturados presos? – ele perguntou abrindo a porta do quarto dela, mostrando um sorriso ao ver Meli brincando com Aika com um chocalho em mãos. Meli parecia feliz, mas ao ver a expressão irritada de Esdeath ela se separou lentamente de Aika e a pegou no colo, levando para os braços de Naruto.

— Você será uma boa esposa no futuro Meli. – disse Naruto mal olhando pra ela. – Dispensada. – ele ficou alguns segundos parados a vendo sair, Esdeath olhou pra ele confusa. – Eu nem percebi que ordenei alguém.

Esdeath fechou a porta e retirou algumas peças de roupa, só mantendo a saia e o sutiã, Aika foi posta em seus peitos novamente, provavelmente estava com fome. Ela segurou o corpo frágil dela com sua mão, Naruto observava cada movimento dela atentamente. Ela tinha mandado fazer uma pequena dispensa no próprio quarto com várias caixas de leite e diferentes tipos de bicos, uma mamadeira pratica, ele diria. – Você é boa em cuidar de crianças, Esdeath. – ele comentou enquanto retirava sua camisa ficando apenas de calças, optou por se deitar na cama, e observar Esdeath cuidar de Aika, ela parecia feliz com isso, e ele não seria aquele que atrapalharia a risada de sua filha, os olhos já brilhantes pareciam jóias ao sol, para ele, não existia nada mais bonito no mundo.

Esdeath observou o olhar dele sobre ele o tempo todo. – Quer segurá-la? – ela se aproximou dele com passos lentos, não tendo certeza se deveria tocar nela, ela já havia feito erros demais, não queria fazer mais. Ela apenas ficou em pé, vendo ele de cima com Aika rindo nos braços, ela usava seu dedo pra diverti-la, era melhor do que chocalho de madeira.

— Ela parece feliz com você. – ele sorriu pra filha quando ela riu bobamente olhando pra ele, ele só conseguiu ignorar as próprias palavras e tomá-la dos braços da azulada, que fez a volta na cama e começou a rastejar ao lado dele, pegou o travesseiro branco e colocou na cabeceira da cama como um apoio, Esdeath não ousou nem ao menos respirar.

Aika ficou de pé, com os braços de seu pai ao redor de sua fina e pequena cintura, Esdeath nunca viu uma mirada tão fixa quanto à de agora, Naruto olhava diretamente nos olhos dela, mas os olhos estavam vermelhos, Esdeath viu que aquele tom de azul perdido, havia voltado.

Mas essa cor celeste só havia voltado pra olhar nos olhos coloridos de Aika, que ria com isso, tentando encostar-se às bochechas do pai.

Ela conseguiu ouvir um tom nunca escutado escapar dos lábios dele, a voz dele não parecia rouca ou severamente tranqüila, parecia simplesmente estar em um tom que não havia definição, mas era atencioso.

Aika se aproximou de seu pai, e começou a acariciar as marcas nas bochechas dele.

Como Chelsea havia feito um dia, o mesmo sorriso impertinente, pousara nos lábios de Aika, os dentes nem havia sido completos ainda, havia apenas umas pontas tímidas ainda.

— Você gosta dos meus bigodes minha querida? – recitava para a filha, a resposta parecia agitar seu corpo como se estivesse dançando. – Sua mãe também gostava deles. – ele não disse nada sobre ela depois, apenas continuou a deixandoela brincar com as linhas, ela passava os pequenos dedos sobre as marcas, como se fosse algo completamente novo. – Você vai ser linda quando crescer.

Esdeath sentiu seu próprio coração esquentar, talvez seus olhos estivessem demonstrando indícios de umidade? Só talvez, ela não passou os dedos pra descobrir, estava ocupado fingindo que não existia, não estragaria isso nunca, Naruto parecia estar tão tranqüilo agora. Levantando a filha nos braços e fazendo-a voar sendo segurada por ele, ela pareceu se interessar pelas garras roxas dele, mas ele escondeu o braço atrás das costas, Aika procurou o braço dele, ficando de joelhos sobre sua barriga, querendo fazer a volta pra brincar com aquele dedo bonito.

Ela tentou voar pulando, ou tentando pular, mas ela apenas rolava sobre ele. Ela queria voar como antes, mas Naruto não queria que ela brincasse com seus dedos.

Esdeath pegou o lado direito de seu corpo, Naruto nada disse, mas seguraram-a do outro lado, ambos erguendo ela, se deitaram a fazendo ficar ainda mais alta, para a diversão dela.

— Ela parece mesmo uma criança. – comentou Esdeath. – Imagino se ela vai conseguir ser assim pra sempre.

Naruto suspirou resignado com o rumo que isso ia tomar, mas ele continuou movimentando a filha em cima, ela estendia os braços, tentando parecer um super. Rindo gostosamente depois disso, para a diversão dele. – Eu não sei o que ela irá se tornar, mas eu posso mostrar um caminho pra ela, assim como você pode. – ele a puxou para baixo, Esdeath fez o mesmo, logo ela estava rolando no meio dos dois, eles quase pareciam uma verdadeira família, mas quem estivesse ciente de tudo que acontecia nessa família de mentira, ficaria surpreso com eles não estarem tentando se matar, talvez por Aika ficar presente, e que se ambos lutassem, no pior cenário, ambos morreriam, e ela ficaria sozinha, ou Aika mataria os dois.

— Que caminho você irá mostrar pra ela? – Esdeath perguntou interessada enquanto puxava o pequeno corpo dela para perto. – Não que eu vá impedir você, você é o pai dela.

— Eu não posso dizer com certeza, se for ter em vista minha vida nos últimos tempos, meu caminho é apenas uma desgraça atrás da outra. – ele riu sem humor, roubando Aika dos braços de Esdeath, era uma disputa pela pobre criança, que mal sabia que uma briga não violenta estava ocorrendo apenas por segurá-la. – Mas eu vou tentar dar um exemplo digno dela. Chelsea gostaria que eu fizesse o mesmo.

— Me pergunto aonde os mortos vão depois de passar por aqui. – ela puxou novamente, ignorando a surpresa dele, rindo alegremente com isso. – Você relaxou demais. – ela passou os braços ao redor de Aika, que apenas ria aproveitando a situação.

Ele a puxou novamente, dessa vez encolhendo seu corpo, quase que prendendo a própria filha nos braços, esta parecia estar em um parque. Mas dois demônios estavam com ela. – Eu nunca pensei para onde os mortos vão.

— Eu sempre pensei nisso. – meditou Esdeath em voz alta. – Eu sempre pensei que o mundo onde vivemos é apenas um teste para o verdadeiro mundo.

— Se esse for o caso, o nosso próprio mundo será bem quente. – disse Naruto fazendo pouco caso. – Eu e você vamos queimar lá pela eternidade.

— Provavelmente eu terei uma ala especialmente feita pra mim. – ela também parecia desinteressada nisso. – Mas quem sabe eu brinque com os meus novos amigos? Adoraria testar novos métodos de tortura neles.

— Hm... – ele mal parecia ter a ouvido, para a desgraça dela, os olhos dele estavam se fechando, mas Esdeath viu aquela mesma mancha escura, estava na ponta de seu ombro direito, estava aumentando muito rápido. – Preciso dormir Esdeath, você entende não é?

— Eu entendo que você irá dormir. – ela disse irônica, mas logo desfez a fala e optou por falar com cuidado. – Eu não vou fazer nada com você, você deve estar acordado há muito tempo, pode descansar, não vou deixar ninguém tocar em você.

— Quase me sinto seguro com você ao meu lado. – ele disse secamente. – Lembre-se Esdeath. – ele virou as costas pra ela, mas Aika pulou sobre o braço dele, caindo na cama, indo em direção a Esdeath. – Minha filha me trocou, me sinto traído. – novamente Aika subiu no seio dela.

— Acho que Aika tem dependências de seios. – ela comentou vagamente, era uma opção dela, ninguém a privaria disso. – Que seja, contando que seja uma garota boa, é o bastante.

— Concordo... – ele bocejou, ele estava realmente cansado, mas ele não podia dormir antes de ver como Aika estava. – Boa noite Chelsea. – ele mal parecia ter se dado conta que sussurrava o nome da ruiva antes de fechar os olhos.

Esdeath sentia algo dentro de si morrer e ficar mais vivo, ela não sabia o que era. Ela optou por apenas voltar sua atenção para Aika, que também bocejou. Tal pai tal filha, hm? Talvez ela também estivesse com sono, pelo bocejo leve que ela a deu soube também.

— Eu me pergunto se você se importaria se nós abraçamos-se agora. – perguntou corajosamente Esdeath se aproximando das costas dele, Aika no meio deles, na mesma altura dos rostos deles. Ela já estava dormindo, uma bela visão.

— Me responda. – pediu ela depois de um tempo em silêncio. – Posso abraçar você?

A resposta veio depois de muito tempo, em um sussurro completamente desnorteado.

— Você pode me abraçar sempre... – a voz dele parecia entorpecida, como se o sonho fosse ótimo demais pra acordar, e de fato era.

Ela não perdeu tempo, ela passou os braços ao redor da cintura dele, colocando seus corpos, o cheiro dele fazia tão bem pra ela, a fragrância que ela havia pedido um dia, o corpo quente sobre o seu frio, ela sentiu-se bem com isso.

— Você pode me abraçar sempre.

Ela estranhou isso, ele estava repetindo sua fala, por quê?

Você pode me abraçar sempre...— mais uma repetição. – Chelsea...

Esdeath só conseguiu sentir seu coração se apertar, o que ela esperava afinal...

Ela havia cometido inúmeras atrocidades com ele, era loucura esperar que ele sentisse algo por ela.

Mesmo assim, ela não desfez seu abraço.

Era como...

Um pedido desesperado para as coisas voltarem a ser como eram, mesmo que fosse uma atuação, algumas pessoas concordam que a maior arte do diabo foi fazer as pessoas acreditarem que ele não existe.

Ela discordava.

Para ela a maior arte dele foi fazer todos pensarem que um dia ele foi um anjo.

Mas agora, com o homem de sua vida nos braços, isso mudava.

A arte atual dele era a fazer pensar que a luz de sua vida havia virado a escuridão de seu coração.

No fundo do peito ela sabia que esse era o fato, mas ela queria acreditar que ele estava em algum lugar, que aquele maldito loiro teimoso e com um senso de justiça diferente, ainda estava vivo, ela só tinha que achar um caminho que a levasse até ele.

No final de tudo, no final do próprio fim que havia acabado por começar na metade do prelúdio.

Ela só conseguiu olhar para a adormecida Aika.

— Talvez seja só eu... – ela afogou os cabelos maiores dela agora. – Mas se fosse para morrer, eu queria morrer por você, filha amada.

Notas finais
E foe.