Obscuros
6 Capítulo 5 - Medo constante
"Querido diário,
Meus desejos pelo Victor Connor está sumindo. Não sei como, mas não estou tão apaixonada por ele assim, como pensava. Jack -o garoto pelo qual mudei os sentimentos que sentia por Victor. Jack, tem os olhos azuis profundos, mais ipnotizantes que já vi, em toda a minha existência. Sim, Jack é lindo, perfeito -, uma beleza que nenhum humano teria, a não ser um ser sobrenatural. O que ele não é.
Mas, agora vou tentar focar no tratamento, que vir fazer aqui. Acho que vou pensar no Jack, mais ainda."
–Onde o Patrick está? -perguntou ela para a empregada.
–Ele saiu Srta. Lockwood. -A empregada silenciou um pouco, e continuou: -Um rapaz está te esperando lá fora.
–Quem?
–Não sei, mas disse que não sai de lá até te ver.
Gabrielle correu até a sala, e foi na janela. Aquele rapaz era bem conhecido. A pele clara... aqueles olhos. Victor Connor. Os pensamentos de Gabrielle estavam ocultos. Ela correu até lá fora.
–Victor? -gritou.
Victor virou-se com rapidez.
–Gabrielle... -sussurrou ele. Os dois se abraçaram.
–Por quê você veio? -A voz de Gabrielle estava lívida. Perto de Victor os sentimentos de paixão voltavam, rapidamente.
–Não consigo ficar longe de você. Somos amigos.
–E você tem uma casa para morar? -perguntou Gabrielle preocupada.
–Sim.
A praça estava florecida. A primavera caía bastante bem para aquela praça linda.
Victor e Gabrielle estavam andando um do lado do outro. Quando algo chamou a atenção de Gabrielle. Um rapaz, aparentemente de 1,82 de comprimento. Ele estava com botas de trabalho bem engraxadas, uma calça com um nome duma empresa da região. A blusa folgada, caía-lhe pelo ombro largo. Ele estava de costas para Gabrielle mas, ela conhecia aquele homem. O rapaz virou-se. Era Jack.
–Gabrielle... -acenou Jack atravessando a rua.
Victor estava com sede de sangue. Ele não ia conseguir controlar-se. Aquele humano era tão... delicioso. Ele não caçava há uma semana.
–Eu tenho que ir -anunciou Victor.
Victor não consegui nem olhar no rosto de Jack. Ele correu rapidamente. E foi embora.
–Quem era ele? -Jack estava dando a mão para Gabrielle cumprimentá-lo.
–Um amigo da Rondônia.
–Legal. -pausou -Vamos tomar um sorvete?
Gabrielle aceitou com a cabeça.
(...)
O acampamento estava sombrio. As luzes do dia não refletiam bem, lá dentro. Tudo era parecido com a Itália Medieval. Tudo era gótico.
Victor estava num canto do acampamento dos originais. Ele não acreditava que tinha apaixonado por uma garota inimiga, de outra matilha de lobisomens. Os pensamentos de Victor estavam imersos de culpa. Mas, ele tinha que acabar com está garota que, matou a sua mãe, a paixão não ia interferir nos seus planos. Nunca.
Victoria tinha os cabelos negros. As órbitas eram também totalmente negras. Ela estava com as roupas totalmente góticas, e ao redor dos olhos lindos havia olheiras profundas. Ela era linda, perfeita para uma lobisomem sangue puro. A mandíbula estremeceu de raiva. Victoria não acreditava que Victor havia se apaixonado por Gabrielle. Não podia ser. Isto tudo colocaria o plano deles todos em água abaixo.
Victoria aproximou-se de Victor. Ele estava distraído.
–Como você pode? -A voz dela estava alterada. A boca ficou subversiva de raiva.
–O quê? -Victor saiu de seu transe de pensamentos.
–Você sabe... -Victoria estava trêmula e obssesiva de ódio, que agora sentia por aquela garota irrevesível.
Victor sabia mesmo o que Victoria estava falando. Ele não podia esconder muitas coisas dela. O rosto erigeceu.
–Você se apaixonou por ela? -perguntou ela.
–Sim. -A voz dele estava calma.
–Você está colocando em risco nossa existência.
Victor sabia as consequências que aquela paixão causaria. Ele estava alerta dos problemas.
–Eu sei. -Ele estava suando de nervossísmo.
–Então porque não se controlou? -gritou ela.
Ele estava fervendo de ódio, a qualquer hora ele explodiria.
–Chega! Chega! Você não sabe o que é amar uma pessoa. -O tom da voz dele estava alterado.
–Claro que não sei. Eu nunca amei ninguém nesta vida. Amar é um erro. É idiotice dos que praticam o amor. -Victoria era completamente má. Ela não conhecia o amor, pois não queria conhecê-lo de perto.
–Você não sabe o que está falando.
–Sei sim. Você é um idiota, um merda. -Agora ela estava rondando o acampamento. -Não sei porque seu pai te convocou como rei. Ah, porque seu pai era também um merda, um banana...
–Não fale do meu pai. -Ele pulou no ar. Ele estava transformando. Quando estava no chão a sua forma de monstro já estava completa.
Victoria também se transformou. As garras estavam afiadas.
Victor não admitia que falasse qualquer coisa do seu pai. Mesmo seu pai não ligando para ele... Ele amava o pai que o criou desde criança, que ajudou a enfrentar os problemas de ser um lobisomem sangue puro.
Ouvindo o barulho ensudercedor Katherina e Niclaus entraram no acampamento. Katherina tinha um corpo parecido com uma modelo britânica. Era linda. A beleza sobrenatural era odiossa para qualquer garota humana, que estivesse no ensino médio e estivesse competindo com uma garota popular. Já Niclaus não era feio, nem bonito. Tinha um rosto lívido e aparentava ter uns trinta anos ou talvez tinta e cinco. Seu perfil era de um galã que já despertou vários suspiros nas mulheres de sua idade.
–Parem com isso. -separou Niclaus. Niclaus era pai de Patrick Lockwood, e não gostava de sua espécie mística, então se tranformou num aliado dos originais. Mas, ainda sentia saudade de ter abondonado o filho.
Victor e Victoria pararam com a briga totalmente dispensável. Victor voltou a forma humana e Victoria também. Os dois ainda bufavam de raiva.
–O que está acontecendo com vocês dois? -perguntou Katherina com uma voz doce. Katherina também se aliou com os originais porque era uma bruxa rejeitada.
–Victor se apaixonou por a lobisomem mística. -anunciou Victoria.
Ele não queria saber de mais nada. Ele queria caçar para acabar com a raiva que estava sentindo por Victoria. Saiu do acampamento antes que degolá-se o pescoço daquele lobisomem insurpotável. Depois de caçar ele iria ver Gabrielle, e talvez tentar esquecer este episódio.
(...)
A floresta da Flórida era muito desconhecida para o olhar esquecido de Gabrielle. O cheiro da floresta era tão doce mas, uma coisa estava fora do normal, um humano talvez. O cheiro estava mais intenso a cada passo curto de Gabrielle. Ela nunca se sentira assim sem vontade alguma de sangue.
O arvoredo estava sempre distante um do outro. Sempre com o mesmo aspecto áspero nos troncos longos.
Pela visão periférica Gabrielle avistou um humano. O cheiro do seu sangue não era diferente, tampouco conhecido. Ela não sabia o que aquele sangue continha ou de quem era.
Gabrielle, de súbito, correu com toda a sua velocidade de quando estava transformada. O humano era Jack. Ela agora não conhecia o fato de a sua garganta não está queimando, ou tendo a sensação de está sendo cortada com um canivete bem afiado. Aquilo tudo era tão desconhecido no seu mundo de caçadora. Com Jack era diferente. Ela queria estar nos braços dele mas, não sabia como.
Qual o motivo para Gabrielle conseguir se controlar, a um metro de distância de um humano? E porque a sede não vinha para Jack?
Sempre Gabrielle pensou que conhecia Jack mais não conhecia. Jack era algo a mais do que humano? A pergunta ficara no ar, nítida. O quanto Gabrielle ainda tinha que saber?
(...)
"Querido diário,
Eu não sei o que deu em mim aquela hora na floresta. Tudo está alterado. Pela primeira vez eu me sinto protegida perto de Jack.
A lua cheia acabou e toda a sensação de sede de sangue foi embora junto, no mesmo patamar. Mas, não paro de pergunta-me o que está acontecendo. O que será que Jack é, além de humano?
Acho que vou dormir amanhã vai ser um ótimo dia, vou sair com Victor. É acho que vai rolar, se eu não atrapalhar o momento. Bye."
(...)
Victor estava em cima do acampamento. A brisa da noite enluarada estava refrescante. Os pensamentos dele estavam submersos de amor. Ele estava pensando em Gabrielle. "Como eu fui me apaixonar por uma inimiga?" Ele se perguntava. "Mas talvez o amor escolhe até aquele que sofre bullying para amar aquele mendigo" "Talvez o amor é cruel com alguns, e amoroso com outros. Só sei que esse amor me faz voar."
Victor estava chorando. Ele não podia trair a mãe daquela forma horrível. Apaixonar-se estava fora de sua lista de planos. Mas... Nada e ninguém poderia explicar, talvez só o coração.
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