Obscuros
9 Capítilo 8- Pistas
Dorotheia saia de casa. Estava indo para o hospital visitar o marido doente. A rua estava sem iluminação, ela ligou a lanterna. Ela andava devagar, com tranquilidade ouvindo música no aparelho Mp3.
Sombras mútuas passeavam por de trás dela. Victoria ficou em Rondônia para cuidar do acampamento dos originais. Victoria apreçou os passos ao ver que Dorotheia se aproximava de uma rua iluminada. Com os músculos contraindo as veias dilatadas, os olhos lacrimejando, os pelos foram crescendo e a forma humana desaparecendo até chegar a uma forma de lobisomem. Não era noite de lua-cheia mas, um lobisomem sangue-puro pode se transformar a qualquer lua. Entre passos afobados, Victoria foi para mais perto de Dorotheia e pulou no pescoço da empregada. O sangue caia no chão como água sai das torneiras. A cada abocanhada que ela dava mais a vítima perdia os movimentos.
Victoria parou de estraçalhar o corpo já sem vida, e saiu correndo para o acampamento dos originais.
(...) -Você tem que voltar para Rondônia.
–Por que? -perguntou Gabrielle.
–Está acontecendo coisas estranhas. -declarou Lucian.
–Tipo o que? -perguntou ela curiosa.
–Mortes que nunca aconteceram. Estupros e outras coisas mais.
–E?
–Os médicos disseram que os corpos estavam dilacerados que podia ser um animal que fez aquele ato cruel. -Lucian estava com o corpo erijecido. Os músculos estavam em forma. -Nossa tribo achamos que fosse um lobisomem.
–Não pode ser. -imterrompeu ela.
–Não é nenhum lobisomem da nossa matilha.
–Como? Só existe uma tribo, a nossa. -espantou-se ela.
–Não. -Patrick entrou na sala. -Tem a tribo dos originais.
–Mais nós os matamos a cem mil anos atrás. -A dúvida tomou conta dos pensamentos dela.
–Ai que enganamos. Eles não morreram. O acônito que nós usamos neles causou um desmaio, e só. Eles não morrem com o acônito que nos mata e sim com outro. -anunciou Patrick.
–Qual? -perguntou Lucian.
–O acônito azul. -respondeu Patrick.
–Onde encontramos?
–Cemitérios. Florestas.
–Vamos achá-los. -Agora Lucian estava com raiva.
–Como?
–Vestígios, iscas, armadilhas sei lá, qualquer coisa. -Lucian estava desesperado com a situação. -Vamos fazer uma vigilia aqui e lá em Rondônia. Vamos nos separar.
–Isso. Amanhã nós vamos para Rondônia fazer uma reunião e ver quem fica aqui e quem lá. -concordou Gabrielle. Como ela iria largar Jack e Victor lá? Isso não vinha a tona agora. A tribo dela estava em perigo, e a população inteira, também.
–Vamos agora. -Lucian estava apressado.
–Não. Gabrielle tem que se despedir de Jack e do Victor. -disse Patrick. -E temos que arrumar as malas.
–Humanos? -perguntou Lucian. -Não, não importa. Você faz o que quiser da vida, o que importa agora é a nossa segurança.
As luzes do laboratório estavam acesas. Rebecca estava vestida com as roupas típicas de uma médica ou enfermeira. O rosto moldurado numa maquiagem simples.
Gabrielle entrou na sala e deitou-se na cama. Rebecca pegou duas injeções de acônito. Ela ajeitou o braço esquerdo de Gabrielle e aplicou. O líquido entrava pelas veias e artérias com uma velocidade inumana. O coração seu acelerou, parecia que ia explodir. Os tecidos congelavam a cada minuto. Os músculos estavam ficando mais rígidos a cada sesão. O suor gelado escorria-lhe pela sua testa. Ela queria ver sangue jorrar para o chão. Queria ver sangue escorrer pelas suas mãos e o corpo ir ficando sem vida.
–Você consegue se controlar? -perguntou Patrick com cautela.
–Sim. Por que?
–Jack está te esperando. Vai despedir dele, hoje é seu último dia com ele.
Gabrielle desceu da moto e correu para o portão da casa.
–Quer sair?
–Sim. Você só espera um pouco vou pegar Maicon pra ir junto. -Ela riu.
Em cinco minutos ela estava descendo as escadas com o gatinho nos braços. Ela estava feliz por estar perto dele naquele momento tão ruim de sua vida. Todos os segredos mais sombrios que guardou a vida toda estava por vir a ser revelado por milhares de humanos. Talvez seria o fim da existência dos seres sobrenaturais para sempre. Com a revelação que acabara de presenciar que, os originais ainda estavam vivos, tudo mudou. Com certeza haveria outra guerra de sangue. Uma guerra que todos iriam saber em minutos através do mundo tecnológico. Tudo estava perdido. E tudo que Gabrielle, poderia fazer neste exato momento era aproveitar cada segundo como se fosse o último de sua vida.
A guerra que aconteceu a cem anos atrás fora sangrenta e, através dela surgiram várias lendas de seres sobrenaturais, o que levou a os lobisomens viverem nas sombras, não mostrarem-se para à luz da vida humana. Iria acontecer outra vez e, essa seria lastimável, incomparável a qualquer guerra que já acontecera. Essa seria o fim.
Gabrielle, estava com os pensamentos imersos de dor, medo e sofrimento. "Por que a vida tem que ser tão cruel?" perguntou-se a si mesma. Ela não tinha resposta para uma pergunta tão complexa e inesperada. Ela estava com uma dor no coração, que a fez chorar. Ela não queria ir embora. Não queria acabar com uma vida toda pela frente. Não queria estragar aquele momento...
As lágrimas rolaram a face com mais bravessa.
Jack olhou para Gabrielle, e falou:
–Por que você está chorando?
A garganta dela ficou seca, como se não quisesse falar algo tão ruim. Ela forçou-se a olhar para ele, só que não conseguia, então abaixou a cabeça e começou a falar:
–Vou ter que voltar para Rondônia. -O olhar dele mudou com a confissão. Ele estava triste. -Mais eu vou voltar em breve. -Ela completou, tentando ser convicente mas, por dentro sabia que nunca voltaria.
–Você acabou de fazer... négocios? -perguntou Jack, controlando a voz de dor.
–Sim. -Ela levantou a cabeça quando as lágrimas secaram no rosto. Os dois se olharam. Um olhar de dor e sofrimento. -Eu nunca vou esquecer os momentos que passamos juntos. Nunca! -prometeu-lhe com cautela.
–Eu também nunca irei esquecer. -Os dois abraçaram-se. -Cuide bem de Maicon.
–Sim, cuidarei. -Estava na hora de ir embora. Quanto mais cedo ela fosse, melhor para os dois. -Eu já vou... Adeus.
–Adeus.
Gabrielle, andou rápido para ir logo para casa. Não queria sofrer mais.
Jack estava vendo ela de longe.
–Eu te amo. -sussurrou para si mesmo. Ele não teve coragem de dizer está frase para ela.
(...)
Victor afastara um pouco de Gabrielle. Estava na África resolvendo problemas com a mãe. A mãe dele morava lá só por precaução. Ela não queria ser descoberta pelos lobisomens místicos, que antigamente era a sua família. Na África ela era conhecida como Lucy, mas em Rondônia como Lucianne Lockwood. Ela é mãe de Gabrielle.
–Você tem que voltar e matá-la. -disse Lucianne. A voz estava rude, com raiva.
–Mãe, eu não posso Gabrielle é minha irmã. -A paixão que aconteceu pela própria irmã o castigava.
–Você vai matá-la. Você vai fazer como eu mandar. -A voz estava severa.
–Não, mãe... Eu amo ela. -Ele abaixou a cabeça incapaz de olha-la nos olhos.
–Você pode ama-la depois de tudo que ela fez? Como? -Agora Lucianne cuspia as palavras com insolência.
–Você sempre me disse que Gabrielle fez algo errado no passado, mas nunca falou o que era. Fala! O que minha irmã fez? -gritou ele.
–Como você oussa gritar comigo? -Ela aproximou-se do filho e cuspiu mais palavras no rosto dele. -Você vai voltar para Rondônia e mata-la.
–Não. Você não manda mais em mim. Eu já sou bem crescidinho. Eu sou maior de idade. Eu sei o que estou fazendo. -Ele andou para pegar o casaco.
–Afinal, de que lado você está? -vociferou ela.
–Da minha irmã. -Ele virou-se para a mãe, olhando-a nos olhos. -Do lado da minha irmã que, é inocente. Do lado deles. E, se você escontar um dedo no fio de cabelo dela, eu te mato.
–Agora você vai me ameaçar? A sua própria mãe?
–Não, porque, na verdade, você nunca foi uma mãe. Você sempre quer o mal para todo mundo. Você nunca cuidou da minha irmã, nem do meu irmão. Nunca se preocupou com seus filhos. Sempre se preocupou com você. -desabafou ele. -Eu vou ajudar meus irmãos.
–Você está assim porque se apaixonou por sua própria irmã. Quando você se tocar, estará ajudando quem não deveria. -O olhar de Lucianne estava sombrio. Os olhos estavam escuros.
–Sim eu me apaixonei por minha irmã. Mas, isso vai mudar e vou continuar junto com ela. -O coração dele estava apertado. Estava quebrando, em mil pedaços.
Um homem de cor negra entrou na sala.
–Lucy, o advogado da senhora chegou. Mando ele entrar?
–Sim.
Victor saiu junto com o homem pela porta. Ele nunca mais voltaria. Ele considerava a mãe morta. Nunca mais a veria. Nunca. Ele iria pegar o próximo voo para Flórida e de lá um para Rondônia. Em breve estaria com os irmãos. Iria contar tudo e, tudo estaria certo. Isso ele esperava.
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