— Padre, vim pedir sua ajuda para me libertar de uma entidade.

— Conte-me do princípio.

— No começo ele era bom e se mostrava meu amigo, mas agora pede que nos reunamos no mundo dos mortos. Ele quer a minha morte.

— Ele é seu namorado?

— Não, é meu amigo imaginário.

— Oh!

— Isso mesmo. Eu gostava de ter alguém invisível como amigo, mas agora ele quer que eu morra.

— E essa entidade está lhe perseguindo. Entendo. Bem, os médicos diriam que você não está bem da cabeça.

Emudeci desanimada.

— Mas eu não sou um médico. Acredito que você está enleada com este demônio que assumiu a carapuça de amigo imaginário. Vou lhe dizer o que fazer.

O padre me aconselhou a orar pela manhã e à noite. Acompanhar novenas e missas dominicais, bem como me voluntariar nas atividades beneficentes da igreja. Isso incluía clube de mães, pajear órfãos, servir sopa aos desvalidos e angariar roupas velhas para os pobres.

Fiquei estarrecida com a lista de obrigações. Eu praticamente ficaria sem tempo livre. E talvez aí estaria o segredo do milagre: eu não teria tempo para pensar no meu algoz. Bem diz o ditado "Cabeça vazia, oficina do Diabo".

É, talvez desse certo.