Obscuro
21 Enleada
— Padre, vim pedir sua ajuda para me libertar de uma entidade.
— Conte-me do princípio.
— No começo ele era bom e se mostrava meu amigo, mas agora pede que nos reunamos no mundo dos mortos. Ele quer a minha morte.
— Ele é seu namorado?
— Não, é meu amigo imaginário.
— Oh!
— Isso mesmo. Eu gostava de ter alguém invisível como amigo, mas agora ele quer que eu morra.
— E essa entidade está lhe perseguindo. Entendo. Bem, os médicos diriam que você não está bem da cabeça.
Emudeci desanimada.
— Mas eu não sou um médico. Acredito que você está enleada com este demônio que assumiu a carapuça de amigo imaginário. Vou lhe dizer o que fazer.
O padre me aconselhou a orar pela manhã e à noite. Acompanhar novenas e missas dominicais, bem como me voluntariar nas atividades beneficentes da igreja. Isso incluía clube de mães, pajear órfãos, servir sopa aos desvalidos e angariar roupas velhas para os pobres.
Fiquei estarrecida com a lista de obrigações. Eu praticamente ficaria sem tempo livre. E talvez aí estaria o segredo do milagre: eu não teria tempo para pensar no meu algoz. Bem diz o ditado "Cabeça vazia, oficina do Diabo".
É, talvez desse certo.
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