Obscure
2 Capítulo 2 - quem é essa aí?!
Estavam os três deitados enquanto uma forte chuva caia molhando parte da calçada onde estavam. Era um beco deserto, sem saída, estavam o mais próximo que podiam uns dos outros, Deno estava no meio porque apesar de todo o frio que eu e Louise sentíamos ele parecia estar bem quentinho.
— Como você pode estar tão quentinho assim, Deno? Está com febre? — Louise perguntou enquanto seus dentes batiam. Suas roupas eram as únicas secas porque ela era a única de nos que tinha dois pares de roupas.
— Não, na verdade estou muito bem... Acho que meu corpo quente porque vocês dois estão muito próximos e estão gerando calor.
Louise se calou, ela não viu sentido no que o garoto falou mas decidiu não o encher de perguntas porque tinha percebido que nem ele tinha a resposta para aquilo.
Durante a conversa dos garotos a chuva para, minutos depois não se podia mais ver a saída do beco.
— Que estranha, essa nevoa repentina.
— Acho que é porque agora está calor... O calor afeta a humidade do ar causando esse nevoeiro. — Louise falou.
— Onde aprendeu isso Lou? — Perguntou Deno com o cenho franzido.
— Nos meus livros. Os que eu estava sempre lendo enquanto estávamos no orfanato.
— Pessoal... — Damon sussurrou — Vocês estão vendo aquilo?
Ele apontou para o nevoeiro, eram capaz de ver apenas uma silhueta saindo da nevoa, não era uma forma humana, parecia mais um... E então o monstro saiu de dentro da nevoa, ficando visível agora aos olhos do três.
Pude ouvir um som estranho vindo de minha garganta e Louise fez apenas um gemido estranho, Deno estava encarando o monstro com os olhos arregalados, atento.
Eu me levantei tirando de dentro das roupas a faca de serra que tinha consigo. Não acreditava que estava fazendo aquilo... Desafiando daquele jeito um...
— Uma Manticore! — Louise disse encarando o monstro boquiaberta, também se levantando quando viu que os amigos já estavam de pé. — Não pode ser real...
Ela sorriu como se se esforçasse para não acreditar no que estava diante dos seus olhos.
A manticore Disparou em nossa direção, vi Deno gritar, um dos espinhos da manticore havia acertado seu ombro, ele instantaneamente caiu no chão. Louise ainda estava de pé se segurando na parede para continuar em pé com aquele espinho cravado em seu abdome, olhei para meus pés por um segundo e vi a poça de sangue que se criou. Minha perna estava com um dos espinhos do monstro, não sabia como reagir... Me lamentei, não entendia a situação, uma lagrima chegou a molhar meu rosto porque eu me culpava por ter levado meus amigos até ali pra morrer pra um monstro que nem achava ser real...
Dei um passo para trás e fiquei encarando a Manticore que vinha se aproximando com sua grande boca humana aberta enquanto ele rugia.
— Estava realmente com fome, e encontrar três deles juntos é realmente muita sorte.
Franzi o cenho, não entendia sobre o que ele estava falando... "três deles" o que?! Me perguntei. Olhei para Louise que imediatamente se virou para mim aterrorizada e se abaixou junto a Deno que já estava no chão com a mão perto de seu ferimento que ainda sangrava.
Me sentei também, e, como num coro, falamos.
— Eu sinto muito.
Entendíamos a situação, iriamos morrer para uma coisa que claramente era satanás. Nem acreditava tanto em Deus mas, aquilo me fez pensar.
Lagrimas molhavam nossos rostos sujos enquanto a manticore vinha sussurrando coisas sobre quem comeria primeiro. Serviríamos de jantar para aquilo... Não via jeito pior de morrer.
A manticore continuava se aproximando, e então eu tive a ideia de atirar contra ela a faca que guardava ainda comigo. A faca vai girando numa mira certeira até bater na pata da manticore que imediatamente se apoiou nas patas traseiras, urrando. Um liquido dourado espesso saia de seu ferimento.
Imaginei que aquilo se desse pelo fato de que outrora satanás fosse um anjo e, ainda tivesse o sangue angelical que poderia explicar aquilo.
A manticore volta a ficar sobre as quatro patas e atirou um novo espinho que vinha na minha direção. Não poderia desviar daquilo. Não conseguia mais mover meu corpo. O espinho estava a centímetros do meu rosto quando simplesmente desapareceu, um brilho roxo que ofuscou nossas visões "engoliu" o espinho.
Louise me olhou, como se eu tivesse feito aquilo, mas eu não fazia ideia do que tinha acontecido.
— Não! — A fera falou com aquela voz grave e cheia de moral. — Você não pode!
— Reclame a Zeus sobre meus atos quando se restaurar de sua ida ao tártaro, criatura inferior. — soou uma voz debochada e, extremamente acolhedora.
Eu senti um frio na espinha quando aquela voz, que vinha de aparentemente lugar nenhum. Eu tinha a sensação de já ter ouvido aquela voz, porque aquilo me lembrou de uma infância que não deveria me lembrar, tinha pouquíssimos dias de vida quando ouvi aquela voz pela primeira vez...
O grito de Louise me puxou de volta para o mundo real. Estávamos diante de uma mulher sobre uma capa negra, era possível ver uma espessa névoa rodear os pés da mulher, que tinha pele tão branca que chegava a emitir uma certa luz. Ela tinha em sua mão direita uma tocha e na esquerda ela trazia consigo um cajado de um metal negro.
Ela começou a brilhar num tom roxo intenso e a manticore começou a urrar, logo o imenso monstro hibrido que estava na nossa frente vai se desintegrando em um pó escuro que cria um pequeno monte no chão molhado. A mulher se virou para eu e meus amigos que estávamos todos ali encolhidos de medo no chão que estava frio por causa da recente chuva.
— O... O que você quis di-dizer com "reclame a Zeus"? — Perguntou Deno com sua voz trêmula.
— Ora, eu não fui clara? Filho da cura?!
— Filho de quem? — Continuou Deno.
— Não preciso explicar tudo. — A mulher elegante reclamou.
— Quem é você? O que quer com a gente? — Louise interrompeu.
— Sou Hécate, não é obvio?! Eu só vim ajuda-los por causa dele!
Ela apontou para mim, olhei para Deno naquele momento e vi uma interrogação gigante sobrevoando sua cabeça. Dei de ombros, também estava boiando.
— Por minha causa?
— Sim...
Ela foi interrompida pelo gemido de Louise. Ela tinha sido atingida pelo espinho no estomago e estava perdendo mais sangue do que eu e Deno.
— Por favor, nos ajude, chame uma ambulância.
Eu supliquei para aquela mulher estranha que não fazia ideia de quem era. Estava chocado com o quão fraco eu parecia ali, chorando enquanto pedia ajuda a uma desconhecida, coisa que me recusaria a fazer se estivesse sozinho.
— Calma criança... — ela falou olhando piedosamente para mim — Ela irá ficar bem, todos vocês vão.
E então minha visão escureceu, e desmaiei. Deno e Louise também já estavam desacordados pela quantidade de sangue que tinhamos perdido.
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