Obscure

1 Capítulo 1 - Uma Fuga Bem Sucedida


Fui acordado quando o sino do orfanato tocou. Eram apenas 5 am e eles já estavam tocando o sino.

— Bom dia Louise, bom dia Deno

Cumprimentei meus dois melhores amigos. Dormíamos os três no mesmo quarto porque o orfanato no qual morávamos nos dividiam em três crianças pra cada quarto. E como muito infernizamos a srta. Varshjt, ela permitiu que ficássemos juntos.

— Vamos levantar, se não se lembram, hoje finalmente é o dia da... — Cheguei mais perto deles e falei baixinho — nossa fuga —.

Eles me olharam com a maior cara de espanto, eles não estavam tão animados com a fuga quanto eu. Eles tinham se acostumado com a vida que tinham, mas eu nunca aceitei viver num lugar como aquele, onde comíamos apenas quando se tinha comida, dormíamos apenas quando nos era permitido. Simplificando, só podíamos arrumar tudo o máximo possível e torcer para que não apanhássemos ou ficássemos de castigo.

Louise, a mais inteligente e sensata do grupo começou a me olhar com um olhar amedrontador.

— Você não pode fugir, Damon, vai viver na rua? Só tem 10 anos! — Louise retrucou.

— É e também tem aquelas moças, as que você diz ter corpo de cobra, mas só você vê.

Deno achou que seria uma boa hora para lembra-lo disso. O fato é que dias atrás, duas "senhoras", já de idade, vieram ao orfanato alegando querer adotar uma criança. Mas, na verdade eu não as via como duas velhas senhoras, as via como duas mulheres que da cintura pra baixo tinham dois corpos de cobras no lugar das pernas.

— Louise, Deno, eu não aguento mais viver assim, não quero apanhar toda vez que estivermos com fome e eu roube comida... Isso e vários outros fatos me fazem querer abandonar este lugar, e eu não vou desistir da minha ideia. Infelizmente, se vocês não vierem comigo, terei de ir sozinho.

Abaixei a cabeça durante o discurso. Meu coração estava acelerado, estava nervoso com aquela situação, só de imaginar deixar meus amigos pra trás...

— Eu vou, certo? Cara. — Falou Deno.

— Vocês são impossíveis, não tem noção do perigo que iremos correr... Mas eu cedi. Eu vou com vocês — Louise completou. E assim que chegamos a conclusão final de que iriamos fugir daquele lugar.

A noite chegava e com ela uma nova marca em minhas costas, olho e mãos. A diretora, a srta. Varshjt tinha pego Deno roubando lençóis dos outros quartos, lençóis que usaríamos pra fugir descendo pela janela. Deno começou a fazer um barulho estranho do lado de fora do quarto, a srta Varshjt estava batendo nele ali mesmo, com todos olhando. Segundo ela, ensinando-os que não se devia roubar. Eu corri para para-la e me ofereci para apanhar no lugar de meu amigo, dono de olhos vermelhos e cheio de lagrimas. Foi assim que ganhei as novas marcas. Deno que me ajudou. Ele era ótimo com primeiros socorros, não sabíamos onde ele tinha aprendido.

Eram 3:00 segundo meu senso de horário, que ficava ótimo durante a noite. Sempre sabia que horas eram apenas olhando pra a lua pela janela. Deno estava sentado na cama e Louise estava me ajudando a amarrar um lençol a outro. Estávamos num prédio de 5 andares e, seria impossível escapar sem usar aquilo.

— Este é o último! — Louise falou, e sua fala veio acompanhada de um suspiro cansado. — Ótimo, vamos amarrar no pé da cama e depois desceremos — puxei os lençóis que agora formavam uma grande corda até achar uma das pontas. A amarrei num dos pés da minha cama, a que ficava mais próxima da janela. E segurei o resto nos braços. Olhei para o rosto dos meus companheiros e assenti, confirmando com cada um dos dois de que era essa a coisa certa a se fazer. Segundos depois, la se ia o resto do lençol. Se desenrolando descoordenadamente até la embaixo.

Chegou finalmente minha vez de descer. Deno já estava la embaixo com Louise. Me segurei nos lençóis e comecei a descer, era esperto, ágil, fiz com que o atrito que faria descer escorregando se concentrasse na sola dos sapatos e não nas minhas mãos, que também estavam esquentando graças aquilo. Logo estava a apenas um metro do chão, e tive que me soltar porque era o fim do lençol. Cai no chão e rolei, dividindo o impacto da queda igualmente para todo o corpo.

— E agora? Pra onde vamos?

Perguntou Louise, ela estava claramente perturbada com a situação. Deno estava do mesmo jeito que ela, mas eu estava sorrindo. Me sentia bem agora que não estava preso dentro de um prédio.

— A primeira coisa que faremos é nos afastar o máximo que conseguirmos ainda esta noite. Quando amanhecer e a srta. Varshjt der falta de nós, vai ligar para as autoridades. Ela teme que denunciemos ela. E será a primeira coisa que faremos amanhã, mas como sei que se formos a uma delegacia, seremos mandado pra outro orfanato, faremos uma ligação anônima.

Sorri malignamente enquanto dava uma pausa na minha fala dando espaço para que os outros falassem, mas nenhum falou.

— Agora vamos — Comecei a caminhar para o lado que escolhi mentalmente num jogo de sorte.

A noite nos escondeu muito bem. Não tivemos problema algum, mas já estava amanhecendo e nós estávamos com sono.

— Que tal se acamparmos aqui por hoje?

Louise apontou para uma quadra de futebol americano que tinha arquibancadas que serviriam perfeitamente como abrigos.

— Ótimo... E se você conseguir entrar no vestiário talvez consiga comida — Deno falou. Dava para ouvir sua barriga roncando de longe. O que fez com que Louise o repreendesse

— Deno, você tem que parar de pensar em comida. Mas bem que cairia bem agora. Qualquer coisa — ela deu de ombros e então começou a andar para o campo. Sentamos atrás da arquibancada e planejamos tudo que faríamos no dia seguinte, então, quando acabamos, me levantei e fui tentar entrar no vestiário.

Caminhava observando bem o lugar. Tive de descer uns degraus do lado do campo para chegar a uma porta que dava, provavelmente, para o vestiário. Fiquei a encarando por alguns segundos, desejando que ela se abrisse. Então, criei coragem e girei a maçaneta que rangeu um pouco mas não abriu. Suspirei. Precisava de outro plano para abrir aquilo sem arrombar. De repente uma ideia idiota passou pela minha mente. A faca que tinha trazido comigo desde que fiz minha última visita a cozinha do orfanato.

enfiei a faca no buraco da maçaneta, algo que geralmente não funcionaria. Rezei para que aquilo se abrisse. Então girei novamente a maçaneta e a porta se abriu. Entrei silenciosamente, mas logo percebi que estava sozinho ali. Comecei a procurar dentro de algumas bolsas, achando alguns restos de alimentos. Cheirei-os. Ainda pareciam bons, claro que não todos. Os que pareciam ser ingeríveis eu enfiei dentro de uma das bolsas, depois fui na área dos chuveiros. Abri um registro. A agua caiu em vários jatos fortes. Fechei novamente. Ali seria um bom lugar pra tomar banho antes que saíssem do local pela manhã. Ele se levantou e saiu correndo do lugar, encostando a porta ao passar. Foi sorrateiramente até onde os amigos conversavam e consegui facilmente leva-los ao vestiário. Onde poderiam se banhar. Deno parecia extremamente feliz com a notícia de que poderíamos tomar banho. Louise parecia mais séria, como sempre. Passamos a noite ali e logo saímos pra dormir em baixo das arquibancadas. Temíamos que alguém aparecesse ali. Levamos conosco uma bolsa com todo o dinheiro que achamos, uma bolsa com todas as garrafas que achamos cheia com a agua do chuveiro e uma bolsa com os restos de comida, que já não serviam mais pra comer, levamos apenas para se passássemos fome.

O dia amanheceu. Escutei passos, observei pela brecha das arquibancadas um grupo de 6 garotos entrarem no campo. Deduzi que eles tinham entre 14-15 anos. Comecei a sacudir Deno e Louise, colocando a mão sobre suas bocas para que não emitissem som. Logo eles entenderam o recado e se levantaram para olhar também. Olhei pelo canto do olho para Louise que tinha um semblante pensativo. Deno, por outro lado tinha um semblante determinado, so não sabia com o que ainda. Puxei-os para trás e sussurrei:

— Louise, tem algum plano?

— Tenho. — Ela respondeu também sussurrando — Mas não é muito inteligente —

— Qualquer coisa que vir de você dará certo, eu acho. Você é a mais inteligente entre nós. — Deno falou.

— Concordo com o Deno — Falei tentando encoraja-la — e então, nos diga seu plano.

— Certo, é o seguinte... Meu plano é, sairmos como se não estivéssemos vendo eles. Talvez eles não queiram confusão, só estão jogando beisebol.

— Certo. — Falei meio receoso, mas era a única coisa que poderíamos fazer mesmo. Não poderíamos esperar que eles saíssem dali porque quantas horas passaríamos ali? — Vamos fazer isso então.

Me levantei e os vi levantando também. Caminhamos pra o lado no intuito de sair de trás das arquibancadas, entrando no campo de visão de um dos 6 garotos, que fez questão de alertar o resto do grupo sobre nós.

— Fiquem parados ai. — Disse o garoto que parecia ser o mais velho entre eles. E logo os 6 formaram um paredão na nossa frente.

Paramos.

— O que vocês querem? — Perguntei engrossando a voz para parecer mais velho.

— Quem são vocês? — Perguntou o mesmo garoto, o maior.

— Ninguém em especial. Estávamos brincando ali... — apontei para as arquibancadas — ... Só que agora chegou a hora de irmos embora.

Eles começaram a se entreolhar e rir. Quando pararam de rir, um outro garoto, parecia um pouco mais novo do que o que falava antes, disse.

— E o que vocês tem nessas bolsas?

— Brinquedos. — Louise se apressou em falar — Bonecas e carrinhos. Nada que adolescentes como você goste de brincar.

O garoto fez uma careta quando Louise terminou de falar.

— Mesmo assim vamos ficar com elas!

Foi nessa hora que eu vi que eles eram uma ameaça. Logo o garoto maior começou a andar na nossa direção com as mãos para frente fazendo menção de que iria pegar minha bolsa. Antes que ele se aproximasse demais eu ergui o joelho e disferi um golpe contra suas partes. Bem... Ele não seria um problema por alguns minutos. Outros dois garotos vieram na minha direção enquanto eu fazia com a mão para que Louise e Deno se afastassem. Tirei a faca que estava guardada no cós da calça e cortei a mão do primeiro garoto, ele olhou pra mim com uma cara de assustado. Eles tinham nos subestimado.

— Damon! — Gritou Louise.

Vi quando ela saiu correndo na direção do garoto que vinha à minha lateral segurando um bastão de beisebol. Ela pulou e esticou sua perna dando um chute na área do abdome do garoto que caiu pra trás. Louise também caiu, mas Deno logo foi até ela para ajudá-la.

Três dos garotos já não eram um problema, os outros três não ousaram vir pra cima de nós, com medo de que nós os feríssemos. Aproveitamos aquele momento para correr para a rua, onde provavelmente a quantidade de pessoas os acanharia e eles não ousariam nos bater.

Se eu estivesse certo já era por volta de meio dia, a fome vinha apertando porque ainda não tinham comido naquele dia. Olhei para os meus amigos e vi as suas expressões de cansaço, talvez eles estivessem fracos por causa da fome... Comecei a me repreender mentalmente por tê-los colocado nessa junto a mim.

— Vamos, precisamos achar um telefone para fazer a denúncia e depois poderemos ver o que nos espera para o almoço.

Tentei mostrar um sorriso confiante que ficou mais parecido com uma careta.

Continuamos caminhando até que, Louise nos para alegando ter um plano. Todos olhamos para ela esperando que ela falasse o que tinha em mente.

— Vamos ali naquela loja — ela apontou para um loja de roupas do outro lado da rua. — Talvez, se eu não estiver vestida como uma mendiga eu possa pedir o telefone de algum adulto alegando que ligarei para minha mãe porque estou perdida!

— É realmente uma ótima ideia. Vamos la, compraremos um vestido pra você. — Disse Deno, que apesar de sempre negar, tinha uma quedinha por Louise.

E lá fomos nós atravessar a rua para chegar ao outro lado, rumando à loja de roupas.

— São 10 dólares, querida.

Disse Helena, a atendente da loja de roupas.

— Quanto nós temos, Damon?

— O suficiente para pagar o vestido pra você. Pode leva-lo.

— Certo. — Helena voltou a falar — Podem ir para o caixa.

Ela retirou o vestido florido do cabide e o dobrou nas mãos de Louise. Caminhamos até o caixa e pagamos pelo vestido. Eu e Deno ficamos esperando Louise na saída da área dos provadores. Logo Louise saiu de lá de dentro segurando seus farrapos na mão e fiz questão de colocar aquilo dentro da minha mochila pra que ela não precisasse ficar segurando pela rua. Ela estava linda naquele vestido. Olhei pra Deno e mesmo sem pronunciar uma palavra eu sabia que ele concordava comigo.

— Agora vamos colocar o plano em pratica — Louise falou — Vamos tentar pedir o telefone de alguém ali na frente da loja.

E eles saíram da loja. Ficaram conversando pra decidir qual seria sua vítima. Eles decidiram, Louise se afastou dos meninos e foi abordar uma moça.

— Com licença senhora, eu... Eu estou perdida, me perdi dos meus pais — Ela fez uma pausa pra se concentrar em lacrimejar e segundos depois lagrimas solitárias rolavam por suas bochechas. — Você poderia me emprestar seu telefone? Para que eu tente falar com eles...

— CLARO! Claro, tome.

A mulher estendeu o seu smartphone para Louise. Louise o tomou nas mãos e discou o número da polícia. Quando ela percebeu que os garotos estavam enrolando a mulher, fingindo que eram garotos de rua, Louise começou a falar tudo sobre o orfanato, sobre como a diretora tratavam mal as crianças... Depois que terminou a denúncia ela apagou o número da lista de chamadas e fez uma ligação aleatória pra um número qualquer.

— Senhora, muito obrigado. Consegui falar com minha mãe, ela disse que virá me buscar.

A mulher foi embora. Mas agora, eles corriam um grande perigo.

Notas finais
Então é isso, espero que tenham gostado. É a minha primeira Fic, sei que tenho que melhorar bastante ainda, mas espero que com o tempo os erros vão diminuindo até não existirem. Até o próximo capitulo, que, se eu estiver certo, sairá no dia 03/06. Ah, e se forem criticar, façam criticas construtivas e não criticas que não vão levar a nada... ♥