Obscure
13 Twelve - Welcome (Caitlin's POV).
Notas iniciais
Boa leitura (:
–Narrado por Caitlin Beadles. -
Minha respiração estava acelerada, fazendo com que meu peito “subisse e descesse” constantemente. Minha visão estava embaçada devido ao acúmulo de lágrimas, e eu tinha certeza de que meus olhos estavam bastante vermelhos. Em minha mão, a faca de tamanho médio balançava, por culpa de minha “tremedeira”. Em meus braços, o sangue – que não me pertencia – dominava. Em cada canto de meu corpo, a terra seca denunciava as várias vezes que dei de cara com o chão devido à velocidade que estava correndo.
Olhei ao meu redor, e só o que vi fora grama. Não havia mais árvores ou qualquer outro tipo de planta maior, apenas um gramado. Era como se fosse uma “divisão”, algo que separasse uma floresta de outra. Era esquisito e eu não tinha palavras para descrever, certamente. Há alguns metros dali, notei que as árvores já voltavam a ficarem visíveis. Olhei para trás, tentando não encontrar o que não queria ver. Sorri mentalmente ao não encontrá-lo.
E então, comecei a correr em direção ao “outro lado” da floresta. Eu sabia que aquilo não duraria muito e que no final acabaria sendo pega por ele – um cara vestido com roupas esquisitas, com um tipo de máscara que cobria todo seu rosto menos sua boca e seus olhos, e com uma faca enorme na mão. Mas eu também sabia que não deveria desistir, e continuaria fugindo até minhas forças esgotarem.
E foi então que me lembrei de Ryan. “Onde você está, Ry?”, pensei.
Flashback on.
Com as mãos gélidas, Ryan Butler tocou os próprios braços, acariciando o local e tentando fazer com o que o frio diminuísse. Observei-o atentamente, com um sorriso bobo nos lábios. Os pássaros lá fora cantavam constantemente, e de alguma forma, aquilo me trazia uma sensação boa. A terra ainda estava úmida, devido à chuva que ocorreu durante a madrugada – que conseqüentemente, havia nos molhado por completo.
Passei meus dedos sobre meus cabelos, tentando me distrair com algo. Ryan levantou-se do piso velho de madeira e caminhou até a janela mais próxima da cabana, observando algo desconhecido por mim. Olhei ao meu redor, admirando detalhadamente cada pedaço daquela cabana. Havíamos achado-a há poucas horas atrás, e decidimos que aquele era o melhor lugar para ficarmos no momento. Até tivemos esperança de encontrar o resto da turma ali, mas a cabana estava devidamente vazia.
Levantei-me do chão frio e dei alguns passos leves até a cama de solteiro coberta apenas por um lençol fino e branco, e em seguida sentei-me nela. O colchão não era um dos melhores, mas ao menos tínhamos um. Ao lado esquerdo da cama havia um pequeno criado-mudo, onde no mesmo havia um abajur velho – que infelizmente, não funcionava.
Um pouco próximo da cama havia uma porta branca e desgastada, e por trás da mesma, havia um banheiro improvisado. Ri mentalmente ao lembrar da expressão de “prefiro fazer no mato” que Ryan fez ao vê-lo. Espantei meus devaneios e concentrei-me em um quadro antigo pendurado na parede. Caminhei até o mesmo, querendo entender certamente que pintura era aquela.
– Deve ter sido pintada por uma criança. – Ryan disse enquanto também observava os “borrões” de cor vermelha e verde. Dei de ombros e virei-me para ele, contornando seu pescoço com meus braços e em seguida enfiando minha cabeça na curvatura de seu pescoço, dando um beijinho no local.
xx xxx xx
– Ry, aonde você vai? – Perguntei ao perceber Ryan levantar-se da cama e abrir a porta. O mesmo virou-se rapidamente e olhou-me. Mordi o lábio.
– Vou procurar algo para comermos, Cait. – Suspirou. – Volto rápido. – Apesar de algo ter me dito que não deveria deixá-lo ir, apenas assenti.
Ryan percebeu minha aflição e caminhou até mim, depositando um beijo em minha testa e um selinho em meus lábios. Passou-me um olhar de confiança, e de repente, eu não estava mais preocupada com definitivamente nada. Logo se retirou da cabana, deixando-me sozinha. Respirei fundo, tentando convencer de que aquele escuro não conseguiria me afetar. Eu poderia, deveria, precisaria não me incomodar com ele.
A verdade é que eu estava possivelmente morrendo de medo. E eu sabia perfeitamente o porquê.
Dei de ombros e deite-me na cama, sentindo meus músculos relaxarem. Dormir sempre era melhor, pois sempre me fazia esquecer de meus problemas. Minhas pálpebras começaram a pesar, e quando me dei conta, já estava dormindo.
Flashback off.
Deveria ser, no máximo, cinco horas da tarde. Ou seja, fazia teoricamente umas cinco ou seis horas que eu não via Ryan. Eu não sabia onde ele estava, se ele estava bem ou até mesmo se ele ainda estava... Você sabe, vivo. Tentei espantar tal possibilidade de minha mente, e concentrei-me em esconder-me atrás de alguns arbustos após finalmente chegar ao “outro lado” da floresta.
De repente, uma ânsia de vomito enorme me consumiu. Levei minha mão direita até minha boca, cobrindo-a e tentando não gritar. Meus olhos, definitivamente, não conseguiam acreditar no que acabara de ver. Era um corpo. Um corpo pendurado em um galho de árvore, coberto por chamas. Sim, ele estava pegando fogo. Apoiei-me em uma árvore e agachei-me, colocando o todo o pouco de comida que ainda restava em meu estômago – provavelmente, de dias atrás – para fora.
Logo voltei minha atenção ao corpo, que parecia ser de uma mulher. Tentei reconhecer – o que era quase impossível, já que as chamas o cobriam intensamente – e torci para que não fosse alguém ao qual eu conhecesse, especificamente, Taylor. Me senti mais aliviada ao saber que não era minha amiga, mas de qualquer forma, ainda estava extremamente nervosa. De repente, algo no chão me chamou a atenção. Era um papel, na verdade, um bilhete. Abri-o rapidamente, deixando minha faca – que eu havia, estranhamente, encontrado dentro da única gaveta do criado-mudo daquela cabana – de lado por alguns segundos.
“Olá, Caitlin Beadles, bem-vinda ao meu jogo. Preparada para a largada? Espero que sim, pois a partir de agora, sua vida será um inferno. Você perderá tudo, desde as pessoas que você ama, até a sua própria vida. E lembre-se, meu jogo, minhas regras.”
Notas finais
xoxo, DangerousB.
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