Oasis

34 Vai se foder


Notas iniciais
Mesmo estando ocupada, como vocês foram bonzinhos e não me esqueceram, me perdoando pela demora e comentando... Eu fico muito feliz de trazer esse capítulo pra vocês. Eu espero que gostem porque a história está entrando em uma nova fase!!!! p.s.: EU AINDA VOU RESPONDER OS COMENTÁRIOS!!!! NÃO ACHEM QUE NÃO VOU!!!

Caía uma chuva desgraçada lá fora e o russo estava ensopado enquanto me olhava com uma cara mal humorada. Nem esperou que eu concedesse licença para ele, só foi me empurrando e adentrando casa a fora.

Fui atrás daquele prego e o achei na sala, agachado na frente de Mia. Eles eram os únicos naquele cômodo. A menina estava esfregando os olhinhos e tentando entender o que estava acontecendo. O moreno parecia alterado e sem paciência.

— A gente precisa ir embora – Insistiu Grey.

— Mas pai – Choramingou – Eu quero ficar aqui com a mãe!

Ele levantou, andando de um lado para o outro. Nem parecia perceber que eu estava ali.

— Ele não é sua mãe! – Gritou – Ele não pode ser a sua mãe!

A menina olhou para o prego com os olhos arregalados, sem entender o que estava acontecendo. Logo seus olhos começaram a ficar úmidos e a menina já estava chorando.

Nem pensei duas vezes antes de gritar pelo Caio. A menina parecia ter se afeiçoado a ele.

— Que foi, 'carai? – Esbravejou de volta.

— Vem aqui!

Enquanto esperava o loiro chegar, encarava Grey que olhava de mim para Mia com uma expressão estranha.

Ao invés de Cai, quem apareceu foi Eric. Ele nos observou de uma maneira estranha e saiu correndo quando percebeu a criança chorando. Não perguntou nada, apenas saiu com a menina no colo. Suspirei assim que estávamos sozinhos.

Senti, de repente, uma onda de irritação pelo jeito que ele estava tratando a irmã. E eu, que daria tudo só pra ter o meu de volta.

— O que você pensa que está fazendo? Gritando com ela desse jeito?! – Perguntei com a voz baixa, mas alterada.

— Isso não é da sua conta. Para de se intrometer na minha vida!

— Você é um idiota! Tu faz parte da minha e eu faço da tua. Não tem como dizer não pra isso, caralho! Você 'tá vendo o que 'tá fazendo? Sabe o quanto eu daria pra poder ter meu irmão de volta e tu trata a Mia assim?!

E, no final, eu já estava gritando.

— Eu não pedi por nada disso, Logan! Tu se forçou em cima de mim, da minha vida. Estava tudo bem enquanto tu não tinha aparecido!

E ele gritou de volta.

Me assustei. Era a primeira vez que eu o via tão alterado e até... Desesperado. Olhei bem para o seu rosto durante um tempo. O russo tinha uma das mãos na cintura e a outra na testa, esfregando-a com rapidez.

Reuni coragem pra falar o que eu pensava já tinha um tempo.

— Não, tu não 'tava bem. Tu não está bem – Disse baixo enquanto me aproximava – Eu sei disso porque eu também não 'tô, 'tá legal?

O moreno me olhou surpreso, abrindo a boca diversas vezes sem, no entanto, dizer alguma coisa. Ele suspirou e passou as mãos no cabelo nervosamente.

— Não me vem com essa psicologia barata aí. Eu não vou... Me abrir com você.

— Meu Deus! Como você me irrita! Puta que pariu, russo!

— Cala a boca! Já 'tá tudo difícil o suficiente! Você não tem ideia de como é criar uma criança sozinho, dar conta de tudo e ainda trabalhar que nem um condenado 'pra não morrer de fome. E claro, não posso esquecer da porra da escola porque eu tenho que me esforçar trinta vezes mais porque não tenho dinheiro que nem vocês filhinhos de papai! Você não sabe de nada, seu filho da puta. Não fala como se soubesse!

Grey praticamente gritava aquilo tudo enquanto se aproximava de mim. No final, suas mãos estavam no colarinho da minha blusa e seu rosto estava bastante perto. Sentia sua respiração alterada no meu rosto, assim como ele podia ver muito bem o meu espanto.

Meus olhos estavam arregalados. Era muita informação jogada na minha cara e eu sabia que ainda tinha muito mais. Fiquei sem reação por um instante, encarando aqueles olhos que me miravam com raiva.

Decidi o que fazer.

Movi meus braços. Enrolei-os envolta da nuca dele e o apertei em um abraço estranho. Ele tentou se soltar, bateu no meu peito, mas permaneci o apertando fortemente contra meu corpo. Seu rosto no meu ombro. Suas mãos apertando minha camisa.

Era muito estranho.

Suspirei. De frustração, de indignação, de tudo.

— Agora eu acho que a gente já 'tá quite – E soltei uma risadinha tensa, fazendo uma alusão à promessa, na qual "tínhamos feito" antes, que um dia eu contaria algo sobre mim pra ele e ele faria o mesmo.

Ouvi o prego respirar fundo.

— Vai se foder.

— Com muito prazer – Ri – Mas depois que a gente tiver uma conversinha, russo.

— Eu não acredito que abri a boca, caralho. Te odeio pra porra – Grey xingou baixinho, só pra ele, mas eu consegui escutar.

— Eu não acho que te odeio tanto assim – Dei uma risadinha nasalada.

Esse sentimento que eu sentia por ele, na verdade, estava muito longe de ser algo ruim. Era uma raiva misturada com ódio, mas com tantos outros sentimentos bons. Era sufocante.

— Acho que já dá pra me soltar.

— Nem! – Apertei seu corpo mais contra o meu – Falando sério agora, que coisa sinistra que aconteceu pra te deixar assim hoje?

— Eu... – Inspirou fundo e, automaticamente, seus braços vieram ao encontro da minha cintura e me apertaram contra ele.

Me assustei pela sinceridade.

Ele agora parecia com a guarda baixa e bem abalado.

Me incomodava de alguma forma.

— Tu?

— Ai, porra. Tu é muito insistente. Quer saber? Foda-se também. Eu perdi o emprego. Foi isso. O lugar em que eu trabalhava quebrou. Agora a gente vai passar fome. Puta que pariu. Como que eu vou pagar a merda do aluguel?

E eu escutei tudo caladinho à medida que o moreno me apertava mais. Eu estava surpreso, muito surpreso com essa atitude. Mas talvez fosse algo que ele precisava naquele momento.

Entendi que a gente não conseguia ser forte todo o tempo. Nem mesmo ele. E, provavelmente, eu só havia o pegado em um momento de fragilidade. Algo que Grey, com certeza, não queria. Mas eu acreditava que era para o melhor.

Muitas vezes, precisamos de esse tipo de apoio. Foi ali que acabei percebendo que não ligaria de ser o alguém que o apoiaria.

— E seus pais?

— Não quero falar sobre isso.

E eu respeitei. Já o tinha forçado demais por hoje.

— Vocês têm algum lugar 'pra ficar?

— O que você acha? – Murmurou mal humorado.

— Que não. Tu é chato demais. Puta merda – Ri um pouquinho da chatice daquele idiota – Tu e a Mia ficam aqui. Decidido.

Ao escutar isso, Grey se afastou de mim rapidamente, me olhando com uma cara estranha e meio debochada.

— Nunca. Tu não tem nenhuma obrigação com a gente. Eu nunca ia ficar aqui de favor.

— Ah, claro. E o que vai fazer? Estamos no Brasil, no meio de uma crise. Tu vai fazer o quê? Ir pra rua e morar lá com tua irmãzinha? Vai fazer isso quando tem a oportunidade de ficar aqui? Tu não vai encontrar um trabalho com tanta facilidade por enquanto. Vocês ficam aqui e pronto, russo.

Cruzei os braços, desafiando-o.

Grey me olhou e depois começou a andar de um lado para o outro, tentando decidir o que fazer. De repente, virou para mim e me segurou pelos braços, parecendo bem sério.

— A gente fica, mas eu tenho duas condições.

Pensei um pouco e achei que o melhor era aceitar do que deixa-los na rua.

— Quais?

— Eu vou ajudar na casa. Vou arrumar um trabalho. Não fico aqui de favor sem pagar ou ajudar na limpeza, em qualquer coisa.

— Tudo bem. E a outra?

— Você vai ter que voltar com o tratamento.

Não! Isso não...