Oasis

35 Ódio e Ciúmes


Notas iniciais
Olá galerinha. Acho que vocês devem estar chateados pela demora, mas eu realmente não consegui vir com esse capítulo mais cedo. Além do meu computador ter pifado, eu estou hiper mega ultra super ocupada. Acho que nunca estive tão ocupada e muito menos estudei tanto assim na minha vida toda. Mas consegui escrever isso aqui pelo celular entre uma aula e outra, então eu espero que não tenha ficado muito bosta e que vocês gostem. Esse capítulo traz um coisa que vocês, provavelmente, já sabiam e estavam esperando. E é bem fofo também. Depois me digam o que acharam da interação entre o casal 10 e o Logan, haha. Muito obrigado a todos vocês que continuam aqui, acompanhando essa história, mesmo que não seja a melhor do mundo! E pode ter certeza que ainda responderei os comentários de vocês (e eu li todos, só não tive tempo porque eu quero responder direitinho e com carinho)!!!

"O brasileiro se esqueceu do Brasil. Não aprendeu a ser um cidadão e a praticar a cidadania. Inflamou o seu ego ao ponto de acreditar que o certo não é relativo. Ao ponto de querer julgar mais do que a lei. De querer ultrapassar a constituição. Os direitos humanos. Cultivou o sentimento de querer ultrapassar o outro. De sentir a necessidade de ajudar no desenvolvimento de uma cultura barata e, muitas vezes, corrupta. É furando uma fila, roubando uma caneta, sonegando impostos, praticando o bullying e o preconceito, prejudicando o outro ou desviando milhões de reais do dinheiro público, que matamos o Brasil. Inibimos o bom de ser brasileiro e evidenciamos o ruim de ser um cidadão do Brasil. No fim, sou igual a todos e o poder de citar os pontos negativos também é meu. É meu sim, pois também sou o Brasil. Assim, não existe na minha alma o lado a favor do esquerdismo ou do direitismo. Eu sou a favor do meu país. A favor da cultura, da educação. Eu sou a favor dos brasileiros."

"— Você vai ter que voltar com o tratamento.

Não! Isso não..."

— Eu não vou não – Olhei para ele meio assustado – Não! De jeito nenhum. Não mesmo.

Comecei a me afastar do moreno, passando a mão pelos cabelos em um gesto um pouco desesperado. Eu realmente não queria começar com tudo aquilo de novo. Todas as vezes em que eu me sentava naquela cadeira, naquela sala com cheiro de produto de limpeza e aquelas cartelas de remédio infinitas.

— Ou você vai e a gente fica, ou vamos embora – Sentou-se no sofá e me encarou seriamente – Você mesmo disse que não estava bem.

— E não estou! – Praticamente gritei – Mas isso não quer dizer que tenho que voltar pra lá!

— Logan, deixa de ser infantil e reconhece as suas necessidades!

Me irritei. Quem era ele para falar aquele tipo de coisa?

— Falou o senhor que sempre reconhece tudo – Resmunguei – Você não tem o direito de me falar nada disso sendo que não consegue fazer o mesmo.

— O que você sabe sobre mim para falar essas merdas?

— Eu sei que você, na verdade, tem muito medo de admitir que sente alguma coisa. Porquê? Tem medo de se machucar? Deixa de ser covarde, Grey!

— Você vai se foder! – Respondeu-me sem paciência – Não sei se percebeu que estamos falando de você e não de mim. Aliás, se você não fosse um babaca, quem sabe poderíamos abrir uma pauta sobre esse assunto.

— Cala a boca – Joguei-me no sofá o mais distante dele que possível e fechei os olhos, cansado – Por que você tem que ficar falando desse jeito todo formal? Isso é irritante.

— Não desvia do assunto.

— Não estou.

— Está sim!

— Por que você se importa? Não quero ser entupido de remédios de novo e esquecer até que eu existo.

— Deixa de ser dramático.

— Fala isso porque não é você, prego – Esfreguei o rosto, tentando decidir qual era a opção certa.

Meus pais, com certeza, apoiariam a ideia. Até meus amigos traidores me incentivariam. E isso era definitivamente um problema. Eu não queria. Me recusava totalmente.

— Só escolha. Te dei duas opções e só duas.

— Eu... – Interrompi-me, pensando se eu deveria me abrir daquele jeito pra ele – Eu só sinto que vou me esquecer dele se continuar com aquilo – Falei mais baixo, rezando para que ele não me ouvisse.

Mas ele ouviu.

Suspirou como se aquela conversa estivesse sendo a coisa mais irritante do mundo para si. Encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos por alguns segundos.

— Não é como se os remédios tivessem superpoderes para te fazer esquecer, Logan – Olhou para mim de um jeito novo e, com certeza, estranho – Só faça isso e alivie o coração de todo mundo.

Fiquei encarando aquele rosto muito branco por muito tempo. Os cabelos molhados grudando na testa e as roupas encharcadas molhando o sofá. Não pude me importar menos com aquilo no momento.

Durante aquele tempo, que durou mais do que parecia, eu pensei seriamente em tudo que havia me acontecido em todo esse tempo. Pensei e pensei. Inevitavelmente, cheguei a uma conclusão.

— Inclusive o seu? – Tentei descontrair, arqueando as sobrancelhas, e ele não falou nada, muito menos expressou alguma coisa – Tudo bem. Eu vou, mas só se eu não tiver que usar nenhum daqueles remédios.

— Isso já não é comigo.

— Você venceu – Resmunguei – Vamos lá 'pra cima.

Levantei do sofá e fui em direção ao meu quarto, subindo as escadas enquanto choramingava por ter cedido. Quando cheguei no cômodo, Eric e Caio estavam deitado na cama com Mia.

Procurei por uma toalha, cueca e blusa. Entreguei as peças de roupa para Grey que me olhou com uma expressão claramente confusa. Ri um pouco e sentei-me na beira da cama.

— Você esqueceu a calça?

— Esqueci? – Fingi-me de desentendido.

Vamos dizer que a imagem do Ivanovich com apenas uma blusa minha e as coxas de fora era um tanto quanto interessante.

— Você é um babaca – Reclamou antes de se virar e ir ao banheiro.

Sentia o olhar dos outros dois que estavam ali perfurando minhas costas. Joguei meu corpo para trás, apoiando minha cabeça na coxa um pouco musculosa de Caio.

Um silêncio se instalou naquele quarto. Só podia ouvir o barulho de Mia vindo se aconchegar em cima do meu peito. Depois de um tempinho, não aguentei aquele clima chato.

— Desembuchem – Pedi.

— Não dissemos nada – Cai tentou se defender.

— Por isso mesmo. Vocês não disseram nada. Nadinha!

— 'Tá, tudo bem – Resmungou – Só estávamos curiosos. E quem sabe um pouco preocupado com aquela gritaria de agora a pouco.

— O Grey pode até não ser nosso maior fã, mas ele anda com a gente. Acabamos nos importando – Disse Eric ao mesmo tempo em que tentava chegar mais perto do namorado.

— Não seria vocês se não fossem desse jeito – Dei uma risada fraca – Digamos que eles vão passar um tempo aqui em casa por uns probleminhas com falta de grana.

Antes que eles pudessem responder, ouvimos a porta do banheiro ser aberta parcialmente e a cabeça de Grey aparecer. Mia olhou para ele um pouco receosa e fiquei meio desconfortável com aquela situação.

O moreno fez um gesto com as mãos que eu não entendi, mas que parecia ter muito significado para a criança. Ela sorriu, deixando algumas lágrimas cair nas bochechas gordinhas.

Grey abriu mais a porta e a menina pulou do meu colo, saindo correndo para abraçar o "pai". Ele pegou alguma roupa no meu armário, pegou a irmã no colo e fechou a porta novamente. Deveria querer dar um banho na garotinha antes de irmos dormir. Ouvi suas vozes conversando, mas me lembrei de uma coisa.

— Cadê a Iris? – Perguntei enquanto me virava um pouco de lado e cedia alguns beijinhos na perna de Caio.

— Ela disse que o Art ligou e que ia ensinar umas poucas e boas pra ele. Saiu correndo pela porta sem nem olhar pra trás – Riu um pouco e se sentou na cama para me puxar para deitar no meio dele e do Eri.

— Menina bizarra – O moreninho deu uma risadinha e senti o ar de sua respiração batendo na minha nuca.

— Vocês dois estão gostando de me assediar – Murmurei meio hipnotizado enquanto via ambos se apoiarem nos cotovelos e se beijarem acima de mim.

No início, era apenas um selinho, mas deu para ver quando a língua de um dos dois pediu passagem e os músculos molhados começaram a explorar a cavidade de cada um. As vezes as línguas se encontravam fora da boca e se encostavam devagar.

Caralho, isso era sexy.

— O que? Nós?! Claro que não – Eric falou, se fingindo de desentendido, após pararem de se agarrar.

— Se eu começar a devolver, acho bom não acharem ruim – Sorri maliciosamente.

— A gente não começa o que não temos intenção de terminar – Brincou Caio antes de me direcionar uma piscadela com o olho direito.

Encarei o rosto um pouco barbado de ambos e soltei uma risadinha com um som um pouco nasal. Eu estava mesmo tendo aquele tipo de conversa com dois caras e, ainda por cima, eles eram meus melhores amigos. Era novo pra mim e um pouco estranho.

— Vocês não sentem ciúmes? – Fiquei curioso.

— Eu morro de ciúmes. Mas não com você. Além de estarmos brincando, você é nosso melhor amigo, cara – O loiro disse, dando uma de sentimental.

Eu só pensava onde eu tinha arranjado esses loucos porque, sinceramente, eu não conhecia outros caras que fossem que nem eles. Parece que o destino me recompensava pelo menos uma vez.

— Tudo bem então – Me apoiei nos cotovelos também e dei um selinho em Eric por alguns segundos. Logo depois foi a vez do loiro bombadinho que era seu namorado.

Porém, enquanto ainda estávamos com nossas bocas coladas, ouvi a porta do banheiro sendo aberta mais uma vez.

Grey estava com Mia no colo e me olhava de um jeito enigmático. Ele saiu com passos pesados e bateu a porta quando passou por ela. Olhei para os meninos, que riam com a situação.

— Não estou entendendo vocês, filhos da puta – Resmunguei.

— Seria bacana se vocês se acertassem – Eric me empurrou para deitar na cama e se debruçou em cima de mim.

— Não sei do que está falando.

— Sério? – Sorriu de um jeito estranho.

Caramba, estava muito quente por aqui.

— Vocês beberam? – Fingi estar preocupado.

— Bem que a gente queria – Choramingou Caio e se debruçou sobre mim também.

— Agora já deu. Vou ir lá falar com aquele prego.

— Vai lá – Disseram juntos e, quando me levantei, senti um tapa estalado na minha bunda.

Era aquele loiro pervertido.

Ri, balançando a cabeça em negativa. Eles com certeza estavam muito manhosos aqueles dias. Alguma coisa não estava certa e eu faria questão de descobrir a verdade mais tarde. Suspirei e saí do quarto. Desci as escadas e encontrei Grey e Mia deitados no sofá que não estava meio úmido.

— O que estão fazendo aí? – Indaguei.

— Indo dormir. Pode continuar com aquilo lá que estavam fazendo.

— Fala sério, Grey – Ri – Estávamos apenas brincando.

— Brincadeira idiota. Minha irmã não merece ver essas coisas. Enfim, não me importo. Tchau. Boa noite – Fechou os olhos e abraçou mais a garotinha que ainda estava acordada.

— Poxa, não me ignora não – Cheguei mais perto e abri os braços para Mia que veio se agarrar no meu pescoço.

O moreno abriu os olhos e me encarou com uma raiva mal contida.

— Agradeceria se nos deixasse em paz.

— Só vamos dormir no quarto. Aqui está frio e nem trouxe uma coberta.

Peguei sua mão gelada e, mesmo que ele tentasse ficar ali, fiz com que levantasse e subisse as escadas. Não pude deixar de reparar, com a luz do corredor acesa, no seu estado.

Ele ficava realmente atraente vestindo apenas uma cueca e uma blusa. A bunda redondinha marcada e o meu cheiro nele. Toda aquela situação inesperadamente me atraía.

Quando chegamos e eu abri a porta do meu quarto, a luz estava apagada, mas, pela claridade do corredor, pude ver que os meninos estavam praticamente dormindo em um colchão estendido no tapete.

Deitei no meu colchão com a princesinha e Grey veio junto, apertando-se naquela cama pequena. Mia deitou no peito do "papai" e, em pouco tempo, estava dormindo. Fiquei olhando para o teto por um tempo, sem conseguir dormir. De repente, me lembrei de uma coisa.

— Grey? – Chamei para ter certeza que não estava adormecido.

— Fala – Respondeu meio mal humorado.

— O que foi aquele gesto com as mãos que fez para Mia hoje mais cedo? – Indaguei realmente curioso.

A princesinha tinha ficado realmente feliz com aquilo.

— Não fiz nada – Tentou se fazer de desentendido.

— Nem vem, eu vi. Ela ficou feliz quando viu.

Ele suspirou.

— Se eu falar, vai me deixar dormir, caramba?

— Só porque pediu com gentileza – Ri debochado.

O silêncio estava ali novamente até que ele resolveu abrir a boca.

— Eu disse "eu te amo" na linguagem de sinais – Ele disse assim, do nada, sem nem me preparar.

Por algum motivo que só Deus sabe, me senti um pouquinho emocionado. Ah, qual é, aquilo era muito fofo e, com certeza, muita informação para a saúde do meu coração e mente.

Aquilo me fez pensar algumas besteiras. Estava matutando coisas complicadas que eu não deveria pensar e era tudo culpa dele e de suas ações estranhas e inconstantes. Por sorte, sua voz quebrou o silêncio.

— Você tem certeza do que disse hoje? – Ouvi ele dizer seriamente.

— Sobre vocês ficarem aqui?

— Sobre o que mais seria?

— Chato – Resmunguei – Sim, eu tenho certeza.

— Espero que não se arrependa.

— Não vou – Disse e ficamos em silêncio por um longo tempo – Ainda 'tá acordado?

— Se não me apertasse tanto contra essa parede, eu já estaria dormindo – Resmungou.

— Foi mal – Arredei o máximo que consegui sem cair da cama – Eu... Ah, eu me sinto estranho.

— Hm? – Fez um som e deu a entender para que eu continuasse.

— Sobre a gente.

— Não existe "a gente".

— É sério! Estou conseguindo chegar mais perto de você e isso é tão estranho.

Grey não disse nada. Fiquei ouvindo o som da sua respiração perto do meu ouvido e eu acabei me sentindo tão diferente. Aquela sensação não tinha como descrever. Não era aquele idiotice de filme de romance.

Era muito mais real. E eu acabei me dando conta que talvez eu estivesse me apaixonando. Me apaixonando de verdade.

Aquilo me assustou. Ali, deitado naquela cama ao seu lado, sentindo o calor do seu corpo ao ter nossos ombros colados e com sua irmã no seu colo, respirando calmamente... Tudo parecia tão fantástico.

Toda aquela situação com o meu irmão parecia me levar diretamente para aquilo. E tudo me assustava. Meu olhos estavam arregalados. Minha respiração descompassada.

Não conseguia acreditar. Coloquei a mão no rosto quando imaginei que ele já estivesse dormindo. Porém me assustei quando ouvi sua voz baixa. Me assustei mais ainda com o conteúdo daquelas palavras.

— Eu realmente te odeio por insistir e conseguir chegar tão perto.

Notas finais
Muitíssimo obrigado à todos que chegaram até aqui!! Vejo vocês nos comentários!